quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No meu copo 645 - Ramos Pinto Collection 2006, 2008, 2009

Depois da prova anterior do Ramos Pinto Collection, houve oportunidade de fazer uma prova vertical com as colheitas de 2006, 2008, 2009 e 2010 a acompanhar um repasto de lombo de porco no forno com coentros.

Começou-se pelo 2006, que deixou toda a gente extasiada! Apresentou-se com grande exuberância aromática, muito estruturado e persistente. Curiosamente, sendo o mais antigo dos quatro foi o que apareceu mais pujante e com menos evolução. Um par perfeito para o prato.

Prosseguindo na ordem cronológica, passou-se ao 2008, que foi o mais suave e elegante, e mereceu a preferência de alguns dos provadores. Apareceu num estado de evolução mais delicado e a pedir carnes mais requintadas.

O 2009 foi o mais neutro em termos de aroma e corpo. Mais elegante mas menos definido nas suas componentes, talvez num ponto de evolução mais incerto.

Finalmente foi possível repetir o 2010, que voltou a mostrar a grande exuberância que já tinha apresentado na prova anterior.

Num panorama geral, o que marca estes vinhos é por um lado a estrutura e persistência, com taninos bem marcados mas redondos; por outro a elegância subjacente que. mesmo nas colheitas donde resultaram vinhos mais poderosos, está sempre presente no modo como o vinho arredonda na prova de boca e no final. Com estas idades as notas frutadas já não são muito evidentes, mas tendo em conta as castas os traços essenciais são de frutos vermelhos maduros com ligeiras notas mentoladas e florais. Em todo o caso, excelentes vinhos em qualquer uma das colheitas, todas diferentes umas das outras.

Ainda restam alguns exemplares noutra garrafeira, pelo que qualquer dia poderemos repetir uma vertical para testar novamente o estado de evolução.

O rótulo de 2008, inspirado no tema “Tentação de Santo Antão”, foi desenhado em 1907 por Leopoldo Metlicovitz. O de 2009, que deixa para trás a Belle Époque para se render à idade do Jazz Band (descrição presente no contra-rótulo), chama-se Farandolle e é uma obra de 1926 de Leonetto Cappiello, considerado o melhor “cartazista” do seu tempo. O de 2010 mostra uma imagem de bacantes com tigres, obtida num postal de 1916.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Preço: 9,75 € (em 2013)

Vinho: Ramos Pinto Collection 2006 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Ramos Pinto Collection 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%), outras (25%)
Nota (0 a 10): 8


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