sexta-feira, 25 de novembro de 2016

3º Bairradão em Lisboa





Foi no passado dia 28 de Maio que se realizou no Hotel Real Palácio a 3ª edição do Bairradão em Lisboa, com a habitual organização da garrafeira Néctar das Avenidas.

Tal como na anterior edição, tive oportunidade de me deslocar à sala de provas, de participar numa prova especial dedicada ao tema “A história da Casa de Santar” e ainda num jantar vínico, neste caso com vinhos da Dão Sul/Global Wines, ambos os eventos apresentados pelo enólogo Osvaldo Amado.

Já passaram 6 meses sobre o evento, pelo que seria maçador estar a enumerar os produtores presentes no evento. A lista está nas imagens anexas.

Tendo em conta que havia muito para provar, desta vez dediquei-me menos às provas livres. Andei por ali a provar sobretudo brancos e espumantes, pois o calor chamava para aí. De destacar um momento especial, com a prova dum vinho que está a ter algum impacto (pelo menos junto dos apreciadores da Bairrada), o 2221 Terroir de Cantanhede tinto 2011, feito em parceria entre a Adega Cooperativa de Cantanhede e as Caves São João: 2 produtores, 2 enólogos (Osvaldo Amado e José Carvalheira), 2 castas (Baga e Cabernet Sauvignon), 1 terroir (Cantanhede – O Cabernet Sauvignon provém da Quinta do Poço do Lobo, propriedade das Caves São João situada no concelho de Cantanhede). Simplesmente excelente! O preço condiz: cerca de 40 €!

Outro momento especial foi uma prova de vinhos da Casa de Santar, orientada pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foram provados vários tintos desde a colheita de 1994 até à de 2012. Destacaram-se as colheitas de 1994, 1995 e 2000 e 2011 pela elegância, 1998 e 2003 pela juventude ainda mostrada. O de 1996 mostrou-se em queda, com sinais claros de oxidação, enquanto o de 2012 apareceu demasiado novo, com demasiados taninos e a precisar de evolução na garrafa.

Mais para a noite houve o jantar buffet com vinhos da Dão Sul, de novo com apresentação de Osvaldo Amado. Neste foram degustados vinhos da Quinta de Cabriz, da Casa de Santar, do Paço dos Cunhas de Santar e, proveniente da Bairrada, da Quinta do Encontro.

Começou-se com o espumante Cabriz bruto natural, já nosso conhecido, que confirmou a levez e frescura que habitualmente o caracterizam e posicionam como uma aposta com boa relação qualidade/preço para quem pretende um espumante que não comprometa sem ter de pagar muito por ele. A par deste tivemos um blanc de noir, também um Cabriz produzido exclusivamente com Touriga Nacional, que mostrou alguma acidez e algum floral mas menos elegância.

Seguiram-se os brancos tranquilos, Casa de Santar Reserva 2014, Cabriz Reserva 2015 e Encontro 1 2012. Este último, o bairradino, mostrou-se claramente um vinho superior. Produzido apenas 4 a 5 vezes por década e apenas com a casta Arinto, é um branco com grande acidez e enorme estrutura, frescura e persistência. Claramente um vinho de outro campeonato. Os Cabriz e Santar mostraram a elegância e frescura habituais no Dão, com este um pouco mais estruturado que aquele.

Nos tintos tivemos alguns dos pesos-pesados: Cabriz Reserva 2012, Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 e uma surpresa no final, um Cabriz 25 anos 2011, comemorativo dos 25 anos de produção da quinta, elaborado com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Baga. Um vinho absolutamente espantoso, com um aroma extraordinário, algo absolutamente fora do comum. A par do sempre excelente Vinha do Contador, este Cabriz 25 anos conseguiu ainda estar melhor. O Cabriz Reserva 2012 cumpriu o que é habitual, num registo médio-alto, mas ao pé dos parceiros de ocasião pareceu um vinho banal...

No final ainda pudemos provar um licoroso, como agora acontece em várias regiões: onde não se pode fazer vinho do Porto fazem-se licorosos que são parecidos. Não sendo um Porto, saiu-se menos mal.

No fim dum longo dia, lá voltámos a casa regalados com tantos bons vinhos e boa comida. Sim, porque a par de tudo isto houve um jantar. A ementa está aqui. Nenhum reparo a fazer: tudo bom.

Parabéns à Néctar das Avenidas por mais um excelente evento. Hoje é dia de mais um, o 60º, a assinalar o 5º aniversário da garrafeira. Parabéns a dobrar, portanto!

Kroniketas, enófilo refastelado

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