quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

No meu copo 585 - Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014

Ainda na Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com um monocasta.

Este Alicante Bouschet apresenta uns quase impensáveis 15,5% de álcool, mostrando-se com uma cor carregada quase opaca. Tenho alguma dificuldade em descrevê-lo, pois nenhuma característica particular sobressai do conjunto, a não ser corpo e estrutura.

Quanto ao resto... talvez precise de tempo em garrafa, ou de arejamento num decanter. Nada aqui dá especial realce às características do Alicante Bouschet: já sabemos que é uma casta tintureira, daí a sua cor fechada, mas em termos de aroma e persistência fiquei algo baralhado.

O contra-rótulo diz que tem “aroma a fruta preta com notas de cacau e algum fumado, na boca é muito encorpado, cheio e fresco com taninos bem maduros, final longo e muito persistente”.

Seja...

Kroniketas, enófilo confuso

Vinho: Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito
Grau alcoólico: 15,5%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 € (3,99 € em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 18 de fevereiro de 2017

No meu copo 584 - Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade): tinto 2015; branco 2015

Nova ronda pela Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com a marca Premium.

O branco, produzido com um lote das castas clássicas, apresenta uma cor palha clara, aroma com predominância a frutos tropicais, algum cítrico e notas minerais. Na boca é medianamente encorpado e estruturado, com persistência média.

O tinto apresenta-se encorpado, estruturado e persistente, com algumas notas vegetais no aroma e predominância a frutos vermelhos, não muito intenso mas agradável.

Em suma, dois vinhos médios, que agradam com facilidade sem encantar.

Mas atenção: o preço base indicado é excessivo para a qualidade dos vinhos. Estas promoções, como sabemos, são muitas vezes enganadoras, e neste caso um desconto de 6 € por garrafa não se percebe donde vem. Mas o preço em promoção é mais adequado do que o preço de partida. Será mais um daqueles casos de preço inflacionado, com uma pseudo-promoção que o baixou para o seu valor real?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

No meu copo 583 - Vila dos Gamas (Ato II - A Partida): Master Collection 2014; Antão Vaz 2015

Vidigueira.

Concelho a norte do distrito de Beja, sensivelmente a 2/3 de distância do litoral e 1/3 da fronteira espanhola (em longitude), na transição entre o Baixo e o Alto Alentejo, com o qual confina (em latitude).

Região vitivinícola mais a sul no Alentejo com direito a produção de vinhos com Denominação de Origem Alentejo, abrangendo os concelhos de Alvito, Cuba e Vidigueira, com orientação geográfica transversal, de oeste para leste.

Daqui se diz que é um local de eleição para a produção de vinhos brancos com uma frescura muito particular em relação a outras zonas do Alentejo, devido à influência da serra do Mendro, que marca precisamente a fronteira entre os distritos de Beja e Évora. Segundo o site Vinhos do Alentejo, “as escarpas de orientação este-oeste, com cerca de 50 km de comprimento, condicionam o clima da Vidigueira, convertendo-a, apesar da localização tão a sul, numa das sub-regiões com o clima mais temperado do Alentejo”.

Daqui se diz também que é o berço do Antão Vaz, casta branca que aqui encontra o terroir ideal para se expressar.

Por alguns destes factores, ou por todos eles, nas duas últimas décadas a região viu chegar um conjunto de produtores de renome, ou que aqui construíram o seu próprio nome e o deram a conhecer ao mundo vínico. Empresas como a Sogrape – o maior produtor nacional – que do Douro, Dão e Bairrada se expandiu para sul com a Herdade do Peso, próxima de Pedrógão, Cortes de Cima, Paulo Laureano, António Lança com a Herdade Grande, Herdade do Rocim, Herdade do Sobroso, vieram juntar-se à Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que entretanto quase desapareceu do mapa. Lembro-me do Vila dos Gamas e dum quase intragável Navegante...

Desde há alguns anos começaram a surgir nas prateleiras novas referências desta adega, com um sucessivo aumento das marcas disponíveis, o que me levou a adquirir algumas referências para ir experimentando o que há.

Nesta nova etapa, cada marca está associada a um acto, cujo significado não consegui apurar no site da empresa, mas que será mencionado na ficha do vinho.

Já tive oportunidade de provar o Grande Escolha branco e tinto (Ato V: A Decisão); agora coube a vez ao tinto Master Collection e ao branco Antão Vaz (Ato II: a Partida).

O tinto Master Collection apresenta aroma algo discreto a frutos compotados. Na boca é fresco com alguma complexidade, corpo e estrutura medianos e final suave e não muito longo.

Quanto ao branco de Antão Vaz, apresenta-se de cor citrina, aroma a fruta tropical e leves notas minerais. Na boca apresenta-se encorpado e untuoso, com estrutura média e final suave.

São dois vinhos interessantes, embora longe de encantar. Outros se seguirão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vila dos Gamas Master Collection (Ato II - A Partida) 2014 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 € (2,49 € em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vila dos Gamas, Antão Vaz (Ato II - A Partida) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em hipermercado: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No meu copo, na minha mesa 582 - Monte Mayor Reserva tinto 2014; Restaurante A Escola (Cachopos - Alcácer do Sal)



O restaurante A Escola, localizado na estrada que liga Alcácer do Sal à Comporta, é um caso notável de sucesso que se poderia considerar improvável. Não fica num local de passagem, não fica muito perto de nenhum grande centro urbano, só tem campo à volta. Tem de se ir lá de propósito. E as pessoas vão.

Esta foi a terceira tentativa para nos sentarmos à mesa deste restaurante. As duas passagens anteriores encontraram uma sala a abarrotar e muita gente à espera. Desta vez, aproveitando um fim-de-semana de Inverno, marquei mesa com 24 horas de antecedência, e mesmo assim a sala estava cheia quando lá cheguei.

Segundo rezam as crónicas, este antigo edifício de uma escola primária foi colocado à venda e alguém teve a visão de criar aqui um restaurante de gastronomia regional. E assim nasceu aquele que, hoje em dia, poderá ser considerado um dos ícones da gastronomia nacional.

A sala de refeições não é muito grande, portanto não espere chegar e sentar-se sem fazer reserva. O atendimento é excelente, simpático, sempre disponível e nunca pára. Os clientes são aconselhados nas escolhas, sendo que as tendências pendem, maioritariamente, para aqueles que parecem ser os pratos mais emblemáticos da casa: a empada de coelho bravo com arroz de pinhões – ou não estivéssemos junto a uma zona de pinhal – que é apresentada em forma de torta, e a perdiz na púcara. Este apresentou-se muito apaladada, embora talvez com excesso de caldo, que poderia ter apurado um pouco mais. A empada (terceira foto) também é excelente, muito bem temperada e substancial.

A garrafeira é vasta, predominando os vinhos do Alentejo e da Península de Setúbal. Existe um armário climatizado para tintos e outro para brancos, sendo que este tem duas temperaturas distintas.
Destacam-se os vinhos da Adega Mayor (que fornece, entre outros artigos, os aventais), estando disponível praticamente todo o portefólio da empresa. Tentei provar o Vitorino, que não havia. O Reserva do Comendador e o Pai Chão apresentavam-se demasiado caros para beber em restaurante, pelo que arrisquei no Monte Mayor Reserva, cuja prova anterior não tinha convencido.

Mesmo sem pedir, o vinho foi desde logo decantado, o que ajudou a amaciar a prova. A temperatura de serviço estava no ponto, o que se saúda, para o que o armário climatizado contribui de forma decisiva. Felizmente vai-se encontrando quem saiba tratar o vinho como este merece.

O Monte Mayor Reserva 2014 tem os mesmos 14,5% do 2013, que não tinha convencido, mas mostrou-se mais macio e apropriado para os pratos de caça, mais exigentes. Apresenta-se com uma cor rubi concentrada, aroma intenso e frutado com notas de frutos vermlhos, mas mais interessante no nariz que na boca. No paladar apresenta algum especiado mas ficou algo curto. Melhor que na prova anterior, embora sem deslumbrar.

Em resumo: uma excelente refeição num restaurante que é obrigatório conhecer. Vale a pena a deslocação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Escola
Estrada Nacional 253, Cachopos
7580-308 Alcácer do Sal
Tel: 265.612.816
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte Mayor Reserva 2014 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

No meu copo 581 - Beira Mar

Outro nome que anda meio desaparecido, embora se encontrasse com alguma facilidade na década de 90 do século XX. Os vinhos de Paulo da Silva, produzidos em Azenhas do Mar, na região de Colares, apareciam nos restaurantes de algum requinte. À semelhança de outros, passaram de época, foram esquecidos e tornaram-se raridades.

Agora já é mais fácil encontrá-los novamente, em restaurantes e garrafeiras. Este foi provado no restaurante Abano, perto da praia do Guincho, mesmo junto à serra de Sintra. Colares e Azenhas do Mar ficam logo ali do outro lado da serra.

Foi pedida uma garrafa deste vinho para acompanhar um coelho à caçador e um cabrito à padeiro, ambos deliciosos. O vinho portou-se excelentemente a acompanhar as carnes. Revelou-se encorpado e com alguma robustez, mas simultaneamente suave na boca, redondo e com final elegante e persistente. Um misto de características difíceis de encontrar. No nariz apresenta notas a frutos vermelhos maduros e alguns resquícios de aromas do bosque.

Bebe-se com agrado e facilidade, de tal forma que se comprou uma garrafa para levar para casa. Vale a pena revisitar estes vinhos, pois vão escasseando e são diferentes de tudo aquilo a que estamos habituados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Beira Mar
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço no restaurante: 8 €
Nota (0 a 10): 7.5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

No meu copo 580 - Gaeiras Colheita Seleccionada tinto 2010

Há cerca de duas décadas o vinho da Casa das Gaeiras, embora em pequenas quantidades, era visto por aí, como vinho emblemático da região de Óbidos, com particular destaque para o branco. Depois, à semelhança de outras marcas, desapareceu de circulação.

Nos anos mais recentes houve uma recuperação da produção de vinhos nalgumas sub-regiões da região de Lisboa, e o Gaeiras reapareceu. Ainda em pequenas quantidades mas vai aparecendo aqui e ali, sendo mais provável encontrá-lo nos supermercados do Corte Inglês.

Resolvi experimentar este tinto, em estreia absoluta, pois só ainda tinha provado o branco. Guardei-o algum tempo (foi adquirido em 2012) e agora com 6 anos após a colheita pareceu-me oportuno abri-lo.

Não sabendo como era o perfil do vinho (os brancos eram bastante suaves), surpreendeu-me pela pujança e concentração mostradas. De cor muito carregada, com alguma adstringência, estruturado e robusto na boca. Mostrou que podia estar mais uns anos em garrafa sem entrar em perda. Talvez precise de amaciar, mas isso só saberemos esperando mais tempo.

Não encantou nem desiludiu. Apenas deixou alguma curiosidade sobre qual será o verdadeiro estilo deste vinho, que se impõe redescobrir.

A rever numa próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Gaeiras Colheita Seleccionada 2010 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Tapada das Gaeiras, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,39 €
Nota (0 a 10): 7,5