domingo, 30 de julho de 2017

No meu copo 615 - Tons de Duorum branco 2016

Um branco de entrada de gama na Duorum Vinhos que tem vindo a manter uma consistência de qualidade surpreendente para o preço que custa.

Apresenta-se com muito boa frescura e acidez, vivo na prova de boca com aromas florais e cítricos intensos, com final de boca vibrante longo.

Não parece ter a qualidade que tem nem ser falado para aquilo que é mas a verdade é que dentro deste patamar de preços, não se encontra muito melhor, e também não é falado nem tem o estatuto que o conteúdo da garrafa justifica.

Um salto qualitativo surpreendente.

Obrigado à João Portugal Ramos Vinhos por esta garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Tons de Duorum 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Duroum Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,19 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 26 de julho de 2017

No Le Consulat (1) - Novas colheitas da Quinta de Cidrô



Mais um evento, mais uma extensa prova. Não há mãos a medir.

Foi num novo espaço surgido no Chiado, na Praça Luís de Camões, no edifício de um antigo hotel, que no passado dia 20 a Real Companhia Velha apresentou as suas novas colheitas da Quinta de Cidrô, constituídas por 4 vinhos brancos, 3 tintos e um rosé.

No 1º andar do nº 22 daquela emblemática praça lisboeta, está a surgir um novo conceito que, ao que parece, ainda vai ter mais novidades. Para além duma zona comum onde os muitos convidados – entre bloggers, jornalistas, escanções ou profissionais de marketing e comunicação – puderam provar os vinhos apresentados e degustar alguns petiscos que entretanto uma equipa de sala ia fazendo desfilar em pequenas travessas, existe também do lado direito um winebar (a visitar quando houver mais tempo) gerido por André Ribeirinho, conhecido criador do site Adegga e do evento Adegga Wine Market e agora parceiro tecnológico da nova revista Vinho – Grandes Escolhas, e do lado esquerdo irá surgir um restaurante gerido pelo Chef André Magalhães, que confeccionou os petiscos que pudemos provar (delicioso o de pato desfiado). Nesse mesmo espaço do lado esquerdo, numa pequena sala, decorreu uma prova comentada destes mesmos vinhos, destinada a profissionais do sector.

Terminada essa apresentação específica, os três representantes da Real Companhia Velha juntaram-se aos restantes convivas onde se provou os vinhos mais ou menos a gosto. Presentes estiveram o agrónomo responsável pelas vinhas, Rui Soares, o director comercial Pedro Silva Reis (filho) e o enólogo Jorge Moreira (na foto, da esquerda para a direita por esta ordem).

Em prova, os brancos monocasta da colheita de 2016, apresentados por ordem alfabética: Alvarinho, Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc; o rosé de 2016, agora com a Touriga Franca a acompanhar a já habitual Touriga Nacional; e os tintos Pinot Noir de 2014, Touriga Nacional de 2015 e a grande surpresa, o Cabernet Sauvignon & Touriga Nacional de... 2008!

Quanto aos vinhos propriamente ditos, o que se pode dizer é que a Real Companhia Velha não deixou os seus créditos por mãos alheias e brindou-nos com mais 8 belíssimos vinhos, todos diferentes entre si mas com características e qualidades muito próprias que merecem ser apreciadas.

No que respeita aos brancos, sendo eu fã incondicional do Sauvignon Blanc da casa, confesso que o vinho que me encheu as medidas foi o surpreendente Gewürztraminer (ainda não aprendi a pronunciar este nome...), com uma acidez, um aroma e uma persistência notáveis, que o colocaram num patamar acima de todos os outros (são gostos, claro). Enquanto o Sauvignon Blanc cumpriu o que se esperava mas pareceu precisar de crescer algum tempo em garrafa, pois os aromas parecem estar um pouco presos, o Chardonnay também não surpreendeu, com um ligeiro aroma a madeira a sobressair no início mas a desvanecer-se no copo depois de algum tempo a arejar, ficando o Alvarinho como o mais discreto, tanto no nariz como na boca. Pelo menos na comparação com as outras três castas, todas elas de aroma muito intenso, ficou algo atrás.

O rosé, um dos meus preferidos, não pareceu ganhar com a incorporação da Touriga Franca, ficando um pouco mais dose. Prefiro-o mais seco como antes, embora a diferença não seja significativa.

Quanto aos tintos, o Pinot Noir apresenta aquele perfil mais delgado e menos concentrado que é habitual na casta, pedindo pratos delicados para se expressar. O Touriga Nacional é o que é, não surpreende com as notas florais e a frutos vermelhos a predominar.

O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento! Este e o branco Gewürztraminer entram imediatamente para a lista das compras a fazer numa próxima oportunidade!

A título informativo, junto às fotos publicadas a informação técnica sobre cada um dos vinhos, fornecida na nota de imprensa. Os preços indicados são os recomendados pelo produtor, sabendo-se que no comércio podem existir grandes variações entre este PVP e aquele que está na prateleira.

Está de parabéns a equipa que deu vida a estes vinhos. A aposta na marca Quinta de Cidrô – na posse da Real Companhia Velha desde 1972, com 140 ha de vinha a servirem de base para um campo de experimentação vitivinícola, como é descrito na nota de imprensa – com origem em vinhos monovarietais ou bi-varietais tem dado excelentes resultados, com novos perfis de vinho a contribuírem para a imagem dum Douro mais moderno e mais variado, mostrando que é possível produzir vinhos elegantes e suaves, sem os excessos que marcaram a região há uma década, e que as castas vindas de fora também têm boas condições para vingar. Assim a mão do homem dê uma ajudazinha.

Obrigado à equipa da Real Companhia Velha e, como não podia deixar de ser, à incansável Joana Pratas, sempre na linha da frente na comunicação, pelo convite para este interessante (e importante) evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado com provas

domingo, 23 de julho de 2017

No meu copo 614 - Stanley branco 2015; Stanley tinto 2013

Mais dois vinhos que desconhecia, a não ser pelo nome. Tive oportunidade de prová-los no restaurante da Fundação Oriente, e não deslustraram.

O branco, com duas das melhores castas portuguesas, mostrou-se à altura das exigências. Aroma com algum fruto tropical e algum floral, boa acidez e persistência, com final fresco e elegante. Um exemplar interessante da nova geração de brancos da região de Lisboa.

O tinto, por seu lado, foi produzido em terrenos arenosos da Península de Setúbal mas com castas exteriores à região (o mesmo acontece com o branco, mas aqui a proliferação e variedade de castas já é mais habitual): duas vieram do Douro e a Syrah veio de França.

Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês apresentando as notas de madeira bem integradas no conjunto. Bom volume de boca, taninos suaves e final longo com alguma adstringência. Igualmente interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Fundação Stanley Ho

Vinho: Stanley 2015 (B)
Região: Lisboa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Verdelho, Alvarinho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Stanley 2013 (T)
Região: Península de Setúbal
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de julho de 2017

No meu copo 613 - Quinta Vista tinto 2013

Não conhecia este vinho, não sabia de onde era, nunca tinha ouvido falar nele.

Numa ida esporádica à marina de Cascais, num almoço mais ou menos improvisado, pedi um copo de vinho e serviram-me o vinho da casa, que se veio a revelar... este.

Depois de procurar mais informação, fiquei então a saber que é da região de Alenquer. Não é um vinho surpreendente, nem que nos encante, mas revelou alguma personalidade e consegue-se beber com o agrado suficiente para justificar ser mencionado.

Em traços gerais, apresenta as características habituais nos vinhos da região de Lisboa. Alguma frescura a par duma certa adstringência, medianamente encorpado com alguma estrutura e persistência, com final medianamente longo marcado por algum tanino.

Não é especial, mas para aquilo que é bebe-se bem. Talvez valha a pena conhecer melhor este produtor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta Vista 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Sociedade Agrícola Quinta do Conde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Castelão, Syrah
Preço: 4 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 11 de julho de 2017

No meu copo 612 - Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas branco 2015

Este vinho foi comprado há um ano, na habitual promoção da Revista de Vinhos. Foi agora bebido a acompanhar peixe grelhado e superou todas a expectativas.

Revelou-se um vinho absolutamente gastronómico, a pedir até um prato mais elaborado e complexo. Com aroma predominantemente cítrico e alguma mineralidade, foi sobretudo na boca que surpreendeu, pela estrutura e complexidade apresentadas, com final longo, vivo e fresco, com boa estrutura mas macio e redondo, com um leve toque amadeirado muito bem integrado no conjunto.

É um daqueles raros vinhos que me conseguem sempre surpreender quando conseguem conjugar estrutura e persistência com suavidade e elegância. Merece ser novamente provado mas agora com um prato mais exigente, pois revela potencial para se bater com um repasto mais elaborado e complexo.

Muito bem esta combinação de castas, na linha da aposta de Paulo Laureano nas castas portuguesas. Este foi um tiro bem certeiro.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2015 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Fernão Pires
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 8 de julho de 2017

4º Bairradão em Lisboa


No final do passado mês de Maio decorreu no Hotel Real Palácio mais uma edição do Bairradão em Lisboa, que juntou produtores do Dão e da Bairrada no mesmo espaço.

Estiveram presentes alguns produtores dos mais representativos daquelas duas regiões, como se pode ver pela lista da imagem anexa.

Desta vez não houve oportunidade para participar na prova especial das colheitas de Cabernet Sauvignon da Caves São João, porque o dia era muito preenchido e apenas pude cirandar pelas mesas dos produtores com alguma brevidade. Detive-me sobretudo na mesa das Caves Messias, da Casa de Saima e da Casa da Passarela, da Adega de Cantanhede e no da Dão Sul/Global Wines, com a larga panóplia de vinhos da Quinta do Encontro e das várias marcas produzidas no Dão.

Num breve balanço da minha curta passagem pelo evento, ficou patente mais uma vez a importância deste evento e a participação massiva dos produtores, de modo a trazer estas duas fantásticas regiões ao encontro do público e aumentar a sua visibilidade. A qualidade dos vinhos está lá e é inegável, como os apreciadores sobejamente sabem. Falta apenas que o grande público também saiba e comece e render-se a estes vinhos que, sendo significativamente diferentes entre si, também não têm igual no país.

Mais uma vez está de parabéns a garrafeira Néctar das Avenidas, que continua a lutar contra a menor atenção que o consumidor dispensa a estas duas regiões. Pela nossa parte, aqui neste cantinho, continuaremos também a apoiar esta missão dentro do que nos for possível.

Continuem e contem connosco.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Hello Summer Wine Party 2017 no Hotel Marriott



Os eventos ligados ao vinho sucedem-se a um ritmo alucinante, superior à minha capacidade de comparência e ainda mais superior à minha capacidade de escrita com a frequência requerida. Tenho descrições para fazer… desde o ano passado, e ainda não consegui publicá-los...

Para tentar pôr alguma escrita em dia, vou começar pelo mais recente onde estive: a Hello Summer Wine Party 2017, que decorreu no dia 9 de Junho de 2017 no Hotel Marriott, em Lisboa, organizada pela revista Paixão pelo Vinho.

À semelhança de edições anteriores, o evento conta com a participação de vários produtores de vinho menos badalados, que não aparecem muitas vezes nos certames mais concorridos, além da possibilidade de provar alguns petiscos que vão sendo confeccionados no jardim. Desta vez pude participar em duas provas especiais que decorreram em paralelo, e acabaram por ocupar a maior parte do meu tempo: vinhos da casta Castelão apresentados por António Saramago e vinhos de Baga apresentados por Osvaldo Amado.

Relativamente aos stands, acabei por dar uma volta mais demorada pelos vinhos da Serenada, da Adega Cooperativa da Vidigueira e da Companhia das Lezírias, saltitando um pouco pelos outros mas sem possibilidade de grande permanência. Como vai sendo, infelizmente, habitual nestes eventos, os vinhos tintos quase nunca estão à temperatura adequada, o que obriga a nos centrarmos quase exclusivamente nos brancos e rosés. Entretanto as provas especiais começavam, pelo que me saí rapidamente do jardim...

A primeira prova constou da apresentação dos vinhos da casta Castelão produzidos por António Saramago na Península de Setúbal. O enólogo começou por caracterizar a casta e a sua história, passando-se depois à prova de vários néctares que abrangeram vários anos do século XXI. No geral os vinhos apresentaram-se bastante saudáveis e longevos, com as características aromáticas e de estrutura bem marcadas. Como é normal nestas ocasiões, os vários anos em prova apresentaram discrepâncias que não têm necessariamente relação com a idade dos vinhos, com diferentes tipos de evolução.

Quanto à prova dos vinhos de Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede, tivemos a possibilidade de apreciar estes bairradinos em todo o seu esplendor, numa prova para verdadeiros apreciadores. Sem prejuízo para os magníficos aromas terciários dos vinhos mais velhos, o grande vinho em prova foi o da colheita de 2011, um néctar de excelência!

O que ficou desta prova foi o grande crescimento qualitativo da Adega Cooperativa de Cantanhede, que está a produzir vinhos que lhe permitirão guindar-se a um patamar entre os melhores da Bairrada. E mais uma vez o dedo de Osvaldo Amado contribui para este crescimento.

Ainda houve uma terceira prova especial com vinhos da Madeira, mas já não havia tempo nem estômago para mais.

Obrigado à equipa da Paixão pelo Vinho, e em particular à Maria Helena Duarte, por mais este evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado

domingo, 2 de julho de 2017

No meu copo 611 - Tormaresca, Chardonnay 2016

Foi a segunda vez que tive oportunidade de provar este vinho, no mesmo local da primeira vez: o restaurante Come Prima.

Confirmou as boas impressões da prova anterior. Boa acidez, muita frescura na boca, aromas citrinos e tropicais, redondo na boca e com final vivo.

A repetir em mais ocasiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tormaresca, Chardonnay 2016 (B)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Tormaresca, Soc. Agr. – Lecce
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 8