quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vinhos e sabores: escolhas, encontros e desencontros



Estamos em plena época fervilhante de eventos sobre vinho. Desde há cerca de um mês praticamente todos os fins-de-semana há um ou mais eventos sobre vinho.

Exemplos: Mercado de vinhos do Campo Pequeno, Grandes Escolhas Vinhos & Sabores, Dão Capital, Encontro com Vinhos e Sabores, e ainda há-de vir o Wine Fest, o Adegga Wine Market, e devo estar a esquecer-me de alguns.

E qual é o problema, perguntar-se-á? Nenhum problema, a não ser o facto de para os visitantes isto se poder tornar saturante. Tamanha proliferação de eventos pode levar, por um lado, a uma sensação de “déjà vu” e “mais do mesmo”, como até à saturação dos “provadores”. Nós sabemos que muitos dos visitantes destes eventos trabalham ou estão de alguma forma ligados à área, mas a maioria provavelmente são apenas apreciadores, mais ou menos informados, mais ou menos interessados, para quem 3 eventos, 4, 5 ou 6 não adiantam nada, ou adiantam muito pouco.

Poderá justificar-se a realização de alguns eventos menos mediáticos com produtores menos conhecidos, porque aí pode-se conhecer vinhos e produtores menos divulgados. Mas quando entramos no domínio dos grandes eventos, que decorrem durante 3 ou 4 dias, a pergunta é: justifica-se? Vale a pena?

Vem este intróito a propósito dos dois mega-eventos que decorreram em Lisboa apenas com duas semanas de intervalo. Acredito que talvez este ano, por ter sido o primeiro pós-cisão na Revista de Vinhos, tenha sido necessário apalpar terreno e marcar algum território para ver como o mercado se posiciona. Mas depois de ter passado pelos dois eventos, a primeira impressão é que a equipa que criou a nova revista Vinhos – Grandes Escolhas ganhou por 10-0! A começar desde logo pela escolha das datas e do local: a antecipação do evento coloca-o desde logo na dianteira, porque parte à frente. A mudança para a FIL, um espaço por excelência para receber multidões, marcou uma diferença abismal para os anos anteriores no Centro de Congressos na Junqueira.

Na hora de maior afluência, ao fim da tarde de sábado, na FIL circulava-se calmamente pelos corredores. À mesma hora na tarde de sábado na Junqueira as pessoas chocavam umas com as outras nos corredores do meio, como é habitual.

Acresce a isto que na FIL houve espaço para aumentar o número de corredores com stands e ainda sobrou espaço para as provas paralelas. Na Junqueira, por sua vez, cerca de metade do produtores não estavam lá, os stands laterais desapareceram e foram lá colocados bancos e mesas. Mas o espaço para circular manteve-se igual, ou seja, não ocorreu a ninguém aumentar a distância entre corredores uma vez que o espaço sobrava.

Quanto aos vinhos para provar... metade deles desapareceram, e tirando um ou outro produtor menos conhecido, como a Casa do Côro ou a Quinta da Caldeirinha, na Beira Interior, não se viu nada de novo. Os vinhos premiados no concurso Vinhos Grandes Escolhas, que não tive oportunidade de provar na FIL, tirando dois ou três nem sequer estavam na Junqueira.

Até a disposição dos stands na entrada estava igual. Olhando para os produtores mais importantes (quer pelo volume de vendas quer pelo prestígio da marca), parece que a maioria não estava lá. O Esporão, que habitualmente ocupa os 4 lados dum stand central, não estava lá. A Sogrape, com disposição semelhante, estava quase escondida num cantinho da ponta, apenas com vinhos do Dão e Alentejo e quase passava despercebida. Aveleda, Messias, Casa da Passarela, Niepoort, Ramos Pinto, Quinta do Vallado, Quinta do Vale Meão, Enoport, Fiúza, entre outros e para não ser exaustivo, nem vê-los...

Dito isto, posso estar enganado, mas neste primeiro confronto entre eventos organizados pelas duas maiores revistas de vinhos do país, a antiga equipa ganhou por goleada. Agora os números oficiais falam em 18.000 visitantes na Junqueira, número que parece standard pois todos os anos os números anunciados são entre os 17 e os 19.000 visitantes. Custa-me a crer nestes números, mas independentemente do seu rigor acho que só com muito boa vontade se poderá apelidar um evento em que uma parte significativa dos grandes nomes não está presente de “maior evento do país”, a não ser que estejamos a falar do stand das comidas. Só se for em publicidade.

Mas isto sou eu a falar, que estou de fora e não percebo nada do negócio...

Kroniketas, enófilo desconfiado

domingo, 12 de novembro de 2017

No meu copo 630 - Ramos Pinto Collection 2010

Este foi um vinho especial de colecção que só teve algumas edições. À semelhança de outros lançamentos, como um histórico e único Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira, ainda sob a orientação de João Nicolau de Almeida foram colocados no mercado alguns vinhos com edições limitadas, de que este Collection foi um dos exemplos mais recentes.

Evocando diversas épocas dos século XX através dos respectivos rótulos, teve edições desde 2005 a 2010. Foi uma garrafa desta última colheita que tivemos oportunidade de degustar recentemente, a acompanhar um lombo de porco com molho agridoce.

O vinho apresentou uma cor carregada a tender para o grená. No nariz mostrou-se intenso e vinoso no primeiro ataque, aparecendo depois algumas notas de frutos vermelhos e do bosque.

Na boca é pujante mas macio, estruturado mas elegante, com um final simultaneamente delicado e longo, marcado por notas de especiarias e complexidade que vai sobressaindo a cada trago.

Fez um casamento perfeito com o prato, pois a sua complexidade e acidez contrabalançaram de forma excelente o adocicado do molho.

Ao contrário do que nos aconteceu com o Duas Quintas Celebração, deste guardámos mais algumas garrafas de várias colheitas, pelo que ainda poderemos revisitá-lo durante alguns anos, até porque não é vinho para abrir todos os dias e tanto esta prova como as anteriores mostraram claramente tratar-se dum vinho de guarda. Merece um bom prato e uma boa companhia para ser apreciado como merece.

É mesmo uma colecção única, mas para ser devidamente desfrutada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ramos Pinto Collection 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%), mistura de outras (25%)
Preço em feira de vinhos: 9,75 € (último valor encontrado em 2013)
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

No meu copo 629 - Bom Caminho 2011

Continuando a trilhar um novo caminho, que repôs o nome desta empresa quase secular num lugar de destaque no mapa vinícola nacional depois dum período de alguma obscuridade, a década actual – mais coisa menos coisa – tem-nos mostrado uma empresa com um notável dinamismo e que se reinventou em cima do que chegou a parecer algum imobilismo.

Prova disso são as novidades com que somos brindados regularmente. Depois da revitalização de marcas que pareciam estar esquecidas, como o Frei João Reserva, o Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada, o Caves São João Reserva ou o Quinta do Poço do Lobo, a empresa lançou-se numa renovação do seu portefólio com o lançamento de novas marcas, alternativas ou complementares às já existentes. Desde variantes do Caves São João até diversos tipos de espumantes, brancos Reserva, Frei João rosé e o primeiro Frei João Clássico, o leque de escolhas tem crescido significativamente.

Como sempre fomos provadores assíduos dos vinhos da casa, temos um vasto lote de vinhos provados e aqui publicados, tanto dos velhos como dos novos, pelo que é escusado estar a enumerá-los – basta procurá-los pela etiqueta “Caves Sao Joao” na secção Contra-rótulos (mais abaixo, do lado direito do ecrã).

Passando pelas já amplamente referidas edições comemorativas dos 100 anos que estão a decorrer até 2020, algures pelo meio apareceu este Bom Caminho de 2011, até agora em edição única e que se destina a homenagear os peregrinos que percorrem os caminhos de Santiago, em cujo percurso a sede das caves se situa.

Não foi coincidência o facto de termos efectuado a prova deste tinto próxima da prova do Frei João Clássico branco 2015. Quisemos mesmo comprovar que o caminho é este.

Em casa foi um sucesso, logo após a abertura, mesmo por quem prova e bebe pouco. Este não tem o rotulo de clássico, mas é autêntico, tanto quanto pode ser um Bairrada. O nosso saudoso Mancha ficaria deliciado com ele. Tem tudo o que um Bairrada clássico tem: estrutura, robustez, persistência, intensidade e profundidade aromática marcada por frutos vermelhos e pretos, taninos firmes e poderosos mas já muito polidos, a dar uma prova de boca harmoniosa, e aquele final longo e persistente característico dos grandes vinhos!

O preço? Esta garrafa foi lançada com a edição de Novembro de 2015 da Revista de Vinhos por 6 €, pelo que não cheguei a saber qual seria o seu real valor de mercado. Uma pechincha, portanto. Quem o tiver, não tenha pressa em bebê-lo, pois este é vinho ainda com muito para dar. Com 6 anos neste momento, está um viçoso jovem em crescimento.

Não há dúvida: com estas novidades e as antiguidades que repousam nas catacumbas a verem paulatinamente a luz do dia, as Caves São João (re)encontraram o Bom Caminho, que se augura auspicioso para os próximos 100 anos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bom Caminho 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Merlot
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 4 de novembro de 2017

No meu copo 628 - Frei João Clássico branco 2015

Eis que chega, finalmente, o tão ansiado (pelo autor) post acerca do Frei João Clássico branco, o primeiro vinho das Caves São João com esta designação.

A menção no rótulo da palavra “Clássico” obedece a um conjunto de requisitos fixados por diploma legal que seria descabido reproduzir. Quem estiver interessado nos detalhes pode procurar a Portaria n.º 212/2014, Diário da República n.º 198/2014, Série I de 2014-10-14.

Como pontos mais importantes destacam-se a necessidade de, para os vinhos brancos, haver um estágio mínimo de 12 meses, sendo obrigatoriamente 6 deles em garrafa, e o teor alcoólico mínimo ser de 12% (para os tintos aqueles valores são de 30 meses, dos quais 12 em garrafa, e 12,5% de álcool).

Esta categoria pretende, no fim de contas, realçar o que se faz de mais autêntico na região e que melhor representa a identidade da Bairrada (salvaguardadas as devidas diferenças, mas será um pouco um critério como o que levou à instituição da designação Nobre no Dão, embora aí a sua atribuição dependa da classificação obtida na câmara de provadores).

Nota: mais sobre a categoria Bairrada Clássico em Joli - Wine & Food Activist.

Provado pela primeira vez no evento de apresentação do vinho comemorativo dos 96 Anos de História das Caves São João, já mencionado nos dois posts anteriores (aqui e aqui), este Frei João Clássico branco, embora tenha sido provado durante o almoço, deixou-me com uma curiosidade muito particular por uma nova prova, pois mostrou-se diferente de tudo o que já tinha bebido destas caves.

Passaram-se os meses, outros vinhos foram provados e o Frei João Clássico ficou à espera. As notas sobre o evento também. Quando dei por mim já estávamos novamente no Outono, e foi aí que fui saber onde poderia adquiri-lo. Não foi difícil, dada a estreita parceria que a Garrafeira Néctar das Avenidas tem com as Caves São João, o que já me permitiu adquirir mais algumas antiguidades.

Até que, finalmente em frente à dita garrafa, preparei-me para a grande prova, que decorreu em 3 refeições diferentes com 3 pratos diferentes.

Na cor não há grande surpresa: é um amarelo palha claro. Não muito carregado. No aroma não é muito exuberante, mostrando-se algo contido, com algumas notas florais e com ligeira mineralidade. Fermentou e estagiou em barrica usada, mas esta não aparece no aroma de forma impositiva, antes se poderia pensar que não está lá. Apenas serviu, pelo que se percebe melhor na prova de boca, para envolver e ligar o conjunto. É aí, na boca, que o vinho se expressa na plenitude. De uma primeira impressão para um vinho discreto e de certa forma austero, nos tragos seguintes encontramos um vinho vigoroso, vibrante, bem estruturado, que apetece beber mais. A sua acidez discreta dá-lhe uma frescura cativante e um final longo e guloso. “Que belo vinho!”, exclamei várias vezes ao longo da primeira refeição.

Está de parabéns a equipa das Caves São João que produziu este Clássico: para um branco era difícil começar melhor. Parabéns em especial ao enólogo José Carvalheira, um homem que aparece perante nós com a mesma discrição que os “seus” vinhos nos apresentam e que só depois de devidamente descobertos nos mostram todo o seu potencial. Se os vinhos forem a cara do enólogo, aqui está um belo exemplo.

Excelente trabalho e parabéns. Venha o próximo Clássico, porque deste já há outra garrafa à espera de ser bebida! E com vinhos como este, definitivamente as Caves São João estão no... Bom Caminho (à suivre).

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João Clássico 2015 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: Cercial, Bical
Preço: 15 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Caves São João - 96 Anos de História (2ª parte)

Os vinhos


    

Já devidamente acomodados todos os convidados para o evento, passou-se então ao almoço e à degustação dos vinhos escolhidos para a ocasião.

Na imagem anexa estão descritos os pratos e respectivos vinhos. O Frei João Clássico branco foi o primeiro a ser chamado à liça com o prato de entrada, mas merecerá um artigo à parte.

A grande estrela, e o mais aguardado, era naturalmente o vinho comemorativo dos 96 Anos de História: um monocasta Chardonnay de 1983, um vinho difícil de descrever tal a sua complexidade. A cor, passados todos estes anos, já ia muito para lá do âmbar, parecendo antes um vinho do Porto colheita ou um tawny velho. Acobreado, untuoso e delicado, é um branco para verdadeiros apreciadores. Fez parelha com a garoupa corada com puré de batata, mas dada a sua delicadeza e fragilidade pode perfeitamente ser apreciado a solo, onde poderá expressar melhor os seus aromas. Não vou dizer que teria facilidade em comprá-lo, pois o preço é bastante elevado: cerca de 60 €. Um valor que a raridade e a ocasião explicam.

Lá mais para a frente fomos brindados com duas surpresas: com a sobremesa veio para a mesa um Abafado Martins da Costa 1960, outra verdadeira preciosidade proveniente das caves escondida todos estes anos. Um luxo que é quase impossível classificar, a provar que é possível encontrar grandes vinhos licorosos para além das regiões mais afamadas. Outro vinho de luxo (cerca de 65 €).

Com o café avançou a já conhecida Aguardente Velhíssima de 1965, que comemora os 94 Anos de História e que já tinha sido apresentada em 2014, e mesmo para o final ainda houve tempo para um brinde às Caves São João e aos seus fundadores com o espumante bruto natural Luiz Costa 2014, produzido a partir do lote tradicional dos champanhes, Chardonnay e Pinot Noir. Um espumante na melhor tradição dos espumantes bairradinos, com personalidade e estrutura.

Durante o almoço foi ainda possível ir provando um azeite virgem da Quinta do Poço do Lobo, produzido a partir de azeitonas da cultivar Galega, de oliveiras com mais de 50 anos, mas este já não é o meu departamento pelo que me escuso a grandes comentários.

Passados estes meses, fica ainda a expectativa sobre o que irá ser o vinho comemorativo dos 97 Anos de História, que deve estar mesmo aí a aparecer. Segundo fontes bem informadas, a coisa está no segredo dos deuses mas será uma grande surpresa...

Ficamos a aguardar.

Resta, em primeiro lugar, agradecer à equipa das Caves São João o privilégio que me deram de poder estar presente nesta ocasião tão relevante para uma casa que me diz muito em termos do meu percurso como enófilo, e deixar a promessa de que numa próxima ocasião serei mais lesto a publicar as notas sobre o evento. Mas a razão principal... está no post que se segue.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Caves São João - 96 Anos de História (1ª parte)

A efeméride





Já foi o ano passado, é verdade. Já quase perdeu a actualidade, embora o motivo do evento seja sempre actual, porque este ano há mais um lançamento.

O facto é que houve uma boa razão para só agora este texto ver a luz do dia (para além dos muitos eventos que vão ocorrendo aqui e ali e tornam difícil estar em dia com as publicações), e que se prende com a intenção de publicá-lo depois de ter podido provar com tempo, calma e todas as condições necessárias a uma avaliação fundamentada uma das novidades apresentadas neste evento: o primeiro Bairrada Clássico das Caves São João, consubstanciado no Frei João branco 2015.

O evento de que estamos a falar foi o lançamento do vinho intitulado 96 Anos de História, evocativo da década de 80-90 do século XX e integrado nas comemorações dos 100 anos da empresa que se completam em 2020, e que têm sido assinalados desde 2010 com o lançamento dum vinho exclusivo por ano, evocativo de uma década desde os anos 1920, ano da fundação das Caves São João – Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos. São vinhos exclusivos, raros e caros, e que uma vez esgotados não é possível voltar a adquirir.

Deste painel já tivemos oportunidade de comprar o 93 Anos de História, um Dão da colheita de 2011, e falhou a possibilidade de comprar o 92 Anos, um Bairrada de 2009 evocativo da década de 40.

No Encontro com o Vinho e os Sabores 2014, na prova especial “Os gloriosos anos 60 das Caves São João”, foi também possível provar uma Aguardente Velhíssima de 1965, evocativa da década de 60 que assinala os 94 anos.

O principal mote deste evento, que decorreu no luxuoso e Palace Hotel do Bussaco, foi o lançamento dum branco de 1983 elaborado apenas com uvas Chardonnay e que esteve meio esquecido nas caves da empresa. Descoberta esta preciosidade, e depois de aferido o seu estado para consumo, o mesmo foi lançado como vinho comemorativo dos 96 anos, evocando a década de 80.

O evento começou no exterior, com a prova do Frei João Clássico branco 2015 juntamente com algumas entradas, em frente ao Convento dos Carmelitas Descalços, onde ainda se fez uma pequena visita.

Feitos os intróitos, passou-se depois ao interior do hotel onde nos acomodámos numa sala onde decorreu o almoço e foram provados os vários produtos apresentados aos convidados. Presentes estavam os “pesos pesados” da empresa: os gerentes Fátima Flores, Manuel José Costa, Célia Alves e o enólogo José Carvalheira, estes dois os rostos habitualmente mais visíveis no que respeita à apresentação dos vinhos, desta vez ainda assessorados pelo responsável pela viticultura, António Selas.

Durante o almoço pudemos provar diversos vinhos que estavam em destaque para além da apresentação do novíssimo 96 Anos de História. Falaremos sobre eles no post seguinte.

(continua)

Kroniketas, enófilo esclarecido

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

No meu copo 627 - Flor do Tua Reserva tinto 2014

Os vinhos com denominação Trás-os-Montes estão agora a fazer o seu caminho desde que, de certa forma, se autonomizaram dos vinhos com denominação Douro – ainda não há muito tempo tivemos oportunidade de provar um branco de Valpaços que foi uma excelente surpresa. Não há muitos anos, o que não cabia nos DOC Douro era classificado como Regional Trás-os-Montes (um exemplo claro era o Bons Ares, da Ramos Pinto, que não é DOC porque tem o Cabernet Sauvignon no lote que o compõe).

Entretanto os regulamentos vão mudando (em Portugal regula-se tudo um pouco e nos vinhos não é excepção), aparecem regiões, desaparecem sub-regiões ou muda tudo de nome (ainda estou para perceber para que é que há tanta região e sub-região num país com uma área de vinha total menor que a da região de Bordéus, mas essa é outra conversa). Agora temos vinhos regionais durienses, transmontanos, minhotos, beira atlântico, terras do Dão e sei lá que mais. E temos, então, também os DOC Trás-os-Montes.

É o caso deste Flor do Tua, provado ao almoço num restaurante em Lisboa a acompanhar umas belas costeletas de novilho. Os tintos têm algumas características semelhantes aos do Douro (o que é normal, pois a quase totalidade da região fica geograficamente situada em Trás-os-Montes), mas frequentemente apresentam um perfil menos concentrado e menos carregado de cor, com menos álcool e mais suaves na prova de boca.

Proveniente da zona de Mirandela, este Flor do Tua fica algures a meio caminho. É realmente um vinho mais aberto e macio, embora bastante alcoólico. No aroma evidencia frutos vermelhos e na boca mostra-se bem estruturado embora não pesado, com taninos redondos a moldarem o conjunto.

Um vinho e um produtor para acompanhar com alguma atenção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Flor do Tua Reserva 2014 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Essência do Douro, Wines and Gourmet
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 7 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

No meu copo 626 - Santos da Casa rosé 2016

  

Decorreu no passado dia 31 de Agosto, no jardim do restaurante Eleven, no alto do Parque Eduardo VII, a apresentação do Santos da Casa 2016, o primeiro rosé da Santos & Seixo, empresa criada em 2014 com o intuito de abranger várias regiões vitivinícolas do país para a produção dos seus vinhos.

Actualmente a Santos & Seixo tem a sua produção focada essencialmente no Douro e no Alentejo, embora tenha já apresentado também um Alvarinho da sub-região Monção-Melgaço dos Vinhos Verdes.

No final de tarde em que decorreu a apresentação deste rosé, sob o lema “Santos da Casa fazem milagres”, foi possível degustar o rosé em lançamento e ainda provar um Santos da Casa branco.

No que se refere a este rosé, o milagre ainda vai ter de aguardar mais algum tempo, pois o vinho necessita de alguma afinação. Produzido quase na totalidade com Touriga Nacional (90%) e o restante com Tinta Roriz, o aroma não evidencia as notas florais e de frutos vermelhos que normalmente a Touriga confere, e que é bem evidente nos rosés. Em parte dever-se-á ao facto de o vinho provir parcialmente da sangria de cuba.

Sem querer entrar em campos que não são meus e onde não tenho autoridade técnica para argumentar, como consumidor a experiência mostra que a sangria de cuba não favorece as características mais desejáveis num rosé, como a frescura, acidez, aromas mais frutados e vivacidade na prova de boca. Parece-me que esse será um aspecto a ter em conta em futuras produções deste rosé, que na prova isolada mostrou-se algo liso na boca.

Como no final o produtor teve a gentileza de nos presentear com uma garrafa do néctar, pude mais tarde prová-lo em casa, calmamente e à mesa. Aí revelou-se um pouco melhor, mostrando um final de boca mais vivo e intenso, embora ainda um pouco curto e algo adocicado.

Parece-me que tem tudo para melhorar, mas ainda há passos a ser dados em direcção ao milagre. Vamos ver entretanto como se comportam os restantes vinhos do portefólio, nomeadamente os tintos, quando tivermos oportunidade de nos cruzarmos com eles.

Obrigado à agência de comunicação Chefs Agency e à Santos & Seixo pelo convite que nos foi endereçado e pela oferta da garrafa de rosé.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Santos da Casa 2016 (R)
Região: Douro
Produtor: Santos & Seixo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional (90%), Tinta Roriz (10%)
Preço: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

No meu copo 625 - Rovisco Pais Premium tinto 2013

Este é uma versão corrigida e aumentada do Rovisco Pais Reserva, já aqui mencionado e que constituiu uma bela surpresa.

Esta garrafa foi adquirida numa dessas promoções manhosas dum hipermercado manhoso, que baixou o preço de prateleira de 12,49 € para 3,74 €! Uma pechincha!

O preço base parte de cerca do dobro do Reserva, mas esta versão fica claramente aquém desse patamar. As castas têm duas em comum (o Cabernet Sauvignon e a Touriga Nacional), sendo aqui o Castelão substituído pelo Aragonês.

Neste vinho nota-se a mesma estrutura do Reserva, apresentando-se um pouco mais elegante e menos exuberante no nariz, com um final macio e longo.

No entanto... Na comparação entre os dois vinhos, um não parece justificar o dobro (ou mais) do preço do outro. Tive a possibilidade de fazer uma prova simultânea dos dois, e pelo preço que custa (antes de descontos) não parece justificar a aposta, a não ser que o mega-desconto seja para manter e enganar os incautos. Mas naquela cadeia de hipermercados, que não tem nome de ilhas, já estamos habituados a isso.

Em resumo: é bom, sim senhor. Mas não tanto.Talvez isso justifique a desproporcionada promoção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Rovisco Pais Premium 2013 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Aragonês
Preço em hipermercado: 12,49 € (3,74 € após descontos)
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

No meu copo 624 - Periquita Reserva 2012

Há vinhos assim. Esta foi a terceira ou quarta tentativa. Fui ver o que tinha escrito acerca das anteriores. Havia a esperança de que fosse diferente desta vez.

Não foi. Este Periquita Reserva tinto ainda não me conseguiu mostrar nada de especial, que o distinga (para melhor) de qualquer outro do enorme portefólio da José Maria da Fonseca, e eu vou repetindo na esperança de que “desta vez é que é”.

Mas as impressões mantêm-se. Estrutura mediana, aroma pouco expressivo, final algo indefinido e pouco longo.

Não é caro nem é mau, mas pelo mesmo preço há muitos outros bastante melhores. Se os anteriores não me tinham convencido grandemente, este ainda menos.

Uma aposta algo decepcionante, tendo em conta o prestígio quer da marca quer da casa. Ou sou eu que estou completamente enganado, ou a equipa de enologia anda um bocado às aranhas com o caminho a dar a este vinho.

Acho que não vale muito a pena continuar a insistir nele, porque já se viu que não dá mais que isto...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2012 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,59 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

No meu copo 623 - Quinta dos Aciprestes 2014


Já há alguns anos que não provava este vinho. Normalmente apresenta-se como uma garantia de qualidade por um preço razoável, e desta vez confirmou essa expectativa.

Muito aromático e equilibrado, frutado quanto baste com notas de frutos maduros e com boa estrutura, é um vinho que se bebe com facilidade e muito versátil para acompanhar pratos de carne.

Na cor não é muito concentrado, mostrando antes um perfil mais aberto. Na boca mostra-se redondo e elegante, com notas de frutos maduros e madeira muito discreta e bem integrada num conjunto harmonioso.

Mais um vinho com uma óptima relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta dos Aciprestes 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,16 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

No meu copo 622 - Quinta da Soalheira 2013



Foi a primeira prova deste vinho da Borges produzido no Douro. Já provámos diversos vinhos desta empresa, mas nunca esta marca. A Quinta da Soalheira situa-se nas margens do rio Torto, próximo de São João da Pesqueira.

O vinho mostra uma cor e um aroma que revelam o perfil típico do Douro naquilo que ele tem de melhor.

Encorpado, persistente, estruturado e longo, apresenta aromas a frutos do bosque, taninos bem presentes e sólidos e final com notas a especiarias.

Pelo preço que custa é uma excelente aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta da Soalheira 2013 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Sousão
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

No meu copo 621 - Crasto Superior branco 2014

Mais um belo branco do Douro, proveniente das vinhas localizadas no Douro Superior na Quinta da Cabreira, próximo de Castelo Melhor, que tivemos oportunidade de visitar por ocasião do Festival de Vinho do Douro Superior de 2016.

Esta garrafa foi oferecida pela empresa nessa ocasião, e houve agora oportunidade de provar o vinho com mais calma. Confirmou as impressões colhidas por altura desse evento. É um vinho com boa frescura e boa acidez, o que não surpreende dado ser produzido em altitude.

Na boca mostra-se bem estruturado mas elegante, com final persistente e vibrante mas suave. Estagiou 6 meses em barricas da carvalho francês, aparecendo este muito discreto e a arredondar o conjunto.

À semelhança do Crasto Superior tinto, é um vinho para afirmar-se nas novas tendências do Douro, com vinhos mais frescos, mais suaves e mais gastronómicos, onde a madeira é apenas um tempero do vinho e não “o vinho”.

Obrigado à Quinta do Crasto por esta oferta e por este bom produto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Crasto Superior 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Verdelho, Viosinho
Preço: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 30 de setembro de 2017

No meu copo 620 - Vallado: tinto 2015; rosé Touriga Nacional 2016; branco 2016

Três vinhos da Quinta do Vallado consumidos durante as férias. Curiosamente, sendo a marca conhecida principalmente pelos tintos, esta prova das três variedades de vinho de mesa foi mais bem sucedida com o branco e o rosé.

Concretizando:

O tinto 2015 mostrou os traços típicos dos tintos do Douro, com bastante concentração na cor e na estrutura e aroma frutado e floral, final de boca médio mas discreto, sem encantar. Bebe-se com facilidade, mas não se distingue por nenhuma característica que o realce em relação a muitos outros tintos do Douro com perfil semelhante.

Já o rosé mostrou-se suave, leve, aberto e aromático, bastante floral, com boa acidez e final vivo e vibrante. Já se tinha revelado como um rosé de boa categoria, e confirmou as impressões anteriores. Muito bem conseguido, é uma referência incontornável neste tipo de vinho.

Finalmente o branco, que também confirmou as boas impressões anteriores. Aromático e suave, com boa frescura e acidez, final elegante e persistente e uma boa estrutura que o tornam adequado para pratos requintados de peixe. Outra boa referência desta quinta. Não tem a classe do Vallado Prima, mas não lhe fica muito atrás.

Em resumo, fizeram melhor figura os vinhos menos referenciados mas que se distinguem por outra personalidade que o tinto não apresenta. Destaque para o grau alcoólico bastante moderado do branco e do rosé, que os tornam vinhos mais fáceis de beber e mais apetitosos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado

Vinho: Vallado 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 6,61 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2016 (R)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,96 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado 2016 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Códega, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,75 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 26 de setembro de 2017

No meu copo 619 - Quinta do Sobreiró de Cima branco 2016

Mais um vinho pós-férias que surpreendeu. Pediu-se num almoço a acompanhar bacalhau assado na brasa e casou perfeitamente.
É um vinho fresco, aromático, guloso. Relativamente leve, bebe-se quase sem dar por isso, mas a sua frescura e acidez tornam-no apropriado para um prato mais exigente como o bacalhau, pois compensam a menor estrutura na boca. O final é elegante e suave mas persistente.
Requer nova prova para confirmar esta primeira boa impressão, mas para já recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Sobreiró de Cima 2016 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Quinta do Sobreiró de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Códega do Larinho, Moscatel Galego, Verdelho
Preço: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

No meu copo 618 - Esporão, Duas Castas 2015

Depois duma pausa para férias, tivemos de fazer outra pausa por motivos de luto, que arrefeceram o ânimo da escrita.

Passada uma semana da infausta ocorrência, voltamos com outro vinho branco pós-férias. Trata-se do Duas Castas 2015, um branco produzido no Esporão com base nas duas melhores castas do ano.

Já tivemos oportunidades de provar diversas colheitas deste vinho, umas mais entusiasmantes e outras menos. Mas esta, provavelmente, superou todas!

Produzida com 65% de Roupeiro e 35% de Alvarinho, revelou uma excelente frescura e uma acidez vibrante e crocante, aroma intenso com notas tropicais, final vivo e prolongado.

Esta poderá ter sido a melhor edição deste Duas Castas, e só tenho pena de não ter mais garrafas… Se o encontrarem por aí, comprem-no sem hesitação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Duas Castas 2015 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Roupeiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

No meu copo 617 - Poço do Lobo, Arinto 1995

Depois duma pausa para férias, voltamos à escrita a tentar pôr a escrita em ordem. E não resisto a começar por um branco pós-férias, adquirido na Garrafeira Néctar das Avenidas que de vez em quando proporciona a aquisição de vinhos velhos e em particular das Caves São João.

Este é um monocasta Arinto de 1995 da Quinta do Poço do Lobo, que mostrou uma frescura e uma juventude surpreendentes. De cor amarelo carregado e aroma limpo, apresentou-se com boa frescura e acidez mas sem sinais de redução, corpo redondo e elegante, boa estrutura e final persistente.

Nem sempre me é fácil apreciar vinhos brancos velhos, que ficam muitas vezes com aromas apetrolados e algum mofo, mas este quase parecia jovem. Um jovem de 22 anos cheio de saúde e aparentemente com muita vida pela frente.

Se tiver oportunidade, voltarei a prová-lo. Mais uma vez, parabéns às Caves São João pela excelente conservação que faz dos seus vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Poço do lobo, Arinto 1995 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Casta: Arinto
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

No meu copo 616 - Pouca Roupa rosé 2016

Continuando na esfera da João Portugal Ramos Vinhos, recebemos este Pouca Roupa rosé, que mantém o perfil leve e descontraído com que foi criado. Aromático quanto baste, simples, leve e suave, com acidez suficiente para dar frescura na prova de boca e final agradável. Leves notas de frutos vermelhos e algum floral marcam o aroma. Foi especialmente apreciado pelo sector feminino que o provou.

Um vinho para, decididamente, beber com pouca roupa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2016 (R)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 30 de julho de 2017

No meu copo 615 - Tons de Duorum branco 2016

Um branco de entrada de gama na Duorum Vinhos que tem vindo a manter uma consistência de qualidade surpreendente para o preço que custa.

Apresenta-se com muito boa frescura e acidez, vivo na prova de boca com aromas florais e cítricos intensos, com final de boca vibrante longo.

Não parece ter a qualidade que tem nem ser falado para aquilo que é mas a verdade é que dentro deste patamar de preços, não se encontra muito melhor, e também não é falado nem tem o estatuto que o conteúdo da garrafa justifica.

Um salto qualitativo surpreendente.

Obrigado à João Portugal Ramos Vinhos por esta garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Tons de Duorum 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Duroum Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,19 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 26 de julho de 2017

No Le Consulat (1) - Novas colheitas da Quinta de Cidrô



Mais um evento, mais uma extensa prova. Não há mãos a medir.

Foi num novo espaço surgido no Chiado, na Praça Luís de Camões, no edifício de um antigo hotel, que no passado dia 20 a Real Companhia Velha apresentou as suas novas colheitas da Quinta de Cidrô, constituídas por 4 vinhos brancos, 3 tintos e um rosé.

No 1º andar do nº 22 daquela emblemática praça lisboeta, está a surgir um novo conceito que, ao que parece, ainda vai ter mais novidades. Para além duma zona comum onde os muitos convidados – entre bloggers, jornalistas, escanções ou profissionais de marketing e comunicação – puderam provar os vinhos apresentados e degustar alguns petiscos que entretanto uma equipa de sala ia fazendo desfilar em pequenas travessas, existe também do lado direito um winebar (a visitar quando houver mais tempo) gerido por André Ribeirinho, conhecido criador do site Adegga e do evento Adegga Wine Market e agora parceiro tecnológico da nova revista Vinho – Grandes Escolhas, e do lado esquerdo irá surgir um restaurante gerido pelo Chef André Magalhães, que confeccionou os petiscos que pudemos provar (delicioso o de pato desfiado). Nesse mesmo espaço do lado esquerdo, numa pequena sala, decorreu uma prova comentada destes mesmos vinhos, destinada a profissionais do sector.

Terminada essa apresentação específica, os três representantes da Real Companhia Velha juntaram-se aos restantes convivas onde se provou os vinhos mais ou menos a gosto. Presentes estiveram o agrónomo responsável pelas vinhas, Rui Soares, o director comercial Pedro Silva Reis (filho) e o enólogo Jorge Moreira (na foto, da esquerda para a direita por esta ordem).

Em prova, os brancos monocasta da colheita de 2016, apresentados por ordem alfabética: Alvarinho, Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc; o rosé de 2016, agora com a Touriga Franca a acompanhar a já habitual Touriga Nacional; e os tintos Pinot Noir de 2014, Touriga Nacional de 2015 e a grande surpresa, o Cabernet Sauvignon & Touriga Nacional de... 2008!

Quanto aos vinhos propriamente ditos, o que se pode dizer é que a Real Companhia Velha não deixou os seus créditos por mãos alheias e brindou-nos com mais 8 belíssimos vinhos, todos diferentes entre si mas com características e qualidades muito próprias que merecem ser apreciadas.

No que respeita aos brancos, sendo eu fã incondicional do Sauvignon Blanc da casa, confesso que o vinho que me encheu as medidas foi o surpreendente Gewürztraminer (ainda não aprendi a pronunciar este nome...), com uma acidez, um aroma e uma persistência notáveis, que o colocaram num patamar acima de todos os outros (são gostos, claro). Enquanto o Sauvignon Blanc cumpriu o que se esperava mas pareceu precisar de crescer algum tempo em garrafa, pois os aromas parecem estar um pouco presos, o Chardonnay também não surpreendeu, com um ligeiro aroma a madeira a sobressair no início mas a desvanecer-se no copo depois de algum tempo a arejar, ficando o Alvarinho como o mais discreto, tanto no nariz como na boca. Pelo menos na comparação com as outras três castas, todas elas de aroma muito intenso, ficou algo atrás.

O rosé, um dos meus preferidos, não pareceu ganhar com a incorporação da Touriga Franca, ficando um pouco mais dose. Prefiro-o mais seco como antes, embora a diferença não seja significativa.

Quanto aos tintos, o Pinot Noir apresenta aquele perfil mais delgado e menos concentrado que é habitual na casta, pedindo pratos delicados para se expressar. O Touriga Nacional é o que é, não surpreende com as notas florais e a frutos vermelhos a predominar.

O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento! Este e o branco Gewürztraminer entram imediatamente para a lista das compras a fazer numa próxima oportunidade!

A título informativo, junto às fotos publicadas a informação técnica sobre cada um dos vinhos, fornecida na nota de imprensa. Os preços indicados são os recomendados pelo produtor, sabendo-se que no comércio podem existir grandes variações entre este PVP e aquele que está na prateleira.

Está de parabéns a equipa que deu vida a estes vinhos. A aposta na marca Quinta de Cidrô – na posse da Real Companhia Velha desde 1972, com 140 ha de vinha a servirem de base para um campo de experimentação vitivinícola, como é descrito na nota de imprensa – com origem em vinhos monovarietais ou bi-varietais tem dado excelentes resultados, com novos perfis de vinho a contribuírem para a imagem dum Douro mais moderno e mais variado, mostrando que é possível produzir vinhos elegantes e suaves, sem os excessos que marcaram a região há uma década, e que as castas vindas de fora também têm boas condições para vingar. Assim a mão do homem dê uma ajudazinha.

Obrigado à equipa da Real Companhia Velha e, como não podia deixar de ser, à incansável Joana Pratas, sempre na linha da frente na comunicação, pelo convite para este interessante (e importante) evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado com provas

domingo, 23 de julho de 2017

No meu copo 614 - Stanley branco 2015; Stanley tinto 2013

Mais dois vinhos que desconhecia, a não ser pelo nome. Tive oportunidade de prová-los no restaurante da Fundação Oriente, e não deslustraram.

O branco, com duas das melhores castas portuguesas, mostrou-se à altura das exigências. Aroma com algum fruto tropical e algum floral, boa acidez e persistência, com final fresco e elegante. Um exemplar interessante da nova geração de brancos da região de Lisboa.

O tinto, por seu lado, foi produzido em terrenos arenosos da Península de Setúbal mas com castas exteriores à região (o mesmo acontece com o branco, mas aqui a proliferação e variedade de castas já é mais habitual): duas vieram do Douro e a Syrah veio de França.

Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês apresentando as notas de madeira bem integradas no conjunto. Bom volume de boca, taninos suaves e final longo com alguma adstringência. Igualmente interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Fundação Stanley Ho

Vinho: Stanley 2015 (B)
Região: Lisboa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Verdelho, Alvarinho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Stanley 2013 (T)
Região: Península de Setúbal
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de julho de 2017

No meu copo 613 - Quinta Vista tinto 2013

Não conhecia este vinho, não sabia de onde era, nunca tinha ouvido falar nele.

Numa ida esporádica à marina de Cascais, num almoço mais ou menos improvisado, pedi um copo de vinho e serviram-me o vinho da casa, que se veio a revelar... este.

Depois de procurar mais informação, fiquei então a saber que é da região de Alenquer. Não é um vinho surpreendente, nem que nos encante, mas revelou alguma personalidade e consegue-se beber com o agrado suficiente para justificar ser mencionado.

Em traços gerais, apresenta as características habituais nos vinhos da região de Lisboa. Alguma frescura a par duma certa adstringência, medianamente encorpado com alguma estrutura e persistência, com final medianamente longo marcado por algum tanino.

Não é especial, mas para aquilo que é bebe-se bem. Talvez valha a pena conhecer melhor este produtor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta Vista 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Sociedade Agrícola Quinta do Conde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Castelão, Syrah
Preço: 4 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 11 de julho de 2017

No meu copo 612 - Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas branco 2015

Este vinho foi comprado há um ano, na habitual promoção da Revista de Vinhos. Foi agora bebido a acompanhar peixe grelhado e superou todas a expectativas.

Revelou-se um vinho absolutamente gastronómico, a pedir até um prato mais elaborado e complexo. Com aroma predominantemente cítrico e alguma mineralidade, foi sobretudo na boca que surpreendeu, pela estrutura e complexidade apresentadas, com final longo, vivo e fresco, com boa estrutura mas macio e redondo, com um leve toque amadeirado muito bem integrado no conjunto.

É um daqueles raros vinhos que me conseguem sempre surpreender quando conseguem conjugar estrutura e persistência com suavidade e elegância. Merece ser novamente provado mas agora com um prato mais exigente, pois revela potencial para se bater com um repasto mais elaborado e complexo.

Muito bem esta combinação de castas, na linha da aposta de Paulo Laureano nas castas portuguesas. Este foi um tiro bem certeiro.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2015 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Fernão Pires
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 8 de julho de 2017

4º Bairradão em Lisboa


No final do passado mês de Maio decorreu no Hotel Real Palácio mais uma edição do Bairradão em Lisboa, que juntou produtores do Dão e da Bairrada no mesmo espaço.

Estiveram presentes alguns produtores dos mais representativos daquelas duas regiões, como se pode ver pela lista da imagem anexa.

Desta vez não houve oportunidade para participar na prova especial das colheitas de Cabernet Sauvignon da Caves São João, porque o dia era muito preenchido e apenas pude cirandar pelas mesas dos produtores com alguma brevidade. Detive-me sobretudo na mesa das Caves Messias, da Casa de Saima e da Casa da Passarela, da Adega de Cantanhede e no da Dão Sul/Global Wines, com a larga panóplia de vinhos da Quinta do Encontro e das várias marcas produzidas no Dão.

Num breve balanço da minha curta passagem pelo evento, ficou patente mais uma vez a importância deste evento e a participação massiva dos produtores, de modo a trazer estas duas fantásticas regiões ao encontro do público e aumentar a sua visibilidade. A qualidade dos vinhos está lá e é inegável, como os apreciadores sobejamente sabem. Falta apenas que o grande público também saiba e comece e render-se a estes vinhos que, sendo significativamente diferentes entre si, também não têm igual no país.

Mais uma vez está de parabéns a garrafeira Néctar das Avenidas, que continua a lutar contra a menor atenção que o consumidor dispensa a estas duas regiões. Pela nossa parte, aqui neste cantinho, continuaremos também a apoiar esta missão dentro do que nos for possível.

Continuem e contem connosco.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Hello Summer Wine Party 2017 no Hotel Marriott



Os eventos ligados ao vinho sucedem-se a um ritmo alucinante, superior à minha capacidade de comparência e ainda mais superior à minha capacidade de escrita com a frequência requerida. Tenho descrições para fazer… desde o ano passado, e ainda não consegui publicá-los...

Para tentar pôr alguma escrita em dia, vou começar pelo mais recente onde estive: a Hello Summer Wine Party 2017, que decorreu no dia 9 de Junho de 2017 no Hotel Marriott, em Lisboa, organizada pela revista Paixão pelo Vinho.

À semelhança de edições anteriores, o evento conta com a participação de vários produtores de vinho menos badalados, que não aparecem muitas vezes nos certames mais concorridos, além da possibilidade de provar alguns petiscos que vão sendo confeccionados no jardim. Desta vez pude participar em duas provas especiais que decorreram em paralelo, e acabaram por ocupar a maior parte do meu tempo: vinhos da casta Castelão apresentados por António Saramago e vinhos de Baga apresentados por Osvaldo Amado.

Relativamente aos stands, acabei por dar uma volta mais demorada pelos vinhos da Serenada, da Adega Cooperativa da Vidigueira e da Companhia das Lezírias, saltitando um pouco pelos outros mas sem possibilidade de grande permanência. Como vai sendo, infelizmente, habitual nestes eventos, os vinhos tintos quase nunca estão à temperatura adequada, o que obriga a nos centrarmos quase exclusivamente nos brancos e rosés. Entretanto as provas especiais começavam, pelo que me saí rapidamente do jardim...

A primeira prova constou da apresentação dos vinhos da casta Castelão produzidos por António Saramago na Península de Setúbal. O enólogo começou por caracterizar a casta e a sua história, passando-se depois à prova de vários néctares que abrangeram vários anos do século XXI. No geral os vinhos apresentaram-se bastante saudáveis e longevos, com as características aromáticas e de estrutura bem marcadas. Como é normal nestas ocasiões, os vários anos em prova apresentaram discrepâncias que não têm necessariamente relação com a idade dos vinhos, com diferentes tipos de evolução.

Quanto à prova dos vinhos de Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede, tivemos a possibilidade de apreciar estes bairradinos em todo o seu esplendor, numa prova para verdadeiros apreciadores. Sem prejuízo para os magníficos aromas terciários dos vinhos mais velhos, o grande vinho em prova foi o da colheita de 2011, um néctar de excelência!

O que ficou desta prova foi o grande crescimento qualitativo da Adega Cooperativa de Cantanhede, que está a produzir vinhos que lhe permitirão guindar-se a um patamar entre os melhores da Bairrada. E mais uma vez o dedo de Osvaldo Amado contribui para este crescimento.

Ainda houve uma terceira prova especial com vinhos da Madeira, mas já não havia tempo nem estômago para mais.

Obrigado à equipa da Paixão pelo Vinho, e em particular à Maria Helena Duarte, por mais este evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado