sábado, 31 de dezembro de 2016

No meu copo 572 - 2221 Terroir de Cantanhede 2011

 

Cantanhede, Bairrada.

2221:
2 castas.
2 enólogos.
2 produtores.
1 terroir.

É esta a génese deste vinho que foi apresentado há cerca de um ano, como resultado duma parceria entre a Adega Cooperativa de Cantanhede e as Caves São João, e premiado com a Escolha da Imprensa da Revista de Vinhos em 2015.

Juntaram-se os dois enólogos (respectivamente Osvaldo Amado e José Carvalheira) e seleccionaram duas castas: a Baga da Adega de Cantanhede e o Cabernet Sauvignon das Caves São João. A Baga foi obtida nas vinhas da Adega Cooperativa e o Cabernet Sauvignon foi obtido nas vinhas da Quinta do Poço do Lobo, propriedade das Caves São João que fica situada também no concelho de Cantanhede. E assim se obteve um único terroir, o Terroir de Cantanhede.

Perante a grandiosidade deste vinho, esqueçam as notas de prova, os aromas e os descritivos. A sua sumptuosidade é esmagadora, a sua estrutura preenche-nos, o seu bouquet profundo e intenso inebria-nos, a sua persistência deixa-nos boquiabertos.

Vale a pena abrir os cordões à bolsa para beber um grande vinho como este, que é uma homenagem aos grandes vinhos da Bairrada. Estão de parabéns estes dois grandes enólogos, que de ano para ano nos conseguem surpreender com estes néctares preciosos. Aqui fica a nossa singela homenagem a estes dois grandes senhores do vinho português: Osvaldo Amado e José Carvalheira. Bem-hajam e que nos possam brindar com outros vinhos de eleição.

Que melhor forma de terminar o ano do que com um grande vinho como este?

PS: Obrigatório decantar, meia-hora a uma hora antes de beber.

Kroniketas, enófilo em réveillon

Vinho: 2221 Terroir de Cantanhede 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede e Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga e Cabernet Sauvignon
Preço: 43 €
Nota (0 a 10): 9

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

No meu copo 571 - Follies, Alvarinho-Loureiro 2012; Aveleda Colheita Selecionada, Alvarinho 2014

Alguns anos depois, voltamos a um branco da Aveleda que esteve em destaque no portefólio da empresa, com a marca Follies. Um dos destaques da marca incidiu nos vinhos verdes, onde a empresa tem longa tradição. Houve várias combinações de castas, e há dois anos encontrei numa garrafeira de Algés umas garrafas deste exemplar.

Por questões de ordem legal o vinho não tem direito a denominação de origem verde, embora seja produzido na região, porque as vinhas não estão localizadas nas sub-regiões adequadas para as respectivas castas – uma questão um bocado pateta, mas que entretanto parece já ter sido resolvida.

A verdade é que todas as características dos vinhos verdes estão lá. A frescura e acidez do Loureiro, o tropical do Alvarinho. Elegante, com aroma intenso, frescura na boca, persistência e final longo e vivo.

Apesar de ter sido bebido já com quatro anos de idade, mostrou-se de perfeita saúde. Foi uma boa compra.

Já o novo monocasta Alvarinho cumpriu as expectativas. Boa relação qualidade-preço, com os aromas típicos da casta, onde se junta um toque cítrico e tropical com uma boa acidez que formam um conjunto com boa frescura e persistência.

São normalmente boas apostas, estes brancos da Aveleda.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Regional Minho
Produtor: Aveleda Vinhos

Vinho: Follies, Alvarinho-Loureiro 2012 (B)
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Alvarinho, Loureiro
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Aveleda Colheita Selecionada, Alvarinho 2014 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 24 de dezembro de 2016

No meu copo 570 - Coudel-Mor Reserva 2011

Tivemos aqui uma boa revelação da Adega Cooperativa do Cartaxo. Longe, felizmente, vão os tempos do carrascão.

Este lote algo estranho de cinco castas resultou num vinho encorpado, bem estruturado, robusto e persistente. Apresenta notas de frutos vermelhos maduros, final persistente e intenso. Boa acidez e vivacidade na prova de boca, mas com adstringência bem domada. Pelo preço que custou, mostrou-se uma boa aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Coudel-Mor Reserva 2011 (T)
Região: Tejo (Cartaxo)
Produtor: Adega Cooperativa do Cartaxo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Tinta Roriz, Syrah, Trincadeira
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (3ª parte)


(continuação)


Depois da visita à quinta passámos à sala de provas, onde foi efectuada uma apresentação sobre a nova estratégia de gestão, sobre as várias parcelas de vinha e dos tipos de vinhos a que se destinam.

Seguiu-se a parte de prova livre dos vinhos que estavam disponíveis, seguindo-se o almoço.

Dois vinhos da gama de entrada, já referidos em post anterior, estiveram nesta fase, em que a prova foi em crescendo.

Destaque para o Reserva, o Merlot e o Petit Verdot Special Selection, nos tintos, e também um Arinto Reserva nos brancos. Em prova, igualmente ainda sem rótulo, um lote de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot.

Dentro da vasta gama disponível, os da gama Reserva e Special Selection são, naturalmente, aqueles que mais captam a nossa atenção, mas entre todos os que estava expostos apenas foi possível provar os mencionados.

A Quinta de Pancas, como se sabe, tem uma longa tradição na produção de vinhos na região de Lisboa e, em particular, desde há muitos anos que se destaca pelos seus tintos de Cabernet Sauvignon. No crescimento qualitativo dos vinhos em redor da capital, a Quinta de Pancas sempre foi uma referência no puxar da carruagem da recuperação.

Com os novos moldes e a nova estratégia de gestão, acompanhada da renovação da gama, espera-se que os vinhos da quinta voltem a ter o lugar de destaque que merecem no panorama nacional. Lá em casa há uma referências doutro patamar para provar um dia destes...

Resta acrescentar à equipa da Quinta de Pancas pela simpatia com que nos recebeu, e a toda a organização pelo convite endereçado e pelo acompanhamento em todos os passos desta jornada.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Vítor Pires

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

No meu copo 569 - Quinta de Pancas: branco 2015; tinto 2014

Por ocasião da visita à Quinta de Pancas fomos presenteados com duas garrafas do Quinta de Pancas colheita, branco e tinto.

São dois vinhos de gama média da empresa, que não primam pela complexidade.

No branco o aroma é discreto, algo floral com notas tropicais e algum mineral. Apresenta alguma estrutura na boca, mas o final é relativamente curto.

O tinto apresenta-se de corpo médio, estruturado e persistente, mas também de aroma discreto. Algumas notas de fruta preta e tostados do estágio em carvalho francês durante 9 meses. Final persistente com alguma elegância.

Não são, obviamente, vinhos de encantar, como as grandes marcas da quinta. Não se espere mais do que podem dar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas Vinhos - Companhia das Quintas

Vinho: Quinta de Pancas 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay (60%), Arinto (30%), Vital (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de Pancas 2014 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 11 de dezembro de 2016

11 a 11


Todos os anos é a mesma coisa! Lá fazemos mais um aniversário e há que comemorá-lo, embora modestamente porque não somos exibicionistas. Ainda por cima este ano casamos os anos: 11 no dia 11! É obra!

Então lá fizemos mais um anito? Como o tempo passa!

Já são 11, mas parece que foi ontem...

Até agora não está mal quanto a clichés, mas acontece que é mesmo assim. Começámos há onze anos mas continuamos aplicados e, enquanto o prazer de escrever sobre vinhos não se transformar num fardo, podem contar connosco nestas lides da apreciação dos vinhos, de forma descomplexada e humilde, e mantendo a nossa independência.

Comemoremos então mais estes 365 dias que passaram e se adicionaram ao caminho já percorrido e brindemos juntos! Com um bom vinho, de preferência.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes avinhados

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (1ª parte)

    

Mais uma etapa na tentativa de pôr a escrita, com vários meses de atraso, em dia.

No início de Junho, a convite da empresa Parceiros de Comunicação, desloquei-me, juntamente com outros enófilos, bloggers e jornalistas, à Quinta de Pancas para uma visita com apresentação do portefólio actualizado dos vinhos ali produzidos.

O programa incluía um passeio pelas vinhas, prova de vinhos e almoço com os vinhos provados. Foi-nos disponibilizado transporte a partir de Lisboa, pelo que partimos em conjunto da gare do Oriente.
Existe uma nova estratégia na empresa, com uma renovação da imagem e dos vinhos. Desde há alguns anos sob gestão da Companhia das Quintas, nesta nova etapa a gestão da Quinta de Pancas será autonomizada.

Localizada junto a Alenquer, no lugar de Pancas na freguesia de Santo Estevão e Triana, a Quinta de Pancas foi fundada em 1495 e contém cerca de 50 hectares de vinha, com uma variada gama de castas brancas e tintas, portuguesas e também bordalesas, que se estendem por algumas encostas entre a Serra de Montejunto e a margem direita do Tejo, com altitudes variáveis entre os 40 e os 280 metros.

Os solos apresentam características similares a regiões como Champagne, Borgonha (Chablis), Vale do Loire e sul do Vale do Ródano, com predominância de calcários vermelhos. Na quinta estão identificados 34 talhões diferentes com diferentes características que determinam as castas aí plantadas. A maioritária é a Cabernet Sauvignon, em que a quinta tem grande tradição, com 14 ha. Seguem-se a Touriga Nacional com 5,3 ha e outras castas importadas como Syrah e Merlot, só depois aparecendo o Castelão, Alicante Bouschet e Tinta Roriz.

Nas brancas predominam o Arinto, Chardonnay e Vital com 1.

Os talhões foram classificados como A, B e C, sendo os de letra A destinados à produção dos vinhos mais complexos, com foco exclusivo na qualidade e sem olhar a custos, enquanto os da letra C destinam-se aos vinhos de maior volume, que não têm potencial para a produção da gama Reserva. No segmento B temos então os vinhos de gama média e média-alta, com qualidade elevada e preço ainda acessível.

Conduzidos em dois tractores, saímos do edifício principal e fomos por montes e vales percorrer algumas parcelas de vinha, onde nos eram indicadas as castas presentes em cada uma. Claro que naquela época do ano a paisagem não permite distinguir umas de outras, pois todas parecem iguais.

No regresso ao Solar de Pancas, passou-se a uma apresentação da história da quinta, seguindo-se prova livre e depois o almoço.

(continua)

Kroniketas, enófilo itinerante

Fotos: Vítor Pires

sábado, 3 de dezembro de 2016

No meu copo 568 - Diga? branco 2009; Campolargo branco 2015

Falamos agora de dois brancos com a marca Campolargo: um clássico e um moderno.

Começando pelo Diga? 2009 (um nome original para um vinho), embora seja produzido apenas a partir de uma casta que nem sequer é portuguesa mas sim típica de Côtes du Rhône, trata-se dum branco clássico, austero, de aroma fechado, com ligeiras notas fumadas.

De cor amarelo palha, no aroma predominam algumas notas cítricas e a frutos tropicais. Na boca é macio e untuoso, com boa estrutura e final longo, com boa acidez e persistência. Estagia 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês, parte novas e parte usadas.

Um grande branco, em suma, que tem lugar nas nossas escolhas (refira-se que o preço indicado se reporta ao ano da compra, 2011).

O Campolargo branco 2015, apresentado na Revista de Vinhos de Agosto de 2016, feito com um lote improvável mas que resulta bem. De cor citrina e aroma frutado, na boca apresenta-se leve, aberto e suave, com final macio sem deixar de manter alguma estrutura e persistência. Um bom compromisso entre a leveza e a estrutura.

É um bom branco de Verão e uma referência a rever.

Mais uma vez os vinhos Campolargo a não desiludirem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros

Vinho: Diga? 2009 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Viognier
Preço: 11,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Campolargo 2015 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Bical, Verdelho, Viognier
Preço: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5