sábado, 29 de outubro de 2016

No meu copo 560 - Conde de Vimioso Reserva 2012

Voltamos a Almeirim para um tinto que foi uma das estrelas da Gala dos Vinhos do Tejo realizada no passado mês de Março: o Conde de Vimioso Reserva, premiado com a medalha de excelência.

Assim que me cruzei com ele numa prateleira, adquiri-o para fazer uma prova intra-blog, com a presença do tuguinho que, apesar de não escrever, continua a provar.

As expectativas não saíram defraudadas. Confirmou tratar-se de um grande vinho. Encorpado, robusto, cheio, persistente e longo, com taninos presentes e complexos, com grande estrutura de boca e profundidade aromática em que predominam as notas a frutos pretos e vermelhos.

Recomenda-se para pratos de carne bem temperados e exigentes, ganhando complexidade e elegância à medida que os aromas se libertam.

Um dos tintos de excelência produzidos sob a batuta de João Portugal Ramos. Vale bem o preço que custa e entra directamente para a lista das nossas preferências.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2012 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah
Preço em hipermercado: 13,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

No meu copo 559 - Cabeça de Burro Reserva 2011

Aqui está um vinho com o qual não me cruzava há décadas. A única prova realizada aconteceu quando o meu leque de opções ainda era muito reduzido, e não me deixou grande impressão.

Agora houve oportunidade de prová-lo de novo. É um vinho que foge ao perfil mais frequente dos tintos do Douro muito concentrados e pujantes, primando antes pela elegância e equilíbrio. Apresenta aroma frutado mediano, taninos presentes mas suaves e final médio e macio. Fermentou com desengace total e maceração prolongada. Não é um vinho encantador, mas bebe-se muito bem, com agrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça Burro Reserva 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Caves Vale do Rodo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

No meu copo 558 - Fiúza, 3 Castas tinto 2014

Imagine um vinho tinto feito com Syrah, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon.

Imagine também que esse vinho é produzido no Ribatejo, na região agora denominada Tejo.

Imagine ainda que esse vinho estagiou 3 meses em barricas de carvalho novas seguido de 3 meses em barricas de carvalho usadas.

O que é que espera? Possivelmente um vinho pujante, cheio, hiperconcentrado, uma bomba de fruta e com um travo marcado a madeira.

Pois não é nada disso que está dentro desta garrafa. Este 3 Castas tinto, da Fiúza, é a antítese de tudo o que se poderia esperar: um vinho aberto, elegante, suave, macio. Da madeira, quase não se sabe.

Mostra um aroma a especiarias, frutos silvestres, paladar aveludado com fruta, taninos suaves com uma agradável estrutura no final e frescura no palato.

Um vinho feito para se beber com agrado, sem grandes complicações mas muito bem conseguido. Feito para agradar à primeira, no melhor estilo dos vinhos Fiúza. À semelhança do 3 Castas branco, este tinto agrada sobremaneira por um preço imbatível.

É bom, recomenda-se e entra para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza 3 Castas 2014 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 2,33 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 16 de outubro de 2016

No meu copo 557 - Tintos velhos da Bairrada (7)

Caves São João Reserva Particular 1975; Frei João 1990


Regressamos mais uma vez aos clássicos das Caves São João, uma visita regular que gostamos de fazer. Desta vez trata-se de dois tintos que encomendámos através da Garrafeira Néctar das Avenidas, a partir de uma enorme lista de relíquias disponíveis. Fomos à procura de antiguidades mais ou menos acessíveis, e escolhemos um Caves São João e um Frei João.

O primeiro, com 40 anos de idade, mostrou-se pleno de saúde: macio, elegante, delicado, com final ainda persistente e vivo a par com uma grande suavidade. Um daqueles tintos como se fazia antigamente e que nos mostram que velhos são os trapos.

Quanto ao Frei João, sempre pouco badalado, mostrou-se ainda muito vivo, com alguma pujança e persistência, bem encorpado, muito aromático, com final macio e suave.

Duas excelentes companhias à mesa, para tornar uma refeição quase perfeita. Muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Caves São João

Vinho: Caves São João Reserva Particular 1975 (T)
Grau alcoólico: 12,2%
Castas: não indicadas
Preço: 33,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Frei João 1990 (T)
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço: 11,30 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

No meu copo 556 - Herdade do Peso 2013

No seguimento das provas mais recentes, é oportuno regressar à Herdade do Peso para ver como está o Colheita tinto. A prova anterior, da colheita de 2009, convenceu sobremaneira.

A verdade é que este lote é quase completamente diferente do anterior: em três castas, apenas se manteve o Alicante Bouschet. Saíram o Aragonês e o Alfrocheiro e entraram a Syrah e a omnipresente Touriga Nacional, uma espécie de emplastro nos vinhos nacionais: aparece em todo o lado.

Tirando as castas locais e entrando as castas da moda, o vinho, quanto a mim, ficou a perder. Perdeu personalidade, perdeu tipicidade. Está mais macio, mais suave, mas menos expressivo, mais delgado e mais curto. Em suma, não é um vinho do Alentejo mas mais um vinho igual a quase todos os outros.

Permitam-me a franqueza (quem sou eu para mandar palpites à maior empresa vinícola do país?), mas este não me parece ser o caminho para a Herdade do Peso se impor.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Herdade do Peso 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 8 de outubro de 2016

No meu copo 555 - Sossego branco 2015; Sossego tinto 2014

Já se falou sobre estes novos vinhos da Herdade do Peso. Passei num supermercado e vi uma promoção que permitia provar o branco e o tinto gratuitamente, mediante o envio do talão de compra e posterior reembolso. Na pior das hipóteses, não perderia muito; na melhor, não gastava nada.

A Herdade do Peso, propriedade da Sogrape do Alentejo na sub-região da Vidigueira, próximo de Pedrógão, tem sido a mais recente aposta da empresa na renovação do portefólio de vinhos. Alargou-se a oferta na gama Herdade do Peso, com a mais recente aposta a ser feita num branco Colheita, entre o Vinha do Monte (vinho de entrada de gama) e o Herdade do Peso Colheita foi lançado o Trinca Bolotas tinto e agora aparece este Sossego em branco, tinto e rosé, acima do Vinha do Monte e abaixo do Trinca Bolotas.

A questão, já levantada pelo Pingus Vinicus, é esta: havia necessidade? O que trazem estes vinhos de novo, o que acrescentam em qualidade ou em leque de escolha?

Neste momento, a gama da Herdade do Peso mostra-nos isto:

- Vinha do Monte, branco e tinto: 2,99 €
- Sossego, branco, tinto e rosé: 3,99 € a 4,99 €
- Trinca Bolotas tinto: 5,49 € a 5,99 €
- Herdade do Peso, branco e tinto: 6,39 € a 7,49 €

Para que serve este escalonamento, que não mostra grandes diferenças qualitativas dum patamar para o seguinte? É que entre o Trinca Bolotas e o Herdade do Peso, prefiro pagar mais 1 ou 2 € por este. Entre o Sossego e o Vinha do Monte, prefiro este, apesar de ser mais barato.

O Sossego branco ainda cumpriu minimamente sem encantar. Mostrou-se suave e macio, com aroma discreto e final médio.

Já o Sossego tinto foi uma quase completa desilusão: delgado de corpo, com final curto, pouco aromático, desinteressante. Um vinho quase neutro, que não deixa vontade de repetir.

Estratégia de marketing, para pôr a Herdade do Peso no mapa? Claro que sim. Mas não exagerem na quantidade do que põem cá fora. É que, como aqui se comprova, da quantidade não nasce necessariamente a qualidade.

Como dizia o Diácono Remédios: não havia necessidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Sossego 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Roupeiro, Antão Vaz
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Sossego 2014 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 4 de outubro de 2016

No meu copo 554 - Vinha do Almo Escolha 2014

Adquirido com a Revista de Vinhos de Maio, e proveniente da Herdade do Perdigão.

Apesar dos encómios proferidos a seu respeito, não encantou. Apresentou-se de corpo médio, aroma discreto, final algo curto. Mas pronto, gostos são gostos, e não se tem de gostar de tudo o que nos é apresentado como muito bom. Sinceramente, não deixou memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha do Almo Escolha 2014 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7