quarta-feira, 29 de junho de 2016

No meu copo 539 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014


Passamos da Bacalhôa para a José Maria da Fonseca, ali ao lado.

Começamos por um branco já clássico da José Maria da Fonseca e uma das nossas referências obrigatórias: o Verdelho da Colecção Privada Domingos Soares Franco. Já aqui provado por diversas vezes (aqui, aqui e aqui), sempre se portou a grande altura, brilhando à mesa ou fora dela e deixando sempre vontade de beber mais.

À semelhança das colheitas provadas anteriormente, mostrou aquela acidez com um misto de citrino e tropical e exuberância no nariz a par com uma frescura vibrante na prova de boca.

Uma referência incontornável, para o Verão, para o Inverno e para a meia-estação. Para o dia e para a noite. Para o frio e para o calor. Para todos os pratos e todas as ocasiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 25 de junho de 2016

No meu copo 538 - Quinta da Bacalhôa branco 2012

E agora das terras do pó para Azeitão, onde residem os dois gigantes da região, paredes meias ao longo da Estrada Nacional 10.

Começamos pela Quinta da Bacalhôa.

Para além do clássico Quinta da Bacalhôa tinto, um dos pioneiros na utilização do estilo bordalês em Portugal com o lote Cabernet Sauvignon-Merlot, tivemos nos anos mais recentes o lançamento da marca com o nome da casa em versão branco.

É um bom vinho, bem estruturado, persistente e com alguma complexidade, envolvida por um ligeiro toque de madeira. Apresenta notas de frutos tropicais e algum mel, a par com algum floral.

No conjunto, embora seja um bom vinho, e à semelhança do que acontece com o tinto, este também não me encantou e não me parece que justifique o preço que custa. Por este preço, que de barato não tem nada, espera-se sempre algo mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Bacalhôa 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Sémillon, Alvarinho, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 13,04 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 21 de junho de 2016

No meu copo 537 - Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011

De Fernando Pó para Pegões Velhos, da Casa Ermelinda Freitas para a Adega de Pegões, de um bi-varietal para outro. Em comum entre os dois, o Chardonnay.

Este lote de Chardonnay e Arinto apresentou-se oxidado, claramente a decair, sem frescura. Apesar de comprado este ano, pareceu ter ultrapassado o tempo de vida útil. Fica por saber se foi uma opção vendê-lo já com esta idade, ou se era um resto de colecção que ficou esquecido num armazém. Dito isto, ou é problema do vinho ou da garrafa. Portanto, prova inconclusiva.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 5

sexta-feira, 17 de junho de 2016

No meu copo 536 - Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014

Retomando o périplo pelos brancos de várias regiões, vamos agora para a Península de Setúbal.

Esta versão bi-varietal dum vinho de entrada de gama como o Terras do Pó apresenta-se, ao contrário do esperado, algo simples, de aroma discreto, pouco estruturada e complexa e com final algo curto.

Pareceu-me algo incaracterístico e talvez este casamento das duas castas francesas não tenha sido bem conseguido. Espera-se muito melhor da Casa Ermelinda Freitas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Chardonnay, Viognier
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

segunda-feira, 13 de junho de 2016

No meu copo 535 - Herdade do Perdigão Espumante Bruto 2014

Cada vez há mais espumantes disseminados pelo país. De norte a sul, do litoral ao interior, surgem espumantes um pouco por todo o lado, onde não se esperava e de produtores que não se esperava.

Não será necessariamente o caso deste que agora refiro, mas a verdade é que também na Herdade do Perdigão já se faz espumante.

Há uma boa meia-dúzia de anos encontrei em Portalegre o espumante da Tapada do Chaves, que na altura também me surpreendeu pela positiva. Também na Herdade do Esporão, no coração da planície, já encontrei espumantes brancos e rosés bastante agradáveis.

Agora, subindo novamente no mapa e para a altitude de Monforte, encontramos este feito exclusivamente com a casta Arinto. Junta-se a altitude e a casta e temos como resultado um belíssimo espumante, que não fica a dever muito aos mais conceituados.

Este espumante estagia em barricas 100% novas de carvalho francês durante 18 meses e, no mínimo, 18 meses em garrafa. Apresenta uma cor cítrica, bolha fina e persistente, com aromas a lembrar frutos secos e alguma lima. Alguma delicadeza e elegância na prova de boca, tem um final fresco e persistente.

Muito bem. Convenceu-me, pelo preço e pela qualidade. Entra para as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Espumante Bruto 2014 (B)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço: 11,65 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 9 de junho de 2016

No meu copo 534 - Frei João rosé 2013

A primeira prova deste clássico das Caves São João em versão rosada tinha acontecido no Verão de 2014, com a colheita de 2011. Essa verão foi produzida unicamente a partir de Touriga Nacional e passou na prova sem dificuldade.

Agora temos esta colheita de 2013, com um rótulo renovado e também com um lote renovado: à Touriga juntaram-se a Baga, em maioria, e o Cabernet Sauvignon, em percentagem minoritária. O resultado, embora não seja significativamente diferente em termos qualitativos (acabámos por pontuar os dois vinhos de forma igual), dá-nos um perfil algo diferente e talvez mais abrangente.

Temos agora um rosé que, mantendo a frescura e um aroma floral e de frutos vermelhos, apresenta um pouco mais de estrutura e persistência na prova de boca, tornando-se mais gastronómico e com algum acréscimo de complexidade.

Em resumo: parece ser, nesta nova versão, um vinho produzido para ser mais consensual, mantendo a facilidade com que se bebe e estando claramente vocacionado para o tempo fresco e para acompanhar entradas, saladas ou massas.

À segunda prova convenceu-nos e entrou para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2013 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: Baga (60%), Touriga Nacional (30%), Cabernet Sauvignon (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 6 de junho de 2016

No meu copo 533 - Herdade do Peso branco 2014

Continuamos na zona da Vidigueira, agora para falar do primeiro branco lançado pela Sogrape na Herdade do Peso.

Situada próximo de Pedrógão, cerca de 13 km a sueste da Vidigueira e algures entre as Cortes de Cima e a Herdade do Sobroso, a Herdade do Peso foi pioneira dentro do universo Sogrape na implantação da chamada “viticultura de precisão”, com a instalação de estações meteorológicas e a monitorização permanente dos vários terroirs da propriedade, de modo a adaptar cada casta à parcela mais adequada e acompanhar em permanência o estado de maturação das uvas.

Depois da reconversão do portefólio de tintos, que começou com a substituição dos Sogrape Reserva do Alentejo (à semelhança do que aconteceu no Dão com a substituição pela marca Quinta dos Carvalhais e no Douro com as marcas da Casa Ferreirinha) pela marca Herdade do Peso (passando pelo Colheita, o Reserva, o Ícone, alguns varietais e mais recentemente o Trinca Bolotas), chega agora a vez deste branco produzido unicamente com uma casta típica do Alentejo e particularmente associada à sub-região da Vidigueira, o Antão Vaz.

De cor amarela-esverdeada, equilibrado, macio, persistente, com aroma predominante a frutos brancos e ligeiro citrino, apresenta-se contudo algo discreto no nariz, medianamente encorpado na prova de boca e final fresco mas pouco longo.

É um vinho a rever com alguma atenção, pois poderá ter alguma evolução para melhor, faltando-lhe alguma complexidade e um aroma mais exuberante. Pontuamo-lo ligeiramente em baixa, mas com margem para subir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Peso 2014 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 3 de junho de 2016

No meu copo 532 - Vidigueira Grande Escolha (Ato V - A Decisão): branco 2014; tinto 2012

Depois de muitos anos sem provar vinhos da Adega Cooperativa da Vidigueira (desde antes da existência da Herdade do Peso na Sogrape, das Cortes de Cima e de Paulo Laureano, entre outros), tive oportunidade de comprar umas novidades da adega, que se renova e parece renascer com uma redefinição do seu portefólio.

Surgem novas marcas e várias combinações de castas, assim como vinhos varietais. Aqueles que aqui trazemos são o branco e o tinto Grande Escolha, ambos elaborados com apenas duas castas: a muito badalada Antão Vaz e a quase ignorada Perrum, no branco, a clássica Trincadeira e a adoptada Alicante Bouschet, no tinto.

Este branco mostrou as características que habitualmente são associadas aos brancos da sub-região da Vidigueira, considerada uma das melhores para brancos no Alentejo, e possivelmente a melhor sub-região na planície. Tem frescura quanto baste, corpo e estrutura médios, madeira ligeira e integrada no conjunto, sem marcar demasiado o vinho, e um final longo e elegante. Faz uma boa parceria com pratos com alguma complexidade, perfilando-se como escolha possível para meia-estação mas igualmente para o Verão.

Quanto ao tinto apresentou-se macio, como também é habitual na região, encorpado, suave e persistente. É um vinho de paladar agradável, com ligeiras notas de especiarias a temperar o fruto maduro. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano mas a madeira está muito bem integrada no conjunto, apenas servindo para o temperar e envolver.

Pode ser um vinho dos novos tempos e com um novo perfil, mas a fugir à moda dos superfrutados e superconcentrados feitos com castas internacionais. Um exemplo para ser olhado com atenção.

Sim, pode-se renovar com as castas tradicionais. Sabiam?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vidigueira Grande Escolha (Ato V - A Decisão) 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Perrum
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vidigueira Grande Escolha (Ato V - A Decisão) 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8