terça-feira, 31 de maio de 2016

5º Festival e Concurso de Vinhos do Douro Superior - Maio 2016


Passou já uma semana desde o evento, mas ainda não houve tempo para dissertar mais demoradamente sobre o 5º Festival e Concurso de Vinhos do Douro Superior, o que tentaremos fazer ao longo das próximas semanas.

No entanto, em nome das Novas Krónikas Viníkolas, não queremos deixar passar esta oportunidade para, antes de mais, agradecer publicamente à Revista de Vinhos, na pessoa do seu director da área de negócios João Geirinhas Rocha, e à organização na pessoa da Joana Pratas, por todo o esforço, dedicação e atenção que nos foram dedicados ao longo dos 3 dias da nossa jornada pelo Douro Superior.

Queremos também agradecer, principalmente, o convite que foi endereçado a este blog para que um dos seus autores (no caso concreto este escriba que se assina...) fizesse parte do júri do 5º Concurso de Vinhos do Douro Superior e, por arrasto, por todas as actividades que nos foram proporcionadas nestes dias, que ficaram memoráveis e que guardarei na minha lembrança com muito carinho. Já conhecíamos uma pequena parte do Douro Superior, dum passeio feito há uns anos a Foz Côa, no qual foi visitada a Quinta de Ervamoira (Ramos Pinto), tendo depois descido até ao Pinhão e à Régua.

(Krónikas duma viagem ao Douro - 3)
(Quinta de Ervamoira, Take 2)

Mas embrenhar-me, assim, no coração do Alto Douro vinhateiro, lá “para trás do fim do mundo”, era coisa que nunca tinha feito, e não estava nos planos imediatos. É verdade que já tinha pensado em tentar visitar a Quinta da Leda (Sogrape) e a Quinta de Castelo Melhor (Duorum), nomes sonantes da zona para lá de Foz Côa, ou fazer o passeio de barco da Régua até Barca d'Alva, mas esta viagem às “profundezas” (em altitude) da região foi qualquer coisa de inesquecível, e que não me tenho cansado de contar desde que voltei de lá. A começar pela ida à Quinta do Vale Meão, local deslumbrante e emblemático na história dos vinhos do Douro, e a terminar na glamorosa Quinta da Terrincha, mesmo assim acho que o que mais me marcou foram os passeios pelas quintas mais embrenhadas na serra, a Quinta da Cabreira (propriedade da Quinta do Crasto) e a Quinta das Bandeiras (propriedade da Quinta de La Rosa), em que andámos no meio das vinhas. São histórias que ficam para contar aos netos.

Por isso, não tenho como expressar a minha gratidão por me terem proporcionado esta magnífica oportunidade. A experiência como jurado no 5º Concurso de Vinhos do Douro Superior foi uma estreia e deu para perceber como é difícil, falível e pode ser “traiçoeira” esta missão, em que temos de provar muito em pouco tempo, com vinhos tão díspares a baralharem-nos os sentidos. Mas é desafiante e aliciante, e também uma aprendizagem acelerada que, devo confessar, não me importaria de repetir.

Por último, muitos já o fizeram publicamente e pessoalmente, e a organização também, mas não quero deixar de expressar igualmente o meu agradecimento por toda a simpatia e atenção que nos foi dedicada pelos produtores e enólogos com quem contactámos. Foram inexcedíveis no acolhimento que nos dispensaram, deram-nos a provar o que têm de melhor (nos comes e nos bebes) e receberam-nos como se fizéssemos parte da equipa que diariamente labuta com eles. Neste aspecto, apenas uma palavra à parte para o enólogo da Muxagat Vinhos, Luís Seabra, que nos deu a rara possibilidade de provar vinhos ainda em estágio nas barricas na adega, onde depois desfrutámos dum jantar magnífico (como foram todas as refeições que nos proporcionaram). Também aqui a simpatia foi insuperável, a começar pela proprietária Susana Lopes.

Correndo o risco de me esquecer de muita gente que trabalha nos locais visitados, não quero deixar de mencionar também aqui os nomes de Francisco Olazabal, esposa e filha Luisa Olazabal, na Quinta do Vale Meão, Jorge Roquette e Manuel Lobo de Vasconcellos, da Quinta da Cabreira/Quinta do Crasto, Jorge Moreira na Quinta das Bandeiras/Quinta de La Rosa, e Mónica Pinto na Quinta da Terrincha.

Obrigado igualmente ao Ricardo Palma Veiga, da Revista de Vinhos, pela bateria de fotos fornecidas, das quais, com a devida vénia, publicaremos algumas.

Muito e muito obrigado a todos, e também aos meus companheiros de viagem, excelentes comparsas de ocasião.

Por último, mas não menos importante, e como o blog é de dois (embora não pareça...), há que mencionar o outro bandalho que é o verdadeiro culpado de isto existir, pois foi ele que criou o primeiro blog (Krónikas Tugas) há mais de 12 anos. Estou a falar, obviamente, do diletante preguiçoso tuguinho, que quase deixou de escrever... mas continua a provar, e a aprovar grande parte dos artigos que aqui são publicados.

Bem hajam.

Kroniketas, enófilo ainda em fase de recuperação das viagens

sábado, 28 de maio de 2016

Na minha mesa 531 - Marítima do Restelo

  

Já aqui tinha referido de passagem este restaurante, a propósito de um Sauvignon Blanc da Cono Sur lá bebido a acompanhar um arroz de lagosta. Agora, após uma nova visita, é tempo de falar do restaurante e do próprio arroz de lagosta.

Situado na rua paralela à marginal em frente ao Centro Cultural de Belém, a cerca de 300 metros do CCB, este restaurante passa quase despercebido numa esquina do segundo quarteirão quando se sai da Praça do Império. Lá dentro, uma sala pequena, para não mais de 40 pessoas, e quase sempre cheia. Em hora de almoço ou de jantar, quase sempre necessário reservar.

À entrada, uma montra cheia de peixes de todos os tipos, fresquíssimos. Um maná para os apreciadores. A ementa não é muito extensa mas é bastante variada, sendo que é quase obrigatório o arroz de garoupa com gambas. Servido em tacho em dose generosa, malandrinho e caldoso quanto baste, bem polvilhado de coentros, é uma delícia que se vai comendo sempre mais sem dar por isso.

Para além deste prato emblemático, existe uma boa variedade de sobremesas doces (pudim, bolo-mousse de chocolate). Em termos de vinhos a escolha não é muito vasta, obrigando quase sempre a optar pelas mesmas escolhas. O Sauvignon Blanc da Cono Sur provado antes nunca mais apareceu, ficando quase tudo pelos vinhos médios.

Dada a grande afluência de clientes, o serviço por vezes ressente-se mas quase sempre é atento e competente.

Embora esteja localizado numa zona muito movimentada e possa ser um local de passagem para almoços, para se apreciar devidamente aquele arroz é necessário ir com algum tempo. Portanto, sugere-se mais uma visita ao jantar para comer sem pressas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Marítima do Restelo
Rua Bartolomeu Dias, 110
1400-030 Lisboa
Tel: 21.301.05.77
maritimadorestelo@gmail.com
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

quarta-feira, 25 de maio de 2016

5º Festival de Vinho do Douro Superior


Decorreu de 20 a 22 de Maio o 5º Festival de Vinho do Douro Superior, para o qual este blog teve a honra de ser convidado.

Entre um programa com múltiplas actividades, um grupo de pouco mais de 20 pessoas teve oportunidade de visitar 5 quintas e produtores, participar em provas de vinhos e refeições, visitar a feira de vinhos e, ponto principal do evento, integrar o painel de jurados do Concurso de Vinhos do Douro Superior.

Começando por agradecer à Revista de Vinhos o honroso convite que endereçou a este blog, deixamos aqui, para já, apenas algumas informações resumidas acerca do festival. Artigos mais detalhados, dada a profusão de informação que ainda há para processar, irão surgindo ao longo das próximas semanas faseadamente.

Os resultados do concurso de vinhos do Douro Superior podem ser consultados aqui.

As fotos tiradas por este blog podem ser consultadas aqui.

Mais informações e fotos estão em profusão no Facebook, é só procurar.

Obrigado a todos os produtores, à organização e a todos os companheiros de viagem.

Kroniketas, enófilo em trânsito pelo Douro Superior

domingo, 22 de maio de 2016

No meu copo 530 - Escada 2007

Por contraponto com os vinhos anteriores, eis uma agradável surpresa. Um vinho do Douro produzido pela DFJ, conhecida pelos seus diversos vinhos de Lisboa e do Tejo e muitos monocasta.

Este Escada 2007, apresentado já este ano com a Revista de Vinhos, portanto já com uma idade respeitável, está mais que pronto a beber e com perfeita saúde. Foi produzido a partir de vinhas com idades compreendidas entre 80 e 100 anos, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e mostrou-se bastante gastronómico.

De cor rubi e média concentração, apresenta-se elegante na prova de boca, com taninos redondos e final suave.

Um vinho com boa relação qualidade-preço, cheio de saúde e adequado para pratos de carne requintados e não demasiado temperados.

Uma boa revelação, a confirmar que o produtor-enólogo José Neiva sabe muito bem aquilo que faz.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Escada 2007 (T)
Região: Douro
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 18 de maio de 2016

No meu copo 529 - Monte Mayor Reserva 2013

De vez em quando é útil socorrermo-nos dos contra-rótulos das garrafas, para compararmos o que lá está escrito com a nossa própria apreciação do conteúdo.

No caso deste Monte Mayor Reserva 2013, reza assim:

“De cor rubi concentrada, é profundo e complexo no nariz. Sugere juventude, apontamentos de frutos vermelhos e bagas silvestres balanceados com notas de tosta, especiarias e nuances balsâmicas. Na boca é envolvente e equilibrado, os taninos finos e a acidez atractiva, remetendo-nos para um final longo e persistente.”

Até agora não tenho provado muitos vinhos da Adega Mayor, mas aqueles que já provei (inclusivamente o Reserva do Comendador) têm agradado. A própria marca tem-se imposto no panorama nacional, com algumas marcas a ganhar prestígio.

A minha expectativa para este vinho era principalmente de elegância, pois estamos já no norte alentejano onde os vinhos primam mais pela frescura que na planície. E no entanto, saiu-me tudo ao contrário: robusto, pesado, demasiado alcoólico (mais uma vez) e agressivo. Esperava que fosse adequado para acompanhar um fondue (como o Esporão e o Garrafeira dos Sócios costumam ser) mas esqueci-me de olhar para o álcool. Mais uma vez, abafou tudo. Seria bom com um assado no forno, uma carne bem condimentada. Mais uma vez, o desequilíbrio do conjunto a mostrar-se.

Má escolha para aquela refeição. Só me apetece dizer: malditos 14,5 graus de álcool!

Ó senhores enólogos, pela milésima vez: se calhar já chegava, não?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte Mayor Reserva 2013 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 6

sábado, 14 de maio de 2016

No meu copo 528 - Esporão Reserva 2009

Outro exemplo dum vinho de referência (e de excelência) que sofreu um desvio. O Esporão Reserva tinto, vinho acima de qualquer suspeita e sempre um barómetro em termos de preço e qualidade nas nossas escolhas, aparece nesta colheita algo fora do registo habitual. E isto novamente por... excesso de álcool.
Bem estruturado e muito persistente, aroma vinoso profundo e muito concentrado, apresentou-se igualmente demasiado impositivo, tendendo a abafar a comida. Um pouco mais elegante que o Garrafeira dos Sócios mas demasiado extraído. Passemos, pois, à próxima colheita.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2009 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 10 de maio de 2016

No meu copo 527 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2004

Juntamos agora 3 artigos sobre vinhos de créditos firmados, dois deles presença habitual à nossa mesa, para mostrar que nem sempre as mudanças são benéficas.

Começamos com este clássico, provado anteriormente no final de 2015 com a colheita de 2003. Agora foi a ver da colheita de 2004, que ao contrário do que é habitual decepcionou. Em vez dos muitos encómios que aqui temos deixado ao longo dos anos (é só procurar pelo nome do vinho ou pela etiqueta CARMIM e os posts vão aparecer), neste caso não convenceu.

Já quase com 12 anos, apareceu encorpado, robusto, longo, com aroma profundo, ainda muito exuberante e rústico, demasiado concentrado e com excesso de álcool. Em vez do vinho estruturado mas aveludado que é habitual, apareceu uma bomba de álcool, algo sobrematurado. A matriz de um grande vinho está lá, sem dúvida, mas este, para fazer jus à imagem que temos dele, se calhar precisaria de mais 10 anos na garrafa para amaciar e ficar mais bebível.

Apesar de tudo, bom... mas sem encantar. Espero que as próximas colheitas que tenho para consumir voltem ao equilíbrio a que nos habituaram.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Garrafeira dos Sócios 2004 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 6 de maio de 2016

No meu copo 526 - Monsaraz Reserva 2011; Reguengos Reserva 2011

Temos aqui dois vinhos de Reguengos, da mesma casa e da mesma colheita. Um clássico e um moderno.

Proveniente da junção das castas Alicante Bouschet (50%), Trincadeira (30%) e Touriga Nacional (20%), o Monsaraz Reserva 2011 é um vinho de cor granada carregada, com aroma de amora e framboesa, na boca é encorpado, de profundidade e estrutura médias e final discreto. Estagia em barricas de carvalho francês e americano durante 9 meses.

Não parece ser melhor que o já clássico Reguengos Reserva, pelo que até prova em contrário este continuará a merecer a nossa preferência.

Já este mantém o perfil habitual: encorpado e com alguma robustez, adstringência domada e boa persistência, com alguma complexidade na boca, predominando as notas de especiarias e frutos pretos, com um toque de madeira muito ligeiro a dar uma boa envolvência ao conjunto.

Continua a ser uma boa aposta que vale muito mais do que aquilo que custa, e continua também a ser uma vinho com apetência para guardar, pois aguenta muito bem o tempo em garrafa.

Conclusão: o classicismo e a tradição ganharam à modernidade, e o mais barato ganhou ao mais caro.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Monsaraz Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Reguengos Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,36 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 2 de maio de 2016

No meu copo, na minha mesa 525 - Jantar Monte dos Cabaços no restaurante Via Graça





Em mais uma iniciativa da Néctar das Avenidas, no passado dia 1 de Abril tive oportunidade de participar no 50º jantar vínico organizado pela garrafeira sediada na Avenida Luís Bivar.

O local escolhido foi o restaurante Via Graça, localizado numa das zonas mais privilegiadas da capital, próximo do Largo da Graça e com uma vista de cortar a respiração para a baixa da cidade, o castelo de São Jorge e a ponte 25 de Abril. Vale a pena parar uns minutos no Miradouro da Senhora do Monte, ao cimo da Calçada do Monte, a contemplar o espectáculo que se sabre diante dos nossos olhos e abaixo dos nossos pés.

Lá dentro, no restaurante, os dois pisos de salas estão virados precisamente para esta vista magnífica, o que torna a permanência ainda mais apetecível.

Como parceira para a degustação dos vinhos foi escolhida Margarida Cabaço, proprietária do afamado restaurante São Rosas, em Estremoz (que já tive oportunidade de visitar por duas vezes), e que começou a sua própria produção vinícola pelo Monte dos Cabaços, tendo agora apresentado um portefólio alargado com vários brancos e tintos produzidos na região.

Feitas as devidas apresentações, o Chef anunciou-nos o que vinha aí em termos de sólidos, o que desde logo nos deixou de água na boca, Margarida Cabaço foi apresentando os líquidos. As harmonizações foram seguindo a ordem indicada no menu reproduzido acima.

Apesar do alto nível dos pratos propostos, foi-nos dito para usufruirmos mas que as estrelas da noite deveriam ser os vinhos. Deveriam...

Pelos pratos, depois das habituais entradas e patés para entreter, começaram a desfilar verdadeiras delícias que compuseram um menu verdadeiramente sublime:

  • Pato confitado com risoto de cogumelos selvagens. Cozinhado no ponto, tenríssimo quase a desfazer-se na boca e com a carne a desprender-se dos ossos só com o toque do garfo, por cima duma cama de risoto de comer e chorar por mais;
  • Hambúrguer de cabrito assado com esparregado, talvez o prato menos oroginal e menos exuberante em termos de sabores, mas ainda assim a fazer jus à qualidade do caprino;
  • Para finalizar em beleza, e já quase sem estômago que foi preciso poupar nos pratos anteriores, um manjar do céu: arroz de caça (lebre, perdiz, faisão e javali)., malandrinho, caldoso, com as carnes em perfeita harmonia e tão bem fornecido e temperado que tive de pedir… mais arroz!
  • E para o encerramento da função, a sobremesa não poderia ficar atrás das outras delícias, e lá tivemos de nos banquetear com um delicioso bolo de mousse de chocolate! Simplesmente divinal aquilo que se nos ofereceu mastigar.

Perante tamanho nível desta oferta gastronómica, os vinhos acabaram por ressentir-se.

Pela nossa mesa passaram:

  • Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada branco 2013 - 13,5% - Antão Vaz, Arinto e Roupeiro
  • Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada tinto 2010 - 14% - Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional
  • Margarida Edição Especial tinto 2010 - 14,5% - Alicante Bouschet
  • Monte dos Cabaços Reserva tinto 2008 - 14,5% - Touriga Nacional e Alicante Bouschet
  • Margarida Edição Especial branco 2011 - 14% - Encruzado


Deviam realmente ser as estrelas da noite mas não foram... Por duas ordens de razões principais: primeiro, porque perante a excelência do menu apresentado, de altíssimo nível, só mesmo vinhos de altíssimo nível é que conseguiriam competir neste campeonato, e aí estamos a falar de um campeonato mesmo de topo!

Em segundo lugar, porque independentemente das iguarias que tivemos na mesa, os vinhos na sua globalidade ficaram-se por pouco mais do que a mediania. Não há nada em particular que os distinga de muitos outros, nenhuma novidade em especial nem nenhuma característica típica que os ligue à região. Aposta nas castas da moda, vinhos altamente alcoólicos, muito concentrados e com madeira, e temos a conversa feita...

Não quero com isto menorizar o trabalho que é feito nem a bondade da escolha para este jantar – quem sou eu, um amador, para pôr em causa o trabalho de profissionais que sabem daquilo tudo o que eu não sei. Simplesmente, como consumidor, apenas posso colocar estes vinhos num patamar que não vai muito além da vulgaridade, com o adicional de que nada trazem de novo ao panorama dos vinhos nacionais e aos alentejanos em particular.

Por isso, a grande memória que fica deste evento, e a grande vontade de lá voltar, é mesmo pela excelência do restaurante. Se há local que merece a designação de “5 estrelas”, é este Via Graça!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Via Graça
Rua Damasceno Monteiro, 9-B
1170-108 Lisboa
Tel: 21.887.08.30/21.887.03.05
Nota (0 a 5): 5