sexta-feira, 29 de abril de 2016

No meu copo, na minha mesa 524 - Semana Gastronómica Italiana no Hotel Tryp Oriente - por Augusto Gemelli

    
  

No âmbito da Semana Gastronómica Italiana, que decorre de 26 de Abril a 6 de Maio com o Chef Augusto Gemelli, promovida pelo restaurante Bistrô e Tapas do hotel Tryp Lisboa Oriente, foi este blog convidado por Gonçalo Proença, das cadeias de Hotéis Hoti e Meliá, a participar no evento.

No dia em questão tínhamos à escolha os pratos ‘Risoto aos 3 Pimentos, Limão e Manjericão com “Pancetta” Fresca Crocante’, ‘Entrecosto Braseado com Mel e Alecrim’ e ‘Polvo “in Zimino” com Tomate e Espinafres’ – optámos pelo risoto e pelo polvo. Quanto ao vinho, acabámos por seleccionar o branco do produtor Joaquim Arnaud que estava em prova.

Começando pela comida, o risoto, como o nome do prato indicava, veio acolitado por tiras de pancetta estaladiça, sendo que o arroz propriamente dito era aquilo que se espera dum risoto. Cremoso e envolto em queijo sem se sobrepor no sabor do conjunto.

O polvo “in zimino” com tomate e espinafres apresentava-se sobre uma cama de fatia de pão ligeiramente torrado, bem embebido no molho, estando o polvo cortado em pedaços generosos misturado com o tomate, os espinafres, cogumelos e outras ervas, que constituem em si a preparação “à zimino” – que parte de uma base com alho, cebola e outros legumes salteados em azeite abundante, a que se acrescentam o tomate, o espinafre cortado, os cogumelos e, claro, o polvo em pedaços previamente cozido. O resultado revelou-se agradável, a untuosidade da gordura utilizada a envolver bem todos os ingredientes sem contudo se mostrar enjoativa, com os vegetais a casarem muito bem com a tenrura do molusco. A repetir numa próxima oportunidade, sem dúvida.

Para sobremesa escolhemos um tiramisú e uma pannacota, ambos servidos em frascos de compota com tampa hermética (deve ser uma nova moda gourmet), que cumpriram sem deslumbrar.

O vinho com que acompanhámos a refeição foi o Quinta dos Plátanos Branco, um DOC Alenquer de Joaquim Arnaud produzido a partir das castas Fernão Pires e Arinto, que se apresentou muito equilibrado, sem excesso de acidez mas com aquela frescura alegre que o Arinto bem trabalhado sempre nos transmite, cor citrina a palha claro, aroma frutado e uma estrutura mais do que suficiente para arcar até com pratos mais fortes e condimentados do que os consumidos. Em suma, uma escolha acertada que harmonizou bem com a comida.

Conclusão: para quem quiser experimentar um menu italiano, concebido por um conceituado chef italiano e por um preço acessível, aproveite esta semana para degustar os pratos disponíveis, sendo que o menu varia diariamente.

Para mais informações anexamos, com a devida vénia, as imagens da nota de imprensa e dos menus que nos foram fornecidas, onde se inclui o menu do jantar vínico de hoje.

Pela nossa parte, gostámos e agradecemos a oportunidade. Apenas fica o registo de que poderia tentar-se conjugar também os menus com vinhos italianos, para completar o ambiente, mas isso já são questões que não cabem neste âmbito.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Vinho: Quinta dos Plátanos 2013 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Agrícola Visconde de Merceana
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 25 de abril de 2016

"There's no turning back, baby!" - E ainda bem que assim é!



Comemoram-se hoje os 42 anos do 25 de Abril de 1974. Isto quer dizer que já há marmanjos e marmanjas quarentões que não têm memória pessoal do dia que mudou tudo. É o destino de todas as comemorações, o de se transformarem apenas numa data que até é feriado e tudo e dá imenso jeito.
Mas existem certas datas das quais não devemos esquecer o significado - são demasiado importantes para as esquecermos, sejam elas a Restauração da Independência, a Implantação da República ou a Libertação da Ditadura.
E não vale dizer que não se atingiram os objectivos propostos - conseguiu-se a liberdade, e a partir desse momento passámos a ser responsáveis por todos os nossos actos em comunidade, bons ou maus, certos ou errados, pelos objectivos que conseguimos atingir e pelos que ainda não atingimos. Portanto, tendo liberdade, poderemos ter tudo! Só depende de nós.
Temos a liberdade de concordar e, mais importante ainda, de discordar e podemos dizer qualquer barbaridade como a de que a Coreia do Norte é uma democracia ou que no tempo do Salazar é que havia respeito e, no entanto, as únicas pessoas que nos continuam a bater à porta a horas impróprias para nos fazerem perguntas são as testemunhas de jeová...
Tu, que por força da idade que tens não viveste o antes, larga a merda do telemóvel e pensa nisso.
É por isso que dizemos "25 de Abril Sempre!" - porque a Liberdade não poderá nunca faltar.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes revoltosos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

No meu copo 523 - Terras do Marquês 2014; Terras de Monforte Escolha 2012

Proveniente da Herdade do Perdigão, de que temos provado de vez em quando o vinho mais conceituado (o Reserva), encontrámos este Terras do Marquês, composto com o mesmo lote mas num registo 3 a 4 vezes mais barato.

Aroma atractivo, com notas de frutos silvestres e ligeira baunilha da madeira. Na boca tem corpo e presença, com taninos redondos e bem integrados, tudo com equilíbrio e suavidade.

Muito fechado e algo áspero no início, foi amaciando e libertando aromas ao longo da prova, mostrando alguma robustez e persistência e com as três castas bem integradas.

Parece concebido um pouco à imagem e semelhança do vinho de topo, apenas mostrando-se um pouco mais rústico, menos elegante, mas nem por isso deixa de ser agradável de beber. É um vinho para pratos fortes de carne, bem condimentados.

O preço também não é dissuasor, pelo que poderá constituir-se como uma alternativa muito interessante para quem quer conhecer um bom vinho deste produtor mas não desembolsar para cima de 20 euros.

Vale a pena experimentar.

Outra marca do mesmo produtor, esta num patamar um pouco mais acima, o Terras de Monforte Escolha 2012 mostrou-se no mesmo registo, muito semelhante. Predominantemente estruturado, robusto e persistente, com taninos presentes mas macios e conjunto equilibrado, um pouco mais elegante que o Terras do Marquês.

Em termos de preço, é menos atractivo, com uma relação qualidade-preço menos favorável, mas não deixa de ser um bom vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão

Vinho: Terras do Marquês 2014 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Terras de Monforte Escolha 2012 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 18 de abril de 2016

No meu copo 522 - Vinha da Tapada de Coelheiros 2013

Da herdade onde é produzido um dos mais conceituados e emblemáticos vinhos tintos do Alentejo, o Tapada de Coelheiros, sai este vinho de gama média com um preço simpático.

Estagia 6 meses em casco de carvalho francês e 4 meses em garrafa. Apresenta uma cor rubi intensa, aroma vinoso intenso, com predominância a frutos vermelhos maduros e compota.

Na boca mostra alguma complexidade e equilíbrio, com boa estrutura, taninos redondos e um final frutado e persistente.

Não o conhecia, a não ser de nome. Provei-o num restaurante a acompanhar um rodízio de carnes brasileiras e saiu-se muito bem da função. A estrutura que apresenta, juntamente com o aroma e a persistente, fizeram dele um bom companheiro para as diversas carnes que desfilaram.

Para a gama de preços em que se posiciona, parece-me que é um vinho que se recomenda. A repetir quando houver oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Tapada de Coelheiros 2013 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade dos Coelheiros, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em hipermercado: 4,84 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de abril de 2016

No meu copo 521 - Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012

Tivemos oportunidade de conhecer este vinho há cerca de quatro anos, num lançamento da Revista de Vinhos em Julho de 2012. Desde logo agradou bastante, o que me levou a adquirir mais garrafas.

Em Julho de 2014 foi efectuado um novo lançamento, tendo então adquirido não uma mas duas garrafas. A segunda foi agora consumida, cerca de 3 anos e meio depois da colheita.

O tempo de espera não lhe fez mal, à semelhança do que já tinha acontecido com o Sauvignon Blanc e Verdelho da Casa Ermelinda Freitas. Mostrou elegância, aroma suave, ainda com boa estrutura e persistência, com um ligeiríssimo toque de madeira que quase passa despercebido, e que apenas ajuda a compor o conjunto.

Voltou a revelar-se uma boa aposta, que também tem entrada nas nossas escolhas. Um vinho para repetir sempre que possível, quando quisermos um Arinto de Bucelas com mais alguma complexidade do que os mais frequentes Prova Régia e Bucellas Caves Velhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 10 de abril de 2016

No meu copo 520 - Sauternes Château de l’École 2010

Estamos perante um dos vinhos doces mais famosos do mundo. A região de Sauternes, no sul de França, é desde há décadas uma referência na produção dos vinhos de sobremesa, a par do Tokay, da Hungria.

A oportunidade de adquirir uma garrafa destas surgiu num hipermercado onde, surpreendentemente, estava ao mesmo preço de outras marcas de vinhos de colheita tardia portugueses. Como nunca tinha provado um Sauternes, pensei “porque não?”

E assim se abriram e degustaram em dois tempos os 375 ml deste formato de meia garrafa. Revelou-se muito elegante, aromático e sem o travo a alguma podridão que por vezes marca negativamente alguns destes vinhos.

Ficámos, contudo, com a sensação de que há vinhos de colheita tardia em Portugal que podem ser tão bons ou melhores do que este. Provavelmente este não será um Sauternes de topo, mas valeu a pena a prova. Fez jus à fama que ostenta, mas não tanto como à partida se esperava.

Uma impressão a confirmar em próximas oportunidades.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Château de l’École 2010 (B)
Região: Sauternes (França)
Produtor: Julie Gonet Médeville - Gironde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sémillon, Sauvignon
Preço em hipermercado: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 6 de abril de 2016

No meu copo 519 - Fiúza, Chardonnay 2015

Continuamos no Tejo.

Apesar da minha relação difícil com os Chardonnay portugueses, que os produtores teimam em carregar de madeira tornando-os enjoativos (vá lá saber-se porquê…), resolvi arriscar neste monocasta da Fiúza, pois os brancos desta casa costumam primar pela agradabilidade e facilidade de beber.

Tenho provado variadíssimos brancos, tintos e rosés desta casa, mono, bi e até tri-varietais, quase sempre com resultados bastante satisfatórios. Basta recordar o 3 Castas branco, o rosé, o Sauvignon Blanc, o Alvarinho, o Cabernet Sauvignon e o Touriga Nacional. Como nunca tinha bebido o Chardonnay, achei que era altura de experimentar.

Não me arrependi, pois o vinho revelou-se simpático e apelativo. Tendo estagiado 3 meses em barricas de carvalho, não está marcado pela madeira, apresentando aroma tropical com alguma complexidade, algum floral e melado na boca, corpo delicado, estrutura média e final elegante.

Não é um branco para voos muito altos, mas pelo preço que custa não se pode exigir muito mais. Segue a linha de muitos brancos da Fiúza, aqueles descomplicados e que estão prontos a beber sem termos que congeminar grandes opiniões a seu respeito.

Agradou-me e não me importarei de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Chardonnay 2015 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,89 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 2 de abril de 2016

No meu copo 518 - Lagoalva Talhão 1 branco 2014

A Quinta da Lagoalva de Cima, situada a 2 km de Alpiarça, é um dos produtores da região Tejo que em anos recentes tem vindo a impor-se no panorama dos vinhos nacionais com uma variedade de produtos que passam pelos tintos, brancos e rosés, assim como vinhos de lote ou mono e bi-varietais.

Este que agora tivemos oportunidade de apreciar era uma marca desconhecida. Comprei-o por curiosidade para ver como era. A referência ao “Talhão 1” remete-nos para uma parcela de vinha específica, sendo composto por um lote alargado, e pouco vulgar, de 5 castas! Curiosamente, são algumas das minhas castas brancas preferidas... No entanto, esse facto por si só não garante nada de especial, pois por vezes a mistura de muitas castas transforma um vinho que pretendia ser quase tudo a resultar em quase nada. Ainda recentemente tivemos uma experiência desse género com um tinto, igualmente produzido com 5 castas tintas, nacionais e estrangeiras.

Este branco ribatejano, contudo, resultou bem, Cor amarela citrina, aroma intenso a fruta tropical e citrina, na boca é fresco, suave, delicado e medianamente persistente. Aparentemente conseguiu-se juntar ali as melhores características de cada casta, juntando a estrutura, a frescura, a acidez, o frutado, a suavidade e a persistência nas doses certas. Nenhuma casta marca o vinho de forma evidente, antes se complementam na conta e medida necessárias.

Portanto, um bom resultado, um vinho agradável e simples sem ser simplório, e um preço convidativo. A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lagoalva Talhão 1 2014 (B)
Região: Tejo (Alpiarça)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Alvarinho, Fernão Pires, Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 3,75 €
Nota (0 a 10): 7,5