segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

No meu copo 511 - Casa da Passarela Reserva 2009

Depois de um “novo Dão” em branco, um “novo Dão” em tinto, com um produtor e um enólogo que estão na crista da onda.

Sob a batuta do enólogo Paulo Nunes, que nos últimos dois anos tem posto o nome da Casa da Passarela no mapa vinícola com brancos, tintos e rosés de espantar, e que em anos consecutivos conseguiu para o magnífico Villa Oliveira o prémio Escolha da Imprensa da Revista de Vinhos, aqui está uma marca para descobrir, que nos mostra um “novo Dão” que na realidade é o “velho Dão”, como ele nunca deveria ter deixado de ser. É o Dão clássico no seu melhor, aliando modernidade com tradição, juntando vinhos frescos, frutados, jovens e apelativos com aquela elegância discreta e macia que fez do Dão o berço de tintos magníficos, com uma suavidade sem igual.

Este Reserva 2009, que nem parece já ter 6 anos dada a vivacidade que apresenta, é um vinho ao mesmo tempo estruturado e persistente, elegante e frutado. Conjuga alguma pujança, sem ser agressivo, com a elegância do Dão e uma acidez impressiva, viva e irrequieta.

Beber vinhos destes, agora, produzidos agora, é quase um poema. Está de parabéns a equipa que traz estes vinhos até nós.

Que continuem a fazer este excelente trabalho em 2016.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela Reserva 2009 (B)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen
Preço em feira de vinhos: 5,49 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

No meu copo 510 - Pedra Cancela, Seleção do Enólogo branco 2012

Fazemos agora uma pequena incursão ao Dão, para dois vinhos produzidos pela mão dos “novos enólogos” que vão rebocando a região, a pouco-e-pouco, para o lugar que merece.

Começamos com um branco relativamente despretensioso mas nem por isso desinteressante, que é uma coisa completamente diferente. Quer um bom branco para o dia-a-dia, diferente do comum? Eis uma boa opção, esta versão em branco do Pedra Cancela Seleção do Enólogo.

É um vinho daqueles a que apetece chamar “guloso”, que se bebe, ou deixa beber, quase sem dar por isso. Suave e macio, de corpo médio, fruta não muito exuberante, com acidez correcta e final elegante. Contém a casta da moda, Encruzado, que lhe dá alguma estrutura, enquanto a Malvasia Fina lhe dá o toque floral que o torna mais agradável, jovem e apelativo.

Depois de já termos provado uma versão deste vinho em tinto, o branco não deixa os créditos por mãos alheias.

Afinal, quem disse que não se encontram bons vinhos do Dão, a bons preços, em locais acessíveis? Senhoras e senhores, apresento-vos o Pedra Cancela Seleção do Enólogo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pedra Cancela, Seleção do Enólogo 2012 (B)
Região: Dão
Produtor: João Paulo Gouveia
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Encruzado, Cerceal, Malvasia Fina
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 21 de fevereiro de 2016

No meu copo 509 - Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013

Passados alguns meses, voltamos aos vinhos da Real Companhia Velha produzidos na emblemática Quinta de Cidrô, berço dos monocasta no vasto portefólio da empresa.

Depois duma abordagem ao magnífico Sauvignon Blanc e ao complexo Chardonnay, agora temos outro branco do Douro feito exclusivamente do minhoto Alvarinho.

É um vinho diferente e interessante. Estruturado, persistente, longo, com boa acidez e fruto não muito exuberante, a par com alguma mineralidade.

Não tendo as características evidentes dos Alvarinhos da região dos Vinhos Verdes, mais aromáticos, frutados e exuberantes, não deixa de ser um vinho bem conseguido e algo intrigante, que coloca um certo desafio no que toca à harmonização com o prato. Há que experimentar até acertar.

Devido à sua estrutura, é um vinho vocacionado para pratos, também eles, bem estruturados, como peixes complexos ou no forno.

Em termos de relação qualidade/preço, o Sauvignon Blanc, sempre como referência, é mais bem conseguido, mas este Alvarinho não deslustra e vale a pena experimentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Alvarinho
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

No meu copo 508 - BSE (Branco Seco Especial) 2014

Este branco é um clássico já com muitos anos, e que desde sempre conheci como uma referência entre os brancos secos.

É certo que não se trata de um vinho de topo, e que existem até muitos outros numa faixa aproximada de preços e com características semelhantes que podem ser mais apelativos – podemos lembrar-nos desde o Planalto, do Douro, até ao Prova Régia, de Bucelas... Mas, tal como aqueles, este BSE é um daqueles vinhos que nunca nos deixam ficar mal e encaixam bem em múltiplas ocasiões e variadíssimos tipos de refeições.

Não por acaso, a Península de Setúbal é uma das regiões onde se produzem alguns dos brancos mais agradáveis, suaves e fáceis de beber – e predominantemente secos, saindo dali e da casa José Maria da Fonseca algumas referências importantes neste tipo de brancos, como o Quinta de Camarate ou o Verdelho da Colecção Privada Domingos Soares Franco.

A verdade é que, de uma forma ou de outra, o BSE é um branco todo-o-terreno, que se bebe agradavelmente com comida chinesa ou com entradas frias, com peixe grelhado ou marisco, ou como aperitivo.

Fresco e aveludado, frutado, leve e macio, persistente quanto baste, é um bom branco para o dia-a-dia por pouco dinheiro.

Good value for money, como dizem os ingleses, é uma expressão que lhe assenta bem, e obviamente faz parte das nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: BSE - Branco Seco Especial 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,95 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 13 de fevereiro de 2016

No meu copo 507 - Fiúza, 3 Castas branco 2013

Voltamos aos vinhos relativamente mais simples e despretensiosos, mas que se bebem com muito agrado. Este é um deles, dos que normalmente não deixam ficar mal, como habitualmente é apanágio da Fiúza.

De cor citrina, elegante, com aroma pronunciado a frutos tropicais, boa persistência e frescura na boca. Corpo delicado, final elegante e agradável e com uma acidez vibrante.

Não é um vinho para se bater com pratos muito complexos, mas antes com outros mais leves e sem temperos exagerados.

Relativamente à prova anterior deste vinho, não defraudou as expectativas então criadas, e confirmou-se como uma aposta segura para o dia-a-dia, com um preço daqueles que são difíceis de superar.

Justifica plenamente fazer parte das nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Fiúza, 3 Castas 2013 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto, Vital
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

No meu copo 506 - Monte da Raposinha 2012

Deste produtor próximo de Montargil surge este vinho de lote com as castas da moda:

- a inefável Touriga Nacional, espécie de emplastro omnipresente em tudo o que é vinho até fartar, e baptizada com o epíteto de “rainha das castas portuguesas” (ainda estou à espera que alguém me explique porquê como se eu tivesse 8 anos...);

- a Syrah, baptizada como “the next big thing” e tida como a próxima invasora das vinhas portuguesas e que, com duas ou três excepções (o Incógnito das Cortes de Cima e os tintos da Quinta do Monte d’Oiro), enche o país com vinhos chatérrimos e desinteressantíssimos, autênticas xaropadas;

- e a Alicante Bouschet, tida como “A” casta tinta alentejana, que de desprezada em França passou a ex-libris a sul do Tejo, deitando as tradicionais e típicas Aragonês e Trincadeira para um canto, mas de que ninguém se tinha lembrado até há 10 anos a não ser na Herdade do Mouchão...

Enfim, uma combinação de castas que não lembraria fazer e que não se percebe como combinam.

Este vinho não se percebe o que é, a não ser uma amálgama de ingredientes que não se encaixam uns nos outros. Encorpado e robusto, adstringente, mas pouco personalizado. Tem aroma marcado a frutos vermelhos mas é pouco impressivo. Desinteressante, não deixa memórias. E deixa tão poucas que eu já tinha comprado uma colheita anterior e nem me lembrava...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte da Raposinha 2012 (T)
Região: Alentejo (Montargil)
Produtor: Monte da Raposinha
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 4

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No meu copo 505 - Quinta de Pancas Reserva 2008

Continuamos na região de Lisboa, com um produtor clássico numa quinta que já mudou de mãos algumas vezes, que tem tido altos e baixos.

Recuperada e revigorada pela Companhia das Quintas, a Quinta de Pancas é há muitos anos conhecida por um dos primeiros tintos de Cabernet Sauvignon do país, tenho mais recentemente estendido o seu portefólio.

Aqui estamos perante um Reseva que incorpora um conjunto de 5 castas, entre nacionais e estrangeiras, onde o Cabernet se junta ao Merlot na parte bordalesa do lote, incluindo ainda o Petit Verdot e as nacionais Alicante Bouschet e Touriga. Estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês.

Esta mistura deixa-me algo confuso, pois não se percebe bem o carácter do vinho. Se o apimentado e compotado do Cabernet Sauvignon, se o vegetal do Merlot, se o floral da Touriga, se a estrutura do Alicante. Será um pouco de todas e muito de nenhuma?

Tentando perceber como é o vinho, a impressão que fica é marcadamente vegetal, com estrutura mediana, final persistente e suave, fruta discreta e aroma pouco exuberante. Bebe-se com facilidade, sem dúvida, mas parece que lhe falta algum carácter mais marcado, alguma personalidade. Parecendo querer ser tudo, corre o risco de acabar por não ser quase nada.

Talvez mais novo tivesse mais frescura e outra vivacidade que lhe conferissem outras características mais marcadas, mas deixou algo a desejar... Em comparação com o tradicional monocasta de Cabernet Sauvignon ou o mais recente Selecção do Enólogo, estes convenceram mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas Reserva 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Merlot, Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

No meu copo 504 - Quinta do Gradil, Touriga Nacional e Tannat 2009

Numa época em que a aposta nos vinhos varietais já passou o auge, é principalmente nas regiões de Lisboa, Tejo e Setúbal que continua a haver maior incidência neste tipo de vinhos, com alguns produtores a possuírem um vasto portefólio de vinhos elaborados apenas com uma ou duas castas.

Na região de Lisboa são principalmente a Casa Santos Lima, a DFJ e a Quinta do Gradil que apostam nos vinhos mono ou bivarietais. Este que agora referimos é um exemplar destes últimos, oriundo da quinta situada junto ao pé do Cadaval, juntando à Touriga Nacional a menos conhecida Tannat.

As vinhas que forneceram as uvas para este vinho estão instaladas em solos de encosta, de origem argilosa, sendo o vinho vinificado em lagares de pisa mecanizada. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês.

Foi adquirido em Janeiro de 2012 com a Revista de Vinhos, e outros consumidores que o compraram e beberam na altura disseram que o vinho ainda não estava bebível... Por isso resolvi esperar. Passados 4 anos, apresentou-se ainda pujante, adstringente no início, depois abriu e amaciou à medida que foi arejando. Mostrou aroma e corpo medianos e final relativamente discreto.

Como balanço, diria que não encantou. Pareceu ser um vinho relativamente discreto, que fica uns furos abaixo de outros bem mais interessantes que saem desta casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Touriga Nacional e Tannat 2009 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tannat
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 7