domingo, 28 de junho de 2015

No meu copo 464 - Bucellas, Arinto 2013 e 2014

Mais um clássico nas nossas provas, presença regular na garrafeira e um recurso sempre útil em situações de emergência.

Foram já muitas as provas deste vinho que aqui relatámos, pelo que pouco restará para dizer. Desta vez tivemos oportunidade de provar, com poucos dias de intervalo, as colheitas de 2013 e 2014. Aquela pareceu mais afinada, o que significa que o vinho aguentou perfeitamente um ano a mais em garrafa, mostrando aromas mais intensos e um maior equilíbrio no conjunto.

Continua a ser uma referência quase obrigatória quando se fala do Arinto de Bucelas, em que caminha mais ou menos a par com o Prova Régia. Com pequenas oscilações aqui e ali, o perfil e a qualidade mantêm-se. Notas citrinas predominantes, algum mineral e um ligeiro toque tropical, acidez quase inigualável, suavidade e equilíbrio.

Um vinho para beber sem grandes exigências nem preocupações, que se mostra bem em quase todas as circunstâncias. Mais uma aposta segura e a garantia quase absoluta de que não se é defraudado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bucellas, Arinto 2013 (B)
Vinho: Bucellas, Arinto 2014 (B)

Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 24 de junho de 2015

No meu copo 463 - Soalheiro, Alvarinho 2014

Começa já a ser um clássico nas nossas provas, presença quase obrigatória todos os anos. A consistência de qualidade que este Soalheiro tem mantido ano após ano justificam bem a repetida aposta nele, que é considerado um dos melhores monocasta de Alvarinho do país.

A elegância, sobriedade aromática e aroma tropical com nota minerais fazem dele um vinho guloso que fica bem em qualquer ocasião. Uma aposta mais que segura, e incontornável nos tempos que correm.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2014 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 20 de junho de 2015

No meu copo 462 - Quinta de Camarate branco seco 2013

O Quinta de Camarate Branco Seco foi produzido inicialmente em 1986 a partir de Moscatel de Setúbal, Riesling e Gewurztraminer. Na década de 90, o enólogo Domingos Soares Franco decidiu substituir as duas castas estrangeiras por duas castas oriundas da Região dos Vinhos Verdes, Loureiro e Alvarinho, para equilibrar o aromático Moscatel com a sua acidez. Em 2007 o Loureiro foi substituído pelo Verdelho para dar mais complexidade ao vinho. A casta Moscatel foi diminuída percentualmente para dar espaço aromático às outras duas castas, vindo a sair do lote a partir da colheita de 2009” (informação disponível no site da empresa).

Depois da redescoberta deste vinho há alguns anos, estive mais alguns anos afastado dele, tendo investido noutros produtos como os da Colecção Privada Domingos Soares Franco, principalmente o Verdelho. Voltei agora ao contacto com este Branco Seco, agora com a versão mais recente, composta em partes iguais por Alvarinho e Verdelho.

Apresentou-se com uma cor amarelo citrino, com aroma a frutos brancos, ligeiro floral, elegante e com boa acidez, embora com aroma não muito intenso. Na boca apresenta-se com persistência média, final suave e equilibrado.

Curiosamente, do que me recordo parece-me que gostava mais da versão com o Moscatel, mas... será uma questão de provar de novo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Camarate Seco 2013 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 16 de junho de 2015

No meu copo 461 - Frei João Reserva branco 2009

Este é aquele tipo de vinho branco com o qual, desde sempre, tenho uma relação difícil. Um branco marcado pela madeira, que o torna algo pesado na boca e com as notas tostadas demasiado impositivas no aroma. Diz-se habitualmente que são os “brancos de Inverno”, adequados para pratos de peixe muito temperados ou até alguns pratos de carne.

Para mim é sempre difícil encontrar uma ocasião e um prato adequado para este perfil de vinho, porque simplesmente não gosto de vinhos em que a madeira sobressai em relação a tudo o resto.

Esta colheita de 2009 foi adquirida em 2013, portanto terá sido lançada no mercado já com alguma idade, o que aliás é característico nos vinhos das Caves São João. A verdade é que a madeira não estava minimamente disfarçada, abafando a fruta quase por completo.

Será um perfil para manter? Veremos numa próxima ocasião, mas este não me convenceu.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Frei João Reserva 2009 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Bical, Cerceal, Maria Gomes
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

sexta-feira, 12 de junho de 2015

No meu copo 460 - Esporão, Quatro Castas 2011

Este é um regresso cíclico. Mesmo com as novas tendências, continuo a não resistir à prova do Quatro Castas do Esporão, pois cada colheita pode sempre encerrar uma surpresa, uma vez que as castas variam de ano para ano.

É certo que este vinho já foi bastante mais do meu agrado do que é agora, que está “modernizado”. Não deixa, contudo, de ser um vinho desafiante, para tentarmos descobrir em cada colheita novas sensações e características predominantes.

Esta colheita de 2011 mantém a tendência das anteriores, com muito álcool presente. O vinho está ainda muito jovem e o primeiro ataque, no nariz e na boca, é algo agressivo. Requer impreterivelmente decantação, pois só assim se consegue ficar com um produto mais aberto, aromático e um pouco amaciado. Continua, no entanto, a mostrar-se predominantemente robusto e estruturado, e com o álcool bem presente.

Relativamente às quatro castas seleccionadas, eis o que o contra-rótulo menciona:
O Aragonês contribui com aromas de frutos vermelhos, o Syrah confere corpo e textura, o Alicante Bouschet dá a estrutura a este vinho e o Petit Verdot introduz elegância e equilíbrio ao conjunto”.

Estagiaram, todas elas, 6 meses em carvalho após vinificação, sendo que a madeira está muito discreta e bem integrada no conjunto.

Vou continuar a acompanhar as edições seguintes (aliás, já tenho a colheita de 2013), mas reservo para uma ocasião apropriada a abertura das garrafas que restam das colheitas de 2003 e 2005, do tempo em que me encantavam. E fazer uma prova comparada de colheitas com 10 anos de diferença pode ser interessante para tirar todas as dúvidas sobre qual a melhor versão.

Um dia destes...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quatro Castas 2011 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,03 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 8 de junho de 2015

No meu copo 459 - Conventual Reserva 2003

Mais um vinho que esteve “esquecido” na garrafeira durante anos. Havia duas garrafas, e uma delas já estava passada para o outro lado: vinho completamente turvo, foi directamente pelo cano abaixo.

A segunda mostrou-se ainda com saúde. Um vinho de perfil tipicamente alentejano, encorpado e macio, final suave, persistência média e estrutura média na boca. Não sendo excepcional, é um vinho agradável e que se bebe com facilidade. Quanto à idade, também estava mais que no tempo de consumo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conventual Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 4 de junho de 2015

No meu copo 458 - Quinta das Baceladas 2003


Continuamos no desbaste dos vinhos com uma década de existência, e desta vez revisitamos um produto de que já tínhamos provado colheitas mais recentes e mais antigas. Este Quinta das Baceladas 2003, inicialmente muito fechado e parecendo estar em declínio, precisou de bastante tempo para começar a mostrar-se e libertar os aromas que estavam lá escondidos.

Estes apareceram algo discretos, sem grande exuberância, mas o corpo e a estrutura foram-se desenvolvendo, acabando a mostrar alguma robustez e boa estrutura e persistência. Estava naquele ponto em que, aparentemente, não teria a beneficiar com mais tempo de garrafa, mas ainda num estado perfeitamente apreciável.

Tratando-se de um Bairrada, a idade amaciou-lhe o perfil e disfarçou o álcool e a adstringência, realçando alguns aromas mais terciários. Em suma, melhor na boca, onde esteve bastante equilibrado, que no nariz, bastante mais discreto.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta das Baceladas 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Baga
Preço em feira de vinhos: 9,80 €
Nota (0 a 10): 8