terça-feira, 28 de abril de 2015

No meu copo 449 - Prova Régia, Arinto 2013; Prova Régia Reserva, Arinto 2013

Os tempos são de mudança na Quinta da Romeira. Aquela que é uma das mais emblemáticas propriedades da Região Demarcada de Bucelas, donde sai também um dos vinhos de maior sucesso produzido exclusivamente a partir de Arinto, casta rainha da região – o Prova Régia – mudou de mãos recentemente.

Depois de fazer parte já há uns bons pares de anos do grupo da Companhia das Quintas, que entretanto foi adquirindo outras quintas em várias regiões do país (a saber: Herdade da Farizoa em Elvas, Alentejo; Quinta de Pancas em Alenquer, Estremadura; Quinta do Cardo em Figueira de Castelo Rodrigo, Beira Interior; e Quinta da Fronteira em Freixo de Espada à Cinta, Douro), a Quinta da Romeira foi vendida há alguns meses a uma outra entidade que entrou no negócio dos vinhos portugueses, com o nome Wine Ventures. E é com este nome que o portefólio da Quinta da Romeira já está a sair para o mercado, tendo a versão superior do Prova Régia - que vinha já do tempo da Companhia das Quintas - deixado de se chamar Premium para se chamar Reserva.

Entretanto manteve-se o Prova Régia de entrada de gama, com o mesmo nome e a mesma casta, o Arinto.

As mudanças que pudemos verificar na prova realizada com estes dois exemplares da colheita de 2013 situam-se mais ao nível do nome do que de qualquer outra característica. Os rótulos mantêm-se iguais e o perfil dos vinhos também. No caso do Reserva, mantém-se intacta a marca do Arinto, com aquela acidez quase crocante, um toque ligeiramente citrino e um certo floral no nariz, com um fim de boca refrescante. No entanto, a nível do colheita parece-me que houve um certo abaixamento da qualidade. Essas características, que estavam bem evidentes nas colheitas anteriores e que tivemos oportunidade de comprovar e relatar frequentemente, parecem ter sido objecto de um downsizing, transferindo-se para o Reserva. Este é melhor do que era o colheita, mas o actual colheita parece ser pior que o anterior. Ou seja, ter-se-á desinvestido no produto mais baixo para apresentar um produto no patamar acima?

Em resumo, se os novos produtores mantiverem a aposta no Reserva com o mesmo perfil de vinho que já conhecíamos, nada haverá a recear por parte dos consumidores. Continuará a ser uma aposta segura. Quanto ao colheita, só o futuro dirá se continuará a valer a pena. Para já, deixamos apenas um ponto de interrogação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira

Vinho: Prova Régia, Arinto 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Prova Régia Reserva, Arinto 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 25 de abril de 2015

Não se fecham as portas que Abril abriu


Na véspera do 41º aniversário da Revolução dos Cravos, a notícia do dia era a aberrante proposta dos partidos do “arco da governação” (entenda-se, aqueles que se governam) para submeter a uma apreciação prévia os planos de cobertura da campanha eleitoral por parte dos órgãos de comunicação social. Um exame prévio, ao melhor estilo da censura vigente no regime que o dia que hoje se comemora derrubou.

Perante esta deplorável proposta, que representa um retrocesso de 41 anos na nossa democracia, os órgãos de comunicação dos grupos privados tomaram a única posição decente: se esta lei for em frente, boicotarão a campanha eleitoral.

Era um favor que nos faziam. Esta gentinha que se alcandorou ao poder e que se julga dona do país tem de ser corrida, se for preciso a pontapé, à pedrada, a tiro ou à bomba. E, para começar, nada como a comunicação social deixá-los a falar sozinhos, porque já ninguém tem pachorra para os ouvir.

Ao fim de 4 anos de um governo que tem colocado sucessivos pregos no caixão em que se quer enterrar de vez o 25 de Abril, compete ao cidadãos zelarem para que uma classe política oportunista, incompetente, desonesta e sem sentido democrático não feche “as portas que Abril abriu”, como disse o poeta Ary dos Santos.

Por isso, é hora de, mais uma vez, fazermos ouvir a nossa voz e gritarmos bem alto:

25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

tuguinho e Kroniketas, enófilos de Abril

Foto retirada daqui, com a devida vénia.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

No meu copo 448 - Fiúza, Sauvignon Blanc 2014; Ninfa, Sauvignon Blanc 2013

Cerca de um ano depois da prova anterior, voltámos a cruzar-nos com este Sauvignon Blanc da Fiúza, um vinho bem conseguido por um preço atractivo.

Fermentado a temperatura controlada de 14º C em cubas de inox, tem uma cor amarela citrina, aroma com algumas notas florais e a frutos tropicais, como é típico da casta.

Na boca apresenta estrutura média, boa acidez e uma final fresco e prolongado. Recomenda-se para pratos de peixe delicados e com algum requinte. Experimentei-o com uns bifes de atum de cebolada e fez uma ligação quase perfeita. Uma boa aposta, ao nível do que se esperava.

Continuando no reino do Sauvignon Blanc, temos uma novidade absoluta em prova: o Ninfa, proveniente da zona de Rio Maior, no sopé da Serra dos Candeeiros. Adquirido em Agosto de 2014 com a Revista de Vinhos, apresentou-se como um vinho de estrutura média e boa persistência, aromas predominantes da casta Sauvignon Blanc – em que sobressaem notas tropicais, limonadas e vegetais – juntamente com uns pozinhos de Fernão Pires. O rótulo apresenta o vinho como monocasta mas no contra-rótulo é mencionada a presença do Fernão Pires, embora sem indicar as percentagens utilizadas.

É um vinho macio e fresco, com alguma mineralidade a temperar o conjunto, e bastante guloso. Parece-me ser uma boa aposta para mais um bom branco do Tejo, com alguma personalidade e boas condições para ganhar notoriedade no mercado. A seguir com alguma atenção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2014 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ninfa, Sauvignon Blanc 2013 (B)
Região: Tejo (Rio Maior)
Produtor: Sociedade Agrícola João Matos Barbosa & Filhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Fernão Pires
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 19 de abril de 2015

No meu copo 447 - Dão Borges, Tinta Roriz 2004; Dão Borges, Touriga Nacional 2005; Douro Borges Reserva 2005

Estava agendado que, na primeira ocasião, a equipa de dois das Krónikas Viníkolas faria uma prova comparada de dois tintos do Dão produzidos pela Borges. Já tivemos oportunidade de provar alguns tintos do Douro e também o Alvarinho, mas dos tintos do Dão só nos tinha calhado provar o Touriga Nacional, precisamente este de 2005 a que agora regressamos, e o de 2004, provado o ano passado. E, como quem não quer a coisa, já passaram 6 anos desde que provámos o de 2005...

A Sociedade dos Vinhos Borges produz os seus varietais do Dão na Quinta de São Simão da Aguieira, no concelho de Nelas. Tivemos oportunidade de provar pela primeira vez o Tinta Roriz, faltando conhecer o Trincadeira, também produzido no Dão.

Este Tinta Roriz de 2004, aberto algum tempo antes do repasto, apresentou uma cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos e especiarias, com algumas notas de fumo. Na boca mostrou-se com grande volume, pujante, robusto e adstringente, estruturado e com muita persistência. Teria ganho com a decantação mas optámos por deixá-lo ir libertando os aromas nos copos e na garrafa, enquanto fazíamos o paralelo com o Touriga Nacional. Só passada quase uma hora após a abertura é que começou a mostrar-se mais exuberante nos aromas, mais equilibrado na boca, a revelar sabores a fruta madura e a proporcionar um final mais aveludado. Conseguiu conjugar a pujança e a suavidade, impressões que igualmente tínhamos recolhido aquando da prova anterior do Touriga Nacional 2005.

Quanto a este, apresentou uma cor rubi com laivos violáceos, aroma floral com notas de frutos pretos e do bosque. Na boca mostrou uma boa estrutura, com taninos maduros e elegantes, menos pujante que o Tinta Roriz. Perdeu em robustez o que ganhou em equilíbrio e delicadeza. Estava no ponto certo para beber, embora fique por saber como seria a evolução a partir de agora. Talvez a comparação com a robustez do Tinta Roriz o tenha ofuscado um pouco, ou esta garrafa estivesse mais evoluída que a de 2004...

Já depois desta prova, tivemos oportunidade de voltar à carga com os vinhos Borges e repetir, mais uma vez, a prova do Touriga Nacional do Dão, juntando-lhe o Douro Reserva 2005 que também tinha sido objecto de prova em 2014.

Desta vez decantámos os dois vinhos, sendo que o Touriga Nacional do Dão confirmou as impressões da prova anterior, apenas evoluiu um pouco mais depressa com a decantação. Já o Douro Reserva, a provar que em cada garrafa podemos sempre encontrar algo diferente, desta vez surpreendeu-nos pela positiva, ao contrário da prova anterior: apresentou-se um vinho com aroma vinoso intenso, esturutrado e cheio, pujante, longo e persistente. Muito bem a evoluir lentamente após a decantação, sem perder a robustez inicial.

Em resumo, três vinhos a caminho dos 10 e 11 anos cheios de saúde, parecendo ter ainda muita vida pela frente, talvez mais no caso do Douro Reserva e do Tinta Roriz do Dão, que mostraram mais garra que o Touriga Nacional, o que também não surpreende tendo em conta as castas em confronto e, no caso do Douro Reserva, por se tratar de um vinho de lote, que normalmente permite obter vinhos com maior complexidade.

Nota: os preços indicados são à data da compra e após promoções.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges

Vinho: Borges, Tinta Roriz 2004 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 14%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 11,69 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2005 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 16,80 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Borges Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca
Preço: 11,60 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 15 de abril de 2015

No meu copo 446 - Tintos velhos da Bairrada (6)

Bairrada Sogrape Reserva 1995; Caves São João Reserva 2005; Frei João Reserva 2005


Voltamos aos clássicos da Bairrada, entre os dois resistentes deste blog, tripartida entre três vinhos e repartida entre dois nomes de peso: a Sogrape e as Caves São João.

Esta colheita de 1995 de um dos antigos Reservas da Sogrape, ainda com o rótulo branco original, tinha sido objecto duma prova em 2014, graças a umas garrafas que encontrámos na Garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, onde existe um autêntico maná para os apreciadores de vinhos velhos. Mostrou-se em excelente forma, com aroma profundo e intenso, aberto na cor e macio na boca, apresentou uma cor granada com nuances atijoladas, a denotar evidente evolução mas sem sinais de cansaço. Um ligeiro apimentado marca um final prolongado e elegante. A madeira, em que envelhece durante um ano, há muito que deixou de marcar o vinho, que ainda apresenta alguns sinais de fruta madura. Saúde notável para um vinho com quase 20 anos de idade.

Passando aos clássicos das Caves São João, avançámos 10 anos para duas das marcas tradicionais. O Caves São João Reserva, feito a partir de Baga da Bairrada e de Touriga Nacional do Dão, apresentou-se aromático, encorpado, macio e persistente, mas evoluiu para uma estrutura mais robusta e com taninos mais evidentes passadas 24 horas. De cor rubi profunda, aroma delicado e dominado por notas de frutos vermelhos, florais e alguma tosta proveniente do estágio de 10 meses em pipas de carvalho francês, é acima de tudo um vinho que prima pela elegância e pela complexidade e que, como é habitual, apresenta uma saúde notável, a mostrar que podemos contar com ele em pleno por mais uns bons anos.

A fazer páreo com este misto Dão/Bairrada, um Bairrada tradicional, o Frei João Reserva, que tantas provas notáveis nos tem proporcionado. Foi elaborado com uvas de Baga, Camarate e Cabernet Sauvignon provenientes da Quinta do Poço do Lobo. Estas foram vinificadas com desengace total, maceração pré-fermentativa, fermentação alcoólica com temperatura controlada e maceração pós-fermentativa. Estagiou durante 10 meses em pipas de carvalho francês.

Apresentou uma cor a tender para o granada, aroma complexo com notas de frutos secos e vermelhos, taninos bem presentes e marcados mas macios, encorpado, robusto e persistente. Faz um interessante contraste com o Caves São João Reserva, tornando muito curiosa a prova comparada e alternada dos dois vinhos.

Em suma, dois belos representantes dos clássicos das Caves São João. Qual preferimos? Ambos!

Felizmente ainda há mais umas garrafas destas para beber.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Região: Bairrada

Vinho: Sogrape Reserva 1995 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,%
Castas: não indicadas
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Caves São João Reserva 2005 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 11,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Frei João Reserva 2005 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Camarate, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 11 de abril de 2015

No meu copo 445 - Frei João 2006

Há anos (duas décadas, pelo menos) que o Frei João é um dos meus vinhos de referência para acompanhar fondue e bife na pedra. Desde o tempo em que havia poucas marcas, e grande parte dos produtores de referência da actualidade ainda nem sequer existiam, já este tinto de entrada de gama das Caves São João fazia as minhas delícias. O mercado foi crescendo, as opções foram-se alargando e o Frei João manteve-se sempre como uma referência segura. Teve pequenas alterações no perfil, algumas mudanças na sua composição (de que esta colheita é um exemplo, com Touriga Nacional, Merlot e Tinta Roriz a fazerem companhia à habitual Baga), mas a qualidade esteve sempre lá e a capacidade de envelhecimento também.

É espantoso como um vinho que se compra a menos de 3 € aguenta 10 anos ou mais em garrafa sem apresentar sinais de declínio, mostrando que está ali para durar. Já foram várias as colheitas de anos recuados que tivemos oportunidade de provar (1992, 1999, 2000, 2003), e a regra mantém-se: o tempo vai tornando os vinhos mais macios mas não lhes retira frescura, pujança, estrutura nem persistência. É assim que se abre uma garrafa duma colheita com 8 anos e não se dá pela idade do vinho, que se bate na perfeição com a carne e os molhos do fondue, bebendo-se com vontade de beber mais a seguir.

Sendo desde sempre uma das marcas emblemáticas das Caves São João, o Frei João deve ser um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Porque vale certamente 3 ou 4 vezes mais do que aquilo que custa, razão pela qual temos sempre uns exemplares na garrafeira, sem receio de nos esquecermos deles pois temos quase sempre a garantia de que, quando formos abri-los, estarão em plena forma.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2006 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Merlot, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 7 de abril de 2015

No meu copo 444 - Trinca Bolotas 2013

A Sogrape continua a acrescentar novidades ao seu portefólio com o lançamento de novas marcas. Depois de o Papa Figos ter integrado a gama da Casa Ferreirinha, com uma referência a uma ave do Douro, chegou agora a vez da Herdade do Peso apresentar um novo rótulo, o Trinca Bolotas, numa homenagem ao suíno alentejano.

Este novo vinho entra na gama média, próximo do Herdade do Peso Colheita. Com um perfil robusto e algo agreste, em que o álcool está bastante presente e os taninos com muitas arestas, parece ser um vinho demasiado novo para consumir e a que falta tempo de garrafa.

Claro que após uma única prova deste vinho é prematuro tirar conclusões definitivas, pois esta foi a primeira colheita lançada no mercado, outras se seguirão e poderá haver alguns ajustes no perfil do vinho. No entanto, não convenceu grandemente e, principalmente, não pareceu acrescentar nada de relevante à gama da marca, pois o Herdade do Peso Colheita parece ser mais equilibrado e com uma relação qualidade/preço mais atractiva. Na generalidade, os vinhos provenientes da Herdade do Peso têm primado por uma qualidade elevada (impossível esquecer o fabuloso Alfrocheiro de 2000), pelo que fica a dúvida acerca do lugar onde este Trinca bolotas se irá encaixar.

A Sogrape sempre nos habituou a vinhos de qualidade acima da média e com excelentes relações qualidade/preço, pois “não sabe fazer vinhos maus” (a frase é nossa). No entanto, num portefólio tão vasto, que engloba várias regiões e dezenas de marcas que vão desde o Mateus Rosé ao Barca Velha, nem todos podem ser excelentes e haverá sempre alguns produtos menos bem conseguidos. Resta-nos aguardar por novas colheitas para fazer a contraprova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Trinca Bolotas 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 3 de abril de 2015

No meu copo 443 - Domaine Felix, Pinot Noir 2010; Château Grand Champ 2011

Num jantar caseiro com a companhia do Politikos, para acompanhar uns escalopes de vitela resolvi abrir dois vinhos franceses: um tinto da Borgonha que tinha na garrafeira há algum tempo e um de Bordéus que me foi oferecido aquando do jantar de apresentação dos vinhos franceses comercializados no LIDL, que decorreu no Hotel Ritz Four Seasons.

Abrimos as garrafas em simultâneo, para podermos ir comparando estes tintos de duas regiões emblemáticas na produção mundial de vinho. Foi uma prova interessante, porque nos permitiu verificar as enormes diferenças entre os perfis de vinho daquelas duas regiões.

O Domaine Felix mostrou as duas principais características que marcam a casta e a região: a leveza e pouca concentração do Pinot Noir, e a elegância e suavidade da Borgonha. Quase parecia um clarete. Para quem está habituado a beber vinhos poderosos e concentradíssimos, deve ser muito difícil gostar dum vinho destes. A verdade é que, apreciando este vinho com calma, percebemos a razão de haver tantos enólogos que são fãs dos tintos da Borgonha e que muitas vezes tentam encontrar um paralelo entre os seus próprios vinhos e os borgonheses. Dirk Niepoort tem a Borgonha como referência, Luís Pato compara o terroir da Bairrada com o da Borgonha e a casta Baga com o Pinot Noir, e há ainda quem diga que o Dão é a Borgonha portuguesa. Por alguma razão tantos querem ser como a Borgonha...

O Château Grand Champ, sem indicação das castas mas presumivelmente contendo Cabernet Sauvignon, mostrou-se mais encorpado e algo rústico, mais “roufenho”, digamos assim. Com alguma adstringência evidente e taninos bem marcados, talvez precise de tempo em garrafa para amaciar, mas ficou claro que não era um vinho do mesmo gabarito do borgonhês. Em todo o caso também deu para perceber como é diferente da generalidade dos vinhos portugueses. Será preciso, contudo, subir um patamar para entrarmos num nível qualitativo que permita aquilatar de real qualidade dos tintos da região, de que este vinho é apenas um representante da gama baixa.

Voltaremos, certamente, aos vinhos destas regiões quando a ocasião se proporcionar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domaine Felix, Pinot Noir 2010 (T)
Região: Côtes d'Auxerre - Borgonha (França)
Produtor: Felix et Fils – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Noir
Preço: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Château Grand Champ 2011 (T)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Yvon Mau – Gironde-sur-Dropt
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Nota (0 a 10): 7