segunda-feira, 30 de março de 2015

No meu copo 442 - Espumante A. Henriques 70 anos 2006; Martini Brut

Aproveitando a ocasiões festivas que sempre vão ocorrendo ao longo do ano, resolvi abrir um espumante que tinha adquirido com a Revista de Vinhos, o A. Henriques em edição comemorativa dos 70 anos, e um que já conheço de outras ocasiões, o Martini Brut.

Relativamente ao primeiro, com muita pena minha devo dizer que me decepcionou. Achei-o pouco aromático, pouco elegante e pouco suave. Rústico e desinteressante. Ainda por cima tinha comprado duas garrafas, dado que a expectativa era relativamente elevada, dado que a Bairrada é um dos berços dos bons espumantes nacionais. A Revista de Vinhos incluiu-o nos melhores do ano na sua gala anual, colocando-o no patamar imediatamente a seguir aos prémios de excelência, mas a prova que fiz não me convenceu nem confirmou esse juízo. É pena, mas nem sempre se pode estar de acordo...

Quanto ao Martini, não sendo nada de extraordinário é um dos que me têm agradado, por isso tenho repetido a compra. É fresco, aromático, elegante, tem boa acidez e boa mousse, deixa uma sensação agradável no fim de boca e apetece sempre beber mais um pouco. Por isso, nesta versão ou noutra parecida, também o temos nas nossas escolhas, pois até agora, desde a primeira compra, nunca desiludiu.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Espumante A. Henriques - Aniversário 70 anos 2006 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves da Montanha
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço com a Revista de Vinhos: 8 €
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Espumante Martini Brut (B)
Produtor: Martini & Rossi (Itália)
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 7,98 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de março de 2015

No meu copo 441 - Reguengo de Melgaço, Alvarinho 2013; Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2013

Dois vinhos da região dos vinhos verdes, sendo que um deles, ainda do tempo da polémica com a casta Alvarinho, tem denominação de Regional Minho. Para o caso pouco importa, pois o mais importante é aquilo que se usufrui do que está dentro da garrafa.

Já não provávamos o Reguengo de Melgaço há bastante tempo. A última prova não tinha sido relatada aqui no blog, mas este vinho merece ser referenciado. Não é dos Alvarinhos mais caros e é bastante bom. Muito aromático, macio, de corpo médio, com muita frescura na boca, com uma bela acidez pontuada por ligeiras notas citrinas e tropicais. Com muito boa relação qualidade/preço, é um daqueles que merecem estar nas nossas sugestões.

Quanto ao Quinta da Aveleda, é um regresso pois já tínhamos provado as colheitas de 2011 e 2012, esta ainda não há muito tempo, pelo que não encontrámos nada de novo nem surpreendente. Leve e suave, floral, muito focado na fruta, é um vinho que se bebe sempre com agrado e de que é fácil gostar. Pelo preço que custa, nunca nos deixa ficar mal.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengo de Melgaço, Alvarinho 2013 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Hotel do Reguengo de Melgaço
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2013 (B)
Região: Regional Minho
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Loureiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de março de 2015

No meu copo 440 - Quinta do Mouro 2006

Este é um dos nomes que se têm imposto no panorama dos vinhos alentejanos, não só pelo perfil dos vinhos mas também pelo perfil irreverente, e contra os padrões estabelecidos, do produtor.

Produzido na zona de Estremoz (sub-região de Borba), actualmente berço de um elevado número de vinhos com grande cartaz tanto no Alentejo como no país, é um vinho com o perfil de alentejano clássico, concentrado, intenso, com notas de compotas e frutos maduros, taninos firmes mas já arredondados. Na boca apresenta-se pujante, robusto e encorpado, a pedir comidas com alguma potência. Notas de madeira que não incomodam, bem integradas no conjunto, ajudam a dar-lhe muita complexidade.

Muito fechado no início da prova, requer que lhe demos tempo para respirar e para se mostrar – uma característica frequente nos grande vinhos, que não mostram tudo o que são logo no primeiro contacto.

É um belo vinho, que mais uma vez tem o preço como principal obstáculo, pois a qualidade é digna de todos os encómios. Em todo o caso, é um daqueles que justificam que se perca o amor a duas dezenas de euros porque vale a pena experimentá-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Mouro 2006 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Miguel Viegas Louro
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 22,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 18 de março de 2015

No meu copo 439 - Quinta dos Carvalhais Único 2005

Inicialmente muito fechado e austero, um portento de concentração. Tem uma cor carregada, a fazer lembrar o vinho do Porto. Só a decantação o libertou da prisão dos aromas na garrafa.

Ao evoluir começa a mostrar alguma elegância, mostrando uma enorme persistência, taninos firmes mas elegantes.

Não é um vinho fácil de provar, e muito menos de comprar, por aquilo que custa. É antes um vinho desafiante, programado para altos voos, que precisa do tempo certo e da ocasião para que possa ser apreciado em todo o seu esplendor. A Sogrape anda à procura do seu Barca Velha do Dão, e este foi talvez o que mais se aproximou, mas ainda lhe falta algo para lá chegar...

Tínhamo-lo conhecido há uns anos numa prova na Wine O’Clock, e o tempo de garrafa moldou-lhe o perfil, retirando-lhe alguma pujança e fazendo sobressair mais a elegância. Passado este tempo é, sem dúvida, um belo exemplar da Touriga Nacional no seu melhor registo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Carvalhais Único 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 49,09 €
Nota (0 a 10): 9

sábado, 14 de março de 2015

No meu copo 438 - Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005; Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004

Tínhamos estes vinhos há alguns anos na garrafeira, juntamente com outros de gama alta, e achámos que era chegada a hora de abri-los. Já tínhamos provado o Vinha do Contador branco e tinto noutras ocasiões, nomeadamente nalguns encontros do #daowinelover. Nesta prova fizemos uma parelha entre dois produtos da Dão Sul já com alguma idade.

O Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador apresentou-se encorpado e estruturado mas bastante equilibrado. No primeiro ataque mostrou-se bastante recolhido, mas foi-se libertando e surpreendeu pela exuberância aromática e persistência. Muito volumoso e vigoroso na boca, com as notas de madeira muito discretas a dar complexidade e personalidade ao conjunto. Um grande vinho, como já se sabia, que a idade ajudou a domar. Precisa de tempo para se libertar, é um vinho para degustar lentamente ao longo duma noite e ir descobrindo toda a sua complexidade e panóplia de aromas.

O Quinta de Cabriz Touriga Nacional (ainda com a designação antiga, onde constava a palavra “quinta”) apareceu inicialmente discreto e algo simples no aroma, parecendo ficar ofuscado pelo parceiro de ocasião, mas foi abrindo lentamente com o passar do tempo e terminou com alguma exuberância aromática. Apresenta uma cor granada intensa mas é algo pesado na boca, tornando-se um pouco cansativo na prova. A Touriga Nacional impõe-se com as suas características florais mas o teor alcoólico confere alguma doçura que acaba por ofuscar o resto do conjunto. Aliás, é uma característica que parece manter-se neste vinho pelos anos fora, e que quanto a mim o penaliza na comparação com os outros monocasta do universo Dão Sul, e em particular os da Casa de Santar. Não é dos vinhos mais atractivos da casa neste segmento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola

Vinho: Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço: 44,80 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004 (T)
Grau alcoólico: 15%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 14,18 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 10 de março de 2015

No meu copo 437 - Serras de Grândola: Verdelho branco 2013; Cepas Cinquentenárias tinto 2012

E de repente, donde e quando menos se esperava, surgem dois belos vinhos. Aliás, poderíamos mesmo dizer: um belo vinho e um belíssimo vinho! Foi no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno que deparei com este produtor dos arredores de Grândola, algures na serra a meio caminho entre Melides e a praia da Galé. Estamos em pleno Baixo Alentejo mas, graças às originalidades da nossa legislação, trata-se de vinhos regionais da Península de Setúbal, que se prolonga até Santiago do Cacém...

Mas, quer seja no Alentejo ou na Península de Setúbal, a casta Verdelho é uma das que dão cartas na produção de vinhos brancos. Na prova que tive oportunidade de fazer no Campo Pequeno, junto da banca do produtor, o vinho desde logo me agradou bastante, sendo uma completa surpresa, e tendo em conta as minhas origens resolvi comprar uma garrafa deste branco e uma de tinto, em parte para ajudar a divulgar um produtor praticamente desconhecido.

A prova decisiva, contudo, fez-se em casa, na companhia de um prato de peixe no forno, e a surpresa ainda mais se acentuou. Mostrou-se um vinho guloso, com excelente acidez, muita frescura, boa estrutura e final longo, daqueles de que apetece beber sempre mais um copo. E mais uma vez encontrei no copo um branco que nada tem a ver com os brancos pesados e enjoativos dum passado recente mas que já parece longínquo... A altitude e a proximidade do mar (cerca de 15 km em linha recta) contribuem decisivamente para o perfil deste vinho, mas há que dar mérito a quem o fez. O segredo para o sucesso parece ser mesmo esse: aproveitar as zonas mais frescas, próximas da costa ou em altitude, usar castas que transmitam boa acidez ao vinho, e assim se obtêm brancos de elevado nível! É assim que, mesmo na planície e no interior, a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, ou João Portugal Ramos, em Estremoz, produzem brancos com este tipo de perfil...

Ficou-se também a saber que estamos em presença duma empresa que se dedica ao enoturismo e ficou o convite para passarmos por lá. Mas para já, o que mais me interessa é saber como voltar a adquirir este belíssimo vinho!

Depois veio o tinto, descrito como de cepas cinquentenárias. Resultante duma combinação de castas pouco usual, apresentou-se muito fresco, frutado, macio, encorpado, estruturado e persistente, com notas predominantes de fruta madura e ligeiro vegetal. Pareceu ser um bom tinto para tempos mais quentes e pratos de carne não muito pesados nem condimentados. Outra boa relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada

Vinho: Serras de Grândola, Verdelho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 6 de março de 2015

No meu copo 436 - Os novos vinhos da Quinta da Murta



A Quinta da Murta é um dos produtores sediados em Bucelas que se especializaram na produção de vinhos brancos com a casta rainha da região, o Arinto. Contudo, tem pouca visibilidade em comparação com os dois pesos-pesados da região, a Quinta da Romeira e a Enoport, que absorveu as antigas Caves Velhas.

Recentemente foi reformulado o portefólio de vinhos disponibilizados pela Quinta da Murta, com o alargamento da oferta de brancos, a introdução de um tinto e dois espumantes.

Juntamente com alguns dos elementos do habitual grupo de comensais, tivemos oportunidade de provar alguns dos vinhos da Quinta da Murta, numa refeição baseada num leitão de Negrais que acompanhou todos os vinhos provados.

Começámos e terminámos com espumante, um para entrada com o leitão e outro para as sobremesas. Pelo meio, introduzimos primeiro o tinto e depois os vários brancos.

Numa apreciação global, pode-se dizer que os vinhos agradaram na generalidade, embora com algumas disparidades entre os vários vinhos provados. Alguns agradaram claramente, outros suscitaram algumas reservas. Nada de anormal.

Resumidamente, apresentamos a seguir uma apreciação das impressões recolhidas.

Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Murta


Murta, Touriga Nacional e Syrah tinto 2011 – 14%
Algo fechado na abertura, requeria decantação. De cor carmim aberta, com corpo médio, aroma algo especiado com predominância e frutos vermelhos e compota, boca algo adstringente no início, no ponto certo de consumo.
Nota: 7,5

Murta espumante Extra-Bruto rosé 2011 – 12,5% - Touriga Nacional
Bolha fina, agradável, aromático, elegante, aroma ligeiramente floral e final persistente.
Nota: 7,5

Quinta da Murta Brut Nature branco 2011 – 12% - Arinto
Boca equilibrada, suave, macio e com boa acidez.
Nota: 8

Murta Wine of Shakespeare branco 2012 – 13% - Arinto
Menos acidez que o Arinto habitual, boca média, redondo mas algo chato.
Nota: 7

Quinta da Murta branco 2012 – 13% - Arinto
Feito com uvas Arinto da quinta e compradas noutras propriedades. Perfil a fazer lembrar os antigos Caves Velhas, muito superior ao Murta seco, menos frutado.
Nota: 7,5

Quinta da Murta Clássico branco 2012 – 13,5% - Arinto
Feito com bâtonnage e com mais madeira que o anterior, a pedir comida mais untuosa. Boa estrutura e final persistente. Bem equilibrado.
Nota: 8


Em resumo, vinhos interessantes e que merecem ser revisitados e alguns deles adquiridos. Não deixam ficar mal os pergaminhos dos melhores Arintos de Bucelas.

Kroniketas e mais uns quantos

segunda-feira, 2 de março de 2015

No meu copo 435 - Casa Cadaval Vinhas Velhas, Trincadeira 2007

Voltamos ao Ribatejo, para visitar outro produtor de referência, a Casa Cadaval, também há muito implantada no mercado com os seus tintos monocasta. Neste caso, já tínhamos provado há cerca de um ano o Cabernet Sauvignon; agora foi a vez do Trincadeira, a outra casta tradicional dos tintos varietais da casa, tal como o Pinot Noir.

Sendo uma casta que parece ter vindo a perder terreno nos encepamentos no sul do país, e quase desaparecendo dos vinhos monocasta, os registos mostram, contudo, que ainda é uma das mais plantadas e largamente maioritária a par do Aragonês. É certo que não será das castas mais fáceis de trabalhar pelos enólogos, mas também temos visto nos últimos anos que quem se impõe são aqueles que fazem frente às dificuldades e trabalham com elas levando o seu barco a bom porto, em vez de enveredarem pelo caminho mais fácil dos vinhos com as “castas da moda”, que todos fazem e que a breve trecho se tornam verdadeiras pragas no país… É pena que ainda não tenham percebido que tudo o que está na moda acaba por passar de moda…

Que dizer, então, desta casta fora de moda? Este vinho apresentou-se encorpado, com um aroma algo herbáceo e de couro, estruturado e prolongado. Boa presença de taninos, final intenso mas redondo, pujante e persistente. Mostrou também estar num patamar de evolução em que já não irá melhorar, mas muito longe de decair. Continua a ser, para nós, um daqueles clássicos em que vale a pena apostar e que merece estar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Cadaval Vinhas Velhas, Trincadeira 2007 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13%
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8