quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

No meu copo 434 - Grand'Arte, Touriga Nacional 2008

Voltamos aos vinhos monocasta de Lisboa e Vale do Tejo, e voltamos à região de Lisboa para revisitar a DFJ, uma das empresas que continuam a apostar nos tintos de casta única.

Neste caso abrimos uma garrafa de Touriga Nacional de 2008, que tinha sido adquirida em 2009 com um dos números da Revista de Vinhos. Cerca de 6 anos e meio depois da colheita, portanto. Apresentou-se um vinho robusto, poderoso, complexo, bem estruturado na boca e com final prolongado. Taninos bem presentes conferem-lhe alguma adstringência, denotando que ainda poderia repousar mais uns anos na garrafa, pois estava muito vivo e com algumas arestas por limar.

Não é o mais típico Touriga Nacional, fugindo um pouco às notas violáceas, conquanto tenha mostrado que estava ali para durar e bater-se com pratos de carne bem temperados e exigentes.

Não sendo encantador, não deixa ficar mal a nova vaga de vinhos da renovada região de Lisboa, mostrando que é possível obter aqui vinhos com perfis muito diversos mas de qualidade inquestionável e que podem projectar o nome da região para um patamar bem acima. Os agentes do sector têm feito por isso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Na minha mesa 433 - La Brasserie de l'entrecôte

  

Conheci este restaurante há uns 20 anos, nem sei bem quando. Só existia um, o original, na Rua do Alecrim junto ao Largo Camões, ao Chiado. Fui lá algumas vezes com o tuguinho e com o saudoso Mancha e desde sempre, sendo nós uns carnívoros incorrigíveis, aquele entrecôte coberto com o molho especial cheio de especiarias fez as nossas delícias. Aliás, foi por esse prato, único na ementa, que o restaurante se tornou conhecido.

Passaram-se mais de 10 anos desde a última vez que lá fui. Entretanto foram aparecendo outras instalações do mesmo restaurante. A primeira que vi foi na marina de Cascais. Depois tomei conhecimento de outra no Campo Pequeno numa visita a um certame qualquer, e entretanto fiquei a saber que há outra no Parque das Nações e mais um no Centro Comercial Amoreiras. Isto só em Lisboa, pois ainda há mais um no Porto. É o sinal dos tempos. Se até a tradicional Portugália já tem cervejarias por tudo quanto é sítio, até em centros comerciais...

Aproveitando o dia dos namorados destes resolvi ir jantar a um destes restaurantes. Telefonei para o do Parque das Nações a reservar mesa numa 4ª feira para o sábado seguinte, e estava esgotado! Tentei então o do Campo Pequeno, e lá conseguimos uma mesa para quatro.

A ementa está ligeiramente estendida, com um bife de seitan em alternativa ao entrecôte, e na entrada existe agora uma alternativa à salada de alface e rúcula, constituída por salmão fumado. Todos optámos pela salada tradicional e pelo entrecôte com molho brasserie.

O segredo deste bife, regado com um delicioso molho, para além da qualidade superior da carne reside no tempero usado no molho, com 18 condimentos e especiarias. Para acompanhar apenas batatas fritas, em palitos fininhos e tenros, que se vão comendo sem dar por isso. As doses são generosas, de tal forma que ainda sobrou carne...

Para sobremesa vieram um sorbet de limão e um bolo fondant de chocolate com gelado.

Serviço irrepreensível, rápido, eficiente, atencioso, tudo corre sobre rodas. A decoração deste restaurante incide em fotos de Paris a preto e branco, a fazer jus à inspiração francesa do bife. Nada como visitar o site do restaurante para descobrir as variantes entre as diversas instalações.

A garrafeira, não sendo muito vasta, cobre opções suficientes para todas as preferências. Para acompanhar a refeição escolheu-se um Paço dos Cunhas de Santar 2010, que já conhecíamos e esteve perfeito com o prato. Como não há meias-garrafas e o vinho não foi suficiente, acabou-se por pedir um reforço a copo: um de branco Quinta de Bajancas (Douro) e um de tinto Herdade da Pimenta (Alentejo), que complementaram a função a preceito.

No final sai-se plenamente satisfeito e saciado, e assim se terminou em amena cavaqueira um dia dos namorados algo diferente.

Se gosta de bifes de vaca e ainda não experimentou este restaurante, reserve algum dinheiro e quando puder experimente. Verá que não se arrepende.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: La Brasserie de l'entrecôte
Localização: Campo Pequeno
Lisboa
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

No meu copo, na minha mesa 432 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012; Vinha Grande tinto 2011; A Travessa do Rio (Lisboa)

  

No final do ano voltei a fazer uma incursão a um restaurante que frequento de vez em quando, A Travessa do Rio, em Benfica, para mais uma excelente refeição em grupo. Após várias indecisões nos pedidos, estes acabaram por recair em apenas dois pratos: um arroz de lagosta e um bife do lombo com pimenta acompanhado de batatas fritas e esparregado, apenas para mim e para o Pirata. E como o bife causou impacto! Os restantes comensais ficaram de olhos (e papilas também) arregalados com a suculência deste bife, que estava simplesmente divinal! Quem comeu o arroz de lagosta ficou com pena de não ter escolhido o bife...

Como habitualmente neste restaurante, tivemos um belíssimo repasto, bem comido e bem bebido, mantendo o nível a que nos habituou.

Quanto aos líquidos, a primeira opção foi para um branco enquanto nos entretínhamos com as entradas. A escolha recaiu num monocasta da José Maria da Fonseca, o Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012, que nunca nos deixa ficar mal. Com excelente acidez e aroma em que predomina um misto de frutos citrinos e tropicais, esta colheita apresentou-se com um grau alcoólico mais baixo que as anteriores, mantendo uma boa persistência e frescura e tornando-se mais leve e mais suave, muito guloso e apelativo. Apetece sempre beber mais um copo, e por isso houve que repetir garrafas.

Para o bife do lombo com pimenta escolhemos um Vinha Grande 2011, também uma aposta sempre segura. Esta versão apresentou-se um pouco mais robusta que o habitual, com muita concentração e álcool um pouco excessivo, tornando a prova inicial algo agreste. Foi necessário dar-lhe tempo para arejar e amaciar um pouco, quando se começaram a notar os aromas a frutos vermelhos, arbustos e folhas do bosque. Os taninos estão bem presentes e muito vivos, embora sem se tornarem demasiado agressivos, e a madeira está muito discreta sem marcar o vinho. Talvez dois ou três anos na garrafa o tornem mais elegante, dando-lhe um perfil mais próximo daquele a que nos habituou, em que predomina a elegância e a suavidade. No entanto não deixou de constituir uma boa escolha, que ligou perfeitamente com a carne.

Em suma, um restaurante e dois vinhos que não deixaram os seus créditos mal vistos, proporcionando um fecho de ano em beleza.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Travessa do Rio

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vinha Grande 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Na Wines 9297 (3) - Caves São João

  
  

Aproveitei um fim de tarde mais aliviado para me deslocar novamente à Wines 9297, para mais uma prova de vinhos das Caves São João, que nos últimos meses tem sido presença assídua em provas em Lisboa. No entanto, os vinhos são tão encantadores que, mesmo já conhecendo quase todos os que são apresentados nas provas, é sempre um prazer renovado voltar a prová-los.

Desta vez em prova estiveram um espumante Quinta do Poço do Lobo, na colheita mais recente, assim como o Quinta do Poço do Lobo Arinto-Chardonnay. O espumante está muito agradável, suave e refrescante, enquanto o Poço do Lobo, com as mesmas castas e alguma madeira, mostra alguma estrutura sem deixar de ser macio e com boa acidez. No capítulo dos brancos ainda houve oportunidade de provar o Porta dos Cavaleiros 1979, do qual foram abertas 3 garrafas e todas estavam diferentes, com estádios de evolução muito díspares. Duas delas bastantes oxidadas, outra muito mais elegante e jovem.

Nos tintos esteve o clássico Caves São João Baga-Touriga Nacional, com a nova rotulagem que substituiu o antigo rótulo de cortiça. Um vinho ainda com muito para evoluir e amaciar, pois estava muito vibrante e ainda algo adstringente.

Continuando na senda dos vinhos comemorativos dos 100 anos da casa, provou-se o Caves São João 93 anos de história, um Touriga Nacional do Dão, concentrado, aromático, estruturado, com potencial para envelhecer uns 20 anos. Comprou-se uma garrafa que promete muito para daqui a uns anos...

No capítulo dos vinhos antigos, um Porta dos Cavaleiros 1985, que após algum arejamento apareceu com toda a suavidade típica do Dão, mas para mim a grande estrela foi, mais uma vez, o Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995. Simplesmente delicioso! Já tínhamos provado uma garrafa num repasto, e parece que agora ainda gostei mais dele. Tivemos oportunidade de provar diversas colheitas deste vinho nos últimos eventos e sempre nos encantou. Irresistível, e os preços são imperdíveis!

Como habitualmente, valeu a pena fazer um esforço para comparecer. Vale sempre. As Caves São João, agora que têm vindo pouco a pouco a trazer para o mercado os seus vinhos antigos, estão de novo em grande!

Obrigado à gerente Célia Alves por mais esta belíssima prova que nos proporcionou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Daowinelover - The best of Dão


Decorreu no passado dia 31 de Janeiro mais um evento por iniciativa do grupo #daowinelover, novamente no restaurante Claro, desta vez com o tema “The best of Dão”. O objectivo era que cada produtor presente levasse alguns dos seus melhores vinhos, que poderiam ser degustados ao longo da tarde em prova livre, até à chegada dos acepipes para forrar o estômago, lá mais para o anoitecer.

Já houve outros encontros com produtores que desta vez não estiveram presentes, tendo sido notadas algumas ausências de alguns produtores habituais. Da lista de presenças indicada na imagem não compareceu Júlia Kemper.

Quase à última hora surgiram arranjar duas vagas com que já não contávamos (quando nos apercebemos da realização do evento as inscrições já tinham fechado), e assim a dupla que vai mantendo este blog mais ou menos vivo pôde deslocar-se ao local para fazer as despesas das provas e das conversas.

Dos produtores presentes tivemos oportunidade de provar quase tudo. Nos brancos não nos faltou nenhum, enquanto dos tintos saltámos alguns, pois a ingestão de álcool, ainda que em quantidades reduzidas, já estava a fazer sentir os seus efeitos lá para o fim da tarde.

Mais do que entrar em considerandos específicos sobre cada vinho, que nestas ocasiões não gostamos muito de fazer, o que há a destacar é a elevada qualidade dos vinhos presentes. Nos brancos o destaque foi para o contingente de monocastas feitos de Encruzado, que curiosamente nos permitiu verificar como diferentes produtores podem fazer vinhos tão distintos a partir da mesma casta. Nuns casos mais mineral, noutros mais frutada, nalguns casos mais estruturada e noutros casos mais suave. Uma casta multifacetada, mas que marca os vinhos de forma indelével. Muito interessante a comparação de duas colheitas, 2009 e 2013, da Casa de Mouraz, em que gostámos mais da mais antiga, com excelente evolução e muita macieza. Destaque também para uma amostra de cuba dum 2014 ainda não rotulado da Quinta das Marias, também um Encruzado que encantou toda a gente.

Nos tintos havia desde colheitas muito novas até outras com mais de 10 anos, havendo mesmo um Garrafeira de 1997 das Terras de Tavares. O que se realça, contudo, mais do que no evento dedicado apenas à Touriga Nacional, é que nos vinhos de lote e, sobretudo, nos vinhos com alguma idade, está bem patente toda a elegância a suavidade que era habitual caracterizarem os tintos do Dão. Alguns dos que provámos fizeram lembrar os que bebíamos nos anos 90, quando ainda não tinha chegado a moda dos superfrutados, superconcentrados e superalcoólicos. Aliás, uma parte significativa dos produtores apresentou precisamente vinhos de lote e de colheitas com alguns anos.

Pudemos assim apreciar alguns dos melhores e mais representativos vinhos do Dão, numa jornada descontraída e agradável, onde reencontrámos uma boa parte dos comparsas habituais. Mais uma vez obrigado aos organizadores do costume, Pingus Vinicus e Miguel Pereira, e ficamos à espera do próximo.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

No meu copo 431 - Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007

Depois da prova do Cabernet Sauvignon em versão ribatejana da Fiúza, provámos a versão estremenha da Quinta de Pancas, uma das marcas há mais tempo implantadas no mercado nesta versão monocasta.

Ligeiramente apimentado, com um certo aroma a pimentos verdes (o tal...), apareceu macio e algo delgado no início, parecendo pouco encorpado. Depois desenvolveu aromas e estrutura, mostrou-se robusto e persistente e com potencial para durar ainda mais tempo em garrafa, ainda com uma certa adstringência a marcar o conjunto. Na comparação com a versão ribatejana da Fiúza, preferimos aquela, pois mostrou-se mais equilibrada.

Este Quinta de Pancas, embora mais robusto, esteve demasiado marcado pelo tal aroma a pimentos verdes, que se impôs de certa forma no conjunto. Tendo em conta a idade do vinho, provavelmente já não iria melhorar.

De notar que recentemente verificaram-se algumas alterações estruturais de fundo na Companhia das Quintas, onde se enquadrou a venda da emblemática Quinta da Romeira, em Bucelas. Não sabemos o que se vai seguir, mas no momento em que este post é publicado, tanto quanto sabemos, a Quinta de Pancas continua a pertencer ao universo da Companhia das Quintas. Qualquer desactualização desta informação não é da nossa responsabilidade, pelo que pedimos a devida compreensão aos leitores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

No meu copo 430 - Fiúza: Alvarinho 2013; Cabernet Sauvignon 2012; Touriga Nacional 2012

Aproveitando uma das ocasiões festivas do final de ano, fizemos uma abertura de garrafas da Fiúza para provar 3 vinhos monocasta, um branco e dois tintos.

O Alvarinho, uma casta que tem migrado do Minho para todo o sul do país, apresentou-se suave e elegante na boca, com boa acidez, alguma mineralidade e aroma algo discreto. As notas tropicais habituais na casta quando vinificada na região dos Vinhos Verdes não estavam muito presentes e não mostrou grande exuberância, embora não deslustrasse. Um vinho agradável, sem ser excelente.

Depois passou-se aos tintos, onde experimentámos um Cabernet Sauvignon e um Touriga Nacional. O primeiro fez muito melhor figura que o segundo, embora fossem do mesmo ano.

De cor carregada, encorpado e bem estruturado, macio e pouco adstringente, aromático, persistente e longo, mostrou estar óptimo para beber, embora pudesse aguentar mais tempo em garrafa, mas estava num ponto óptimo de consumo. Mostrou todas as qualidades do Cabernet Sauvignon sem revelar nenhum dos seus defeitos. Dos famosos pimentos verdes, nem sombra; antes apresentou notas de frutos vermelhos e pretos bem maduros, com um final marcado por alguma especiaria. Bem integrado com a madeira, sem que esta se sobrepusesse ao conjunto, dando-lhe apenas o equilíbrio e a estrutura necessárias e suficientes. Muito bem. Justificou estar nas nossas escolhas.

Quanto ao Touriga Nacional, apresentou-se ainda demasiado jovem para consumir. Com predominância floral e a compotas, com as habituais notas a violetas, mostrou-se algo áspero, rugoso e pouco harmonioso, com os taninos a precisar de arredondar arestas na garrafa. Tem potencial para melhorar, ficando por saber onde poderá chegar. Em todo o caso, não pareceu poder chegar tão alto como o Cabernet Sauvignon.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright

Vinho: Fiúza, Alvarinho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,12 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Fiúza, Touriga Nacional 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7