terça-feira, 30 de dezembro de 2014

No meu copo 424 - Porta da Ravessa Reserva 2013; ACR Reserva 2010

Para fechar o ano descemos até ao Redondo, continuando nas adegas cooperativas. Estes dois tintos foram uma estreia nas nossas provas, e tínhamos alguma curiosidade em conhecê-los, pois nos últimos anos temos andado algo afastados dos vinhos do Redondo, com excepção de alguns produzidos pela Roquevale.

O Porta da Ravessa Reserva mostrou-se eminentemente frutado mas com os aromas ainda algo desligados, indefinidos. Algo simples e linear na boca, com final curto e medianamente encorpado. Claramente um vinho a precisar de tempo na garrafa, pelo que esta prova não terá sido de todo conclusiva.

Já o ACR Reserva, da colheita de 2010 (curiosamente com as mesmas castas do Porta da Ravessa Reserva à excepção do Cabernet Sauvignon), mostrou-se mais acabado, mais integrado e bem mais harmonioso. Bem estruturado, cheio e persistente, com aroma marcado a frutos vermelhos e alguma complexidade.

Em suma, dois vinhos baratos mas com perfis bastante diferentes, talvez muito diferenciados pelo tempo em garrafa. A rever, pois esta dupla prova não foi claramente conclusiva...

E com isto desejamos a todos um bom ano de 2015, de preferência com bons vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Adega Cooperativa de Redondo

Vinho: Porta da Ravessa Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: ACR Reserva 2010 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,89 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

No meu copo 423 - Adega de Borba Reserva, Rótulo de Cortiça 2008

De Reguengos vamos para Borba para provar outro clássico, da Adega Cooperativa. À semelhança do tinto anterior, também mantém características e qualidade consistentes ao longo dos anos, tornando-se uma marca emblemática da casa.
Com uma cor granada de laivos acastanhados, apresentou-se encorpado, robusto e bem estruturado, com final persistente e um toque a madeira bem integrada no conjunto, com taninos arredondados mas presentes a conferirem ligeira adstringência. No aroma mostra alguma evolução, com notas intensas de compota e frutos em passa. É outro vinho que vale a pena ter e esperar algum tempo antes de beber.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Borba Reserva, Rótulo de Cortiça 2008 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,63 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

No meu copo 422 - Reguengos: Reserva tinto 2005; Reserva branco 2011

Iniciamos agora um pequeno périplo por alguns vinhos alentejanos, uns mais conhecidos que outros.

Começamos por Reguengos de Monsaraz, uma das nossas sub-regiões preferidas. Da Cooperativa Agrícola sai há longos anos este Reguengos Reserva tinto que tem mantido um perfil e uma qualidade consistentes (ver aqui colheitas anteriores). O preço, entretanto, foi baixando, ao ponto de chegar a um patamar onde o vinho é muito melhor do que aquilo que custa. Continua também a ser um vinho que vale a pena guardar algum tempo em vez de o beber em novo, pois normalmente melhora com o tempo em garrafa.

Esta colheita de 2005 confirmou essa impressão. Com 9 anos de idade, apresentou-se com grande frescura, com todos os aromas e sabores bem integrados, taninos macios embora ainda presentes. Aroma vinoso, intenso, com notas de frutos pretos. Encorpado, bem estruturado e robusto, persistente e com final marcado por um toque de madeira e especiarias.

Continua a ser um bom vinho para pratos de carne fortes e bem temperados, como a típica cozinha alentejana. E continua a ser um vinho que gostamos de ter sempre em stock, pois normalmente porta-se à altura.

Novidade, desta vez, foi a prova do Reserva branco, que nunca tínhamos experimentado. Apresentou um volume de boca interessante, aroma discreto com notas a frutos brancos e amarelos, um ligeiro toque vegetal e herbáceo, acidez suave e final mediano. Não é um vinho de qualidade média/alta ao nível do tinto, mas faz uma boa companhia a pratos de peixe não muito complexos nem condimentados. Não desilude e não é um daqueles brancos pesados que aparecem muitas vezes no Alentejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Reguengos Reserva 2005 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Reguengos Reserva 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

No meu copo 421 - Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2012; Soalheiro, Alvarinho 2013

De dois vinhos bons passamos para dois vinhos brilhantes.

Palácio da Brejoeira: excelente, como sempre! É um daqueles vinhos para os quais até é difícil encontrar palavras que descrevam a sua excelência. Quase sublime. Elegância e suavidade a toda a prova. Finesse, aromas delicados e quase veludo na boca.

Se não é o melhor verde ou o melhor Alvarinho do país, não deve andar longe. E está tudo dito.

Quanto ao Soalheiro, não lhe fica muito atrás. Ano após ano tem vindo a ganhar terreno no panorama dos Alvarinhos, guindando-se consistentemente a um lugar entre os melhores e mais aclamados. Belo aroma frutado com notas tropicais, excelente acidez, boca vibrante, elegante e longa, final persistente e suave.

Um prazer para beber, e beber, e beber...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2013 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

No meu copo 420 - Planalto Reserva 2013; Vinha Grande rosé 2013

 

Planalto: eis um vinho que nunca nos desilude. É um daqueles vinhos consistentes de ano para ano, que ao longo do tempo se vão revelando como apostas sempre seguras, em que se pode confiar numa boa compra sem grande risco de decepções.

Aromático, equilibrado, perfumado, ligeiramente floral. Bebe-se sempre com agrado, no Verão ou no Inverno, com frio ou com calor. Não é o vinho mais brilhante que existe, mas nunca nos desilude.

Quanto ao Vinha Grande rosé, foi uma novidade absoluta em termos de prova, e desde logo começou por uma surpresa na cor: o vinho é dum rosa completamente desmaiado, quase branco. A cor pode não ser apelativa quando se está à espera dum vinho rosado, mas a prova contraria a possível má impressão inicial. O vinho apresenta-se com bastante frescura e acidez, com aroma ligeiro a flores e notas a frutos vermelhos e tropicais, boa estrutura e final persistente. A falta de cor deve-se às condições da colheita, que fizeram as uvas perder grande parte da coloração, mas não é por aí que o vinho deixa de ser agradável.

Segundo fomos informados, o vinho não esteve à prova no Encontro com o Vinho e os Sabores porque os clientes, aparentemente, estão a reagir mal à falta de cor. Pois é, mas o que conta é o que está dentro da garrafa... Esqueçam a cor e provem-no, porque vale a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape

Vinho: Planalto Reserva 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega, Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vinha Grande 2013 (R)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 13 de dezembro de 2014

No meu copo 419 - Esporão, Verdelho 2011; Esporão, Duas Castas 2013

Regressamos a dois brancos do Esporão que já se impuseram nas nossas preferências. O monocasta Verdelho e o Duas Castas que, seguindo o mesmo princípio do Quatro Castas tinto, é composto pelas duas melhores castas brancas de cada ano, pelo que a sua composição é muito variável.

O Verdelho, mais uma vez, correspondeu inteiramente ao que se esperava. Aroma intenso com notas tropicais, vivo, persistente e estruturado na boca, com uma acidez refrescante e apetitosa, que o torna um vinho guloso e de que apetece sempre beber mais. Para nós tornou-se um branco incontornável, e consideramo-lo um dos melhores do país.

Quanto à versão mais recente do Duas Castas, apresenta-se suave, aromático, persistente e estruturado. Um ligeiro aroma cítrico complementado com notas minerais, boa acidez e elegância. Também é uma boa aposta, tanto mais notável quanto é verdade que estamos a falar dum branco da planície, de clima quente.

Como o Esporão consegue produzir brancos com esta frescura, acidez e leveza, é um feito de realçar. Só pode ser um caso de extrema competência e sabedoria.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão, Verdelho 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,98 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Esporão, Duas Castas 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Gouveio (70%), Antão Vaz (30%)
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

9 é o número


O tempo passa. E hoje o tempo passado perfaz nove anos completos desde a fundação deste blog, que surgiu como uma emanação das Krónikas Tugas, que hoje completam já 11 anos de existência. Os anos passam e os vinhos também, pelas nossas garrafeiras e, muito mais importante, pelas nossas gargantas.

No ano que quase finda, como nos outros, conhecemos novas pessoas e novos vinhos, e fortalecemos as relações com quem já conhecíamos – tanto pessoas como vinhos.

No ano que se avizinha, se for mais do mesmo, já é bom.

Nove é um bom número, mas dez ainda nos parece melhor – assim estejamos por cá daqui a um ano, para os comemorar.

Obrigado

tuguinho e Kroniketas, enófilos comemorativos

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

No meu copo 418 - Tágide, Chardonnay 2012


Já este ano tínhamos provado um vinho muito interessante desta marca, produzido a partir das castas Arinto e Vital, e que pareceu um caso muito bem sucedido. Agora deparámo-nos com uma outra versão em que, sem se perceber porquê, aquelas castas foram substituídas pelo Chardonnay.

Existe uma certa mania do Chardonnay em Portugal (a juntar à mania da madeira), e em muitos casos, infelizmente, os resultados não são famosos.

Foi o que aconteceu com este exemplar. Liso, chato, sem frescura e sem alma, completamente desinteressante, não agradou a ninguém. Todos os que tinham provado a versão anterior concordaram que este vinho não tinha nada que o recomendasse.

Há apostas que não se compreendem...

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Tágide, Chardonnay 2012 (B)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta da Barreira
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 3

sábado, 6 de dezembro de 2014

No meu copo 417 - João Portugal Ramos, Loureiro 2013; Vila Santa Reserva branco 2012

Continuando a provar alguns dos vinhos que simpaticamente nos têm sido enviados pela João Portugal Ramos Vinhos, provámos recentemente dois brancos. Um deles é novidade, um verde da casta Loureiro, depois de já termos provado o excelente Alvarinho aquando da apresentação de várias novidades no Hotel Altis Belém.

Apresentou-se suave, floral e perfumado, de aroma algo discreto e não muito intenso. Na boca mostrou persistência média e final um pouco curto.

O Vila Santa Reserva branco tinha sido uma óptima revelação na prova anterior, mas desta vez tivemos azar com a garrafa. O vinho mostrou-se sem frescura, com aroma cansado e cheiro a rolha. Ainda lhe demos tempo para ver se com o arejamento o vinho evoluía para melhor, mas de nada serviu. Ao fim de algumas horas morreu nos copos e na garrafa.

Acontece a qualquer um, e nunca o podemos prever. Ficamos a aguardar por uma próxima oportunidade para fazer a contraprova e confirmar as excelentes impressões que tínhamos colhido anteriormente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2013 (B)
Região: Vinho Verde
Grau alcoólico: 12%
Casta: Loureiro
Preço: 3,15 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Vila Santa Reserva 2012 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc
Preço: 9,99 €
Nota (0 a 10): não classificado

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

No meu copo 416 - QM, Alvarinho 2012; Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2012


Temos aqui dois verdes, em que um não é verde mas Regional Minho por causa da utilização do Alvarinho fora da sub-região autorizada (tema em debate nos últimos meses na região).

O QM Alvarinho foi uma estreia nas nossas provas. Apresenta-se muito aromático e suave, fresco, elegante, redondo e persistente. Não sendo um Alvarinho excepcional, não decepciona, podendo merecer novas provas, até porque o preço é convidativo.

Quanto ao Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, já em repetição, manteve o perfil da prova anterior: leve, suave, aromático, notas florais (Loureiro) bem ligadas com um fundo de tropicalidade (Alvarinho). Uma aposta barata para um vinho não muito complexo e despretensioso, fácil de beber e adequado para mariscos, entradas ou pratos de peixe leves e não muito requintados.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: QM, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Quintas de Melgaço
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2012 (B)
Região: Regional Minho
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Loureiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,39 €
Nota (0 a 10): 7