sábado, 30 de agosto de 2014

No meu copo 400 - Tintos velhos da Bairrada (5)

Sogrape Reserva 1995; Sogrape Garrafeira 1999; Império Reserva 2001




Fechamos a quarta centena de posts dedicados a provas com mais uma incursão por algumas relíquias da Bairrada. Desta vez houve a possibilidade de ter dois exemplares da Sogrape, sendo que um deles foi uma repetição de uma prova já com alguns anos, que não tinha convencido grandemente. Refiro-me concretamente ao Garrafeira de 1999, provado aqui. Outra garrafa foi esperando, esperando, esperando... até que foi aberta para acompanhar uns bifes com molho pimenta. E a verdade é que se confirmou mais uma vez que, muitas vezes, as verdades que temos como certas em relação aos vinhos, não duram mais que o tempo que medeia entre uma prova e outra...

Foi o caso desta segunda garrafa que, contrariamente ao que tinha acontecido na prova de há 6 anos, nos mostrou um vinho pujante e de grande estrutura, encorpado e cheio, com aroma profundo e exuberante e um longo fim de boca pontuado por especiarias e algum fumado, com os taninos bem presentes mas macios. Excelente, sem dúvida. Fica apenas a dúvida: o anterior foi bebido demasiado cedo? Como havíamos nós de saber o seu estado de evolução? Enfim, fica sempre este mistério por esclarecer quando ocorrem situações do género. A única verdade é que nunca o saberemos...

O outro exemplar da Sogrape, um Reserva 1995, ainda com o mesmo rótulo dos célebres Reservas da Sogrape do Douro, Dão e Alentejo, tantas vezes aqui referidos, mostrou um perfil semelhante embora muito mais amaciado, não tão exuberante no aroma mas muito redondo na boca.

Desconhecíamos este exemplar das Caves Império, uma das casas que entretanto deixaram de aparecer nos rótulos com as várias fusões e aquisições no mercado do vinho. Composto quase em exclusivo pela Baga, mostrou o perfil clássico dos vinhos desta tão polémica casta, amada por uns e desprezada por outros. Taninos firmes mas redondos, alguma adstringência, aroma profundo, encorpado e persistente com final longo. Nada de surpreendente, apenas a constatação de como estes vinhos envelhecem nobremente e melhoram ao longo do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Sogrape Reserva 1995 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Sogrape Garrafeira 1999 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Jaen
Preço em feira de vinhos: 5,19 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Império Reserva 2001 (T)
Produtor: Caves Império
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

No meu copo 399 - Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011

Subitamente, a surpresa. Temos aqui elogiado frequentemente os rosés do Tejo, com destaque para o Quinta da Alorna e o Fiúza, pelas suas características de frescura, secura e leveza, grau alcoólico moderado e equilíbrio entre corpo, estrutura e aroma. Ainda recentemente aqui referi positivamente dois brancos da casa muito agradáveis.

Sem que nada o fizesse prever, esta colheita de 2011 do Fiúza, mantendo o lote de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon foi uma completa decepção. Falta-lhe frescura, exuberância aromática, persistência e acidez. Mostrou-se algo doce, liso, chato e simples.

Não sei se foi azar com a garrafa, uma colheita menos feliz, ou se o produtor mudou o método de concepção do vinho. Se for este o caso, temo que estejamos perante o abandono duma receita de sucesso para optar por um caminho que poderá levar antes ao fracasso. Porque este, definitivamente, não é o Fiúza rosé de que eu gosto e que recomendo.

Se as próximas colheitas continuarem a ser assim, está condenado a ser riscado da minha lista de compras.

Kroniketas, enófilo desiludido

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 19 de agosto de 2014

No meu copo 398 - Frei João rosé 2011

Continuando na linha dos vinhos de Verão, provámos este rosé das Caves São João, um vinho barato e com uma cor salmão aberta que se vê logo na garrafa.

As expectativas não eram muito elevadas, mas ao ver no contra-rótulo a informação de que tinha sido produzido apenas com Touriga Nacional o pensamento mudou, porque esta casta, para além da invasão nos tintos de norte a sul, tem-me proporcionado alguns encontros com os melhores rosés do país (posso citar os exemplos dos ribatejanos Quinta da Alorna e Fiúza, este em lote com o Cabernet Sauvignon, e dos durienses Vallado e Quinta de Cidrô, já aqui referidos noutros posts e no post anterior).

Dentro dessa linha, confirmou-se que a Touriga permite fazer vinhos rosados muito aromáticos, suaves, macios e nada pesados. Com um ligeiro aroma floral, típico da casta, e notas de framboesa e morango no paladar, é medianamente encorpado e com um final fresco, suave e agradável.

É um vinho feito para agradar e que não desilude, antes pelo contrário: pelo preço que custa, até supera as expectativas. Vale a pena experimentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2011 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

No meu copo 397 - Volúpia branco 2010

Eis um branco que é praticamente desconhecido no panorama nacional, e que no entanto merecia outra visibilidade. Tive oportunidade de adquirir uma garrafa há algum tempo por um preço bastante interessante e o resultado excedeu as expectativas.

É verdade que as Caves São Domingos, como outros produtores da Bairrada, não são das mais badaladas, e no entanto já têm 75 anos de história!

Não sendo um vinho extremamente voluptuoso, como o seu nome sugere, é bastante aromático, equilibrado, com corpo médio e final longo. Contém uma combinação bastante interessante de castas com características muito diferentes: a Maria Gomes, a única tradicional da região, a conferir alguma estrutura e mineralidade; o Chardonnay a não mostrar aquele perfil enjoativo que muitas vezes obtém quando estagiado em madeira (o vinho estagiou apenas em inox), tornando o vinho mais denso e cheio; e o Sauvignon Blanc a trazer alguma frescura e elegância, bem como algumas notas florais e citrinas a par com uma certa tropicalidade.

Conjunto muito interessante, a explorar novamente. Recomenda-se com entradas, mariscos, peixes suaves e requintados e pratos não demasiado pesados. Juntámo-lo à nossa lista de sugestões, pois é um vinho que dificilmente irá desiludir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Volúpia 2010 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves do Solar de São Domingos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Maria Gomes
Preço: 4,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

No meu copo 396 - Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012

Numa época em que cada vez mais as castas viajam pelo mundo, e principalmente no chamado “novo mundo” a produção de vinho é dominada pelas castas internacionais mais badaladas, difícil é, por vezes, fugir do trio Cabernet Sauvignon-Syrah-Merlot nos tintos e do duo Chardonnay-Sauvignon Blanc nos brancos, sobrando algum (pouco) espaço para o Pinot Noir ou o Pinot Gris. Depois, aqui e ali, lá se encontra uma ou outra casta que encontrou espaço e fama em determinado país, como a Malbec na Argentina ou a Carmenère no Chile, assim como o Alicante Bouschet em Portugal.

Quando se fala na grande produção para o grande comércio, contudo, vamos quase sempre cair no mesmo. Neste caso falamos da Cono Sur, um produtor chileno de grande volume que tem à venda em Portugal uma significativa quantidade de vinhos varietais a preços praticamente imbatíveis e baseados nas castas internacionais mais badaladas.

Tenho sido um fã desta casta da moda, pois tem um perfil que me agrada bastante, pelos aromas tropicais misturados com algum citrino e um certo toque vegetal que habitualmente apresenta. Neste caso, tratou-se duma escolha num jantar de família no restaurante Marítima do Restelo, próximo do Centro Cultural de Belém, e despertou-nos a atenção o nome curioso do vinho, para além da casta, naturalmente. O preço, para restaurante, não estava fora do razoável e mandámos vir uma garrafa para acompanhar um saboroso arroz de garoupa.

O vinho correspondeu ao que dele se esperava: suave, aromático com um toque citrino a par com algum maracujá, com estrutura média na boca, fresco e vivo, com acidez crocante e final seco e persistente.

Bebeu-se com facilidade e com agrado, e não deslustrou os pergaminhos da casta, que não sendo propriamente consensual tem vindo a disseminar-se e a impor-se um pouco por todo o lado. Em resumo, um vinho que satisfez, apropriado para entradas ou pratos de peixe não demasiado condimentados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

No meu copo 395 - Loios branco 2013; Tons de Duorum branco 2013; Conde de Vimioso Espumante extra-bruto 2009

Correspondendo à simpatia da João Portugal Ramos Vinhos, que nos tem obsequiado com a oferta de algumas garrafas do seu portefólio de vinhos alentejanos, ribatejanos e durienses, aproveitámos o tempo quente para abrir três brancos recebidos recentemente, todos de diferentes regiões: um Loios branco, um Tons de Duorum branco e um espumante Conde de Vimioso.

Depois de já termos provado diversas marcas, em branco, tinto e rosé, e encontrado algumas gratas revelações, desta vez temos de confessar que nos ficámos pela mediania. Também não é segredo que a marca Loios funciona como entrada de gama nos vinhos do produtor e enólogo no Alentejo, conquanto o Loios tinto seja habitualmente um vinho que tem uma qualidade bem acima do seu preço.

Neste caso, o Loios branco mostrou-se essencialmente um vinho simples, sem grandes pretensões, de aroma frutado discreto, suave mas curto na boca. Alguns furos abaixo do seu irmão tinto na relação qualidade/preço.

O Tons de Duorum branco, de que já tínhamos provado a colheita de 2012, nesta de 2013 mostrou-se mais simples, um pouco curto na boca e com aromas frutados discretos. Pareceu ser uma colheita inferior à anterior.

Quanto ao espumante Conde de Vimioso, um extra-bruto (praticamente sem açúcar residual, portanto), foi bebido a acompanhar sobremesas. Usando uma casta tinta e uma branca, à boa maneira de Champagne, fermentou parcialmente em meias pipas de carvalho francês. Mostrou-se com alguma estrutura mas sem grande volume de boca e final também algo curto e aroma discreto.

Em suma, dois vinhos mais simples que complexos, posicionando-se num patamar de combate pelo preço. Outros, destinados a mais altos voos, estão guardados para ocasiões mais exigentes...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Loios 2013 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Rabo de Ovelha, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 2,74 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Tons de Duorum 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Conde de Vimioso espumante extra-bruto 2009 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 6