segunda-feira, 30 de junho de 2014

No meu copo 391 - Vallado branco 2012; Moscatel Galego branco 2011; Touriga Nacional rosé 2012

Não nos temos cruzado muitas vezes com os vinhos deste produtor, pelo que foi com curiosidade acrescida que provei este branco da Quinta do Vallado na versão standard, se assim lhe podemos chamar, depois de há uns anos ter provado o monocasta de Moscatel Galego.

Foi bebido a acompanhar peixe grelhado, um prato à partida não muito desafiante, mas o vinho portou-se bem e não deixou o seu nome mal visto.

É um branco a que poderíamos chamar clássico, aromático, suave, que apresenta uma boa frescura e acidez na prova de boca, com final elegante e persistente. O aroma tem uma componente algo floral e simultaneamente algum citrino. Muito equilibrado em todas as suas componentes, bebe-se com prazer e é um daqueles vinhos que se tornam gulosos sem darmos por isso, à medida que vamos bebendo mais um copo.

Dentro dos brancos da gama média, é uma boa aposta para pratos de peixe não demasiado condimentados mas, antes, a pedir algum requinte. É de repetir, e esse é o melhor elogio que lhe podemos fazer.

Quanto ao Moscatel Galego, este em repetição, mostrou-se mais exuberante no aroma, com acidez mais marcada, aromas exóticos com alguma mineralidade, elegante na boca e final persistente. Sendo dois vinhos com perfis algo diferentes, ambos merecem atenção e nova prova. Por isso entram para a nossa lista de sugestões.

O que já constava nessa lista de sugestões era o rosé de Touriga Nacional, provado há cerca de um ano. Esta colheita de 2012 confirmou o perfil da colheita de 2011, onde já então eu comecei a desconfiar da boa aptidão da Touriga Nacional para fazer rosés, talvez até mais do que tintos: floral, suave, aberto, elegante e aromático, onde os traços típicos violetas da casta se expressam na plenitude, perdendo o carácter por vezes chato e cansativo que marcam muitos tintos. Pelo menos, dos rosés portugueses que tenho provado, o que estão no topo da minha lista são feitos de Touriga Nacional. Este foi apenas mais uma confirmação. É o típico rosé de Verão e esplanada, de cor salmão pouco carregada, leve e para beber descontraidamente, mas que não descura uma boa companhia de entradas ou pratos leves e frescos.

Quando a Quinta do Vallado se impõe no mercado essencialmente pela personalidade e pujança dos tintos, nós seguimo-la pela leveza e elegância dos brancos e rosés. Vale a pena experimentar este caminho diferente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado

Vinho: Vallado 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,79 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Moscatel Galego 2011 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2012 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,97 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de junho de 2014

No meu copo 390 - Conde de Vimioso Reserva 2003

Este vinho é um dos produtos que compõem o vasto portefólio de vinhos de João Portugal Ramos em diversas regiões do país, neste caso na sua produção ribatejana de Almeirim.

Tendo já uma respeitável idade, como alguns dos vinhos que temos apreciado ultimamente, existe sempre a dúvida sobre como evoluiu ao longo de 10 anos, tendo em conta que é a produção de topo da Falua.

Há algum tempo tivemos oportunidade de provar os brancos e tintos da gama de entrada, que se portaram muito bem, e agora subimos ao patamar superior.

Este Conde de Vimioso Reserva 2003 apresentou-se ainda bastante encorpado, com alguma pujança mas já amaciado pelo tempo e com taninos muito arredondados. A madeira onde estagia está disfarçada e apenas lhe confere alguma complexidade e estrutura, mas não marca o perfil do vinho.

Mostrou-se ainda carregado na cor, com algumas notas de frutos vermelhos a espreitarem lá no fundo do aroma que se liberta se o deixarmos respirar.

Um bom vinho, sem dúvida, mas o preço torna inevitável a comparação com outros da mesma gama, o que talvez torne a sua aquisição menos aliciante...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de junho de 2014

No meu copo 389 - Herdade da Comporta: branco 2012; tinto 2009

Já há algum tempo que andava a tentar arranjar uma oportunidade para provar os vinhos da Herdade da Comporta, situada no extremo sul da península de Tróia. Aproveitando uma promoção adquiri uma garrafa de branco e uma de tinto, que bebi em ocasiões diferentes.

Começando pelo branco, tendo em conta o perfil que é habitual nos brancos da Península de Setúbal, devo confessar que esperava mais. Apesar da proximidade do mar e das noites temperadas da região, este branco de 2012 não me satisfez particularmente. Sabe-se que o Arinto costuma ser uma casta que melhora os vinhos em que é usada, mas neste caso o Antão Vaz parece querer dar-lhe mais um perfil do Alentejo do que do Sado. Revelou-se pouco elegante, com aroma em que a fruta aparece algo escondida e mostrou pouca frescura na boca.

Quanto ao tinto de 2009, a decepção foi maior. Demasiado agressivo na boca, adstringência em excesso, álcool exagerado a tornar a prova desequilibrada, com a fruta ofuscada pelo teor alcoólico e pelo excesso de evidência da madeira. Embora já não seja propriamente um vinho novo, talvez precise de mais tempo em garrafa para que todo o conjunto evolua, se integre e mostre um conjunto mais equilibrado.

Enfim, é pena, mas não fiquei convencido com nenhum destes vinhos da Herdade da Comporta. Certamente o prestígio de que este nome já goza mereceria uma avaliação mais positiva... mas pode ser que haja uma segunda oportunidade que corra melhor. A julgar por estas primeiras impressões, não ficou grande vontade de repetir...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Herdade da Comporta - Actividades Agro-Silvícolas e Turísticas

Vinho: Herdade da Comporta 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade da Comporta 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 5

quarta-feira, 18 de junho de 2014

No meu copo 388 - Pinheiro da Cruz 2004

Já há alguns anos que não bebia este vinho, e esta garrafa já repousava há bastante tempo na garrafeira. Foi uma revelação há mais de uma década, quando ainda não tinha denominação de origem e era apenas uma produção quase local.

Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.

Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.

No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.

Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 14 de junho de 2014

No meu copo 387 - Periquita Reserva 2007

Continuamos no universo José Maria da Fonseca, com mais uma criação do enólogo Domingos Soares Franco. Desde que alargou o seu portefólio muito para além do Periquita – com o lançamento da versão em branco e em rosé, para além de novos produtos sob a chancela Domingos Soares Franco Colecção Privada ou do sublime Hexagon (provado em duas colheitas, 2000 e 2003) – uma das novas criações foi, para além do Periquita clássico, o lançamento dum Reserva, de perfil mais complexo.

Em 2010 adquirimos esta garrafa numa promoção da Revista de Vinhos e guardámo-lo até agora. Foi aberto com antecedência, não tendo sido decantado porque não pareceu estar tão fechado que o justificasse. No entanto, ao longo da refeição foi libertando aromas, tendencialmente a frutos vermelhos, violetas e compota, e tornando-se mais macio. O estágio de 8 meses em madeira confere-lhe alguma complexidade na prova de boca, mostrando-se medianamente encorpado e terminando com persistência média.

Esperava-se, talvez, um pouco mais deste Reserva, que no patamar em que se coloca encontra alguns concorrentes de peso que podem justificar a preferência dos consumidores. É um vinho agradável de beber, mas parece que lhe falta um “clic” para se guindar a outro nível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2007 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 10 de junho de 2014

No meu copo 386 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010


Estamos em presença de um rosé que causou alguma polémica quando surgiu no mercado, numa aposta ousada e arriscada de Domingos Soares Franco, por ser composto exclusivamente por uma casta que quase desapareceu e foi recuperada pelo enólogo, e cuja máxima expressão se revela em pleno no vinho generoso a que dá o nome. Tem feito sucesso no mercado e divide opiniões.

Pela minha parte, esta foi a segunda prova que fiz dele, e acho que não deve ser adorado nem detestado. Apresenta uma cor salmão desmaiada, quase a tender para o incolor, aroma marcado a flores, é leve, fresco e macio, primando pela elegância. No entanto, no final parece-me sempre que lhe falta algo mais, pois pode tornar-se um pouco incaracterístico, parecendo ser pouco... vinho...

Não é de desprezar e merece ser provado e conhecido, até pela originalidade da sua produção. Mas não é, de todo, excepcional, e pode tornar-se um pouco caro para o prazer que nos proporciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Moscatel Roxo
Preço em feira de vinhos: 10,38 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Na Wine O’Clock 17 - Esporão e Quinta dos Murças

Mais uma prova na Wine O’Clock, desta vez com vinhos produzidos pelo Esporão na Quinta dos Murças, no Douro, para além dos produzidos na Herdade propriamente dita, em Reguengos de Monsaraz.

Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.

Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.

Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.

Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.

O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.

Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.

Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 2 de junho de 2014

No meu copo 385 - Dão Borges, Touriga Nacional 2004

Voltamos a um vinho com o qual nos temos cruzado raramente, embora existam alguns exemplares em casa. A primeira prova efectiva tinha ocorrido há uns anos num belo repasto no restaurante Os Arcos, na companhia do tuguinho e do Politikos, com uma garrafa da colheita de 2005 a bater-se exemplarmente com uns excelentes bifes pimenta.

Recentemente abrimos uma garrafa da colheita de 2004 que repousava na garrafeira, para acompanhar uma carne requintada no forno, e voltou a portar-se exemplarmente. É um daqueles vinhos que conseguem conciliar o melhor de dois mundos: estrutura com taninos firmes e elegância!

Apresentou-se com uma cor rubi carregada com laivos violáceos, boa estrutura e volume de boca mas muito elegante, aroma profundo com algum floral marcado por violeta e frutos do silvestres, taninos bem firmes mas macios e com final longo mas suave, tudo muito equilibrado, sem qualquer sinais excessivos de madeira a sobrepor-se ao conjunto. Uma delícia, que se mostrou no ponto para beber, tendo passado com distinção a prova do tempo.

Excelente vinho, que por vezes, com alguma sorte, conseguimos comprar pelo preço mencionado mais abaixo, embora normalmente o preço de referência seja significativamente superior. Mas por este preço, é imperdível. Faz parte dos melhores entre as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8,5