quarta-feira, 30 de abril de 2014

No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (2ª parte)

Os brancos e os tintos das Caves São João


 

Concluída a primeira prova, foi só o tempo de reorganizar a mesa e entrar de novo na sala para a prova seguinte. Quase não houve repetentes entre uma e outra, mas eu consegui estar nas duas. Para esta segunda parte alinharam diversos exemplares de colheitas antigas de Frei João, Porta dos Cavaleiros e Caves São João Reserva ou Reserva Particular.

Começámos por um Porta dos Cavaleiros branco de 1979, que se apresentou quase melado, ainda com bastante frescura e acidez, elegante e cremoso na boca, a mostrar como alguns brancos também envelhecem nobremente. Aliás, já na zona de prova livre, onde estavam expostas diversas garrafas que não iam estar nestas provas, tinha tido oportunidade de provar outro Porta dos Cavaleiros branco, este de 1979, que estava extraordinário de elegância, macieza e profundidade aromática!

Seguiram-se dois brancos Frei João, 1990 e 1996, aquele redondo, macio, equilibrado, este este mais vivo e mineral, com final mais marcado pela acidez, mas ambos de excelente saúde.

Entraram depois na liça os tintos, começando por três colheitas do Porta dos Cavaleiros: 1980, 1985 e 1989, esta em garrafa magnum. O de 1980 mais suave, macio e equilibrado, mas com final mais curto; os restantes mais rústicos e pujantes, o de 1985 mais persistente e equilibrado, o de 1989 mais seco e potente.

Em seguida dois Frei João colheita de 1985 e 1990. Excelente estrutura na boca, grande persistência, elegantes e ao mesmo tempo robustos (mais o de 1985). Finalmente, duas garrafas magnum do Caves São João Reserva (1995) e Reserva Particular (1978). Este muito longo, seco, fino, elegante, aquele num estilo mais moderno, com mais estrutura e persistência, mas sem deixar também de apresentar-se suave e elegante.

Difícil, no meio de tantos vinhos de excelência, estar a distingui-los ou a apontar preferências por qualquer deles. Cada um diferente dos outros, o que valeu sobretudo foi a prova no seu conjunto, que permitiu apreciar estas autênticas preciosidades que as Caves São João agora começaram a disponibilizar no mercado, e que a Néctar das Avenidas já está a comercializar.

Faltava, depois, arranjar estômago e coragem para o jantar que se seguiria...

(continua...)

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 27 de abril de 2014

No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (1ª parte)

O Arinto e o Cabernet Sauvignon na Quinta do Poço do Lobo


 

Há algumas semanas, no dia 29 de Março, tive a grata oportunidade de participar numa longa jornada de provas e jantar de vinhos das Caves São João, organizada pela garrafeira Néctar das Avenidas no Hotel Real Palácio, em Lisboa. Para o jantar tive a companhia do Politikos, pois os restantes elementos dos “Comensais Dionisíacos” não se mostraram disponíveis para participar no evento. Nas provas anteriores estive em companhia de alguns enófilos já conhecidos de outros eventos. De realçar que as duas provas especiais eram pagas, o que também pode ter sido dissuasor de outras participações, sem prejuízo de haver uma zona de prova livre.

Presentes, como tem sido habitual nestes eventos, a relações públicas Célia Alves e nas provas o enólogo José Carvalheira.

As provas especiais foram divididas em duas partes: primeiro os brancos de Arinto e os tintos de Cabernet Sauvignon da Quinta do Poço do Lobo; depois os brancos e tintos clássicos das Caves São João. Em cada prova, 10 vinhos à disposição, sem contar com um ou outro extra que entretanto ainda foram apresentados pelo proprietário da Néctar das Avenidas, o sempre disponível João Quintela.

Começando pela prova de brancos de Arinto e tintos de Cabernet Sauvignon, não vamos referir exaustivamente todos os vinhos provados, pois seria fastidioso e despropositado. Nos brancos de Arinto provámos as colheitas de 1991 a 1995, com graduações alcoólicas a variar entre os 11,2% e os 12,3%, uma raridade nos tempos presentes. Mostraram uma saudável longevidade e todo o potencial do Arinto. O mais jovem, de 1995, foi o que mostrou aroma mais intenso, mais exuberante no nariz e com mais volume de boca, enquanto o de 1991 apresentou-se com uma cor quase âmbar, muito mais evoluído, mas ainda com muita acidez e frescura. O de 1992 foi talvez o mais suave e equilibrado, com todos os elementos mais em harmonia, enquanto o de 1994 foi o menos complexo e mais linear na boca.

Quanto aos tintos de Cabernet Sauvignon, houve 6 vinhos em prova (graduações alcoólicas entre os 12% e os 13,6%) e opiniões muito diversas; alguns vinhos que a princípio pareciam estar mortos ou com aromas pouco saudáveis, mas que ficando no copo acabaram por ser enormes revelações. Foi o caso do 1991, que começou por mostrar um aroma desagradável a estrebaria, mas esperando no copo foi limpando o aroma e acabou por se revelar com vivacidade e suavidade na boca. O de 1992 apresentou-se demasiado vegetal, com o célebre aroma a pimentos verdes demasiado evidente, tal como o de 1994. O de 1993 mostrou-se mais equilibrada em todas as componentes, o de 1995 mais complexo, longo e estruturado, o mais gastronómico de todos. Para finalizar, ainda veio uma garrafa magnum do Poço do Lobo 1990, muito equilibrado, longo e bem estruturado. No conjunto, belos exemplares de duas excelentes castas, em branco e em tinto, e no caso do Cabernet Sauvignon tivemos a prova provada do seu grande potencial de evolução e longevidade, sendo com o envelhecimento que melhor se pode apreciar as suas qualidades, pois perde o carácter demasiado verde e vegetal que, quando não é bem trabalhada, marca alguns dos vinhos quando em novos.

Assim se fechou o primeiro capítulo...

(continua...)

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 22 de abril de 2014

No meu copo 378 - Prova Régia Premium, Arinto 2012

Há uns anos a Companhia das Quintas resolveu lançar uma nova versão do seu clássico Prova Régia, um dos brancos mais mencionados neste blog e que mais vezes me passa pela mesa, a par do Bucellas Caves Velhas. Enquanto este tem mantido um perfil mais uniforme ao longo dos anos, o Prova Régia teve oscilações, com alguns anos a apresentar altos e baixos, e algumas colheitas menos bem conseguidas. Até que surgiu da Quinta da Romeira, talvez para elevar um pouco a fasquia, um novo Prova Régia, a que foi acrescentado o sobrenome Premium e um rótulo mais estilizado. Em média, apenas um euro mais caro que a versão normal. Difícil, contudo, de encontrar à venda.

Nesta época em que agora as grandes superfícies se habituaram a fazer uma espécie de 2ª feira de vinhos no inverno, a que juntam queijos e enchidos, este Premium apareceu em promoção no Pingo Doce... mas só nalgumas lojas... Foi o tuguinho (que apesar de não escrever, ainda lá vai comprando uns vinhos para o pessoal quando é preciso) que descobriu umas garrafas algures para os lados de Oeiras, e tratou de abastecer-se a si próprio, a mim e ao Politikos.

Como não o tinha provado muitas vezes, não resisti à tentação e abri-o poucos dias depois de o ter em casa, a acompanhar um arroz de tamboril com delícias do mar. E surpreendeu-me muito pela positiva! Acidez vibrante, quase crocante, um ligeiro floral no nariz e um certo travo limonado conjugado com grande frescura na boca e no final marcado por um toque citrino. Confesso que não estava à espera de gostar tanto, e pelo preço (mesmo sem promoção, fica abaixo dos 4 €) vale bem o euro adicional em relação à versão normal. Merece entrar nas nossas escolhas.

Difícil, mesmo, é encontra-lo. Tirando o supermercado do El Corte Inglés, quase não se vê à venda...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Prova Régia Premium, Arinto 2012 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 19 de abril de 2014

WinerShop - Nova garrafeira online


Foi criada recentemente e já teve honras de menção da Revista de Vinhos. A nova garrafeira WinerShop, gerida por Carla Abranches, aposta nas vendas online num segmento médio-alto, dando uma particular atenção ao Vinho do Porto e ao Madeira, sem descurar os destilados, azeites e alguns produtos gourmet, bem como acessórios para o vinho.

O site, à primeira vista, é atraente e cativante para o visitante (e sabe-se como as primeiras impressões são importantes, e no caso da Internet por vezes decisivas para se voltar lá ou não...), está bem estruturado e convida-nos a explorar as diversas opções. Agora é esperar que a oferta seja suficientemente apelativa para que o negócio floresça.

Podem encontrar o link para a WinerShop na secção “Outras tascas”, aqui à direita, entre o Winebar do Castelo e a Wines 9297, outra abertura relativamente recente e que está a implantar-se rapidamente junto dos enófilos.

Que tenham sucesso são os nossos votos.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

quarta-feira, 16 de abril de 2014

No meu copo, na minha mesa 377 - Vinha do Putto 2009; Restaurante Salsa & Coentros (Lisboa)

Há alguns anos, a convite dum familiar, conheci este restaurante, situado no bairro de Alvalade e quase em frente do Regimento de Sapadores Bombeiros da Avenida Rio de Janeiro, e não voltei a entrar lá desde então. Por circunstâncias diversas, agora passo várias noites por semana mesmo na esquina do restaurante no canto da rua. De tanto olhar para lá, e vê-lo sempre praticamente cheio, fui aguçando o apetite para lá voltar. Aproveitei uma ocasião de efeméride para ir lá fazer um jantar comemorativo em casal.

O ponto de partida deste restaurante, fundado por dois jovens cozinheiros provenientes de outros locais, é a comida alentejana. A carta é bem recheada no que respeita aos pratos típicos da vasta região: desde as entradas às sobremesas, passando pelas sopas e pelos pratos de caça, está lá um pouco de tudo o que caracteriza a cozinha alentejana.

Sendo eu um indefectível apreciador dos pratos de caça, a minha primeira escolha pendeu logo para o arroz de perdiz ou o arroz de lebre. Tratando-se de escolher dois pratos, e como não se esperava uma refeição muito volumosa, optámos por partilhar dois pratos: uma sopa de cação para entrada e um arroz de perdiz como prato principal. Ambos excelentes, muito bem apaladados. É difícil dizer qual dos dois estava melhor, porque não consigo encontrar defeitos em nenhum. O arroz de perdiz, claro, é uma das minhas paixões e estava malandrinho, cozido no ponto, perfeito.

Para terminar, outro doce incontornável entre a vasta oferta: uma encharcada de Mourão, com todos os requisitos.

Como a minha consorte não é grande consumidora, quando chegou à parte da escolha do vinho deparei-me com o problema habitual nestas circunstâncias: que vinho escolher e em que formato. À partida a opção iria recair sobre meia-garrafa, e havia diversas opções agradáveis. No entanto, vistos os preços e deparando-me com um vinho da casa praticamente ao mesmo preço das meias garrafas (variavam entre os 7 e 8 €), e sendo uma garrafa de 7,5 dl, acabei por escolhê-lo, sabendo que o que sobrasse na garrafa seria levado para casa. Tratava-se dum vinho de Carlos Campolargo, chamado Vinha do Putto e com o qual só me tinha cruzado há uns anos num winebar, na altura numa garrafa de branco.

Fiquei satisfeito com a escolha. Não sendo extraordinário, o vinho está bem concebido, é frutado com um toque inicial a amoras, bem estruturado e com alguma robustez, com final persistente mas arredondado. Não muito marcado pela madeira e sem que os seus 14% de álcool se sobreponham ao equilíbrio do conjunto. Não deslustra e tem um toque de modernidade que pode torná-lo apelativo para os mais resistentes aos tintos bairradinos.

Para os apreciadores da boa comida, de bom serviço e simpatia e, em particular, de comida alentejana, este Salsa & Coentros é um local que se recomenda e que merece ter sucesso. Uma equipa jovem, rápida, eficiente, atenciosa mas sem exageros nem demasiados salamaleques nem complicações faz um restaurante de ambiente descontraído onde o cliente se sente à vontade e é bem servido sem estar sempre a ser vigiado.

Em família ou em grupo, hei-de voltar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha do Putto 2009 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 14%
Castas: não indicadas; conforme os anos, todas ou algumas das seguintes: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Syrah e Merlot (indicação no site do produtor)
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Salsa & Coentros
Rua Coronel Marques Leitão, 12
1700-125 Lisboa
Tel: 21.841.09.90
Preço médio por refeição: 25-30 €
Nota (0 a 5): 4,5

sábado, 12 de abril de 2014

No meu copo 376 - Paulo da Silva Colecção Privada 1990

Uma segunda visita à Wines 9297, para adquirir mais umas garrafas do Casal da Azenha 2010, que tanto agradou, deu-me a possibilidade de encontrar à venda um vinho do mesmo produtor que há cerca de 20 anos se tornou quase mítico nas nossas surtidas a alguns restaurantes: o Paulo da Silva Colecção Privada, que pudemos degustar com frequência durante a década de 90, até deixar de se ver os vinhos de Colares tanto nos restaurantes como nas prateleiras.

Aproveitando a ocasião, trouxe duas garrafas deste outro exemplar de outra época, tratando desde logo de abrir uma delas. E deve dizer-se que o vinho não desiludiu minimamente. Apresentou uma cor rubi carregada, sem sinais de demasiada evolução nem na cor nem no aroma, que se mostrou ainda com alguma frescura, com bouquet profundo e aromas terciários a libertarem-se após algum tempo no copo. Na boca apresentou alguma delicadeza, com estrutura média e alguma persistência.

Sem dar mostras de declínio, pareceu estar para durar, pelo que pode ser uma aposta para aguentar mais uns anos na garrafa. E como recentemente têm estado a aparecer algumas garrafeiras a apostar em vinhos velhos, talvez venhamos ainda a repetir com outras colheitas. Ainda há poucos dias descobri na garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, um verdadeiro maná de vinhos antigos a preços irresistíveis...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Paulo da Silva Colecção Privada 1990 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: João de Santarém, Tinta Miúda, Periquita
Preço: 5,90 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: O contra-rótulo menciona na composição as castas acima indicadas, sendo que actualmente se considera que a Periquita era a antiga designação da casta Castelão e João de Santarém era a mesma designação nas regiões de Ribatejo e Estremadura. Apesar desta incongruência, mantivemos a menção às designações indicadas na garrafa.

terça-feira, 8 de abril de 2014

No meu copo 375 - Casal da Azenha 2010

A região demarcada de Colares tem sido teimosamente resistente ao desaparecimento, um pouco à semelhança da micro-região do generoso de Carcavelos.

Em tempos idos, algumas décadas atrás, teve a sua época de notoriedade, mas a pouco e pouco estes vinhos produzidos paredes meias com a serra de Sintra foram-se tornando cada vez mais raros nas prateleiras. Praticamente dois nomes mantiveram a região afastada do completo esquecimento: a Adega Regional de Colares e António Bernardino Paulo da Silva, um produtor sediado em Azenhas do Mar. Nos últimos anos outros produtores (re)descobriram a região e começaram a apostar na produção de vinho no célebre chão de areia. Destacam-se a Fundação Oriente e o Casal de Santa Maria.

Na época em que se encontrava vinho de Colares à venda no comércio ou nos restaurantes, os vinhos da marca Paulo da Silva passaram pelas nossas mesas em variadíssimas ocasiões. Recentemente, na minha primeira visita à garrafeira Wines 9297, para provar o Quinta do Corujão, por entre conversas diversas e dispersas fiquei a saber que o próprio Paulo da Silva tinha por lá passado e deixou umas garrafas deste Casal da Azenha de 2010. Um vinho recente mas com um rótulo ainda a lembrar tempos antigos.

O preço era apelativo, e a garrafa também. Como não sabia se aquela era exemplar único, resolvi trazê-la e não me arrependi. Num jantar de bifes, apetecia-me abrir qualquer coisa para acompanhar a carne e a curiosidade de experimentar esta quase raridade fez com que a escolha recaísse precisamente neste exemplar de Colares. Sabe-se que os vinhos de Colares costumavam primar por alguma aspereza em novos, mas que depois de amaciados se tornavam extremamente elegantes. Era essa a memória que tínhamos dos antigos vinhos de Paulo da Silva, e confirmou-se. O vinho apresentou-se muito macio na boca, elegante e suave, com um aroma profundo e exuberante. Final de persistência média a mostrar taninos macios.

Acaba por ser um vinho que de alguma forma surpreende, dado que não sabemos muito bem o que esperar dele. Já há bastantes anos que não provava um tinto de Colares, sendo que o último não o fora nas melhores condições, pelo que não tinha sido uma boa aferição para os vinhos da região. Este reencontro agradou-me bastante, e já tratei de pedir a reserva de mais garrafas do mesmo.

Dos vinhos de Colares que se pode dizer o mesmo que temos vindo a repetir acerca do Dão e da Bairrada: ainda bem que continua a haver quem faça estes vinhos diferentes, clássicos, fora de moda, para podermos beber vinhos com personalidade, estrutura, persistência e aroma, e não apenas os maçadores, monótonos e já quase insuportáveis “vinhos da moda”.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casal da Azenha 2010 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 4 de abril de 2014

No meu copo 374 - Marquês de Marialva Reserva 2006

Segundo dados oficiais, a Adega Cooperativa de Cantanhede, fundada em 1954, é o maior produtor de vinho da Bairrada, com uma produção que representará 30 a 40% da produção global da região.

Os seus vinhos tintos com denominação DOC Bairrada, baseados na casta Baga, apresentam um perfil clássico e assentam em duas marcas de referência, o Conde de Cantanhede e o Marquês de Marialva. Posicionam-se habitualmente entre as gamas média e baixa de preços, conseguindo-se por valores bastantes acessíveis vinhos ainda assim agradáveis e fáceis de beber, mesmo para aqueles consumidores mais receosos em relação à adstringência da Baga.

Os exemplares que já aqui tivemos oportunidade de aqui descrever (ver a etiqueta AC Cantanhede na secção Contra-rótulos) confirmam esta tendência. Neste caso tratou-se dum exemplar adquirido em 2009, e que passados estes anos apresentou-se de perfeita saúde, amaciado pelo tempo mas com boa estrutura e aroma frutado ainda jovem, persistência média, cor rubi aberta e sem sinal de declínio.

Pelo preço que custa, é uma boa compra e um vinho que não deslustra dentro do padrão mais tradicional da região. É um dos que mantemos normalmente nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Reserva 2006 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga (90%)
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 8