segunda-feira, 31 de março de 2014

No meu copo 373 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002

Depois dumas ensaboadelas dos chatíssimos, maçadores e monocórdicos “vinhos da moda”, de vez em quando sabe bem sair da modernidade e retomar os clássicos que repousam na garrafeira.

É o caso deste, uma referência incontornável nas nossas escolhas há muitos anos. Uma vez por ano, ou até mais espaçadamente, lá vamos abrindo uma ou duas garrafas para ver como ele está. Sabendo o risco que podemos correr em mantê-los tanto tempo guardados, a verdade é que na maior parte dos casos a espera compensa. E esta compensou, e de que maneira...

Desta vez houve o cuidado de decantar o vinho com cerca de uma hora de antecedência, colocá-lo na rua para arrefecer pois a temperatura interior estava algo elevada, e esperar pela hora de servir. Um dos aspectos que desde logo se notou foi a total ausência de qualquer depósito no fundo da garrafa, pelo que o vinho apresentou uma total limpidez após a decantação da totalidade do conteúdo.

Na cor, mostrou uma tonalidade granada não muito carregada, brilhante mas sem demasiados laivos de evolução, tão característicos pelo acastanhado que aparece na orla do vinho. Nada disso, nenhum sinal de envelhecimento precoce. O que cheirámos e provámos foi um vinho pleno de saúde, com um aroma tranquilo e profundo, um bouquet que se libertava lentamente, uma estrutura firme na boca mas com grande equilíbrio e macieza. Poderia estar ali para durar mais uns anos, mas mostrou estar num ponto óptimo de consumo.

Mais uma vez muito bem, não nos desiludiu e mostrou compensar a espera e as expectativas que nele sempre depositamos. Um clássico que vale sempre a pena revisitar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 € (adquirido em 2009 - este preço já não corresponde aos valores actuais)
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 27 de março de 2014

No meu copo 372 - Cortes de Cima 2008; Aragonês 2005; Syrah 2008



Tendo em stock alguns vinhos deste produtor sediado na Vidigueira, escolhi uma ocasião em que fosse possível fazer uma prova comparada de várias garrafas. Estes estavam guardados há alguns anos, portanto com tempo para repousar e evoluir o suficiente para mostrar o que podem valer. De fora ficou um Homenagem a Hans Chrisitian Andersen 2007, para ocasião futura.

Em 2012 estive numa prova das Cortes de Cima na Delidelux, com 5 tintos e um branco, que no conjunto se mostrou um pouco decepcionante para aquilo que se esperava. É que este é, juntamente com o produtor referido no post anterior (Herdade da Malhadinha Nova), um dos produtores conceituados entre os mais modernos do Alentejo, sendo inclusive alvo de grandes encómios na imprensa especializada. A verdade é que, tal como aconteceu com a prova do Monte da Peceguina (e como já tinha acontecido noutra prova deste produtor também na Delidelux), começa a instalar-se em mim a sensação de que existem alguns produtores que caíram em graça, granjearam fama à sombra da qual cimentaram o nome, mas cujos produtos não o justificam. Começo a ter esta sensação também com as Cortes de Cima, depois de ter provado estes três vinhos, tendo confirmado esta mesma impressão numa recente prova na Wine O’Clock.

Não é minha intenção desmerecer o trabalho dos produtores e enólogos (quem sou eu, um amador, para o fazer?), mas enquanto consumidor que paga aquilo que prova, tenho direito à minha opinião que vai influenciar a minha decisão de compra...

Sobre estes três tintos há que dizer alguma coisa... O Cortes de Cima 2008, o standard da casa, digamos assim, pareceu um vinho normal. Equilibrado, medianamente estruturado e frutado, apresentou um fim de boca curto, aroma discreto e sem grande persistência.

Na posterior prova na Wine O’Clock, com a colheita de 2010, a sensação colhida foi a mesma. Tendo em conta que o preço de venda apresentado, 10,95 € (em feiras de vinhos consegue-se baixar 1 ou 2 euros), o pensamento que ocorre é algo como isto: por este preço, prefiro comprar um Casa de Santar Reserva, um Duas Quintas, um Vinha Grande, um Vila Santa ou um Casa Cadaval...

Seguiu-se a prova do Aragonês 2005. Este sim, mostrou um carácter alentejano, com boa estrutura e persistência, aroma exuberante e profundo, com predominância de frutos vermelhos e notas de especiarias. Na boca apresenta outra complexidade, com a fruta bem integrada numa estrutura de taninos firmes mas suaves. Envelhecido 7 meses em barricas de carvalho americano. Adquirido em 2010 a 9,98 €, o preço de referência apresentado na prova na Wine O’Clock para a colheita de 2011 vai para os 16,95 €! Aí já dá que pensar, porque estamos no patamar do Esporão Reserva... O mesmo se passa, aliás, com o Trincadeira 2011, também apresentado na mesma prova e com o mesmo preço. São os dois varietais que mais apresentam um carácter de Alentejo, embora me pareçam claramente inflacionados.

Finalmente, passámos ao Syrah 2008, também provado na Wine O’Clock com a colheita de 2011. E novamente a sensação repetiu-se nas duas ocasiões. Ao contrário dos grandes encómios do enólogo da casa, e ao contrário de alguns especialistas que apregoam o grande sucesso desta casta no Alentejo, este vinho pareceu-me, agora como antes na prova da Delidelux, linear, sem acidez, com pouca estrutura, chato... Poderia mesmo chamar-lhe uma verdadeira xaropada. E pelo preço que custa agora (o valor apresentado foi de 13,95 €), seguramente não voltarei a levá-lo para casa. Definitivamente, não é a referência para o Syrah em Portugal, apesar do grande sucesso do Incógnito que pôs o nome da casa nas bocas do mundo com base nesta casta. Mas essa será a excepção. Quando comparo este Syrah com o da Quinta do Monte d’Oiro, qualquer semelhança é mera coincidência.

Na Wine O’Clock pudemos ainda provar um Petit Verdot e um Homenagem a Hans Christian Andersen, também já provados na Delidelux, sendo o Petit Verdot o único verdadeiramente surpreendente e que promete um grande futuro em garrafa. Mas a 32,50 €, dificilmente entrarão na lista de compras, porque aqui estamos a falar de vinhos mais caros que o Quinta da Leda e o Duas Quintas Reserva...

Em resumo, o mercado manda, decide, e em função disso os produtores fazem os preços a que conseguem vender os seus vinhos. Mas há vinhos de certos produtores que me fazem lembrar aquela anedota que falava num restaurante de 2ª, com preços de 1ª e serviço de 3ª... É o que me parecem alguns dos novos produtores famosos do Alentejo...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima

Vinho: Cortes de Cima 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 8,94 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Cortes de Cima, Aragonês 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cortes de Cima, Syrah 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 10,61 €
Nota (0 a 10): 5

domingo, 23 de março de 2014

No meu copo 371 - Monte da Peceguina 2010

Os poucos encontros que tive até à data com os vinhos desta casa não me deixaram particularmente encantado. A Herdade da Malhadinha Nova tem vindo a afirmar-se no panorama dos novos vinhos alentejanos, com uma forte componente de enoturismo (que chega ao requinte de incluir um SPA) a ajudar a alavancar o nome da casa.

Este Monte da Peceguina 2010, à semelhança de uma prova de outra colheita do mesmo vinho, mostrou o mesmo perfil de moderno frutado, mas continua a não me mostrar nada de particularmente novo ou aliciante. Aliás, já quando estive numa prova na Delidelux também fiquei com a sensação que as pretensões e os elevados preços praticados na casa não têm correspondência naquilo que se pode beber. Na sua maioria são vinhos de preços proibitivos que não justificam aquilo que custam.

Claro que este vinho é bom, é bem feito, segue todos os cânones da modernidade. Tem o tal perfil adequado para agradar aos fanáticos dos “vinhos da moda”. É fácil de beber, tem fruta para dar e vender e por isso salta imediatamente ao nariz quando o aproximamos do copo. Mas continuo a não lhe descobrir os encantos que se apregoam, nem aos outros vinhos da casa. Se calhar sou eu que ainda não os compreendi...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte da Peceguina 2010 (T)
Região: Alentejo (Albernoa - Beja)
Produtor: Herdade da Malhadinha Nova
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 9,5 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 19 de março de 2014

No Chafariz do Vinho - Prova de vinhos da Real Companhia Velha





Na passada semana tive a feliz oportunidade de receber um convite para estar presente no Chafariz do Vinho - Enoteca, propriedade de João Paulo Martins de que já aqui falámos algumas vezes, para uma prova alargada de vinhos da Real Companhia Velha, na qual esteve disponível um portefólio alargado composto por cerca de 30 vinhos, entre brancos, tintos, um rosé, um espumante e vinhos do Porto.

Entre enófilos, jornalistas e outros profissionais, enquanto se provava, conversava e se complementava a prova com alguns acepipes que estavam à disposição nas mesas, pude ir trocando impressões sobre os vinhos da empresa com dois dos representantes da casa: o director de enologia Jorge Moreira, cujo nome saltou para a ribalta pela sua produção em nome pessoal do famoso Poeira, e Pedro Silva Reis, director de marketing e filho do presidente da administração com o mesmo nome.

Correndo o risco de ter mais olhos que barriga, fui percorrendo os diversos brancos, a começar pelo espumante Séries, um lote de Pinot Noir e Chardonnay que não marcou muitos pontos entre os presentes, seguindo pelo branco Séries Arinto. Esta gama, como foi explicado, pretende funcionar como experiência para possíveis entradas de novas marcas na gama Quinta de Cidrô. Gostei do Arinto, mas parece que os homens fortes da casa não ficaram convencidos com ele... Depois passei pelos mais tradicionais e das gamas mais baixas, neste caso o Evel e o Porca de Murça Reserva, duas marcas com longa história na casa. O Evel fazendo jus à origem do seu nome (Leve escrito ao contrário), o Porca de Murça com alguma falta de aroma.

Seguiu-se então o périplo pelos monocasta da extensa gama da Quinta de Cidrô, até terminar no topo da casa, a mais recente marca produzida na Quinta de Carvalhas e chamado simplesmente Carvalhas. E começando já pelo fim, há que dizer que estamos perante um branco fantástico, de aromas finos e elegantes e simultaneamente estruturado, persistente, gastronómico, com muito ligeira tosta da madeira que lhe dá uma envolvência suave envolvência do conjunto. Claramente um branco de topo!

Percorrendo a gama Quinta de Cidrô, quase totalmente baseada em castas estrangeiras (a excepção é o Alvarinho), temos diversos perfis para diversos gostos, embora as diferenças, curiosamente, não sejam tão acentuadas como se poderia pensar. O que foge mais claramente ao perfil tendencialmente aromático, frutado, suave e pontuado por uma acidez vibrante da generalidade destes brancos é, precisamente, o Chardonnay. Sobre este vinho em particular tive uma troca de impressões mais demorada com os representantes da casa, devido à curiosidade que me movia após as longínquas impressões anteriores. Por um desses acasos em que a vida é fértil e que nos aparecem quando menos esperamos, no dia seguinte a esta prova pude degustar calmamente este vinho à refeição, e as poucas impressões colhidas na prova foram então “tiradas a limpo”, digamos assim, e confirmaram que está diferente do que era, embora continue a ser o vinho mais estruturado dentro da gama Quinta de Cidrô. Os restantes, são genericamente mais leves, aromáticos, frescos, recaindo a minha preferência no Alvarinho e no Sauvignon Blanc. Achei curioso o Sémillon, que precisa de uma prova mais demorada, enquanto o Gerwurztraminer me pareceu algo discreto de aromas.

Passei rapidamente pelo rosé, que já conhecia de outra ocasião e confirmou o que dele esperava, e passei ao piso de cima para provar os tintos, porque a tarde já ia longa e já muito se tinha provado, mas muito mais havia para provar.

De novo com a colecção da Quinta de Cidrô em destaque, uma referência particular para a suavidade do Pinot Noir e a estrutura do Cabernet Sauvignon. Interessante o Séries Rufete, expectáveis e sem surpresa os Evel e Porca de Murça, mas as estrelas foram sem dúvida as quatro novidades: o Evel Centenário, o Quinta dos Aciprestes Grande Reserva (o único representante desta marca presente) e, principalmente, o monocasta Carvalhas Tinta Francisca e o extraordinário Carvalhas Vinhas Velhas, para mim o vinho da noite. E foi o vinho da noite porque, após uma pequena passagem pelo colheita tardia Grandjó, retirei-me das lides: era altura de debandar e já não havia capacidade para fazer a prova dos Portos, pelo que deixei essa tarefa com os resistentes que conseguiram percorrer todo o portefólio...

Em jeito de balanço, pode dizer-se que a Real Companhia Velha está nova, de boa saúde e recomenda-se. Depois de muitos anos em que praticamente se limitava a comercializar vinhos do Porto mais o Evel, o Porca de Murça e o Grandjó, o aparecimento das marcas Quinta dos Aciprestes, Quinte de Cidrô e agora o lançamento do topo de gama Carvalhas vieram trazer um novo fôlego aos vinhos de mesa da casa, com mais notoriedade na gama de marcas que ocupam as prateleiras das superfícies comerciais e com uma vasta escolha à disposição do consumidor.

Parabéns aos administradores e enólogos da Real Companhia Velha pela imagem renovada da velha casa. Ficam também os agradecimentos à consultora em comunicação, e profissional de relações públicas, Joana Pratas, que tem tido a amabilidade de nos dirigir alguns convites que possibilitaram que estivéssemos presentes nalguns eventos para recordar.

Agora só nos resta ir provando o que for possível...

Kroniketas, enófilo esclarecido

sábado, 15 de março de 2014

No meu copo 370 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012

Longe vão os tempos em que quase detestei este vinho. Na altura pelo que considerei boas razões, todas elas ainda válidas nas apreciações que faço dos brancos, tanto os baseados na casta Chardonnay como os fermentados em madeira...

Entretanto os tempos mudaram. Mudaram os vinhos brancos, mudou a minha matriz de apreciação após muitos tipos de brancos provados, mudaram as práticas vitícolas e enológicas. 7 anos depois e 8 colheitas depois, uma visita a um amigo permitiu-me voltar a encontrar-me com este Chardonnay da Quinta de Cidrô e, ao contrário dos meus maiores receios, fiquei bastante agradado com este vinho da colheita de 2012. Continua a ter os mesmos 14% de álcool, fermenta em madeira e repousa 6 meses sobre borras. Mas desta vez encontrei um vinho fresco, estruturado e persistente mas vivo e com boa acidez.

Sem resquícios das notas amanteigadas que tornam estes vinhos tão enjoativos (e que, vá lá saber-se porquê, alguns até parecem elogiar quando explicam como é o vinho...), não sendo um vinho fácil e mantendo um perfil com alguma robustez, já se consegue ter à mesa sem precisar de pratos pesados. Precisa, sim, de pratos com alguma estrutura e bem temperados, mas não excessivamente. A sua estrutura parece conferir-lhe uma boa capacidade de envelhecimento, e talvez daqui a uns anos se torne num vinho mais macio e suave.

Foi um reencontro feliz. Pelos vistos, mudou o vinho e mudei eu a forma de apreciá-lo. Gostei, e voltarei à carga.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço hipermercado: 7,69 €
Nota (0 a 10): 8,5


Nota: por uma feliz coincidência, a prova desta garrafa ocorreu no dia imediatamente a seguir a uma prova alargada de vinhos da Real Companhia Velha, realizada no Chafariz do Vinho, durante a qual tive oportunidade de conversar com Pedro Silva Reis (filho do administrador) e Jorge Moreira (enólogo) sobre as minhas muito antigas reservas acerca das impressões colhidas acerca deste vinho. Dessa prova, que contemplou cerca de 30 vinhos, falarei brevemente.

terça-feira, 11 de março de 2014

No meu copo 369 - Deu La Deu, Alvarinho 2012; Soalheiro, Alvarinho 2012

Temos aqui dois Alvarinhos de créditos firmados. Um com um excelente posicionamento no mercado em termos de relação qualidade/preço e uma aposta segura: o Deu La Deu é certamente uma das melhores compras dentro dos Alvarinhos por pouco dinheiro. Límpido e brilhante e de cor citrina, mantém a frescura habitual, aroma frutado onde se destacam alguns frutos tropicais e nuances florais. Continua em muito boa forma e não desilude.

Quanto ao Soalheiro, um dos nomes em ascensão nos anos mais recentes, já se cotou como uma das melhores marcas entre os verdes brancos de Alvarinho. Foi a segunda prova de Soalheiro em menos de um ano, depois da prova da colheita de 2011, e confirmou o que se esperava: elegante, fresco e vibrante na boca, exuberante no nariz, com grande vivacidade, é mais uma marca a repetir uma e outra vez.

Na gama mais acima, a aproximar-se dos 10 €, é também uma excelente aposta. Está de parabéns o produtor e enólogo Luís Cerdeira, que sem fazer ondas vai-se firmando no mercado e tornando os seus vinhos uma referência obrigatória na região. Para continuar a seguir com atenção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Deu La Deu, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Adega Cooperativa Regional de Monção
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 7 de março de 2014

No meu copo 368 - Espumantes brutos: Casa Ermelinda Freitas; Danúbio

Uma ocasião festiva proporcionou a abertura de alguns vinhos com borbulhas, desta vez em dose moderada. Tentei encontrar dois espumantes na gama média, tendo a escolha recaído num dos novos, da Casa Ermelinda Freitas, e outro já consagrado, das Caves Aliança.

O espumante bruto da Casa Ermelinda Freitas é produzido com base na casta Fernão Pires, que fornece alguma estrutura e elegância, complementado por um toque de Arinto, que acrescenta a acidez e frescura. Na boca é macio e elegante, de persistência média, aroma citrino algo discreto.

O Danúbio, uma marca clássica da Aliança, produzido na Bairrada, apresenta-se um pouco mais estruturado e mais longo, com aroma mais intenso. Na prova de boca é também um pouco mais vibrante, fazendo um conjunto um pouco mais vivo e apelativo. As castas utilizadas não são mencionadas, pelo que não sabemos se é apenas um “blanc de blancs” ou se também tem incorporada alguma casta tinta, como a Baga, prática habitual na região... Mas poderíamos supor que sim...

Em suma, por preços não exagerados, temos aqui dois espumantes que serem excepcionais conseguem cumprir o seu papel sem dificuldade e fazer uma prova agradável. E no caso vertente, o mais barato saiu-se melhor...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Espumante Bruto (B) - sem data de colheita
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Fernão Pires, Arinto
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Danúbio, Espumante Bruto (B) - sem data de colheita
Região: Bairrada
Produtor: Aliança - Vinhos de Portugal
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 4,19 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de março de 2014

No meu copo 367 - Quinta do Corujão 2011

Proveniente do trio de enólogos autodenominado como M.O.B. (Jorge Moreira, Francisco Olazabal e Jorge Serôdio Borges), que lançou um vinho do Douro com o mesmo nome, surgiu mais recentemente outra novidade do Dão, o Quinta do Corujão. Este vinho foi objecto duma prova na garrafeira Wines 9297, onde não tive oportunidade de estar presente, mas já depois disso passei na garrafeira e pude provar o vinho, que me agradou.

Posteriormente, acabei por adquirir uma garrafa no Pingo Doce e abri-a no próprio dia, coisa que raramente faço. Mas o jantar pedia algo a acompanhar, e a curiosidade de experimentar o vinho com mais tempo e mais calma levou-me a prová-lo ao jantar.

Produzido na zona de Gouveia, perto da encosta da Serra da Estrela, com as castas tintas mais emblemáticas do Dão, fez-me lembrar os tintos da região à moda antiga, de há 10 ou 20 anos. Apresenta uma cor rubi aberta, aroma profundo e delicado, suave e elegante na boca, taninos redondos e macios, um vinho marcado por alguma finesse, sem nada que se assemelhe a outras tendências.

Sendo um vinho de gama média, o preço é excelente para a qualidade que apresenta, o que o torna um produto de compra apetecível, para além de bom companheiro da mesa.

Com toda a certeza, irei repetir. Fiquei fã, de tal forma que já adquiri outra garrafa. É um vinho com lugar adquirido nas nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Corujão 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Moreira, Olazabal e Borges
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 8