sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Na GN Cellar 5 - Álvaro Castro


De novo na GN Cellar, não pudemos perder a oportunidade de participar na prova de vinhos de Álvaro Castro, um dos nomes incontornáveis do Dão nos tempos que correm.

Foi apresentado um conjunto notável de vinhos brancos e tintos, difícil de classificar e distinguir, dada a variedade de estilos:

- Quinta de Saes Reserva branco, sem madeira
- Quinta de Saes Encruzado branco, com madeira
- Quinta de Saes Estágio Prolongado
- Pape
- Quinta da Pellada Jaen
- Quinta da Pellada TouNot
- Quinta da Pellada 2011 (ainda não disponível)
- Carrocel

O que dizer destes vinhos? Todos bons, todos diferentes. Surpreendente o Quinta de Saes Reserva branco, sem madeira ao contrário do Encruzado, mas com uma estrutura e complexidade que pareciam indicar o contrário. Pessoalmente achei-o mais equilibrado e atractivo que o Encruzado, um pouco mais linear.

Muito elegante o Quinta de Saes Estágio Prolongado, um verdadeiro Dão clássico com uma excelente relação qualidade/preço (cerca de 8 €). Depois entramos na gama alta, onde todos os vinhos são excelentes e caros. Cheio de vigor o Pape, interessantes as experiências com o Jaen e o TouNot, um lote de Touriga Nacional e Pinot Noir. Superlativo o Carrocel, hoje por hoje certamente um dos melhores tintos do Dão.

Perante tão elevada qualidade da generalidade dos vinhos provados, difícil é tecer longos considerandos. Uma certeza fica para todos os que tiveram a possibilidade de estar nesta prova: todas as marcas sob a chancela de Álvaro Castro são sinónimo de elevada qualidade. Numa época em que se discute em vários fora (nomeadamente nas redes sociais) a visibilidade e o reconhecimento da qualidade dos vinhos do Dão e a sua tradução em prémios ou colocação no topo dos rankings publicados, este exemplo comprova que mais importante que isso é conhecer os vinhos e tirar daí as respectivas conclusões. Quanto ao resto... é apenas uma questão de querer ou poder pagar por eles.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Na GN Cellar 4 - Vinhos Druida e Outrora


Embora nem sempre se consiga ter os relatos das provas actualizados, a verdade é que eles vão acontecendo. A um ritmo que não é possível acompanhar, sempre vamos conseguindo, aqui e ali, aparecer numa ou noutra prova para conhecer novidades ou provar vinhos de produtores com os quais estamos menos familiarizados.

Foi o caso desta prova, ocorrida já há algumas semanas nas novas instalações da Garrafeira Nacional na baixa lisboeta, sob o nome GN Cellar. Implicadas no evento estiveram duas marcas recentes, resultantes dum projecto de dois enólogos, Nuno do Ó e João Corrêa: Druida nos brancos e Outrora nos tintos. Aqueles do Dão, estes da Bairrada.

A prova começou pelo Druida Encruzado de 2012, muito fresco e aromático e com estrutura interessante na boca, marcada por uma evidente mineralidade. Mas a seguir veio uma amostra de 2013, ainda em cuba e não filtrada, que mostrou um aroma citrino muito mais intenso e pareceu mostrar um excelente potencial evolutivo. As opiniões dividiram-se, porque os dois vinhos se mostraram muito diferentes, mas gostei francamente mais da amostra de 2013. Um branco que promete, ao qual há que estar atento.

Nos tintos tivemos três exemplares do Outrora Baga, de 2009, 2010 e 2011, este também ainda em amostra de casco, e apresentado como vinho “para corajosos”. O curioso nesta prova foi a acentuada diferença entre os três anos provados: o 2009 muito mais macio que o de 2010, mas ambos a mostrarem uma robustez domada, um pouco na linha dos vinhos de Luís Pato, que consegue mostrar as virtudes da Baga tornando os vinhos bebíveis enquanto jovens. O vinho para corajosos, de 2011, apareceu potente na boca, com um perfil que não agradará aos menos habituados e a quem anda à procura do “docinho e frutadinho”. É um vinho difícil, mas é um daqueles Baga que dão gosto provar, porque sente-se ali toda a estrutura de taninos bem presente mas uma complexidade de sabores e aromas que auguram um grande futuro para este vinho.

Em resumo, pela amostra ficámos a perceber que temos aqui dois belos vinhos que certamente vão evoluir muito bem em garrafa e beneficiar com o tempo de descanso. No caso dos tintos, o preço é que pode ser desencorajador, porque vai para cima das duas dezenas de euros...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Nota: na ausência de fotos das garrafas tirados no local, para ilustrar este post socorremo-nos, com a devida vénia, da foto apresentada pela GN Cellar para anunciar o evento.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

No meu copo 366 - Frei João branco 2012; Porta dos Cavaleiros branco 2012

Continuando no Dão e nas Caves São João, baixamos agora a fasquia e damos um salto também à Bairrada. Depois de várias provas de tintos clássicos em que nos deliciámos com algumas relíquias da casa durante o outono passado, agora chegou a vez dos brancos de entrada de gama das duas marcas mais emblemáticas: o Frei João, na Bairrada, e o Porta dos Cavaleiros, no Dão.

Tendo em conta o preço dos vinhos em causa, houve que baixar também as expectativas para ver o que nos saía.

O Porta dos Cavaleiros 2012 mostrou um aroma discreto e pouco pronunciado, com algum citrino e notas florais discretas. Em comparação com os novos brancos do Dão, com uma exuberância aromática e uma estrutura notáveis, este prima pela leveza e simplicidade. Para pratos leves ou entradas, de preferência para entreter.

No que respeita ao Frei João 2012, com um bocadinho mais de estrutura e um fim de boca um pouco mais longo, também não é vinho para grandes voos. Aguenta um pouco melhor alguns pratos um pouco mais elaborados, mas não se espere grande complexidade para acompanhar pratos muito elaborados.

Dito isto, não é surpresa nenhuma porque é que uns vinhos são caros e outros são baratos. Neste caso o preço está adequado ao produto. Se tivermos outras ambições quando ao que está dentro de garrafa, temos de subir alguns euros nos gastos. E como em tudo na vida, quando nos habituamos a subir alguns patamares é difícil voltar para baixo...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Caves São João

Vinho: Frei João 2012 (B)
Região: Bairrada
Grau alcoólico: 12%
Castas: Bical, Arinto, Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 2,93 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Porta dos Cavaleiros 2012 (B)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Cerceal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

No meu copo 365 - Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007

Seguimos no Dão e voltamos às Caves São João, com uma das marcas clássicas e míticas. Há pouco mais de 4 anos já tinha feito uma prova desta colheita (comprada e consumida em finais de 2009), que me agradou e deixou alguma expectativa. Na altura referi que o vinho parecia ter potencial para evoluir em garrafa.

Posteriormente, já em 2011, adquiri outro exemplar da mesma colheita, que guardei até agora. Portanto, ao contrário da prova anterior, em que o vinho foi consumido com apenas 2 anos de idade, este foi consumido com 6. E a diferença notou-se, para bem melhor. Sem dúvida o vinho cresceu na garrafa, pois apresentou-se com aromas mais exuberantes, uma estrutura de taninos sólida mas macia, persistência na boca e final longo, pontuado por um certo floral da casta mas sem marcar o vinho em demasia. Mostra uma cor rubi concentrada mas brilhante e evolui para algumas notas de frutos vermelhos e do bosque enquanto se desprende um ligeiro tostado da madeira que vai arredondando à medida que o vinho respira.

Não sendo decantado, é um daqueles vinhos que está óptimo quando a garrafa chega ao fim. Quem o quiser apreciar mais depressa deve decantá-lo.

Em relação à prova anterior, não há dúvida que melhorou claramente, e é uma referência a ter em conta por um preço adequado. Esta colheita de 2007 parece ter agora atingido o seu ponto óptimo de consumo. Portanto, seja-se paciente e não se tenha pressa em bebê-lo, deixando-o repousar por 4 ou 5 anos após a compra.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,34 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Na Wine Company 1 - Dão Sul

  
 

Na semana imediatamente seguinte ao evento Dãowinelover Masterclass, na Quinta de Cabriz, decorreu uma prova de vinhos na garrafeira The Wine Company, em Lisboa, com vinhos da Dão Sul em que estiveram presentes os vinhos da região dos Vinhos Verdes (Quinta de Lourosa, situada em Lousada, perto de Penafiel) e do Alentejo (Monte da Cal). Aproveitando a embalagem do evento anterior, desloquei-me a Benfica para conhecer os vinhos verdes da empresa e retomar contacto com os alentejanos.

(À mesma hora decorria uma prova da Quinta da Bica na garrafeira Wines 9297, em Telheiras, mas não se pode ir a todas... Entretanto já consegui passar por lá para conhecer o espaço, falar com os donos, provar um Quinta do Corujão, dos mesmos autores do M.O.B. e ainda comprar um Casal da Azenha, de Colares. Outras oportunidades hão-de surgir para ir a outras provas, certamente).

Tive a oportunidade de reencontrar o director de enologia, Osvaldo Amado, que se fez acompanhar de duas colaboradoras da área do marketing e da enologia da Quinta da Lourosa.

Relativamente aos vinhos verdes, pudemos provar um de lote com Loureiro e Arinto, de entrada de gama. Para mim foi a revelação da prova, pois não o conhecia e encontrei um vinho com grande frescura, de aroma citrino exuberante, leve e fácil de beber mas muito agradável na prova de boca. Por menos de 5 €, temos aqui uma excelente relação qualidade/preço, que pretende concorrer com os campeões de vendas deste segmento.

Provámos depois um Alvarinho que, por não ser produzido nas sub-regiões de Monção ou Melgaço, não tem direito a denominação de origem como Vinho Verde mas como Regional Minho. Apresenta um corpo macio e aroma discreto a frutos tropicais, embora seja algo curto no fim de boca.

Passando aos vinhos do Alentejo, começámos pelo branco Vinha de Saturno 2010, que já foi elaborado apenas a partir de Alvarinho mas que agora apenas contém 50% desta casta, integrando também Arinto e Antão Vaz. É um branco poderoso, com um toque de madeira discreta (como Osvaldo Amado faz sempre questão de salientar, a madeira usada é sempre de tosta ligeira, para não marcar demasiado os vinhos), muito encorpado e longo, que pede acompanhamento adequado à mesa.

No caso dos tintos, provámos o Monte da Cal colheita 2010, o Monte da Cal Syrah 2009, o Monte da Cal Reserva 2009 e o Vinha de Saturno 2009.

O colheita é um vinho fácil e mediano; o Syrah mostra aquele perfil adocicado que tenho encontrado nos Syrah alentejanos, que faz com que por vezes se pareçam mais com um xarope do que com um vinho, que não me agrada particularmente; o Reserva (lote de Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah) apresenta outra estrutura e maior persistência, sendo o Vinha de Saturno o grande vinho da casa, como já pudemos constatar noutras ocasiões. É composto por 40% de Touriga Nacional, 30% de Petit Verdot, 15% de Baga e de Trincadeira. Estagia 18 meses em barricas de carvalho francês e apresenta uma enorme persistência, um corpo robusto e aroma vinoso intenso, precisando de muito arejamento para mostrar tudo o que tem.

Foi uma boa jornada de prova, que complementou muito bem a prova de vinhos do Dão que da semana anterior. Mais uma vez pudemos apreciar um conjunto de bons vinhos da Dão Sul, que continua a fazer um caminho seguro e de sucesso. Assim continue.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 9 de fevereiro de 2014

No meu copo 364 - Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2010

Aproveitando a embalagem de estarmos no Dão, aproveitamos para falar neste que foi adquirido há cerca de um ano com a Revista de Vinhos. Na altura o produtor e enólogo João Paulo Gouveia referiu que esta era uma edição especial limitada, como está indicado no rótulo.

Provei-o há pouco tempo com um prato de carne requintada, e redescobri nesta garrafa uma espécie de “velho” Dão, o Dão que eu conheci quando comecei a provar os vinhos da região, que eram marcados pela elegância e longevidade, e muito antes da febre da madeira e das bombas de fruta e álcool.

Neste Pedra Cancela Selecção do Enólogo encontrei um vinho encorpado mas elegante e suave, com aroma frutado profundo, fim de boca macio mas firme. Muito bem conseguido.

Estilo diferente, este? Não; para mim, este é o verdadeiro estilo do Dão... Aquele que pode marcar a diferença para recuperar o lugar que já teve. Mais do que ir atrás de modas, do que a região precisa é de recuperar as referências que marcaram os seus grandes vinhos em décadas passadas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2010 - Edição Limitada (T)
Região: Dão
Produtor: João Paulo Gouveia
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Dãowinelover Masterclass: Dão Sul - Quinta de Cabriz (2ª parte)

    

Falemos agora um pouco dos vinhos provados, cuja prova se repartiu entre os períodos antes e depois do almoço. Em 35 referências colocadas à disposição dos visitantes, seria fastidioso enumerar ou querer dissertar sobre cada uma delas. No entanto, alguns dos vinhos provados mereceram-nos especial atenção.

Desde logo, numa das mesas estavam disponíveis provas verticais de 3 marcas de vinhos, mesmo anteriores à criação da Dão Sul e à aquisição da Casa de Santar pela empresa. Destaque para os Casa de Santar de 1965, 1975 e 1983, que dividiram opiniões. Houve quem preferisse claramente o de 1965 (como foi o caso do Politikos, um dos meus companheiros de viagem), e houve quem preferisse o de 1983 e que considerasse que o de 1965 apresentava oxidação em demasia e já aromas a lembrar o vinho do Porto, como foi o meu caso. A colheita de 1983, por sua vez, mostrava uma cor ainda bastante concentrada, alguma frescura no aroma e vivacidade na prova de boca, parecendo um vinho bem mais novo do que os 30 anos que ostentava. Mas a discussão continuou e não se chegaria a nenhum consenso, pelo que as opiniões se mantiveram de ambos os lados.

Em parceria com estes, havia 4 colheitas do Casa de Santar Touriga Nacional (colheitas de 2000, 2006, 2007 e 2010) e do Quinta de Cabriz Touriga Nacional (colheitas de 2003, 2004, 2007 e 2010). Em ambos os casos, a minha preferência foi para a colheita mais antiga, mas o que ficou mais evidente foi a superior elegância e suavidade dos vinhos provenientes de Santar, em contraponto com os vinhos de Cabriz, genericamente mais robustos e rústicos. Como foi explicado na apresentação inicial, existe uma diferença de altitude e de clima entre as vinhas das duas quintas, com mais calor em Cabriz e mais frescura em Santar, o que proporciona maturações mais lentas. Estas pequenas diferenças estão claramente marcadas desde há muitos anos nos vinhos das duas marcas, atravessando toda a gama. No caso do Cabriz Touriga Nacional de 2003, a idade já nos permitiu apreciar um vinho bem integrado, amaciado pelo tempo e ainda com grande concentração mas já bem equilibrado, o que já não se verifica nas colheitas mais recentes, e em particular na de 2010.

Noutra mesa, os brancos de topo: Conde de Santar, Cabriz Encruzado, Four CCCC, Condessa de Santar, Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, Casa de Santar Reserva. Cinco pesos pesados no portefólio de brancos, com destaque para o Condessa de Santar. Há alguns anos tínhamos adquirido e bebido uma garrafa da colheita de 2005, que o tuguinho fez questão de abrir com um arroz de tamboril, que não agradou à generalidade dos presentes e que calhou pessimamente com o prato: muito pesado e marcado pela madeira, enjoativo, difícil de conjugar com qualquer prato. Agora, pelo contrário, encontrámos um vinho com a madeira na devida conta, peso e medida, quase imperceptível, e mais marcado pela frescura, pelos aromas a fruta e boa estrutura com final longo e vivo. Uma bela surpresa.

Melhor surpresa nos esperava na 3ª mesa, onde estavam os vinhos desde as gamas de entrada até aos Reservas, passando pelo Colheita Tardia e pelos espumantes. Para além do já conhecido Cabriz bruto, a grande revelação foi o espumante Condessa de Santar, um vinho de grande nível quase a alcandorar-se ao patamar dos champanhes e a bater-se com os melhores espumantes do país.

No caso do Outono de Santar Colheita Tardia, elaborado apenas a partir de Encruzado, apresenta um perfil algo diferente da maioria dos vinhos do género, mais aberto e fresco, com uma cor menos carregada. É um vinho que se bebe a solo, podendo servir-se como aperitivo ou para acompanhar sobremesas. Apresenta a doçura expectável num colheita tardia combinada com um toque cítrico que lhe confere um perfil diferente, com menos melaço do que o habitual, pelo que apresenta uma frescura que também permite que seja bebido a solo. É uma aposta que tem todas as condições para dar certo.

Dentro da restante gama, marcou pontos o Casa de Santar Colheita branco, em vias de sair para o mercado, assim como o Casa de Santar Reserva tinto, sempre uma referência nos vinhos a rondar os 10 €, com uma elegância e uma suavidade notáveis, um daqueles vinhos que nunca desilude. Muito equilibrado o Cabriz Encruzado, leve e aromático. De todos, um dos brancos mais bem conseguidos.

E assim fomos passando o resto da tarde até anoitecer e ser horas de regressar, sempre em agradável convívio com os outros Dãowinelovers e com a equipa que sempre nos acompanhou. Após algumas fotografias de família para a posteridade, restou agradecer a toda a equipa da Dão Sul que tão simpaticamente nos recebeu, sempre com o muito simpático e disponível director de enologia Osvaldo Amado no comando das operações, e muito bem assessorado pelos seus não menos simpáticos e disponíveis colaboradores. Mais uma vez, os nossos parabéns e agradecimentos aos criadores, organizadores e dinamizadores do evento, Rui e Miguel.

Foi mais uma excelente jornada de propaganda aos vinhos do Dão e a melhor forma de assinalar o primeiro aniversário do primeiro evento dos Dãowinelovers. Ficamos agora à espera das próximas iniciativas, onde aguardo com particular expectativa e entusiamo o anunciado... Bairradão: um evento dedicado aos amantes dos vinhos da Bairrada e do Dão.

Continua nos próximos episódios...

Kroniketas, Dãowinelover

Nota: por não dispormos de fotos dos vinhos com a qualidade necessária, algumas das imagens deste post foram obtidas a partir de outras publicações no grupo #daowinelover no Facebook, com a devida vénia aos nossos comparsas.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Dãowinelover Masterclass: Dão Sul - Quinta de Cabriz (1ª parte)

      

No passado dia 25 de Janeiro, precisamente um ano menos um dia após a primeira iniciativa do género levada a cabo pelo grupo surgido e desenvolvido no Facebook, os Dãowinelovers deslocaram-se a Carregal do Sal para uma visita à Quinta de Cabriz, o berço da Dão Sul, uma das maiores empresas do país no sector da produção e comercialização de vinhos.

Por coincidência, aquando de uma anterior iniciativa que tinha decorrido em Outubro, dessa vez à volta dum almoço na Quinta da Espinhosa, já tinha tido oportunidade de, no regresso a casa, parar e almoçar no restaurante da Quinta de Cabriz, mas dessa vez só contemplando de fora o resto das instalações. Desta vez, com o amável contributo dos responsáveis da empresa, na companhia de dois dos comensais habituais, pudemos mergulhar no universo da Dão Sul, visitar os escritórios, as salas de fermentação em cuba, as linhas de engarrafamento, as salas de barricas e as caves onde milhares de garrafas de vinho repousam desafiando a prova do tempo.

O evento decorreu em várias etapas. A primeira consistiu na apresentação do universo Global Wines/Dão Sul, com uma introdução feita pelo enólogo Osvaldo Amado, que apresentou toda a equipa, desde o director-geral aos técnicos de viticultura ou laboratório, passando pelo marketing.

Vários oradores, apoiados numa apresentação de slides bastante clara, abordaram diversas vertentes da empresa, das diversas quintas que vão da Região dos Vinhos Verdes ao Alentejo, sem esquecer o Brasil, à respectiva caracterização geográfica e climática, e, obviamente, ao vasto portefólio de vinhos.

Esta primeira etapa serviu para abrir o apetite aos enófilos (e também alguns enólogos) presentes, pois foi-nos anunciado que teríamos à disposição nada menos de 35 vinhos para provar ao longo do dia!!! Antes, porém, os presentes divididos em dois grupos fizeram um percurso pelas instalações da empresa, terminando numa cave de barricas com ligação à cave de envelhecimento em garrafa. Aí estavam dispostas em várias mesas, e em barricas servindo de mesas, diversos grupos de garrafas de vinhos da Dão Sul produzidos no Dão: brancos fermentados em inox e madeira, tintos novos e velhos, espumantes, colheita tardia e licoroso. Os vários tipos de vinhos foram dispostos de forma organizada, permitindo aos visitantes escolher que tipo de vinho estariam a provar em cada momento.

Para além das colheitas mais recentes, numa das mesas tivemos oportunidade de provar quatro do Casa de Santar Touriga Nacional e outras tantas do Cabriz Touriga Nacional, e também pudemos degustar três colheitas mais antigas: o Casa de Santar de 1965, 1975 e 1983.

A manhã foi longa e, como a prova também o era, foi interrompida quando a fome apertava e eram horas de almoço. Este decorreu numa sala contígua ao restaurante aberto ao público, tendo-se provado entradas da Beira, massada de bacalhau e arroz de pato como pratos principais, e ainda requeijão com doce de abóbora e arroz doce como sobremesa. Para acompanhar estas iguarias estiveram à disposição os espumantes Quinta de Cabriz e Condessa de Santar, brancos, tintos, o Outono de Santar Colheita Tardia e o Cabriz licoroso.

Depois desta longa função, ainda houve oportunidade de voltar à cave para provar os vinhos que não tivéssemos tido oportunidade de provar durante a manhã. Aí, já em ambiente mais calmo, visitámos a enorme garrafeira onde se encontram as colheitas mais antigas do enorme espólio da Dão Sul.

Durante todo o evento, inclusive à mesa durante o almoço, tivemos sempre a companhia de alguém da equipa da Dão Sul, quer para nos darem os vinhos a provar, quer para ir trocando impressões sobre outros temas relacionados com o vinho ou a empresa.

Na segunda parte falaremos um pouco – ainda que não de forma exaustiva – de alguns dos vinhos provados, aqueles que mais nos impressionaram.

Kroniketas, Dãowinelover