terça-feira, 28 de janeiro de 2014

No meu copo 363 - Tintos velhos da Bairrada (4)

Primavera Garrafeira 1995; Messias Garrafeira 1995; Messias Reserva 1997; Frei João 1999


   

Continuando na senda das provas de vinhos velhos da Bairrada que ainda vão resistindo nas nossas garrafeiras, de vez em quando fazemos mais uma incursão para desbastar diversas garrafas a acompanhar umas carnes grelhadas, ou bem regadas com molho. Neste caso abrimos quatro garrafas da década de 90, de três produtores diferentes. Descrevemo-los por ordem do ano de colheita.

Das Caves Primavera provou-se um Garrafeira 1995, o mais delgado de todos. Apresentou-se macio e suave, mas já com alguma falta de corpo e persistência. Terá passado a sua melhor fase, embora estivesse perfeitamente bebível e sem denotar qualquer sinal de oxidação precoce. Teve o seu percurso que, neste caso, estaria já a caminho do fim, embora não fosse possível detectar na prova quão próximo estaria...

Das Caves Messias tivemos dois exemplares: o Garrafeira 1995 é uma repetição, um vinho que provámos com alguma regularidade ao longo dos anos. Curiosamente, ao contrário da prova anterior que aqui registámos, esta garrafa estava soberba! Também aberto e macio, mas com muita persistência e volume de boca, redondo mas cheio e com grande bouquet. Um Bairrada dos bons velhos tempos, com tudo no sítio. Este, por seu lado, pareceu estar ali para durar mais umas décadas.

Quanto ao Messias Reserva 1997, embora sem a exuberância aromática do seu parceiro de ocasião, mostrou grande vivacidade na boca e boa persistência, também sem denotar sinais de queda.

Finalmente o Frei João 1999, aquele que, porventura, terá sido a grande surpresa (ou não), porventura aquele onde as expectativas estavam mais baixas. Por ser um vinho de outra gama, por teoricamente não estar tão vocacionado a repousar muito tempo nas garrafeiras. Teoricamente. A verdade é que desde sempre me habituei a guardar uma ou duas garrafas do Frei João de entrada de gama (um vinho que actualmente se posiciona abaixo dos 3 €) durante alguns anos para ver como se aguentava. E desde sempre também descobri que era uma excelente companhia para fondue e bifes na pedra. Este não fugiu à regra.

Foi com um misto de curiosidade e receio que abri a última garrafa da colheita de 1999, mas os receios mostraram-se infundados. Estava de excelente saúde, encorpado, robusto, persistente, mas também com um final de boca macio e redondo. Mais uma vez mostrou que é um vinho pouco valorizado para a qualidade que apresenta. Esta colheita ainda tinha o perfil mais clássico, baseado exclusivamente na Baga, pois as mais recentes já incorporam outras castas como a Touriga Nacional ou a Camarate, tornando-o mais arredondado e bebível mais novo. Mas esta colheita de 1999 deu-me enorme prazer a beber, pois mantinha aquela combinação de suavidade e estrutura que não é fácil de encontrar.

Foi mais uma bela jornada de prova dos Bairrada clássicos, que sempre nos enchem de satisfação por constatar que valeu a pena ter guardado aquelas garrafas durante tanto tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Primavera Garrafeira 1995 (T)
Produtor: Caves Primavera
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Messias Garrafeira 1995 (T)
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Messias Reserva 1997 (T)
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Frei João 1999 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 2,54 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

No meu copo 362 - Poliphonia Reserva 2007

Do Monte dos Perdigões, às portas de Reguengos de Monsaraz – terra de grandes e clássicos vinhos provenientes de produtores de renome (Herdade do Esporão, Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, agora na posse da José Maria da Fonseca) – chega-nos este vinho que nos dá a conhecer outro lado do percurso de Henrique Granadeiro, um alentejano de Borba que se tornou conhecido pela sua actividade de gestor em áreas como as telecomunicações, imprensa, multimédia e até como chefe da Casa Civil do então Presidente da República, General Ramalho Eanes.

Tendo igualmente uma ligação de longa data com a Fundação Eugénio de Almeida, em 2001 Henrique Granadeiro deitou mãos à criação dum projecto para o lançamento dos seus próprios vinhos. Daí surgiu uma gama de vinhos que foi sendo ampliada desde os de entrada de gama, como o Vale do Rico Homem, até aos de topo como o Poliphonia Signature, passando pelos Tapada do Barão.

Este Poliphonia Reserva 2007, uns patamares abaixo, posiciona-se na gama dos 10 €, onde se bate com outros de nome estabelecido na praça. Trincadeira, Aragonês e Cabernet Sauvignon formam a base do lote, sendo Syrah e Alicante Bouschet o seu complemento. Fermentou em balseiros de carvalho francês, seguindo-se um estágio de mais 12 meses em tonéis e barricas.

É um vinho de boa persistência e complexidade aromática, apresenta-se equilibrado e com bom volume de boca, leve toque a madeira muito bem integrada no conjunto com taninos redondos, fruta contida e algumas notas balsâmicas. Não é muito exuberante nos aromas, primando sobretudo por uma certa elegância discreta.

Parece ser um vinho a rever, tendo-nos despertado a curiosidade para conhecer os outros vinhos do portefólio da casa. A ver vamos, pois há muito por onde escolher.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Poliphonia Reserva 2007 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Granacer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dãowinelover na Quinta de Cabriz

 

É já no próximo sábado que se realiza mais um evento promovido pelo grupo #daowinelover, desta vez a ter lugar nas instalações da Dão Sul na Quinta de Cabriz.

Desta vez esta baiuca vai fazer-se representar por três participantes. Já estamos em contagem decrescente.

Kroniketas

domingo, 19 de janeiro de 2014

No meu copo 361 - Porto Ramos Pinto LBV 2000

Em termos dos Vinhos do Porto que aqui e ali vamos provando, no registo dos LBV os da Ramos Pinto costumam cotar-se entre os melhores e mais equilibrados.

Neste caso, com esta colheita de 2000 propriedade do tuguinho, beneficiando já do amadurecimento com a idade o vinho apresentou-se muito macio, ainda com fruta bem presente e com exuberância aromática quanto baste, mas o que mais se destaca é a extrema elegância na boca, sem qualquer sinal de aguardente a sobrepor-se no conjunto, todo ele muito bem integrado.

Sabendo-se que os novos Vintage que andam por aí, da excepcional colheita de 2011, estarão no ponto óptimo para beber daqui por uns 10 ou 20 anos (para quem lá chegar...), um LBV já com alguma idade pode ser uma excelente alternativa, pois além duma enorme poupança nos gastos consegue-se um produto com uma excelente relação qualidade/preço e que não desmerece em nada nem a fama do produto nem o nome da casa. E, neste particular, um Ramos Pinto é uma aposta ganha.

Vale a pena tê-lo guardado, mas vale mais a pena não hesitar em bebê-lo, pois com esta idade está no seu ponto óptimo de consumo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Ramos Pinto LBV 2000
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 19,5%
Preço: 13 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

No meu copo 360: Vinhos a caminho dos 10 anos (3): Tintos da Bairrada

Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2004; Quinta da Rigodeira Reserva 2004


Da Bairrada temos este Follies da Quinta da Aveleda, que combina o Cabernet Sauvignon com a Touriga Nacional, numa parceria que tem dado bons resultados em diversos vinhos tintos e rosés, em várias regiões. Já tivemos oportunidade de provar alguns vinhos produzidos com este lote e os resultados são, normalmente, muito satisfatórios (um dos exemplos é o Quinta da Alorna, que referimos anteriormente). Apresentou alguma elegância, ligeiro floral no aroma e algum toque a especiarias, a par com uma boa estrutura, taninos firmes mas macios e boa persistência. Mais um vinho a caminho da década de idade em muito boa forma.

O Quinta da Rigodeira Reserva 2004 foi adquirido em Dezembro de 2008 com a Revista de Vinhos, portanto na altura com 4 anos de idade. Composto essencialmente por Baga e com uns pozinhos de Touriga Nacional (outra combinação frequente por aquelas bandas nos tempos que correm), a julgar pelo estado actual percebe-se que em novo deveria ser um daqueles tintos da Bairrada muito taninosos e adstringentes, de que muitos consumidores se afastam. A verdade é que agora, já passando dos 9 anos, o vinho apresentou-se pleno de saúde, de cor granada muito carregada, ainda com aromas exuberantes, taninos arredondados pelo tempo mas presentes e marcados na prova de boca, a torná-lo ainda um vinho que não é dos mais fáceis e que se bate com pratos bem temperados e ainda fica a pedir mais tempero... e o mais surpreendente é que consegue, ainda assim, ter alguma frescura.

Gosto do estilo porque é diferente, não tem nada que ver com a doçura de muitos vinhos actuais. Nesta fase o grau alcoólico já não se nota, estando tudo perfeitamente integrado. Um vinho para apreciadores do género.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Follies, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2004 (T)
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço: 10,81 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Rigodeira Reserva 2004 (T)
Produtor: Quinta da Rigodeira, Casa Agrícola
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Baga (90%), Touriga Nacional (10%)
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 11 de janeiro de 2014

No meu copo 359 - Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2006 e 2007

Continuamos no Tejo, agora com dois vinhos mais recentes e de colheitas consecutivas produzidos pela Quinta da Alorna, outro dos motores importantes do novo Tejo. Tanto a nível de tintos como de brancos e rosés, da quinta de Almeirim têm saído alguns dos melhores vinhos em termos de relação qualidade/preço.

Neste caso a prova incidiu num bivarietal que me tinha encantado há uns anos quando o provei pela primeira vez com o malogrado Mancha. Na altura o vinho foi uma completa surpresa, mas rapidamente deixou de o ser quando se tornou presença obrigatória nas prateleiras, apresentando um preço extremamente apelativo e que fica claramente abaixo da qualidade que o vinho ostenta.

- Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2006: adquirido em 2008 com uma edição da Revista de Vinhos, mostrou mais uma boa ligação entre duas castas que têm gerado boas parcerias tanto em vinhos tintos como em rosés. Por um lado alguma especiaria do Cabernet e por outro o floral da Touriga num conjunto bem estruturado, encorpado e pujante, persistente mas com o aroma bastante fechado, a precisar de tempo para se mostrar. Enologia de Nuno Cancela de Abreu.

- Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007: menos fechado que o anterior, mais imediato e com aroma mais exuberante, intenso e vinoso. Cheio e persistente, mostrou-se no ponto ideal para ser bebido.

Tivemos aqui duas colheitas com apenas um ano de intervalo, e que diferenças entre os vinhos, com perfis tão diferentes mas ambos excelentes!... Uma das melhores relações qualidade/preço do mercado. Pelo preço que custa é difícil encontrar melhor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,79 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

No meu copo 358 - Vinhos a caminho dos 10 anos (2): Tintos do Ribatejo

Fiúza Premium 2003; Herdade de Muge 2004; Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 2004




Continuando com o desbaste de alguns exemplares “esquecidos” na garrafeira, vamos agora para três exemplares do Tejo, produzidos por duas das casas que mais têm contribuído para a recuperação da imagem da região no panorama vitivinícola, com vinhos de qualidade inquestionável e características muito próprias, a tender para a modernidade e a fugir do “carrascão” do garrafão de 5 litros.

A aposta em castas estrangeiras em lote com outras castas nacionais tem permitido obter vinhos com boa estrutura e também alguma frescura que não era muito frequente. Este aspecto, aliás, verifica-se de modo mais evidente nos muitos brancos à disposição no mercado, tanto no Tejo como noutras regiões.

A Fiúza tem sido uma das empresas a apostar em diversos vinhos mono ou bivarietais, enquanto a Casa Cadaval tem igualmente vinhos monocasta emblemáticos.

Nesta prova falamos de um vinho monocasta e de dois vinhos de lote bem conseguidos.

- Fiúza Premium 2003: boa estrutura e muita frescura na boca, sem sinais de declínio. Bifes e carnes não muito condimentadas foram boa companhia. Estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho, seguindo-se 5 meses em garrafa.

- Herdade de Muge 2004: comprado em Outubro de 2006, no contra-rótulo aconselhava-se o consumo imediato ou guarda até 6 anos, portanto fizemo-lo no limite do prazo aconselhado. Aromático, estruturado e suave. Aroma a frutos vermelhos, especiarias e ligeiro vegetal. Enologia de Rui Reguinga.

- Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 2004: este é um clássico da casa, e um dos mais resistentes em termos de produção desta casta em estreme. Outros vêm e vão, este mantém-se. Ao longo dos anos tem mantido um perfil uniforme, com alguma estrutura mas não demasiado robusto, marcado principalmente por alguma macieza. Esta colheita de 2004, adquirida em 2010, apresentou-se com uma cor granada muito carregada e viva, sem qualquer sinal de evolução em demasia. Aroma não muito exuberante com algumas notas de compotas e fruta preta, sem qualquer traço dos pimentos verdes que por vezes marcam os aromas desta quando pouco amadurecida. Na boca mostrou-se macio e não muito estruturado, contrariamente às expectativas, que apontariam para um vinho mais robusto e sem estar marcado pela madeira em que estagiou durante 18 meses. Em comparação com uma prova da colheita de 1999 efectuada há alguns anos, este exemplar terá estado algo mais delgado que o anterior.

Em resumo, vinhos de boa qualidade e em muito boa forma (em especial os dois de lote), a mostrar que aguentaram bem a prova do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza Premium 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira Preta, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Herdade de Muge 2004 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 14%
Castas: Não indicadas
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 2004 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

No meu copo 357 - Vinhos a caminho dos 10 anos (1): Tintos da Estremadura

Grand’Arte, Touriga Nacional 2003; Monte Judeu, Aragonês 2004; Quinta das Cerejeiras Reserva 2003; Quinta de São Francisco 2005




A par das relíquias que de vez em quando vamos desbastando em conjunto, com especial incidência nos tintos velhos do Dão e da Bairrada – e de que aqui vamos dando conta –, há alguns vinhos que vão ficando esquecidos na garrafeira. Não é a melhor ocasião, deixa-se para a próxima, olha-se para outros, e quando damos por nós há uma série de vinhos que estão rapidamente a caminhar para a dezena de anos.

Um risco? Um problema? Nunca sabemos até abrir as garrafas. Felizmente temos comprovado que, na maior parte dos casos, mesmo aqueles vinhos que à partida não estariam, em teoria, destinados a envelhecer, acabam por comportar-se excelentemente quando bebidos alguns anos após aquilo que lhes teríamos vaticinado como “prazo de validade expectável”. Acresce que na maioria dos casos se trata de vinhos provenientes de regiões que não são aquelas mais vocacionadas para a conservação de “vinhos velhos”, ou pelo menos não muito jovens.

Foi a olhar para vários desses casos que comecei a ir buscar à garrafeira alguns vinhos de 2003, 2004, 2005, que ainda por lá estão porque foram ficando para trás. Como estarão eles, pensei? Será que já estão em declínio? Estarão a morrer?

E foi assim que comecei a abrir garrafa após garrafa, indo buscar às várias regiões estes vinhos “esquecidos”, com alguma curiosidade sobre o que iria encontrar em cada um. Tentarei deixar aqui algumas impressões sobre o que fui encontrando. Neste caso vou centrar-me, para já, em vinhos de duas regiões vizinhas, Tejo (ex-Ribatejo) e Lisboa (ex-Estremadura), todos eles ainda rotulados com as denominações de origem antigas.

Comecemos pelos estremenhos.

- Grand’ Arte, Touriga Nacional 2003: equilibrado, estruturado, aromático e suave.

- Monte Judeu, Aragonês 2004: encorpado, estruturado, robusto e adstringente, mas com grande aroma, pontuado por frutos vermelhos maduros. Carnes bem temperadas serão boa companhia. Estagiou 3 meses em madeira. É um vinho que em novo apresenta taninos muito rijos, com grande adstringência e muito potente na boca. O tempo acaba por amansar-lhe bastante os taninos, embora perca alguma vivacidade. Embora seja um vinho que inicialmente se apresenta algo agressivo, feito o balanço acho que o prefiro mais novo, pois tem lá todas as características intactas, impressão que já tinha colhido aquando da prova anterior.

- Quinta das Cerejeiras Reserva 2003: cheio de pujança, profundidade aromática e persistência. Madeira muito bem integrada e amaciada pelo tempo. Um vinho para continuar a durar na garrafa.

- Quinta de São Francisco 2005: cor rubi, aroma frutado, sabor suave. Já passou o ponto, está em declínio, o aroma apresenta-se cansado e pouco exuberante.

Em jeito de balanço, em quatro garrafas três delas estavam em perfeito estado de conservação, sendo que curiosamente o único vinho em claro declínio era o mais novo, com 8 anos de idade. Portanto, o resultado não defraudou nem me deixou pessimista quanto ao futuro destes vinhos e ao estado dos próximos a consumir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’ Arte, Touriga Nacional 2003 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Monte Judeu, Aragonês 2004 (T)
Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: Adega Cooperativa de Dois Portos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Aragonês
Preço: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta das Cerejeiras Reserva 2003 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Aragonês, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de São Francisco 2005 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Castelão, Aragonês, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 5