terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano novo, vida velha


As Krónikas Viníkolas e as Krónikas Tugas desejam a todos os seus fornecedores, clientes, amigos, leitores, visitantes, comparsas, parceiros, colaboradores e mais todos aqueles que têm pachorra para nos aturar, um bom ano de 2015 (como já se prevê que 2014 vai ser ainda pior do que os anteriores, achámos melhor saltar já um ano...).

tuguinho e Kroniketas, os enófilos bandalhos diletantes preguiçosos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

No meu copo 356 - Caves São João Reserva 1995; Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1995

Para fechar o ano em beleza continuamos nas Caves São João, agora com duas relíquias de 1995: uma do Dão e outra da Bairrada, duas marcas emblemáticas e que fizeram história, não só na casa como no panorama nacional.

A aquisição destas garrafas foi impulsionada por dois artigos publicados em 2012 por João Paulo Martins, na sua coluna semanal no jornal Expresso. Num desses artigos falava das memórias dum dos fundadores das Caves, o sr. Luís Costa (em homenagem de quem foi lançado recentemente um espumante), e apresentava como sugestões de compra o Caves São João Reserva 1995, o Poço do Lobo Cabernet Sauvignon 1990 e o Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985, todos à venda na Garrafeira de Campo de Ourique, em Lisboa. No outro falava das relíquias existentes nas caves em formato magnum, e apresentava o extraordinário Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1975 (que tivemos a felicidade de poder comprar e beber há uns anos, e que também esteve em prova no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno, no início do passado mês de Novembro), o de 1966 e o Frei João Reserva 1985.

Perante tão aliciantes sugestões, num fim de tarde eu e o Politikos dirigimo-nos à Garrafeira de Campo de Ourique para ver o que havia que pudesse interessar. Saímos de lá com mais garrafas do que aquelas que íamos procurar, entre elas estes exemplares de que agora falamos, além de outros que entretanto foram sendo bebidos com os comensais do costume.

Estes dois, por serem do mesmo ano, foram deixados para emparelhar um com o outro em mais um encontro dos Comensais Dionisíacos, em que acompanharam umas costeletas de novilho e umas tiras de entrecosto grelhadas. Presentes na ocasião estiveram também outras relíquias da Sogrape, mas delas falaremos noutra oportunidade.

Tivemos o cuidado de abrir os vinhos com antecedência e verificar se seria ou não necessário (e conveniente) decantá-los.

Ambos se apresentaram de perfeita saúde, sem qualquer sintoma de perda de aroma ou envelhecimento excessivo. No entanto o Caves São João Reserva, em versão 100% Baga, contrariamente às expectativas apresentou-se mais delgado do que se esperava e com final algo curto, parecendo estar a perder robustez, pois mesmo com idade avançada é um vinho que costuma apresentar toda a sua pujança e estrutura, como tive oportunidade de verificar na prova do Reserva Particular de 1959, nas próprias Caves, aquando do Encontro com o Vinho e os Sabores da Bairrada.

O Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada, por sua vez, estava à altura do que se esperava, com uma cor ligeiramente acobreada, notas discretas a alguns aromas do bosque mas sem estar demasiado exuberante, com corpo e acidez ainda em equilíbrio e um bom fim de boca, num conjunto harmonioso. Aguentou-se bem na prova com os grelhados, embora também pareça estar num ponto em que não melhorará muito mais.

Em suma, dois vinhos que, embora não estando num ponto excepcional como outros exemplares que temos provado, não desmereceram na experiência da prova, sobretudo pela raridade e porque continuam a ser dos tais que já não se vão fazendo.

E com isto fechamos o ano desejando a todos os enófilos um ano de 2014 repleto de boas provas. E não se esqueçam: “a vida é curta demais para se beber maus vinhos”. (Hubrecht Duijker)

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Caves São João

Vinho: Caves São João Reserva 1995 (T)
Região: Bairrada
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Baga
Preço: 17,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1995 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Não indicadas
Preço: 17,80 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

No meu copo 355 - Quinta do Poço do Lobo Reserva 2007; Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 2004

Voltamos aos clássicos da Bairrada para revisitar as Caves São João, agora com novo fôlego e com novos produtos lançados recentemente no mercado, como alguns novos espumantes (um deles premiado com a Escolha da Imprensa no Encontro com o Vinho e Sabores 2013) e novos brancos e tintos, como o Quinta do Poço do Lobo Reserva branco de Arinto e Chardonnay, ou o Caves São João Lote Especial.

Neste caso tratou-se duma prova conjunta de dois exemplares duma das marcas tradicionais da casa, o Quinta do Poço do Lobo, nas duas versões habituais: o Reserva 2007 e o Reserva Cabernet Sauvignon 2003.

O Reserva 2007 apresentou-se pleno de força, cor uma cor rubi opaca, muito estruturado, robusto e persistente, com grande volume de boca, taninos presentes e firmes mas redondos, sem arestas a agredir o paladar. Algumas notas de frutos maduros no aroma e ligeiro tostado resultante dos 12 meses de estágio em pipas de carvalho francês. Um Bairrada tradicional, fazendo um bom casamento da Baga com a Touriga Nacional e o Cabernet Sauvignon, a comporem um conjunto com mais variantes aromáticas.

Quanto ao Reserva Cabernet Sauvignon 2004, habitualmente um dos Cabernet mais bem conseguidos em Portugal, apresentou alguns traços apimentados e aroma a frutos maduros, mas com pouca exuberância para o que é habitual. Os traços mais marcantes da casta estavam lá mas pouco evidentes, parecendo denotar alguma perda de aromas, ou então estava num patamar de evolução menos favorável. Às vezes acontece. Madeira discreta e bem integrada, resultante de 13 meses de estágio também em pipas de carvalho francês.

Não deixando de ser um bom Bairrada, perdeu na comparação directa com o seu parceiro de lote, o que também pode ter influenciado a percepção da prova. Comparar vinhos de lote com vinhos monocasta acaba, muitas vezes, por penalizar estes últimos, que podem ser um pouco ofuscados pela maior complexidade dos vinhos de lote. Para rever a solo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Caves São João

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 2004 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,71 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

No meu copo 354 - Herdade do Perdigão Reserva 2004

Aqui temos um vinho que é quase o oposto do anterior. Um alentejano clássico, baseado na cada vez menos popularizada e badalada Trincadeira (há as castas da moda e aquelas que vão passado de moda...), pleno de pujança, corpo, persistência, mas com muita elegância e arestas bem limadas. No aroma nota-se algum vegetal proveniente da predominância de Trincadeira, dando-lhe o Aragonês e o Cabernet Sauvignon alguma vivacidade e complexidade.

Consegue conjugar uma certa robustez com alguma frescura resultante das zonas altas do norte alentejano. É um vinho que pede pratos fortes, como peças de caça bem temperadas, e que também necessita de tempo para ser devidamente apreciado, pois demora a desenvolver os aromas. Neste caso, apesar da idade, mostrou-se de perfeita saúde, sem qualquer sinal de declínio, parecendo estar para durar outro tanto.

O maior senão será o preço, pois na maior parte dos casos situa-se na zona dos 25 €, o que é sempre um factor dissuasor, mas vale a pena a experiência. Com alguma sorte pode ser encontrado abaixo dos 20 € nalgumas promoções, e aí a compra torna-se muito mais aliciante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 15%
Castas: Trincadeira (80%), Aragonês (15%), Cabernet Sauvignon (5%)
Preço em feira de vinhos: 21,46 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

No meu copo 353 - Vinha Grande 2008

Este vinho é um daqueles clássicos acerca dos quais já pouco começa a haver para dizer de novo, à medida que vamos fazendo sucessivas provas. O perfil é conhecido e vai-se mantendo de colheita para colheita, na linha da tradição da Casa Ferreirinha. São vinhos que primam sobretudo pela elegância, suavidade, muito longe das bombas de fruta e álcool que dominam a região.

Sem descurar uma boa estrutura e persistência, tem um aroma profundo a frutos vermelhos, algum floral, um toque a especiarias que lhe dá alguma vivacidade, taninos arredondados e boa integração com a madeira, em que estagia durante cerca de um ano em barricas usadas.

Dentro da gama em que se enquadra, é daqueles que por vezes se encontra a muito bom preço e um valor seguro, nunca nos deixando ficar mal. Deixe-se respirar, de preferência após decantação, para que liberte todos os aromas, e aprecie-se com carnes requintadas e não demasiado temperadas. Um bom companheiro para a mesa.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vinha Grande 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 7,23 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 15 de dezembro de 2013

No meu copo 352 - Convento da Tomina 2011

Provei este vinho pela primeira vez num restaurante da Praia da Rocha que já não existe (agora no mesmo espaço existe uma casa de refeições do tipo americano, chamada American Diner). Não é um vinho muito falado, mas a verdade é quem em termos de relação qualidade/preço deve ser do melhor que por aí anda. É um dos tais tintos de perfil moderno, mas ao qual é difícil ficar indiferente.

No primeiro contacto agradou-me, depois cruzei-me com ele esporadicamente e agora esta colheita de 2011 voltou a ser alvo de diversos elogios. O perfil mantém-se: encorpado, robusto, estruturado, uma bomba de fruta! Muito extraído, muito concentrado, muito alcoólico. Tudo aquilo contra o que tenho andado aqui a fazer campanha... Mas a verdade é que também é longo e persistente, está muito bem feito e bebe-se com agrado, pois é um vinho guloso.

Tenho alguma dificuldade em admitir isto, mas é um vinho que tendo tudo aquilo que normalmente não aprecio, gosto dele... Que se há-de fazer, então? Esqueçam-se os dogmas e beba-se, naturalmente a acompanhar pratos de carne muito bem temperados, para se bater com tanto tanino e tanto álcool. Mas cuidado ao levantar da cadeira...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Convento da Tomina 2011 (T)
Região: Alentejo (Moura)
Produtor: Francisco Nunes Garcia
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Feito num 8


Faz hoje oito anos que este blog foi criado pelos autores, em primeira medida para autonomizar o que escrevíamos sobre vinhos, comida e afins no nosso blog original, o Krónikas Tugas. Rapidamente ganhou vida própria e ultrapassou o progenitor, a ponto de lhe roubar todo o tempo que lhe dedicávamos e passando praticamente a ser o único blog em que escrevíamos.

Nestes oito anos muita coisa se passou, muito vinho se bebeu e analisou, muita comida foi deglutida e apreciada pelos diletantes que criaram esta baiuca e pelos associados do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”. Neste ano que está quase a terminar passámos a colocar menos um copo na nossa mesa porque isto da vida tem que se lhe diga. Neste oitavo ano da existência das Krónikas Viníkolas conhecemos novas pessoas e novos vinhos e continuámos a libar o néctar da uva porque, além de ter o que se lhe diga, a vida também continua.

Os aniversários servem essencialmente para comemorar a existência, para agradecer o facto de estarmos vivos, tanto as pessoas como as coisas. Agradeçamos portanto mais um ano de existência ao Universo e esperemos que durante o ano que se avizinha as nossas gargantas continuem a receber o produto da terra, do sol e do homem que é o vinho.

Já dizia o outro, que não era parvo, “In Vino Veritas”!

Obrigado

tuguinho e Kroniketas, enófilos em festa

sábado, 7 de dezembro de 2013

No meu copo 351 - Domaine Felix, Sauvignon 2010; Villa Maria, Sauvignon Blanc 2012

Depois do fabuloso jantar com vinhos franceses no restaurante Jacinto, foi com alguma expectativa que voltei aos vinhos franceses, neste caso com um monocasta de Sauvignon Blanc de Saint-Bris, sub-região da Borgonha, produzido por Domaine Felix et Fils.

Sem ser um vinho excepcional como outros (a memória do fabuloso Domaine Laroche Les Vaudevey ainda estava muito presente), apresentou, como se esperava, aquela suavidade e finesse dos brancos borgonheses, que os torna diferentes de tudo aquilo que já bebi em termos de brancos. Pontuado pelos aromas da casta, com notas tropicais e algum citrino, destaca-se a frescura e elegância num conjunto muito agradável.

Já o Villa Maria foi uma repetição, depois da prova da colheita de 2011 há cerca de um ano, apresentando-se mais estruturado e marcadamente tropical e com algum floral, confirmou as impressões da prova anterior, também com bastante frescura, sendo um vinho apetitoso de que apetece beber sempre mais um copo. Entre os monocasta de Sauvignon Blanc que invadiram o planeta (e esta casta também vai tendo os seus opositores), este será porventura um dos mais conceituados e bem sucedidos. Embora de preço superior, é um vinho com todas as condições para agradar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domaine Felix, Sauvignon 2010 (B)
Região: Saint-Bris - Borgonha (França)
Produtor: Domaine Felix et Fils – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2012 (B)
Região: Marlborough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate – Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 10,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Dãowinelover TN Day

    
    

Realizou-se no passado dia 23 de Novembro mais um evento do grupo #daowinelover, promovido pelos bloguistas Pingus Vinicus e Miguel Pereira, que à semelhança do Dãowhiteday decorreu no restaurante Claro do Hotel Solar Palmeiras, em Paço de Arcos.

Desta vez o tema eram os vinhos do Dão elaborados com base na Touriga Nacional, casta originária da região, trazidos pelos produtores que mais uma vez se associaram graciosamente à iniciativa. Nós voltámos a estar presentes e desta vez conseguimos juntar um contingente de 4 participantes, coisa inédita nestes eventos!

Compareceram à chamada 12 produtores, a seguir listados alfabeticamente, pela mesma ordem em que foram apresentando os seus vinhos: Caminhos cruzados, Carlos Lucas Vinhos/Magnum Vinhos, Casa da Passarela, Casa de Mouraz, Dão Sul, Fonte do Gonçalvinho, Júlia Kemper, Quinta das Marias, Quinta de Lemos, Quinta do Escudial, Quinta dos Carvalhais e Quinta dos Roques.

Porque se tornaria demasiado longo e fastidioso falar de todos os vinhos provados, e porque num evento deste género é sempre difícil fazer uma apreciação aprofundada de cada vinho, falemos um pouco de alguns que mais nos marcaram. Sendo a prova orientada para os vinhos monocasta de Touriga Nacional, não se primou exactamente por uma enorme variedade de estilos, mas foi possível descortinar algumas diferenças evidentes entre alguns dos vinhos, mesmo dentro da mesma empresa.

A função iniciou-se com o Touriga Nacional Titular, do produtor Caminhos Cruzados. Um vinho quente com aromas típicos da casta, macio na boca mas algo curto. Muito interessante revelou-se o Ribeiro Santo, de Carlos Lucas, com algum carácter mineral, mais fresco que o anterior, bem estruturado e sem vestígios do estágio em madeira. Da Casa da Passarela veio um Touriga Nacional 2008, austero, com os aromas fechados, muito extraído e concentrado, a precisar de mais tempo em garrafa, e um Villa Oliveira 2009, proveniente de vinhas velhas com mais de 80 anos, elegante e fresco, sem sinal de sobrematuração. Pessoalmente prefirimos o estilo do segundo, pois o primeiro tende a aproximar-se daquele perfil que nalgumas ocasiões torna alguns vinhos de Touriga algo chatos e cansativos.

A Casa de Mouraz, propriedade de filho de viticultores, apresentou dois vinhos, produzidos em agricultura biológica, sendo um deles de lote com Jaen e uvas de vinhas velhas, apresentando uma frescura que foge ao tom um pouco monocórdico da Touriga. Da Dão Sul vieram as duas marcas emblemáticas da casa: um Quinta de Cabriz e um Casa de Santar. O primeiro era o mesmo que tive oportunidade de provar no almoço na Quinta de Cabriz e confirmou esse perfil. Talvez uns anos em garrafas lhe façam bem. Já o Casa de Santar fez pleno jus ao perfil dos vinhos da casa: elegante, não demasiado concentrado, com notas especiadas, suave e com taninos sedosos. Um clássico com o verdadeiro perfil do Dão, dos melhores do dia.

Outra das estrelas do dia foi o vinho de Júlia Kemper, um vinho sedutor com uma longa história contada na primeira pessoa pela produtora. Da mesma forma uma colheita de 1998 da Quinta dos Carvalhais, concentrado e aromático quanto baste para fazer frente a outros bem mais jovens, e a prometer ainda um longo futuro em garrafa.

Da Fonte do Gonçalvinho veio um casal luso (ele)-francês (ela), que se apaixonou pelo Dão e apresentou um vinho ainda muito jovem e a precisar de tempo na garrafa para crescer. Por seu lado, o “jovem” casal da Quinta do Escudial falou-nos da sua experiência no mundo do vinho que começou já bem dentro da terceira idade, destacando-se a coragem de rejeitar a madeira nos seus vinhos, o que lhes mantém alguma pureza e não os mascara, mostrando o verdadeiro carácter do Dão. E para destoar apresentou-nos um excelente branco já na fase dos petiscos.

Da Quinta das Marias veio mais um estrangeiro apaixonado pelo Dão, Peter Eckert, com um vinho muito vivo e firme na boca, com bons taninos mas todo em equilíbrio. Para terminar em beleza tivemos mais uma eloquente exposição de Luís Lourenço acerca do Quinta dos Roques, ficando desde logo anunciado que para o período pós-prova haveria mais vinhos para além da Touriga Nacional...

Terminada esta fase vieram então os comes, em pequenas sanduíches de composição diversa como salmão, legumes, hamburger, abrindo-se então a possibilidade de provar outros vinhos que não foram apresentados na primeira fase.

Já com o serão algo adiantado, os presentes foram-se retirando a pouco e pouco. Foi mais uma bela jornada de propaganda do Dão graças ao entusiamo dos dois organizadores, a quem mais uma vez cabe agradecer o empenho e o trabalho realizado. No entanto, fica a pergunta: que visibilidade se pode esperar destes eventos enquanto eles decorrerem em ambiente privado e sem qualquer envolvimento das entidades oficiais? Será que um grupo de algumas dezenas de entusiastas está mais interessado em divulgar os vinhos do Dão do que os responsáveis a quem esse trabalho supostamente competiria?

Kroniketas e os outros Dão Winelovers

Nota: devido a um problema com o flash, as fotos tiradas ficaram com deficiente qualidade, pelo que deixamos apenas alguns exemplos ilustrativos.