segunda-feira, 30 de setembro de 2013

No meu copo 341 - Duorum 2011; Tons de Duorum 2011

Voltamos aos vinhos de João Portugal Ramos, na sua vertente duriense que partilha com José Maria Soares Franco sob o nome Duorum. Depois dos brancos, agora os tintos.

Aproveitando um dos encontros de Verão em que se destacaram os brancos, resolvemos inovar e inverter os termos habituais da coisa: bebemos os tintos com as entradas, entre alguns enchidos e presunto, antes dos brancos! Há que ousar desafiar os dogmas...

Como eram dois vinhos da mesma casa, abrimo-los ao mesmo tempo e fomos provando os dois em simultâneo. Ambos se saíram bastante bem da prova.

À semelhança da versão branca, a versão tinta do Tons de Duorum bebe-se com facilidade e agrado, é um vinho sem grande complexidade mas feito para agradar no imediato, com corpo médio, frescura e fruta marcante no nariz.

Já o Duorum mostra, logo à primeira impressão, que é doutro campeonato. Estruturado, persistente, elegante e complexo, vai-se vai mostrando a pouco e pouco e que requer tempo para o possamos apreciar. Beneficia com a decantação e promete longa vida em garrafa.

Comparando estes dois vinhos, o Politikos fez uma observação que resume cada um: o Dourum é de ouro, enquanto o outro tem “apenas” uns tons de Duorum...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos

Vinho: Duorum 2011 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Tons de Duorum 2011 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,75 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

No meu copo 340 - Espumante Côto de Mamoelas Bruto Reserva, Alvarinho 2007; Esporão Bruto rosé 2008

Assinalando o 50º aniversário do diletante preguiçoso que se assina(va) neste blog por tuguinho, reuniu o pleno desta irredutível agremiação de carácter não lucrativo (só temos prejuízos, pois apenas fazemos despesas e as únicas receitas que há são as confeccionadas ao fogo...) que dá pelo pomposo nome de Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, assim baptizada numa noite de Julho de 2000, por entre garfos e copos no restaurante “A Travessa do Rio”, em Benfica.

O bandalho aniversariante franqueou as portas do seu reduto ao grupo dos mastigantes e beberrões, que se fizeram acompanhar das respectivas consortes dado o carácter solene da ocasião, tendo-se ainda juntado a prole deste escriba, que o anfitrião conhece desde o nascimento... Do plantel masculino, foi o 5º elemento a entrar na 6ª década de vida, faltando agora apenas 3 elementos (isto porque infelizmente o saudoso Mancha viu o seu percurso interrompido à 48ª passagem pela meta, mas não o esquecemos na hora dos brindes).

A propósito do evento muito haveria para contar, mas por agora começamos pela parte final, a dos espumantes. Para os brindes com o bolo de aniversário foi chamado à liça um espumante bruto feito de Alvarinho, na região dos Vinhos Verdes, o Côto de Mamoelas Bruto Reserva 2007, que já prováramos anteriormente e sempre com aprovação. É um espumante de bolha fina, elegante, delicado mesmo, seco e com a presença de uma ligeira tosta que lhe confere personalidade. A garrafa e o rótulo são muito elegantes, requintados, com desenho fora do vulgar; o “embrulho” predispõe-nos logo a gostar do conteúdo e este depois confirma a boa impressão inicial.

Esgotada esta garrafa na primeira leva, e para continuar já na parte da degustação, recorreu-se a um espumante que tinha sido uma completa revelação há poucos anos, quando em quarteto fizemos uma surtida à Herdade do Esporão: trata-se dum espumante bruto rosé, que na altura desconhecíamos e que nos surpreendeu pela positiva. Não é muito fácil de encontrar à venda, e o tuguinho manteve esta em stock até esta ocasião, e em boa hora o fez. Trata-se dum espumante de personalidade forte, produzido com Touriga Nacional e Syrah, mais marcado pelo fruto e por algumas notas florais. Tem boa presença na boca sem ser agressivo, mostrando mesmo alguma delicadeza na prova de boca. Confirmou-se como uma aposta ganha.

Kroniketas, enófilo em festejos

Vinho: Côto de Mamoelas Reserva, Alvarinho - Espumante Bruto 2007 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Provam - Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 12,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Esporão - Espumante Bruto 2008 (R)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço: 10,84 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 21 de setembro de 2013

No meu copo 339 - Esporão Reserva 1999; Esporão, Petit Verdot 2008

Em mais um encontro dos comensais do costume, que realizámos em memória do amigo que perdemos recentemente, aproveitámos para abrir duas garrafas de vinho da Herdade do Esporão com quase 20 anos a separá-las.

Começámos por uma garrafa que tinha sido adquirida em grupo aquando da visita que fizemos à herdade, na altura uma novidade no portefólio da empresa e que muita curiosidade nos despertou. Trata-se dum exemplar de Petit Verdot 2008, dentro da nova versão dos monocastas, com novos rótulos e novos preços, que tivemos oportunidade de conhecer na sala de provas da herdade e que na ocasião nos pareceu merecedor duma nova, mais cuidada e mais demorada apreciação.

Enquanto eu tratava dos bifes na cozinha, com o molho à minha moda, os outros comensais trataram de começar a consumir a garrafa (uns bandalhos, é o que eles são – tivesse eu fritado mais os bifes e já só lhe via o fundo...), que fez o pleno de elogios por parte dos 7 comensais presentes. Não se esperava aquela complexidade de um vinho monocasta, que mostrou um excelente nariz, com algumas notas violáceas (também na cor), madeira quanto baste sem marcar demasiado o vinho, taninos firmes e poderosos mas sem se tornarem agressivos. Mostrou bom potencial de envelhecimento em garrafa, mas já se apresentou em excelente momento para ser bebido. Não há dúvida de que, a nível de monocastas, o Esporão, que no início da década de 90 foi um dos produtores pioneiros na matéria em Portugal, continua a marcar pontos. Pena é que o reposicionamento da gama a nível de preços tenha atirado estes exemplares para valores perto do proibitivo, porque mesmo se a qualidade continua lá, o custo parece já não justificar o dispêndio, pelo menos com a mesma frequência. Estamos a falar, em números redondos, numa duplicação do preço... Agora custam cerca de 50% mais do que a marca principal da casa...

Em complemento a este monocasta, alinharam duas colheitas dessa marca, o Reserva. A primeira garrafa poderá (ou não) ser aquela que foi recusada no mercado dos EUA devido ao seu rótulo, que apresenta a figura de um árabe. Na colheita de 1999 um rótulo destes foi rejeitado no mercado americano, o que obrigou a empresa a recolher todas as garrafas e reenviá-las com outro rótulo. A verdade é que, em função disso, a garrafa com o dito rótulo passou a ser uma preciosidade porque se tornou rara. A dúvida era se eu teria em casa uma preciosidade que poderia valer alguns milhares. Mas entre ficar à espera de saber ou beber o líquido que a mesma continha, optei pela segunda hipótese. E fiz bem, porque o vinho estava excelente.

Claro que num vinho com esta idade já não se encontra um corpo cheio e estruturado (não estamos propriamente a falar dum Bairrada feito de Baga...), antes encontramos um vinho amaciado pelo tempo e de corpo um pouco adelgaçado, com pouca evidência de fruta, mas ainda pleno de saúde e macieza. Não esquecer também que nesta fase ainda não tinha chegado a época das bombas de fruta e álcool que assolou o país vinícola na última década, e os 13,5% de álcool que esta colheita apresenta já eram, na altura, bastante significativos. Daí notarmos uma diferença de perfil em relação às colheitas mais recentes, mas nos anos 90 o Esporão clássico era mais ou menos assim. Encorpado quanto baste, elegante, macio, algo delicado, predominância a frutos maduros, com boa estrutura e persistência, mas não um vinho de encher a boca para se “mastigar”, com taninos presentes mas finos. Aguentou bem a prova do tempo e não me arrependi de ter aberto a garrafa em vez de tentar vendê-la num leilão. Afinal, o vinho fez-se para ser bebido...

Por fim ainda alinhou um último exemplar da colheita de 2006, que já foi objecto de várias provas e devidamente apreciado e descrito em tempo oportuno. Com a fruta menos exuberante, continua um vinho vibrante, cheio e com uma profundidade aromática invulgar, e como sempre bateu-se galhardamente com a bifalhada. Não defraudou o que se esperava dele, e confirmou-se como uma das colheitas que mais me agradou na última década. Mas, como dizia o saudoso António Silva no inesquecível Evaristo do “Pátio das cantigas”, deste já não há mais...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Petit Verdot 2008 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Petit Verdot
Preço no produtor: 22 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 17 de setembro de 2013

No meu copo 338 - Esporão, Duas Castas 2010 e 2011

Seguindo a mesma linha do nosso já velho conhecido Quatro Castas tinto, a Herdade do Esporão produz desde há alguns um branco que segue a mesma filosofia, intitulado Duas Castas. O princípio é o mesmo, utilizam-se as melhores castas de cada colheita, tintas ou brancas em cada caso, para elaborar o respectivo vinho. Não existem castas fixas pelo que a composição do vinho pode ser completamente diferente de ano para ano.

Já tive oportunidade de provar algumas colheitas deste vinho, sendo que as duas mais recentes, provadas no final do ano passado e neste Verão, apresentam um par de castas completamente distinto, embora mantenham um perfil mais ou menos constante, à semelhança do que tem acontecido com a versão equivalente do tinto.

A versão 2010 apresentou-se com um perfil longo, seco, frutado e com boa profundidade aromática e alguma mineralidade, com algumas nuances de frutos tropicais presentes no aroma.

Quanto ao 2011, apresenta-se com aroma mais cítrico, embora menos exuberante, um pouco mais estruturado, persistente e mais cheio na prova de boca.

Ambos fazem excelente figura à mesa, quer a acompanhar entradas e petiscos leves, quer fazendo parelha com pratos de peixe com temperos com algum requinte. Embora o monocasta Verdelho se guinde a um outro patamar, a roçar a excelência, este Duas Castas é um belíssimo complemento e não envergonha, embora perca ligeiramente numa comparação directa com o seu irmão monocasta.


Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Preço em feira de vinhos: 7,98 €

Vinho: Esporão, Duas Castas 2010 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Gouveio, Verdelho
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Duas Castas 2011 (B)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Sémillon, Viosinho
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

No meu copo 337 - Xelb rosé 2009

Xelb é o antigo nome, em versão árabe, da cidade de Silves. Este vinho provém da Quinta de Mata-Mouros, situada junto à saída da cidade em direcção a Lagoa e na margem esquerda do rio Arade.

Tive oportunidade de conhecer este vinho há alguns anos num restaurante de Ferragudo chamado Le Paradis (para quem não saiba, Ferragudo é uma aldeia situada em frente a Portimão, na margem oposta da foz do rio Arade, que se acede pela ponte velha), e na altura surpreendeu-me pela positiva. Depois passou algum tempo sem que o conseguisse encontrar à venda, até que há alguns meses encontrei-o na Garrafeira Soares da Praia da Rocha. Aproveitei para comprar um exemplar, que foi provado com umas entradas num jantar de férias.

A ideia que tinha formado anteriormente confirmou-se. É um vinho que, sem ter grande exuberância aromática, é muito suave e elegante na prova de boca. Sem a acidez muito evidente, acaba por fazer uma prova agradável, mostrando um corpo e persistência médios. Está a meio caminho entre os rosés mais leves e abertos e aqueles pesadões e enjoativos. Tem uma cor quase de clarete e, embora pareça apresentar uns traços a tender para o tinto, é claramente um vinho muito mais aberto e que faz bem o seu papel refrescante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Xelb 2009 (R)
Região: Algarve
Produtor: Algra - Soc. Agro-Pecuária
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

No meu copo 336 - Brancos de João Portugal Ramos (2)

Marquês de Borba 2012; Tons de Duorum 2012; João Portugal Ramos, Alvarinho 2012


Antes do jantar de férias e antes das férias, aproveitando já a época de Verão um dos comensais recebeu o grupo do costume no seu quintal onde se realizou ao ar livre o também habitual repasto de fim de época, que também marca habitualmente a nossa fuga anual aos bifes e às carnes em geral: um petisco de peixe e marisco, em versão dupla de açorda de gambas e arroz de tamboril, com este escriba no comando das operações de confecção coadjuvado pelo fotógrafo, e com os restantes bandalhos encarregues das operações de corte e picagem dos legumes.

Nos líquidos voltaram a alinhar os novos brancos de João Portugal Ramos que nos têm sido disponibilizados, neste caso um Marquês de Borba 2012, um Tons de Duorum 2012 e o novo Alvarinho, que tinha sido apresentado no jantar de apresentação que decorreu no Hotel Altis Belém e do qual nos foi oferecida uma garrafa.

O Marquês de Borba branco voltou a mostrar as características da prova anterior, sem surpresa, mantendo o mesmo perfil. Um branco com frescura, medianamente encorpado e com um algum fundo mineral, nesta combinação curiosa de quatro castas.

Em estreia tivemos o Tons de Duorum branco, que agradou significativamente aos presentes pelo seu carácter aromático, pela sua frescura e acidez. O perfil do vinho aparece um pouco marcado pela doçura que lhe é conferida pelo Moscatel Galego, numa boa combinação com as outras castas do lote que lhe transmitem boa frescura e acidez. Um lote bem conseguido.

Quando passámos dos petiscos aos pratos de substância (enquanto cozia o arroz de tamboril com gambas, saboreávamos uma açorda de gambas confecionada segundo a receita do livro “Cozinha tradicional portuguesa”, de Maria de Lurdes Modesto), foi então chamado à liça o novo Alvarinho de João Portugal Ramos, que se constituiu como a estrela da companhia.

Grande frescura na boca, grande persistência aromática com notas citrinas e tropicais, fim de boca persistente e marcado por alguma mineralidade. O Politikos mencionou-o como um dos melhores Alvarinhos que já bebeu. Mais um grande Alvarinho a juntar ao rol dos incontornáveis.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba 2012 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Verdelho, Viognier
Preço: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tons de Duorum 2012 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Portugal Ramos, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Alvarinho
Preço: 10 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

No meu copo, na minha mesa 335 - Alvor Singular branco 2012; Cabrita branco 2012; Restaurante Do Cais - Clube Naval de Portimão

    

É já uma tradição com uma boa meia-dúzia de anos (e já aqui a relatámos por duas ocasiões: em 2007 e 2008). Aproveitando o facto de metade do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” passar férias no Algarve em Agosto, ocupando uma faixa que vai desde Alvor (o Politikos) a Armação de Pêra (o Caçador e o Pirata), com passagem por Portimão (este escriba), surgiu a ideia de aproveitar a ocasião para nos encontrarmos para um repasto num restaurante. Desta vez sem necessidade de compras, arrefecimento de garrafas, transporte de copos de boca larga, frappés, decanters, ingredientes, sobremesas, e tutti quanti que envolve os repastos caseiros, bem comidos e melhor regados… O que interessa mesmo, neste caso, é desfrutar das cálidas noites do Verão algarvio (e como foi magnífico este Agosto, como há muito não se via, sempre com a temperatura da água acima dos 23 graus em toda a costa para leste de Lagos... isto no ano que os americanos diziam que ia ser o pior Verão desde que há registos…), e se possível juntando o útil ao agradável, aproveitando uma esplanada junto ao mar ou ao rio.

Pois foi isso que encontrámos em 2012, e agradou de tal forma que este ano logo o Pirata me informou que estava antecipadamente votado regressarmos ao local. E que local é este, afinal?

Trata-se do restaurante do Clube Naval de Portimão, situado na zona ribeirinha da cidade, no extremo oposto à ponte velha e aos restaurantes da sardinha assada. No primeiro andar podemos desfrutar duma vista panorâmica sobre o rio Arade numa extensão prolongada entre a ponte e a foz, pois para além da sala interior existe uma esplanada que fica mesmo em cima do rio. Em noites quentes como as que se tivemos este ano, pode-se ficar por ali em amena cavaqueira até o restaurante fechar. Foi o que aconteceu, fomos os últimos a sair, já para lá da meia-noite e com a equipa do restaurante a arrumar as mesas e as cadeiras da sala...

Para além da situação geográfica privilegiada, o restaurante por si só também justifica uma visita, pois apresenta uma qualidade muito apreciável, permitindo reconciliarmo-nos com as refeições fora de casa em tempo de férias, pois foge ao caos que impera em grande parte dos locais similares nesta época do ano. Precisamos é de nos forrar com alguma paciência, pois para não fugir à regra o serviço é algo demorado. No entanto, podemos compensar a espera com a degustação sucessiva de várias tacinhas de um delicioso paté de peixe (com alho, pimento e sei lá que mais), que se vai barrando num excelente pão até ser preciso pedir mais. Mais pão e mais paté.

A ementa é vasta e variada, sendo preferencial a escolha dos pratos de peixe, apesar de nela também constarem alguns apetitosos bifes. No entanto temos quase sempre optado pelos arrozes, massadas ou cataplanas. Já tinha experimentado noutra ocasião e voltei a escolher uma cataplana de lombinhos de porco com amêijoas que partilhei com o Caçador. Excelente no tempero, bem carregada de tomate como se impõe e com o molho bem apurado, é um prato que merece ser revisitado e pede meças às outras cataplanas exclusivamente de peixe. Também vieram umas espetadas de tamboril com gambas e uma massada de peixe. Ninguém se queixou, nem da quantidade nem da qualidade, e no fim o Politikos ainda fez questão de nos dar a provar o resto da massada de peixe.

Nos vinhos, como também vem sendo hábito nestas ocasiões, optámos unicamente pelos da região: do Algarve e, se possível, de Portimão. Um já nosso conhecido, o Alvor Singular, voltou a mostrar-se à altura dos acontecimentos. Bebe-se com prazer, é fresco, leve sem ser deslavado e tem uma boa acidez. Vem uma garrafa, outra e outra, até que se acaba por querer experimentar outro vinho. Optamos, então, por um Cabrita (produzido no Sítio da Vala, perto de Silves), mais estruturado e encorpado, mais persistente mas também mais rústico e menos elegante, e que talvez por isso mesmo desagradou às senhoras. Garrafa esgotada, e voltámos ao Alvor Singular até ao fim da refeição.

Nas sobremesas, e apesar de algumas de pendor mais regional, não há grande história para contar: são as que há em todo o lado, como o universal “doce da casa” ou a mousse de chocolate.

Quanto ao espaço em si, vale a pena lá voltar. Descontadas as já esperadas deficiências desta época (embora sem chegarmos ao ponto de exasperar pela demora), a qualidade é boa, o atendimento simpático, atencioso e permite estabelecer algumas conversas com o pessoal que vai rodando pelas mesas, e no final toda a gente sai satisfeita. O preço, não sendo propriamente barato (quem procurar gastar pouco deve escolher outro local), também não queima em demasia, e quando assim é não há grandes razões de queixa. Recomenda-se, portanto, a quem estiver disposto a passar um bom serão sem se preocupar em demasia com o valor da conta...

No fim de tudo isto, um passeio de ida e volta em passo lento até ao outro extremo da zona ribeirinha, com a conversa a prolongar-se até às 2 e meia da manhã. E por ali teríamos ido ficando não fosse o adiantado da hora. Regresso a casa, que para o ano há mais, e os próximos repastos voltarão ao registo caseiro na zona da Capital. Como aquele outro que tinha antecedido este, e que também já é tradicional: o repasto de fim de época antes das férias...

Kroniketas, enófilo regressado de terras algarvias

Restaurante: Do Cais
Clube Naval de Portimão
Zona Ribeirinha, Doca de Recreio
8500-503 Portimão
Tel: 282.432.325
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Alvor Singular 2012
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Cabrita 2012 (B)
Região: Algarve
Produtor: José Manuel Cabrita - Quinta da Vinha
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço no restaurante: 11 €
Nota (0 a 10): 7