sábado, 31 de agosto de 2013

No meu copo 334 - Salira branco 2011; Porches branco 2012; Quinta da Penina branco 2012

Desta vez temos um relato de provas realizadas em férias algarvias, contadas pelo Politikos.

De férias no Algarve, e para consumir no dia-a-dia, portanto na gama baixa de preços (inferior a 5€), decidi-me a sair dos brancos de refúgio, já conhecidos e com provas dadas, e aventurar-me nalguma da oferta de vinhos do Algarve, ao dispor nas grandes superfícies locais. Assim, comprei um Salira 2011, um Porches 2012 e um Quinta da Penina 2012, os dois primeiros produzidos pela Única - Adega Cooperativa do Algarve (antiga Adega Cooperativa de Lagoa) e o último produzido pela Quinta do mesmo nome, que também produz o Foral de Portimão.

O Salira 2011 estava “passado”. Foi comprado no novo Continente da Quinta do Mocho, que veio substituir o que existia no Retail Park de Portimão e que ardeu há uns meses. Não tinha tempo de prateleira em hipermercado para isto, mas deveria ter um ano de garrafa, o que prova que nos vinhos brancos desta gama de preços, por uma questão de segurança, convém comprar os da colheita mais recente, para não apanharmos surpresas desagradáveis como esta. O dito Salira é feito de Crato Branco e Moscatel e possui uns ajuizados 12,5%. De brancos, é a segunda vez que me acontece comprá-los “passados”. Curiosamente da primeira vez também foi com um vinho feito com Moscatel (tivemos oportunidade de referir esse facto aqui).

O Porches 2012, com enologia de Mário Andrade, é feito com Crato Branco, Boal Branco e Manteúdo. Apresenta uma cor palha carregada e frutas maduras no nariz. É um vinho com alguma personalidade e alguma presença na boca, parecendo ter madeira – o contra-rótulo é nisso omisso –, a fazer lembrar um Chardonnay. Confesso que me pareceu uma espécie de Chardonnay rústico e com alguma tipicidade. Bater-se-ia galhardamente com comidas mais condimentadas: um peixe assado, uma caldeirada ou afim. Não me fascinou mas também não me desagradou. Quem sabe, a rever no futuro.

Por último, o Quinta da Penina 2012, com viticultura de João Mariano e enologia Luís Rodrigues, em parceria com o primeiro, é feito com Crato Branco/Síria (90%) e Arinto (10%). Foi o que mais me agradou. Aromático, com notas cítricas quanto baste, não muito exuberantes, muito fresco na boca, com acidez presente mas domada, diria até delicada. Também possui uma graduação assisada (12,5%) o que faz dele uma boa companhia para as noites de Verão, seja a solo ou a acompanhar pratos não muito condimentados. No caso acompanhei-o com umas amêijoas à Bulhão Pato e soube-me muito bem. E, com uma ligeira ajuda da consorte, esvaziei com proveito 2/3 da botelha ao jantar, tendo saído da liça em perfeito estado.

E assim vamos conhecendo as novas tendências do vinho por terras algarvias, que há meia-dúzia de anos parecia ser uma região extinta. E foram novamente estes que estiveram em destaque no jantar anual de férias dos Comensais Dionisíacos...

Politikos, enófilo convidado em férias algarvias

Região: Algarve (Lagoa)

Vinho: Porches 2012 (B)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Boal Branco e Manteúdo
Preço em hipermercado: 3,15 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Quinta da Penina 2012 (B)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Arinto
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: Não encontramos explicação para o facto de o Quinta da Penina, que para quem conhece a zona tem origem junto à estrada nacional 125 na zona do hotel da Penina, próximo de Alvor e portanto bem dentro da zona de influência de Portimão, ser apresentado com denominação de origem DOP Lagoa. Certamente, malhas que a nossa intrincada legislação tece...

domingo, 25 de agosto de 2013

No meu copo 333 - Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2011; Quinta da Lagoalva rosé 2010

Era inevitável! Entre os rosés que nos vão passando pelos copos durante o tempo mais quente, mais tarde ou mais cedo uma colheita do Quinta da Alorna há-de aparecer a fazer parte do painel. Neste caso apreciamos dois rosés da região Tejo, que tem produzido alguns dos melhores do género.

Como era de esperar (e já se trata dum clássico na minha garrafeira), o Quinta da Alorna brilhou e confirmou-se como um dos melhores, senão mesmo o melhor que temos por cá (é a minha opinião e vale o que vale – é uma opinião como qualquer outra). Continua com o mesmo perfil de sempre e parece ter atingido o modelo ideal, pelo menos para o meu gosto. Já tive várias ocasiões para tecer todos os elogios a este vinho, pelo que não vale a pena estar a repetir o que já disse anteriormente, relativamente às colheitas de 2010, 2007 e 2006.

No caso do vizinho de Alpiarça, da Quinta da Lagoalva, não se tratando de uma estreia porque já o conhecia dum restaurante, também não deixou ninguém mal. É menos exuberante no aroma, mais discreto, e neste caso impõe-se mais pela suavidade que apresenta e pelo equilíbrio entre corpo, aroma e acidez, terminando com persistência média e delicada. Aconselha-se por isso a que seja consumido preferencialmente com pratos mais leves e delicados. Não é tanto um vinho de refeição como o Alorna, mas mais de entradas, acepipes, petiscos...

O preço também é muito apelativo, pelo que é mais um bom rosé a ter em conta para aquisições futuras.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2011 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta da Lagoalva 2010 (R)
Região: Tejo (Alpiarça)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,19 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 18 de agosto de 2013

No meu copo 332 - Quinta de Cidrô rosé 2011; Vallado, Touriga Nacional rosé 2011

Continuamos na senda dos rosés. A verdade é que, à semelhança dos brancos, também esta variedade tem vindo a melhorar claramente nos últimos anos, com cada vez mais produtores a incluírem pelo menos um rosé na sua gama de produtos. E de norte a sul eles vão aparecendo e afinando o estilo.

Felizmente, digo eu, a maioria opta pelo estilo daquilo que eu acho que deve ser um vinho rosado: leve, fresco, de preferência mais seco do que doce, moderadamente alcoólico, não demasiado estruturado, versátil de modo a poder acompanhar uma variedade alargada de pratos e petiscos, ou seja, tanto entra no campo dos tintos como dos brancos. Felizmente também, digo eu outra vez, parece dominar a tendência para escolher e tratar em conformidade na vinha as uvas que irão ser usadas para produzir um rosé, e vão perdendo terreno aqueles que são feitos de sangrias de cuba, em que se aproveita os restos das uvas que foram usadas para fazer tinto e donde saem os tais rosés que “gostariam de ser tintos quando forem grandes”...

Neste caso vamos falar de dois rosés do Douro, de duas casas cujo nome dispensa apresentações. Ambos feitos exclusivamente com Touriga Nacional, a casta considerada rainha nos tintos mas que, curiosamente, tem proporcionado alguns dos melhores rosés que já provei. E agora uma provocaçãozinha: e se, de repente, se descobrisse que a verdadeira vocação da Touriga Nacional era para fazer os melhores rosés, em vez dos melhores tintos???

Temos assim dois bons exemplares de vinho rosé por preços que valem o produto. O Quinta de Cidrô foi bebido na companhia de não particulares apreciadores do género mas recebeu bastantes elogios, o que só pode ser bom sinal. Muito equilibrado, aromático, com predominância a frutos vermelhos e algum floral, acidez no ponto certo. É um rosé de estrutura média, fresco, elegante, suave, persistente.

O Vallado, feito com a mesma casta, tem um perfil ligeiramente mais leve e mais aberto, com a cor um pouco menos carregada, a tender ligeiramente para o salmão. É proveniente de vinhas situadas na cota mais alta da quinta, permitindo assegurar frescura, acidez e um menor teor alcoólico. É suave, aberto e aromático, sobressaindo mais o floral que se impõe sobre os frutos silvestres.

Dizer de qual gostei mais é difícil, pois ambos me agradaram, cada um com o seu estilo próprio. São mais duas referências a fixar. Não deixe de experimentar um ou outro... ou ambos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro

Vinho: Quinta de Cidrô 2011 (R)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,69 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2011 (R)
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 13 de agosto de 2013

No meu copo 331 - Mateus Rosé Emotions, Aragonês 2012

Mais tarde ou mais cedo este tinha que nos vir parar no copo. E veio justamente na ocasião que parecia mais adequada: fim de tarde de Verão, bem fresquinho, à beira da piscina, com uns petisquinhos a acompanhar.

Ao contrário da tendência um bocado generalizada em Portugal, que tende a minimizar e desvalorizar o Mateus Rosé, por alguma razão ele é o vinho português mais vendido no estrangeiro e representa “apenas” 20% do volume de vendas da Sogrape. A verdade é que, como qualquer outro vinho e como os rosés em particular, ele deve ser apreciado da forma para a qual foi concebido.

Esta versão modernizada do velho Mateus, chamada Emotions, um monocasta de Aragonês, que pretende apelar às emoções, enquadra-se perfeitamente nos prazeres de Verão. Vinho frutado, refrescante, leve sem ser chato, ligeiramente adocicado mas sem se tornar cansativo, não sei se foi pelo meu estado de espírito mas caiu-me muito bem e soube melhor. Afinal, se o objectivo é ligar com as emoções, resultou.

Beba-se despreocupadamente, admirando a sua cor salmonada mas sem cuidar de encontrar os aromas de morango ou florais que se vão desprendendo do copo, e desfrute-se dele para ter momentos agradáveis. Não é isso, afinal, o que procuramos quando bebemos?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mateus Emotions, Aragonês 2012 (R)
Região: Sem denominação
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 10,5%
Casta: Aragonês
Preço em hipermercado: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Nas Coisas do Arco do Vinho - Com Luís Pato

   


Esta era outra oportunidade que não se podia deixar passar, a não ser que fosse de todo impossível estar presente. Coincidindo com o dia de greve e de outras provas a decorrer em simultâneo na capital, desloquei-me sozinho à loja Coisas do Arco do Vinho, de novo com outros proprietários, para assistir à apresentação de algumas novidades de Luís Pato, o “senhor Bairrada”, simultaneamente com a apresentação de um livro sobre os vinhos de Portugal, na vertente da prova, degustação e harmonização, da autoria de Carlos Freire Correia.

De Luís Pato espera-se sempre algo de original, irreverente fora dos cânones. Mais uma vez não defraudou essas expectativas. Mostrou aos presentes um espumante bruto feito apenas com Maria Gomes, um tinto Informal, mais leve e despretensioso, um branco igualmente de Maria Gomes, e depois a grande surpresa, um tinto... de uvas brancas, chamado Fernão Pires! Explica-se: o nome é em honra do neto, aproveitando o nome equivalente para a casta que tem o nome Maria Gomes na Bairrada. 94% do vinho foi feito com uvas de Fernão Pires/Maria Gomes e 6% fermentou apenas com as películas da Baga. Daqui saiu um vinho que, sendo na origem branco, obteve a cor tinta de uma pequena quantidade de películas de uva tinta... confuso, não é? Estamos a prová-lo e não percebemos bem se estamos a beber um branco ou um tinto... Bem, a verdade é que no rótulo consta como tinto, pois é essa a cor dele.

Seguiu-se um tinto de Baga, esse sim verdadeiro, depois o original BTT, cuja colheita de 2009 tinha provado aquando do lançamento do Grande livro da oliveira, e finalmente o Abafado Molecular, sempre um vinho diferente e curioso.

Paralelamente, o agrónomo Carlos Freire Correia, que ministra cursos de formação na área da enogastronomia, falou-nos do seu livro, que pretende ajudar o consumidor a perceber o que está a beber, caracterizando os vinhos portugueses, e abordando os princípios fundamentais da prova, serviço e harmonização do vinho, como se destaca no subtítulo: degustar, adequar, servir. Parece um bom princípio para novos enófilos que queiram ter um guia por onde se orientarem.

Resta desejar sucesso a ambos os participantes no evento, que nos proporcionaram interessantes momentos de prova e de conversa. Quanto ao livro, já o adquiri já o adquiri e espero recolher dele mais alguns ensinamentos.

Aos novos proprietários, que pareceram ainda um pouco perdidos no meio dos procedimentos a efectuar na gestão da prova, fica uma sugestão: talvez alguma formação na gestão do negócio e na forma de realização destas provas ajudasse. Fiquei com a sensação de que se anda um pouco à deriva e ao sabor dos pedidos do produtor. Não é dum momento para o outro que apenas por autodidatismo se passa a ser um profissional da matéria...

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Na GN Cellar 1 - Quinta das Bágeiras, segundo “round”

   

Já em tempo de férias, de sol, praia e preguiça, vamos tentar não deixar isto completamente parado. É uma boa oportunidade para pôr em dia algumas referências a diversas provas realizadas nas últimas semanas antes das férias.

A primeira referência trata-se dum caso que não é muito habitual, mas gostámos tanto da prova da Quinta das Bágeiras, e são tão raras estas oportunidades, que resolvemos voltar à carga e fazer uma nova incursão (poucas semanas depois da prova realizada na Wine O’Clock) para um segundo “round”, agora nas mais recentes instalações da Garrafeira Nacional, principalmente para ter oportunidade de voltar a provar essa raridade que dá pelo nome de Pai Abel Chumbado.

A prova não trouxe novidades em relação à anterior, mas pudemos voltar a rodar por todo o painel disponível e confirmar as impressões colhidas anteriormente. Definitivamente são vinhos para apreciadores, e nunca para quem só procura o vinho docinho e frutadinho. Estes são de outro campeonato, pedem tempo, paciência, e comida que lhes faça justiça. A verdade é que os aficionados continuam a aparecer, portanto não me parece que se corra o risco de deixar de haver mercado para os clássicos. Bem pelo contrário, parece haver uma lenta disseminação do conceito que vai chegando a novos consumidores.

Para finalizamos a tarde em beleza, resolvemos levar connosco uma garrafa do Pai Abel Chumbado 2011, para partilhar com a comunidade habitual um dia destes, com um prato a condizer.

Kroniketas, enófilo esclarecido