sábado, 29 de junho de 2013

No meu copo 324 - Quinta da Invejosa Reserva 2007

Este é um produtor que desconhecíamos. Um dos comparsas apresentou este vinho à comunidade e resolvemos experimentá-lo. A região da Península de Setúbal está em alta, e ultimamente tem vindo a impor-se entre as que mais vendem em Portugal, ao que certamente não será alheia uma qualidade média muito apreciável e boas relações qualidade-preço na maioria dos vinhos ali produzidos.

Com 4 grandes nomes a puxar a carroça (José Maria da Fonseca, Bacalhôa, Adega de Pegões e Casa Ermelinda Freitas), muitos outros produtores de menor dimensão têm apanhado a onda para navegar nas mesmas águas, engrossando o painel de oferta com produtos a preços muito competitivos que não deixam de surpreender pela positiva.

Deste, o mínimo que podemos dizer é que foi uma agradável revelação. Embora haja alguns comparsas que não se dão muito bem com os vinhos de Castelão, neste caso ninguém se queixou. Apresentou-se um vinho estruturado e amaciado pelo estágio em madeira (12 meses), com um toque caramelizado a predominar no aroma e a quebrar alguma rusticidade do Castelão que se sente lá no fundo. Um conjunto agradável que não envergonha nem deslustra à mesa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Invejosa Reserva 2007 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Filipe Jorge Palhoça
Grau alcoólico: 14%
Casta: Castelão
Preço: 6 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 25 de junho de 2013

No meu copo 323 - Tintos velhos da Bairrada (3)

Caves São João Reserva 1985; Casa de Saima 1997; Casa de Saima 2000


Mais uma incursão por tintos velhos da Bairrada, desta vez perante umas costeletas grelhadas desta vez perante umas costeletas grelhadas e ainda na companhia do Mancha.

No caso em apreço, nenhum dos três vinhos provados se sobrepôs claramente aos outros. Todos se mostraram de perfeita saúde, sem sinais de declínio, mas já com evolução evidente, sendo que a diferenciação se fez mais pelo corpo, pela estrutura, persistência, frescura. Houve um certo destaque do Casa de Saima 1997, um pouco mais pujante que o de 2000.

Já o Caves de São João Reserva 1985, um clássico de muitos anos, sempre com muito boa estrutura e persistência, que eu já tinha provado há uns bons anos e que estava magnífico, apresentou-se já num ponto de evolução mais avançado, macio e encorpado mas sem tanta frescura e com menos bouquet. Mas em perfeito estado para beber, não obstante o ponto óptimo já estar lá para trás.

Em todo o caso qualquer um deles valeu a pena, para quem como nós aprecia este tipo de vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Caves São João Reserva 1985 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa de Saima 1997 (T)
Produtor: Rosa Rodrigues de Almeida
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 845 $ (comprado em 1999)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa de Saima 2000 (T)
Produtor: Rosa Rodrigues de Almeida
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,65 € (comprado em 2002)
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de junho de 2013

No meu copo 322 - Tintos velhos do Dão (1)

Dão Primavera Reserva 1983; Dão Pipas Reserva 1985; Dão Sogrape Reserva 1985


Continuando na senda dos vinhos velhos, vamos agora revisitar alguns tintos velhos do Dão. Há alguns meses tive a oportunidade de me cruzar com uma panóplia de vinhos velhos do Dão no encontro dos Dão Winelovers na Casa da Passarela. Para esse evento tive a oportunidade o último exemplar que ainda detinha de um dos vinhos aqui referidos: o Primavera Reserva de 1983.

Escolhi-o precisamente devido à prova que tinha feito do outro exemplar. Apresentou-se em grande forma, com um aroma limpo e saudável, macio, suave, aveludado, tudo muito equilibrado. Com 30 anos, parecia que o tempo não tinha passado por ele e que se encontrava num patamar de estabilidade que poderia mantê-lo neste estado sabe-se lá por quantos anos. Muito bom. Esteve esquecido na garrafeira durante quase 20 anos, e apetece-me dizer: felizmente!

Os outros dois provados na mesma ocasião são (eram) dois clássicos do Dão na sua época. Dois produtos da Sogrape, antes da mudança para a marca Quinta dos Carvalhais, e já aqui amplamente referidos em variadas colheitas: o Dão Sogrape Reserva e o Dão Pipas, ambos da colheita de 1985.

(Links para todas as provas realizadas destes vinhos nos posts de balanço: as primeiras 100 provas, 200 provas e 300 provas)

Tal como habitualmente, não desiludiram e corresponderam inteiramente às expectativas. A prova comparada permitiu confirmar uma impressão de muitos anos: sempre considerámos o Pipas uns furinhos acima do Sogrape Reserva. Neste caso estavam ambos excelentes, mas o Pipas voltou a bater o Sogrape Reserva aos pontos. O Sogrape Reserva (adquirido o ano passado numa promoção de vinhos antigos da Garrafeira Nacional) apresentou um grande bouquet, cor rubi aberta, suave, delicado e persistente. Já o Pipas apareceu em grande forma, com grande frescura, estrutura e persistência notáveis, impossíveis de associar à idade. Parecia quase ser um vinho jovem! Grande vinho, é mesmo daqueles a que apetece chamar “grande pomada”!

Que prazer nos Dão (!!!) estes vinhos velhos sem idade. Não me canso de repeti-lo aqui, sempre que abrimos estas garrafas que ainda restam de colheitas antigas, quando não estão estragados muitos são quase sublimes! Foi mais uma vez a sensação que ficou destes três vinhos magníficos. O nosso saudoso Mancha ainda teve o prazer de também poder degustá-los.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão

Vinho: Primavera Reserva 1983 (T)
Produtor: Caves Primavera
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Dão Pipas Reserva 1985
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Dão Sogrape Reserva 1985
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 15 de junho de 2013

No meu copo 321 - Tintos velhos da Bairrada (2)

Frei João 1992; Quinta do Poço do Lobo 1990; Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995


De vez em quando vamos fazendo umas visitas às relíquias que foram ficando esquecidas nas garrafeiras, as quais incidem maioritariamente em tintos do Dão e sobretudo da Bairrada. Ao longo dos anos vamos abrindo umas quantas quando calha, tentando reter na memória as impressões que nos causaram e que são quase irrepetíveis. Um traço distintivo parece uni-los, pois tanto os tintos do Dão como os da Bairrada envelhecem talvez como nenhuns outros em Portugal. A idade não lhes retira o carácter, amacia-lhes o perfil e confere uma complexidade impossível de encontrar nas bombas de fruta e juventude actuais. São algumas dessas impressões que vamos tentando, uma vez por outra, dar a conhecer. Pelo menos para memória futura e para ajudar esses impressões a perdurar no tempo...

Estas abordagens são feitas quer em conjunto com os comparsas do costume, quer, uma vez por outra, a solo em casa, sempre bem acompanhadas por uns bifes fritos em molho, costeletas de novilho ou até com as já habituais gravatinhas do restaurante David que têm acompanhado alguns repastos.

Já lá vão uns anos desde que aqui escrevi um apontamento sobre uma abordagem feita a solo. Agora esta abordagem foi feita em grupo, perante o plenário dos habituais comensais e a bater-se com uma bela peça de veado abatida pelo nosso caçador de serviço e, para grande pesar nosso, a última em que pudemos contar com a presença do nosso Mancha, o amigo que nos deixou recentemente. A única coisa que me consola é o facto de na última prova ter contado com os seus vinhos de eleição, cuja escolha contou com a sua colaboração.

Estavam disponíveis vinhos do Dão e da Bairrada e, perante o aroma que se desprendia durante a cozedura do cervídeo, foi rapidamente decidido que os da Bairrada seriam os mais adequados para a função. Assim se fez, tendo a escolha recaído apenas em vinhos das Caves São João e com a decantação a ajudar em dois dos casos, depois duma rápida apreciação ao estado de cada vinho.

O Frei João, um clássico da Bairrada que não é dos mais badalados, sempre foi dos nossos vinhos preferidos, não obstante em termos de preço se situar na gama baixa, mas é daqueles que nunca nos deixou ficar mal, e bate-se excelentemente com carnes poderosas. Tem alguma macieza a par com suficiente robustez para não se perder nos temperos. Um valor seguro, e este, adquirido o ano passado na Garrafeira de Campo de Ourique já com 20 anos de idade, embora com sinais evidentes de evolução, a mostrar que já não iria melhorar mas também sem denotar um claro declínio, estava perfeitamente bebível e justificou plenamente o valor que demos por ele.

Os dois exemplares da Quinta do Poço do Lobo suscitaram opiniões desencontradas. Houve quem preferisse o da colheita de 1990 (o mais caro dos três), que apresentou alguma elegância mas ao mesmo tempo boa estrutura e persistência, com bastante equilíbrio de conjunto.

Já o Reserva de 1995 acabou por colher a preferência da maioria, como foi também o meu caso, pois além das características mostradas pelo de 1990 ainda lhe acrescentou uma complexidade aromática com uma panóplia de aromas terciários e uma persistência notáveis, com maior vivacidade no palato e taninos arredondados mas ainda evidentes e firmes, o que fez pender a balança para o seu lado. De tal forma que, comprado há uns meses numa promoção no Continente e pelo que custou, nos faz agora lamentar não ter comprado mais garrafas... ou até todas as que estavam em stock!!! Notável, um daqueles vinhos que nos fazem sempre reconciliar com os vinhos antigos.

Eu sei que já é uma frase repetitiva, mas não nos cansamos de beber e elogiar estes vinhos, e cada vez mais vamos concluindo que vale a pena comprar todos os que pudermos.

Kroniketas, enófilo esclarecido e o resto da cambada

Região: Bairrada
Produtor: Caves São João

Vinho: Frei João 1992 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: 7,5 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta do Poço do Lobo 1990 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Castelão, Moreto
Preço: 14,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Castelão, Moreto
Preço: 8,30 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estamos mais pobres

  
Um dos elementos fundadores do núcleo duro daquilo a que chamámos o Grupo gastrónomo-etilista “Os Comensais Dionisíacos” já não está connosco. Mestre Mancha, em cuja casa realizámos inúmeros repastos e incontáveis provas, em que passámos tardes e noites longas a falar de tudo e de nada, de nós e da vida, e também de vinho e comida, partiu sem nos dar tempo para nos despedirmos dele.

Ainda há poucos dias estivemos todos juntos à mesa, a degustar o que ele mais gostava, os tintos clássicos da Bairrada, numa das muitas ocasiões registadas mas ainda não contadas (e ainda há tantas para contar), mas já não poderemos contar com ele para dar a sua opinião sobre aqueles que tínhamos comprado e que ainda estão à espera de ser provados...

Há uma frase feita que diz que ninguém é insubstituível e que os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. Mas na verdade ninguém é substituível, porque o lugar que ele ocupava não pode ser ocupado por mais ninguém, e porque quando perdemos um dos nossos perdemos também uma parte de nós próprios.

Neste momento de luto e de pesar, curvamo-nos respeitosamente perante a memória do nosso amigo e fazemos também o nosso luto, interrompendo as publicações neste blog durante a próxima semana.

Resta-nos apenas brindar em sua homenagem... com um tinto velho da Bairrada, naturalmente.

Para ti, Zé, de todos nós.

Os diletantes preguiçosos, tuguinho e Kroniketas, mais o caçador, o pirata, o fotógrafo, o Politikos, o bandeira e o marmelo

PS: Quando nos encontrarmos, tem um copo de Bairrada á nossa espera.

terça-feira, 4 de junho de 2013

No meu copo 320 - Quinta da Terrugem 2006; Vinha de Saturno 2006; Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2010

Em mais um encontro dos Comensais Dionisíacos na casa de Mestre Mancha, acompanhando umas gravatinhas e umas costeletas grelhadas, abrimos dois néctares de alto gabarito, um deles já nosso conhecido de tempos recentes, o Vinha de Saturno.

Abertas as garrafas e verificado o estado de cada um dos vinhos, começámos pelo Quinta da Terrugem, mais suave e delicado. Apresentou-se com boa estrutura, bem encorpado, ligeira evolução na cor, macio na boca e com boa persistência. Um vinho caracterizado acima de tudo pela delicadeza e elegância, próprio para pratos requintados.

Já o Vinha de Saturno, provado pela primeira vez num jantar no restaurante Jacinto, já aqui relatado, transporta-nos para outra galáxia. É um daqueles vinhos que conseguem ultrapassar o limiar da excelência e que, quando os bebemos, nos sabem como néctares dos deuses. Obrigatório decantar para não deixar toda a panóplia de aromas presos na garrafa, porque o primeiro ataque, tanto no nariz como na boca, é algo fechado e austero. Concentrado na cor, com grande corpo, grande estrutura, grande persistência, taninos em evidência mas bem integrados no conjunto marcado por alguma especiaria e notas evidentes da madeira (estágio de 12 meses), é um daqueles vinhos que nunca mais acabam na boca e que duram toda a noite, e só ao fim de algum tempo libertam todo o seu esplendor. Notável, de facto!

Para terminar, e a acompanhar a sobremesa, uma garrafa de Colheita Tardia adquirido na Wine O’Clock aquando da prova dos vinhos do Casal de Santa Maria. Este vinho foi mostrado nessa prova e agradou-nos bastante, pelo que tratámos de levar uma garrafa. Muita frescura, algumas notas meladas e compotadas, com uma consistência quase a lembrar xarope mas sem aquela sensação de podridão que por vezes marca estes vinhos, bebe-se com muito agrado. Valerá a pena repetir, embora o preço, para o tamanho da garrafa, não seja dos mais apelativos... No entanto, a nível de colheitas tardias é sem dúvida uma opção a considerar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Terrugem 2006 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço: 11,24 € (comprado em 2010)
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vinha de Saturno 2006 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Baga
Preço: 33,60 € (comprado em 2009)
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Casal de Santa Maria, Colheita Tardia 2010 (B) (garrafa de 375 ml)
Região: Lisboa (Colares)
Produtor: Adraga Explorações Vitivinícolas
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Petit Maseng
Preço: 12,32 €
Nota (0 a 10): 8