sábado, 30 de março de 2013

O ciclo da vinha ao vinho

  

Há dias tive oportunidade de assistir, juntamente com o Politikos (ao fim e ao cabo, os dois marretas resistentes) à apresentação, no sumptuoso salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa, da obra O grande livro da oliveira e do azeite - Portugal oleícola. Coordenada por Jorge Böhm, o produtor dos vinhos Plansel, a obra conta com textos da autoria de diversos técnicos da área da olivicultura, bem como a participação de diversas entidades oficiais, nomeadamente o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). O mesmo autor já tinha lançado O grande livro das castas - Portugal vitícola, onde são apresentadas detalhadamente as castas de uva de origem portuguesa.

Colaborando com o projecto esteve uma pequena empresa da área informática que, em parceria com as entidades envolvidas, fez a apresentação do site intitulado Vine to wine circle, que pretende ser um repositório das castas existentes em Portugal, disponibilizando informação pormenorizada acerca da sua origem, características, regiões e produtores dessas regiõesVine to wine circle, que pretende ser um repositório das castas existentes em Portugal, com informação pormenorizada acerca da sua origem e das suas características, regiões onde existem e com ligação a produtores das respectivas regiões.

Embora ainda numa fase embrionária, o site pareceu-nos bastante interessante e com um grande potencial informativo, servindo de base para os enófilos (e naturalmente os bloguistas) irem “beber” informação técnica especializada e rigorosa, à qual nem sempre é possível aceder de forma fácil.

Formulamos votos para que este novo site possa crescer e melhorar. Estaremos atentos e disponíveis para contactar os autores sempre que, tal como foi pedido à assistência, forem encontradas falhas, ou mesmo para sugerir melhorias. Com o contributo de todos, todos certamente irão beneficiar da informação existente.

Resta acrescentar que após a apresentação da obra e do site Vine to wine circle, teve lugar um beberete/cocktail onde foi possível provar e degustar alguns produtos regionais, entre pão, queijos, enchidos e doces, acompanhados de vinhos e azeites de várias regiões. Sem entrarmos na análise de cada vinho provado, não queremos deixar de dar o merecido destaque ao bairradino BTT, da autoria de Luís Pato (sempre ele a inovar), cujo nome resulta da junção das iniciais das castas que lhe dão origem: Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional. No meio de vários vinhos da moda com a habitual doçura frutada que já se vai tornando maçadora, não pudemos deixar de fazer o seguinte comentário: “este, sim, é um vinho a sério”. Há coisas que, realmente, são só para quem sabe... Mais uma vez, aquele a quem já chamaram o «senhor Bairrada», o enfant terrible eternamente jovem e inovador, deu cartas no meio da concorrência. Se o próprio lá estivesse, eu ter-lhe-ia dado os parabéns.

Resta acrescentar que após a apresentação dos temas em destaque houve lugar a um beberete/cocktail onde foi possível provar e degustar alguns produtos regionais, entre pão, queijos, enchidos e doces, acompanhados de vinhos e azeites de várias regiões. Sem entrarmos na análise de cada vinho provado, não queremos deixar de dar o merecido destaque ao bairradino BTT, da autoria de Luís Pato (sempre ele a inovar), cujo nome resulta da junção das iniciais das castas que lhe dão origem: Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional. No meio de vários vinhos da moda com a habitual doçura frutada que já se vai tornando maçadora, não pudemos deixar de escapar o comentário “este sim, é um vinho a sério”. Há coisas que, realmente, são só para quem sabe… Mais uma vez o “senhor Bairrada”, o enfant terrbile eternamente jovem e inovador, deu cartas no meio da concorrência. Se o próprio lá estivesse, eu ter-lhe-ia dado os parabéns.

Kroniketas com Politikos, por entre vinhos e azeites, mas sem estarem com os azeites...

quinta-feira, 28 de março de 2013

No meu copo 307 - Luís Pato espumante bruto, Maria Gomes 2010

Vem mesmo a propósito dos relatos anteriores. Um aniversário de um dos comensais habituais foi um pretexto para abrir uma garrafa de espumante para festejar o meio da década dos 50...

Voltei a escolher um espumante da Bairrada, e optei por um Luís Pato, espumante bruto feito com 90% de Maria Gomes e 10% de Baga. Ao fim e ao cabo, seguindo o mesmo princípio dos champanhes, com a utilização de castas brancas e tintas, embora neste caso com a percentagem de Baga muito mitigada, pois o produtor também elabora um espumante blanc de noirs, só com Baga.

Gostei deste. A Maria Gomes é uma casta que se comporta sempre muito bem nos vinhos da Bairrada, conferindo alguma consistência e frescura aos vinhos em que entra, sendo a Baga quase um complemento para acrescentar alguma estrutura. O vinho é suave, macio, agradável na prova e com boca fresca e média persistência. Bom para entradas, sobremesas, pratos leves, em suma para beber e conviver. O preço é excelente, pelo que tem uma óptima relação qualidade-preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Luís Pato espumante bruto, Maria Gomes 2010 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 12%
Castas: Maria Gomes (90%), Baga (10%)
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 19 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 306 - Jantar Dão Sul no restaurante Jacinto

Encontro espumante bruto 2006; Vinha de Saturno branco 2009;
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2009; Four C tinto 2007;
Vinha de Saturno tinto 2007; Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007


   
  
  
 

A visita ao Rubro para um jantar com vinhos da Quinta do Encontro, relatada no post anterior, reavivou-nos as memórias dum outro jantar ocorrido em Dezembro de 2010, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino.

Esteve presente o enólogo Carlos Lucas, que à data estava à frente da enologia da empresa, que nos recebeu com a apresentação do já citado espumante Encontro Bruto, e que já nessa ocasião nos agradou sobremaneira. Para além do espumante tivemos aí, também, o primeiro contacto com alguns vinhos de topo da empresa, como o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco, o Four C tinto, o Vinha de Saturno, branco e tinto, e para finalizar um Porto Vintage Quinta das Tecedeiras. Fica aqui o registo para a posteridade e as fotos a assinalar o evento.

Socorrendo-nos do registo no site da garrafeira, dos nossos apontamentos da altura e dos registos fotográficos, recordamos como decorreu a função.

  • Entradas: Os Jacintinhos (pastelinhos de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de carne, chamuças)
  • Vinho: Encontro espumante bruto 2006 (B) Região: Bairrada Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes Grau alcoólico: 12% Nota (0 a 10): 8 Bolha fina, aroma delicado, medianamente encorpado, fresco, suave e apelativo.
  • Prato: Portobelos recheados com queijo de cabra, rúcula e pesto
  • Vinho: Vinha de Saturno 2009 (B) Região: Alentejo Casta: Alvarinho Grau alcoólico: 13,5% Nota (0 a 10): 8,5 Um branco alentejano surpreendente, feito apenas da casta Alvarinho e fermentado em madeira mas sem marcar minimamente o perfil do vinho. Robusto, bem estruturado mas com a acidez e frescura do Alvarinho a dar uma ligação perfeita com o prato.
  • Prato: Tacos de bacalhau confitado em cama de espinafres e pasta de azeitonas
  • Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 (B) Região: Dão Castas: Encruzado, Bical, Cerceal Grau alcoólico: 14% Nota (0 a 10): 8,5 Encorpado, final mais pesado mas elegante, excelente acidez e profundidade. Fermentado em madeira com micro-oxigenação, resultando em ligeira tosta no final. Um branco clássico.
  • Prato: Bochechas de novilho estufadas em vinho tinto com chalotas e batata gratinada
  • Vinho: Vinha de Saturno 2007 (T) Região: Alentejo Casta: Baga Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 9 Discreto no início mas abrindo-se num perfil robusto, poderoso, com grande estrutura na boca e final longo. Um corredor de fundo. Vinho: Four C 2007 (T) Região: Dão Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinto Cão, Trincadeira Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 8,5 Aroma de ataque exuberante e profundo, taninos firmes mas sedosos, garra, persistência, mas acabando por se desvanecer um pouco. Favorece uma prova mais imediata e menos prolongada.
  • Sobremesa: Chiffon de chocolate com gelado de baunilha e espuma de frutos silvestres
  • Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007 Região: Douro/Porto Grau alcoólico: 20% Nota (0 a 10): 9 Doce, untuoso, vibrante, grande concentração de aromas e sabores a frutos vermelhos, sem sombra de aguardente, vibrante, sedoso, aveludado e redondo na boca. Novo mas com grande potencial de envelhecimento. Quase perfeito.


Do que nos recordamos desta ocasião, este jantar esteve praticamente ao nível do realizado uns meses antes com vinhos Niepoort, primando pela excelente confecção dos pratos e pelo nível dos vinhos apresentados, todos de qualidade a roçar o excepcional. Difícil é destacar algum, sendo que tanto os dois brancos (o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, do Dão, e o Vinha de Saturno, do Alentejo) como os tintos (o Four C do Dão e de novo o Vinha de Saturno) se apresentaram em elevadíssimo nível, cada um dentro do seu perfil. São vinhos de excepção que merecem uma degustação adequada e demorada. O mesmo se aplica quanto ao Porto Vintage da Quinta das Tecedeiras, um vintage ainda em fase de crescimento e a caminho do seu melhor.

Os preços estão em conformidade, o que torna menos apelativa a sua aquisição, mas neste tipo de jantares consegue-se tirar partido da qualidade apresentada, conjugada com um conjunto de pratos de confecção a condizer, pelo que o custo compensa. Depois do jantar Niepoort (contado aqui - 1ª parte - e aqui - 2ª parte) - e das últimas visitas ao restaurante Jacinto, este voltou a fazer jus à escolha e impõe-se como um ponto de referência para eventos do género.

Kroniketas, enófilo saudoso e satisfeito

sábado, 16 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 305 - Jantar Quinta do Encontro no restaurante Rubro

Encontro espumante bruto 2008; Encontro, Bical branco 2011; Encontro tinto 2010;
Preto Branco Reserva tinto 2009; Encontro 1 branco 2011; Encontro 1 tinto 2008;
Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008


   
   
 

Recentemente tivemos oportunidade de voltar – em formato de quarteto e com os suspeitos do costume – ao “local do crime”, o restaurante Rubro no Campo Pequeno, desta vez para um jantar vínico com vinhos da Bairrada. À mesa estiveram os vinhos da Quinta do Encontro apresentados pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foi a nossa primeira incursão neste local sem ser com vinhos do Douro e do Alentejo, depois das Cortes de Cima, Symington, Esporão, Niepoort e Paulo Laureano.

Para as entradas e os entreténs-de-boca estiveram disponíveis 3 vinhos: o espumante Encontro Bruto 2008, o branco Encontro Bical 2011 e o tinto Encontro 2010, que foram acompanhando uns croquetes e umas tapas com paio e presunto.

Mas esta é uma história que, como sói dizer-se, já tem barbas. Já tínhamos tido oportunidade de provar o dito espumante aquando duma visita à Quinta do Encontro, em 2009, e num magnífico jantar no restaurante Jacinto com vinhos da Dão Sul em Dezembro de 2010, ainda com a presença de Carlos Lucas na enologia, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino. Nessa ocasião estávamos numa espécie de hibernação bloguista pelo que o registo do repasto não foi aqui relatado, mas vale a pena evocar a ocasião, que será contada no próximo post.

Voltando ao espumante, confirmou as boas impressões anteriores. Muito elegante, bolha fina e persistente, equilibrado e com boa acidez e notas cítricas na prova de boca. A Bical dá-lhe algum perfume e elegância, a Maria Gomes confere-lhe mais estrutura e o Arinto complementa o conjunto com a acidez e um final pleno de frescura.

O branco Encontro 100% Bical é equilibrado e mediano de corpo e aroma. Ligeiramente floral, também apresenta persistência média. Não encanta mas não desagrada. Já o Encontro tinto, mantendo a tradição da combinação entre Baga e Merlot, consegue aqui um vinho fácil de apreciar para os mais renitentes à adstringência da Baga, já que o Merlot confere a suavidade necessária para amaciar os taninos da Baga, já bem domados. É um Bairrada tinto simpático, algures entre o clássico e o moderno que poderá ser uma boa opção de entrada na região para quem está pouco identificado com os seus tintos.

Passando às mesas e à refeição propriamente dita, entraram em cena os pesos pesados da noite. Começámos pelo Encontro 1 2011, um branco 100% de Arinto que embora não tenha qualquer referência a uma passagem pela madeira, apresenta-se com uma estrutura tal que levaria a pensar que teve esse estágio. Com bom volume de boca, estrutura, frescura e persistência final, acompanhou muito bem um folhado de maçã, canela e queijo chèvre (algo difícil de deglutir para mim), a que se seguiu um lombo de porco recheado com farinheira e pimenta rosa. Em ambos os casos o branco aguentou-se perfeitamente no duelo com o prato, graças à boa estrutura e à acidez que equilibrou os sabores dos sólidos.

Seguiu-se um mil-folhas de lascas de bacalhau com puré de grão e coentros, delicioso, que quase parecia mousse de bacalhau, acompanhado pelo Preto Branco Reserva 2009, um nome que surgiu da mistura de duas castas tintas e uma branca. Taninos redondos e bem domados, mais um clássico a tender para o moderno mas com pujança e estrutura.

Finalmente o grande vinho da noite, o Encontro 1 tinto 2008, a acompanhar o já tradicional chuleton de boi fatiado, acompanhado com batata assada e com o molho da carne, um prato sempre apetecível e apropriado para os tintos mais robustos. 14% de álcool a suportar uma grande estrutura de corpo e taninos, um Bairrada clássico feito para apreciadores e a prometer uma longa vida em garrafa.

Para a sobremesa tivemos uma blattertarte de frutos silvestres acompanhada por um Porto LBV da Quinta das Tecedeiras, que mostrou o perfil esperado dentro do género, ligando bem com os sabores silvestres.

Tivemos ainda a sorte de ficar na mesma mesa do enólogo Osvaldo Amado, que nos foi contando algumas histórias dos vinhos e nos proporcionou agradáveis momentos de convívio. Ficou para uma próxima oportunidade agendarmos uma visita à Bairrada para que nos guie numa visita pelo museu do vinho.

E assim saímos mais uma vez plenamente satisfeitos desta 6ª incursão pelos jantares vínicos do Rubro. Não se pode ir a todos, mas vamos sempre tentado ir a alguns dos melhores.

tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos, enófilos de barriga e copo cheio

Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul

Vinho: Encontro espumante bruto 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro, Bical 2011 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bical
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Encontro 2010 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Preto Branco Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Baga, Bical
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta das Tecedeiras, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Amarela
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 10 de março de 2013

Na Wine O’Clock 11 - Casal de Santa Maria

 


De regresso à Wine O’Clock, tivemos oportunidade de provar os vinhos da vinha mais ocidental do continente europeu, localizada na região de Colares a cerca de 1 km da Praia da Adraga e a 2 km do Cabo da Roca.

Propriedade do Barão Bruemmer, que começou na viticultura em 2005, já com a provecta idade de 94 anos, desta vinha saem alguns vinhos brancos e tintos muito interessantes, que fogem ao padrão da moda e podem marcar a diferença no mercado.

Apresentada por dois jovens enólogos, a prova decorreu em ambiente bastante simpático e descontraído, tendo-nos sido dada a possibilidade de provar dois brancos e quatro tintos, marcados por uma suavidade e delicadeza pouco vistos nos tempos actuais, a que a proximidade do mar não será alheia, complementados por grau alcoólico moderado. Destaque para um tinto de Pinot Noir e um branco de Sauvignon Blanc, este com um carácter vegetal um pouco marcado em demasia, mas com essa opção assumida expressamente pelos enólogos de modo a diferenciar-se da concorrência.

Não dispondo dum grande volume de produção, há um longo caminho para andar e um nicho de mercado para explorar. O potencial existe e o público interessado também.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 3 de março de 2013

No meu copo 304 - Adega de Pegões, Colheita Seleccionada branco 2011

Devido a diversos afazeres que têm roubado o tempo para a escrita, contamos hoje com a prestimosa colaboração do Politikos na apreciação dum branco que já aqui referenciámos em devido tempo. Trata-se do Adega de Pegões Colheita Seleccionada, cuja análise transcrevemos em seguida.

Há dias ao jantar, a acompanhar uma garoupa grelhada, bebi um Adega Cooperativa de Pegões, Colheita Selecionada, Branco 2011. Não conhecia. Custou-me cerca de 3€ num hipermercado e, depois de provar, considero que apresenta uma excelente relação qualidade/preço. Vai direitinho para as minhas apostas certas de brancos de baixo preço, emparceirando com o Prova Régia, o Caves Velhas, o Muralhas (este branco verde) e afins.

É composto por Chardonnay, Arinto, Verdelho e Antão Vaz, com fermentação e estágio curto em barricas de carvalho americano e francês. Está lá o amanteigado do Chardonnay, os aromas tropicais do Verdelho e do Antão Vaz, a acidez e a frescura do Arinto, a leve tosta da madeira, tudo muito bem integrado. O rótulo e o contrarrótulo são simples mas elegantes. Um vinho com Chardonnay para fazer reconciliar com esta casta o meu amigo Kroniketas, recalcitrante à mesma. Acompanhará bem um peixinho no forno ou mesmo um bacalhau. Não tem obviamente o corpo, a concentração e a persistência dos grandes brancos, mas vale bem mais do que custa, ficando o comprador com a sensação de que fez uma grande compra.

Relativamente às edições anteriores mencionadas neste blogue (1ª aqui e 2ª aqui) constata-se que saiu do lote o Pinot Blanc, cedendo o lugar ao Verdelho, permanecendo as restantes castas. O grau alcoólico ajuizadamente também baixou, de 14º para 13º, como convém, ademais a um branco.

Politikos, enófilo satisfeito

Vinho: Adega Cooperativa de Pegões, Colheita Seleccionada 2011 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay, Arinto, Verdelho, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5