domingo, 27 de janeiro de 2013

No meu copo 301 - Reservas Sogrape revisitados

Douro Sogrape Reserva 2002; Dão Sogrape Reserva 2000; Alentejo Sogrape Reserva 2000


Para marcarmos a viragem do ano, de mais um aniversário das Krónikas Viníkolas e também da terceira centena de posts dedicados à degustação de vinhos, reservámos para o fim da terceira centena e início da quarta a descrição de duas provas com vinhos do universo Sogrape, um verdadeiro must neste blog.

Depois da prova fantástica dos vinhos de topo da Casa Ferreirinha, descrita no post anterior, começamos esta nova centena regressando a um dos nossos clássicos, sobre o qual temos falado regularmente ao longo destes anos e que tantas saudades nos deixou. Trata-se dos extintos Reservas da Sogrape, que eram produzidos no Douro, no Dão e no Alentejo e que foram abandonados em favor do portefólio da Casa Ferreirinha, da Quinta dos Carvalhais e da Herdade do Peso.

Como para nós eram vinhos de paixão, ainda conseguimos conservar algumas garrafas das últimas produções que encontrámos no mercado e, sempre que por um acaso deparamos com algumas destas garrafas por aí, tratamos de adquiri-las. As últimas foram do Alentejo Reserva 2000, na Garrafeira São João, em S. Domingos de Benfica, que permitiram fazer um repasto repartido pelos Reservas das três regiões, depois de em 2011 termos conseguido adquirir 3 garrafas do Dão Reserva numa garrafeira de Loulé. Reservámo-los para acompanhar um magnífico javali estufado, mais uma vez fornecido pelo nosso caçador de serviço, a quem fica aqui o agradecimento público pela peça colocada à nossa disposição.

Desta vez aproveitei para fazer uma prova “quase cega” com os restantes comensais, que desta vez reuniram o pleno. Sabia-se quais eram os vinhos em prova, mas não se sabia qual era qual porque os decantei antecipadamente, pelo que a identificação teria de ser feita pela cor, pelo aroma e pelo sabor. Houve quem tentasse ir lá pela idade da cada um, mas a diferença não era suficiente para os distinguir por esse lado.

No conjunto revelaram-se todos ainda em excelente condição. No copo o Alentejo Reserva apresentou-se com tons acastanhados, mesmo acobreados, talvez a querer dizer que já não daria muito mais. O aroma também pareceu denunciar que estava no limite da longevidade e que a partir daqui será o declínio, pelo que este é o momento certo para queimar os últimos cartuchos. Curiosamente, na boca apresentou-se muito pujante, sendo o mais vibrante e o que mais se adequou ao javali, uma peça de caça que pedia um vinho daqueles, tendo respondido em pleno e consumando o melhor casamento entre comida e vinho.

O Dão Reserva foi o mais delicado mas apagou-se com aquela comida. Mas é um vinho muito bem feito e elegante, com taninos presentes mas muitíssimo correctos, um vinho com tudo no sítio. Uma autêntica orquestra afinada. Nas últimas provas comparativas, curiosamente, o Dão Reserva mostrava-se ainda algo rústico na comparação com o Douro Reserva e mesmo sendo mais velho aparecia sempre mais robusto. Agora estes últimos exemplares parecem ter chegado ao patamar da suavidade que caracteriza os grandes clássicos do Dão.

O Douro Reserva mostrou-se um Douro clássico: aromático e frutado, pujante e persistente, mas com os taninos bem amestrados e em sintonia com a restante estrutura.

Em suma, três vinhos muito bem feitos, verdadeiros e que reflectem o carácter das respectivas regiões e que, como não nos cansámos de referir, nos deixam muitas saudades.

Recordamos aqui as anteriores provas realizadas.

- Douro Sogrape Reserva 2002
- Douro 2001; Dão 2000; Alentejo 2001; Alentejo 2000
- Douro Sogrape Reserva 2001
- Douro Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 1999
- Bairrada Sogrape Garrafeira 1999
- Alentejo Sogrape Reserva 2000
- Quatro Regiões 1997 (1) e (2)

Kroniketas, enófilo em tempo de celebração com o resto da cambada toda

Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Último preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Dão Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Último preço: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Dãowinelover Meeting



É já no próximo sábado que se realiza o evento Dãowinelover Meeting, a decorrer na Casa da Passarela, em Lagarinhos, próximo de Gouveia, em plena Região Demarcada do Dão.

A iniciativa partiu de dois dos nossos confrades, dos blogues Pingamor e Pingas no Copo, e tem sido amplamente divulgada no grupo #daowinelover  no Facebook.

Na ausência da maioria dos bandalhos, as Krónikas Viníkolas far-se-ão representar por uma mini-delegação, composta apenas por dois elementos. Mas vamos lá estar, só que não vamos chegar cedo para começar a provar logo às 11 da manhã...

Kroniketas, enófilo em trânsito para o Dão

sábado, 19 de janeiro de 2013

300 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante esta terceira centena de posts.

Vinhos do Porto

Dow’s Quinta do Bomfim Vintage 1987 - 7
Graham's LBV 2003 - 7
Graham's Vintage 1994 - 9
Niepoort Colheita 1998 - 8
Niepoort Vintage 2007 - 9
Portal 30 anos - 10
Quinta de Ervamoira 10 anos - 8,5
Quinta de La Rosa Vintage 2000 - 7,5
Quinta do Noval LBV 2001 - 7
Ramos Pinto LBV 2000 - 8
Taylor’s LBV 2002 - 7,5
Taylor’s Vargellas Vintage 2005 - 9
VZ 10 anos - 6


Espumantes e champanhes

Germain Brut Réserve - 8,5
Martini Brut Cuvée Speciale - 8
Martini Brut Cuvée Speciale Sparkling Wine - 7,5
Pommery - 9
Quinta do Ferro 2006 - 7
Veuve Clicquot Ponsardin - 9


Rosé

Douro
Redoma 2008 - 7,5

Dão
Cabriz 2007 - 7,5

Lisboa
Grand’Arte, Touriga Nacional 2007 - 7,5

Tejo
Fiúza, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2010 - 8
Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2007 - 8
Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2010 - 8,5

Península de Setúbal
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo 2008 - 7
Periquita 2007 - 7

Alentejo
Herdade do Pinheiro 2007 - 7


Brancos

Verdes
Follies, Alvarinho 2006 - 8
Follies, Alvarinho 2007 - 8
Follies, Alvarinho-Loureiro 2008 - 7,5
Follies, Loureiro-Trajadura 2007 - 7
Muralhas de Monção 2007 - 7,5
Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2010 - 9
Ponte da Barca Colheita Seleccionada 2007 - 6

Douro e Trás-os-Montes
Aneto 2009 - 8
Bétula 2008 - 8
CARM, Rabigato - 8
Muxagat 2007 - 7,5
Planalto Reserva 2011 - 7,5
Quinta do Vallado, Moscatel Galego 2006 - 7,5
Redoma 2008 (1) - 8
Redoma 2008 (2) - 8,5
Redoma Reserva 2008 - 7,5
Tiara 2008 - 7,5

Dão
Quinta das Maias, Malvasia Fina 2007 - 7,5
Quinta do Cerrado, Malvasia Fina 2006 - 7,5

Bairrada e Beiras
Colinas de São Lourenço, Chardonnay e Arinto 2008 - 8
Follies, Chardonnay-Maria Gomes 2006 - 8
Marquês de Marialva, Colheita Seleccionada 2011 - 6,5

Lisboa
Casa Santos Lima, Arinto 2008 - 7,5
Casa Santos Lima, Fernão Pires 2008 - 7,5
Casa Santos Lima, Sauvignon Blanc 2008 - 7,5
Quinta de Sant’Ana, Sauvignon Blanc 2008 - 8,5

Tejo
Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008 - 7,5

Bucelas
Bucelas, Arinto 2011 - 7,5
Prova Régia, Arinto 2011 - 7,5
Quinta do Boição Reserva, Arinto 2010 - 8

Colares
Colares Fundação Oriente 2008 - 7,5

Península de Setúbal
Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2006 - 7,5
Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc 2011 - 8
Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2010 - 7
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2008 - 8,5
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2011 - 8,5
João Pires 2006 - 8
Periquita 2008 - 7
Quinta do Peru 2008 - 7

Alentejo
Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2011 - 8
Esporão Reserva 2010 - 8
Esporão, Verdelho 2011 - 9
Herdade do Perdigão Reserva 2007 - 8
Invisível, Aragonês 2011 - 7,5
Paulo Laureano Premium 2010 - 6,5 a 8
Paulo Laureano Reserve 2010 - 7 a 8,5
Porta da Ravessa 2008 - 6

Algarve
Alvor Singular 2007 - 7,5
Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 - 6,5


Tintos

Douro e Trás-os-Montes
Batuta 2004 - 9,5
Batuta 2007 - 9
Bons Ares 2003 - 7,5
Callabriga 2008 - 8,5
Casa Burmester Reserva 2005 - 8
Casa Burmester Reserva 2007 - 8
Casa Ferreirinha Reserva 1996 - 9
Charme 2007 - 8,5
Dona Berta 2005 - 7,5
Duas Quintas 2006 - 8
Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira - 8,5
Duas Quintas Reserva 2003 - 9,5
Evel Grande Escolha 2003 - 7,5
Gouvyas Vinhas Velhas 2004 - 8
Grantom 2001 - 8
Lello 2006 - 7
Papa Figos 2010 - 7,5
Poeira 2004 - 8,5
Quinta da Leda 2007 (1) e (2) - 9,5
Quinta da Leda, Vinha da Ribeira 2004 - 9,5
Quinta dos Aciprestes 2003 - 8
Quinta dos Aciprestes 2005 - 8
Quinta dos Aciprestes Reserva 2003 - 7,5
Quinta dos Murças Reserva 2008 - 8
Quinta dos Quatro Ventos 2005 - 8
Redoma 2003 - 8
Redoma 2006 - 8
Sogrape Reserva 2001 - 8,5
Sogrape Reserva 2002 - 8,5
Vertente 2007 - 7,5

Dão
Borges, Touriga Nacional 2005 - 8,5
Cabriz Reserva 2004 - 8
Casa de Santar Reserva 2005 - 8
Dão Pipas 1983 - 9
Dão Pipas 1996 - 8
Dão Pipas 1997 - 8,5
Porta dos Cavaleiros 1980 - 8
Porta dos Cavaleiros Reserva 2002 - 7
Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007 - 7,5
Quinta dos Carvalhais 2002 - 7
Sogrape Reserva 2000 - 8

Bairrada e Beiras
Baga Encontro 2005 - 7,5
Frei João 2003 - 7,5
Quinta das Baceladas 2005 - 8
Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003 - 8,5
Quinta do Cardo 2004 - 8

Lisboa
Aurius 2002 - 9
Quinta de Pancas 2007 - 7,5
Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004 - 8
Vinha da Nora 2001 - 8,5
Vinha da Nora 2005 - 8,5

Tejo
Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha, Cabernet Sauvignon 2006 - 6,5

Colares
Ribamar Garrafeira 1996 - 6

Península de Setúbal
Dona Ermelinda 2006 - 7
Hexagon 2000 - 9,5
Pasmados 2009 - 8
Quinta da Bacalhôa 2003 - 7,5

Alentejo
.beb Premium 2007 - 7
Caladessa 2003 - 8,5
Cartuxa 2005 - 8,5
Cartuxa 2006 - 8,5
Chaminé - 6
Conde de Palma 2006 - 6,5
CR&F Colheita Seleccionada 2004 - 6
Dolium Reserva 2006 - 8,5 a 9
Dumonte 2005 - 7
EA - 4
Esporão Private Selection 2007 - 9,5
Esporão Reserva 2006 - 9
Herdade das Servas 2008 - 8
Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003 - 7,5
Herdade do Meio 2004 - 6,5
Herdade do Meio Garrafeira 2003 - 8
Herdade do Perdigão Reserva 2005 - 8,5
Herdade do Peso 2009 - 8
Herdade Paço do Conde Reserva 2005 - 7,5
Monte da Peceguina 2007 - 7
Montes Claros Reserva 2004 - 7,5
Mouchão 2003 - 8
Paulo Laureano Reserve 2007 - 7,5 a 9
Quatro Castas Reserva 2001 - 9
Quatro Castas Reserva 2005 - 9
Quinta da Viçosa 2003 - 8
Reguengos Garrafeira dos Sócios 1997 - 8,5
Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999 - 8,5
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 - 8,5
Sogrape Reserva 2000 - 8,5
Sogrape Reserva 2001 - 7,5

Região não especificada
Carvalho, Ribeiro & Ferreira Garrafeira 1990 - 10


Estrangeiros

Brancos
Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 2006 (Chile) - 8
Château Sante Marie 2006 (França) - 8,5
Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006 (Chile) - 8
Cono Sur, Sauvignon Blanc 2008 (Chile) - 7,5
Delicato, Chardonnay 2005 (EUA) - 7
Pampas del Sur Reserva 2008 (Argentina) - 7,5
Swartland Private Bin, Chardonnay 2008 (África do Sul) - 7
Veuve Roth, Pinot Gris 2007 (França) - 8
Veuve Roth, Riesling 2007 (França) - 7,5
Villa Maria, Sauvignon Blanc 2011 (Nova Zelândia) - 8,5

Rosé
Delicato, Zinfandel 2005 (EUA) - 5,5

Tintos
Casa Silva Los Lingues Gran Reserva, Cabernet Sauvignon 2005 (Chile) - 8
Cono Sur, Pinot Noir 2007 (Chile) - 7,5
Miolo Terroir, Merlot 2005 (Brasil) - 8,5
Neethlingshof, Merlot 2001 (África do Sul) - 7
Pago de Los Capellanes Reserva 2001 (Espanha) - 7,5
Stellenzicht, Shiraz 2000 (África do Sul) - 8
Vieux Magon 2001 (Tunísia) - 7

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

No meu copo 300 - Casa Ferreirinha

Casa Ferreirinha Reserva 1996; Quinta da Leda, Vinha da Ribeira 2004; Quinta da Leda 2007; Callabriga 2008




Chegámos ao post de provas número 300 neste blog, marca relevante que, mantendo a tradição das duas centenas anteriores, assinalamos com uma prova significativa para nós. O propósito foi uma comemoração familiar importante, pretexto e oportunidade para reunir o quase pleno do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os comensais dionisíacos” num repasto à volta dumas perdizes cedidas pelo habitual caçador de serviço, complementadas com um strogonoff de peru. Infelizmente, à última hora, faltou um dos comparsas por motivos de saúde familiares, que se lamentam, não deixando os presentes de brindar à sua saúde – e por extensão à dos seus familiares – nas habituais libações báquicas.

Saltando uns brancos e rosés que foram rodando pelos copos durante a confecção do repasto e enquanto se debicavam umas entradas diversas, as estrelas da noite, especialmente reservadas para a ocasião, foram os vinhos da Casa Ferreirinha que repousavam na garrafeira à espera da oportunidade e da companhia adequadas para serem abertas e degustadas. Cumprido o ritual da conveniente decantação, o serviço fez-se por ordem crescente de estatuto e idade dos vinhos.

Começou por avançar o Callabriga 2008, que logo colheu os aplausos dos presentes. Com o perfil habitual, bem estruturado, persistente e com alguma robustez, foi um bom início para o painel que se seguiu.

E o que se seguiu foram dois exemplares do magnífico Quinta da Leda, um deles em versão Vinha da Ribeira da colheita de 2004 e outro da colheita de 2007, que já tinha sido objecto de prova anterior e então suscitado os maiores encómios. O 2004, naturalmente mais evoluído e amaciado, mostrou-se ainda assim na plenitude de um vinho na idade madura. Aroma complexo, profundo, elegante e persistente, um vinho que nunca mais acaba. O 2007 confirmou as impressões da prova anterior, um autêntico Rolls Royce, como já o tínhamos baptizado. Não há muito para acrescentar em relação ao que foi dito anteriormente, pelo que vale a pena repetir aqui o parágrafo que então lhe dedicámos:

“O resultado foi encantador; sentimo-nos esmagados por este vinho. Primeiro que tudo, a extrema elegância e um aroma profundo, com um ligeiro toque a caramelo e fruta adocicada. No prolongamento da prova de boca aparece a madeira muito ligeira e discreta, taninos de seda a envolverem um conjunto de grande harmonia. Finalmente surge a estrutura e persistência a dar um final longo e firme. No confronto com as costeletas de novilho mal passadas, a elegância marcou pontos com o suculento da carne enquanto a estrutura aguentou o tempero com um molho algo condimentado. Apesar de ainda jovem mostrou-se um vinho maduro e plenamente capaz para ser bebido. Poderia degustar-se por várias horas.”

Finalmente, foram chamadas à liça duas garrafas do Reserva 1996, uma das tais colheitas que os enólogos da Sogrape não rotularam como Barca Velha e que por vezes bem podiam sê-lo. Extremamente elegante, suave, macio, é um vinho em que tudo é pensado em função da finesse que se pretende obter. Com esta idade já não apresentou os traços de frescura e fruta da juventude, mas ganhou em complexidade, desenvolvendo aromas terciários que se prolongam na boca e no copo. O preço queima, mas para provar um vinho desta estirpe vale a pena, uma vez por outra, abrir um pouco mais os cordões à bolsa.

Para fechar a noite em perfeição, o bolo de aniversário foi acompanhado com champanhe Pommery, magnífico, e o prolongamento do serão fez-se à volta dum fantástico Porto Vintage da Quinta de Ervamoira.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape

Vinho: Casa Ferreirinha Reserva 1996 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado (em 2006): 39,99 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta da Leda, Vinha da Ribeira 2004 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 20,71 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Quinta da Leda 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 24,90 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Callabriga 2008 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 14,68 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

No meu copo 299 - Redoma branco 2008; Redoma Reserva branco 2008

Para finalizar este périplo por uma série de brancos que foram sendo provados nas últimas semanas de 2012, chegamos a dois vinhos emblemáticos dum produtor também ele emblemático do Douro: o incontornável Dirk Niepoort, o rosto da Niepoort Vinhos.

Dentro da designada “gama clássica”, cujas colheitas mais recentes tivemos oportunidade de conhecer numa recente prova na Wine O’Clock, os brancos Redoma e Redoma Reserva são duas das principais referências.

Por mera coincidência temporal, aconteceu podermos consumir uma garrafa de cada uma delas, ambas da colheita de 2008 e sempre com pratos de bacalhau no forno.

São dois vinhos de características semelhantes, sendo que aquilo que os diferencia é essencialmente o modo como integram a madeira, uma vez que ambos fermentam em barricas de carvalho francês. Como quase sempre acontece nas provas que faço de brancos, gostei mais do Redoma colheita que do Redoma Reserva. O primeiro apresentou-se globalmente mais equilibrado, com a madeira mais bem ligada com o corpo e os aromas do vinho, com a fruta mais evidente e com uma boa estrutura e persistência. Bateu-se muito bem com o prato de bacalhau e revelou-se o acompanhamento ideal para a ocasião. Já o tinha bebido no célebre jantar Niepoort no restaurante Jacinto em 2009 e, então como agora, agradou-me bastante, podendo até dizer que passados estes três anos o vinho parece ter crescido e estar agora mais maduro.

Já o Reserva pareceu-me demasiado marcado pela madeira (característica que não me agrada particularmente), talvez a revelar que precisaria de mais alguns anos na garrafa para que essa componente amaciasse e ficasse mais casada com os aromas do vinho.

Entre os dois, e para repetir a experiência, eu escolheria claramente o colheita. Tratando-se de dois vinhos de preço elevado, a escolha para levar para casa pende claramente para o mais barato.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Códega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto

Vinho: Redoma 2008 (B)
Preço: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Redoma Reserva 2008 (B)
Preço: 29,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 6 de janeiro de 2013

No meu copo 298 - Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2010; Esporão, Verdelho 2011

Continuando na senda de alguns vinhos brancos provados no final de ano, falamos agora de dois que serão certamente dos melhores do país: um do norte e um do sul, um verde e um alentejano, um Alvarinho e um Verdelho, um da casta minhota já disseminada por boa parte do país, outro da casta madeirense que se vem tornando omnipresente na metade mais a sul.

Em comum entre estes dois vinhos temos a sua elevada qualidade, que os guinda a um patamar certamente no topo dos brancos nacionais, o que dá um bom retrato da subida qualidade que se tem verificado nos vinhos brancos portugueses há alguns anos.

Beber este Palácio da Brejoeira lembra-me quase a mesma sensação que tive quando provei champanhe (francês, entenda-se) pela primeira vez. Tal como na comparação com todos os outros tipos de espumantes, em comparação com outros vinhos verdes e mesmo com outros Alvarinhos este Palácio da Brejoeira mostra que as características essenciais estão todas lá: boa intensidade aromática com alguma predominância a frutos tropicais como é típico da casta, bom corpo e suavidade, mas tal como os champanhes, este parece ter qualquer coisa a mais em relação aos seus pares: uma finesse, uma elegância distinta que o tornam um caso à parte. Na boca é de uma elegância notável e percebe-se assim que seja um dos mais caros dentro do género. Muito, muito bom, um vinho para ocasiões especiais.

Outro caso à parte é o branco monocasta do Esporão, um Verdelho em pleno Alentejo. Descobrimo-lo aquando duma incursão à Herdade do Esporão que fizemos em quarteto para um fantástico almoço no restaurante da herdade, e logo ali nos encantou pelo aroma exuberante a citrinos e frutos tropicais, pela frescura e persistência na boca, tudo muito bem equilibrado a fazer dele um vinho guloso que dá prazer a beber desde o primeiro momento. O mais notável neste vinho é a sua frescura e suavidade, aparentemente impossível num vinho da planície, que o faz parecer um vinho de altitude. Mais uma vez um óptimo exemplo da excelência da viticultura e da enologia daquela herdade, sem dúvida um modelo para outros seguirem, e a confirmar a máxima, que há muito seguimos, de que tudo o que sai dali é bem feito.

Para mim, estes serão porventura dois dos melhores vinhos brancos nacionais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2010 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 13,98 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Esporão, Verdelho 2011 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 9