terça-feira, 8 de outubro de 2013

1º Encontro com os Vinhos e Sabores da Bairrada 2013 (1ª parte)

Visita às Caves São João


      
   
  
   

A propósito de Bairrada, é altura de falar do evento que decorreu nos dias 13, 14 e 15 do passado mês de Setembro: o 1º Encontro com os Vinhos e Sabores da Bairrada, organizado pela Revista de Vinhos e com carácter semelhante ao tradicional Encontro com o Vinho e os Sabores, que decorre anualmente há mais de uma década em Lisboa nos primeiros dias de Novembro.

Para além de ser dedicado exclusivamente aos sabores da região Bairradina, o programa apresentava alguns aliciantes extra, como a realização de dois jantares temáticos – um sobre os sabores do mar, no 1º dia, e outro sobre os sabores da terra, no 2º dia, naturalmente acompanhados com os vinhos da região – para além de provas comentadas, na mesma linha do que acontece no evento anual de Lisboa, e principalmente uma novidade, que consistiu na realização de visitas, ao longo dos 3 dias do certame, a dois produtores da região, estas em regime fechado, apenas dedicadas a jornalistas e bloggers.

Dada a escassez de vagas, apenas conseguimos um lugar para estas visitas, e por uma questão de gestão de calendário, dado que apenas me podia deslocar à Bairrada por um dia, escolhi o sábado, dia 14, que tive a felicidade de coincidir com a visita e provas nas Caves São João, seguida da visita com almoço na Adega Luís Pato. Não que as opções dos restantes dias fossem desinteressantes (na 6ª feira, dia 13, visita e almoço na Quinta do Encontro seguida de visita e prova na Quinta das Bágeiras; no domingo, dia 15, visita e prova na Adega Cooperativa de Cantanhede seguida de visita e almoço nas Caves São Domingos), mas esta combinação era para mim a mais aliciante, pelo que se apresentou como a escolha ideal. Pelo fascínio que tenho pelos vinhos de Luís Pato e pela figura do produtor, o “senhor Bairrada” e o “inovador na tradição”, e pela predilecção que temos neste grupo, há muitos anos, pelos vinhos das Caves São João, verdadeiros clássicos de que dificilmente se encontra igual.

Estando a hora de partida agendada para as 10 horas no Curia Palace Hotel, a saída de Lisboa teve de ser feita antes das 8 da manhã e a viagem sem grandes perdas de tempo, pois não havia folga. Da Curia, onde a nossa guia Joana Pratas nos aguardava, a deslocação fez-se de autocarro onde estavam presentes muitas caras conhecidas, entre bloggers e jornalistas com quem nos vamos cruzando aqui e ali nos eventos do género. Percorremos alguns quilómetros pelo coração da região vitivinícola, Anadia, Sangalhos, metemos por estradas secundárias e desembocámos à porta das Caves São João. Lá no cimo do edifício, a placa a indicar “Fundadas em 1920”. Uma casa quase centenária, portanto.

O grupo foi recebido numa sala que funciona como uma espécie de antecâmara para o mergulho profundo na história da casa. Foi-nos feita uma pequena apresentação da história da casa, fundada pelos antepassados dos actuais proprietários (já na quarta geração da família). Foi-nos feita uma pequena apresentação da história da casa, fundada pelos irmãos Costa (José, Manuel e Albano), antepassados dos actuais proprietários, já na quarta geração da família. Vários tipos de vinhos espalhados por diversas montras e expositores apresentam ao visitante as amostras dos vinhos mais representativos da casa, desde os vinhos de mesa às aguardentes. Nesta fase tivemos oportunidade de provar um espumante Quinta do Poço do Lobo.

Guiados então por Célia Alves, gerente da geração mais nova da casa, descemos em seguida para outra sala, profusamente decorada com diversos artefactos e onde repousavam já diversos acepipes regionais e as garrafas que iriam servir para a parte mais substancial da prova. Atravessada esta sala entrámos no coração das caves, onde passámos por algumas salas de barricas e intermináveis corredores e salas onde cerca de 700.000 garrafas não rotuladas, de colheitas com dezenas de anos (a partir de 1959) dão corpo a um enorme espólio vínico pronto a ser apreciado. Frei João, Caves São João Reserva, Quinta do Poço do Lobo ou Porta dos Cavaleiros, autênticos porta-estandartes dos clássicos da casa, de tudo um pouco vamos vendo e nalguns casos quase pisando, pois também vastas zonas do chão estão cobertas de garrafas cuidadosamente arrumadas. Ficámos a saber que aquele património inestimável está disponível para venda ao público interessado. A dificuldade é escolher.

Não faltam, como é óbvio, as aguardentes nem a imprescindível adega dos espumantes, onde o fundo de cada garrafa tem pintada uma pequena marca branca, para assinalar a posição quando se procede à rotação diária das garrafas.

Completa a volta, ainda passámos pela sala de cubas de vinificação e vimos o museu da casa onde se destaca uma das primeiras prensas de uva usadas em Portugal, há quase um século atrás.

Rumámos novamente à sala de provas, onde pudemos então apreciar um notável conjunto de vinhos, previamente apresentado pelo enólogo da casa, José Carvalheira. Não vamos enumerar cada vinho nem estender-nos em notas de prova, pois tornar-se-ia fastidioso e interminável. Vários outros bloggers deram-se ao trabalho de escrever notas de prova sobre o que iam provando, pelo que os interessados poderão procurar noutros blogs algumas descrições mais detalhadas. Assim de cabeça, creio terem estado presentes, entre outros, Copo de 3, Comer, beber e lazer, Airdiogo num copo, E tudo o vinho levou, Magna Casta, O vinho é efémero, João à mesa, Mesa marcada, Adegga Portugal, e peço desculpa se de momento não me ocorre mais nenhum no meio de tantos, mas encontrarão aqui, certamente, muita informação disponível. Os representantes da Revista de Vinhos, como não podia deixar de ser, também acompanharam as várias etapas do evento (João Paulo Martins também lá estava), e certamente teremos a competente e bem relatada reportagem num dos próximos números.

Pudemos provar um espumante tinto Caves São João, Quinta do Poço do Lobo Reserva branco (uma novidade de Arinto e Chardonnay), São João Lote Especial, Caves São João Baga-Touriga Nacional e não pode, naturalmente, ficar sem referência um vinho notável que provámos no fim: um Caves São João Reserva Particular de 1959! Um vinho com uma juventude e uma frescura notáveis, impossíveis de associar a um vinho com mais de 50 anos. Poderia dizer-se que tinha 10, que a cor, a concentração e o aroma não seriam certamente muito diferentes. Já vi vinhos muito mais novos, mesmo da Bairrada, com muito mais sinais de velhice e declínio que este. Naturalmente que, para além da qualidade do próprio vinho, as condições de armazenamento são fundamentais para que o produto consiga passar com distinção a prova do tempo. O único senão deste vinho: cada garrafa custa a módica quantia de 200 euros! Uma pequena extravagância...

No fim desta visita, que demorou mais uma hora do que estava previsto no programa, era altura de iniciar a 2ª etapa do programa, rumando à Adega Luís Pato para outro ponto alto do dia.

Kroniketas, enófilo viajante

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