sábado, 29 de dezembro de 2012

No meu copo 297 - Villa Maria, Sauvignon Blanc 2011

Este estava em agenda há bastante tempo. Já tínhamos provado uma colheita anterior que tinha agradado sobremaneira, e agora aproveitando uma promoção na Wine O’Clock foram adquiridas algumas garrafas para distribuir pelos “suspeitos do costume”.

Um encontro de amigos foi pretexto para levar a garrafa que foi sendo consumida durante a degustação dos acepipes de entrada. Dentre as várias proveniências dos vinhos desta casta, praticamente universal, a neozelandesa está muito bem conceituada e neste particular a casa Villa Maria é tida como uma das melhores.

Muito fresco e bem estruturado na boca, com aromas tropicais e um ligeiro floral a marcarem o conjunto, mostra ser um vinho branco que pode agradar em diversas ocasiões e com diversos tipos de pratos. Versátil, agradável, vibrante e ao mesmo tempo suave, não há como não gostar dele.

Para quem, como eu, é fã dos vinhos desta casta, esta marca torna-se uma referência obrigatória.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2011 (B)
Região: Marlbourough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate - Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 11,35 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Na Wine O’Clock 10 - Vinhos Niepoort

Ainda antes do Natal tivemos mais uma prova da Niepoort, já um clássico nesta época do ano com a apresentação das novidades, mais uma vez com a presença do enólogo Luís Seabra.

Excelente comunicador, sem pejo de dar a sua opinião sobre as vantagens e desvantagens acerca de certos métodos utilizados na enologia, nem sequer se inibindo de confessar que não é adepto da omnipresente Touriga Nacional, conversando sobre a filosofia da Niepoort na escolha do perfil dos vinhos, Luís Seabra ajuda a tornar a prova de vinhos numa tertúlia em que se fala um pouco de tudo e em que o público é quase impelido a fazer perguntas.

Segundo as palavras do próprio, foram apresentados os vinhos da gama clássica da Niepoort, uma vez que a gama é já tão vasta que torna impossível trazer para a prova tudo o que existe.

Assim, começámos por provar os brancos Tiara, Redoma e Redoma Reserva. Como habitualmente, e confirmando as impressões colhidas há uns anos no inesquecível jantar no Jacinto, o Tiara apresenta um perfil mais jovem e irreverente, enquanto o Redoma é um branco mais clássico, mais feito para a mesa e pratos com alguma consistência, sendo o Redoma Reserva feito para durar um pouco mais e também mais marcado pela madeira que o colheita.

Nos tintos tivemos Vertente, Redoma, Batuta, Charme e Robustus. O Vertente mantém o seu perfil mais simples e linear, o Redoma, à semelhança do branco, mais consistente e amigo da mesa, sendo o Batuta, o Charme e o Robustus os pesos pesados deste painel. O Batuta é um vinho fantástico de persistência e complexidade, enquanto o Charme é o contraste, um primor de elegância e finesse, aparecendo aqui o Robustus como aquele que apresenta maior “solidez” (se é que esta expressão pode ser aplicada a um líquido...), um vinho com mais corpo e estrutura.

Enfim, no conjunto, esta prova não trouxe propriamente grandes surpresas, antes serviu para confirmar tudo aquilo que se esperava dos vinhos apresentados. De destacar, contudo, um rumo claro adoptado pela Niepoort nitidamente em contraciclo com a maioria dos vinhos actuais - e em particular no Douro - em que se aposta na pujança, na sobrematuração e em elevados graus alcoólicos. A Niepoort, pelo contrário, seguindo o lema de Dirk Niepoort de que “menos é mais”, aposta na elegância, na suavidade, na complexidade e longevidade dos seus vinhos. Quase todos se situam na casa dos 13 ou 13,5 graus de álcool (felizmente, digo eu), pelo que ao bebê-los estamos a beber vinhos e não bombas de fruta e de álcool que tudo abafam.

Bem haja, Dirk Niepoort e toda a equipa que o acompanha. Que continuem a brindar-nos com excelentes vinhos por muitos e bons anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 23 de dezembro de 2012

Na Wine O’Clock 9 - Com Sandra Tavares da Silva


Na senda das muitas solicitações para provas que se vão realizando por aí, uma das mais interessantes dos últimos tempos realizou-se na Wine O’Clock com a presença da enóloga Sandra Tavares da Silva, colaboradora na Quinta do Vale D. Maria, de Cristiano Van Zeller, no projecto familiar da Quinta de Chocapalha e no projecto pessoal da Wine & Soul com o marido, Jorge Serôdio Borges. Na prova em causa foram apresentados os mais recentes vinhos em que a enóloga está envolvida em termos pessoais e familiares.

Foram provados quatro vinhos da Quinta de Chocapalha e dois da Wine & Soul. Da região de Lisboa vieram um branco colheita, um tinto colheita e dois tintos reserva. Dum modo geral agradáveis, o branco com a frescura que se consegue na região de Lisboa devido ao clima atlântico, os tintos numa linha semelhante, com bom equilíbrio entre corpo, álcool e taninos.

Da Wine & Soul vieram o Pintas e o Pintas Character, com o perfil típico dos grandes tintos do Douro nos tempos que correm, em que predomina a pujança e o aroma a fruto maduro.

Mais que a avaliação de cada vinho provado, o que se tornou mais interessante foi o desenrolar da conversa com a enóloga, que falou da sua experiência nesta actividade fazendo o paralelo entre os dois projectos em que está envolvida, com maior incidência na Chocapalha, e deixando o convite aos presentes para visitarem a quinta e, se o desejarem, participarem numa vindima.

Esperemos que Sandra Tavares da Silva nos volte a presentear com a sua presença em mais provas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

No meu copo 296 - Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2010; Invisível, Aragonês 2011

Continuamos na senda dos brancos, com mais duas curiosidades. Voltamos à Casa Ermelinda Freitas para um lote que junta as duas castas da moda referidas no post anterior: o Sauvignon Blanc e o Verdelho. Ao contrário dos anteriores provados a solo, esta mistura das duas castas não me encantou. É um vinho correcto, com frescura e acidez, medianamente frutado, mas algo curto na prova de boca e discreto no aroma. Talvez precise de afinação no lote.

No que respeita ao Invisível, um branco feito a partir da lágrima das uvas tintas do Aragonês vindimadas à noite (um blanc de noirs na melhor tradição do champanhe), uma novidade introduzida há poucos anos no panorama nacional pela Ervideira, foi mais a curiosidade que nos levou a comprar esta garrafa num dia de provas na Delidelux para partilhar pelos habituais comparsas. A cor é, de facto, quase invisível, algures entre o translúcido, o branco e o muito levemente rosado. O aroma anda ali entre  frutos brancos e o floral. Na boca apresenta-se fresco, ligeiramente adocicado e de persistência média. Um dos comparsas provadores comparou-o a um espumante sem gás… Uma experiência interessante que pessoalmente me agradou, e que não me importarei de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2010 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Sauvignon Blanc e Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,59 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Invisível, Aragonês 2011 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço: 9,70 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

No meu copo 295 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2011; Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc 2011

Falamos aqui de duas castas da moda, agora que os vinhos também embarcam (muitas vezes mal) nas tendências da moda. Para além do Alvarinho que tem vindo a descer desde o Minho até ao sul do país, o Verdelho (nas nacionais) e o Sauvignon Blanc (nas estrangeiras) são duas das que mais vamos vendo por aí a serem usadas na elaboração de vinhos brancos de qualidade acima da média. Neste caso falamos de produções da Península de Setúbal onde estas castas parecem ter chegado para ficar.

Já tínhamos provado um Verdelho da Colecção Privada de Domingos Soares Franco, da colheita de 2008, que nos agradou sobremaneira, e essa impressão foi confirmada na prova deste 2011. Seco e persistente na prova de boca, com notas cítricas predominantes no aroma, confirmou ser um valor seguro e uma aposta ganha pela José Maria da Fonseca.

Quanto aos novo branco da Casa Ermelinda Freitas (aqui fica a nossa singela homenagem à fundadora, recentemente falecida), uma das que mais tem apostado nos vinhos monocasta, consegue aqui um bom exemplar do Sauvignon Blanc, que é uma das minhas castas brancas predilectas. Tem frescura, suavidade e elegância na prova de boca, com alguma tropicalidade no aroma, casando bem com entradas leves ou pratos delicados de peixe.

Estamos assim perante dois vinhos brancos bem conseguidos por duas das casas que se configuram como motores da região vitivinícola da Península de Setúbal e que ajudam a explicar a sua posição como uma das regiões que mais vende no país, atrás do Alentejo e dos Vinhos Verdes. Dentro da gama em que se posicionam, estes vinhos valem bem o preço que custam. São brancos de Verão, de Inverno e de todo o ano.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2011 (B)
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc 2011 (B)
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No meu copo 294 - Papa Figos 2010; Herdade do Peso 2009

Dentro da renovação que tem vindo a ser feita no vasto portefólio de vinhos da Sogrape, que apresenta vinhos na região dos Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, duas das mais recentes iniciativas incluíram o lançamento do Papa Figos no Douro e uma renovação da imagem dos vinhos no Alentejo, com o reposicionamento e o lançamento de novas marcas.

Na gama de vinhos do Douro, sob o chapéu da Casa Ferreirinha, foi lançado um vinho para ocupar o espaço entre o sofrível Esteva e o mais selecto Vinha Grande. Deram-lhe o nome de Papa Figos e foi posicionado no patamar de preços entre os 5 e os 6 €. É um vinho para se gostar logo à primeira impressão, com predominância frutada e aromático quanto baste e com a macieza que habitualmente caracteriza os vinhos desta casa. Pedem-se pratos com alguma delicadeza a acompanhar, de modo a não abafar os equilíbrios delicados deste vinho. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.

Não sei se virá a tornar-se uma referência no segmento porque não é um vinho de encantar, mas poderá certamente bater-se com alguns nomes consagrados do mesmo patamar.

No Alentejo vamos assistindo à renovação dos produtos da Herdade do Peso, com novos rótulos, novos vinhos e uma aposta no marketing para conferir mais visibilidade a esta produção, que tem sempre ficado na sombra dos seus congéneres da Casa Ferreirinha (Douro) e da Quinta dos Carvalhais (Dão), sendo conhecida quase unicamente pela marca Vinha do Monte.

É assim que aparecem o Reserva, o Ícone, um branco colheita, e que permanece o tinto colheita com o nome Herdade do Peso. Este tinto, mantendo um pouco a tradição dos antigos e saudosos Sogrape Reserva do Alentejo, apresenta-se mais cheio na boca, mais robusto e persistente e com um toque a especiarias. Tem os taninos bem presentes mas macios e pode ombrear com alguns dos pratos mais fortes da cozinha alentejana. Bebe-se bem jovem mas poderá conservar-se algum tempo na garrafa. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e 6 meses em garrafa.

Em resumo, enquanto na gama da Casa Ferreirinha assistimos apenas a um ajustamento dos produtos disponíveis, na Herdade do Peso assiste-se a uma remodelação mais profunda que merece alguma atenção pois, como não nos cansamos de dizer, praticamente tudo o que a Sogrape faz é bem feito e, se apostarem nos vinhos alentejanos, vão certamente dar algum trabalho aos concorrentes e poderão guindar-se à qualidade dum nome de referência como a Herdade do Esporão. Creio que valerá a pena esperar para ver.

Kroniketas, enófilo interessado

Vinho: Papa Figos 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 5,84 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Herdade do Peso 2009 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 5,88 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Consumo Mínimo



Cada vez mais provadores e menos escrevinhadores, aqui assinalamos a passagem de mais um aniversário das KV. E assim como quem não quer a coisa, já vamos em 7!

Apesar da preguiça, de vez em quando verão seguramente alguns posts publicados, porque há vinhos e provas que o merecem e que conseguem ultrapassar a barreira do nosso ócio.

Entretanto, esperamos que toda a informação constante neste blog continue a ser útil a todos quantos os que, como nós, se interessam pela causa etílica.

Obrigado e à vossa saúde.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sábado, 8 de dezembro de 2012

Garrafeira Néctar das Avenidas - 1º aniversário



Foi no passado dia 25 de Novembro que este espaço situado nas proximidades do Saldanha e mesmo junto à Avenida Duque d’Ávila, em Lisboa, comemorou o seu primeiro aniversário com uma prova de vinhos da Herdade das Servas. Aí tive oportunidade de encontrar alguns dos habituais parceiros destes eventos, nomeadamente o Pingus Vinicus do Pingas no Copo e o Elias do O vinho é efémero, para além do próprio dono.

Embora não sendo muito amplo, o espaço está bem arranjado, com três salas separadas sendo que a do fundo, com porta envidraçada onde consta a indicação “sala de provas”, é mais reservada e tem menos garrafas expostas para dar lugar a outros utensílios e uma mesa onde se fazem as decantações e também serve para colocar alguns produtos gourmet e que foi aproveitada para servir os petiscos que acompanharam as provas. Das garrafas em stock destaco naturalmente uma boa colecção de vinhos velhos (com especial incidência na Bairrada), muitos deles em garrafas de litro e meio e com preços bastante sensatos. Para os apreciadores de relíquias como nós aqui da cambada, é um bom local para ir visitando.

Da prova da Herdade das Servas constaram um branco de 2011 e várias colheitas do tinto Reserva 2003, 2004, 2006 e 2008, terminando num Vinhas Velhas de 2009. Muito interessantes algumas das colheitas apresentadas, principalmente o 2003, ainda muito fechado mas com grande estrutura e persistência. Da colheita de 2004 foram apresentadas duas garrafas, uma normal e uma magnum, estando esta numa fase de evolução que apresentava mais juventude, com ambas as mostrarem um perfil mais frutado mas também mais linear que o 2003. O Vinhas Velhas 2009 foi uma boa surpresa, bastante aromático e persistente, a prometer uma boa evolução em garrafa.

O espaço é simpático, o proprietário também, o conteúdo da garrafeira é interessante, portanto é mais um espaço para constar no périplo das garrafeiras, não esquecendo que também realiza alguns jantares vínicos, aos quais convém estar atento.

Só resta desejar longa vida e boa sorte no negócio ao João Quintela. Que venham muitos mais aniversários.

Kroniketas, enófilo quase em efeméride

Garrafeira Néctar das Avenidas
Avenida Luís Bivar, 40-B
1050-145 Lisboa
Tel: 21.401.98.17

domingo, 2 de dezembro de 2012

Provas, provas e mais provas

Para os habituais frequentadores de provas de vinhos, tem sido um Outono quase frenético. As provas e eventos ligados ao vinho sucedem-se a ritmo alucinante, tornando quase impossível fazer a gestão da escolha dos locais a frequentar.

No último mês e meio, só na cidade de Lisboa aconteceram eventos como “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, “Mercado de vinhos do Campo Pequeno”, “Encontro com o vinho e sabores”, “Porto e Douro Wine Show” e “Addega Wine Market”, alguns deles em simultâneo. Paralelamente temos as habituais provas com produtores de todo o país em garrafeiras como Garrafeira Nacional, Delidelux, Wine o’clock, só para citar aquelas que frequento mais assiduamente, além de jantares vínicos promovidos em locais diversos como o restaurante Rubro, ou sob o patrocínio da Garrafeira Néctar das Avenidas que há uma semana comemorou o seu primeiro aniversário, assinalado com uma prova da Herdade das Servas. Uff!!!

Perante tão sobrecarregado calendário torna-se difícil escolher e começa a ser necessário abdicar da maioria dos eventos agendados. Depois do evento vínico do ano, o “Encontro com o vinho e sabores”, ocorrido em meados de Novembro, mais eventos do mesmo género logo a seguir acabam por tornar-se repetitivos e começam a cansar, pois acabamos por ver os mesmos produtores em diversos locais, tornando tamanho périplo desinteressante. Demasiadas provas em tão pouco tempo cansam. Confesso que nesta fase prefiro as provas dum único produtor para conhecer as novidades do que voltar a deambular entre múltiplos stands através de corredores atulhados de gente…

Kroniketas, enófilo cansado