sexta-feira, 28 de setembro de 2012

No meu copo 292 - Planalto 2011; Bucellas, Arinto 2011; Prova Régia, Arinto 2011

Estes são três vinhos brancos bons e baratos, clássicos nas escolhas para vinhos que se bebem com facilidade mas que fazem sempre boa figura à mesa. Já tivemos oportunidade de nos referirmos a eles em várias ocasiões (principalmente no caso dos dois de Bucelas), e são sempre regressos bem sucedidos.

Trata-se de brancos secos, sendo o Planalto (agora sob o chapéu da Casa Ferreirinha dentro do universo Sogrape) um pouco mais leve e aberto, com corpo e persistência médios, notas florais no aroma, tudo suportado por boa acidez. Acompanhou muito bem uma açorda de camarão feita em casa.

Quanto aos dois quase-irmãos de Bucelas, das concorrentes Enoport e Quinta da Romeira, vão apresentando algumas oscilações entre si de ano para ano, mantêm aquela acidez citrina do Arinto sempre em destaque. O Bucellas, que ainda ostenta no rótulo o nome das antigas Caves Velhas, é sempre um pouco mais estruturado que o Prova Régia, este com um perfil ligeiramente mais leve ainda que com igual persistência.

Em suma, dentro da gama de brancos que não pesam na carteira, estes continuam sempre a ser apostas seguras e feitos para agradar, com versatilidade para ir à mesa, acompanhar entradas ou servir como aperitivo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Planalto Reserva 2011 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega
Preço em feira de vinhos: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Bucellas, Arinto 2011 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Prova Régia, Arinto 2011 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,48 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

No meu copo, na minha mesa 291 - Jantar Paulo Laureano no restaurante Rubro




Após o jantar do Esporão, voltámos em formato de trio para um jantar com vinhos Symington. Em quarteto, já com a companhia do tuguinho, alinhámos num jantar com vinhos Niepoort (este uma espécie de repetição para mim e para o Politikos, depois do evento no Jacinto em 2009), desta vez com a presença do próprio Dirk a falar connosco nas mesas.

A última e mais recente incursão fez-se em quinteto com vinhos de Paulo Laureano, o enólogo-produtor do Alentejo que usa como lema dos seus vinhos “só castas portuguesas”. A primeira abordagem fez-se na rua, porque estávamos em pleno Verão e o tempo pedia um fim de tarde ao ar livre. Aí pudemos provar um excelente espumante produzido em Bucelas, a grande surpresa do evento, para além dum branco Singularis e dum rosé, este algo pesado para o gosto da maioria dos presentes.

Quando chegou a hora de subirmos ao 1º andar, o próprio Paulo Laureano fez uma breve apresentação aos vinhos que iam ser bebidos, voltando durante a refeição para mais algumas trocas de impressões.

Como habitualmente, desfilaram vários pratos acompanhados por vários vinhos, acerca dos quais, como quase sempre acontece nestas ocasiões, as opiniões entre os 5 comensais não foram unânimes, com apreciações que na nossa escala variaram do modo que resumimos em seguida:

Pratos: Gaspacho de meloa com presunto crocante, cogumelos morron com ovos de codorniz e foie, pincho de cerdo ibérico com cebola confitada
Vinho: Paulo Laureano Premium branco 2010. Castas: Arinto, Antão Vaz e Fernão Pires. 13% – Nota: 6,5 a 8

Prato: Polvo grelhado com três pimentos e azeite
Vinho: Paulo Laureano Reserve branco 2010, fermentado em madeira. Casta: Antão Vaz. 14,5% – Nota: 7 a 8,5

Prato: costela de boi grelhada, muito mal passada, com batatinhas salteadas
Vinhos:
- Paulo Laureano Reserve tinto 2007. Castas: Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. 14% – Nota: 7,5 a 9
- Dolium Reserva 2006. Castas: Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. 14.5% – Nota: 8,5 a 9

Não entrando em médias, o que se constata facilmente é que a qualidade dos vinhos é crescente. O branco Reserva é fermentado em madeira e tem 14,5% de álcool, tendo aquele perfil um pouco pesado que não me agrada muito, mas que no caso se adequou ao polvo grelhado.

No caso do Dolium, é claramente um vinho de nível superior, com grande estrutura e persistência. Tratando-se de um vinho de 2006, mostrou-se pleno de saúde e frescura, com os 14,5% de álcool bem domados pela acidez e pelo estágio de 18 meses em barrica, à semelhança do Reserva tinto. Em ambos os casos Paulo Laureano pôs enfase na utilização da casta Trincadeira, uma quase mal-amada nos tempos que correm e a perder terreno nos encepamentos do Alentejo, mas que o enólogo considera de grande valor para os seus vinhos.

Em suma, mais um excelente jantar no Rubro, a um preço muito razoável para aquilo que nos é oferecido, e um bom painel de vinhos dum dos mais conceituados enólogos portugueses.

Continuação de sucesso nos seus vinhos é o nosso desejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido e com o resto da cambada

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano Vinus

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

No meu copo, na minha mesa 290 - Jantar Esporão no restaurante Rubro





Desde há cerca de dois anos começámos a frequentar os jantares vínicos do restaurante Rubro, no Campo Pequeno em Lisboa.

Tal como os outros espaços circundantes na nova praça de toiros desde a sua remodelação, o Rubro utiliza (presume-se) antigas instalações ligadas ao espectáculo da tourada, abrindo directamente para a rua, mesmo ao lado da entrada principal do recinto. Uma sala mais pequena no rés-do-chão, com o balcão e uma zona de tapas à esquerda e algumas mesas à direita numa zona relativamente recatada. Ao centro uma escadaria de acesso ao 1º andar, onde está o espaço mais amplo para acomodação dos comensais, podendo nesse trajecto vislumbrar-se a montra onde estão expostos alguns dos exemplares mais relevantes da garrafeira, como um tinto Pesquera que ainda não nos passou pelo estreito.

Incursões deste grupo de comensais ao Rubro já foram várias, em diversas variantes: a 3, a 4, a 5 e a 6. A primeira visita fez-se na companhia do Mancha e do Politikos para um jantar regado com vinhos das Cortes de Cima. Não conhecíamos o método, que começa por umas tapas no rés-do-chão (ou na rua, quando a época do ano e o tempo o permite) e a degustação de vinhos de entrada de gama do produtor convidado. No caso das Cortes de Cima recordo-me que tivemos oportunidade de provar o Chaminé branco e tinto. Quando é chegada a hora de ocupar as mesas, normalmente um representante do produtor (o enólogo, ou o próprio produtor), a meio das escadas e antes de subir ao 1º andar para tomar assento nos lugares que nos são destinados, faz uma pequena introdução aos vinhos a provar.

Começa então o desfile das iguarias para acompanhar os vinhos escolhidos. No caso das Cortes de Cima recordo-me que exageraram nas doses do Touriga Nacional, de tal modo que os seguintes já quase não souberam a nada, e quando chegou finalmente o Reserva, lá para a sobremesa, já havia quem tivesse ingerido excesso de álcool e não se lembrasse bem como saiu de lá...

Seguiu-se um jantar magnífico com vinhos do Esporão, onde esteve presente o grupo mais numeroso, com 6 comensais, e onde compareceram os vinhos de topo da Herdade: Esporão Reserva, Private Selection, Quinta dos Murças (da nova produção no Douro), terminando com um Porto 10 anos da Quinta dos Murças e com a aguardente Magistra, muito apreciada pelo Mancha. Nas entradas ainda se pôde degustar o branco 2 Castas e o tinto Assobio, da Quinta dos Murças.

Seguindo o guião habitual, houve diversos vinhos a acompanhar diversos pratos, com a ordem que se segue:

Pratos: carpaccio, curgetes com camarão (absolutamente divinais).
Vinho: Esporão Reserva branco 2010. Fermentado em madeira, apresentou boa estrutura sem ser pesado, mantendo alguma frescura. Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. 14% – Nota: 8

Pratos: Cogumelos com queijo de cabra e folhado de alheira e espinafres.
Vinho: Quinta dos Murças Reserva 2008. Bom nariz e estrutura média. Faltou-lhe alguma estrutura para acompanhar o sabor forte do queijo, que exigia um vinho mais pujante. Castas oriundas de vinhas velhas. 14% – Nota: 8

Prato: “Chuleton” de boi com molho, acompanhado de batatas assadas.
Vinho: Esporão Private Selection 2007. Vinho notável, muito profundo no nariz e com uma persistência inigualável. Um vinho ao nível do Quinta da Leda, embora de perfil diferente. Absolutamente extraordinário nos seus 14,5%. Castas: Alicante Bouschet e Aragonês – Nota: 9,5

Depois deste repasto, outros se seguiram...

Kroniketas, enófilo esclarecido e com a cambada toda

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Restaurante: Rubro
Campo Pequeno - Lisboa
Tel: 210.191.191
Nota (0 a 5): 4,5