terça-feira, 31 de julho de 2012

No meu copo 286 - Quinta do Boição Reserva, Arinto 2010

Esta garrafa foi adquirida há poucas semanas, após o lançamento do número de Julho da Revista de Vinhos, como acontece quase todos os meses aquando da promoção do vinho do mês. Um prato de peixe um pouco mais sofisticado pediu um vinho branco e esta garrafa, como estava ali à mão, foi para o frigorífico mesmo a tempo de ficar à temperatura adequada para acompanhar o repasto.

A verdade é que o consumo, mesmo em família, não foi elevado, pelo que foi possível provar o vinho noutras refeições e com outros pratos. E o que provei agradou-me sobremaneira. Este Arinto de Bucelas, confirmando os seus pergaminhos, nunca nos desilude. Quer a solo quem em conjunto com outras castas, melhora sempre o vinho em que está integrada.

Neste caso fermentou em barricas novas de carvalho francês mas, ao contrário de muitos brancos que por aí andam carregadíssimos de madeira que ficam com um aroma enjoativo, temos a madeira muito discreta, apenas marcada o suficiente para dar alguma estrutura e complexidade ao vinho, integrando-se muito bem nos aromas citrinos que continuam a predominar sem estar ofuscados pela madeira.

Fazendo jus à sua tradição de produção dum clássico de Bucelas, o Bucellas Caves Velhas, amplamente provado neste blog, a Enoport – agora proprietária e sucessora das Caves Velhas – esmerou-se na produção deste Quinta do Boição, que em nada deslustra o seu antecessor. É um vinho marcado por uma certa elegância e finesse, onde tudo parece ter sido pensado ao pormenor para que todos os seus componentes se apresentem em equilíbrio.

Muito boa aposta da Enoport num vinho a revisitar.

Kroniketas, enófilo veraneante a caminho do Algarve

Vinho: Quinta do Boição Reserva, Arinto 2010 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8


PS - Certamente por distracção, a Revista de Vinhos apresentou uma foto dum copo de vinho tinto na página da promoção a este vinho. Requer-se mais cuidado em ocasiões futuras.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Na Delidelux 3 - Casa Agrícola Roboredo Madeira



Para esta prova de vinhos da CARM deslocou-se apenas a dupla das Krónikas Viníkolas, sendo que foi uma estreia do tuguinho no local.

Em prova estiveram 3 brancos e 2 tintos. Entre os brancos, dois monocasta e um Reserva, e nos tintos um Reserva e um sem adição de sulfitos.

O branco monocasta de Códega do Larinho apresentou frescura e suavidade, a par de uma baixa graduação alcoólica que já não se vê há anos: 11,5º! Um branco sem grande complexidade mas fácil de beber.

Seguiu-se o monocasta Rabigato, cuja colheita de 2009 tinha sido objecto de um post recente aqui nas Krónikas e, segundo o tuguinho, que tinha provado essa colheita, este estava mais linear. O representante da CARM que estava a apresentar os vinhos inclinou-se para que a evolução do vinho ainda não tivesse atingido o melhor ponto, prevendo que mais alguns meses em garrafa possam melhorar a complexidade do vinho. Grau alcoólico: 12,5º.

Terminaram-se os brancos em prova com o Reserva (13,5º), um pouco mais complexo mas sem grande exuberância aromática.

Nos tintos apresentou-se um Reserva, excelente, complexo, profundo, persistente, que mostrou estar ali para durar e confirmou que a sua proveniência (Almendra, no Douro Superior, próximo de Foz Côa e de quintas como a de Ervamoira, da Leda e do Vale Meão) parece ser a melhor para produzir os grandes vinhos tintos do Douro.

O SO2 Free, sem adição de sulfuroso, precisa de tempo para se mostrar embora tivesse apresentado credenciais interessantes em termos aromáticos.

Os preços também eram bem ajuizados: os brancos a 8 euros e pouco, o tinto Reserva a 11,90 € e só o SO2 Free estava próximo dos 20 €.

Esta prova mostrou que a ditadura das modas é muitas vezes perniciosa e no sector dos vinhos ainda mais. Tivemos vinhos brancos com menos de 13 graus e tintos com menos de 14, o que demonstra que, apesar do que nos andaram a impingir durante anos com a conversa fiada do “gosto do consumidor” e das “alterações climáticas”, é possível fazer vinhos com grau alcoólico moderado, mais leves e menos cansativos, desde que se queira. Como nos confirmou o representante da CARM, o essencial é o trabalho na vinha e na adega de modo a produzir vinhos com o perfil adequado. Até disse mais: que se andaram a produzir vinhos brancos com extracção e fermentação semelhantes aos tintos!

Pois é, depois a culpa é do clima e do gosto do consumidor...

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal

quarta-feira, 18 de julho de 2012

No meu copo 285 - Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2011


Depois de ter tido contacto com este vinho na prova das Cortes de Cima na Delidelux, resolvi adquirir uma garrafa para experimentar em casa. Foi aberta para acompanhar umas entradas e um waterzoo de frango.

A degustação agradou sobremaneira, confirmando as impressões colhidas na prova anterior. Agora a acompanhar a refeição, mostrou uma acidez que lhe confere uma boa frescura na boca, alguma mineralidade e boa persistência.

Parece ser um vinho adequado para a mesa mas também para a esplanada, pois a sua frescura confere-lhe capacidade para ser apreciado a solo. Uma pedrada no charco no panorama dos vinhos brancos e uma boa aposta das Cortes de Cima com esta plantação efectuada no litoral alentejano.

Um vinho a repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2011 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira - vinha plantada em Vila Nova de Milfontes)
Produtor: Cortes de Cima
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 10,70 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 6 de julho de 2012

No meu copo 284 - Pasmados 2009

No processo de reconstituição deste blog com o conteúdo do blog antigo, deparei-me com uma receita escrita pelo tuguinho, o Surf'n'Turf com legumes chineses no wok, que resolvi experimentar e saborear na companhia do próprio.

Para acompanhar o petisco experimentámos o branco Colinas de São Lourenço, mencionado abaixo, e escolhemos um dos tintos que adquiri recentemente numa promoção da revista Sábado, que englobou 6 vinhos ao longo de 6 semanas. A escolha recaiu no Pasmados 2009, da José Maria da Fonseca.

O primeiro ataque no nariz é intenso e apresenta um misto entre o aroma floral da Touriga Nacional e o caramelo do Castelão. Na boca é vivo e revela uma boa estrutura, com predominância frutada, taninos suaves, madeira bem integrada e boa persistência final. A panóplia de aromas resultante da diversidade das castas acabou por resultar numa boa ligação com o misto de sabores do prato. O grau alcoólico é ajuizado para os tempos que correm, onde parece que a tendência, finalmente e felizmente, é para voltar a baixar.

Só tinha provado um exemplar desta marca há quase 20 anos, sem que me ficasse grande impressão, pelo que este foi uma boa revelação. Dentro da gama em que se posiciona, podemos dizer que não tendo ficado pasmados é um vinho que vale a pena revisitar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pasmados 2009 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Vinhos Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (46%), Syrah (40%), Castelão (14%)
Preço: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 1 de julho de 2012

No meu copo 283 - Colinas de São Lourenço, Chardonnay e Arinto branco 2008; Marquês de Marialva, Colheita Seleccionada branco 2011

Apresentamos dois brancos da Bairrada, um da gama baixa e outro da gama média ou média-alta.

O Colinas de São Lourenço - empresa cuja estrutura foi entretanto adquirida pelo empresário Carlos Dias e integrada no projecto Ideal Drinks, para onde também transitou o ex-enólogo-chefe da Dão Sul, Carlos Lucas - apresentou-se com um aroma agradável balanceado entre as notas mais tropicais do Chardonnay e a acidez cítrica do Arinto. Na prova de boca mostra grande frescura (é um vinho que requer uma temperatura de serviço bastante baixa, na ordem dos 10º C), com ligeiras notas de madeira (1/3 do mosto fermentou em barricas de carvalho francês) muito bem integradas com o fruto, o que lhe confere estrutura e boa persistência.

Este vinho agradou-me particularmente pelo equilíbrio dos seus componentes, com destaque para o facto de não ter o carácter amanteigado tão habitual nos Chardonnay produzidos em Portugal, com aquele excesso de madeira que os tornam pesados e enjoativos. Alguns consideram isso uma virtude, para mim é um defeito que me faz rejeitar os vinhos com esse perfil. Donde se prova que é possível entre nós trabalhar a casta Chardonnay, com passagem por barrica, obtendo vinhos frescos e vibrantes.

O Marquês de Marialva, oriundo do maior produtor da Bairrada, é, dentro da gama baixa e média-baixa, sempre um rótulo a ter em conta nos vinhos desta região. Este Colheita Seleccionada branco é um vinho mais leve, fresco e menos estruturado do que o anterior, adequado para pratos leves. O fim de boca é relativamente curto mas agradável. Tendo em conta o preço não se pode esperar mais, sendo, para o perfil em causa, um vinho que agrada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Colinas de São Lourenço, Chardonnay e Arinto 2008 (B)
Produtor: Sociedade Agrícola Colinas de São Lourenço
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em hipermercado: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Marialva Colheita Seleccionada 2011 (B)
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Bical, Maria Gomes
Preço em hipermercado: 1,89 €
Nota (0 a 10): 6,5