sábado, 29 de dezembro de 2012

No meu copo 297 - Villa Maria, Sauvignon Blanc 2011

Este estava em agenda há bastante tempo. Já tínhamos provado uma colheita anterior que tinha agradado sobremaneira, e agora aproveitando uma promoção na Wine O’Clock foram adquiridas algumas garrafas para distribuir pelos “suspeitos do costume”.

Um encontro de amigos foi pretexto para levar a garrafa que foi sendo consumida durante a degustação dos acepipes de entrada. Dentre as várias proveniências dos vinhos desta casta, praticamente universal, a neozelandesa está muito bem conceituada e neste particular a casa Villa Maria é tida como uma das melhores.

Muito fresco e bem estruturado na boca, com aromas tropicais e um ligeiro floral a marcarem o conjunto, mostra ser um vinho branco que pode agradar em diversas ocasiões e com diversos tipos de pratos. Versátil, agradável, vibrante e ao mesmo tempo suave, não há como não gostar dele.

Para quem, como eu, é fã dos vinhos desta casta, esta marca torna-se uma referência obrigatória.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2011 (B)
Região: Marlbourough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate - Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 11,35 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Na Wine O’Clock 10 - Vinhos Niepoort

Ainda antes do Natal tivemos mais uma prova da Niepoort, já um clássico nesta época do ano com a apresentação das novidades, mais uma vez com a presença do enólogo Luís Seabra.

Excelente comunicador, sem pejo de dar a sua opinião sobre as vantagens e desvantagens acerca de certos métodos utilizados na enologia, nem sequer se inibindo de confessar que não é adepto da omnipresente Touriga Nacional, conversando sobre a filosofia da Niepoort na escolha do perfil dos vinhos, Luís Seabra ajuda a tornar a prova de vinhos numa tertúlia em que se fala um pouco de tudo e em que o público é quase impelido a fazer perguntas.

Segundo as palavras do próprio, foram apresentados os vinhos da gama clássica da Niepoort, uma vez que a gama é já tão vasta que torna impossível trazer para a prova tudo o que existe.

Assim, começámos por provar os brancos Tiara, Redoma e Redoma Reserva. Como habitualmente, e confirmando as impressões colhidas há uns anos no inesquecível jantar no Jacinto, o Tiara apresenta um perfil mais jovem e irreverente, enquanto o Redoma é um branco mais clássico, mais feito para a mesa e pratos com alguma consistência, sendo o Redoma Reserva feito para durar um pouco mais e também mais marcado pela madeira que o colheita.

Nos tintos tivemos Vertente, Redoma, Batuta, Charme e Robustus. O Vertente mantém o seu perfil mais simples e linear, o Redoma, à semelhança do branco, mais consistente e amigo da mesa, sendo o Batuta, o Charme e o Robustus os pesos pesados deste painel. O Batuta é um vinho fantástico de persistência e complexidade, enquanto o Charme é o contraste, um primor de elegância e finesse, aparecendo aqui o Robustus como aquele que apresenta maior “solidez” (se é que esta expressão pode ser aplicada a um líquido...), um vinho com mais corpo e estrutura.

Enfim, no conjunto, esta prova não trouxe propriamente grandes surpresas, antes serviu para confirmar tudo aquilo que se esperava dos vinhos apresentados. De destacar, contudo, um rumo claro adoptado pela Niepoort nitidamente em contraciclo com a maioria dos vinhos actuais - e em particular no Douro - em que se aposta na pujança, na sobrematuração e em elevados graus alcoólicos. A Niepoort, pelo contrário, seguindo o lema de Dirk Niepoort de que “menos é mais”, aposta na elegância, na suavidade, na complexidade e longevidade dos seus vinhos. Quase todos se situam na casa dos 13 ou 13,5 graus de álcool (felizmente, digo eu), pelo que ao bebê-los estamos a beber vinhos e não bombas de fruta e de álcool que tudo abafam.

Bem haja, Dirk Niepoort e toda a equipa que o acompanha. Que continuem a brindar-nos com excelentes vinhos por muitos e bons anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 23 de dezembro de 2012

Na Wine O’Clock 9 - Com Sandra Tavares da Silva


Na senda das muitas solicitações para provas que se vão realizando por aí, uma das mais interessantes dos últimos tempos realizou-se na Wine O’Clock com a presença da enóloga Sandra Tavares da Silva, colaboradora na Quinta do Vale D. Maria, de Cristiano Van Zeller, no projecto familiar da Quinta de Chocapalha e no projecto pessoal da Wine & Soul com o marido, Jorge Serôdio Borges. Na prova em causa foram apresentados os mais recentes vinhos em que a enóloga está envolvida em termos pessoais e familiares.

Foram provados quatro vinhos da Quinta de Chocapalha e dois da Wine & Soul. Da região de Lisboa vieram um branco colheita, um tinto colheita e dois tintos reserva. Dum modo geral agradáveis, o branco com a frescura que se consegue na região de Lisboa devido ao clima atlântico, os tintos numa linha semelhante, com bom equilíbrio entre corpo, álcool e taninos.

Da Wine & Soul vieram o Pintas e o Pintas Character, com o perfil típico dos grandes tintos do Douro nos tempos que correm, em que predomina a pujança e o aroma a fruto maduro.

Mais que a avaliação de cada vinho provado, o que se tornou mais interessante foi o desenrolar da conversa com a enóloga, que falou da sua experiência nesta actividade fazendo o paralelo entre os dois projectos em que está envolvida, com maior incidência na Chocapalha, e deixando o convite aos presentes para visitarem a quinta e, se o desejarem, participarem numa vindima.

Esperemos que Sandra Tavares da Silva nos volte a presentear com a sua presença em mais provas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

No meu copo 296 - Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2010; Invisível, Aragonês 2011

Continuamos na senda dos brancos, com mais duas curiosidades. Voltamos à Casa Ermelinda Freitas para um lote que junta as duas castas da moda referidas no post anterior: o Sauvignon Blanc e o Verdelho. Ao contrário dos anteriores provados a solo, esta mistura das duas castas não me encantou. É um vinho correcto, com frescura e acidez, medianamente frutado, mas algo curto na prova de boca e discreto no aroma. Talvez precise de afinação no lote.

No que respeita ao Invisível, um branco feito a partir da lágrima das uvas tintas do Aragonês vindimadas à noite (um blanc de noirs na melhor tradição do champanhe), uma novidade introduzida há poucos anos no panorama nacional pela Ervideira, foi mais a curiosidade que nos levou a comprar esta garrafa num dia de provas na Delidelux para partilhar pelos habituais comparsas. A cor é, de facto, quase invisível, algures entre o translúcido, o branco e o muito levemente rosado. O aroma anda ali entre  frutos brancos e o floral. Na boca apresenta-se fresco, ligeiramente adocicado e de persistência média. Um dos comparsas provadores comparou-o a um espumante sem gás… Uma experiência interessante que pessoalmente me agradou, e que não me importarei de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2010 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Sauvignon Blanc e Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,59 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Invisível, Aragonês 2011 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço: 9,70 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

No meu copo 295 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2011; Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc 2011

Falamos aqui de duas castas da moda, agora que os vinhos também embarcam (muitas vezes mal) nas tendências da moda. Para além do Alvarinho que tem vindo a descer desde o Minho até ao sul do país, o Verdelho (nas nacionais) e o Sauvignon Blanc (nas estrangeiras) são duas das que mais vamos vendo por aí a serem usadas na elaboração de vinhos brancos de qualidade acima da média. Neste caso falamos de produções da Península de Setúbal onde estas castas parecem ter chegado para ficar.

Já tínhamos provado um Verdelho da Colecção Privada de Domingos Soares Franco, da colheita de 2008, que nos agradou sobremaneira, e essa impressão foi confirmada na prova deste 2011. Seco e persistente na prova de boca, com notas cítricas predominantes no aroma, confirmou ser um valor seguro e uma aposta ganha pela José Maria da Fonseca.

Quanto aos novo branco da Casa Ermelinda Freitas (aqui fica a nossa singela homenagem à fundadora, recentemente falecida), uma das que mais tem apostado nos vinhos monocasta, consegue aqui um bom exemplar do Sauvignon Blanc, que é uma das minhas castas brancas predilectas. Tem frescura, suavidade e elegância na prova de boca, com alguma tropicalidade no aroma, casando bem com entradas leves ou pratos delicados de peixe.

Estamos assim perante dois vinhos brancos bem conseguidos por duas das casas que se configuram como motores da região vitivinícola da Península de Setúbal e que ajudam a explicar a sua posição como uma das regiões que mais vende no país, atrás do Alentejo e dos Vinhos Verdes. Dentro da gama em que se posicionam, estes vinhos valem bem o preço que custam. São brancos de Verão, de Inverno e de todo o ano.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2011 (B)
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc 2011 (B)
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No meu copo 294 - Papa Figos 2010; Herdade do Peso 2009

Dentro da renovação que tem vindo a ser feita no vasto portefólio de vinhos da Sogrape, que apresenta vinhos na região dos Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, duas das mais recentes iniciativas incluíram o lançamento do Papa Figos no Douro e uma renovação da imagem dos vinhos no Alentejo, com o reposicionamento e o lançamento de novas marcas.

Na gama de vinhos do Douro, sob o chapéu da Casa Ferreirinha, foi lançado um vinho para ocupar o espaço entre o sofrível Esteva e o mais selecto Vinha Grande. Deram-lhe o nome de Papa Figos e foi posicionado no patamar de preços entre os 5 e os 6 €. É um vinho para se gostar logo à primeira impressão, com predominância frutada e aromático quanto baste e com a macieza que habitualmente caracteriza os vinhos desta casa. Pedem-se pratos com alguma delicadeza a acompanhar, de modo a não abafar os equilíbrios delicados deste vinho. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.

Não sei se virá a tornar-se uma referência no segmento porque não é um vinho de encantar, mas poderá certamente bater-se com alguns nomes consagrados do mesmo patamar.

No Alentejo vamos assistindo à renovação dos produtos da Herdade do Peso, com novos rótulos, novos vinhos e uma aposta no marketing para conferir mais visibilidade a esta produção, que tem sempre ficado na sombra dos seus congéneres da Casa Ferreirinha (Douro) e da Quinta dos Carvalhais (Dão), sendo conhecida quase unicamente pela marca Vinha do Monte.

É assim que aparecem o Reserva, o Ícone, um branco colheita, e que permanece o tinto colheita com o nome Herdade do Peso. Este tinto, mantendo um pouco a tradição dos antigos e saudosos Sogrape Reserva do Alentejo, apresenta-se mais cheio na boca, mais robusto e persistente e com um toque a especiarias. Tem os taninos bem presentes mas macios e pode ombrear com alguns dos pratos mais fortes da cozinha alentejana. Bebe-se bem jovem mas poderá conservar-se algum tempo na garrafa. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e 6 meses em garrafa.

Em resumo, enquanto na gama da Casa Ferreirinha assistimos apenas a um ajustamento dos produtos disponíveis, na Herdade do Peso assiste-se a uma remodelação mais profunda que merece alguma atenção pois, como não nos cansamos de dizer, praticamente tudo o que a Sogrape faz é bem feito e, se apostarem nos vinhos alentejanos, vão certamente dar algum trabalho aos concorrentes e poderão guindar-se à qualidade dum nome de referência como a Herdade do Esporão. Creio que valerá a pena esperar para ver.

Kroniketas, enófilo interessado

Vinho: Papa Figos 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 5,84 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Herdade do Peso 2009 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 5,88 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Consumo Mínimo



Cada vez mais provadores e menos escrevinhadores, aqui assinalamos a passagem de mais um aniversário das KV. E assim como quem não quer a coisa, já vamos em 7!

Apesar da preguiça, de vez em quando verão seguramente alguns posts publicados, porque há vinhos e provas que o merecem e que conseguem ultrapassar a barreira do nosso ócio.

Entretanto, esperamos que toda a informação constante neste blog continue a ser útil a todos quantos os que, como nós, se interessam pela causa etílica.

Obrigado e à vossa saúde.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sábado, 8 de dezembro de 2012

Garrafeira Néctar das Avenidas - 1º aniversário



Foi no passado dia 25 de Novembro que este espaço situado nas proximidades do Saldanha e mesmo junto à Avenida Duque d’Ávila, em Lisboa, comemorou o seu primeiro aniversário com uma prova de vinhos da Herdade das Servas. Aí tive oportunidade de encontrar alguns dos habituais parceiros destes eventos, nomeadamente o Pingus Vinicus do Pingas no Copo e o Elias do O vinho é efémero, para além do próprio dono.

Embora não sendo muito amplo, o espaço está bem arranjado, com três salas separadas sendo que a do fundo, com porta envidraçada onde consta a indicação “sala de provas”, é mais reservada e tem menos garrafas expostas para dar lugar a outros utensílios e uma mesa onde se fazem as decantações e também serve para colocar alguns produtos gourmet e que foi aproveitada para servir os petiscos que acompanharam as provas. Das garrafas em stock destaco naturalmente uma boa colecção de vinhos velhos (com especial incidência na Bairrada), muitos deles em garrafas de litro e meio e com preços bastante sensatos. Para os apreciadores de relíquias como nós aqui da cambada, é um bom local para ir visitando.

Da prova da Herdade das Servas constaram um branco de 2011 e várias colheitas do tinto Reserva 2003, 2004, 2006 e 2008, terminando num Vinhas Velhas de 2009. Muito interessantes algumas das colheitas apresentadas, principalmente o 2003, ainda muito fechado mas com grande estrutura e persistência. Da colheita de 2004 foram apresentadas duas garrafas, uma normal e uma magnum, estando esta numa fase de evolução que apresentava mais juventude, com ambas as mostrarem um perfil mais frutado mas também mais linear que o 2003. O Vinhas Velhas 2009 foi uma boa surpresa, bastante aromático e persistente, a prometer uma boa evolução em garrafa.

O espaço é simpático, o proprietário também, o conteúdo da garrafeira é interessante, portanto é mais um espaço para constar no périplo das garrafeiras, não esquecendo que também realiza alguns jantares vínicos, aos quais convém estar atento.

Só resta desejar longa vida e boa sorte no negócio ao João Quintela. Que venham muitos mais aniversários.

Kroniketas, enófilo quase em efeméride

Garrafeira Néctar das Avenidas
Avenida Luís Bivar, 40-B
1050-145 Lisboa
Tel: 21.401.98.17

domingo, 2 de dezembro de 2012

Provas, provas e mais provas

Para os habituais frequentadores de provas de vinhos, tem sido um Outono quase frenético. As provas e eventos ligados ao vinho sucedem-se a ritmo alucinante, tornando quase impossível fazer a gestão da escolha dos locais a frequentar.

No último mês e meio, só na cidade de Lisboa aconteceram eventos como “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, “Mercado de vinhos do Campo Pequeno”, “Encontro com o vinho e sabores”, “Porto e Douro Wine Show” e “Addega Wine Market”, alguns deles em simultâneo. Paralelamente temos as habituais provas com produtores de todo o país em garrafeiras como Garrafeira Nacional, Delidelux, Wine o’clock, só para citar aquelas que frequento mais assiduamente, além de jantares vínicos promovidos em locais diversos como o restaurante Rubro, ou sob o patrocínio da Garrafeira Néctar das Avenidas que há uma semana comemorou o seu primeiro aniversário, assinalado com uma prova da Herdade das Servas. Uff!!!

Perante tão sobrecarregado calendário torna-se difícil escolher e começa a ser necessário abdicar da maioria dos eventos agendados. Depois do evento vínico do ano, o “Encontro com o vinho e sabores”, ocorrido em meados de Novembro, mais eventos do mesmo género logo a seguir acabam por tornar-se repetitivos e começam a cansar, pois acabamos por ver os mesmos produtores em diversos locais, tornando tamanho périplo desinteressante. Demasiadas provas em tão pouco tempo cansam. Confesso que nesta fase prefiro as provas dum único produtor para conhecer as novidades do que voltar a deambular entre múltiplos stands através de corredores atulhados de gente…

Kroniketas, enófilo cansado

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Encontro com o vinho e sabores 2012 – Notas pós-evento

Fez agora uma semana que se realizou mais uma edição do Encontro com o Vinho e Sabores, organizada pela Revista de Vinhos no Centro de Congressos de Lisboa.

Desta vez, ao contrário do habitual, eu e o Politikos deslocámo-nos lá ao fim da tarde de 6ª feira, aproveitando a proximidade do local de trabalho e uns convites obtidos à última hora, e também uma previsível menor afluência nesse primeiro dia.

À entrada deparámos logo com o jornalista José Silva, da Hora de Baco, aproveitando para meter conversa com ele por uns minutos e registar uma fotografia para a posteridade.

Esta visita de 6ª feira foi oportuna porque nos permitiu estar em vários stands à conversa durante longos minutos, coisa que no sábado e domingo se torna impossível. Provámos melhor e com mais tempo e encontrámos uma série de comparsas com quem nos vamos cruzando por aí noutras provas.

No sábado à tarde e já com o grupo mais extenso completámos o périplo, confirmando a impossibilidade de sequer nos aproximarmos de alguns expositores, dada a aglomeração de pessoas. A certa altura, e já para o fim da tarde, os corredores estavam apinhados, quase não se conseguindo andar por ali. Não sei se num futuro próximo não será necessário equacionar a mudança de local para os pavilhões da nova FIL, no Parque das Nações.

Entre muitos mais brancos, espumantes e rosés do que é habitual, as grandes revelações das provas para mim foram um Quinta da Dôna feito de Baga, das Caves Aliança, e um Frei João Reserva tinto de 1985 e um Porta dos Cavaleiros branco de 1985, das Caves São João. As excepções no meio dos vinhos novos, frutados e alcoólicos que pululam um pouco por todo o lado.

Para o ano, naturalmente, há mais.

Kroniketas e os outros

terça-feira, 6 de novembro de 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Na Garrafeira Nacional 1 - Douro, Rio de patrimónios e Quinta da Leda 2009



A apresentação da nova colheita do novo Quinta da Leda 2009 foi uma oportunidade para mais uma deslocação à Garrafeira Nacional, na baixa lisboeta, onde decorreu ao mesmo tempo a apresentação de um novo livro de José A. Salvador sobre o rio Douro e a sua ligação à cultura do vinho, Douro - Rio de patrimónios.

Esteve presente o enólogo da Casa Ferreirinha, Luís Sottomayor, que falou sobre as características deste fantástico vinho e do seu enquadramento no portefólio dos vinhos da Sogrape. Pena foi que não estivesse presente o autor do livro, estando apenas dois representantes dos CTT, que apadrinha o lançamento do livro. Assim, foi possível conversar acerca dos vinhos da Sogrape mas não acerca do livro sobre o rio Douro.

Quanto à prova do Quinta da Leda 2009, o mínimo que se pode dizer é que estava magnífico como se esperava. Mantém o perfil eminentemente elegante que o caracteriza sem perder uma notável persistência e profundidade aromática a par com uma boa estrutura na boca. Mesmo os 14,5% de álcool que esta colheita apresenta não prejudicam o equilíbrio da prova. Parece ser vinho para longos anos de vida na garrafa, e deverá merecer prova à mesa quando a ocasião se proporcionar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 21 de outubro de 2012

Vinhos de Portugal 2013



Já está à venda do novo livro de João Paulo Martins, Vinhos de Portugal 2013 – Notas de prova, que constitui a 19ª edição deste guia, o mais antigo dos que são actualmente publicados me Portugal. A apresentação decorreu no final de Setembro no hotel Sheraton, em Lisboa, tendo-se reunido uma delegação dos suspeitos do costume para ir lá assistir.

Num ambiente descontraído, o jornalista e redactor da Revista de Vinhos falou sobre a dimensão crescente do conteúdo do livro e do trabalho acrescido de ano para ano, passando depois à apresentação dos vinhos premiados e entrega dos respectivos prémios, onde se contam alguns nomes importantes do panorama vinícola nacional a par com outros que começam a ganhar relevância.

Depois da entrega dos prémios foi possível provar uma boa parte dos vinhos premiados (não havia Barca Velha 2004…), entre brancos, tintos, espumantes, Porto e Madeira acompanhados por alguns acepipes preparados para o efeito.

Tal como referiu o autor, o livro tem ganho volume de ano para ano, começando a ser quase uma enciclopédia, mais que um livro. Em todo o caso continua a ser uma referência entre as publicações do género e, como é apanágio do autor, é direccionado para o consumidor com uma linguagem clara, simples e perceptível, sem entrar por expressões herméticas por vezes muito usadas pelos “especialistas” e pelos aspirantes a tal. João Paulo Martins tem a vantagem, em relação a outros, de provar e apreciar vinhos com o espírito focado naquilo que o consumidor percebe e não naquilo que ele próprio gosta; escreve para o leitor e não para si mesmo e para exibir a sua sapiência, o que só lhe fica bem. É dentro deste espírito que se enquadra a inclusão na actual edição de um capítulo dedicado aos melhores vinhos até 4 €.

Muitos anos de boas provas e continuação de sucesso é o que lhe desejamos.

Kroniketas, com Mancha e Politikos

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

No meu copo 293 - Casa Burmester Reserva 2007; Duas Quintas 2006; Quinta dos Aciprestes 2005; Quinta dos Quatro Ventos 2005



Um jantar entre amigos proporcionou a prova de quatro tintos do Douro da gama até aos 10 euros. A ordem de apresentação neste caso não é importante, pelo que seguem por ordem alfabética.

O curioso nesta prova é que se trata de vinhos com preços não muito distantes, os perfis não são semelhantes mas também não são completamente diferentes e apresentam um padrão de qualidade aproximado, pelo que a classificação atribuída, com mais ou menos uns pozinhos para cima ou para baixo, também acabou por ser igual. Até o grau alcoólico é igual.

Importa referir que estamos a falar de colheitas com 5, 6 e 7 anos – são vinhos que estiveram guardados algum tempo à espera de amaciar os taninos e integrar melhor todos os aromas com a madeira (todos eles passaram pela barrica), em suma, em vez dos habituais vinhos cheios de fruta e juventude tiveram tempo para amadurecer e apresentar-se já numa fase adulta.

O Casa Burmester Reserva 2007 tem cor ruby, estrutura média, primando sobretudo pela elegância e macieza. Frutado quanto baste e com taninos macios, é um vinho adequado para carnes delicadas e não demasiado temperadas. Tínhamos provado a colheita de 2005 que foi uma boa revelação e esta de 2007 confirmou-o. Estágio: 12 meses em barrica de carvalho francês.

O Duas Quintas 2006 é aquilo que se espera dele: bom corpo, alguma pujança, boa persistência, equilíbrio entre fruta, estrutura, taninos e frescura. Sempre uma aposta segura nos vinhos desta gama, mais vocacionado para pratos mais fortes em termos de tempero. Estágio: 20% do vinho durante 18 meses.

O Quinta dos Aciprestes 2005 prima sobretudo pelo paladar intenso a frutos vermelhos maduros com uma boa envolvência de estrutura e de taninos. Apropriado para pratos de carne com alguma complexidade de sabores e temperos. Estágio: 8 a 10 meses.

Finalmente o Quinta dos Quatro Ventos 2005. De cor granada e aroma a frutos maduros, apresenta boa estrutura e persistência, suave na boca e com os taninos presentes mas elegantes. Adequado para pratos de cozinha tradicional. Estágio: 12 meses.

Em resumo, quatro bons vinhos que consideramos merecedores do preço que custam e que vale a pena ter sempre em casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro

Vinho: Casa Burmester Reserva 2007 (T)
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas 2006 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta dos Aciprestes 2005 (T)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta dos Quatro Ventos 2005 (T)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 9,78 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vinhos do Alentejo em Lisboa 2012



Decorreu no passado fim-de-semana na Fundação Champalimaud a 4ª edição do certame Vinhos do Alentejo em Lisboa. À falta de mais quorum (os outros bandalhos baldaram-se todos), desloquei-me sozinho ao fim da tarde para fazer uma ronda pelo espaço.

Comecei por percorrer o recinto dos expositores, bastante acanhado para o número de stands e visitantes presentes, de tal forma que quando de lá saí, já bem dentro da hora de jantar, tornava-se difícil circular pelos corredores. A dimensão do espaço será um aspecto importante a rever em futuras edições.

Contrariamente ao que costuma acontecer em eventos semelhantes, ainda sem copo na mão percorri todos os stands com o objectivo de, digamos assim, identificar o terreno e apontar os alvos, ou seja, os vinhos a provar. Assim, quando me dirigi à entrada para adquirir o copo de prova já tinha mais ou menos planeada a volta que iria dar, até porque a permanência não poderia ser tão longa quanto é habitual: desta vez ficou-se por cerca de 2 horas.

A verdade é que o método pareceu resultar e, desta forma, em vez de cirandar por lá de modo aleatório e sem saber o que ia provar a seguir, fui percorrendo os stands sem ordem previamente definida mas sabendo onde queria ir e que vinhos pretendia provar.

Como o tempo era escasso e era necessário voltar para casa em condições de conduzir, optei por seleccionar essencialmente algumas marcas de topo de produtores de referência entre o que estava disponível. A execepção foi o Esporão, por onde comecei, e onde provei quase tudo o que lá estava, entre branco, tinto e rosé. A verdade é que o Reserva tinto nunca desilude, o Private Selection mostrou porque é que a colheita de 2009 recebeu 18 pontos na edição deste mês da Revista de Vinhos e o Vinha da Defesa rosé está mais gastronómico, enquanto o tinto tem uma excelente relação qualidade/preço. O Verdelho e o Duas Castas cotam-se como excelentes apostas nos brancos. Nos varietais só provei o Alicante Bouschet, bem estruturado e equilibrado.

Outros vinhos provados:
- Reserva do Comendador (Adega Mayor)
- T Quinta da Terrguem e Quinta do Carmo Reserva (Aliança/Bacalhôa)
- Cortes de Cima, Trincadeira (Cortes de Cima)
- Baron de B e Caladessa (Herdade da Calada)
- Herdade das Servas Reserva (Herdade das Servas)
- Herdade do Peso Reserva (Herdade do Peso/Sogrape)
- Tapada de Coelheiros e Branca de Almeida (Herdade de Coelheiros)
- Quinta da Viçosa, Syrah-Trincadeira (João Portugal Ramos)
- Cem Reis (Herdade da Maroteira)
- Quinta do Mouro (Miguel Viegas Louro)
- Julian Reynolds Reserva (Reynolds Wine Growers)
- Monsaraz Millennium e Monsaraz Premium (Carmim)


Dum modo geral a qualidade dos vinhos foi excelente, aparecendo vários exemplares de vinhos com 4, 5 e 6 anos de idade a revelarem uma frescura e ainda sinais de juventude notáveis, coisa que há poucos anos dificilmente acontecia, e tive oportunidade de referi-lo em curtas trocas de impressões nalguns stands. O avanço das práticas enológicas é, certamente, bastante responsável por este novo panorama.

Mas o mais interessante, para mim, deste conjunto de provas foi a percepção da diferença de estilos entre os alentejanos clássicos e os alentejanos modernos. Provando alguns dos vinhos e olhando para a sua composição foi fácil perceber o que diferencia os vinhos em que são utilizadas preferencialmente as castas tradicionais (Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet a que por vezes se junta o Cabernet Sauvignon) daqueles em que se opta pelas castas modernas e de outras regiões para fazer vinhos mais ao estilo “novo mundo” (Syrah, Merlot, Touriga Nacional, Touriga Franca). É um facto que muitos produtores vão à procura de vinhos mais fáceis de beber e mais frutados, mas tal como acontece noutras regiões – como a Bairrada, em que antes quase só se usava Baga e agora usa-se quase tudo – isso contribui grandemente para descaracterizar os vinhos da região e pouco ou nada de novo acrescenta ao que já existe, tornando-os todos iguais ou parecidos.

Um exemplo flagrante desta diferença pude constatá-lo no stand da Herdade de Coelheiros, na prova do Tapada de Coelheiros e do Branca de Almeida. Enquanto o primeiro contém Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, o segundo contém Merlot, Trincadeira e Alicante Bouschet. A verdade é que os estilos são completamente diferentes e o segundo não me agradou. Na maior parte dos casos (Esporão Reserva e Private Selection, Reserva do Comendador, Quinta do Mouro, Herdade do Peso, Barón de B, Caladessa, T Quinta da Terrguem), a conclusão clara foi que os tintos alentejanos com perfil clássico me agradam muito mais e são os verdadeiros representantes da região.

Felizmente que dentro deste perfil continua a haver muito e muito bom, existindo bastantes produtores que continuam a apostar nele, porque, tal como eu, ainda há consumidores que o preferem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

No meu copo 292 - Planalto 2011; Bucellas, Arinto 2011; Prova Régia, Arinto 2011

Estes são três vinhos brancos bons e baratos, clássicos nas escolhas para vinhos que se bebem com facilidade mas que fazem sempre boa figura à mesa. Já tivemos oportunidade de nos referirmos a eles em várias ocasiões (principalmente no caso dos dois de Bucelas), e são sempre regressos bem sucedidos.

Trata-se de brancos secos, sendo o Planalto (agora sob o chapéu da Casa Ferreirinha dentro do universo Sogrape) um pouco mais leve e aberto, com corpo e persistência médios, notas florais no aroma, tudo suportado por boa acidez. Acompanhou muito bem uma açorda de camarão feita em casa.

Quanto aos dois quase-irmãos de Bucelas, das concorrentes Enoport e Quinta da Romeira, vão apresentando algumas oscilações entre si de ano para ano, mantêm aquela acidez citrina do Arinto sempre em destaque. O Bucellas, que ainda ostenta no rótulo o nome das antigas Caves Velhas, é sempre um pouco mais estruturado que o Prova Régia, este com um perfil ligeiramente mais leve ainda que com igual persistência.

Em suma, dentro da gama de brancos que não pesam na carteira, estes continuam sempre a ser apostas seguras e feitos para agradar, com versatilidade para ir à mesa, acompanhar entradas ou servir como aperitivo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Planalto Reserva 2011 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega
Preço em feira de vinhos: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Bucellas, Arinto 2011 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Prova Régia, Arinto 2011 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,48 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

No meu copo, na minha mesa 291 - Jantar Paulo Laureano no restaurante Rubro




Após o jantar do Esporão, voltámos em formato de trio para um jantar com vinhos Symington. Em quarteto, já com a companhia do tuguinho, alinhámos num jantar com vinhos Niepoort (este uma espécie de repetição para mim e para o Politikos, depois do evento no Jacinto em 2009), desta vez com a presença do próprio Dirk a falar connosco nas mesas.

A última e mais recente incursão fez-se em quinteto com vinhos de Paulo Laureano, o enólogo-produtor do Alentejo que usa como lema dos seus vinhos “só castas portuguesas”. A primeira abordagem fez-se na rua, porque estávamos em pleno Verão e o tempo pedia um fim de tarde ao ar livre. Aí pudemos provar um excelente espumante produzido em Bucelas, a grande surpresa do evento, para além dum branco Singularis e dum rosé, este algo pesado para o gosto da maioria dos presentes.

Quando chegou a hora de subirmos ao 1º andar, o próprio Paulo Laureano fez uma breve apresentação aos vinhos que iam ser bebidos, voltando durante a refeição para mais algumas trocas de impressões.

Como habitualmente, desfilaram vários pratos acompanhados por vários vinhos, acerca dos quais, como quase sempre acontece nestas ocasiões, as opiniões entre os 5 comensais não foram unânimes, com apreciações que na nossa escala variaram do modo que resumimos em seguida:

Pratos: Gaspacho de meloa com presunto crocante, cogumelos morron com ovos de codorniz e foie, pincho de cerdo ibérico com cebola confitada
Vinho: Paulo Laureano Premium branco 2010. Castas: Arinto, Antão Vaz e Fernão Pires. 13% – Nota: 6,5 a 8

Prato: Polvo grelhado com três pimentos e azeite
Vinho: Paulo Laureano Reserve branco 2010, fermentado em madeira. Casta: Antão Vaz. 14,5% – Nota: 7 a 8,5

Prato: costela de boi grelhada, muito mal passada, com batatinhas salteadas
Vinhos:
- Paulo Laureano Reserve tinto 2007. Castas: Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. 14% – Nota: 7,5 a 9
- Dolium Reserva 2006. Castas: Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. 14.5% – Nota: 8,5 a 9

Não entrando em médias, o que se constata facilmente é que a qualidade dos vinhos é crescente. O branco Reserva é fermentado em madeira e tem 14,5% de álcool, tendo aquele perfil um pouco pesado que não me agrada muito, mas que no caso se adequou ao polvo grelhado.

No caso do Dolium, é claramente um vinho de nível superior, com grande estrutura e persistência. Tratando-se de um vinho de 2006, mostrou-se pleno de saúde e frescura, com os 14,5% de álcool bem domados pela acidez e pelo estágio de 18 meses em barrica, à semelhança do Reserva tinto. Em ambos os casos Paulo Laureano pôs enfase na utilização da casta Trincadeira, uma quase mal-amada nos tempos que correm e a perder terreno nos encepamentos do Alentejo, mas que o enólogo considera de grande valor para os seus vinhos.

Em suma, mais um excelente jantar no Rubro, a um preço muito razoável para aquilo que nos é oferecido, e um bom painel de vinhos dum dos mais conceituados enólogos portugueses.

Continuação de sucesso nos seus vinhos é o nosso desejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido e com o resto da cambada

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano Vinus

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

No meu copo, na minha mesa 290 - Jantar Esporão no restaurante Rubro





Desde há cerca de dois anos começámos a frequentar os jantares vínicos do restaurante Rubro, no Campo Pequeno em Lisboa.

Tal como os outros espaços circundantes na nova praça de toiros desde a sua remodelação, o Rubro utiliza (presume-se) antigas instalações ligadas ao espectáculo da tourada, abrindo directamente para a rua, mesmo ao lado da entrada principal do recinto. Uma sala mais pequena no rés-do-chão, com o balcão e uma zona de tapas à esquerda e algumas mesas à direita numa zona relativamente recatada. Ao centro uma escadaria de acesso ao 1º andar, onde está o espaço mais amplo para acomodação dos comensais, podendo nesse trajecto vislumbrar-se a montra onde estão expostos alguns dos exemplares mais relevantes da garrafeira, como um tinto Pesquera que ainda não nos passou pelo estreito.

Incursões deste grupo de comensais ao Rubro já foram várias, em diversas variantes: a 3, a 4, a 5 e a 6. A primeira visita fez-se na companhia do Mancha e do Politikos para um jantar regado com vinhos das Cortes de Cima. Não conhecíamos o método, que começa por umas tapas no rés-do-chão (ou na rua, quando a época do ano e o tempo o permite) e a degustação de vinhos de entrada de gama do produtor convidado. No caso das Cortes de Cima recordo-me que tivemos oportunidade de provar o Chaminé branco e tinto. Quando é chegada a hora de ocupar as mesas, normalmente um representante do produtor (o enólogo, ou o próprio produtor), a meio das escadas e antes de subir ao 1º andar para tomar assento nos lugares que nos são destinados, faz uma pequena introdução aos vinhos a provar.

Começa então o desfile das iguarias para acompanhar os vinhos escolhidos. No caso das Cortes de Cima recordo-me que exageraram nas doses do Touriga Nacional, de tal modo que os seguintes já quase não souberam a nada, e quando chegou finalmente o Reserva, lá para a sobremesa, já havia quem tivesse ingerido excesso de álcool e não se lembrasse bem como saiu de lá...

Seguiu-se um jantar magnífico com vinhos do Esporão, onde esteve presente o grupo mais numeroso, com 6 comensais, e onde compareceram os vinhos de topo da Herdade: Esporão Reserva, Private Selection, Quinta dos Murças (da nova produção no Douro), terminando com um Porto 10 anos da Quinta dos Murças e com a aguardente Magistra, muito apreciada pelo Mancha. Nas entradas ainda se pôde degustar o branco 2 Castas e o tinto Assobio, da Quinta dos Murças.

Seguindo o guião habitual, houve diversos vinhos a acompanhar diversos pratos, com a ordem que se segue:

Pratos: carpaccio, curgetes com camarão (absolutamente divinais).
Vinho: Esporão Reserva branco 2010. Fermentado em madeira, apresentou boa estrutura sem ser pesado, mantendo alguma frescura. Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. 14% – Nota: 8

Pratos: Cogumelos com queijo de cabra e folhado de alheira e espinafres.
Vinho: Quinta dos Murças Reserva 2008. Bom nariz e estrutura média. Faltou-lhe alguma estrutura para acompanhar o sabor forte do queijo, que exigia um vinho mais pujante. Castas oriundas de vinhas velhas. 14% – Nota: 8

Prato: “Chuleton” de boi com molho, acompanhado de batatas assadas.
Vinho: Esporão Private Selection 2007. Vinho notável, muito profundo no nariz e com uma persistência inigualável. Um vinho ao nível do Quinta da Leda, embora de perfil diferente. Absolutamente extraordinário nos seus 14,5%. Castas: Alicante Bouschet e Aragonês – Nota: 9,5

Depois deste repasto, outros se seguiram...

Kroniketas, enófilo esclarecido e com a cambada toda

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Restaurante: Rubro
Campo Pequeno - Lisboa
Tel: 210.191.191
Nota (0 a 5): 4,5

sábado, 11 de agosto de 2012

No meu copo 289 - Dão Pipas 1983 e 1997

Diferentes ocasiões permitiram ir buscar outras antiguidades à garrafeira: um Dão Pipas 1983 e um 1997, os penúltimos exemplares que subsistiam deste vinho (só resta um exemplar de 1999).

A garrafa de 1983 mostrou-se notável: aberto, suave, com um enorme bouquet, uma acidez ainda muito viva mas o conjunto já amaciado pela idade. Mais um grande vinho de outras eras, daqueles que quem nunca conheceu não pode imaginar como é diferente das bombas de fruta e álcool que alguns parecem insistir em querer...

Quanto ao de 1997, como o tempo quente na ocasião exigia, foi refrescado atempadamente, decantado antecipadamente, teve todo o tratamento necessário para que nada falhasse. Faltava apenas esperar o tempo suficiente. E demorou. Ao fim de quase 3 horas após a decantação, finalmente foi possível apreciá-lo na plenitude. A cor não mostrava ainda demasiada evolução, o aroma inicialmente muito fechado finalmente libertava profundidade e complexidade. Na boca mostrou-se ainda vibrante, longo, persistente, sem sinais de declínio.

Em suma, mais dois belos exemplares daquilo que os vinhos velhos nos podem oferecer quando se aguentam na garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Dão Pipas Reserva 1983 (T)
Grau alcoólico: 12%
Preço: 2495 $ (em 1997)
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Dão Pipas Reserva 1997 (T)
Grau alcoólico: 12%
Preço: 6,95 € (em 2003)
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 7 de agosto de 2012

No meu copo 288 - Porta dos Cavaleiros 1980; Carvalho, Ribeiro & Ferreira Garrafeira 1990

De vez em quando gostamos de ir ao baú buscar umas relíquias que por lá andam. Neste caso, foram duas aquisições recentes feitas em parceria pelos comensais mais habituais.

O Porta dos Cavaleiros veio da Garrafeira Nacional como oferta integrado numa compra de 6 garrafas do Porta dos Cavaleiros Touriga Nacional 2007, enquanto o Carvalho, Ribeiro & Ferreira Garrafeira, um clássico que conhecemos há quase 20 anos, foi adquirido no mesmo local para vermos se ainda estava bebível, depois de nos ter despertado o interesse após a leitura duma prova efectuada pela Revista de Vinhos que percorreu a história deste vinho.

Como sempre acontece quando se abrem garrafas de vinho com estas idades, nunca se sabe o que se vai encontrar: desde um vinho azedo a um que parece estar apenas morto e a outro que está quase como novo, tudo é possível. Desta vez tivemos alguma sorte, embora em tempos diferentes. Cronologicamente foi como a seguir se conta.

Tudo começou num repasto alargado com todo o plantel, a pretexto duma peça de veado que o Caçador fez chegar à nossa mesa. Enquanto se ia debicando diversas entradas, que incluíram paio de porto preto, folhado de queijo no forno, requeijão com doce de abóbora e ovos mexidos com espargos e farinheira, acompanhadas por diversos brancos em desfile, fomos abrindo o Porta dos Cavaleiros e o Carvalho Ribeiro & Ferreira para lhes dar tempo de mostrar o estado em que se encontravam. Passados os primeiros aromas a mofo que por vezes andam por ali na primeira impressão, desde logo se percebeu que o Porta dos Cavaleiros 1980 estava de muito boa saúde. De corpo delgado como é normal num vinho com mais de 30 anos, cor acastanhada algo desmaiada, mas o aroma limpo e muito suave na boca, na boa tradição dos grandes tintos clássicos do Dão. Fomos bebericando aqui e ali e esperando a evolução. Durante o jantar todo o conteúdo da garrafa desapareceu antes de entrarmos nos pesos pesados.

Seguiu-se o Carvalho Ribeiro & Ferreira Garrafeira 1990, que pareceu estar mais para lá do que para cá. Cheirou-se, voltou-se a cheirar, verteu-se um pouco para uns copos mas decidiu-se não o decantar, não fosse o processo acelerar-lhe a morte. Algumas opiniões decretaram-lhe mesmo o óbito, mas eu não fiquei convencido. Pareceu-me ser uma daquelas situações em que logo após a abertura o vinho está muito escondido, com os aromas muito presos e a precisarem de tempo para se libertar. Acabou por ficar por ali meio esquecido quase até ao fim do jantar, em que depois de vários outros tintos ainda houve quem se abalançasse a voltar à carga. Não foi o meu caso, que me limitei a tapar a metade restante na garrafa com uma rolha de vácuo e a guardar a garrafa no frigorífico. “Deixa-o estar ali a descansar, se não estiver bom serve para tempero ou vai para o cano”, pensei...

No dia seguinte, enquanto libertava os restos do excesso de álcool da noitada, esqueci-me dele e de todos os outros. Dois dias depois tirei a garrafa do frigorífico meia-hora antes de jantar e resolvi experimentá-lo para tirar todas as dúvidas. E a surpresa foi enorme, depois das impressões colhidas 48 horas antes: o vinho estava fantástico, cheio de pujança e estrutura, com aromas intensos e uma persistência invulgar. Provei uma vez e outra, para me certificar que não estava enganado, dei a provar para comprovar, e não havia engano: o tempo de espera tinha permitido mostrar todo o esplendor daquele produto. Era aquilo que eu e o Mancha tínhamos bebido algumas vezes há quase 20 anos nos restaurantes de Lisboa. Como os restantes comensais já lá não estavam para partilhar o néctar, acabei por distribuir o restante em pequenas garrafinhas que tenho guardadas, para que todos pudessem confirmar a excelência do estado do vinho. Foi pena não o termos podido apreciar devidamente, na hora e mais a solo, mas ficou a intenção de voltarmos à carga. Pelo menos a Garrafeira Nacional ainda tem uns exemplares em stock...

São vinhos destes que nos fazem sentir que realmente vale a pena esperar por momentos assim.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porta dos Cavaleiros 1980 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Carvalho, Ribeiro & Ferreira Garrafeira 1990 (T)
Produtor: Carvalho, Ribeiro & Ferreira
Grau alcoólico: 12%
Preço: 17,50 €
Nota (0 a 10): 10

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

No meu copo 287 - Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2010

Este não poderia faltar neste conjunto de provas de brancos e rosés que têm acontecido nestas semanas deste Verão meio envergonhado. Depois de termos provado o rosé da Fiúza, era indispensável provar o da Quinta da Alorna, pois constituem a dupla dos meus rosés preferidos.

Tal como para o Fiúza, este Quinta da Alorna, produzido apenas com recurso à Touriga Nacional – que aliás tem dado origem a belíssimos vinho no Ribatejo, tanto tintos como rosés e quer a solo quer em lote com outras castas, nomeadamente o Cabernet Sauvignon – fermenta após um período de tempo ainda mais reduzido em contacto com as películas das uvas, neste caso apenas 8 a 12 horas. Resulta assim um vinho pleno de aromas e frescura, com nuances de morango e framboesa, seco e gastronómico, muito apelativo. Além disso é tão versátil que se bebe bem com praticamente tudo.

Nos últimos dias tive oportunidade de degustar por duas vezes a colheita de 2010 e o perfil mantém-se, as características estão todas lá. Ano após ano, desde que conheci este rosé, continua a ser um dos meus rosés de eleição, e esta colheita de 2010 não foge à regra. Os outros produtores deviam pôr os olhos nele. E pelo que custa tem uma relação qualidade/preço praticamente imbatível.

Kroniketas, enófilo refrescado

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2010 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 31 de julho de 2012

No meu copo 286 - Quinta do Boição Reserva, Arinto 2010

Esta garrafa foi adquirida há poucas semanas, após o lançamento do número de Julho da Revista de Vinhos, como acontece quase todos os meses aquando da promoção do vinho do mês. Um prato de peixe um pouco mais sofisticado pediu um vinho branco e esta garrafa, como estava ali à mão, foi para o frigorífico mesmo a tempo de ficar à temperatura adequada para acompanhar o repasto.

A verdade é que o consumo, mesmo em família, não foi elevado, pelo que foi possível provar o vinho noutras refeições e com outros pratos. E o que provei agradou-me sobremaneira. Este Arinto de Bucelas, confirmando os seus pergaminhos, nunca nos desilude. Quer a solo quem em conjunto com outras castas, melhora sempre o vinho em que está integrada.

Neste caso fermentou em barricas novas de carvalho francês mas, ao contrário de muitos brancos que por aí andam carregadíssimos de madeira que ficam com um aroma enjoativo, temos a madeira muito discreta, apenas marcada o suficiente para dar alguma estrutura e complexidade ao vinho, integrando-se muito bem nos aromas citrinos que continuam a predominar sem estar ofuscados pela madeira.

Fazendo jus à sua tradição de produção dum clássico de Bucelas, o Bucellas Caves Velhas, amplamente provado neste blog, a Enoport – agora proprietária e sucessora das Caves Velhas – esmerou-se na produção deste Quinta do Boição, que em nada deslustra o seu antecessor. É um vinho marcado por uma certa elegância e finesse, onde tudo parece ter sido pensado ao pormenor para que todos os seus componentes se apresentem em equilíbrio.

Muito boa aposta da Enoport num vinho a revisitar.

Kroniketas, enófilo veraneante a caminho do Algarve

Vinho: Quinta do Boição Reserva, Arinto 2010 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8


PS - Certamente por distracção, a Revista de Vinhos apresentou uma foto dum copo de vinho tinto na página da promoção a este vinho. Requer-se mais cuidado em ocasiões futuras.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Na Delidelux 3 - Casa Agrícola Roboredo Madeira



Para esta prova de vinhos da CARM deslocou-se apenas a dupla das Krónikas Viníkolas, sendo que foi uma estreia do tuguinho no local.

Em prova estiveram 3 brancos e 2 tintos. Entre os brancos, dois monocasta e um Reserva, e nos tintos um Reserva e um sem adição de sulfitos.

O branco monocasta de Códega do Larinho apresentou frescura e suavidade, a par de uma baixa graduação alcoólica que já não se vê há anos: 11,5º! Um branco sem grande complexidade mas fácil de beber.

Seguiu-se o monocasta Rabigato, cuja colheita de 2009 tinha sido objecto de um post recente aqui nas Krónikas e, segundo o tuguinho, que tinha provado essa colheita, este estava mais linear. O representante da CARM que estava a apresentar os vinhos inclinou-se para que a evolução do vinho ainda não tivesse atingido o melhor ponto, prevendo que mais alguns meses em garrafa possam melhorar a complexidade do vinho. Grau alcoólico: 12,5º.

Terminaram-se os brancos em prova com o Reserva (13,5º), um pouco mais complexo mas sem grande exuberância aromática.

Nos tintos apresentou-se um Reserva, excelente, complexo, profundo, persistente, que mostrou estar ali para durar e confirmou que a sua proveniência (Almendra, no Douro Superior, próximo de Foz Côa e de quintas como a de Ervamoira, da Leda e do Vale Meão) parece ser a melhor para produzir os grandes vinhos tintos do Douro.

O SO2 Free, sem adição de sulfuroso, precisa de tempo para se mostrar embora tivesse apresentado credenciais interessantes em termos aromáticos.

Os preços também eram bem ajuizados: os brancos a 8 euros e pouco, o tinto Reserva a 11,90 € e só o SO2 Free estava próximo dos 20 €.

Esta prova mostrou que a ditadura das modas é muitas vezes perniciosa e no sector dos vinhos ainda mais. Tivemos vinhos brancos com menos de 13 graus e tintos com menos de 14, o que demonstra que, apesar do que nos andaram a impingir durante anos com a conversa fiada do “gosto do consumidor” e das “alterações climáticas”, é possível fazer vinhos com grau alcoólico moderado, mais leves e menos cansativos, desde que se queira. Como nos confirmou o representante da CARM, o essencial é o trabalho na vinha e na adega de modo a produzir vinhos com o perfil adequado. Até disse mais: que se andaram a produzir vinhos brancos com extracção e fermentação semelhantes aos tintos!

Pois é, depois a culpa é do clima e do gosto do consumidor...

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal

quarta-feira, 18 de julho de 2012

No meu copo 285 - Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2011


Depois de ter tido contacto com este vinho na prova das Cortes de Cima na Delidelux, resolvi adquirir uma garrafa para experimentar em casa. Foi aberta para acompanhar umas entradas e um waterzoo de frango.

A degustação agradou sobremaneira, confirmando as impressões colhidas na prova anterior. Agora a acompanhar a refeição, mostrou uma acidez que lhe confere uma boa frescura na boca, alguma mineralidade e boa persistência.

Parece ser um vinho adequado para a mesa mas também para a esplanada, pois a sua frescura confere-lhe capacidade para ser apreciado a solo. Uma pedrada no charco no panorama dos vinhos brancos e uma boa aposta das Cortes de Cima com esta plantação efectuada no litoral alentejano.

Um vinho a repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2011 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira - vinha plantada em Vila Nova de Milfontes)
Produtor: Cortes de Cima
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 10,70 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 6 de julho de 2012

No meu copo 284 - Pasmados 2009

No processo de reconstituição deste blog com o conteúdo do blog antigo, deparei-me com uma receita escrita pelo tuguinho, o Surf'n'Turf com legumes chineses no wok, que resolvi experimentar e saborear na companhia do próprio.

Para acompanhar o petisco experimentámos o branco Colinas de São Lourenço, mencionado abaixo, e escolhemos um dos tintos que adquiri recentemente numa promoção da revista Sábado, que englobou 6 vinhos ao longo de 6 semanas. A escolha recaiu no Pasmados 2009, da José Maria da Fonseca.

O primeiro ataque no nariz é intenso e apresenta um misto entre o aroma floral da Touriga Nacional e o caramelo do Castelão. Na boca é vivo e revela uma boa estrutura, com predominância frutada, taninos suaves, madeira bem integrada e boa persistência final. A panóplia de aromas resultante da diversidade das castas acabou por resultar numa boa ligação com o misto de sabores do prato. O grau alcoólico é ajuizado para os tempos que correm, onde parece que a tendência, finalmente e felizmente, é para voltar a baixar.

Só tinha provado um exemplar desta marca há quase 20 anos, sem que me ficasse grande impressão, pelo que este foi uma boa revelação. Dentro da gama em que se posiciona, podemos dizer que não tendo ficado pasmados é um vinho que vale a pena revisitar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pasmados 2009 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Vinhos Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (46%), Syrah (40%), Castelão (14%)
Preço: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 1 de julho de 2012

No meu copo 283 - Colinas de São Lourenço, Chardonnay e Arinto branco 2008; Marquês de Marialva, Colheita Seleccionada branco 2011

Apresentamos dois brancos da Bairrada, um da gama baixa e outro da gama média ou média-alta.

O Colinas de São Lourenço - empresa cuja estrutura foi entretanto adquirida pelo empresário Carlos Dias e integrada no projecto Ideal Drinks, para onde também transitou o ex-enólogo-chefe da Dão Sul, Carlos Lucas - apresentou-se com um aroma agradável balanceado entre as notas mais tropicais do Chardonnay e a acidez cítrica do Arinto. Na prova de boca mostra grande frescura (é um vinho que requer uma temperatura de serviço bastante baixa, na ordem dos 10º C), com ligeiras notas de madeira (1/3 do mosto fermentou em barricas de carvalho francês) muito bem integradas com o fruto, o que lhe confere estrutura e boa persistência.

Este vinho agradou-me particularmente pelo equilíbrio dos seus componentes, com destaque para o facto de não ter o carácter amanteigado tão habitual nos Chardonnay produzidos em Portugal, com aquele excesso de madeira que os tornam pesados e enjoativos. Alguns consideram isso uma virtude, para mim é um defeito que me faz rejeitar os vinhos com esse perfil. Donde se prova que é possível entre nós trabalhar a casta Chardonnay, com passagem por barrica, obtendo vinhos frescos e vibrantes.

O Marquês de Marialva, oriundo do maior produtor da Bairrada, é, dentro da gama baixa e média-baixa, sempre um rótulo a ter em conta nos vinhos desta região. Este Colheita Seleccionada branco é um vinho mais leve, fresco e menos estruturado do que o anterior, adequado para pratos leves. O fim de boca é relativamente curto mas agradável. Tendo em conta o preço não se pode esperar mais, sendo, para o perfil em causa, um vinho que agrada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Colinas de São Lourenço, Chardonnay e Arinto 2008 (B)
Produtor: Sociedade Agrícola Colinas de São Lourenço
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em hipermercado: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Marialva Colheita Seleccionada 2011 (B)
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Bical, Maria Gomes
Preço em hipermercado: 1,89 €
Nota (0 a 10): 6,5

domingo, 17 de junho de 2012

No meu copo 282 - Fiúza, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon rosé 2010

Já lá vão dois anos desde que escrevemos pela última vez sobre vinho rosé, ainda na versão antiga deste blog. Daí para cá continuou a crescer o número de produtores a lançar esta variedade de vinho, até há poucos anos mal-amada, e consequentemente o número de marcas disponíveis no mercado, que actualmente já cobrem todo o país e todas as regiões, de norte a sul, do litoral ao interior.

As filosofias presentes continuam a dividir-se: há os que tratam o rosé como uma espécie de sucedâneo do tinto, realizando sangrias de cuba na fermentação dos tintos para assim obter maior concentração e simultaneamente aproveitar essa parte do mosto para fazer umas garrafas de rosé; e há aqueles que tratam e escolhem as uvas ainda na videira, vindimando-as no tempo certo e com a maturação adequada para produzir um rosé.

Os resultados, como se compreende, não podiam ser mais díspares. Dos vinhos que temos tido oportunidade de conhecer dentro destas duas filosofias, não há dúvida de que os rosés produzidos ab initio com esse objectivo batem em toda a linha os seus congéneres resultantes de sangria de cuba (esta é, naturalmente, a minha opinião que só a mim vincula, nem sequer vincula quem mais escreve neste blog). Enquanto os primeiros são leves, aromáticos, normalmente secos, frutados e florais, não muito carregados de cor e com um grau alcoólico aceitável, os segundos normalmente são escuros, pesados, ásperos, enjoativos e, como não podia deixar de ser, hiperalcoólicos (14 graus ou até mais)! O mais estranho é serem os próprios produtores a assumir que nesses casos pretenderam fazer um rosé que substitua um tinto. Salvo melhor opinião, nesse caso bebo um tinto, porque esse tipo de rosé acaba por não ser nem uma coisa nem outra. Mas enfim, são gostos… Pela parte que me toca, quando vejo um rosé com cor de sangria e 14 graus de álcool, normalmente fujo dele...

Dito isto, quero chegar à apreciação de um ribatejano (ou Regional Tejo) que me tem enchido as medidas: o Fiúza, feito com Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, duas castas que têm proporcionado excelentes combinações em diversos tintos. A primeira versão que encontrei deste rosé (2007) tinha apenas Cabernet, sendo a versão de 2008 já composta pelo lote actual, e o resultado foi excelente. Tem todas as características que me agradam num rosé, com notas florais e a frutos vermelhos, fresco, seco e elegante na boca, com alguma persistência e nada pesado. Para a elaboração do Fiúza, a fermentação inicia-se após um período de apenas 24 horas em contacto com as películas das uvas, obtendo-se assim a secura e leveza adequadas.

Uma excelente aposta da Fiúza. Por acaso ou talvez não, é um dos meus preferidos, juntamente com o seu vizinho da Quinta da Alorna, já aqui referido por mais de uma vez.

Kroniketas, enófilo rosado

Vinho: Fiúza, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2010 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 5,41 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de junho de 2012

No meu copo 281 - Bairrada: o regresso aos clássicos

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003; Baga Encontro 2005; Quinta das Baceladas 2005;
Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008




A propósito dos posts anteriores sobre as provas das Cortes de Cima e da Herdade da Malhadinha Nova, há tempos dizia-me o Politikos que os vinhos alentejanos cada vez o seduzem menos. Lembrei-me desta afirmação ao reflectir sobre as características daqueles vinhos, cada vez mais uniformizados e menos típicos (no sentido de ser possível detectar a sua origem ao prová-los). Não será este um dos motivos para esse interesse decrescente? É que para bebermos vinhos com algum carácter de Alentejo somos “obrigados” a regressar aos clássicos, como os da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz, da Adega Cooperativa de Borba, da Tapada do Chaves ou da Cartuxa (o Esporão é um caso à parte de qualidade e modernidade dentro do clássico).

Esta proliferação de vinhos com perfil de novo mundo faz-nos sentir vontade, de vez em quando, de regressar aos clássicos. Desta vez fizemo-lo com aqueles que serão, porventura, os mais clássicos dos clássicos: os tintos da Bairrada à base da casta Baga. Tínhamos em agenda algumas garrafas do stock que resolvemos abrir por ocasião da final da Liga dos Campeões em futebol, no que também se vai tornando um clássico (fizemo-lo pelo 3.º ano consecutivo).

A entrada fez-se com uns camarões fritos por mestre Mancha, acompanhados por um belo branco monocasta Chardonnay da Quinta da Alorna fornecido por um dos comparsas. Para minha satisfação, não revelou aquele travo amanteigado e enjoativo de muitos Chardonnay portugueses, principalmente quando fermentados e/ou estagiados em madeira. Apresentou-se fresco, vivo e persistente, com óptima acidez e a fazer muito boa companhia à gordura dos camarões fritos.

Para a parte mais substancial foram chamadas à liça umas postas mirandesas e umas gravatinhas de porco. Os tintos foram abertos antecipadamente, começando-se pelo Quinta das Bágeiras, previamente decantado, seguindo-se o Baga Encontro e finalmente o Quinta das Baceladas.

O que se pode dizer destes vinhos que seja original? Praticamente nada. Neles podemos apreciar aromas terciários profundos, resultado já de alguma evolução em garrafa, mantendo-se uma estrutura e uma acidez correctas e um grande fim de boca. São vinhos autênticos, genuínos, robustos mas sem serem rústicos. O Quinta das Bágeiras foi naturalmente o que se apresentou com um perfil mais clássico, daqueles Baga bem robustos e com potencial para outros tantos anos. O Baga Encontro pareceu um pouco menos vivo, enquanto o Quinta das Baceladas, um lote de Baga, Merlot e Cabernet Sauvignon, apareceu com grande saúde e com uma acidez mais vibrante do que os anteriores.

Qualquer um destes três vinhos justificou plenamente a aposta, remetendo-nos para os vinhos que se faziam há mais de uma década. Retomando uma frase já aqui dita, ainda bem que nos esquecemos destas garrafas durante uns tempos, para de vez em quando podermos ir buscá-las e apreciar vinhos a sério, de tempos em que não se procurava a superconcentração e as bombas de fruta e álcool. Estes são dos tais que já não se fazem… ou quase.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço: 8 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 14%
Casta: Baga
Preço: 17,13 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Baga Encontro 2005 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Baga
Preço: 24,65 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Baceladas 2005 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Aliança - Vinhos de Portugal
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Merlot, Cabernet Sauvignon, Baga
Preço: 9,44 €
Nota (0 a 10): 8