quinta-feira, 20 de maio de 2010

No meu copo 274 - Douro Sogrape Reserva 2002; Casa de Santar Reserva 2005

(continuação)

Já com o almoço, composto por uns bifinhos de carne Angus à moda do Kroniketas passada no ponto, acompanhados por batatas fritas, tomaram assento à mesa os tintos em prova paralela com os quais fomos acompanhando a carne. O Douro Sogrape Reserva 2002, velho conhecido das nossas lides, cumpriu com brilhantismo a função, como aliás se esperava. É um daqueles jogadores que não sabe jogar mal e uma aposta segura para qualquer treinador. No copo mostrou uma cor granada límpida e no palato apresentou-se encorpado, pujante para a idade que tem e persistente na boca. Simultaneamente, os seus taninos, arredondados pela idade, conferem-lhe elegância e distinção. Bebeu-se agora mas poderia seguramente ficar mais uns anos que iria adquirir charme sem decair. Aliás, vai ficar, porque a garrafeira do Kroniketas tem lá mais de uma dúzia... São os restos desta excelente colecção de Reservas que a Sogrape detinha até há pouco tempo, com produções no Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, e que tantas belas provas nos proporcionaram durante muitos anos.

Deixámos para o fim o Casa de Santar Reserva 2005, também um velho conhecido das nossas garrafeiras, que claramente nos convenceu. Apesar de ser um vinho de 2005, apresentou-se no copo com uma cor algo acobreada. Inicialmente fechado no nariz e algo concentrado na boca, foi evoluindo ao longo da refeição. Fomos conversando entre nós mas também com ele, como um velho amigo que se reencontra e com o qual vamos engrenando a conversa. Foi-nos evocando no nariz adegas velhas e vinhos antigos e na boca apresentou-se estruturado e elegante, sem, contudo, perder a personalidade típica do Dão. Um Dão clássico que, pela maior elegância, agradou mais ao Politikos do que um Cabriz Reserva 2006 bebido recentemente. A recuperar e confirmar as impressões de ambos em prova comparada num destes dias, à semelhança de experiências anteriores.
Um gelado de natas coberto com chocolate quente fechou a contenda com chave de ouro.

Politikos e Kroniketas, enófilos em libações intercalares por via da visita papal

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa de Santar Reserva 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 18 de maio de 2010

No meu copo 273 - Pampas del Sur Reserva, Viognier 2008; Herdade do Perdigão Reserva branco 2007

A tolerância de ponto concedida por ocasião da visita do Papa Bento XVI proporcionou um almoço intercalar, a meio da semana, de dois dos convivas dos Comensais Dionisíacos, a saber Kroniketas e Politikos. Os dois comensais faltosos do núcleo mais restrito foram-no por razões devidamente justificadas: um estava ausente em trabalho em terras de Sua Majestade e o outro tinha umas questões domésticas inadiáveis. O repasto, que decorreu em horário já andado na tarde, foi acompanhado por 2 brancos e 2 tintos. Nos brancos tivemos um argentino de nome Pampas del Sur Reserva, Viognier 2008, acompanhado de um Herdade do Perdigão Reserva 2007. E nos tintos um Douro Sogrape Reserva 2002 e um Casa de Santar Reserva 2005, ambos da garrafeira do Kroniketas, de que falaremos no próximo post. Para descanso das mentes mais estatísticas e com maior propensão para as contas de cabeça, sobrou por grosso meia garrafa de cada, sendo que o Herdade do Perdigão já estava aberto e apenas lhe demos uns goles para comparação.

Para iniciar a conversa com umas lascas de presunto, avançou o Pampas del Sur Reserva, Viognier 2008 que se revelou competente sem brilhar. É um vinho simples e despretensioso. Apresenta uma estrutura média, frutado, com alguma mineralidade e com uma adequada acidez. No início estava um pouco fresco demais, o que o fechou mais no nariz e na boca, mas à medida que a temperatura subia foi-se mostrando. Cumpriu o que se espera de um branco honesto do Novo Mundo, sem deslumbrar.

Uns goles de Herdade do Perdigão Reserva 2007 que o Kroniketas tinha aberto permitiram-nos uma comparação entre brancos que se revelou desigual. É que este alentejano parece querer ombrear com o excelente tinto da Casa! É um vinho que põe em cima da mesa simultaneamente a madeira, resultado do envelhecimento de 6 meses em barricas de carvalho francês, e a fruta, num conjunto de irrepreensível equilíbrio. Aromático, controlado na acidez, foge seguramente aos normais brancos alentejanos um pouco mais agrestes. Estamos, sem dúvida, perante um exemplo do que de melhor é possível fazer com brancos no Alentejo… Não esquecer que este não é propriamente um branco da planície mas das terras mais altas, situadas nas proximidades de Portalegre, o que lhe permite apresentar uma frescura pouco usual nos vinhos das terras mais quentes a sul.
(continua)

Politikos e Kroniketas, enófilos em libações intercalares por via da visita papal

Vinho: Pampas del Sur Reserva 2008 (B)
Região: Mendoza (Argentina)
Produtor: Premier - Mendoza
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Viognier
Preço: 4,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2007 (B)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço: 10,78 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 2 de maio de 2010

No meu copo 272 - Os brancos da Casa Santos Lima

Arinto 2008; Fernão Pires 2008; Sauvignon Blanc 2008


Após um interregno de quase dois meses devido a afazeres diversos (cada vez temos menos vida para isto, mas lá vamos tentando manter a chama acesa…), voltamos à Estremadura para falar de 3 brancos da Casa Santos Lima, uma estreia nas nossas provas aqui nas Krónikas.

A Casa Santos Lima, situada na zona de Alenquer entre Sobral de Monte Agraço e a Merceana, é uma das que têm continuado a apostar nos vinhos monocasta, mesmo depois do decréscimo da moda deste tipo de vinhos que teve o seu grande incremento na década de 90. Ainda há algumas semanas, no programa “A hora de Baco” (RTP N) um dos seus responsáveis realçava que esta empresa é provavelmente a que tem maior variedade de vinhos monocasta no seu portefólio, quer em brancos quer em tintos, até em castas que não se vêem noutros produtores.

Neste caso tivemos oportunidade de provar o Arinto, o Fernão Pires e o Sauvignon Blanc. Não consigo destacar nenhum deles, pois todos me agradaram, dentro das suas características próprias.

O Arinto mostra aquela secura e acidez tão típicas da casta e que se destacam sobretudo na Estremadura, resultando num vinho de grande frescura. O Fernão Pires apresenta-se um pouco mais estruturado e floral, também com alguma frescura, intensidade aromática e boa acidez. Finalmente, o Sauvignon Blanc mostra a suavidade e elegância habituais e um toque mais adocicado.

No conjunto, três vinhos agradáveis e fáceis de beber, para pratos não muito exigentes em termos de tempero, e que são uma excelente aposta até para o dia-a-dia por um preço praticamente imbatível. Pelo que custam são muito melhores do que se poderia supor.

Kroniketas, enófilo cansado

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima

Vinho: Casa Santos Lima, Arinto 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço: 2,65 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa Santos Lima, Fernão Pires 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Fernão Pires
Preço: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa Santos Lima, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 2,52 €
Nota (0 a 10): 7,5