quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

No meu copo 260 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001

Para finalizar o ano, nada melhor que assinalar a quadra festiva com um dos nossos vinhos de referência, já aqui mencionado várias vezes: o Garrafeira dos Sócios da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.

Desta vez escolhemos uma garrafa da colheita de 2001 que, tal como as colheitas anteriores, não fugiu ao que se esperava. Sempre a mesma suavidade, o aroma frutado profundo, e ainda assim mantendo uma persistência e um fim de boca assinalável.

De colheita para colheita mantém as mesmas características, sempre muito equilibrado, com a madeira na conta certa e conjugando uma estrutura que mantém alguma vivacidade com o aveludado habitual.

E assim terminamos o ano da melhor forma. Desejamos a todos boas provas para 2010.

Kroniketas, enófilo celebrante



Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

No meu copo 259 - Cartuxa 2005

Este não tem sido um dos vinhos mais provados cá pela casa, embora seja um dos que mais prestígio ostenta em terras do Alentejo. Não sendo o topo de gama da Fundação Eugénio de Almeida (esse lugar está reservado para o Pêra Manca branco e tinto), será contudo o seu principal ícone, assim como uma espécie de “Esporão da Adega da Cartuxa”.

Com ele tenho mantido uma relação algo distante e nem sempre fácil. Conheço-o há muitos anos mas nem sempre me convenceu de que valia a pena pagar por ele o preço que custa (e a comparação com os vinhos do Esporão é quase inevitável neste patamar de preços). A última prova, contudo, já tinha deixado uma óptima impressão com a colheita de 2006. Agora este 2005 que estava guardado, bebido em quadra natalícia a acompanhar uma perna de borrego, esteve excelente. Pujante, vigoroso, com grande estrutura e um longo fim de boca, muito fechado no início ganhou bastante com a decantação quando começou a libertar os aromas e a amaciar um pouco os taninos.

Mostrou estar ali para durar, parecendo ser um vinho para durar uns 10 anos em plena forma e até pareceu estar mais vivo que o de 2006 que tínhamos provado em Maio. Ou já tinha evoluído melhor ou então a idade faz-lhe bem e está ainda na fase ascendente. Se assim for teremos um grande vinho (que já é) daqui por uma boa meia-dúzia de anos.

A verdade é que esta garrafa convenceu-me plenamente, pelo que o Cartuxa passará a ser um vinho a revisitar com maior frequência.

Kroniketas, enófilo natalício

Vinho: Cartuxa 2005 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 14,85 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 19 de dezembro de 2009

No meu copo 258 - Espumante Martini Brut Cuvée Speciale; Martini Brut Cuvée Speciale Sparkling Wine

Nesta quadra em que se pretende festejar muita coisa sem se saber bem o quê, é inevitável o recurso aos vinhos espumantes. Quando não estamos no champanhe tentamos escolher espumantes que primem por uma qualidade que não envergonhe, por isso vamos experimentando aqui e ali, tanto portugueses como estrangeiros.

Dois dos mais recentes foram da Martini, que eu nem sabia que fazia espumantes. Até agora só tinha bebido uns quantos Asti docinhos, que só servem para molhar a boca e parecem mais Seven-Up com álcool. Estes, sendo da Martini e sendo brutos, pareceram-me ser merecedores da experiência.

Desta vez não fiquei defraudado. Dentro do género cumpriram perfeitamente o que se espera de um espumante. O Sparkling é mais leve e menos complexo, enquanto o Cuvée Speciale tem um pouco mais de estrutura, é mais aromático e mais persistente. Ambos têm bolha fina e aroma frutado com algumas notas tropicais.

Pelo preço, ambos justificam a aposta.

Kroniketas, enófilo borbulhante

Produtor: Martini & Rossi (Itália)

Vinho: Martini Brut Cuvée Speciale (B)
Grau alcoólico: 11,5%
Preço em feira de vinhos: 11,91 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Martini Brut Cuvée Speciale Sparkling Wine (B)
Grau alcoólico: 11,5%
Preço: 10,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Dissertações em sóbrio



No princípio era o vinho... ou seja, já bebíamos e apreciávamos mas guardávamos as opiniões para nós. Quando iniciámos as Krónikas Tugas foi naturalmente que surgiram vários posts sobre o vinho e a arte de o apreciar. E daí à autonomia e à independência foi menos tempo do que o que levamos a dizer “touriga”!

Depois deste começo não sei se devo parar por aqui... Agora a sério, é bom fazer anos e ter quem se interesse pelas nossas opiniões sobre vinhos e afins (não confundir com afídios) – ainda para mais quando a única coisa que nos move, além das pernas, é o gosto pelos bons vinhos que se fazem em Portugal e por esse mundo fora.

Ao fim de quatro anos de beberricanço e enfardanço o Krónikas Viníkolas continua de boa saúde, sem sinal de cirrose ou de outras maleitas. Enquanto for assim, está muito bom.

Brindemos pois a mais um aniversário e obrigado por estarem aí desse lado.

tuguinho e Kroniketas, investigadores de colheitas

domingo, 6 de dezembro de 2009

No meu copo 257 - Bétula 2008; Duas Quintas Reserva 2003; Concha y Toro Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006

O último Sporting-Benfica, que já vimos escrito algures ter sido o pior derby de sempre, levou a mais uma reunião gastrónomo-etilista do grupo restrito dos Comensais Dionisíacos, ou seja, os suspeitos do costume. E se o jogo foi fraquinho, o repasto não o foi, sobretudo ao nível dos bebes, como adiante se verá. Abriu-nos as portas e disponibilizou o ecrã gigante o confrade tuguinho.

Na abertura provámos um branco duriense de seu nome Bétula, ofertado pelo produtor às Krónikas Viníkolas, o que publicamente agradecemos. Talvez por aqui já se tenha dito – mas não é demais repetir e também foi dito ao produtor – que somos todos amantes e amadores do vinho. Somos compradores e bebedores e não críticos, só que gostamos de escrever e de partilhar as provas. Não estimulamos as ofertas mas aceitamo-las, porque nos permitem conhecer novidades, não significando a aceitação das mesmas, como é bom de ver, nenhuma garantia de uma apreciação mais favorável. Aqui não se fazem jeitos. 10 000 euros, caixas de robalos ou equipamentos desportivos não são endereçáveis a esta confraria...

Posto isto e dito assim de forma crua, atirámo-nos ao Bétula 2008 bem fresco, virgens de espírito e sem nenhumas expectativas. Ao mesmo tempo fomos debicando umas lascas de presunto e de outros enchidos, acompanhadas de pão escuro. E o Bétula passou com distinção na prova! Trata-se de um vinho feito com as castas Viognier, fermentada em carvalho francês, e Sauvignon Blanc, fermentada em inox. Apresenta-se com uma cor citrina carregada, madeira ligeira, muito discreta e muito bem integrada no vinho. A madeira nos vinhos é um pouco como o tempero nos alimentos, tem de ser usada na conta certa sob pena de os descaracterizar, e neste Bétula a madeira está presente na dose certa, conferindo-lhe alguma complexidade mas permitindo-lhe manter a fruta, de notas tropicais, a frescura e uma acentuada mineralidade. O Bétula é um daqueles vinhos que provam que se podem fazer bons brancos portugueses. Degustámos apenas uma garrafa, deixando a outra para uma próxima oportunidade.

Prontas a comer vieram umas costeletinhas de novilho grelhadas que de diminutivo só tinham mesmo o nome, tal a generosidade das doses, acolitadas por arroz branco e batatas fritas. A acompanhá-las abrimos duas garrafas de Duas Quintas Reserva 2003, que tínhamos em stock na garrafeira dos Comensais. É um vinho com seis meses de estágio em pipas de carvalho novo, que depois de engarrafado na Quinta dos Bons Ares envelheceu dois anos em garrafa. Apresentou-se retinto na cor, exuberante nos aromas, já com algum bouquet, uma grande estrutura, onde predominam os frutos vermelhos, e um final de boca muito prolongado. A madeira está lá mas nem se nota. Os taninos, ligeiros e muito bem domados, completam o leque. É um vinho de grande, grande nível, diríamos quase perfeito. Houve grandes loas ao dito por parte dos comensais. Um ou outro aventuraram-se mesmo a dizer que está no lote dos melhores vinhos portugueses que já beberam. Temos também umas garrafitas do Duas Quintas Reserva Especial (adquiridas para a comunidade pelo Kroniketas depois de ter conhecido o vinho numa prova com João Nicolau de Almeida, na Wine O’Clock) no qual, após esta prova, depositamos legitimamente grandes expectativas. É um daqueles vinhos na presença dos quais se percebe melhor a expressão popular: «que grande pomada!». É realmente um vinho untuoso, que se mastiga e que escorrega como mel. Um êxtase para os sentidos!

Para finalizar, aletria, arroz doce e uma mousse de chocolate negro com natas, debruada de farripas de chocolate igualmente negro, permitiram-nos provar um Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada 2006, da região de Maule Valley no Chile - um verdadeiro néctar, com notas de mel, passas e fruta muito madura. Muito doce e muito exuberante no olfacto e no palato. Para alguns de nós foi uma estreia na prova destes Colheitas Tardias e uma revelação. A exuberância no nariz e na boca é tão grande que quase passa por licoroso.

Politikos, artista amador e convidado, a puxar a carroça do KV, com Kroniketas, tuguinho e Mancha

Vinho: Bétula 2008 (B)
Região: Douro (Regional Duriense)
Produtor: Catarina Montenegro - Quinta do Torgal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viognier (50%), Sauvignon (50%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (2/3), Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 19,59 € (comprado em 2007)
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Maule Valley (Chile)
Produtor: Concha Y Toro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

No meu copo 256 - Quatro Castas Reserva 2005

Ainda com as colheitas de 2002 e 2003 em casa, uma passagem pela Makro fez-nos deparar com a colheita de 2005 já à venda, que aproveitámos para comprar e beber de imediato ao jantar. Mais uma vez este tinto do Esporão, feito com as melhores quatro castas de cada ano (daí o nome) e que temos seguido desde o seu lançamento, encheu-nos as medidas, guindando-se a um patamar que rivaliza com o ícone da casa, o Esporão Reserva.

Não tendo decantado previamente a garrafa, o vinho começou por se apresentar um pouco fechado e com os aromas escondidos. Parecia algo curto e delgado na boca. Mas logo o tempo se encarregou de corrigir a situação. Meia hora e meia garrafa depois, aí estava ele em todo o seu esplendor, a mostrar toda a sua estrutura e robustez e a soltar toda uma panóplia de aromas. Mantém o perfil a que nos habituou, com um corpo e uma exuberância aromática notáveis, taninos bem firmes mas elegantes, madeira muito equilibrada e o álcool muito bem disfarçado e integrado no conjunto.

Correndo o risco de repetir o que já disse acerca deste vinho em posts anteriores, continuo a considerar que se bate de igual para igual com a marca que ostenta o nome da casa e por vezes o supera. São vinhos de perfis diferentes mas ambos excelentes. As recentes provas de ambos levam-nos a considerar para uma ocasião propícia uma prova comparada dos dois. Estou certo de que vai valer a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quatro Castas Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah (em partes iguais)
Preço em feira de vinhos: 12,26 €
Nota (0 a 10): 9