terça-feira, 30 de junho de 2009

Quinta da Bacalhôa



Junto à estrada nacional 10, que atravessa Vila Fresca, Vila Nogueira e Brejos de Azeitão, entre o Casal do Marco e Setúbal, situam-se as instalações de dois dos maiores produtores nacionais do sector vinícola: a José Maria da Fonseca e a Bacalhôa Vinhos. Foi a esta última que me desloquei há algumas semanas a convite dum amigo para passarmos uma tarde juntos.

Ao contrário do que se possa pensar, a quinta que se vê em destaque à entrada de Vila Nogueira de Azeitão não é a Quinta da Bacalhôa mas a Quinta da Bassaqueira. É aqui que estão situadas as cubas de fermentação, a adega de armazenamento e envelhecimento dos vinhos de mesa e do moscatel, a loja de vinhos e uma boa porção de vinha. A Quinta da Bacalhôa propriamente dita, onde se situa o Palácio que serve de morada de férias à família Berardo, fica já em Vila Fresca, paredes meias com a José Maria da Fonseca, na zona em que a estrada começa a subir a Arrábida em direcção a Setúbal. Aí se situa a vinha donde saem as uvas para o vinho mais emblemático da empresa, o Quinta da Bacalhôa, assim como uma enorme galeria de azulejos da colecção de Joe Berardo, além do jardim adjacente ao palácio.

Após a compra das Caves Aliança e da Quinta do Carmo o grupo Bacalhôa tornou-se o 2º maior produtor nacional, com cerca de 20 milhões de litros anuais. Para além destas instalações, a Bacalhôa detém ainda a Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos, e a Quinta dos Loridos, perto do Cadaval.

A produção dos vinhos oriundos da Bacalhôa é obtida a partir das uvas da Quinta da Bassaqueira, da Quinta da Bacalhôa e ainda de outras uvas provenientes da serra da Arrábida.

No espaço exterior da Quinta da Bassaqueira podemos passear pelo jardim, passar junto ao lago, descansar debaixo de algumas oliveiras, ver o desenvolvimento das uvas Merlot ou Cabernet Sauvignon, ou admirar os painéis de azulejos que contam a história do vinho nas paredes da adega de envelhecimento dos moscatéis, onde a temperatura interior chega a atingir os 40 graus. Na loja pode-se ainda encontrar à venda todo o portefólio de vinhos das várias empresas do grupo, incluindo um vinho dedicado ao centenário do Benfica, e realizar algumas provas enquanto se descansa do passeio.

E assim ficamos a conhecer uma pequena parte do imenso património do comendador Berardo. Talvez a continuação se faça um dia no jardim japonês da Quinta dos Loridos.

Kroniketas, enófilo viajante

Bacalhôa Vinhos de Portugal
Estrada Nacional 10
Vila Nogueira de Azeitão
2925-901 Azeitão
Telef: 21.219.80.60
Fax: 21.219.80.66

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A adega de design da Quinta do Encontro


Num sábado destes, quatro dos Comensais Dionisíacos – Kroniketas, tuguinho, Mancha e Politikos – rumaram à Anadia para visitar a Quinta do Encontro. O Mancha tinha um convite e o encontro foi prévia e convenientemente agendado para meio da tarde, a fim de antes os comensais poderem fazer jus ao título. Após recolha dos convivas, a partida de Lisboa aconteceu pelas 11h00. O carro era confortável e veloz e a auto-estrada venceu-se em menos de nada.

Por volta das 13h30 estávamos já refastelados no Pedro dos Leitões, na Mealhada, frente a uma travessa com pedaços dos mesmos, acompanhada de batata frita e salada. A refeição foi regada primeiro com um espumante branco a que logo se seguiu, por sugestão da casa, um espumante tinto da região. O dia estava quente, aquele néctar fresco é guloso e o leitão pedia. O bicho estava no ponto, com a pele estaladiça, como convém. O serviço também foi competente, com alguma proximidade mas sem nunca ser intrusivo. Dois dos convivas ainda se bateram com duas sobremesas sem história, outro com uma aguardente velha e o restante ficou a zeros. Todos alinharam nos cafés.

Mais uns quilómetros, sem GPS mas com mapa e algumas indicações que trazíamos, e demos com facilidade com a Quinta do Encontro. A dita fica situada em S. Lourenço do Bairro, em pleno coração da Bairrada, e deve o seu nome à chamada Cruz do Encontro, espécie de pelourinho que deve ter sido em tempos um ponto de encontro e que o Portugal modernaço logo transformou em rotunda, quase em frente à entrada da Quinta.

Embora até agora se tenha falado na Quinta do Encontro, na verdade o que os Comensais foram ver foi a adega de design da Dão Sul, situada naquela propriedade. No meio dos vinhedos, e sobre um pequeno outeiro, surge um edifício cilíndrico, imponente e com design moderno a fazer lembrar uma secção de uma barrica. O amplo espaço circundante permite o recuo necessário à apreciação da arquitectura do edifício. Este estranha-se na ruralidade circundante mas, percebendo-se as ligações ao vinho presentes nos mais pequenos detalhes, no exterior e no interior, admira-se o arrojo do projecto.

A adega tem três pisos. O térreo onde tem a loja e uma pequena sala de estar e o restaurante. A sala de estar, circular, tem um cariz intimista mas moderno e uma lareira ao centro, cuja chaminé se projecta verticalmente até à clarabóia por onde a luz zenital ilumina o espaço.

O piso superior, concebido para área multiusos, pode servir para reuniões e festas. As vidraças em redor da sala permitem-nos apreciar os vinhedos à volta e divisar as Serras do Caramulo e Buçaco. Muitas delas dão acesso às varandas onde podemos, ao abrigo da estrutura em madeira a lembrar as aduelas de uma pipa, degustar um vinho, utilizando uma espécie de balcão de apoio que circunda o amplo varandim.

O piso inferior, para o qual se desce por uma rampa espiralada cujas luzes, ao nível do chão, se vão acendendo à nossa passagem, é a adega propriamente dita. À medida que vamos imergindo nesta, vamos sentindo a temperatura a baixar. Segundo nos disseram, a adega tem climatização natural, para o que ajuda a estrutura em betão armado revestida no exterior por paredes de pedra e o facto de em parte se situar abaixo do solo. Está equipada com moderna tecnologia de vinificação em que as temperaturas, a fermentação e outros parâmetros são monitorizados por um programa informático. O monitor do PC que gere o programa é, aliás, a fonte de luz mais forte da adega. Ao centro, cubas de inox de vários tamanhos e no corredor que as circunda barricas de madeira onde os néctares estagiam. Podemos apreciar, ainda que à distância, a «zona suja» onde é descarregada, prensada e desengaçada a uva que para ali entra por esteiras rolantes. Notável é a limpeza imaculada de tudo aquilo. Como se costuma dizer, podia lamber-se o chão...

Como remate da visita e para mais tarde degustar, a comunidade mais restrita dos Comensais Dionisíacos adquiriu na loja alguns dos néctares da Quinta e não só, sobre cujas provas a seu tempo falaremos. E ainda tivemos direito à oferta de um espumante branco Quinta do Encontro!

A visita foi agradável, para o que contribuiu a recepção simultaneamente profissional e calorosa da nossa anfitriã.

Resta dizer que a Quinta do Encontro possui 20 hectares, sendo 10 de vinha. Os solos argilo-calcários têm plantadas as castas tintas Baga, Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz e Castelão e as brancas Bical, Maria Gomes e Arinto.

Foi pena que a visita à Quinta tenha afinal sido só à Adega. Com alguma imaginação, podia-se fazer uma visita a alguns pontos da propriedade. Um vídeo ilustrando o processo de fabrico e o acesso à «zona suja» da adega seriam também aspectos a ter em conta. Mas foi sem dúvida um dia bem passado a repetir nesta e noutras rotas.

Politikos, no papel de eno-escriba convidado, com Kroniketas e tuguinho, diletantes e desta vez ainda mais preguiçosos

Quinta do Encontro - Sociedade Vitivinícola, Lda.
Apartado 246
S. Lourenço do Bairro
3781-907 Anadia
Tel: 231.527.155
Fax: 232.961.203

sábado, 13 de junho de 2009

No meu copo 247 - Dão Pipas Reserva 1996

Outro clássico do Dão, que também anda algo perdido. Vem dos primeiros tempos da Sogrape na região, com o nome Vinícola do Vale do Dão, ainda antes do projecto da Quinta dos Carvalhais. Na minha fase de descoberta provei muitas colheitas da década de 80 e 90 a par com os primeiros Reservas Sogrape.

Esta garrafa magnum foi encontrada na Makro e tentei reencontrar nela memórias de outros tempos. Também já tivemos outras provas magníficas com garrafas magnum dos anos 70. Tivemos oportunidade de fazer algumas provas de confronto com o Reserva Sogrape e este Dão Pipas mostrou-se sempre um pouco mais macio que o Reserva. Este magnum de 96 mostrou-se ainda em boa forma, com um bouquet bastante pronunciado, bom corpo e boa persistência mas sempre marcado pela elegância. Vai-se espraiando no copo ao longo do tempo mas, dada a idade, já não sobe mais alto por muito tempo.

Ainda andam por aí umas garrafas de 99 mas começam também a reaparecer colheitas mais recentes, pelo que será também uma marca a revisitar proximamente.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Dão Pipas Reserva 1996 (T) (garrafa magnum)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 16,49 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 9 de junho de 2009

No meu copo 246 - Porta dos Cavaleiros Reserva 2002

Este é um clássico do Dão que há muito tempo eu não bebia. As Caves São João andaram numa espécie de hibernação durante alguns anos, com alguns dos seus produtos mais emblemáticos, como Caves São João Reserva, Frei João Reserva e Porta dos Cavaleiros Reserva, a desaparecerem das prateleiras. Em tempos mais ou menos distantes, alguns destes vinhos, como uma garrafa magnum de Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada de 1975, proporcionaram-nos magníficos momentos de convívio e de prova.

No penúltimo “Encontro com o vinho e sabores”, em 2007, falei com alguém no stand das Caves São João, onde voltaram a aparecer alguns dos produtos habituais e onde me foi dito que estava a ser criado um novo fôlego para o relançamento das marcas da casa. E ultimamente eles voltaram a aparecer, pelo que aproveitei para revisitar o Porta dos Cavaleiros Reserva.

Devo dizer que me decepcionou um pouco. Talvez não o tenha apreciado devidamente ou preparado a prova nas melhores condições, mas achei-o um pouco curto e algo discreto de aromas. Mas como agora já está no mercado a colheita de 2005 dentro em breve vou aproveitar para voltar à carga e refazer a prova com todo o cuidado. Não fiquei convencido com esta prova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,95 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 6 de junho de 2009

No meu copo 245 - Miolo Terroir, Merlot 2005

O Vale dos Vinhedos é uma pequena região de 82 quilómetros quadrados situada no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, a cerca de 130 km de Porto Alegre, na zona de serra. Daí veio esta garrafa pela mão de alguém ligado à família. Uma garrafa pesada, mais que o habitual (mais de 1 kg) e com um vinho surpreendente lá dentro. Nunca tinha bebido um vinho do Brasil e foi uma completa revelação.

Sabendo-se como costumam ser os vinhos de Merlot, marcados essencialmente pela suavidade, a maior surpresa foi encontrar neste Miolo Terroir uma estrutura, um corpo e grande persistência a fazer lembrar outras castas que costumam conferir aos vinhos maior robustez. Claro que as características habituais da casta não deixaram de estar lá, mas este vinho pareceu dar uma nova faceta ao Merlot. Pareceu ser um vinho ao estilo do velho mundo, talvez pela latitude a que é produzido (cerca de 29º Sul), já bem afastada do trópico e com um clima atlântico.

Ficou a curiosidade para ver como serão outros vinhos do Brasil, nomeadamente os do tão badalado paralelo 8. Aguardamos a oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Miolo Terroir, Merlot 2005 (T)
Região: Vale dos Vinhedos (Brasil)
Produtor: Vinícola Miolo
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 3 de junho de 2009

No meu copo 244 - Lello 2006

Num almoço de rotina resolvi pedir este vinho para acompanhar a refeição. Nunca tinha experimentado e para vinho do dia-a-dia não me pareceu mau. Bom corpo, paladar frutado e marcado por especiarias, alguma macieza e boa persistência. Bastante aceitável para um vinho sem grandes pretensões e a preço reduzido.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lello 2006 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7