quinta-feira, 30 de abril de 2009

No meu copo 236 - Esporão Reserva 2006

Após um período mais ou menos sabático e mais ou menos prolongado, vejo-me impelido a voltar às lides por força dum vinho que me marcou. Falo da colheita 2006 do Esporão Reserva, um ícone do Alentejo, um clássico, um daqueles vinhos que considero incontornáveis. Ainda na minha fase inicial de descoberta, o Esporão era um dos vinhos mais em voga e um que me fez despertar para este mundo. Ficaram-me na memória mais recôndita os aromas frutados que de vez em quando recordo de forma difusa, sem saber muito bem onde os encontrava.

Nos últimos anos, tal como acontece com outros vinhos, andei um pouco afastado deste produto. Pareceu-me que a qualidade estava a decair um pouco e que o vinho se estava, de certa forma, a vulgarizar. Comecei a dar preferência aos monocasta e principalmente ao excelente Quatro Castas, que nos últimos anos me pareceu ser claramente melhor que o emblema da casa.

Mas um dia teria de regressar às origens. Foi este mês, por ocasião duma efeméride familiar, comemorada com uma incursão ao Vasku's (outro regresso recorrente às origens) para comer o inigualável fondue do lombo. Olhando para a carta de vinhos e tentando encontrar algo a meio caminho entre o bom e o não muito caro, detive-me na extensa lista de vinhos alentejanos, quase todos entre os 20 e os 30 €. Lá no topo constava o Esporão a 33 €. Pensei “há tanto tempo que não o bebo, e hoje é dia de festa...”. E assim veio para a mesa uma garrafa do dito Reserva 2006, previamente decantado.

Em boa hora o escolhi. Só vos posso dizer que fiquei de novo rendido, perfeitamente encantado com este vinho. Estava lá tudo o que eu tinha nas profundezas da memória. Um vinho extremamente equilibrado em todas as suas componentes: corpo, profundidade aromática com fruto maduro bem evidente mas sem excessos, acidez, macieza, madeira, taninos, persistência e complexidade muito suave, tudo no ponto certo. E os 14,5% de álcool perfeitamente disfarçados pela envolvência do vinho, como é timbre da casa.

É um vinho que apetece ir bebendo sempre mais e que não cansa nem enjoa, que se deseja que não acabe. De tal forma que não demorei a adquirir uma garrafa que poucos dias depois foi aberta à mesa com o tuguinho e o Politikos. A opinião foi coincidente entre os três: não conseguimos encontrar nada de menos bom neste vinho. É um regresso em grande e, claro, é para comprar mais e deixar na garrafeira. E um dia destes vou fazer a comparação com o Quatro Castas para tirar as teimas.

Kroniketas, enófilo regressado

Vinho: Esporão Reserva 2006 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 15,98 €
Nota (0 a 10): 9

sábado, 25 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os “segundos vinhos”

O número de Março da Revista de Vinhos traz um painel de prova de vinhos tintos com preços situados, em média, entre os 7 e os 10 euros. São 53 vinhos com pontuações entre os 15 e os 17 valores e uma maioria nos 16, o que é uma bela classificação.

Segundo os autores, João Paulo Martins e João Afonso, estamos perante um conjunto de vinhos de elevada qualidade e ainda, segundo o editorial do director Luís Lopes, trata-se de vinhos que estão cada vez melhores e que são tão bons como eram os “primeiros vinhos” há seis ou sete anos. Luís Lopes realça que em muitos casos os “segundos vinhos” obtêm classificações apenas um ponto ou meio ponto abaixo dos “primeiros vinhos”. E fica a questão: vale a pena, muitas vezes, pagar 3 ou 4 vezes mais pelo “primeiro vinho” por um acréscimo de qualidade às vezes pouco relevante?

Esta questão prende-se com a que levantámos nos posts anteriores a propósito das últimas provas realizadas. Há vinhos caros cujo preço levanta muitas dúvidas em relação ao seu real valor. Já tivemos oportunidade de referir que é muitas vezes neste patamar até aos 10 euros que temos encontrado excelentes relações qualidade/preço, com muito bons vinhos a preços não muito "picantes". Só para citar alguns exemplos deste painel, o Casa de Santar Reserva, o Cabriz Reserva, o Herdade do Peso, o Cortes de Cima, o Vinha Grande ou o Vinha da Defesa são vinhos que nos parecem merecedores de toda a atenção e que não deixam ninguém ficar mal quando os serve.

Claro que há sempre algumas tendências de snobismo ou novo-riquismo, de entendidos que acham que vinhos destes são apenas medianos, honestos ou bem feitos, e para quem o caro é sempre bom e o bom tem sempre de ser caro. A nossa opinião é completamente diferente e, a julgar por estes artigos, não estamos sozinhos.

Kroniketas, enófilo mais ou menos poupado