quarta-feira, 24 de setembro de 2008

No meu copo 201 - Porto Dow’s Quinta do Bomfim Vintage 1987

Nos nossos repastos dos Comensais Dionisíacos temos vindo a introduzir cada vez mais frequentemente a componente do vinho do Porto para rematar a refeição, induzidos pelas escolhas do Politikos.

Este por acaso não foi uma escolha dele, e prometia, dada a idade e a marca. No entanto, à medida que vamos provando mais, vamos ficando mais exigentes. Ainda há pouco mais de dois anos eu escrevia aqui que não me sentia habilitado sequer a classificar um Porto LBV. Agora o leque tem-se alargado e já há alguns termos de comparação bastante interessantes.

Este Vintage da Dow’s mostrou-se uns furos abaixo de outros que temos vindo a provar. Algo parco de aromas e com o fruto meio desaparecido, sem aquela força que normalmente esperamos de um Vintage devido à idade, antes apresentando-se amaciado, mas pareceu que lhe faltava ali qualquer coisa, talvez uma personalidade mais marcada. Talvez a evolução não tenha sido a esperada, ou então não foi tão bom logo desde início.

Enfim, como em todas as categorias, há sempre uns melhores que outros. A verdade é que a Dow’s tem outros produtos de grande categoria, e não é por este não nos ter encantado que não voltaremos à carga.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Dow’s Quinta do Bomfim Vintage 1987
Região: Douro/Porto
Produtor: Dow’s
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Eu, enófilo, me confesso: gosto cada vez mais de brancos

Volto a este tema porque de vez em quando a questão é levantada na blogosfera. O mês passado, antes de ir para férias, deixei um apontamento acerca da “retoma dos brancos” que tinha sido levantada há um ano, depois de ter provado um Quinta de Camarate branco seco de 2007 que me encheu as medidas.

De repente dei por mim a provar uma diversidade de brancos nacionais que julgaria impensável há pouco mais de um ano. Mas não há dúvida que algumas descobertas recentes fizeram-me encarar o panorama de forma diferente. Para isso terão contribuído algumas visitas a restaurantes com o tuguinho onde nos foram sendo sugeridos brancos que ainda não conhecíamos ou de que andávamos afastados. Mais surpreendente ainda, comecei a ver-me tentar fugir à “ditadura” dos tintos, quebrando todos os cânones mais tradicionais. Acho que o tempo quente é propício a isso, mas apetecia-me beber brancos ou rosés mesmo quando estava perante um prato de carne. Ainda antes da partida para as férias algarvias fui almoçar fora com os meus filhos perto de casa e com uns escalopes com cogumelos resolvi pedir um Quinta da Alorna rosé! E como me soube bem aquela garrafa! De tal modo que bebi mais de ¾ sozinho e levei o resto para casa...

Serei eu que estou com mais abertura para os vinhos brancos, e por isso gosto mais deles, ou serão os brancos nacionais que estão claramente melhores? Ou será que estou com maior abertura porque eles estão efectivamente melhores? Acho que as duas situações se conjugam. Como já aqui referi há tempos, na segunda visita que fizemos aos Arcos sugeri ao tuguinho que bebêssemos um “branco fresquinho” enquanto esperávamos pelo prato principal, e assim nos regalámos com meia-garrafa de Planalto.

Olhando para o resumo da segunda centena de provas verifiquei que as repetições de vinhos brancos em relação à primeira centena foram de valores mais que confirmados e as novidades foram quase todas de muito bom nível, e nos verdes em particular a qualidade média é bastante elevada. A maioria das pontuações que demos foi de 7,5 para cima, o que não deixou de me surpreender. Por outro lado, a pontuação média passou de 6,6 para 7,5, o que é significativo tendo em conta que o número de provas de brancos nesta segunda centena duplicou (de 14 para 29), e a pontuação mais frequente passou de 6,5 para 7,5.

Tivemos algumas boas novidades como o Kopke, o Loboseiro, o Quinta de S. Francisco e o Albis (entretanto desaparecido) e uma série de confirmações ou melhorias como os inevitáveis João Pires, Bucellas Caves Velhas, Prova Régia e Planalto, mais os reaparecidos Murganheira e Quinta de Camarate seco, além de excelentes verdes como o Borges, o Deu La Deu e o Portal do Fidalgo nos Alvarinhos, mais o Quinta do Ameal e o Quinta de Azevedo.

Olhando para o preço destes vinhos verifico que são quase todos bastante acessíveis - nada de exorbitâncias - e no entanto são vinhos bastante agradáveis, que certamente não envergonham ninguém quando os servir, com o bónus de serem moderadamente alcoólicos, o que é outra vantagem relativamente aos tintos de agora. Daqui se conclui que não é preciso grandes complicações nem andar à procura nos lugares mais recônditos para comprar brancos agradáveis. Acho que acabei por descobrir neste tipo de brancos (e também nos novos rosés) as vantagens de alguma versatilidade que os tintos dificilmente proporcionam. É mais fácil beber um branco com um prato de carne não muito pesado do que um tinto com aperitivos, peixes, mariscos ou saladas.

O que é preciso é descobrir o perfil de branco adequado para a ocasião e para o gosto de cada um. Eu, que já não sou grande fã de muita madeira nos tintos, definitivamente não aprecio brancos com madeira, salvo algumas excepções. Esses, normalmente, não os peço nem os compro.

Kroniketas, enófilo esbranquiçado

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Richard William Wright


(28/07/1943 - 15/09/2008)
Fundador e teclista dos Pink Floyd


Brevemente artigo nas Krónikas Tugas

Kroniketas, floydista militante

domingo, 14 de setembro de 2008

200 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante a segunda centena de posts.

Vinhos do Porto

Burmester LBV 2001 - 7
Cálem 10 anos - 6
Fonseca Vintage 1994 - 10
Quinta da Pacheca LBV 2002 - 7,5
Quinta do Castelinho Vintage 1999 - 8


Espumantes e champanhes

Cabriz Bruto 2005 - 8
João Pires Bruto - 7
Pol Carson Brut Rosé (França) - 8,5
Real Senhor Velha Reserva Bruto 2001 - 7,5
Tapada do Chaves Bruto 2002 - 8
Veuve Cliquot (França) - 9


Rosé

Cabriz 2006 - 7,5
Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2006 - 7,5
Terra Franca 2005 - 5


Brancos

Verdes
Borges, Alvarinho 2005 - 8,5
Deu La Deu, Alvarinho 2007 - 7,5
Encostas de Paderne, Alvarinho 2004 - 5
Ponte de Lima, Loureiro 2005 - 7
Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005 - 8,5
Quinta de Azevedo 2005 - 7,5
Quinta do Ameal, Loureiro 2005 - 7,5

Douro e Trás-os-Montes
Bons Ares 2005 - 7
Kopke 2006 - 7,5
Loboseiro 2005 - 7,5
Planalto 2007 - 7,5
Porca de Murça Reserva 2005 - 5,5
Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 - 6,5

Távora-Varosa
Murganheira (seco) 2006 - 8

Dão
Cabriz Colheita Seleccionada 2006 - 7

Estremadura
Quinta de S. Francisco 2005 - 7,5

Ribatejo
Quinta da Alorna 2006 - 7

Bucelas
Bucellas Caves Velhas 2005 - 7,5
Bucellas Caves Velhas 2006 - 8,5
Prova Régia, Arinto 2005 - 8
Prova Régia, Arinto 2006 - 7
Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - 6,5

Terras do Sado
Albis 2006 - 7,5
Catarina 2005 - 7
João Pires 2005 - 8
Quinta de Camarate (seco) 2007 - 8,5

Alentejo
Herdade Penedo Gordo 2006 - 5
Pera-Manca 2003 - 8


Tintos

Douro e Trás-os-Montes
Altano 2005 - 7
Bons Ares 1999 - 7
Callabriga 2000 - 9
CARM Reserva 2003 - 7
Casa Ferreirinha Reserva 1996 - 8
Casal dos Jordões, Touriga Francesa 1999 - 7,5
Diálogo 2005 - 7
Duas Quintas 2001 - 7,5
José Preto 2004 - 5
Lavradores de Feitoria 2003 - 6
Montevalle Reserva 2002 - 7,5
Muxagat 2003 - 7
Quinta da Leda 2001 - 7
Quinta do Crasto 2004 - 6
Quinta Sá de Baixo 2003 - 6
Sogrape Reserva 2001 - 8,5
Terra Quente 1999 - 6
Valle Pradinhos 2001 - 7
Vinha Grande 2001 - 8

Dão
Casa de Santar 2003 - 7
Casa de Santar Reserva 2003 - 8
Meia Encosta Garrafeira 1973 - 9
Milénio 2004 - 7,5
Quinta de Cabriz Reserva 2003 (1) e (2) - 7,5
Sogrape Reserva 1999 - 8

Bairrada e Beiras
Aliança Clássico 2004 - 7
Casa de Saima Reserva 1991 - 9
Ensaios Filipa Pato 2006 - 7
Messias 1987 - 7,5
Primavera, Baga 1997 - 7,5
Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 - 7,5
Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 1991 - 6
São Domingos 1991 - 8,5
Sogrape Garrafeira 1999 - 6,5

Estremadura
Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000 - 7,5
Moinhos do Céu, Cabernet Sauvignon 2005 - 7,5
Quinta de D. Carlos 2004 - 3
Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2000 - 7,5
Quinta de S. Francisco 2004 - 7

Ribatejo
Casal da Coelheira Reserva 2003 - 5,5
Conde de Vimioso Reserva 2000 - 7
Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004 - 7
Fiúza, Merlot 2000 - 6,5
Quinta da Alorna 2004 - 7
Quinta da Alorna Reserva 2002 - 7
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 - 6,5
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003 - 8,5

Terras do Sado
Hexagon 2003 - 9
Periquita 2004 - 6,5
Serras de Azeitão 2005 - 6
Soberana 2004 - 8,5

Alentejo
.com 2005 - 7
Alandra - 6
Altas Quintas Crescendo 2005 - 7
Aragonês de São Miguel dos Descobridores 2005 - 7,5
Arte Real 2004 - 6,5
Carmim, Aragonês 1999 - 8
Cabernet Sauvignon (Esporão) 1998 - 8
Carmim, Trincadeira 1999 - 8
Casa de Alegrete 2005 (1) e (2) - 8,5
Dom Martinho 2004 - 6,5
Dona Maria 2004 - 6
Encostas de Estremoz, Touriga Nacional 2003 - 7,5
Escolha António Saramago 2001 - 7
Gloria Reynolds 2004 - 7,5
Granja-Amareleja 2004 - 7
Herdade das Servas, Aragonês 2004 - 8,5
Herdade do Peso Reserva 2002 - 8,5
Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 - 9
Herdade do Peso, Trincadeira 2000 - 7
Herdade do Pinheiro 2002 - 7,5
Herdade Penedo Gordo 2005 - 6
José de Sousa 2003 - 7,5
José de Sousa 2004 - 8
Lima Mayer 2005 - 7
Lóios 2006 - 6,5
Monte da Cal Reserva 2004 - 6
Monte da Penha Reserva 2003 - 4,5
Monte das Servas 2003 - 7,5
Monte das Servas Escolha 2005 - 7
Monte dos Cabaços 2003 - 7
Muachos Reserva 2003 - 7,5
Pedra Basta 2005 - 4
Plansel Selecta 2006 - 7
Quatro Castas Reserva 2001 - 9
Reguengos Garrafeira dos Sócios 1996 - 9
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2000 - 8,5
Reguengos Reserva 1999 - 8
Reguengos Reserva 2000 - 8
Reguengos Reserva 2001 - 8
Singularis, Aragonês e Trincadeira 2004 - 7,5
Terrenus 2005 - 8
Tinto da Ânfora 2006 - 6,5
Tinto da Talha 2004 - 7
Vale Barqueiros Reserva 2005 - 6
Vale de Ancho Reserva 2004 - 8,5


Estrangeiros

Brancos
Caspari-Kappel, Riesling 2002 (Alemanha) - 7,5
Fritz Haag, Riesling 2002 (Alemanha) - 7,5
Vin d’Alsace, Gewürztraminer 2004 (França) - 7,5
Vin d’Alsace, Riesling 2005 (França) - 7,5
William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (França) - 8,5

Rosé
Montebérin, Lambrusco di Modena Rosato (Itália) - 7

Tintos
Beaujolais 2004 (França) - 6,5
Finca Flichman, Malbec 2003 (Argentina) - 7,5
Lorenzo Sormani Barolo (Itália) - 7
Tenuta la Fuga, Brunello di Montalcino 2000 (Itália) - 9

sábado, 13 de setembro de 2008

200 provas - Resumo de restaurantes e receitas

Atingimos a segunda centena de posts dedicados a provas de vinhos, visitas a restaurantes e algumas receitas culinárias. Como não fazemos o resumo anual das provas, fazemo-lo quando atingimos a centena. Sendo assim, os restaurantes visitados durante esta segunda centena de posts resumem-se da forma que se segue. Depois virá o resumo dos vinhos.

Durante este período foi publicada apenas uma receita de gelado de chocolate. Os restaurantes visitados foram os seguintes.

A Cantina (Olhos d'Água - Albufeira) - 4,5
A Grelha (Armação de Pêra) - 3,5
A Gruta (Portalegre) - 4,5
A Taverna (Lisboa) - 4
Adega do Isaías (Estremoz) - 3
Al Dente (Alvor) - Italiano - 4
Cadeia Quinhentista (Estremoz) - 5
Caldeirão de Sabores (Portalegre) - 4,5
Casa da Dízima (Paço de Arcos) - 4,5
Chico Elias (Algarvias - Tomar)  - 3,5
Cozinha Velha (Queluz) - 5
Curral dos Caprinos (Cabriz - Várzea de Sintra) - 4
Estrela do Bico (Massamá - Queluz) - 4
Estrela do Mar (S. Pedro de Moel) - 2,5
Mar à vista (Sagres) - 3
O Abrigo (Portalegre) - 4
O Álvaro (Urra - Portalegre) - 3
O Cobre (Portalegre) - 4,5
O Escondidinho (Portalegre) - 4
O Fuso (Arruda dos Vinhos) - 4
O Nobre (Montijo) - 5
Os Arcos (Paço de Arcos) - 5
Petisqueira do Gould (Paço de Arcos) - 5
Poeiras (Portalegre) - 3,5
Rolo Grelhados do Norte Alentejano (Cabeço de Vide) - 5
São Rosas (Estremoz) - 5
Sever (Portagem - Marvão) - 5
Solar do Forcado (Portalegre) - 4
Tia Rosa (Melides) - 4
Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre) - 4,5

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

No meu copo 200 - Quinta da Alorna: Reserva 2002; Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003

Terminamos a segunda centena de posts dedicados a provas com mais uma abordagem aos vinhos da Quinta da Alorna, um produtor ribatejano de Almeirim por cujos vinhos temos passado com alguma frequência, e nesta segunda centena já o fizemos várias vezes. Desta vez eu e o Mancha provámos, com uns bifes de novilho Angus, dois tintos Reserva que se revelaram completamente diferentes: um Reserva de 2002 e um Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon de 2003. Abrimos as duas garrafas ao mesmo tempo e servimos ambos os vinhos, que fomos bebendo alternadamente ao longo da refeição.

Desde logo o Reserva apresentou-se mais aberto, macio e suave. A Tinta Miúda estagiou 9 meses em carvalho americano e o Cabernet Sauvignon em carvalho francês. Na prova apresenta-se redondo na boca, com taninos suaves e grau alcoólico moderado. O aroma é discreto e o final relativamente curto. Um vinho adequado para pratos delicados de carne.

O Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon mostrou outra estaleca. Com um aroma muito mais profundo e exuberante, na prova de boca aparece em todo o esplendor com um corpo volumoso, taninos pujantes bem presentes, com aroma a frutos vermelhos e alguma especiaria no início, a madeira resultante do estágio de 12 meses bem integrada no conjunto e um final com boa persistência e complexidade. Mas o mais curioso é que ao fim de uma hora o perfil do vinho muda completamente, surgindo então notas adocicadas de compota e frutos silvestres.

Isto mostra que muitas vezes não temos tempo de apreciar o vinho na totalidade quando a garrafa acaba. Neste caso, como fomos provando os dois vinhos em simultâneo eles duraram mais tempo e houve tempo suficiente para se libertarem na totalidade e desenvolverem todos os aromas escondidos. Este Reserva de Touriga e Cabernet foi realmente uma surpresa. É um vinho que se aguenta perfeitamente com pratos de carne bem temperados e pesados, pois está ali cheio de vigor. Belo vinho para chegar ao post nº 200. Hei-de procurá-lo novamente por aí, se possível já nas próximas feiras de vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Vinho: Quinta da Alorna Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda
Preço em feira de vinhos: 5,25 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,68 €
Nota (0 a 10): 8,5


PS: já depois da publicação deste post recebi a Revista de Vinhos deste mês, onde o vinho à venda é precisamente o Quinta da Alorna Reserva, Touriga e Cabernet 2006. Por 5,95 € é imperdível.

domingo, 7 de setembro de 2008

No meu copo 199 - Vin d'Alsace, Riesling 2005 e Gewürztraminer 2004

No mesmo repasto com os Comensais Dionisíacos em que provámos o mal sucedido Quinta de D. Carlos, tive finalmente a oportunidade de abrir os dois brancos da Alsácia trazidos há um ano de França, um produzido com Riesling e outro com Gewürztraminer. Na Alsácia estas são duas das castas mais plantadas (a outra é o Pinot Blanc). Já tínhamos provado uns Riesling da Alemanha, mais doces, enquanto estes dois alsacianos se mostraram um pouco mais secos e frutados.

A Alsácia andou durante séculos a transitar entre a França e a Alemanha, daí os nomes esquisitos das castas e das cidades. A cidade de Colmar, no coração da região vitivinícola, tem um microclima seco e soalheiro que a torna a segunda cidade mais seca de França, a seguir a Perpignan.

Estes brancos do norte da Europa têm um perfil significativamente diferente do que estamos habituados por cá, normalmente mais adocicados mas ao mesmo tempo com uma acidez pronunciada e bastante diferente da que se obtém nos climas mais a sul como o nosso. Temos feito algumas incursões por estas castas quando calha, para sair do padrão nacional, e quase sempre com agrado.

Esta dupla prova pecou pela questão da temperatura, pois no local onde as garrafas foram abertas o frigorífico estava pouco frio e o congelador cheio, embora tivessem sido levadas frescas. Mesmo assim ainda foi possível arrefecê-las um pouco mais de modo a poder apreciar melhor os néctares.

Não me vou alongar muito em descrições devido a esta limitação. De qualquer modo agradaram bastante aos presentes, sendo que a segunda garrafa já estava mais fresca que a primeira, pelo que os aromas se puderam apreciar mais. Não foi possível diferenciá-los como gostaríamos, mas o Riesling apresentou-se mais seco e o Gewürztraminer mais adociado. Ambos se apresentaram com uma boa acidez e alguma secura, com um bom perfil para aperitivo ou, quem sabe, para umas entradas leves ou um foie-gras a condizer. Quando a ocasião se proporcionar havemos de voltar à carga, então com temperaturas mais adequadas.

Kroniketas, enófilo alsaciano

Região: Alsácia (França)

Vinho: Vin d’Alsace, Riesling 2005 (B)
Produtor: Cave Vinicole d’Ingersheim - Ingersheim
Grau alcoólico: 12%
Casta: Riesling
Preço em supermercado local: 4 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vin d’Alsace, Gewürztraminer 2004 (B)
Produtor: Les Vignerons Récoltants de St-Hippolyte - Orschwiller
Grau alcoólico: 13%
Casta: Gewürztraminer
Preço em supermercado local: 6 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

No meu copo 198 - Prova Régia 2006; Bucellas Caves Velhas 2006

Estes dois brancos são obrigatórios na minha garrafeira todos os anos. Agora com uma imagem renovada, o Prova Régia 2006 quase esgotou o ano passado nas feiras de vinhos, tal a procura que teve devido a um preço imbatível.

O que dizer deste campeão de vendas da Quinta da Romeira? Que está mais ou menos sempre como se espera, com aquela acidez refrescante do Arinto, com um toque floral e com notas de fruta tropical juntamente com algum citrino, bom para a piscina ou a esplanada mas também para uns bons petiscos de peixe ou marisco. No entanto, talvez surpreenda ao dizer que esta colheita me pareceu algo inferior às anteriores. Costuma ser um vinho que consegue ser estimulante na prova de boca sem deixar de ser leve, mas ou eu não estava nos melhores dias ou faltou-lhe ali qualquer coisa.

Sem deixar de ser uma boa aposta, porque nunca nos deixa ficar mal ao mesmo tempo que tem um preço bastante atractivo, pareceu-me faltar-lhe frescura. Não sei se terei oportunidade de voltar a esta colheita, até porque já está no mercado a de 2007, mas para já vou deixar esta apreciação sob alguma reserva, acreditando que pode ter sido apenas uma baixa de forma passageira.

Já o Bucellas Caves Velhas 2006 (que agora pertence à Enoport) parece estar cada vez melhor. Enquanto o Prova Régia pareceu descer, o Bucellas pareceu subir. Uma frescura notável na boca, com notas citrinas bem marcadas com final floral, a par com uma acidez muito equilibrada, tudo envolto num amarelo brilhante e ligeiramente esverdeado. A sua frescura permite-lhe servir tanto para acompanhar peixes e mariscos como para ser bebido como aperitivo ou até mesmo apenas como bebida refrescante num dia de Verão. Neste caso acompanhou na perfeição uma salada de marisco. Um excelente branco para todas as ocasiões, cada vez mais incontornável e indiscutível no meu “top 5” dos brancos nacionais.

A Revista de Vinhos já tinha apresentado esta colheita como um dos melhores Bucelas dos últimos 20 anos, e bem merece o encómio. Aliás, já tive oportunidade de experimentar também o de 2007 e pareceu-me ainda melhor. É um branco incontornável para os apreciadores da casta Arinto.

Kroniketas, enófilo refrescado

Região: Bucelas

Vinho: Prova Régia, Arinto 2006 (B)
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Bucellas Caves Velhas 2006 (B)
Produtor: Caves Velhas - Enoport
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (90%), Rabo-de-Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

No meu copo 197 - Quinta de D. Carlos 2004

De regresso das férias, aproveito para pôr em dia alguma escrita atrasada enquanto não saem os posts das provas de Agosto.

Não conhecia esta Quinta de D. Carlos, que fica ali para os lados de Alenquer. Este vinho foi uma aposta do tuguinho no desconhecido que parecia ser interessante, mas a verdade é que não foi muito bem sucedida.

Este vinho da Estremadura apresentou-se com álcool em excesso e desequilibrado, ao mesmo tempo adstringente em demasia, ou seja, se há vinhos que nos agradam mais e outros menos mas raramente, hoje em dia, se encontra um vinho do qual que se possa dizer claramente “não gosto”, neste caso foi mesmo isso que aconteceu. Andei por ali às voltas com ele insistentemente e não lhe consegui encontrar nada para elogiar.

Daqui se conclui que não basta ter a matéria-prima, é preciso saber trabalhá-la. Neste caso tivemos um lote de Cabernet Sauvignon e Syrah, que teoricamente tinha tudo para dar certo, mas por alguma razão o resultado não foi famoso.

Kroniketas, enófilo regressado

Vinho: Quinta de D. Carlos 2004 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: Quinta de D. Carlos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 3