sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (IV)

Adega Cooperativa de Portalegre






A Adega Cooperativa de Portalegre foi fundada em 1955, tendo assim comemorado há pouco tempo os seus 50 anos. As uvas que recebe pertencem aos viticultores seus associados, sendo destinadas aos diversos tipos de vinho de acordo com a sua qualidade e características segundo o cadastro constante na Adega Cooperativa.

Em 2005 a Adega Cooperativa adquiriu a Adega da Cabaça, nos arredores de Portalegre, para onde futuramente passarão as instalações e que acrescenta 20 hectares de vinha à produção. Actualmente a Adega Cooperativa recebe por ano cerca de 3 milhões de quilos para processamento, a partir dos quais produz cerca de 2 milhões de litros. O enólogo residente é Rui Vieira, tendo Rui Reguinga como enólogo consultor.

As instalações são de média dimensão, assim como a cave de envelhecimento em barricas e a linha de engarrafamento e rotulagem, contígua às mesmas. Algumas garrafas, contudo, são rotuladas à mão, nomeadamente algumas edições especiais, havendo ainda outras que requerem um cuidado especial para aposição dum selo de lacre no rótulo, como o Meio Século 50, cujo contingente se encontra em destaque nalguns caixotes ali à mão de semear. Toda a zona com as cubas de desengace, prensagem e fermentação fica situada no exterior, ficando o edifício coberto destinado às caves, laboratório, sala de provas e zona de encaixotamento e carga.

A produção de vinhos da Adega Cooperativa de Portalegre distribui-se pelas marcas Aramenha branco e tinto (vinho bag-in-box), Terras de Baco branco e tinto (vinho de mesa, a menos de 2 €), Conventual e Conventual Reserva, branco e tinto (vinho regional, de 3 a 6 €), Portalegre branco e tinto (vinho DOC, a cerca de 12 €) e Meio Século 50, vinho tinto DOC comemorativo dos 50 anos da Adega, a cerca de 30 €.

Actualmente a Adega tem uma promoção de Natal de caixas com várias combinações dos seus vinhos a preços substancialmente mais baixos. As encomendas poderão ser feitas para a morada da Adega ou por e-mail, disponíveis no site da Adega.

Kroniketas, enófilo viajante

Adega Cooperativa de Portalegre
Apartado 126
Tebaida, Ribeira do Baco
7301-901 Portalegre
Tel: 245.300.530

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

No meu copo 149 - Porto Fonseca Vintage 1994; Porto Cálem 10 anos

O jantar de prova dos 3 Douros de 2001 foi balizado por dois Vinhos do Porto, um antes e um depois. Há alguns meses tínhamos adquirido meia garrafa de um Porto Fonseca Vintage de 1994, o ano perfeito dos Vintage segundo os especialistas. Este foi um dos vinhos portugueses mais pontuados de sempre na Wine Spectator e resolvemos dividir o mal pelas aldeias, que é como quem diz, os 100 € que custava a garrafa por 4.

Perante a preciosidade que tínhamos entre mãos, resolvemos degustá-lo antes do jantar, o que se afigurou assaz difícil porque a rolha se desfez à primeira tentativa, obrigando os outros comparsas a entreterem-se a tentar sacar a rolha e depois coar o vinho, enquanto eu me entretinha com os bifes à café.

A exígua quantidade disponível foi criteriosamente dividida pelos copos (enquanto eu continuava entretido com os bifes) e fomos deixando os aromas libertarem-se (enquanto eu acabava os bifes...). O primeiro contacto foi quase sublime. Uma cor carregada, opaca, aroma marcado a frutos secos (nozes) e algum caramelo. Na boca, o que se espera dum vinho destes: corpo interminável, grande estrutura mas também muita macieza para um vinho ainda não muito velho, terminando com alguma doçura. No fundo do copo os aromas ainda ficaram lá. Em suma, um vinho que nunca mais acaba.

O Porto Cálem foi trazido pelo Politikos, como vem sendo habitual, e ficou naturalmente para a sobremesa. Aqui o perfil é completamente diferente e não é possível comparar. Já bebi outros Portos de 10 anos e este não foi dos melhores. Uma cor acobreada, aroma também marcado por frutos secos e mel, mas pouco elegante na boca. Não é um vinho muito apetitoso, daqueles que apetece beber sempre mais, por isso sobrou quase metade da garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Fonseca Vintage 1994
Produtor: Fonseca Guimaraens
Grau alcoólico: 20,5%
Preço em hipermercado: 102 € (garrafa de 37,5 cl)
Nota (0 a 10): 10

Vinho: Porto Cálem 10 anos
Produtor: A. A. Cálem & Filho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 10 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 27 de novembro de 2007

As nossas escolhas em 2007

Terminadas as feiras de vinhos, actualizámos a nossa lista de escolhas com os preços referentes a 2007. O critério é sempre o mesmo e é simples: são os vinhos que já provámos, de que gostámos e que achamos que valem o preço que custam.

Kroniketas, enófilo organizado

sábado, 24 de novembro de 2007

No meu copo 148 - 3 Douros de 2001: Sogrape Reserva; Duas Quintas; Vinha Grande

A propósito do Portugal-Arménia, juntámos alguns Comensais Dionisíacos à mesa (faltaram à chamada o Caçador, que foi para a caça, e o Pirata, retido em casa por constipações familiares) para fazer uma prova de 3 vinhos do Douro de 2001: o Sogrape Reserva, o Duas Quintas e o Vinha Grande. São três dos vinhos da nossa predilecção que já apreciámos aqui noutras ocasiões, mas desta vez a intenção era prová-los em simultâneo por terem alguns pontos em comum e serem produzidos no mesmo ano. Garrafas abertas com a antecedência necessária, serviço à temperatura ideal e copos adequados, e passámos à função à volta duns bifes à café antes de a Selecção Nacional entrar em campo.

Começámos com o Sogrape Reserva e o começo não podia ser melhor. Como habitualmente, esteve à altura das expectativas. Mostrou uma fantástica cor rubi, brilhante e transparente, no nariz um bouquet profundo e intenso, marcado por fruto maduro, e na boca um corpo cheio com estrutura complexa, grande persistência, taninos firmes mas bem domados e uma boa acidez a envolver um grau alcoólico correcto, num todo equilibrado e harmonioso. Apetece dizer que este vinho não tem nada fora do sítio, está tudo no ponto certo. Alcandorou-se com destaque a melhor vinho da noite.

Comparativamente às anteriores provas da colheita de 2000, este apareceu muito mais saudável e pujante. Como já dissemos anteriormente, nunca nos desiludiu e sendo esta colheita a que está à venda no mercado, já com 6 anos de idade, está em plena forma e no ponto ideal para ser bebido. Para nós, continua a ser um vinho incontornável e que merece amplamente o preço que custa. Enquanto estiver no mercado, não deixaremos que desapareça das nossas garrafeiras.

Seguiu-se o Duas Quintas, para entrecortar os vinhos da Sogrape com um Ramos Pinto, e acabou por ser o mais penalizado, talvez prejudicado por se ter seguido ao Sogrape Reserva. Este foi comprado já em 2003, e pareceu ter ultrapassado o ponto ideal (actualmente já está à venda a colheita de 2005). Esperávamos um vinho mais pujante e mais robusto, como aliás é seu timbre, sendo normalmente mais adequado para pratos fortes de carne, mas este apareceu um pouco mais delgado do que é habitual, perdendo um pouco de complexidade e de corpo, embora a cor mais fechada estivesse lá. Requer-se, portanto, um consumo mais precoce, embora haja ainda outra garrafa desta colheita que nos irá permitir tirar as dúvidas.

Finalmente seguimos para o Vinha Grande, que dos três foi o mais elegante. Menos exuberante e menos complexo que o Sogrape Reserva, mais frutado e macio, também com uma cor rubi muito atractiva e uma boa persistência. Esteve acima do Duas Quintas mas sem fazer concorrência ao Sogrape Reserva. Dos três é o mais adequado para pratos requintados e delicados.

Em suma, três apostas sempre seguras a preços não excessivos, que não desiludem ninguém e nunca nos deixam ficar mal.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Também houve uns Vinhos do Porto, mas essa já é outra conversa.

Região: Douro

Vinho: Sogrape Reserva 2001 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Duas Quintas 2001 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vinha Grande 2001 (T)
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet



Nos próximos dias 24 e 25, no Convento do Beato, em Lisboa.

Informações em http://www.portodourowineshow.com/

No meu copo 147 - Quinta do Crasto 2004

Outro vinho do Douro que eu não compreendo, certamente. Já aqui tive oportunidade de falar da colheita de 2003 e, tal como no anterior, ficou-me outra vez a sensação de “muita parra e pouca uva”. Se existem, ao que se diz, grandes vinhos deste produtor nos topos de gama, na gama chamada “Premium” há bastantes decepções, como é o caso deste. Há por aí dezenas de vinhos pelo mesmo preço infinitamente melhores, mesmo na própria região. A este parece que lhe falta personalidade, um perfil mais definido, não sei bem o que é que ele é.

A Revista de Vinhos de Outubro apresenta um painel de tintos até 10 € onde tece grandes encómios à colheita de 2006 deste vinho, apresentando-o como um “tinto cheio e de grande categoria”, classificando-o com 16 pontos. Na nossa escala de 0 a 10 andaria então por volta dos 8. Mas é que nem pouco mais ou menos, nem pensar! Para mim, este 2004 é um vinho perfeitamente vulgar.

Aliás, há vários anos que eu me deparo com este problema. Tecem-se loas intermináveis aos vinhos do Douro, que são os melhores do país, de categoria internacional, só que custam uma fortuna. Porque para o consumidor normal, que vai a um supermercado fazer as suas compras para compor uma garrafeira com vinhos de alguma qualidade mas não quer deixar lá um ordenado, se opta por esta gama dos vinhos até 10 €, ou mais para baixo, no Douro arrisca-se a apanhar um bom punhado de decepções. Perante isto fico sempre na dúvida: afinal, o que valem verdadeiramente os vinhos do Douro?

Tudo isto, ao fim e ao cabo, para dizer que este Quinta do Crasto 2004, tal como o 2003, não me diz grande coisa, não consigo caracterizá-lo. Tem alguma fruta, um aroma discreto, um ligeiro toque a especiarias no final, mas continua a parecer-me mais um, igual a muitos outros, que não passa da mediania e que não justifica o preço que custa.

Kroniketas, enófilo reservado

Vinho: Quinta do Crasto 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola da Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,36 €
Nota (0 a 10): 6

domingo, 18 de novembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (III)

No meu copo, na minha mesa 146 - Herdade das Servas, Aragonês 2004; Restaurante O Cobre (Portalegre)




Foi a minha primeira incursão gastronómica em Portalegre desde que aqui assentei arraiais (na primeira visita houve um almoço noutro local, o Abrigo, de que falarei proximamente). A oferta é muita, ao contrário do que eventualmente se poderia esperar, embora me tenha desiludido a oferta de pratos de caça (é mais à base de javali e, vá lá, de vez em quando veado). Lebre e perdiz, as minhas peças de caça de eleição, nem vê-las.

Como vou estar por cá durante algumas semanas, vou ter tempo para explorar o que há por aí, na serra de São Mamede, no caminho para Estremoz, no caminho para o Crato e Alter do Chão. Há muitas referências e vou tentar aproveitar as oportunidades que tiver.

A primeira visita foi a um local referenciado pelos grelhados do norte alentejano, junto ao hospital de Portalegre. Curiosamente, neste local existia outra referência recorrente, que aparece em todos os guias gastronómicos: o Rolo Grill. A verdade é que esse grill agora passou-se para as termas de Cabeço de Vide, e no mesmo local surgiu este Cobre. Guiado por residentes na cidade, fui experimentar este restaurante, que tem uma sala de dimensão média (cerca de 40 lugares), embora a ventilação seja algo deficiente. Estavam 11 graus na rua e um calor de Verão no interior do restaurante. Todos os agasalhos tiveram de ser despidos e as mangas arregaçadas.

Na mesa repousavam já algumas entradas de enchidos (não é propriamente a minha predilecção em qualquer refeição), mas a grande dificuldade foi a escolha do vinho e do prato (a oferta é enorme, principalmente entre as carnes). Acabaram por ser pedidos um leitão assado, encomendado no próprio dia da região da Bairrada (quanto a mim, para comer leitão assado não vale a pena vir ao norte alentejano, prefiro ir à Mealhada), enquanto eu escolhi, de várias opções apresentadas pelo dono, uma mista de veado e javali, com setas, na frigideira (as setas são um tipo de cogumelo que vinha embebido no molho). A acompanhar, umas migas de couve envolvidas em ovo, embora muito longe de outras já comidas no Abrigo. Foi um prato diferente daquilo que conheço, bastante saboroso, embora um pouco fora do meu género preferido, muito à base da fritura. Mas com uma confecção irrepreensível.

Como sobremesa optei por um doce que já se tornou um clássico em todo o país, quase sempre apresentado como “doce da casa”, neste caso sob a designação de “Doce maravilha”, que não é mais que as habituais natas sobre bolacha embebida em café e uma espécie de leite creme, polvilhado com umas pepitas de chocolate. A verdade é que este, sem sombra de dúvida, foi um dos melhores que já experimentei.

O vinho foi escolhido mais ou menos a olho e por sugestão. Falou-se no inevitável Altas Quintas (o Reserva custava “apenas” 45 €), havia uma prateleira com uma imensa exposição de vinhos alentejanos (e alguns outros) e entre alguns que não conheço acabámos por escolher um Herdade das Servas Aragonês 2004. Primeiro foi colocada uma “pinga no copo” para provar e logo aí se verificou estarmos na presença de um grande vinho, com uma grande estrutura e um corpo volumoso. Sugeri que fosse decantado e já o decanter estava a postos...

Depois vieram os adequados copos grandes em forma de tulipa, enquanto o vinho repousava à espera de desenvolver os aromas e amaciar o corpo e os taninos. Depois de bebido de novo, encontrámos um corpo interminável, com uma persistência daquelas que dura, dura, dura... e um final com um toque ligeiramente apimentado, como é muito característico da casta Aragonês. Ao longo da refeição foi-se tornando cada vez mais macio, mantendo o corpo e a estrutura na boca. Os aromas a fruta não são muito pronunciados, diluindo-se mais na predominância das especiarias. Mas é um vinho que nos enche os sentidos, um grande vinho sem qualquer dúvida (o próprio professor Virgílio Loureiro destaca como característica marcante dos grandes vinhos a sua persistência, marca distintiva da longevidade que o vinho pode suportar).

A Herdade das Servas é um dos produtores alentejanos dos novos tempos, que conheci há uma meia-dúzia de anos através de uma marca até então completamente ignorada, o Monte das Servas, que me surpreendeu grandemente pela positiva. Longe estava eu de imaginar o sucesso que viria a ter daí para cá. Actualmente é um dos produtores de referência no Alentejo, com a propriedade situada a alguns quilómetros de Estremoz, junto à estrada nacional 4 em direcção a Arraiolos (é quase vizinha do Monte da Caldeira, de João Portugal Ramos). A gama de produtos tem vindo a diversificar-se, actualmente o antigo Monte das Servas ganhou o apelido de Colheita Seleccionada e entretanto apareceram os Reservas e os monocastas. Esta experiência com o Aragonês foi altamente gratificante, revelando todo o potencial dos vinhos da casa. Sem dúvida uma marca a fixar como referência incontornável dos produtores alentejanos do século XXI.

Para mais informações acerca deste produtor, sugere-se a leitura do artigo do Copo de 3 sobre a visita à herdade, um bom documento para ficarmos mais inteirados do que a casa tem para nos oferecer. Se o tempo e a disponibilidade o permitirem, ainda vou tentar, um dia qualquer, passar por lá na ida ou na volta para fazer um visita. O único problema é que entre Portalegre e Lisboa os produtores de vinho são tantos que seriam necessários vários dias para os visitar a todos...

Em resumo, o serviço é da altíssima qualidade (de realçar que um dos empregados, alguns minutos depois do vinho decantado, veio perguntar-nos se podia servir o vinho, o que é raro acontecer), pleno de profissionalismo e ao mesmo tempo de simpatia, a confecção irrepreensível, o serviço de vinhos seguindo todos os trâmites, pelo que só podemos considerar que é quase merecedor da nota máxima. Apesar de tudo, já encontrámos alguns restaurantes que nos encheram mais as medidas, mas este fica como um daqueles onde vale a pena voltar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade das Servas, Aragonês 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês
Preço no restaurante: 27 €
Nota (0 a 10): 8,5

Restaurante: O Cobre
Av. Pio XII, Lote 17 - R/C Dto (junto ao hospital)
7300-073 Portalegre
Tel: 245.328.472
Preço médio por refeição: 40 €
Nota: 4,5

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

No meu copo 145 - Dão Sogrape Reserva 1999

O stock vai-se esgotando, com grande pena nossa. Já aqui dissemos que somos fãs de longa data dos Sogrape Reserva, primeiro no Dão e no Douro e mais tarde no Alentejo. Fizemos questão de escrever os posts de prova nº 99 e 100 neste blog sobre os Reservas do Douro e do Dão, de 2000. Agora tivemos à mesa uma garrafa de Dão 1999 que tinha ficado guardada em casa de um amigo.

Abrimo-la para acompanhar uns bifes à café, e estava excelente. Devido à idade podia apresentar alguns sinais de cansaço, como já tinha acontecido com outras com idades semelhantes. Mas a verdade é que se mostrou em plena forma, com todos os aromas bem presentes, aquela pujança elegante (se é que se pode dizer assim) que o caracteriza a mostrar-se na plenitude. De cor ainda muito carregada, os taninos presentes mas já bem arredondados, uma persistência notável para um vinho com 8 anos e um fim de boca longo.

Bebemo-lo, melhor, sorvemo-lo avidamente até à última gota, tentando guardar na memória as últimas lembranças dum vinho anunciado para acabar. Agora só nos resta uma de 2000 na garrafeira e já não encontramos nenhuma à venda. Ainda há uns restos do Dão Pipas, um clássico de que um dia falaremos, e a partir daí teremos de enveredar pelo Quinta dos Carvalhais. Como a primeira experiência não foi famosa, ficámos um pouco de pé atrás, mas continuamos a esperar que a nova marca faça jus à tradição dos vinhos dali saídos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Dão Sogrape Reserva 1999 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Depois do encontro

No passado dia 3 uma delegação do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” deslocou-se à Feira das Indústrias, na antiga FIL, para mais uma edição do Encontro com o Vinho e com os Sabores.

Foi uma longa jornada em que se provou muito e se registou pouco. Desta vez estivemos menos atentos às marcas, mais aos produtores e às conversas, por isso não há grande registo dos vinhos provados, até porque seria impossível enumerar todos.

Em destaque colocamos, logo de entrada, alguns espumantes da PROVAM, em especial um Coto de Mamoelas, feito exclusivamente com a casta Alvarinho, e que mostrou ser excelente. Claro que os Murganheira também não deixaram os créditos por mãos alheias, enquanto outros não convenceram tanto, como o Tapada do Chaves (as Caves da Montanha optaram por uma acção de marketing com meninas muito destapadas a oferecer uns copos de espumante aos passantes, mas a Soraia Chaves não estava lá...).

Recordamos em especial um branco dos Cozinheiros, da Quinta dos Cozinheiros, de grande estrutura e grande corpo e enorme persistência, um branco para carnes, assim como o Poeirinho, um Bairrada à moda antiga. Tivemos oportunidade de passar pela Quinta do Monte d’Oiro e descobrir o novo Clarete, pelas Caves de S. João e revisitar alguns clássicos, pela Niepoort e escolher dois ou três dos muitos presentes, de mirar a vasta oferta de dois dos nossos produtores de referência, a Sogrape e a Herdade do Esporão, terminando inevitavelmente com os Porto Vintage da Fonseca (em que, além da excelência dos vinhos, impera a simpatia e o gosto pela conversa - nota 20 para tudo!). Pelo caminho pudemos também trocar algumas impressões com produtores e enólogos presentes, como José Bento dos Santos ou Paulo Laureano, o próprio.

(Cabe aqui referir a aversão do Kroniketas à causa queijal, e por isso não pode apreciar o belo exemplar serpense que o tuguinho comprou no stand da Quinta dos Coteis; também nos ficou na alembradura uma bela empada de frango e legumes de uma nova loja gourmet chamada Apetitices, e que parece merecer visita à sede).

Inevitável seria o reencontro com alguns comparsas eno-bloguistas. Logo de entrada topámos com o Pingas no Copo, pouco depois apareceu o Copo de 3, logo a seguir o companheiro Chapim e respectiva cara-metade, um independente que não falha e com quem já nos tínhamos cruzado no Clube del Gourmet do Corte Inglês, numa apresentação de vinhos italianos. Fomo-nos cruzando aqui e ali, trocando impressões e comentando os vinhos provados.

No fim lá conseguimos voltar sãos e salvos para casa, mais bebidos que comidos. O tuguinho queria comprar um Colares mas desistiu. Já era vinho demais...

Kroniketas, enófilo quase sóbrio (com acrescentos de tuguinho, menos água e mais vinho)

sábado, 10 de novembro de 2007

No meu copo 144 - Casa de Santar Reserva 2003; Quinta de Cabriz Reserva 2003

Já este ano tínhamos provado estes dois vinhos do Dão, referenciados entre os melhores no painel de tintos até 10 € da Revista de Vinhos. Mas um jantar entre amigos proporcionou a oportunidade de prová-los em conjunto, com a curiosidade acrescida de agora serem ambos propriedade da Dão Sul e poder compará-los.

O vinho é um mundo de surpresas, já todos o sabemos, e muitas vezes o que damos por adquirido transforma-se completamente perante uma prova surpreendente que vem abalar de alto a baixo as nossas convicções. Não foi bem o caso, mas foi quase.

De facto, as provas anteriores mostravam-nos claramente um Casa de Santar Reserva uns furos acima do Quinta de Cabriz Reserva. Enquanto aquele tinha mais estrutura, mais corpo, aromas mais complexos e maior persistência, este apresentava-se mais frutado, mais aberto, em suma um vinho um pouco mais fácil. Mas eis senão quando... nesta prova os papéis inverteram-se, para grande surpresa minha. Dentro da garrafa há sempre alterações inesperadas, e desta vez o Cabriz levou a melhor sobre o Santar.

Convém referir que as colheitas provadas foram as mesmas da prova anterior, daí a surpresa ser maior. Não sei se foi aquele que melhorou em relação à garrafa provada anteriormente ou se foi este que decresceu, mas a verdade é que o Cabriz mostrou, desta vez, maior complexidade na prova gustativa, um toque levemente especiado e foi desenvolvendo aromas terciários ao longo da refeição. Por sua vez o Santar apareceu mais linear, mais “liso”, digamos assim, sem perder a macieza que o caracteriza mas parecendo que alguma acidez se tinha ido embora.

Nas provas anteriores tinha classificado o Casa de Santar Reserva com 8 pontos e o Quinta de Cabriz Reserva com 7,5. Se tivesse que fazê-lo de novo, por esta prova, talvez os classificasse ao contrário. Mas vou acreditar que o Santar não perdeu qualidades (até porque ainda há uma garrafa da mesma colheita cá em casa) e, a fazer fé no painel de prova da Revista de Vinhos, é um dos melhores tintos até 10 €. Eu também acho, pelo que espero que as próximas provas e as próximas colheitas confirmem as expectativas que este vinho sempre levanta. E já agora, que confirmem também a melhoria do Cabriz.

Notas de prova da Revista de Vinhos:

Casa de Santar Reserva 2004: Muito bem de aromas, fruta concentrada e densa, com notas anisadas. A boca mostra-se com muito boa estrutura e classe, taninos afinados, fruta final a marcar presença. Nota: 17

Cabriz Reserva 2004: Denso na cor, fruto preto, tudo algo fechado e sem se mostrar muito, ligeiro rebuçado e licorados; muito bem na boca, cheio e com estrutura, ligeiramente doce mas bem proporcionado, é um belo tinto de final prolongado. Nota: 16

Comentário: uma descrição que confirma exactamente o que se espera destes dois vinhos, e que no caso do Cabriz se aproxima da sensação colhida nesta segunda prova. Definitivamente, dois vinhos para nunca faltarem na garrafeira.


Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Tintos a menos de 10 €

No seu número de Outubro, a Revista de Vinhos apresentou um painel de prova de vinhos tintos a menos de 10 €, com bastante boas classificações. No artigo é referido o facto de, segundo os produtores, esta ser a gama mais difícil de vender. São vinhos que já não são baratos, por um lado, e estão um pouco longe dos topos de gama. Quem quer comprar realmente barato não chega a este segmento.

Não deixa de existir aqui, quanto a mim, alguma contradição, porque na minha opinião é precisamente neste segmento que se encontram os melhores vinhos sem ser a preços proibitivos, ou seja (e esta é uma opinião meramente pessoal), é aqui que encontro a melhor relação qualidade/preço na maior parte dos vinhos. Abaixo dos 5 € encontramos muitos vinhos demasiado vulgares e que, muitas vezes, não chegam a merecer o pouco que custam. Daqui para cima começa a ser complicado investir para preencher a garrafeira, porque gastamos numa garrafa aquilo que podemos gastar em 3 ou 4. Por isso é realmente no patamar entre os 5 e os 10 € que mais invisto e onde consigo beber vinhos com muito prazer sem gastar uma fortuna em cada garrafa. Vários dos vinhos apresentados são presença obrigatória nas nossas garrafeiras e nas nossas sugestões.

Posto isto, vamos ao que interessa: o painel de prova. São quase 40 vinhos provados, com notas entre os 15 e os 17 valores, ordenados como se segue (os preços de referência são os indicados no artigo, embora se possa encontrar alguns mais baratos, nomeadamente nas feiras de vinhos):

17
Dão - Casa de Santar Reserva 2004 (10 €)
Alentejo - Cortes de Cima 2004 (10 €)

16,5
Dão - Quinta de Saes, Estágio Prolongado Reserva 2005 (9,95 €)
Douro - Quinta dos Aciprestes Reserva 2004 (9,80 €)
Terras do Sado - Só Syrah 2004 (9,50 €)

16
Alentejo - Alabastro Reserva 2004 (5,50 €)
Alentejo - Conde D’Ervideira Reserva 2005 (10 €)
Alentejo - Monte da Ravasqueira 2005 (6,50 €)
Alentejo - Vinha da Defesa 2005 (7,60 €)
Beiras - Casa D’Aguiar 2005 (6,50 €)
Dão - Cabriz Reserva 2004 (7 €)
Douro - Crasto 2006 (9,50 €)
Douro - Foral Grande Escolha 2004 (5,50 €)
Douro - Novus 2005 (7,50 €)
Douro - Prazo de Roriz 2005 (8,50 €)
Douro - Quinta do Portal 2005 (6,40 €)
Douro - Quinta de la Rosa 2005 (8,50 €)
Douro - Quinta do Vallado 2005 (6,99 €)
Estremadura - Grand’Arte, Alicante Bouschet 2005 (8 €)
Palmela - Quinta da Mimosa 2005 (6 €)
Terras do Sado - Periquita Reserva 2004 (8,50 €)

15,5
Alentejo - Borba Reserva 2003 (8,90 €)
Alentejo - Dom Martinho 2005 (7 €)
Alentejo - Foral de Évora 2005 (9,35 €)
Alentejo - Herdade do Pinheiro 2004 (7,15 €)
Alentejo - Monte das Servas, Colheita Seleccionada 2005 (7,60 €)
Alentejo - Vinha da Tapada Coelheiros 2005 (5,90 €)
Bairrada - Quinta do Encontro, Preto e Branco 2004 (7 €)
Dão - Quinta do Penedo 2006 (15,5 €)
Dão - Quinta dos Carvalhais 2004 (9 €)
Douro - Curva 2005 (6,20 €)
Douro - Domini 2004 (6,50 €)

15
Alentejo - ACR Reserva 2003 (Redondo) (6 €)
Alentejo - Casa de Santa Vitória 2005 (5,28 €)
Alentejo - Comenda Grande 2005 (6 €)
Alentejo - Herdade do Peso 2004 (9 €)
Estremadura - Quinta de Chocapalha 2005 (8,95 €)
Ribatejo - Quinta da Alorna, Castelão 2005 (4 €)
Terras do Sado - Adega de Pegões, Syrah 2005 (5,60 €)


Claro que nem todos os que estão aqui são do nosso agrado, nem todos são do nosso conhecimento em termos de prova. Mas que há muita coisa que vale a pena, sem dúvida que sim. É uma lista para referência futura.

Kroniketas, enófilo organizado

domingo, 4 de novembro de 2007

No meu copo 143 - CARM Reserva 2003

Inicialmente esta sigla (CARM) era usada pela Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, mas provavelmente uma distracção, um desleixo ou um esquecimento em registar o nome permitiu que mais tarde aparecesse este produtor a usar a mesma sigla e a anterior CARM teve de passar a usar a sigla CARMIM.

Temos, então, o nome CARM associado à Casa Agrícola Roboredo Madeira. Com quintas localizadas em redor de Almendra, no Douro Superior, já perto de Espanha e dentro da Reserva Arqueológica do Vale do Côa, na mesma zona onde a Ramos Pinto tem a Quinta da Ervamoira e a Sogrape tem a Quinta da Leda, este é um dos produtores que nos últimos anos têm ganho notoriedade no Douro.

Tive há algum tempo a oportunidade de pela primeira vez provar um vinho desta casa, pelo que a expectativa era algo elevada. No entanto, não correspondeu completamente ao esperado. Apresentou-se bastante carregado na cor mas com um aroma algo discreto, corpo médio e prova de boca com alguns toques apimentados e alguma predominância de fruta madura, com boa persistência no fim de boca.

É um vinho que se bebe bem mas esteve longe de me encantar. Pode ter sido da garrafa ou de qualquer factor externo, mas não revelou a exuberância aromática que se poderia esperar. No entanto, tratando-se da primeira prova destes vinhos, reservamos uma segunda opinião para uma contraprova em próxima oportunidade. Ou então sou eu que não compreendo certos vinhos do Douro... Pode ser isso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: CARM Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Agrícola Roboredo Madeira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Encontro com o Vinho e Encontro com os Sabores 2007



Começa amanhã na Feira das Indústrias e nós vamos lá estar a partir das 15 h.

tuguinho, Kroniketas e outros Comensais Dionisíacos