segunda-feira, 30 de julho de 2007

No meu copo 132 - Cabriz rosé 2006

Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.

Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.

Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor.

Foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.

Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 24 de julho de 2007

No meu copo 131 - Vale de Ancho Reserva 2004

Tudo tem a sua época: há a época da caça, a época do futebol, a época das comezainas… E foi mesmo com o intuito de encerrar a época (isto apesar de no defeso se realizarem sempre uns repastos particulares e de preparação) que voltámos ao local do crime, salvo seja. Sim, adivinharam, voltámos à Petisqueira do Gould! Aliás, já perguntámos ao proprietário se não tinha nenhum sistema de passe ou de refeições pré-compradas. E a Petisqueira porquê? Porque só o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos conhecia o amesendamento e os outros membros já andavam aguados...

Juntou-se assim a cambada, 5 bandalhos (pois, não reunimos o pleno...) à mesa de jantar numa sexta-feira de um Verão mesquinho, dispostos a passar um bom bocado (embora alguns preferissem o pastel de nata...). Já aqui avaliámos o restaurante, pelo que apenas vou referir o que foi deglutido pelos mastigadores impiedosos: um par optou pelo tornedó à portuguesa, suculento e no ponto, acolitado por batata às rodelas finas e por grelos salteados, outro por uma alheira de caça e um outro par optou pelo peixe, no caso filetes de peixe galo com arroz mariscado e pregado frito com açorda de ovas.

Para beber pedimos um Vale de Ancho Reserva, que já nos andava debaixo de olho, além de já nos ter sido recomendado por outros apreciadores. De cor granada, sem ser retinto, o vinho mostrou um excelente corpo e taninos suaves e sem arestas, completamente pronto a beber. Na boca revelou sabor a ameixa muito suave e, quando agitado e provado a seguir, apresentou couro, com um ligeiro fumado por trás (devo dizer que não mastigámos o couro, pois era rijo como tudo...). O aroma, não sendo exuberante, tinha lá tudo o que um vinho moderno e bem feito consegue tirar das duas castas de que este Vale de Ancho também foi feito. Ainda se bebeu também um Convento da Tomina, mas isso são outras histórias, e sobre esse já aqui falámos há quase um ano.

Em suma, belo vinho, prontíssimo a beber, forte sem ser agressivo, de bons aromas e melhores sabores. O único senão é o preço, mas aqui aplicam-se as regras do mercado: quando a produção é limitada, se o produto é bom o preço é alto. Mas, correndo o risco de nos repetirmos, um dia não são dias, a vida é curta e assim por diante, portanto, que se lixe!

À vossa!

tuguinho, enófilo esforçado e porta-voz fiel do grupelho

Vinho: Vale de Ancho Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Montemor-o-Novo)
Produtor: Soc. Agrícola Gabriel Francisco Dias & Irmãs
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 68 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 19 de julho de 2007

No meu copo 130 - Porto Quinta do Castelinho Vintage 1999; Porto Burmester LBV 2001; Porto Quinta da Pacheca LBV 2002

Estes três Portos foram apreciados em outras tantas ocasiões diferentes pelos Comensais Dionisíacos, no fim dos repastos e mesmo acompanhando os doces para alguns dos mastigantes. As peças foram fornecidas pelo Politikos, já membro de facto do referido grupo de bandalhos.

Mostraram carácter diferenciado, embora dentro dos parâmetros de um Vintage e de Late Bottled Vintage, respectivamente.

O Quinta do Castelinho mostrou-se contido de aroma, de travo seco um pouco invulgar neste tipo de Porto. Sendo um vinho de nível aceitável, com boa cor e corpo mediano, o escriba prefere-os mais encorpados e a rescenderem a frutos vermelhos muito maduros, o que não seria invulgar num Vintage com esta (pouca) idade.

O LBV da Burmester mostrou-se mais “mainstream” em relação ao seu tipo, fácil de beber mas sem grande corpo para um vinho deste tipo. Cor profunda sem ser retinta, aroma agradável mas um pouco linear.

O Quinta da Pacheca esteve um pouco acima do anterior, com boa cor e aroma um pouco mais rico, e corpo bastante para se ter aguentado bem no fim de um repasto farto e com várias sobremesas.

O meu defeito é que depois de ter bebido Vintage e LBV’s que nos inundam as narinas de aromas e deixam o copo vermelho, quaisquer outros sabem a pouco… Portos da Ramos Pinto e da Fonseca Guimaraens, voltem que estão perdoados!

tuguinho, enófilo esforçado

Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Quinta do Castelinho Vintage 1999
Produtor: Quinta do Castelinho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Porto Burmester LBV 2001
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Porto Quinta da Pacheca LBV 2002
Produtor: Quinta da Pacheca
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7,5

In memoriam...

Quando vemos partir alguém próximo de nós, também nós partimos um bocadinho...

Kroniketas

domingo, 15 de julho de 2007

Hoje estamos de luto



Um amigo perdeu a última batalha. Aqui nos curvamos respeitosamente perante a sua memória. Em sua homenagem fazemos três dias de silêncio.

Descansa em paz, Quim.

Kroniketas

sábado, 14 de julho de 2007

Na minha cozinha 129 - Gelado de chocolate

Para este tempo de Verão nada como um bom gelado para satisfazer os mais gulosos. Nós aqui, como aficionados do chocolate, propomos uma receita caseira, muito fácil de fazer e que dá um resultado magnífico.

Ingredientes:
- 1 litro de leite
- 6 gemas
- 250 g de açúcar
- 75 g de chocolate em pó


Coloque o leite a ferver moderadamente até estar reduzido a 7,5 dl. Este processo demora algum tempo e é necessário ir medindo de vez em quando. O objectivo é reduzir substancialmente a quantidade de água presente no leite. O resto do processo é bem mais simples.

À parte bata as gemas com o açúcar. Junte o leite e leve ao lume até engrossar. Retire do lume e ainda quente junte o chocolate em pó. Deixe arrefecer um pouco e leve ao congelador, cobrindo com uma folha de alumínio para reduzir a formação de gelo à superfície. Quando começar a congelar, mas ainda meio líquido, pode bater o preparado para desfazer os cristais de gelo que começam a formar-se e deixe acabar de congelar até ao dia seguinte.

Para servir retire o gelado do congelador um pouco antes para o deixar amolecer ligeiramente. Se ainda estiver muito rijo corte umas fatias de gelado com uma faca... e delicie-se com esta maravilha.

Kroniketas, cozinheiro que não enfia o barrete

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O “problema” da açorda de marisco



Vamos lá ver se nos entendemos. Parece que quando emitimos uma opinião com a qual os outros não concordam há tendência para nos atribuírem intenções que nós não tivemos.

Tem havido aqui uma troca de opiniões interessante com os caríssimos comparsas bloguistas do Copo de 3 e do Vinho da Casa, por causa do que escrevi no post anterior acerca de só se comer boa açorda de marisco na região de Lisboa, o que mereceu da parte deles a interpretação de exagero, bairrismo ou arrogância da nossa parte (neste caso minha, porque a opinião só me vincula a mim). Ora não é disso que se trata. Caro Paulo, do Vinho da Casa, nós não somos bairristas, eu pelo menos não sou: sou apenas um alentejano importado para a capital, portanto se fosse bairrista era com a minha região de origem. E como deves calcular conheço muito bem a geografia desta região. Belém não é Algés, Algés pertence a Oeiras, como Massamá pertence a Sintra. Quando me refiro a Lisboa, obviamente, não estou a restringir-me à cidade mas à zona da “Grande Lisboa”, tal como Vila Nova de Gaia, Maia ou Gondomar pertencem ao “Grande Porto”.

Como referi no último comentário que escrevi no post anterior, o que foi dito para a açorda de marisco (apenas porque, por acaso, era de açorda de marisco que estava a falar) podia perfeitamente aplicar-se a outros pratos regionais tão variados como arroz de sarrabulho (Minho), tripas à moda do Porto (Porto), leitão à Bairrada ou chanfana (Beira Litoral), sopa de pedra (Ribatejo), migas com entrecosto (Alentejo) ou amêijoas na cataplana (Algarve). Para que não houvesse dúvidas nem confusões socorri-me do livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, da Maria de Lurdes Modesto, onde até é referido especificamente o local de origem de alguns pratos. O arroz de sarrabulho é de Viana do Castelo, as tripas, obviamente, são do Porto, o leitão é da Bairrada com maior incidência na Mealhada, a sopa de pedra é de Almeirim. Assim como esse delicioso bolo alentejano que é a sericaia, que se vê um pouco por todo o lado, é de Elvas.

O que eu quero dizer, de forma mais abrangente, é que há pratos regionais que acho que só vale a pena comer na sua região de origem, simplesmente porque, daí para fora, não os sabem fazer. Claro que vocês podem não concordar e achar que isto é um perfeito disparate, mas a experiência que tenho tido com pratos regionais fora da sua região, até agora, só me leva a manter esta opinião. A não ser que encontrem restaurantes regionais (que os há, claro, e bons) onde os possam comer, não vale a pena. Diz-nos o João do Copo de 3, e bem, que no Galito, em Lisboa, se come uma excelente sopa de cação e migas com entrecosto. Aí está: é um restaurante alentejano, dos mais conceituados que existem pelos lados da capital. Os donos são alentejanos e trouxeram a cozinha da sua região, tal como aliás há outros de bom nível. Um deles, já o referimos aqui: o Alqueva, na Amadora. Outro é o António do Barrote, em Carnide. E há um a que nunca fui mas ao qual tenho visto boas referências, o Ganhão, na Venda Nova. Uma coisa é falar de restaurantes alentejanos, com comida feita por alentejanos; outra é ir a um restaurante qualquer, sem nada de tipicidade ou regionalismo, comer uma comida de uma região que não sabem confeccionar. Aliás, caro João, se entrares num restaurante qualquer em Lisboa e vires escrito na ementa “sopa alentejana”, sabes o que é? É a açorda que se faz no Alentejo. Eu não arriscaria comê-la num restaurante desses. A começar desde logo pelo pão, porque eles não têm o pão que se faz no Alentejo e que é usado nessa açorda.

Aliás, quando viajo pelo país normalmente tento provar os pratos regionais dos locais por onde vou passando. Se se derem ao trabalho de consultar alguns artigos que escrevi em Maio do ano passado, sob o título “Krónikas duma viagem ao Douro”, poderão confirmá-lo. Agora digam-me uma coisa: têm visto muitos restaurantes, pelo país fora, onde se coma sopa da pedra? É que se não for de algum ribatejano, duvido que a saibam fazer. E tripas à moda do Porto, haverá no Alentejo? E arroz de sarrabulho, será que o sabem fazer no Ribatejo? E a posta mirandesa que se come por aí, será que é como a que se come em Trás-os-Montes (a esta questão não posso responder porque nunca comi a genuína)? E os intermináveis locais onde se vende leitão “à moda” da Bairrada, será que o fazem como os da Mealhada? Até hoje não encontrei nenhum. Em Lisboa há uma pálida imitação, o leitão de Negrais, mas não passa disso mesmo: uma pálida imitação.

Diz-nos o Paulo, do Vinho da Casa, que certamente há muitos locais na costa portuguesa onde se come boa açorda de marisco, desde a Ericeira até à Barra em Aveiro. Pois se os encontrarem digam-me. Neste caso concreto, o que vos posso confirmar é que comi das piores açordas de marisco na nossa costa, em três locais bem distintos: São Pedro de Moel (há um post sobre isso), Zambujeira do Mar e Monte Gordo. Esta última, aliás, não a consegui comer, porque parecia cimento. Outra vez o problema do pão... Eles até diziam que tinham um pão especial para a açorda... Só que enganaram-se no tipo. Nesta questão das açordas e das migas, é preciso saber usar o pão certo. No Alentejo usa-se fatias grande de pão, de preferência duro, na açorda de marisco usa-se carcaças. E o mais importante na açorda de marisco é a consistência do pão e o tempero. E não se trata de despejar lá para dentro todo o tipo de marisco que se encontrar, outro erro muito comum: a comummente chamada “açorda de marisco” não é mais que “açorda de gambas”.

Mas se vocês querem saber o que é a verdadeira açorda de marisco, experimentem o Pap'Açorda ou o Jacinto quando estiverem em Lisboa.

Ah... e já agora: para além dos pastéis de Belém, a açorda de marisco também é um prato típico de Lisboa, assim como o bife à café, o bacalhau à Brás, as ervilhas com ovos escalfados e o arroz de grelos. Vocês sabiam que há locais onde põem café no bife à café? Porque será? Porque não o sabem fazer, porque pensam que o nome “bife à café” tem alguma coisa que ver com a substância “café”, e não tem: tem que ver com os locais onde o bife surgiu, porque era servido nos cafés de Lisboa, derivando do Bife à Marrare. Quantos restaurantes haverá por este país fora onde saibam exactamente como se faz um bife à café?

Kroniketas, gatrónomo esforçado

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Na minha mesa 128 - Estrela do Bico (Massamá - Queluz)



Há vários anos que conheço este restaurante em Massamá, onde me desloco com alguma frequência para almoçar com um amigo quando ambos temos tempo. A sala não é muito grande mas é simpática, com um viveiro de marisco logo na entrada. Há uma garrafeira exposta e um balcão tipo-bar a partir do qual é gerido o serviço de mesas. O atendimento é rápido e simpático.

Na ementa existe uma escolha variada de peixes e carnes, mas o aspecto mais curioso é estar dividida em várias secções pelo tipo de comida, com alguns arranjos gráficos feitos a computador. No meio das escolhas, a nossa opção mais frequente vai para os bifinhos de vitela com diversos tipos de molho: pimenta, natas e cogumelos, mostarda, camarão. Já experimentei vários excepto o de camarão. Os bifinhos, em pequenas tiras do género de escalopes, vêm servidos num daqueles pratos compridos tipo-travessa, acompanhados com batata frita, arroz e salada. Normalmente ainda pedimos uma dose de esparregado para compor o ramalhete e enquanto esperamos vamo-nos entretendo com um queijinho fresco acompanhado com umas bolas de pão estaladiço.

Nalgumas ocasiões já optámos por um misto de maminha e picanha na pedra, cortadas em tirinhas, com os inevitáveis molhos a acompanhar, que não fica nada atrás de outros similares existentes em locais de renome e de preço mais elevado. Ocasionalmente, quando o tempo quente pede mais um vinho branco que um tinto, já provámos a açorda de marisco, que cumpre o que se espera deste prato e confirma que só na região de Lisboa é que se pode comer uma açorda de marisco decente, pois quando se sai daqui, por mais que tentem, não conseguem fazê-la comestível.

Para rematar a refeição, temos uma escolha imutável há muito tempo: um brownie de chocolate com gelado, coberto com chantilly e regado com chocolate quente. Custa quase 5 euros mas vale bem a pena.

A carta de vinhos não é extensa mas permite escolher entre os vinhos de gama média, por preços entre os 5 e os 10 euros, e alguns outros de qualidade superior já mais caros.

No fim de tudo consegue-se fazer a festa por 20 € e sair bem tratado. E com vontade de voltar, o que vamos fazendo. Basta sair do IC19 na saída para Massamá e na primeira rotunda, após entrar na localidade, virar na última saída para a Avenida Azedo Gneco e estacionar algures por ali junto à Igreja. O restaurante está logo à vista.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Estrela do Bico
Avenida Azedo Gneco, Lote 61 - Loja B
Massamá
2745-724 Queluz
Tel: 21.437.59.93
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No meu copo 127 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005

Depois do branco Chardonnay, que não agradou, tentei o Sauvignon Blanc. Na verdade, agradou pouco mais. Volto à mesma questão já aqui levantada: a estes brancos portugueses de castas estrangeiras falta frescura, elegância, vivacidade, em suma, finesse.

Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho de procurar outros brancos de castas nacionais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 3 de julho de 2007

No meu copo 126 - Porca de Murça Reserva branco 2005

Já conheço esta marca há muitos anos, praticamente desde que comecei a interessar-me por estas coisas e ainda não sabia quase nada. O Porca de Murça branco foi desde logo um dos meus preferidos. Com o passar dos anos fui conhecendo outras marcas e esquecendo este, mas mantive sempre a lembrança de ser um branco agradável.

Os Reserva nem existiam. Agora já existem. E este branco Reserva não me convenceu. Pouco apelativo, pouco aromático, um pouco rústico, que é coisa que eu não suporto num vinho branco. Falta-lhe elegância. Muito álcool mas pouco suportado pelo corpo e pela acidez. Parafraseando o nosso amigo Pingus Vinicus, quis falar com o vinho mas ele não me disse nada. E eu fiquei sem saber que mais lhe dizer.

Acho que na próxima ocasião vou tentar rever o branco normal, que era o tal de que eu gostava, para ver se ainda gosto. Se calhar, com menos pretensões, as memórias que guardei de há 15 ou 20 anos ainda lá estão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porca de Murça Reserva 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Boal, Cerceal, Codega, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 3,58 €
Nota (0 a 10): 5,5

domingo, 1 de julho de 2007

No meu copo 125 - Casa Ferreirinha Reserva 1996; Quinta da Leda 2001; Callabriga 2000

Estes estavam à espera duma oportunidade. Desde há cerca três anos, quando descobrimos o Callabriga e o Quinta da Leda, começámos a apostar na gama de vinhos da Casa Ferreirinha, mais propriamente naqueles que se situam nos patamares do meio para cima (acima do Esteva e do Vinha Grande e abaixo do Barca Velha).

Para estas provas reservámos duas garrafas de cada vinho, e as provas ocorreram separadamente ao longo dos últimos meses, reunindo os “Comensais Dionisíacos”, já com o Politikos, a aquisição mais recente, na equipa titular.

Comecemos por cima, pelo filho bastardo do Barca Velha, ou aquele que não chegou a sê-lo mas que poderia lá ter chegado: o Reserva 1996, que já se chamou Reserva Especial, só Reserva, e apenas Colheita. Tudo no ponto certo: os decanters limpos e arejados (um para cada garrafa), os copos de pé alto e boca larga, em forma de tulipa, a temperatura de serviço, os sedimentos deixados no fundo da garrafa. Para que nada falhasse. Afinal, o momento era solene e era a estreia absoluta nos nossos copos. À espera, um cabritinho do Alto Alentejo assado no forno com todos os requisitos e acompanhado com um belíssimo arroz de miúdos confeccionado especialmente pela senhora-mãe do Mancha.

Começou por mostrar uma cor rubi ligeiramente atijolada e aromas discretos a fruta madura. Macio na boca, final de duração média, corpo na mesma. A primeira garrafa ainda teve alguma evolução no decanter, pelo que a segunda foi decantada com maior antecedência. Surpreendentemente, esta revelou-se menos exuberante e, longe de ganhar com o tempo de abertura, pareceu esvair-se. Dos três, este é o vinho mais suave (até pela idade), mas quando se esperava que desse o salto para cima… pareceu morrer nos copos. Declínio ou necessidade de esperar mais tempo? Também há mais duas garrafas, teremos que deixá-las esperar mais um ano, dois, cinco ou dez?

No final, o sentimento foi unânime: esperava-se mais deste vinho, que acabou por ficar aquém das expectativas. Sem dúvida que eram altas, mas não correspondeu de todo. Será que houve ali... preconceito?

Segue-se na escala o Quinta da Leda 2001. Foi a grande descoberta de há uns 3 anos no Encontro com o Vinho e logo ali o achámos excepcional. O preço também o é, mas é daqueles vinhos que nos enchem as medidas até mais não poder. Ou foi...

O processo seguido foi o mesmo: decantado previamente, com antecedência suficiente para libertar os aromas mais profundos. Copos e temperatura adequados e a outra metade do cabrito assado no forno acompanhado com batatinhas e grelos, desta vez confeccionado pela senhora-mãe do tuguinho. A primeira garrafa foi decantada com duas horas de antecedência em relação à hora de consumo e foi uma completa decepção. Logo no aroma se verificou alguma falha, com o bouquet muito discreto e a prova a confirmá-lo, com um corpo surpreendentemente delgado e um final curto.

Não lhe tendo feito bem a decantação, optámos por não decantar a segunda garrafa, abrindo-a imediatamente antes de beber, para ver como se comportava. Igual. Ainda pareceu apresentar inicialmente algum vigor, mas rapidamente se esvaiu. A grande complexidade que lhe conhecíamos não estava lá de todo. Foi a grande decepção desta tripla prova. Perante isto, só nos resta esperar para provar a colheita seguinte de que dispomos, a de 2004. Pode ser que tenha sido apenas azar com o ano. Senão, os quase 20 € gastos em cada garrafa foram mal empregues.

Finalmente, o Callabriga 2000, que é o produto que está acima do Vinha Grande, sendo apontado como a aposta da casa para a exportação. Abrimos as duas garrafas com os já célebres (entre nós) bifes de novilho de raça Angus com ervas de Provence, que o mestre cozinheiro Kroniketas tem vindo a apurar. Mais uma vez, seguindo o conselho do contra-rótulo, foram previamente decantados para libertar os aromas e para nos livrarmos dos sedimentos da garrafa. Como já aconteceu algumas vezes, quando o líquido estava a acabar estava o vinho a atingir o seu máximo esplendor.

Revelou uma boa concentração de cor, com um aroma profundo algo frutado. Redondo na boca mas com boa estrutura, taninos discretos e acidez suave, madeira muito disfarçada, tudo muito equilibrado. Fim de boca suave mas prolongado. Com o passar da refeição foram-se libertando os aromas terciários, alguma especiaria a vir lá do fundo tornando o final mais persistente, mostrando que temos ali um vinho para altos voos e capaz de estar algumas horas a fazer-nos companhia. Foi pena ter acabado no melhor da festa, mas para a próxima decantamo-lo mais cedo (sim, porque ainda há umas garrafitas de reserva). Pena é que tenham mudado o formato da garrafa nas últimas colheitas (tal como ao Quinta da Leda, aliás), pois esta borgonhesa era a imagem de marca da casa e ficava-lhe muito bem.

Em suma, desta trilogia de Ferreirinhas, o balanço que se pode fazer é que as altas expectativas saíram globalmente defraudadas, sendo que foi o vinho no patamar mais baixo que melhor se comportou. Não encontramos explicação para o sucedido com o Reserva e o Quinta da Leda, pois ambos estavam em perfeitas condições de consumo, mas não apresentaram nem a estrutura, nem a persistência, nem a complexidade aromática que esperávamos de vinhos desta gama. Se as garrafas de que ainda dispomos confirmarem estas impressões, terão de ser apostas a esquecer... Infelizmente. Não estávamos habituados a estas decepções nos vinhos da Sogrape... Esperemos que tenham sido apenas colheitas menos bem conseguidas, ou um momento menos adequado na evolução dos vinhos em prova.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape

Vinho: Casa Ferreirinha Reserva 1996 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 39,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Leda 2001 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 17,86 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Callabriga 2000 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 13,75 €
Nota (0 a 10): 9