domingo, 31 de dezembro de 2006

Mais um virar de página...

As Krónikas Viníkolas desejam a todos os seus clientes, fornecedores e amigos umas boas entradas no ano (sai daqui, gralha!) de 2007, entradas essas onde mais vos aprouver e se sentirem felizes (entrada num apartamento, entrada numa discoteca, entrada por saída, entrada triunfante, entrada a medo, entrada pelas traseiras, entrada pífia, entrada em cena, entrada quente, entrada a toda a brida, entrada solene, entrada...).

tuguinho e Kroniketas, enófilos bacanos

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

No meu copo, na minha mesa, 77 - A.C. Borba, Aragonês e Alfrocheiro 2002; Restaurante Alqueva (Amadora)



Confessamos que foi uma segunda escolha. Na semana anterior ao Natal muitos restaurantes já estão esgotados todos os dias e o primeiro da nossa lista estava nessa situação. Acabámos por não ficar penalizados com esta escolha, pois o Alqueva revelou-se acolhedor, farto e saboroso.

Apesar de o restaurante se situar num prédio moderno da Amadora, a porta em madeira velha, obviamente transplantada para ali, deu o tom para a decoração interior, à base de utensílios de lavoura e de peças de artesanato típico do Alentejo. Mesas ataviadas com toalha e guardanapos de pano, espaçosas o suficiente, completavam este ambiente acolhedor.

Na mesa já se encontravam diversas entradas, dos enchidos fatiados ao queijo, dos torresminhos a uma espécie de rancho (grão, massa e enchidos guisados), deu e sobrou para nos entreter até chegarem os pratos principais.

Os três convivas (o núcleo duro dos “Comensais dionisíacos”, porque houve 2 desistências de última hora) escolheram: bochechas de porco preto com migas de espargos verdes, mista grelhada de porco preto com as mesmas migas e uma mista de caça com feijão branco.

As migas estavam irrepreensíveis, bem como a mista grelhada de porco preto, composta por três generosos pedaços de diferentes partes do reco. As bochechas, que também provei, têm um gosto demasiado acentuado para o meu paladar, mas também estavam bem confeccionadas.

Não provei a caça guisada com o feijão, mas o Kroniketas, principal deglutidor desse prato, não se mostrou desagradado com o dito cujo, pelo contrário.

As sobremesas eram mais do que suficientes e à base de doces conventuais. Escolheram-se uma encharcada, uma sopa dourada e um torrão da rainha. A encharcada cumpriu, a sopa dourada estava um pouco seca e o torrão da rainha surpreendeu: gila e ovos com uma cobertura de canela, mas sem ser demasiado doce ou enjoativa.

Além dos cafés, ainda se provou uma aguardente da Vidigueira, que se revelou suave e saborosa, boa para finalizar uma refeição.

Para ajudar a empurrar os sólidos bebeu-se primeiro um Alfrocheiro, vinho varietal da Adega Cooperativa de Borba, seguido de um Aragonês da mesma proveniência. O Alfrocheiro bateu o Aragonês em toda a linha, provando as grandes potencialidades desta casta (descrição mais detalhada nos próximos dias).

Concluindo, o Alqueva mostrou-se com merecimento para nos receber por lá outra vez, porque da comida ao ambiente tudo se conjugou para nos proporcionar um bom jantar pré-natalício.

tuguinho, enófilo esforçado

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba

Vinho: Alfrocheiro 2002 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alfrocheiro
Preço no restaurante: 12,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Aragonês 2002 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Aragonês
Preço no restaurante: 12,75 €
Nota (0 a 10): 7

Restaurante: Alqueva
Rua Dom João I, 4B
2700-248 Amadora
Tel: 21.492.14.81
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

sábado, 23 de dezembro de 2006

No meu copo 76 - Má Partilha, Merlot 2000

Foi com alguma expectativa que abri esta garrafa. Foi adquirida com a Revista de Vinhos em 2005 com a indicação de guardar por algum tempo. Passado cerca de um ano e meio, dada a idade do vinho, considerei que era chegada a altura de bebê-lo.

Abriu-se a garrafa com alguma antecedência. Inicialmente os aromas apresentaram-se fechados, como seria de esperar, mas o arejamento não melhorou grande coisa. Mostrou-se pouco exuberante e medianamente encorpado, já com alguma evolução nos aromas e na cor. Na boca a fruta andou um pouco escondida e deixou um final um pouco curto.

Embora não desagradasse, não me pareceu ser um vinho de encantar. A casta Merlot origina vinhos suaves, sendo usada em França para equilibrar a maior adstringência da Cabernet Sauvignon. No entanto, este Má Partilha acabou por ficar aquém das expectativas. Esperava um vinho com maior frescura, maior vivacidade, o que me levou a não compreender a razão de ser comercializado já com esta idade, pois parece caminhar para algum declínio ou ter estabilizado num patamar donde já não sairá para melhor.

Sendo, além disso, comercializado normalmente a preços algo elevados (na casa dos 10 euros ou mais), era de esperar algo mais na linha da “potência, riqueza e complexidade dos seus aromas”, como diz o contra-rótulo. Mas não os encontrei lá. Enfim, fica para uma segunda oportunidade tentar descobrir os encantos escondidos que esta garrafa não me revelou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Má Partilha, Merlot 2000 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: J. P. Vinhos (agora Bacalhôa Vinhos)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Merlot
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Encontro de eno-blogs

O Pingas no copo lançou o desafio na sequência duma ideia aqui sugerida e de outras conversas do próprio. No blog foram sendo discutidos e desenvolvidos os pormenores, até que se chegou a um plano daquilo que vai acontecer.

Assim, considero chegada a hora de também divulgar o dito encontro, que terá lugar na York House, em Lisboa, a 12 de Janeiro de 2007. Os planos consistem em que os representantes de cada blog levem uma (ou mais, se assim quiserem) garrafa de vinho para uma prova que acontecerá antes do jantar e outra (ou mais) para acompanhar o repasto propriamente dito. A coisa promete porque há quem se disponha a levar várias garrafas. A parte mais interessante da discussão é a decisão de quem vai levar o quê.

Nós aqui estamos à espera de ver o que os outros levam para decidir o que levamos, porque temos possibilidades de escolha em qualquer região, e como não temos preferência por levar vinho de nenhuma região em particular, vamos tentar levar o que mais ninguém levar. A ementa já está definida pelo anfitrião, que pôs as suas instalações à disposição da comunidade, e é de fazer crescer água na boca:


  • Iscas de pato sobre folhado com molho de vinagre balsâmico


  • Lombinhos de linguado com molho de amêndoas e chantereles


  • Costeletas de borrego com molho de azeite de hortelã


  • Tarte Tatin com gelado de canela


  • Café


  • Tudo isto por 25 euros, o que é perfeitamente aceitável. Esperamos que a qualidade corresponda ao requinte do cardápio. Se mais alguém estiver interessado em associar-se a esta iniciativa, faça-o no blog Pingas no copo, onde o Pingus Vinicus está a tratar dos pormenores.

    Kroniketas, enófilo esclarecido

    PS: E esta quarta-feira há encontro do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os comensais dionisíacos”. Depois contamos como foi.

    segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

    No meu copo 75 - Conde de Cantanhede Reserva 1995


    Aproveitando a embalagem, continuamos num registo bairradino para dar conta doutro reserva de 1995.

    Os vinhos Conde de Cantanhede são habitualmente suaves para o padrão tradicional da Bairrada, e este não foi excepção, apesar de constituído em 90% pela casta Baga. Já evoluído, apresenta uma cor aberta e brilhante, final prolongado e taninos ainda presentes mas que o tempo amaciou.

    Mostrou um aroma frutado menos marcado que o Messias e com o mesmo toque de especiarias, mas no geral o seu perfil era muito semelhante ao anterior.

    Também já ultrapassou o auge, mas nos vinhos da Bairrada isso não costuma ser um problema, pois são dos que apresentam maior longevidade sem entrarem em declínio acentuado e sem ficarem mortos, pois possuem uma acidez e taninos que os mantêm vivos muito tempo depois de terem envelhecido. Mas quando já não melhoram, também não vale a pena guardá-los mais tempo.

    Kroniketas, enófilo esclarecido

    Vinho: Conde de Cantanhede Reserva 1995 (T)
    Região: Bairrada
    Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
    Grau alcoólico: 12%
    Casta: Baga (90%)
    Preço (comprado em 2000): 628$
    Nota (0 a 10): 7

    quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

    Prova à Quinta - O terceiro



    Bairrada Messias Garrafeira 1995


    Para o desafio aqui lançado há duas semanas, onde se pedia para encontrar tintos da Bairrada feitos com a casta Baga, fomos buscar um clássico: um Messias Garrafeira de 95, feito exclusivamente com a casta Baga.

    Dada a idade já avançada, o vinho mostrou sinais evidentes de evolução, já com uma cor granada desmaiada e aberta com leves nuances acastanhadas. Os aromas mostraram-se fechados no início, mas após decantação libertaram-se e desenvolveram-se alguns aromas secundários e terciários tão típicos dos grandes Bairradas, embora sem grande exuberância. Apesar da idade, o vinho não apresentou quaisquer sinais de mofo nem de estar “passado”.

    Na boca apresentou um corpo já delgado, com os taninos discretos mas ainda presentes e amaciados e um fim de boca longo sem ser agressivo. Algumas notas de especiarias e fruta discreta marcam um conjunto suave e equilibrado. É um vinho que já deverá ter passado o seu ponto óptimo, sendo que a partir de agora já não melhorará na garrafa, pois já perdeu a pujança dos taninos e grande parte do corpo. Beba-se, pois, antes que se perca.

    Kroniketas, enófilo esclarecido

    Vinho: Messias Garrafeira 1995 (T)
    Região: Bairrada
    Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
    Grau alcoólico: 12,5%
    Casta: Baga
    Preço: 6,99 €
    Nota (0 a 10): 7


    PS: Novo desafio lançado no Elixir de Baco

    terça-feira, 12 de dezembro de 2006

    No meu copo 74 - Lancers rosé


    Aproveitando algumas refeições com entradas ou comidas mais leves para provar vinhos também mais leves, voltamos agora a um rosé, o Lancers, este verdadeiramente leve, com pouco álcool (apenas 10%). Foi provado com patés, tostas e coisas do género.

    É um vinho com uma boa frescura, que se bebe com agrado e sem ter o peso do álcool excessivo que também se está a tornar moda noutros rosés. Tem um discreto aroma floral e um paladar frutado muito suave, ligeiramente adocicado, com o senão de um final de boca um pouco curto.

    Como entrada, aperitivo ou simplesmente para enganar o calor numa esplanada, está perfeitamente adequado. Beba-se bem fresquinho, de preferência no Verão.

    Kroniketas, enófilo esclarecido




    Vinho: Lancers - Vinho de mesa sem data de colheita (R)
    Região: Terras do Sado (sem denominação de origem)
    Produtor: José Maria da Fonseca
    Grau alcoólico: 10%
    Preço em feira de vinhos: 2,56 €
    Nota (0 a 10): 6,5

    segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

    Primeiro aniversário



    Assinala-se hoje um ano de provas nas Krónikas Viníkolas, em simultâneo com o 3º aniversário das Krónikas Tugas.

    Um brinde à nossa e à vossa saúde.

    tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo

    quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

    No meu copo 73 - Lambrusco Dell’Emilia - Torre Colle

    Na última feira de vinhos do Jumbo havia alguns vinhos estrangeiros a preços baratos e resolvi experimentar alguns para ver no que dava. Um dos escolhidos foi um Lambrusco, em que nem sequer reparei com atenção no rótulo. Só antes de abrir a garrafa e observando o contra-rótulo é que reparei que se tratava dum vinho frisante, sem data de colheita, aconselhado para acompanhar massas ou queijos e para beber fresco. E assim se fez.

    Saiu-me um vinho do tipo espumante tinto, mas com muito menos graduação (apenas 7,5º de álcool) e menos gás, ligeiramente adocicado e que acaba quase por se beber como refresco... a acompanhar massas. Trata-se de um vinho leve, não muito aromático, que serve para beber despreocupadamente e certamente mais aconselhado para os dias quentes de Verão.

    Não há muito mais a dizer, porque ele também não nos diz mais nada. Ficou a experiência e o pouco que custou.

    Kroniketas, enófilo esclarecido


    Vinho: Lambrusco Torre Colle (frisante) (T)
    Região: Emília Romagna (Itália)
    Produtor: Chiarli - Modena
    Grau alcoólico: 7,5%
    Preço em feira de vinhos: 1,57 €
    Nota (0 a 10): 5

    domingo, 3 de dezembro de 2006

    No meu copo 72 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999

    Este vinho faz parte das nossas garrafeiras há muito tempo e é por nós considerado um dos melhores aqui do rectângulo. Não sendo barato, também não é demasiado dispendioso, e é um valor seguro. Falo, como é óbvio (é só ler o título do post), do Reguengos Garrafeira dos Sócios, a marca de topo da CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.

    Confesso que estava um pouco apreensivo antes de libertar o génio da garrafa, porque uma da mesma colheita bebida há cerca de um ano mostrara-se, se não em declínio, pelo menos já fora do auge. Mas os meus receios não tinham razão de ser – o vinho apresentava uma cor grenat profunda e limpa, sem laivos de declínio, e o aroma não possuía odores espúrios. A decantação prévia ajudara o vinho a abrir e, não tendo um aroma exuberante, mostrou na boca sabores secundários agradáveis, uma madeira discreta e um fim de boca que ainda exibia uma ligeira adstringência, como que a mostrar que ainda ali estava para a luta.

    Ainda me resta uma garrafa desta colheita de 1999. Vou bebê-la brevemente na esperança de que a evolução tenha sido idêntica. Aos leitores resta comprar a colheita agora à venda. Depois é beber já ou esperar um pouco. Não se vão arrepender.

    tuguinho, enófilo esforçado

    Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999 (T)
    Região: Alentejo (Reguengos)
    Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
    Grau alcoólico: 13,5%
    Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
    Preço em feira de vinhos: 7,79 €
    Nota (0 a 10): 8

    sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

    Desafio Prova à Quinta - 3ª ronda



    Como ninguém se chegou à frente entretanto, nós avançamos. Propomos para a próxima prova um tinto da Bairrada com casta Baga. Pode ser exclusivamente de Baga ou misturada com outras, mas tem de ter Baga. Isto porque actualmente, depois da alteração da legislação, onde antes quase só se podia fazer vinho de Baga agora pode-se fazer praticamente de tudo, de tal forma que há vinhos sem Baga.

    Vamos, pois, à procura dos Bairrada clássicos, à moda antiga, em que a Baga era rainha. Esperamos as vossas respostas até ao dia 14. E esperamos também que não se distraiam como na 2ª ronda, com a prova proposta pelo Vinho da casa.

    tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo