terça-feira, 26 de setembro de 2006

Feiras de vinhos (2)

Informação em cima da hora. Começaram as feiras do Jumbo, do Continente, do Feira Nova e do Corte Inglês. Vão até 15, 15, 18 e 22 de Outubro, respectivamente.

tuguinho e Kroniketas, enófilos atentos e esforçados

sábado, 23 de setembro de 2006

Feiras de vinhos (1) - A nova pseudo-feira do Pingo Doce




Comecei a frequentar a feira de vinhos do Pingo Doce em 1993, ano em que comecei a interessar-me por aprofundar o meu conhecimento acerca de vinho depois de ter visto o catálogo do ano anterior. A feira do Pingo Doce, tanto quanto me lembro, foi pioneira em certames do género e para nós, aqui nas Krónikas, foi uma referência durante mais de 10 anos. Os seus catálogos foram crescendo até se tornarem verdadeiros tratados de vinicultura, quase em formato de jornal, onde o consumidor mais leigo podia aprender os segredos do vinho com facilidade.

O Pingo Doce foi ainda pioneiro num conceito da altura, o “Vinho da Feira”, que era comercializado com a marca Pingo Doce e resultava da compra de toda a produção a um determinado produtor, para lançamento exclusivo desse vinho na feira com o rótulo da cadeia de supermercados (a imagem que temos é de 1992) . O passo seguinte foi a criação dos vinhos com a marca Pingo Doce, produzidos em exclusivo para a empresa. A gama foi crescendo até ter marcas em todas as principais regiões vitivinícolas do país, como actualmente (Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Estremadura, Ribatejo, Terras do Sado, Alentejo), conseguindo angariar para essa estratégia alguns dos enólogos mais famosos, tais como Anselmo Mendes, Virgílio Loureiro, António Saramago, Nuno Cancela de Abreu, Domingos Soares Franco, João Portugal Ramos, entre outros. A par disto foram ainda estabelecidas parcerias para a produção em exclusivo para o Pingo Doce de algumas marcas de vinho bem conhecidas.

De ano para ano, o catálogo do Pingo Doce era aguardado com alguma ansiedade dado o manancial de informação que fornecia. Foi através do Pingo Doce que adquirimos algumas preciosidades que ainda repousam na garrafeira, como garrafas de litro e meio de Dão Pipas de 1970 ou Porta dos Cavaleiros de 1975. Mais recentemente a feira começou a incorporar maior variedade de vinhos raros, sob o lema “Raros e preciosos”. Noutros casos era fornecido um roteiro gastronómico ou uma receita tradicional a acompanhar os vinhos apresentados para cada região. Os próprios enólogos que colaboravam com a feira deixavam no catálogo as suas impressões acerca das castas ou das regiões em que trabalhavam.

Foram também surgindo propostas de garrafeira, em que no catálogo eram apresentadas sugestões de diversos tipos de vinho para constituir uma garrafeira abrangendo as várias regiões. Juntamente com os vinhos eram apresentadas sugestões de consumo (para algumas das garrafas adquiridas nessas ocasiões ainda vou consultar os catálogos, que guardo religiosamente, para saber quando e com quê esses vinhos devem ser consumidos). Dum modo geral, a feira do Pingo Doce - mesmo que não fosse a mais barata - constituía a nossa bússola, pois era aí que apareciam os vinhos melhores e mais raros, que normalmente não era possível adquirir noutras ocasiões. Tirámos algumas imagens desses catálogos para ilustrar o seu conteúdo.

Pelo meio ainda houve, em 1998 e 1999, duas feiras do vinho verde, entre Maio e Junho, aproveitando a época para dar a conhecer melhor essa variedade, o que também me pareceu uma iniciativa interessante.

Até que... o ano passado, subitamente, o Pingo Doce resolveu desinvestir na feira e apresentou apenas uma selecção reduzida de vinhos a preços abaixo dos 5 euros. O catálogo emagreceu a olhos vistos, ficando reduzido quase a um folheto sem interesse de maior, e os vinhos apresentados não trouxeram nada de original em relação às restantes feiras de vinhos. Curiosamente, esse papel pareceu ter passado para o Feira Nova, que apresentou sugestões de garrafeira do género que o Pingo Doce costumava fazer.

Este ano a coisa parece ter piorado ainda mais. Neste momento decorre, desde o dia 13 e até 10 de Outubro, um certame sob o lema “Vinho à la caixa”, em que se propõe ao cliente comprar uma caixa de 6 garrafas dum determinado vinho e pagar apenas 5. Não há catálogo, apenas umas tiras publicitárias penduradas no tecto com os preços e a descrição dos vinhos. Mais uma vez em selecção reduzida (são cerca de 20 vinhos), embora desta vez um pouco mais variada (está lá, por exemplo, o Esporão Reserva).

Não havendo catálogo, só me restou espreitar para as tiras e registar alguns dados. O Esporão está a 13,90 € a garrafa, o Duas Quintas a 7,99 €. Temos outros baratos e bons, como o Frei João (2,29 €), o Quinta de Saes (2,99 €), o Monte Velho e o Reguengos Reserva (3,99 €), entre vários outros. Vale a pena comprá-los, mas falta saber se vale a pena comprar 5 garrafas para ganhar uma grátis, pelo que esta opção só interessa a quem quiser comprar em quantidade, e também falta saber se estes vinhos não vão aparecer mais baratos nas próximas feiras.

Resta saber se isto é apenas um aperitivo para uma feira de vinhos a sério ou se o grupo Jerónimo Martins resolveu “matar” aquela que foi durante mais de uma década a melhor feira de vinhos do país. Estou a falar com conhecimento de causa, pois aquilo que vemos agora no Jumbo, no Continente, no Corte Inglês ou no Carrefour são imitações do que o Pingo Doce já tinha há muito tempo. Se assim for, só me resta dizer “paz à sua alma”, pois a verdadeira feira de vinhos do Pingo Doce acabou. Esta que lá está agora é uma pseudo-feira. Pode ser que a feira a sério passe para o Feira Nova...

Kroniketas, enófilo atento

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Diz quem sabe



Hoje recebi a Revista de Vinhos deste mês e desde logo me entretive a ler uma conversa de João Paulo Martins “à mesa com” o produtor e enólogo João Portugal Ramos, autor de excelentes vinhos alentejanos.

Entre vários considerandos acerca da produção de vinho em Portugal e a afirmação de que “o Alentejo é imbatível”, a conversa terminou com uma frase bombástica:
“Confesso também que começo a ficar farto dos vinhos virtuais do Douro, que são muito bons mas não existem. E até dou de barato que, nos topos de gama, o Douro tenha mais vinhos que o Alentejo, mas a região em si, em termos de qualidade média, e até das cooperativas, não tem sequer comparação, é muito inferior”.

Fiquei pasmado por finalmente encontrar alguém que tem uma opinião igual à minha acerca deste tema. Já o disse e escrevi, neste blog e nas Krónikas Tugas, que não considero os vinhos do Douro, em termos de qualidade média, assim tão bons como por aí se apregoa. Já tive até a oportunidade de referir várias grandes decepções tidas com vinhos do Douro apresentados como muito bons, e nada baratos. Foi até agora a região com cujos vinhos apanhei mais decepções. Há, de facto, vinhos muito bons no Douro, mas também eu já tinha chegado à conclusão que esses são os caros, porque quando vamos para a gama média, aqueles de 4 ou 5 €, não há nada que os recomende mais que os de qualquer outra região, antes pelo contrário. Até me sinto, às vezes, um pouco incomodado por ver tamanha unanimidade à volta dos vinhos do Douro que eu não partilho. No programa “A hora de Baco” os convidados, invariavelmente, quando falam do seu vinho preferido, vão cair no Douro - principalmente - e no Alentejo. Palavra que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo. Gostava de ver aparecer alguém com uma opinião diferente destas, para variar.

Agora vem o produtor/enólogo mais premiado dos últimos anos lançar esta “bomba”. Ele certamente sabe do que fala, o que me deixa extremamente confortado porque a opinião do especialista é igual à minha (e longe de me querer comparar com ele!). Aleluia! Houve alguém que teve a coragem de desmistificar a auréola que se criou em torno dos vinhos do Douro. Porque é preciso não esquecer que quando falamos do Douro, dum modo geral, não estamos a falar de Barca Velha.

Kroniketas, enófilo esclarecido

(Imagens retiradas da Revista de Vinhos nº 202, de Setembro de 2006, com a devida vénia)

As nossas apreciações a alguns vinhos do Douro:
Planalto
Passadouro e Bons Ares
Quinta dos Aciprestes (1)
Quinta dos Aciprestes (2)
Vinha Grande
Quinta do Portal
Duas Quintas

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Na minha mesa 59 - O Galeão (Lagos)



Uma das habituais saídas de férias já vem de longa data. Trata-se do restaurante “O Galeão”, em Lagos, de que sou frequentador há cerca de 20 anos. A visita anual durante as férias algarvias é quase obrigatória, com raras excepções.

Este é um restaurante no centro de Lagos que ao longo dos anos tem mantido sempre o mesmo nível, sem que os preços tenham subido excessivamente. Há um padrão que não se tem alterado e por isso dá sempre garantias.

A ementa tem um toque de internacionalismo a par com alguns pratos regionais. Temos opções variadas para as entradas, os peixes e as carnes. Nas entradas destaca-se o “abacate com camarão” e os “espargos com molho holandês”. Servem muito bem para entreter enquanto se espera pelo prato principal. Para quem prefere os regionalismos há uma excelente “sopa de peixe”, feita com aletria, com um ligeiro toque picante que torna a refeição mais quente, mas é muito bem apaladada.

Passando aos pratos mais substanciais, nos peixes há as opções de cataplana, “linguado au meunier” e até a “lagosta à thermidor”, esta a um preço fora do comum. Mas é nas carnes que se atinge o esplendor: “tornedó Rossini”, com um molho espesso e uma noz de paté por cima, “tornedó com molho bearnês”, “entrecôte café-Paris”, com um molho feito à base de muitas especiarias, “strogonoff”, “lombinhos de porco com ervas aromáticas”, enfim, a escolha é imensa. Em todas as minhas visitas, divido-me sempre entre o “tornedó Rossini” e o “entrecote café-Paris”, quanto a mim os expoentes máximos das carnes. São normalmente acompanhados com batatas fritas e legumes salteados, nomeadamente cenouras e feijão-verde.

Os pratos são confeccionados à vista, pois a cozinha fica ao fundo da sala e é aberta para os clientes verem. Assim se pode apreciar a confecção das sobremesas, onde o grande destaque é o “crepe Copacabana”, que cobre duas bolas de gelado e é flambeado em rum, vindo para a mesa com um molho caramelizado daí resultante. Normalmente é uma sobremesa que vale a pena pedir para dividir por dois, depois da lauta refeição que os pratos nos proporcionam. Estando no Verão, quem quiser uma opção mais fresca pode sempre pedir a “taça Dinamarca”, uma taça de gelado com chocolate derretido por cima.

A carta de vinhos não é muito ampla mas dá para as necessidades. Optou-se por um Evel tinto, que estava um pouco acima da temperatura ideal e se pediu para arrefecer, mas com a distracção da conversa acabou por arrefecer demais, pelo que deixamos a sua apreciação para outra altura.

O ambiente é acolhedor, quase familiar, pois a sala não é muito grande: cerca de 40 lugares. À entrada há um pequeno balcão que serve como bar, para quem se quiser entreter enquanto espera por mesa. Mas no pino do Verão é obrigatório reservar, sob pena de só conseguir mesa lá para as 10 da noite...

Para mim continua a ser visita quase obrigatória, mesmo que seja anual. Por aquele tornedó e aquele entrecôte vale a pena lá ir.

Kroniketas, enófilo e gastrónomo veraneante

Restaurante: O Galeão
Rua da Laranjeira, 1
8600-697 Lagos
Tel: 282.763.909
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5


Nota: actualização de Agosto de 2016
Este restaurante mudou de gerência, sendo agora um espaço de comida italiana. Ao fim de mais de 30 anos a frequentá-lo, o "velho" Galeão acabou.

domingo, 17 de setembro de 2006

Feira de vinhos do Continente

Tal como se previa, a feira do Carrefour acaba antes de algumas começarem. A do Continente e Modelo vai decorrer de 25 de Setembro a 15 de Outubro.

Kroniketas, enófilo atento

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Feiras de vinhos a começar

Agora que as feiras de vinhos se aproximam, as Krónikas Viníkolas estão em campo para pesquisar vinhos e preços, compará-los e sugerir algumas escolhas. Fiquem atentos nas próximas semanas.

Para já, começou a feira do Carrefour, que vai de 13 a 24 de Setembro. Tal como é habitual nos últimos anos, a selecção não é muito variada, não traz nada que não se encontre noutro lado e, além disso, tem a desvantagem suplementar de normalmente ser mais cara do que todas as outras, o que quem comprar lá só perceberá quando as outras começarem. Como essas normalmente começam quando esta acaba, se comprarmos ali já, depois não há grandes hipóteses de comprar mais barato. Aliás, a estratégia deve ser mesmo essa: começar antes dos outros para levar as pessoas a comprar onde aparece primeiro. Mas só se cai uma vez...

Por isso, fica o aviso aos incautos: a não ser que não se queiram mesmo maçar a deslocar a outros lados ou não possam esperar 2 ou 3 semanas, não comprem vinhos no Carrefour sem antes saber se há noutro local. Há muito boas probabilidades (digamos 9 em 10) de que o venham a encontrar mais barato.

Kroniketas, enófilo atento