terça-feira, 31 de janeiro de 2006

No meu copo 15 - Roquevale, Aragonês 1999



Neste périplo por terras alentejanas que temos apresentado nas últimas semanas, continuamos no distrito de Évora, onde já tínhamos passado por Borba, Estremoz e (várias vezes) Reguengos, e fechamos o circuito chegando agora ao Redondo, a vila natal de Vitorino, para experimentar um produto da empresa Roquevale. Conhecida também por alguns vinhos da gama média-baixa, como o Tinto da Talha e o Terras de Xisto, a Roquevale tem alguns produtos de excelente qualidade sob o nome da própria casa. É uma empresa familiar gerida pelo pai e pela filha Roque do Vale.

Este varietal de 1999 feito com a casta Aragonês não me convenceu. Já o tinha bebido há alguns anos e não tinha memória dele, por isso a repetição. Esta acabou por confirmar o porquê da falta de memória: é que o vinho não nos deixa nenhuma memória! Não faz jus ao nome da casta na região, revelando um aroma discreto e sabor pouco entusiasmante.

Posto isto, acho que não vale a pena voltar a insistir. Não vale o preço que custa. Havemos de visitar outras apostas mais bem conseguidas pela Roquevale.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Roquevale, Aragonês 1999 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 5

domingo, 29 de janeiro de 2006

No meu copo 14 - Borba Reserva (Rótulo de cortiça) 2001

No panorama vinícola alentejano, quando se fala dos grandes vinhos alguns nomes saltam logo para o primeiro plano. Em Reguengos há a Herdade do Esporão, na Vidigueira há a Sogrape, em Évora a Herdade da Cartuxa, em Estremoz há João Portugal Ramos, isto para citar alguns dos exemplos mais conhecidos. Os especialistas dão habitualmente grande destaque aos vinhos de Portalegre.

Perante estes nomes dominadores, muitos outros ficam esquecidos. Em Borba, por exemplo, também há um excelente vinho da Adega Cooperativa. Embora os vinhos de Borba apareçam quase sempre posicionados na gama média-baixa, a Adega Cooperativa de Borba também tem o seu topo de gama, para além de alguns monovarietais e bivarietais: o Reserva com Rótulo de Cortiça.

Este também faz parte das nossas escolhas e já há algum tempo que não tinha oportunidade de bebê-lo. Experimentei-o com uma picanha e uma maminha na pedra e acompanhou na perfeição. Tem um aroma profundo, é encorpado quanto baste e tem aquele aveludado que torna os vinhos alentejanos “gulosos” e fáceis de beber. É feito a partir de duas castas tradicionais da região, Aragonês e Trincadeira, mais duas estrangeiras, a conhecidíssima Cabernet Sauvignon e a Alicante Bouschet, que tem vindo a ganhar espaço nos vinhos alentejanos. O resultado é excelente e traz-nos um vinho que, não sendo demasiado dispendioso, faz uma excelente figura se quisermos apresentar um produto de qualidade acima da média. Em suma, uma aposta segura e claramente ganha.

Pela estrutura que apresenta e pelo grau alcoólico (13%) pode ser um vinho para, segundo a informação do produtor, aguentar alguns anos na garrafa (falam em 10), mas no que respeita aos vinhos alentejanos é sempre melhor desconfiar e não os guardar por muito tempo, pois às vezes tem-se umas surpresas desagradáveis. Este 2001 estava perfeitamente pronto para beber.

Por último refiro que esta informação relativa às castas utilizadas, que aparece frequentemente nos vinhos alentejanos, devia ser obrigatória no contra-rótulo, pois escrever que foram utilizadas “as castas tradicionais da região”, como acontece com a maioria dos vinhos do Douro, não quer dizer rigorosamente nada. As castas tradicionais são variadíssimas e podem ter sido usadas duas, três, quatro, e essa informação não fica completa só pelo facto de se pôr lá que foram usadas as castas tradicionais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borba Reserva (Rótulo de cortiça) 2001 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,69 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Na minha cozinha 13 - Cataplana de Robalo e Gambas

Ora aqui estamos para, qual Maria de Lurdes Modesto, vos deixar a babar com uma receita simples que qualquer pessoa pode fazer e é deliciosa!

Vamos fazer uma simples cataplana de robalo com gambas, para ser apreciada com um branquinho de truz ou um singelo rosé (tá bem, também pode ser um tinto jovem e frutado, mas aqui concordo com o Kroniketas – o branco está nas suas sete quintas!).

São necessários um ou dois robalos médios, de acordo com a quantidade de mandíbulas presentes, e cerca de quilo e meio de gamba graúda (20/40). O resto não é acessório – os acompanhantes vegetais é que moldam o carácter do prato. Anotem lá: batatas às rodelas grossas (tipo caldeirada), pimento verde e vermelho às tiras, cebola às rodelas, tomate aos pedaços, alho cortadinho (não picado).

Se não têm, vão comprar uma cataplana de cobre, vertam azeite no fundo e façam-no circular pelo hemisfério todo. Arrumem os vegetais em alegre balbúrdia e vão cobrindo as camadas com um pouco de colorau para dar cor e sabor. Disponham as postas do peixe no topo e distribuam também aí as gambas cozidas previamente e descascadas. É bom reservar umas 6 ou 7 para serem incluídas cruas e darem ainda mais sabor à cataplana. Convém despejar sobre esta amálgama um copo da água de cozedura das gambas, depois de coada. Junte mais um pouco de azeite e um raminho de salsa fresca e não se esqueça do sal e de um pouco de pimenta ou piri-piri!

Não seja bruto nas quantidades senão não vai conseguir fechar a cataplana! Se tem muita gente a babar-se na sala de jantar use duas cataplanas, não tente meter o Rossio na Rua da Betesga!

As duas hemisferas devem cozinhar o conteúdo (em lume não muito forte) em cerca de 30 a 40 minutos. Depois é só levar para a mesa, abrir a cataplana e tentar não se alambazar com o conteúdo! Acompanhe com um branco ou rosé sem estarem demasiado frescos.

tuguinho, gastrónomo da corda

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

No meu copo 12 - CARMIM, Bastardo e Cabernet Sauvignon 2000

Na região de Reguengos de Monsaraz são produzidos alguns dos melhores vinhos não só do Alentejo, mas de Portugal (na opinião das Krónikas Viníkolas, obviamente). À semelhança da vizinha Herdade do Esporão (sempre uma referência incontornável nas nossas escolhas), a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz também produz alguns vinhos de grande nível, quer para a região quer para o país, abrangendo também uma gama alargada de produtos que vão desde a gama baixa até ao topo (e já agora, sem os preços obscenos praticados noutras zonas), começando no Terras d’El-Rei e no Reguengos para os produtos de combate, seguindo-se o Monsaraz já no ponto intermédio, depois o Reguengos Reserva, os varietais e o Garrafeira dos Sócios lá em cima.

Seguindo uma prática muito em voga desde há alguns anos, também a CARMIM (sigla adoptada pela cooperativa porque, estranhamente, deixou que alguém registasse antes a sigla CARM) enveredou pela produção de vinhos varietais. No passado fim-de-semana tive oportunidade de degustar e saborear (e poucas vezes o termo será tão adequado) dois destes tintos: o Bastardo 2000 e o Cabernet Sauvignon 2000. Foram convidados para acompanhar uma feijoada de lebre e, posso garantir-vos, bateram-se galhardamente.

Começámos pelo Cabernet Sauvignon, casta francesa com berço na região de Bordéus que encontrou em Portugal (e no Alentejo em particular) um meio excelente para a sua implantação, devido à elevada maturação conseguida, que permite amaciá-la. Devo confessar que sou fã dos vinhos desta casta, seja em que região for. Tem um aroma frutado que muito me agrada (deve ser aquilo a que os especialistas chamam “frutos maduros” ou “frutos vermelhos”) combinado com um toque a especiarias e uma força de taninos que lhe conferem grande pujança e longevidade. Daqui resulta que tenho bebido vinhos de Cabernet com características muito diferenciadas, que vão desde os muito macios aos extremamente adstringentes.

Este Cabernet de 2000 mostrou bem a sua faceta mais exuberante, com corpo cheio, aroma intenso, uma combinação equilibrada entre a fruta e as especiarias, final de boca prolongado e taninos ainda bem presentes, alguma complexidade dada pela madeira no ponto certo. Merecia ter sido decantado meia-hora antes de se beber, até para libertar os seus 14% de álcool, mas infelizmente não houve tempo. Mas mostrou que estava ali para durar mais uns anos na garrafa.

Já o Bastardo de 2000, também conhecido como Tinta Caiada e igualmente com 14% de álcool, mostrou um carácter mais suave embora também tenha revelado um corpo e uma estrutura assinaláveis e aguentou valorosamente o ligeiro picante do prato. Tanto um como outro justificaram amplamente a sua presença entre os nossos eleitos.

Por último, importa destacar que os varietais da CARMIM já estiveram no mercado a preços exorbitantes (em 2001 cheguei a comprá-los a 2200$), mas passada a euforia especulativa, e quando os produtores começaram a pôr os pés na terra, estes vinhos desceram para um patamar normal e actualmente já se conseguem comprar abaixo dos 5 euros. Infelizmente nos últimos anos não tenho visto estas duas variedades à venda, mas tem havido umas caixas com uma garrafa de Aragonês e uma de Trincadeira (as outras duas castas produzidas) que costumam estar à venda pelo Natal por pouco mais de 6 €. Mas estes dois monocastas ficam reservados para uma próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Bastardo
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

No meu copo 11 - Conde de Vimioso rosé 2004

Experimentei este vinho com um prato massa com carne picada, do tipo italiano, e com bacalhau à Zé do Pipo. Gostei mais com o bacalhau. Trata-se dum vinho rosé com algum corpo e um grau alcoólico acentuado (13,5%), o que o torna apropriado para pratos um pouco mais pesados do que é habitual nos vinhos rosé, como no caso do famoso Mateus.

Este Conde de Vimioso é um vinho regional ribatejano, produzido por Falua, a empresa de João Portugal Ramos (de cujos vinhos já falámos noutro post) em Almeirim, feito a partir de três castas tintas famosas: Tinta Roriz, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon.

São excelentes castas para fazer tintos, mas neste caso parece-me que usá-las para fazer este rosé é um pouco de desperdício. Pessoalmente gosto (talvez por hábito) de vinhos rosé mais leves e suaves. Não sou daqueles que acham que rosé não é vinho, mas dada a sua especificidade acho que é um tipo de vinho mais adequado a entradas, massas ou comida chinesa.

Para quem gostar deste tipo de rosé pode ser uma compra interessante, mas prefiro outros dentro do género.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso 2004 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 4,50 €
Nota (0 a 10): 5

domingo, 15 de janeiro de 2006

Vinhos de Portugal 2006



Hoje à hora de almoço passou na RTP N o programa “Livro aberto”, de Francisco José Viegas, com o convidado João Paulo Martins, autor do livro “Vinhos de Portugal 2006”.

João Paulo Martins, redactor da Revista de Vinhos, é um licenciado em História que se dedicou ao vinho e à gastronomia, possuindo um espaço de degustação de vinhos (com petiscos para acompanhar) chamado “Chafariz do vinho - Enoteca”, construído no antigo chafariz da Mãe d’Água, perto do Príncipe Real, em Lisboa.

Ouvir João Paulo Martins falar de vinhos é um prazer, porque ele fala com prazer. O seu guia de vinhos, já com mais de 10 anos de edições, é um ponto de referência fundamental para quem pretende ter uma orientação nas suas compras de vinhos, porque é feito a pensar no consumidor (mais do que nos gostos do próprio autor), levando em conta a relação entre preço e qualidade.

Esta presença no programa de Francisco José Viegas já é tradicional (começou ainda na RTP 2), e é sempre complementada com uma garrafa aberta em estúdio para aguçar os apetites, tendo no apresentador um interlocutor interessado e participativo. Desta vez apanhei o programa por acaso, mas consultando a programação verifiquei que o programa vai passar novamente na RTP N à 1:30 da manhã deste domingo. Se tiver sorte, o programa será o mesmo e poderei então vê-lo do princípio ao fim. Para quem estiver interessado no assunto, é um programa a não perder, ou a gravar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Livro: Vinhos de Portugal 2006
Autor: João Paulo Martins
Editora: Dom Quixote
Preço Fnac: 14,94 €

Espaço: Chafariz do Vinho - Enoteca
Chafariz da Mãe d'Água
Rua da Mãe d'Água à Praça da Alegria - Lisboa
Tel: 21.342.20.79

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

No meu copo 10 - Quinta da Terrugem 97; Herdade Grande 02; Esporão Aragonês 02; Alentejo Sogrape Reserva 00; Murganheira Reserva Bruto 02; Porto Real Companhia Velha Vintage 01



Fomos atraídos por duas lebres, quais cães de caça em serviço. A diferença foi que neste caso as lebres já tinham entregue a alma ao criador e esperavam por nós dentro da panela, na casa do anfitrião, o famigerado Kroniketas.

Isto que vos vou contar foi no passado sábado, ao jantar, e tratou-se de uma reunião plenária do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, acrescentados das consortes e respectiva filiação. Ao todo onze crescidos, que são os que nos interessam para o caso, porque as criancinhas não degustaram os vinhos que acompanharam as lebres ao seu local de descanso final, os estômagos dos convivas.

Os lagomorfos (a terminação “morfos” não tem nada a ver com comida) estavam devidamente separados em pedaços em jeito de ensopado, com batata cozida e molho espesso, de que não guardo o segredo – só comi, não cozinhei! Também compareceram, para abrilhantar a festa, três perdizes perdidas escondidas no meio de lombarda e assaz (não assadas) apetitosas.

Os vinhos provieram dessa afamada adega que é a vasta garrafeira do Kroniketas (se bem que a do tuguinho não lhe fique atrás), reforçada com umas ofertas de peso. Depois das cervejolas da praxe e das entradas, iniciou-se o repasto propriamente dito com um Quatro Regiões 97 da Sogrape. A apreciação do néctar foi díspar, e portanto resolvemos não atribuir nota. Iremos abrir outra botelha proximamente e então diremos de nossa justiça. Os pormenores sobre este vinho peculiar serão escalpelizados nessa próxima nota de prova.

Continuámos com um Quinta da Terrugem 97, das Caves Aliança, que se mostrou um tanto delgado para o que se esperava dele. Boa cor, aroma razoável. Talvez seja já da idade, porventura demasiado avançada para um vinho alentejano.

A saga prolongou-se num Herdade Grande 2002, um Vidigueira produzido por António Manuel Lança, que nos surpreendeu pela positiva: excelente corpo, bom aroma e uma estrutura sólida com um fim de boca razoável provaram-nos mais uma vez que não é apenas o preço que distingue os vinhos.

Antes que nos chamem bêbedos, lembrem-se que eram onze pessoas, das quais sete beberam vinho tinto. É incrível como uma garrafa se esvazia depressa nestas circunstâncias!

O percurso etílico atravessou um Aragonês 2002 do Esporão, que cumpriu, como aliás é hábito. Um ligeiro aroma a mofo desvaneceu-se rapidamente no copo e deixou apreciar na sua plenitude este monocasta que é um valor seguro, com bom aroma característico da variedade, com evolução e uma cor espessa que teve tradução na boa estrutura e nos taninos.

Finalmente, fizemos uma paragem numa garrafa de Alentejo Sogrape Reserva 2000. E em boa hora o deixámos para o fim! Ao contrário do esperado, suplantou o Aragonês do Esporão e guindou-se ao posto de melhor vinho da noite. Uma estrutura espantosa para um vinho do Alentejo com cinco anos, uma cor retinta, aromas secundários e terciários para dar e vender. Acima das expectativas portanto, se bem que as iniciais já fossem boas.

Houve também um D.O.A. (Death On Arrival), um Vale Barqueiros 1998 que, pelo odor e pela cor quase de tijolo, serviria apenas para temperar qualquer coisa, não para beber.

Para aquela zona dos brindes e da sobremesa, começámos com um espumante Murganheira Reserva Bruto 2002, de bolha fina e sabor elegante, que não causou estragos nos estômagos já quase repletos.

A sobremesa propriamente dita constou de bolo rançoso e de charlotte de chocolate – tudo coisas sem calorias e que não engordam de forma nenhuma. Para as acompanhar, além do dito espumante, um Porto Vintage 2001 da Real Companhia Velha – um vintage moderno, sem arestas, de cor carmim carregado e ainda com laivos de doce, que se portou muito bem –, e um whisky de malte Famous Grouse Single Malt de 12 anos, para os comensais que apreciam. Ainda vi por lá passar uma garrafa de aguardente bagaceira do I.V.V., com cerca de 13 anos de idade e bastante para contar sobre os cascos que a tornaram amarela.

E pronto. Depois de muita conversa animada que prolongou o plenário quase até às duas da manhã, cada um foi para sua casa com a sensação do dever cumprido. Sim, porque nós somos uns escravos do dever!

tuguinho, enófilo sóbrio e escravo do dever
Kroniketas, anfitrião famigerado


Vinho: Quinta da Terrugem 1997 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Aliança Vinhos
Preço em feira de vinhos: 17,5 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Herdade Grande 2002 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: António Manuel Lança
Preço em feira de vinhos: 9,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Aragonês (Esporão) 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Preço em feira de vinhos: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Murganheira Reserva espumante bruto 2002 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Preço em feira de vinhos: 8,75 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Porto Real Companhia Velha Vintage 2001
Região: Douro/Porto
Produtor: Real Companhia Velha
Preço em feira de vinhos: 17,5 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

No meu copo 9 - Cimarosa Reserva Privada, Chardonnay 2003

Uma oferta trouxe ao meu copo este vinho branco chileno, para mim desconhecido. Feito a partir da casta Chardonnay e fermentado em madeira, segundo a indicação do contra-rótulo, juntamente com os 13,5º de álcool, revelou-se apropriado para carnes brancas ou peixes no forno, pois revelou uma estrutura robusta (para o que é habitual nos vinhos brancos), com corpo cheio e um paladar intenso.

Os vinhos brancos fermentados em madeira ganham uma intensidade e uma adstringência na boca que os torna apropriados para pratos bem apaladados, batendo-se perfeitamente com alguns pratos de carne. Por outro lado, a casta Chardonnay dá aos vinhos um corpo e um aroma (às vezes enjoativo) que se sobrepõe a pratos muito delicados. Experimentei-o, por exemplo, com um prato de massa com carne do tipo italiano, e o sabor do vinho sobrepôs-se ao do prato.

Pessoalmente gosto mais dos brancos leves e abertos, mas para quem gosta deste género só é preciso acertar com o prato: peixe no forno, bacalhau, carnes grelhadas, poderão ser boas apostas para acompanhar este branco chileno.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cimarosa Reserva Privada, Chardonnay 2003 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Chaval, S. A. - Santiago
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6

No meu copo 8 - Cava Codorníu


Para finalizar a época festiva de 2005 falta apenas referir mais um espumante usado num repasto. Perante a vasta oferta que nesta época sempre aparece nos supermercados, há muito por onde escolher e neste caso, deixando de lado o champanhe francês (não pode ser todos os dias) optou-se pelo preço, uma caixa de 2 garrafas a 5,99 €. Tratava-se do espumante Codorníu, de origem espanhola, que ali recebe o nome de Cava.

É um espumante (bruto, naturalmente) que tem bastantes semelhanças com os melhores espumantes que se fazem por cá. Tomando sempre como referência o Murganheira, posso dizer que este Codorníu não envergonha. É leve, suave, com bolha fina, agradável para uma ocasião festiva como se pede a um espumante.

Para quem quiser fazer saltar a rolha mas saborear uma bebida agradável por bom preço entre os festejos, pode deixar de lado a rivalidade ibérica e comprar este espumante espanhol.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cava Codorníu espumante bruto - sem data de collheita (B)
Região: Penedès (Espanha)
Produtor: Codorníu S. A. - Barcelona
Grau alcoólico: 11,5%
Preço em hipermercado: 5,99 € (caixa de 2 garrafas)
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

No meu copo, na minha mesa 7 - Réveillon 2005-2006 (2ª parte)

Vinha da Defesa 2003


O vinho do jantar de fim de ano, cujo restaurante analisámos no post anterior, foi o Vinha da Defesa tinto de 2003, da Herdade do Esporão. Dentro da vasta gama de vinhos daquela herdade, o Vinha da Defesa situa-se num patamar intermédio de preço e qualidade, acima dos produtos de combate da gama média e média-baixa, como o Monte Velho (o campeão de vendas da empresa) e o Alandra, e abaixo dos de qualidade superior como os diversos varietais, o Esporão Reserva e aquele que, não sendo o topo de gama da casa, para mim é o melhor vinho da empresa e um dos melhores do país, merecedor quase de nota máxima: o Quatro Castas.

O Vinha da Defesa tinto, com 14 graus de álcool, revelou-se inicialmente algo agressivo, logo após a abertura. No entanto, à medida que a garrafa foi esvaziando e o vinho arejando, na garrafa e nos copos, a adstringência inicial foi-se esbatendo, os aromas foram-se libertando, revelando um ligeiro toque a especiarias em harmonia com um carácter frutado, tornando o conjunto bastante mais agradável. Aliás, é uma característica comum nos vinhos da Herdade do Esporão que não me canso de realçar: são tão bem feitos que, mesmo tendo um grau alcoólico normalmente acima dos 13º, não se nota quando se bebe, porque está bem envolvido pelo corpo, pelos aromas e pela acidez do vinho.

Para mim este Vinha da Defesa, não sendo extraordinário, não deslustra o nome da casa e pode ser um compromisso interessante para quem não quer gastar muito dinheiro mas pretende algo mais que um vinho para o dia-a-dia, como o inevitável Monte Velho, também ele uma referência nos vinhos da gama média. Como não é muito robusto é aconselhado para acompanhar pratos de carne requintados, não excessivamente temperados (de que o tornedó é um bom exemplo). O seu preço situa-se no mesmo patamar do Duas Quintas, já referido noutro post, embora o consideremos um pouco inferior a esse vinho do Douro.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Defesa 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão
Preço em feira de vinhos: 6,37 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: Este post foi escrito ao som do Danúbio Azul e da Marcha Radetzsky, de Johann Strauss, transmitidas pela RTP no concerto de ano novo da Orquestra Filarmónica de Viena. O que pode haver de mais sublime, para além do próprio vinho?

No meu copo, na minha mesa 7 - Réveillon 2005-2006 (1ª parte)

Restaurante Vinhos & Comidas (Praia da Rocha)


A pretexto do rally Lisboa-Dakar, o réveillon fez-se na Praia da Rocha, Portimão. Deu para ver alguns veículos estacionados e ainda ir fora de horas fotografar os que estavam no parque de viaturas.

Para um grupo de 22 pessoas marcou-se um restaurante sobranceiro à Praia da Rocha, onde se passa diariamente no Verão ao sair da praia. Visto de fora, o aspecto é bom.

Os problemas começam logo quando se está limitado no horário. Numa noite de fim de ano, foi-nos dito que o jantar podia ser das 20 às 22 horas, ou das 22 à meia-noite. Ficámos com o turno das 20 h, porque assim não tínhamos de estar à espera que outros saíssem. Mas logo com os pedidos as coisas começaram a complicar-se. Houve pedidos enganados, outros trocados, outros que não chegaram, o que quer dizer que às 21 ainda havia pessoas sem o prato na mesa.

Dado o nível de preços, com pratos entre 10 e 15 euros, esperava-se uma qualidade acima da média. Pedi um tornedó mal passado mas, como acontece sempre nestas ocasiões, tive azar com o que me veio parar à mesa, que de mal passado não tinha nada, perdendo toda a graça. Houve vários pedidos de lombinhos de porco que foram entregues com a indicação “lombinhos de porco com não-sei-quê”. Ou seja, os empregados nem sabiam o que estavam a trazer para a mesa.

Quando chegou às sobremesas, mais complicações: não havia quase nada do que foi pedido, o que quer dizer que, para um jantar de fim de ano, o restaurante não providenciou o número de sobremesas suficientes para o número de pessoas que lá queria meter. Finalmente, para alguns beberem café, tiveram que pegar no pedido e ir para junto do balcão buscar os cafés. Enquanto isto, um grupo enorme esperava na rua. Quando saímos do restaurante já passava das 11 e um quarto. Mais interessante ainda, o grupo que esperava tinha sido enviado para ali de outro restaurante do mesmo dono!

Não sei como será o restaurante num dia normal, mas a lição que se tira daqui é sempre a mesma no que ao turismo diz respeito : o turismo à portuguesa é feito por amadores, que não percebem nada do que andam a fazer. No Algarve, no Verão, é trágico: não se consegue comer bem, a horas decentes e com bom serviço quase em lado nenhum. Já cheguei a esperar mais de 2 horas por um jantar no mês de Agosto.

Estes “profissionais” da restauração querem ter muito lucro com pouco investimento. No restaurante onde jantámos estariam cerca de 80 clientes para... 3 empregados a servir à mesa. Como é que se pode prestar um serviço de qualidade nestas condições? E depois ainda querem servir dois turnos de jantares? Baralhando os pedidos, deixando acabar as sobremesas? No Verão a desculpa é a mesma: “temos a casa cheia e temos pouco pessoal”. Se querem ter uma casa cheia contratem pessoas; se não podem ter mais pessoas a trabalhar também não podem ter clientes. Nesse caso fechem o estaminé, porque quem não tem competência não se estabelece.

Para mim a desculpa do turismo sazonal não pega, porque ao abrirem um restaurante no Algarve já sabem o que vão encontrar, portanto têm de criar condições para servir esse turismo que lhes enche os bolsos nos meses de Verão. Do resto não tem o cliente culpa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Vinhos & Comidas
Avenida Tomás Cabreira - Edifício Varandas do Sol
Praia da Rocha - Portimão
Nota (0 a 5): 2,5

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

No meu copo 6 - Os varietais de João Portugal Ramos

João Portugal Ramos é um nome que nos últimos anos se tornou uma referência no panorama vinícola nacional, e no Alentejo em particular. Começando por ser enólogo de várias empresas, acabou por criar em Estremoz a sua própria produção donde saem actualmente alguns dos melhores vinhos alentejanos, e mesmo do país. À semelhança do que acontece com alguns dos grandes nomes que nas Krónikas Viníkolas consideramos garantias de qualidade (como a Sogrape, a Ramos Pinto e a Herdade do Esporão), alguns vinhos de João Portugal Ramos também já entram nesse lote, como é o caso do Marquês de Borba.

Na época festiva que agora terminou, houve aniversário comemorado com um jantar de fondue e bife na pedra. Para acompanhar as carnes foram escolhidos os 4 vinhos varietais (ou monocasta, como preferirem) de João Portugal Ramos: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada e Syrah. Sendo alentejanos, o seu carácter encorpado e elevado grau alcoólico (entre 14 e 14,5º) garantiam, à partida, pujança suficiente para suportar os fritos e grelhados, bem como os molhos de acompanhamento.

E o que se pode dizer de quatro vinhos provados de seguida? Não defraudaram as expectativas dos comensais, embora se possam estabelecer algumas diferenças significativas entre eles. Todas as garrafas foram abertas com alguma antecedência, de forma a permitir aos vinhos arejar um pouco antes de serem bebidos.

No meu caso, o que mais me agradou foi o Trincadeira (de 2002), o mais bem estruturado e mais pujante na prova, com um toque de especiarias que lhe confere uma vivacidade muito interessante e presença de madeira quanto baste para não se tornar excessiva. Parece estar ainda apto a durar algum tempo na garrafa, embora com os vinhos alentejanos não se deva exagerar no tempo de guarda (2 ou 3 anos depois da compra já é bom).

Logo a seguir o Aragonês (de 2001), que segue a linha do seu parceiro, embora estivesse um pouco mais macio, talvez por já estar aberto há mais tempo.

O Tinta Caiada (de 2001) foi o primeiro a ser bebido, tendo-se mostrado bastante suave e já pronto para ser bebido, não me parecendo estar vocacionado para guardar muito mais tempo.

Finalmente o Syrah (de 2001), o último a ser bebido, que me causou uma sensação que já anteriormente tinha sentido com uma garrafa da mesma casta proveniente da Herdade do Esporão: achei-o muito delgado de corpo, com final curto e parco de aroma. Não sei se o Syrah se dá mal com outras provas e tem que ser apreciado isoladamente, ou se é a casta que perde força no Alentejo, porque na Estremadura, por exemplo, encontram-se vinhos bastante adstringentes e até difíceis de beber, num contraste absoluto com o que agora encontramos nestas variedades alentejanas. Por tudo isto, o Syrah foi o que menos agradou e, embora não se possa considerar um mau vinho, para a mesma gama de preços fica a perder para os seus irmãos das outras variedades.

Em resumo, fazendo jus à tradição alentejana, as castas habituais Aragonês e Trincadeira parecem continuar a dar cartas e marcar a sua importância na feitura dos vinhos da região. Tanto se portam bem sozinhas como acompanhadas, não sendo por acaso que quase todos os vinhos alentejanos denotam a presença de, pelo menos, uma delas. Estes monocasta são ideais para acompanhar pratos de carne bem temperados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos

Vinho: João Portugal Ramos, Aragonês 2001 (T)
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Portugal Ramos, Trincadeira 2002 (T)
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: João Portugal Ramos, Tinta Caiada 2001 (T)
Casta: Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vinho: João Portugal Ramos, Syrah 2001 (T)
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 11,22 €
Nota (0 a 10): 6

Na minha mesa 5 - Vasku’s Grill (Lisboa)

Este restaurante, sito na Rua Passos Manuel, ali ao Jardim Constantino, é um nosso velho conhecido, sendo dos nossos poisos preferidos de há alguns anos a esta parte.

Apesar de ter perdido uma das coisas que o tornava atraente – uns magníficos profiteroles que já não fazem parte da ementa – continua a ser um porto seguro para quem quiser comer (quais “degustar”, é “comer” mesmo, “degustar” cheira-me a passarinho a debicar!) boa carne. As ofertas centram-se no fondue (de lombo e de vazia – dos melhores em Lisboa) e nos grelhados, com boa variedade – quem quiser apreciar peixe não é aqui que deve vir.

Ora bem, mas vamos lá ao que interessa. Esta não foi uma sortida do nosso grupinho, mas também não foi um acto solitário. E mais não é preciso dizer...

Optámos por lombinhos grelhados, o meu só com alho, o outro com molho de queijo. Carne de excelente qualidade, quantidade acertada (se o leitor não for um alarve, está claro), no ponto certo, acompanhada das tradicionais batatas fritas. Foi deglutida com um Duas Quintas 2003, que me dispenso de apreciar porque isso já foi feito num post anterior.

O prato principal foi precedido por uma caipirinha competente, sustentada por ovos verdes e croquetes de carne de boa qualidade. Terminou-se o repasto com uma mousse de maracujá que não fez má figura no conjunto da refeição.

O espaço para os devotos da mastigação comporta umas 30 e tal pessoas, é confortável (um tudo nada quente demais, o que nos levaria a outra história passada no mesmo restaurante e relacionada com uma garrafa de vinho, mas fica para outra vez) e o ambiente é in (para quem se importar com essas coisas), com música ambiente que não chega a ser intrusiva. Convém mesmo marcar, porque senão é provável que fique a salivar à porta.

Concluindo, sempre que aqui vim nunca fui mal servido. A carne continua a ser de excelente qualidade e o preço, não sendo barato, não é exorbitante.

A outra pessoa também não se queixou.

tuguinho, enófilo esforçado

Restaurante: Vasku’s Grill
Rua Passos Manuel, 30
(que parte do Jardim Constantino e acaba no Largo de Santa Bárbara)
1150-260 Lisboa
Tel.: 21.352.22.93
Nota (0 a 5): 4

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

No meu copo 4 - Champanhe: Veuve Clicquot e Moët & Chandon

Para o jantar de Natal usou-se champanhe. Estou a falar do francês, o verdadeiro, e não do espumante a que muitos erradamente chamam também champanhe, que na realidade não o é. O nome champanhe só pode ser usado para os vinhos produzidos na região francesa com esse nome, Champagne, situada próximo de Reims, a nordeste de Paris. Em Portugal produzem-se alguns bons espumantes, que não envergonham, mas... champanhe é champanhe. E é desse que vos quero falar agora.

Devo dizer que quando provei espumante pela primeira vez (e nas vezes seguintes) não gostei nada e não percebia como é que as pessoas podiam gostar tanto daquilo. Mais tarde, quando provei champanhe francês, percebi a diferença. E ainda mais tarde, quando me tornei apreciador de vinhos, percebi uma outra diferença: é que o espumante que toda a gente bebia, um tal Raposeira, é um dos piores que se produz em Portugal. Quando provamos o Murganheira, o Vértice, o Danúbio, ou o Aliança Particular Bruto Zero, só para citar estes exemplos, percebemos porque é que o Raposeira não serve de exemplo para nada.

Pior exemplo ainda é o dos espumantes italianos que há por aí em festas, que são normalmente doces e até usam rolhas de plástico. O seu carácter doce só lhes permite servir (e mal) para acompanhar sobremesas, e qualquer semelhança com o produto verdadeiro será mera coincidência. Os Asti, Moscato e “tutti quanti” não passam, para mim, duma espécie de Seven-Up com álcool. Champanhe ou espumante a sério deve ser bruto, que é o que não tem adição de açúcar.

Voltando ao motivo deste post, os dois champanhes saboreados no Natal familiar são dois néctares de eleição. Para além de não serem excessivamente gasosos (não estamos a beber uma gasosa), têm bolha muito fina, paladar elegante e aromático, frescura e elegância. São, por isso, expoentes máximos da categoria e, para quem gosta do género, podem perfeitamente ser bebidos com qualquer refeição. Aliás, o seu uso é tão vasto que podem acompanhar uma refeição do princípio ao fim, do aperitivo à sobremesa.

O Veuve Clicquot é talvez um pouco mais aromático e encorpado, enquanto o Moët & Chandon (este é da mesma casa que produz o Don Pérignon, porventura o melhor champanhe do mundo que deve o seu nome ao frade criador desta bebida) é mais leve e mais aberto, embora seja difícil dar preferência a um deles. Curiosamente, são produzidos a partir das mesmas castas: Chardonnay, Pinot Noir (duas castas também cultivadas em Portugal, sendo esta última de uvas tintas) e Pinot Meunier.

Dado o seu elevado preço, são bebidas para serem consumidas em ocasiões festivas (a não ser que se tenha muito dinheiro para gastar) e, principalmente, por quem realmente aprecie aquilo que está a beber. Não se gasta dinheiro numa bebida destas só por exibicionismo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Champagne (França)

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Produtor: Veuve Clicquot Ponsardin - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Preço em hipermercado: cerca de 35 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Moët & Chandon Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Champagne Moët & Chandon - Épernay
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Preço em hipermercado: cerca de 35 €
Nota (0 a 10): 9