quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

No meu copo 585 - Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014

Ainda na Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com um monocasta.

Este Alicante Bouschet apresenta uns quase impensáveis 15,5% de álcool, mostrando-se com uma cor carregada quase opaca. Tenho alguma dificuldade em descrevê-lo, pois nenhuma característica particular sobressai do conjunto, a não ser corpo e estrutura.

Quanto ao resto... talvez precise de tempo em garrafa, ou de arejamento num decanter. Nada aqui dá especial realce às características do Alicante Bouschet: já sabemos que é uma casta tintureira, daí a sua cor fechada, mas em termos de aroma e persistência fiquei algo baralhado.

O contra-rótulo diz que tem “aroma a fruta preta com notas de cacau e algum fumado, na boca é muito encorpado, cheio e fresco com taninos bem maduros, final longo e muito persistente”.

Seja...

Kroniketas, enófilo confuso

Vinho: Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito
Grau alcoólico: 15,5%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 € (3,99 € em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 18 de fevereiro de 2017

No meu copo 584 - Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade): tinto 2015; branco 2015

Nova ronda pela Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com a marca Premium.

O branco, produzido com um lote das castas clássicas, apresenta uma cor palha clara, aroma com predominância a frutos tropicais, algum cítrico e notas minerais. Na boca é medianamente encorpado e estruturado, com persistência média.

O tinto apresenta-se encorpado, estruturado e persistente, com algumas notas vegetais no aroma e predominância a frutos vermelhos, não muito intenso mas agradável.

Em suma, dois vinhos médios, que agradam com facilidade sem encantar.

Mas atenção: o preço base indicado é excessivo para a qualidade dos vinhos. Estas promoções, como sabemos, são muitas vezes enganadoras, e neste caso um desconto de 6 € por garrafa não se percebe donde vem. Mas o preço em promoção é mais adequado do que o preço de partida. Será mais um daqueles casos de preço inflacionado, com uma pseudo-promoção que o baixou para o seu valor real?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

No meu copo 583 - Vila dos Gamas (Ato II - A Partida): Master Collection 2014; Antão Vaz 2015

Vidigueira.

Concelho a norte do distrito de Beja, sensivelmente a 2/3 de distância do litoral e 1/3 da fronteira espanhola (em longitude), na transição entre o Baixo e o Alto Alentejo, com o qual confina (em latitude).

Região vitivinícola mais a sul no Alentejo com direito a produção de vinhos com Denominação de Origem Alentejo, abrangendo os concelhos de Alvito, Cuba e Vidigueira, com orientação geográfica transversal, de oeste para leste.

Daqui se diz que é um local de eleição para a produção de vinhos brancos com uma frescura muito particular em relação a outras zonas do Alentejo, devido à influência da serra do Mendro, que marca precisamente a fronteira entre os distritos de Beja e Évora. Segundo o site Vinhos do Alentejo, “as escarpas de orientação este-oeste, com cerca de 50 km de comprimento, condicionam o clima da Vidigueira, convertendo-a, apesar da localização tão a sul, numa das sub-regiões com o clima mais temperado do Alentejo”.

Daqui se diz também que é o berço do Antão Vaz, casta branca que aqui encontra o terroir ideal para se expressar.

Por alguns destes factores, ou por todos eles, nas duas últimas décadas a região viu chegar um conjunto de produtores de renome, ou que aqui construíram o seu próprio nome e o deram a conhecer ao mundo vínico. Empresas como a Sogrape – o maior produtor nacional – que do Douro, Dão e Bairrada se expandiu para sul com a Herdade do Peso, próxima de Pedrógão, Cortes de Cima, Paulo Laureano, António Lança com a Herdade Grande, Herdade do Rocim, Herdade do Sobroso, vieram juntar-se à Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que entretanto quase desapareceu do mapa. Lembro-me do Vila dos Gamas e dum quase intragável Navegante...

Desde há alguns anos começaram a surgir nas prateleiras novas referências desta adega, com um sucessivo aumento das marcas disponíveis, o que me levou a adquirir algumas referências para ir experimentando o que há.

Nesta nova etapa, cada marca está associada a um acto, cujo significado não consegui apurar no site da empresa, mas que será mencionado na ficha do vinho.

Já tive oportunidade de provar o Grande Escolha branco e tinto (Ato V: A Decisão); agora coube a vez ao tinto Master Collection e ao branco Antão Vaz (Ato II: a Partida).

O tinto Master Collection apresenta aroma algo discreto a frutos compotados. Na boca é fresco com alguma complexidade, corpo e estrutura medianos e final suave e não muito longo.

Quanto ao branco de Antão Vaz, apresenta-se de cor citrina, aroma a fruta tropical e leves notas minerais. Na boca apresenta-se encorpado e untuoso, com estrutura média e final suave.

São dois vinhos interessantes, embora longe de encantar. Outros se seguirão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vila dos Gamas Master Collection (Ato II - A Partida) 2014 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 € (2,49 € em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vila dos Gamas, Antão Vaz (Ato II - A Partida) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em hipermercado: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No meu copo, na minha mesa 582 - Monte Mayor Reserva tinto 2014; Restaurante A Escola (Cachopos - Alcácer do Sal)



O restaurante A Escola, localizado na estrada que liga Alcácer do Sal à Comporta, é um caso notável de sucesso que se poderia considerar improvável. Não fica num local de passagem, não fica muito perto de nenhum grande centro urbano, só tem campo à volta. Tem de se ir lá de propósito. E as pessoas vão.

Esta foi a terceira tentativa para nos sentarmos à mesa deste restaurante. As duas passagens anteriores encontraram uma sala a abarrotar e muita gente à espera. Desta vez, aproveitando um fim-de-semana de Inverno, marquei mesa com 24 horas de antecedência, e mesmo assim a sala estava cheia quando lá cheguei.

Segundo rezam as crónicas, este antigo edifício de uma escola primária foi colocado à venda e alguém teve a visão de criar aqui um restaurante de gastronomia regional. E assim nasceu aquele que, hoje em dia, poderá ser considerado um dos ícones da gastronomia nacional.

A sala de refeições não é muito grande, portanto não espere chegar e sentar-se sem fazer reserva. O atendimento é excelente, simpático, sempre disponível e nunca pára. Os clientes são aconselhados nas escolhas, sendo que as tendências pendem, maioritariamente, para aqueles que parecem ser os pratos mais emblemáticos da casa: a empada de coelho bravo com arroz de pinhões – ou não estivéssemos junto a uma zona de pinhal – que é apresentada em forma de torta, e a perdiz na púcara. Este apresentou-se muito apaladada, embora talvez com excesso de caldo, que poderia ter apurado um pouco mais. A empada (terceira foto) também é excelente, muito bem temperada e substancial.

A garrafeira é vasta, predominando os vinhos do Alentejo e da Península de Setúbal. Existe um armário climatizado para tintos e outro para brancos, sendo que este tem duas temperaturas distintas.
Destacam-se os vinhos da Adega Mayor (que fornece, entre outros artigos, os aventais), estando disponível praticamente todo o portefólio da empresa. Tentei provar o Vitorino, que não havia. O Reserva do Comendador e o Pai Chão apresentavam-se demasiado caros para beber em restaurante, pelo que arrisquei no Monte Mayor Reserva, cuja prova anterior não tinha convencido.

Mesmo sem pedir, o vinho foi desde logo decantado, o que ajudou a amaciar a prova. A temperatura de serviço estava no ponto, o que se saúda, para o que o armário climatizado contribui de forma decisiva. Felizmente vai-se encontrando quem saiba tratar o vinho como este merece.

O Monte Mayor Reserva 2014 tem os mesmos 14,5% do 2013, que não tinha convencido, mas mostrou-se mais macio e apropriado para os pratos de caça, mais exigentes. Apresenta-se com uma cor rubi concentrada, aroma intenso e frutado com notas de frutos vermlhos, mas mais interessante no nariz que na boca. No paladar apresenta algum especiado mas ficou algo curto. Melhor que na prova anterior, embora sem deslumbrar.

Em resumo: uma excelente refeição num restaurante que é obrigatório conhecer. Vale a pena a deslocação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Escola
Estrada Nacional 253, Cachopos
7580-308 Alcácer do Sal
Tel: 265.612.816
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte Mayor Reserva 2014 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

No meu copo 581 - Beira Mar

Outro nome que anda meio desaparecido, embora se encontrasse com alguma facilidade na década de 90 do século XX. Os vinhos de Paulo da Silva, produzidos em Azenhas do Mar, na região de Colares, apareciam nos restaurantes de algum requinte. À semelhança de outros, passaram de época, foram esquecidos e tornaram-se raridades.

Agora já é mais fácil encontrá-los novamente, em restaurantes e garrafeiras. Este foi provado no restaurante Abano, perto da praia do Guincho, mesmo junto à serra de Sintra. Colares e Azenhas do Mar ficam logo ali do outro lado da serra.

Foi pedida uma garrafa deste vinho para acompanhar um coelho à caçador e um cabrito à padeiro, ambos deliciosos. O vinho portou-se excelentemente a acompanhar as carnes. Revelou-se encorpado e com alguma robustez, mas simultaneamente suave na boca, redondo e com final elegante e persistente. Um misto de características difíceis de encontrar. No nariz apresenta notas a frutos vermelhos maduros e alguns resquícios de aromas do bosque.

Bebe-se com agrado e facilidade, de tal forma que se comprou uma garrafa para levar para casa. Vale a pena revisitar estes vinhos, pois vão escasseando e são diferentes de tudo aquilo a que estamos habituados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Beira Mar
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço no restaurante: 8 €
Nota (0 a 10): 7.5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

No meu copo 580 - Gaeiras Colheita Seleccionada tinto 2010

Há cerca de duas décadas o vinho da Casa das Gaeiras, embora em pequenas quantidades, era visto por aí, como vinho emblemático da região de Óbidos, com particular destaque para o branco. Depois, à semelhança de outras marcas, desapareceu de circulação.

Nos anos mais recentes houve uma recuperação da produção de vinhos nalgumas sub-regiões da região de Lisboa, e o Gaeiras reapareceu. Ainda em pequenas quantidades mas vai aparecendo aqui e ali, sendo mais provável encontrá-lo nos supermercados do Corte Inglês.

Resolvi experimentar este tinto, em estreia absoluta, pois só ainda tinha provado o branco. Guardei-o algum tempo (foi adquirido em 2012) e agora com 6 anos após a colheita pareceu-me oportuno abri-lo.

Não sabendo como era o perfil do vinho (os brancos eram bastante suaves), surpreendeu-me pela pujança e concentração mostradas. De cor muito carregada, com alguma adstringência, estruturado e robusto na boca. Mostrou que podia estar mais uns anos em garrafa sem entrar em perda. Talvez precise de amaciar, mas isso só saberemos esperando mais tempo.

Não encantou nem desiludiu. Apenas deixou alguma curiosidade sobre qual será o verdadeiro estilo deste vinho, que se impõe redescobrir.

A rever numa próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Gaeiras Colheita Seleccionada 2010 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Tapada das Gaeiras, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 29 de janeiro de 2017

No meu copo 579 - Cabeça de Toiro: Reserva tinto 2012; Reserva branco 2015

Estes dois vinhos foram uma oferta da Enoport, no final dum workshop de culinária patrocinado pela empresa em parceria com a Vaqueiro.

A Enoport, como se sabe, “herdou” o portefólio das Caves Velhas, e mantém aquele nome histórico no rótulo de alguns dos vinhos que produz actualmente, nomeadamente os antigos Bucellas.

Este Cabeça de Toiro Reserva tinto é uma repetição, depois duma prova da colheita de 2008. Apresenta-se com uma boa estrutura, bom aroma frutado com predominância de frutos vermelhos, muito fresco e apelativo na boca e com final suave e persistente. Merece entrar nas nossas sugestões.

Já o Reserva branco mostrou-se suave mas com aroma discreto, final elegante e persistente mas algo discreto na prova de boca. Apresenta uma interessante combinação de castas onde predomina o Arinto, que lhe confere a necessária frescura, complementada com algum tropical e vegetal das congéneres francesas.

Não deixa de ser um vinho agradável mas não está ao nível do tinto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo
Produtor: Enoport - Produção de bebidas

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva 2012 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Castelão
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva 2015 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto (50%), Chardonnay, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,60 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

No meu copo 578 - Lagoalva rosé 2014

Já tinha provado este vinho há algum tempo, e já tinha tido oportunidade de prová-lo no restaurante Come Prima. Esta colheita de 2014 estava em stock há cerca de um ano, e a verdade é que o tempo de espera não lhe fez mal.

Feito com o mesmo lote do tinto aqui apresentado, mostrou uma cor salmão meio desmaiada, com aroma discreto a frutos vermelhos, paladar suave, boca elegante com alguma persistência e vivacidade.

É mais um bom exemplar dos vinhos do Tejo e dos bons rosés que ali se fazem, à semelhança de outros já estabelecidos como os da Quinta da Alorna e da Fiúza. A Quinta da Lagoalva também vai afirmando os seus créditos nos brancos, tintos e rosés, e é também uma marca de garantia.

Recomenda-se, não apenas para entradas mas para pratos com alguma substância. Foi provado com canelloni e com frango de fricassé e saiu-se muito bem da função em ambas as situações. É um rosé versátil.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lagoalva 2014 (R)
Região: Tejo (Alpiarça)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,15 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

No meu copo 577 - Marquesa de Alorna Reserva 2008

Voltamos a outro campeonato, o dos grandes vinhos. Este é um tinto de topo da Quinta da Alorna, que tem um vastíssimo leque de vinhos nas gamas de entrada, e média. Com este Marquesa de Alorna Reserva estamos a falar de outra coisa.

É um vinho estruturado, robusto, encorpado, muito longo e persistente. Com a idade que já apresenta, não prima pelos aromas primários, antes aromas secundários que só se manifestam no copo algum tempo depois. O aroma é profundo e intenso, com notas terrosas. O final apresenta um toque a especiarias e frutos muito maduros.

Precisa de respirar para se mostrar em plenitude. É caro mas vale aquilo que custa. Nunca o tinha provado e fiquei convencido. Muito bom.

Mais um para a lista dos bons vinhos do Tejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marquesa de Alorna Reserva 2008 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Castelão, Trincadeira
Preço: 18 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

No meu copo 576 - Casa da Ínsua tinto 2012

Um tinto típico do Dão: elegante, suave e macio.

Não sendo extraordinário nem nada de surpreendente, é contudo um vinho que se bebe com agrado e com facilidade, não deixando mal vistos os tintos da região. É um daqueles Dão mais à antiga, livre dos excessos de fruta, de extracção e de madeira. Mesmo os 14% de álcool estão bem integrados e não tornam o conjunto agressivo nem cansativo.

Apresenta-se de cor rubi, com notas de fruta madura e algum floral. Na boca é estruturado mas macio, com boa estrutura mas redondo, com final elegante e persistente.

Apresenta uma boa relação qualidade-preço, portanto é um produto que, sem deslumbrar, pode agradar a um leque alargado de consumidores. A não ser que queiram uma daquelas bombas que estavam na moda há 10 anos: se for esse o caso, podem esquecê-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Casa da Ínsua 2012 (T)
Região: Dão
Produtor: Empreendimentos Turísticos Montebelo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço: 7,20 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

No meu copo 575 - Deu La Deu, Alvarinho 2014

Este é um clássico dos vinhos verdes e em particular nos Alvarinhos: um Alvarinho barato, acessível e fácil de beber. Não está ao nível dos grandes Alvarinhos da região, como é óbvio, mas é uma belíssima opção para provar um Alvarinho pagando pouco.

Apresenta aromas citrinos e tropicais, é acídulo e fresco na prova de boca, com final vivo e persistente. Tem oscilações, com anos melhores e outros menos bons, mas mantém sempre um nível de qualidade consistente e bastante satisfatório.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Deu La Deu, Alvarinho 2014 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Adega Cooperativa Regional de Monção
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 8 de janeiro de 2017

No meu copo 574 - Domaine Félix branco 2014; Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015

Revisitamos dois produtores estrangeiros, que curiosamente também tínhamos visitado em conjunto na prova anterior: um francês, da Borgonha, e outro neozelandês, de Marlborough.

Começamos com este Domaine Félix 2014 da Borgonha, região onde são produzidos alguns dos melhores (ou talvez mesmo os melhores) brancos do mundo.

Não é um Sauvignon Blanc como este que já provámos da sub-região de Saint-Bris, mas um Chardonnay da sub-região de Chablis.

Comme d’habitude, revelou a elegância e a finesse que só estes brancos franceses apresentam. É medianamente encorpado, com fruta discreta e alguma mineralidade no nariz. Na boca é redondo, elegante, muito suave e macio. O final é envolvente, seco e com grande frescura.

Tal como o Sauvignon Blanc, não deixa de ser um belo vinho e, sobretudo, tem características irrepetíveis cá no burgo, portanto vale a pena conhecê-lo.

Quanto ao Villa Maria Sauvignon Blanc 2015, que já fez as nossas delícias noutras ocasiões, desta vez ficou aquém das expectativas, pois as características verdes do Sauvignon Blanc estavam marcadas em excesso, com demasiado aroma a pimentos verdes e sobrepor-se ao conjunto. Sabe-se que há determinados aromas típicos e mais marcantes em cada casta, mas tal como na comida com os temperos, quando há um sabor ou um aroma que se sobrepõe a tudo o resto o resultado não é famoso.

Foi o que aconteceu aqui, e foi pena. Talvez o vinho esteja demasiado novo e precise de amadurecer em garrafa, mas se não estivesse pronto não devia estar à venda. Se é uma questão de estilo, não gosto. Se foi uma colheita menos bem conseguida, resta esperar por uma próxima melhor.

Kroniketas, enófilo afrancesado

Vinho: Domaine Félix 2014 (B)
Região: Chablis - Borgonha (França)
Produtor: Hervé Félix – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 12,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015 (B)
Região: Marlborough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate – Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

No meu copo 573 - Montanha Real Grande Reserva Espumante Bruto 2009


Elegante, estruturado, persistente, com boa acidez e espuma suave. Aroma ligeiramente tropical com notas frutadas na boca. Final fresco e envolvente.

Um bom vinho para brindar a 2017.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Montanha Real Grande Reserva Espumante Bruto 2009 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves da Montanha
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto, Pinot Noir, Baga
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 31 de dezembro de 2016

No meu copo 572 - 2221 Terroir de Cantanhede 2011

 

Cantanhede, Bairrada.

2221:
2 castas.
2 enólogos.
2 produtores.
1 terroir.

É esta a génese deste vinho que foi apresentado há cerca de um ano, como resultado duma parceria entre a Adega Cooperativa de Cantanhede e as Caves São João, e premiado com a Escolha da Imprensa da Revista de Vinhos em 2015.

Juntaram-se os dois enólogos (respectivamente Osvaldo Amado e José Carvalheira) e seleccionaram duas castas: a Baga da Adega de Cantanhede e o Cabernet Sauvignon das Caves São João. A Baga foi obtida nas vinhas da Adega Cooperativa e o Cabernet Sauvignon foi obtido nas vinhas da Quinta do Poço do Lobo, propriedade das Caves São João que fica situada também no concelho de Cantanhede. E assim se obteve um único terroir, o Terroir de Cantanhede.

Perante a grandiosidade deste vinho, esqueçam as notas de prova, os aromas e os descritivos. A sua sumptuosidade é esmagadora, a sua estrutura preenche-nos, o seu bouquet profundo e intenso inebria-nos, a sua persistência deixa-nos boquiabertos.

Vale a pena abrir os cordões à bolsa para beber um grande vinho como este, que é uma homenagem aos grandes vinhos da Bairrada. Estão de parabéns estes dois grandes enólogos, que de ano para ano nos conseguem surpreender com estes néctares preciosos. Aqui fica a nossa singela homenagem a estes dois grandes senhores do vinho português: Osvaldo Amado e José Carvalheira. Bem-hajam e que nos possam brindar com outros vinhos de eleição.

Que melhor forma de terminar o ano do que com um grande vinho como este?

PS: Obrigatório decantar, meia-hora a uma hora antes de beber.

Kroniketas, enófilo em réveillon

Vinho: 2221 Terroir de Cantanhede 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede e Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga e Cabernet Sauvignon
Preço: 43 €
Nota (0 a 10): 9

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

No meu copo 571 - Follies, Alvarinho-Loureiro 2012; Aveleda Colheita Selecionada, Alvarinho 2014

Alguns anos depois, voltamos a um branco da Aveleda que esteve em destaque no portefólio da empresa, com a marca Follies. Um dos destaques da marca incidiu nos vinhos verdes, onde a empresa tem longa tradição. Houve várias combinações de castas, e há dois anos encontrei numa garrafeira de Algés umas garrafas deste exemplar.

Por questões de ordem legal o vinho não tem direito a denominação de origem verde, embora seja produzido na região, porque as vinhas não estão localizadas nas sub-regiões adequadas para as respectivas castas – uma questão um bocado pateta, mas que entretanto parece já ter sido resolvida.

A verdade é que todas as características dos vinhos verdes estão lá. A frescura e acidez do Loureiro, o tropical do Alvarinho. Elegante, com aroma intenso, frescura na boca, persistência e final longo e vivo.

Apesar de ter sido bebido já com quatro anos de idade, mostrou-se de perfeita saúde. Foi uma boa compra.

Já o novo monocasta Alvarinho cumpriu as expectativas. Boa relação qualidade-preço, com os aromas típicos da casta, onde se junta um toque cítrico e tropical com uma boa acidez que formam um conjunto com boa frescura e persistência.

São normalmente boas apostas, estes brancos da Aveleda.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Regional Minho
Produtor: Aveleda Vinhos

Vinho: Follies, Alvarinho-Loureiro 2012 (B)
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Alvarinho, Loureiro
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Aveleda Colheita Selecionada, Alvarinho 2014 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 24 de dezembro de 2016

No meu copo 570 - Coudel-Mor Reserva 2011

Tivemos aqui uma boa revelação da Adega Cooperativa do Cartaxo. Longe, felizmente, vão os tempos do carrascão.

Este lote algo estranho de cinco castas resultou num vinho encorpado, bem estruturado, robusto e persistente. Apresenta notas de frutos vermelhos maduros, final persistente e intenso. Boa acidez e vivacidade na prova de boca, mas com adstringência bem domada. Pelo preço que custou, mostrou-se uma boa aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Coudel-Mor Reserva 2011 (T)
Região: Tejo (Cartaxo)
Produtor: Adega Cooperativa do Cartaxo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Tinta Roriz, Syrah, Trincadeira
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (3ª parte)


(continuação)


Depois da visita à quinta passámos à sala de provas, onde foi efectuada uma apresentação sobre a nova estratégia de gestão, sobre as várias parcelas de vinha e dos tipos de vinhos a que se destinam.

Seguiu-se a parte de prova livre dos vinhos que estavam disponíveis, seguindo-se o almoço.

Dois vinhos da gama de entrada, já referidos em post anterior, estiveram nesta fase, em que a prova foi em crescendo.

Destaque para o Reserva, o Merlot e o Petit Verdot Special Selection, nos tintos, e também um Arinto Reserva nos brancos. Em prova, igualmente ainda sem rótulo, um lote de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot.

Dentro da vasta gama disponível, os da gama Reserva e Special Selection são, naturalmente, aqueles que mais captam a nossa atenção, mas entre todos os que estava expostos apenas foi possível provar os mencionados.

A Quinta de Pancas, como se sabe, tem uma longa tradição na produção de vinhos na região de Lisboa e, em particular, desde há muitos anos que se destaca pelos seus tintos de Cabernet Sauvignon. No crescimento qualitativo dos vinhos em redor da capital, a Quinta de Pancas sempre foi uma referência no puxar da carruagem da recuperação.

Com os novos moldes e a nova estratégia de gestão, acompanhada da renovação da gama, espera-se que os vinhos da quinta voltem a ter o lugar de destaque que merecem no panorama nacional. Lá em casa há uma referências doutro patamar para provar um dia destes...

Resta acrescentar à equipa da Quinta de Pancas pela simpatia com que nos recebeu, e a toda a organização pelo convite endereçado e pelo acompanhamento em todos os passos desta jornada.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Vítor Pires

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

No meu copo 569 - Quinta de Pancas: branco 2015; tinto 2014

Por ocasião da visita à Quinta de Pancas fomos presenteados com duas garrafas do Quinta de Pancas colheita, branco e tinto.

São dois vinhos de gama média da empresa, que não primam pela complexidade.

No branco o aroma é discreto, algo floral com notas tropicais e algum mineral. Apresenta alguma estrutura na boca, mas o final é relativamente curto.

O tinto apresenta-se de corpo médio, estruturado e persistente, mas também de aroma discreto. Algumas notas de fruta preta e tostados do estágio em carvalho francês durante 9 meses. Final persistente com alguma elegância.

Não são, obviamente, vinhos de encantar, como as grandes marcas da quinta. Não se espere mais do que podem dar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas Vinhos - Companhia das Quintas

Vinho: Quinta de Pancas 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay (60%), Arinto (30%), Vital (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de Pancas 2014 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 11 de dezembro de 2016

11 a 11


Todos os anos é a mesma coisa! Lá fazemos mais um aniversário e há que comemorá-lo, embora modestamente porque não somos exibicionistas. Ainda por cima este ano casamos os anos: 11 no dia 11! É obra!

Então lá fizemos mais um anito? Como o tempo passa!

Já são 11, mas parece que foi ontem...

Até agora não está mal quanto a clichés, mas acontece que é mesmo assim. Começámos há onze anos mas continuamos aplicados e, enquanto o prazer de escrever sobre vinhos não se transformar num fardo, podem contar connosco nestas lides da apreciação dos vinhos, de forma descomplexada e humilde, e mantendo a nossa independência.

Comemoremos então mais estes 365 dias que passaram e se adicionaram ao caminho já percorrido e brindemos juntos! Com um bom vinho, de preferência.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes avinhados

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (1ª parte)

    

Mais uma etapa na tentativa de pôr a escrita, com vários meses de atraso, em dia.

No início de Junho, a convite da empresa Parceiros de Comunicação, desloquei-me, juntamente com outros enófilos, bloggers e jornalistas, à Quinta de Pancas para uma visita com apresentação do portefólio actualizado dos vinhos ali produzidos.

O programa incluía um passeio pelas vinhas, prova de vinhos e almoço com os vinhos provados. Foi-nos disponibilizado transporte a partir de Lisboa, pelo que partimos em conjunto da gare do Oriente.
Existe uma nova estratégia na empresa, com uma renovação da imagem e dos vinhos. Desde há alguns anos sob gestão da Companhia das Quintas, nesta nova etapa a gestão da Quinta de Pancas será autonomizada.

Localizada junto a Alenquer, no lugar de Pancas na freguesia de Santo Estevão e Triana, a Quinta de Pancas foi fundada em 1495 e contém cerca de 50 hectares de vinha, com uma variada gama de castas brancas e tintas, portuguesas e também bordalesas, que se estendem por algumas encostas entre a Serra de Montejunto e a margem direita do Tejo, com altitudes variáveis entre os 40 e os 280 metros.

Os solos apresentam características similares a regiões como Champagne, Borgonha (Chablis), Vale do Loire e sul do Vale do Ródano, com predominância de calcários vermelhos. Na quinta estão identificados 34 talhões diferentes com diferentes características que determinam as castas aí plantadas. A maioritária é a Cabernet Sauvignon, em que a quinta tem grande tradição, com 14 ha. Seguem-se a Touriga Nacional com 5,3 ha e outras castas importadas como Syrah e Merlot, só depois aparecendo o Castelão, Alicante Bouschet e Tinta Roriz.

Nas brancas predominam o Arinto, Chardonnay e Vital com 1.

Os talhões foram classificados como A, B e C, sendo os de letra A destinados à produção dos vinhos mais complexos, com foco exclusivo na qualidade e sem olhar a custos, enquanto os da letra C destinam-se aos vinhos de maior volume, que não têm potencial para a produção da gama Reserva. No segmento B temos então os vinhos de gama média e média-alta, com qualidade elevada e preço ainda acessível.

Conduzidos em dois tractores, saímos do edifício principal e fomos por montes e vales percorrer algumas parcelas de vinha, onde nos eram indicadas as castas presentes em cada uma. Claro que naquela época do ano a paisagem não permite distinguir umas de outras, pois todas parecem iguais.

No regresso ao Solar de Pancas, passou-se a uma apresentação da história da quinta, seguindo-se prova livre e depois o almoço.

(continua)

Kroniketas, enófilo itinerante

Fotos: Vítor Pires

sábado, 3 de dezembro de 2016

No meu copo 568 - Diga? branco 2009; Campolargo branco 2015

Falamos agora de dois brancos com a marca Campolargo: um clássico e um moderno.

Começando pelo Diga? 2009 (um nome original para um vinho), embora seja produzido apenas a partir de uma casta que nem sequer é portuguesa mas sim típica de Côtes du Rhône, trata-se dum branco clássico, austero, de aroma fechado, com ligeiras notas fumadas.

De cor amarelo palha, no aroma predominam algumas notas cítricas e a frutos tropicais. Na boca é macio e untuoso, com boa estrutura e final longo, com boa acidez e persistência. Estagia 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês, parte novas e parte usadas.

Um grande branco, em suma, que tem lugar nas nossas escolhas (refira-se que o preço indicado se reporta ao ano da compra, 2011).

O Campolargo branco 2015, apresentado na Revista de Vinhos de Agosto de 2016, feito com um lote improvável mas que resulta bem. De cor citrina e aroma frutado, na boca apresenta-se leve, aberto e suave, com final macio sem deixar de manter alguma estrutura e persistência. Um bom compromisso entre a leveza e a estrutura.

É um bom branco de Verão e uma referência a rever.

Mais uma vez os vinhos Campolargo a não desiludirem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros

Vinho: Diga? 2009 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Viognier
Preço: 11,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Campolargo 2015 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Bical, Verdelho, Viognier
Preço: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 29 de novembro de 2016

No meu copo 567 - Planalto Reserva 2015

Um branco todo-o-terreno, de todas as estações e para todos os pratos, um valor seguro, uma aposta garantida. Leve, seco, delicado, elegante, vivo e com estimulante acidez.

Uma escolha que nunca nos desilude. Desta vez foi com bacalhau à lagareiro, e portou-se como gente grande. Não é preciso dizer mais nada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Planalto Reserva 2015 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega, Arinto, Rabigato, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

3º Bairradão em Lisboa





Foi no passado dia 28 de Maio que se realizou no Hotel Real Palácio a 3ª edição do Bairradão em Lisboa, com a habitual organização da garrafeira Néctar das Avenidas.

Tal como na anterior edição, tive oportunidade de me deslocar à sala de provas, de participar numa prova especial dedicada ao tema “A história da Casa de Santar” e ainda num jantar vínico, neste caso com vinhos da Dão Sul/Global Wines, ambos os eventos apresentados pelo enólogo Osvaldo Amado.

Já passaram 6 meses sobre o evento, pelo que seria maçador estar a enumerar os produtores presentes no evento. A lista está nas imagens anexas.

Tendo em conta que havia muito para provar, desta vez dediquei-me menos às provas livres. Andei por ali a provar sobretudo brancos e espumantes, pois o calor chamava para aí. De destacar um momento especial, com a prova dum vinho que está a ter algum impacto (pelo menos junto dos apreciadores da Bairrada), o 2221 Terroir de Cantanhede tinto 2011, feito em parceria entre a Adega Cooperativa de Cantanhede e as Caves São João: 2 produtores, 2 enólogos (Osvaldo Amado e José Carvalheira), 2 castas (Baga e Cabernet Sauvignon), 1 terroir (Cantanhede – O Cabernet Sauvignon provém da Quinta do Poço do Lobo, propriedade das Caves São João situada no concelho de Cantanhede). Simplesmente excelente! O preço condiz: cerca de 40 €!

Outro momento especial foi uma prova de vinhos da Casa de Santar, orientada pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foram provados vários tintos desde a colheita de 1994 até à de 2012. Destacaram-se as colheitas de 1994, 1995 e 2000 e 2011 pela elegância, 1998 e 2003 pela juventude ainda mostrada. O de 1996 mostrou-se em queda, com sinais claros de oxidação, enquanto o de 2012 apareceu demasiado novo, com demasiados taninos e a precisar de evolução na garrafa.

Mais para a noite houve o jantar buffet com vinhos da Dão Sul, de novo com apresentação de Osvaldo Amado. Neste foram degustados vinhos da Quinta de Cabriz, da Casa de Santar, do Paço dos Cunhas de Santar e, proveniente da Bairrada, da Quinta do Encontro.

Começou-se com o espumante Cabriz bruto natural, já nosso conhecido, que confirmou a levez e frescura que habitualmente o caracterizam e posicionam como uma aposta com boa relação qualidade/preço para quem pretende um espumante que não comprometa sem ter de pagar muito por ele. A par deste tivemos um blanc de noir, também um Cabriz produzido exclusivamente com Touriga Nacional, que mostrou alguma acidez e algum floral mas menos elegância.

Seguiram-se os brancos tranquilos, Casa de Santar Reserva 2014, Cabriz Reserva 2015 e Encontro 1 2012. Este último, o bairradino, mostrou-se claramente um vinho superior. Produzido apenas 4 a 5 vezes por década e apenas com a casta Arinto, é um branco com grande acidez e enorme estrutura, frescura e persistência. Claramente um vinho de outro campeonato. Os Cabriz e Santar mostraram a elegância e frescura habituais no Dão, com este um pouco mais estruturado que aquele.

Nos tintos tivemos alguns dos pesos-pesados: Cabriz Reserva 2012, Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 e uma surpresa no final, um Cabriz 25 anos 2011, comemorativo dos 25 anos de produção da quinta, elaborado com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Baga. Um vinho absolutamente espantoso, com um aroma extraordinário, algo absolutamente fora do comum. A par do sempre excelente Vinha do Contador, este Cabriz 25 anos conseguiu ainda estar melhor. O Cabriz Reserva 2012 cumpriu o que é habitual, num registo médio-alto, mas ao pé dos parceiros de ocasião pareceu um vinho banal...

No final ainda pudemos provar um licoroso, como agora acontece em várias regiões: onde não se pode fazer vinho do Porto fazem-se licorosos que são parecidos. Não sendo um Porto, saiu-se menos mal.

No fim dum longo dia, lá voltámos a casa regalados com tantos bons vinhos e boa comida. Sim, porque a par de tudo isto houve um jantar. A ementa está aqui. Nenhum reparo a fazer: tudo bom.

Parabéns à Néctar das Avenidas por mais um excelente evento. Hoje é dia de mais um, o 60º, a assinalar o 5º aniversário da garrafeira. Parabéns a dobrar, portanto!

Kroniketas, enófilo refastelado