quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

No meu copo 434 - Grand'Arte, Touriga Nacional 2008

Voltamos aos vinhos monocasta de Lisboa e Vale do Tejo, e voltamos à região de Lisboa para revisitar a DFJ, uma das empresas que continuam a apostar nos tintos de casta única.

Neste caso abrimos uma garrafa de Touriga Nacional de 2008, que tinha sido adquirida em 2009 com um dos números da Revista de Vinhos. Cerca de 6 anos e meio depois da colheita, portanto. Apresentou-se um vinho robusto, poderoso, complexo, bem estruturado na boca e com final prolongado. Taninos bem presentes conferem-lhe alguma adstringência, denotando que ainda poderia repousar mais uns anos na garrafa, pois estava muito vivo e com algumas arestas por limar.

Não é o mais típico Touriga Nacional, fugindo um pouco às notas violáceas, conquanto tenha mostrado que estava ali para durar e bater-se com pratos de carne bem temperados e exigentes.

Não sendo encantador, não deixa ficar mal a nova vaga de vinhos da renovada região de Lisboa, mostrando que é possível obter aqui vinhos com perfis muito diversos mas de qualidade inquestionável e que podem projectar o nome da região para um patamar bem acima. Os agentes do sector têm feito por isso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Na minha mesa 433 - La Brasserie de l'entrecôte

  

Conheci este restaurante há uns 20 anos, nem sei bem quando. Só existia um, o original, na Rua do Alecrim junto ao Largo Camões, ao Chiado. Fui lá algumas vezes com o tuguinho e com o saudoso Mancha e desde sempre, sendo nós uns carnívoros incorrigíveis, aquele entrecôte coberto com o molho especial cheio de especiarias fez as nossas delícias. Aliás, foi por esse prato, único na ementa, que o restaurante se tornou conhecido.

Passaram-se mais de 10 anos desde a última vez que lá fui. Entretanto foram aparecendo outras instalações do mesmo restaurante. A primeira que vi foi na marina de Cascais. Depois tomei conhecimento de outra no Campo Pequeno numa visita a um certame qualquer, e entretanto fiquei a saber que há outra no Parque das Nações e mais um no Centro Comercial Amoreiras. Isto só em Lisboa, pois ainda há mais um no Porto. É o sinal dos tempos. Se até a tradicional Portugália já tem cervejarias por tudo quanto é sítio, até em centros comerciais...

Aproveitando o dia dos namorados destes resolvi ir jantar a um destes restaurantes. Telefonei para o do Parque das Nações a reservar mesa numa 4ª feira para o sábado seguinte, e estava esgotado! Tentei então o do Campo Pequeno, e lá conseguimos uma mesa para quatro.

A ementa está ligeiramente estendida, com um bife de seitan em alternativa ao entrecôte, e na entrada existe agora uma alternativa à salada de alface e rúcula, constituída por salmão fumado. Todos optámos pela salada tradicional e pelo entrecôte com molho brasserie.

O segredo deste bife, regado com um delicioso molho, para além da qualidade superior da carne reside no tempero usado no molho, com 18 condimentos e especiarias. Para acompanhar apenas batatas fritas, em palitos fininhos e tenros, que se vão comendo sem dar por isso. As doses são generosas, de tal forma que ainda sobrou carne...

Para sobremesa vieram um sorbet de limão e um bolo fondant de chocolate com gelado.

Serviço irrepreensível, rápido, eficiente, atencioso, tudo corre sobre rodas. A decoração deste restaurante incide em fotos de Paris a preto e branco, a fazer jus à inspiração francesa do bife. Nada como visitar o site do restaurante para descobrir as variantes entre as diversas instalações.

A garrafeira, não sendo muito vasta, cobre opções suficientes para todas as preferências. Para acompanhar a refeição escolheu-se um Paço dos Cunhas de Santar 2010, que já conhecíamos e esteve perfeito com o prato. Como não há meias-garrafas e o vinho não foi suficiente, acabou-se por pedir um reforço a copo: um de branco Quinta de Bajancas (Douro) e um de tinto Herdade da Pimenta (Alentejo), que complementaram a função a preceito.

No final sai-se plenamente satisfeito e saciado, e assim se terminou em amena cavaqueira um dia dos namorados algo diferente.

Se gosta de bifes de vaca e ainda não experimentou este restaurante, reserve algum dinheiro e quando puder experimente. Verá que não se arrepende.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: La Brasserie de l'entrecôte
Localização: Campo Pequeno
Lisboa
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

No meu copo, na minha mesa 432 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012; Vinha Grande tinto 2011; A Travessa do Rio (Lisboa)

  

No final do ano voltei a fazer uma incursão a um restaurante que frequento de vez em quando, A Travessa do Rio, em Benfica, para mais uma excelente refeição em grupo. Após várias indecisões nos pedidos, estes acabaram por recair em apenas dois pratos: um arroz de lagosta e um bife do lombo com pimenta acompanhado de batatas fritas e esparregado, apenas para mim e para o Pirata. E como o bife causou impacto! Os restantes comensais ficaram de olhos (e papilas também) arregalados com a suculência deste bife, que estava simplesmente divinal! Quem comeu o arroz de lagosta ficou com pena de não ter escolhido o bife...

Como habitualmente neste restaurante, tivemos um belíssimo repasto, bem comido e bem bebido, mantendo o nível a que nos habituou.

Quanto aos líquidos, a primeira opção foi para um branco enquanto nos entretínhamos com as entradas. A escolha recaiu num monocasta da José Maria da Fonseca, o Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012, que nunca nos deixa ficar mal. Com excelente acidez e aroma em que predomina um misto de frutos citrinos e tropicais, esta colheita apresentou-se com um grau alcoólico mais baixo que as anteriores, mantendo uma boa persistência e frescura e tornando-se mais leve e mais suave, muito guloso e apelativo. Apetece sempre beber mais um copo, e por isso houve que repetir garrafas.

Para o bife do lombo com pimenta escolhemos um Vinha Grande 2011, também uma aposta sempre segura. Esta versão apresentou-se um pouco mais robusta que o habitual, com muita concentração e álcool um pouco excessivo, tornando a prova inicial algo agreste. Foi necessário dar-lhe tempo para arejar e amaciar um pouco, quando se começaram a notar os aromas a frutos vermelhos, arbustos e folhas do bosque. Os taninos estão bem presentes e muito vivos, embora sem se tornarem demasiado agressivos, e a madeira está muito discreta sem marcar o vinho. Talvez dois ou três anos na garrafa o tornem mais elegante, dando-lhe um perfil mais próximo daquele a que nos habituou, em que predomina a elegância e a suavidade. No entanto não deixou de constituir uma boa escolha, que ligou perfeitamente com a carne.

Em suma, um restaurante e dois vinhos que não deixaram os seus créditos mal vistos, proporcionando um fecho de ano em beleza.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Travessa do Rio

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vinha Grande 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Na Wines 9297 (3) - Caves São João

  
  

Aproveitei um fim de tarde mais aliviado para me deslocar novamente à Wines 9297, para mais uma prova de vinhos das Caves São João, que nos últimos meses tem sido presença assídua em provas em Lisboa. No entanto, os vinhos são tão encantadores que, mesmo já conhecendo quase todos os que são apresentados nas provas, é sempre um prazer renovado voltar a prová-los.

Desta vez em prova estiveram um espumante Quinta do Poço do Lobo, na colheita mais recente, assim como o Quinta do Poço do Lobo Arinto-Chardonnay. O espumante está muito agradável, suave e refrescante, enquanto o Poço do Lobo, com as mesmas castas e alguma madeira, mostra alguma estrutura sem deixar de ser macio e com boa acidez. No capítulo dos brancos ainda houve oportunidade de provar o Porta dos Cavaleiros 1979, do qual foram abertas 3 garrafas e todas estavam diferentes, com estádios de evolução muito díspares. Duas delas bastantes oxidadas, outra muito mais elegante e jovem.

Nos tintos esteve o clássico Caves São João Baga-Touriga Nacional, com a nova rotulagem que substituiu o antigo rótulo de cortiça. Um vinho ainda com muito para evoluir e amaciar, pois estava muito vibrante e ainda algo adstringente.

Continuando na senda dos vinhos comemorativos dos 100 anos da casa, provou-se o Caves São João 93 anos de história, um Touriga Nacional do Dão, concentrado, aromático, estruturado, com potencial para envelhecer uns 20 anos. Comprou-se uma garrafa que promete muito para daqui a uns anos...

No capítulo dos vinhos antigos, um Porta dos Cavaleiros 1985, que após algum arejamento apareceu com toda a suavidade típica do Dão, mas para mim a grande estrela foi, mais uma vez, o Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995. Simplesmente delicioso! Já tínhamos provado uma garrafa num repasto, e parece que agora ainda gostei mais dele. Tivemos oportunidade de provar diversas colheitas deste vinho nos últimos eventos e sempre nos encantou. Irresistível, e os preços são imperdíveis!

Como habitualmente, valeu a pena fazer um esforço para comparecer. Vale sempre. As Caves São João, agora que têm vindo pouco a pouco a trazer para o mercado os seus vinhos antigos, estão de novo em grande!

Obrigado à gerente Célia Alves por mais esta belíssima prova que nos proporcionou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Daowinelover - The best of Dão


Decorreu no passado dia 31 de Janeiro mais um evento por iniciativa do grupo #daowinelover, novamente no restaurante Claro, desta vez com o tema “The best of Dão”. O objectivo era que cada produtor presente levasse alguns dos seus melhores vinhos, que poderiam ser degustados ao longo da tarde em prova livre, até à chegada dos acepipes para forrar o estômago, lá mais para o anoitecer.

Já houve outros encontros com produtores que desta vez não estiveram presentes, tendo sido notadas algumas ausências de alguns produtores habituais. Da lista de presenças indicada na imagem não compareceu Júlia Kemper.

Quase à última hora surgiram arranjar duas vagas com que já não contávamos (quando nos apercebemos da realização do evento as inscrições já tinham fechado), e assim a dupla que vai mantendo este blog mais ou menos vivo pôde deslocar-se ao local para fazer as despesas das provas e das conversas.

Dos produtores presentes tivemos oportunidade de provar quase tudo. Nos brancos não nos faltou nenhum, enquanto dos tintos saltámos alguns, pois a ingestão de álcool, ainda que em quantidades reduzidas, já estava a fazer sentir os seus efeitos lá para o fim da tarde.

Mais do que entrar em considerandos específicos sobre cada vinho, que nestas ocasiões não gostamos muito de fazer, o que há a destacar é a elevada qualidade dos vinhos presentes. Nos brancos o destaque foi para o contingente de monocastas feitos de Encruzado, que curiosamente nos permitiu verificar como diferentes produtores podem fazer vinhos tão distintos a partir da mesma casta. Nuns casos mais mineral, noutros mais frutada, nalguns casos mais estruturada e noutros casos mais suave. Uma casta multifacetada, mas que marca os vinhos de forma indelével. Muito interessante a comparação de duas colheitas, 2009 e 2013, da Casa de Mouraz, em que gostámos mais da mais antiga, com excelente evolução e muita macieza. Destaque também para uma amostra de cuba dum 2014 ainda não rotulado da Quinta das Marias, também um Encruzado que encantou toda a gente.

Nos tintos havia desde colheitas muito novas até outras com mais de 10 anos, havendo mesmo um Garrafeira de 1997 das Terras de Tavares. O que se realça, contudo, mais do que no evento dedicado apenas à Touriga Nacional, é que nos vinhos de lote e, sobretudo, nos vinhos com alguma idade, está bem patente toda a elegância a suavidade que era habitual caracterizarem os tintos do Dão. Alguns dos que provámos fizeram lembrar os que bebíamos nos anos 90, quando ainda não tinha chegado a moda dos superfrutados, superconcentrados e superalcoólicos. Aliás, uma parte significativa dos produtores apresentou precisamente vinhos de lote e de colheitas com alguns anos.

Pudemos assim apreciar alguns dos melhores e mais representativos vinhos do Dão, numa jornada descontraída e agradável, onde reencontrámos uma boa parte dos comparsas habituais. Mais uma vez obrigado aos organizadores do costume, Pingus Vinicus e Miguel Pereira, e ficamos à espera do próximo.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

No meu copo 431 - Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007

Depois da prova do Cabernet Sauvignon em versão ribatejana da Fiúza, provámos a versão estremenha da Quinta de Pancas, uma das marcas há mais tempo implantadas no mercado nesta versão monocasta.

Ligeiramente apimentado, com um certo aroma a pimentos verdes (o tal...), apareceu macio e algo delgado no início, parecendo pouco encorpado. Depois desenvolveu aromas e estrutura, mostrou-se robusto e persistente e com potencial para durar ainda mais tempo em garrafa, ainda com uma certa adstringência a marcar o conjunto. Na comparação com a versão ribatejana da Fiúza, preferimos aquela, pois mostrou-se mais equilibrada.

Este Quinta de Pancas, embora mais robusto, esteve demasiado marcado pelo tal aroma a pimentos verdes, que se impôs de certa forma no conjunto. Tendo em conta a idade do vinho, provavelmente já não iria melhorar.

De notar que recentemente verificaram-se algumas alterações estruturais de fundo na Companhia das Quintas, onde se enquadrou a venda da emblemática Quinta da Romeira, em Bucelas. Não sabemos o que se vai seguir, mas no momento em que este post é publicado, tanto quanto sabemos, a Quinta de Pancas continua a pertencer ao universo da Companhia das Quintas. Qualquer desactualização desta informação não é da nossa responsabilidade, pelo que pedimos a devida compreensão aos leitores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

No meu copo 430 - Fiúza: Alvarinho 2013; Cabernet Sauvignon 2012; Touriga Nacional 2012

Aproveitando uma das ocasiões festivas do final de ano, fizemos uma abertura de garrafas da Fiúza para provar 3 vinhos monocasta, um branco e dois tintos.

O Alvarinho, uma casta que tem migrado do Minho para todo o sul do país, apresentou-se suave e elegante na boca, com boa acidez, alguma mineralidade e aroma algo discreto. As notas tropicais habituais na casta quando vinificada na região dos Vinhos Verdes não estavam muito presentes e não mostrou grande exuberância, embora não deslustrasse. Um vinho agradável, sem ser excelente.

Depois passou-se aos tintos, onde experimentámos um Cabernet Sauvignon e um Touriga Nacional. O primeiro fez muito melhor figura que o segundo, embora fossem do mesmo ano.

De cor carregada, encorpado e bem estruturado, macio e pouco adstringente, aromático, persistente e longo, mostrou estar óptimo para beber, embora pudesse aguentar mais tempo em garrafa, mas estava num ponto óptimo de consumo. Mostrou todas as qualidades do Cabernet Sauvignon sem revelar nenhum dos seus defeitos. Dos famosos pimentos verdes, nem sombra; antes apresentou notas de frutos vermelhos e pretos bem maduros, com um final marcado por alguma especiaria. Bem integrado com a madeira, sem que esta se sobrepusesse ao conjunto, dando-lhe apenas o equilíbrio e a estrutura necessárias e suficientes. Muito bem. Justificou estar nas nossas escolhas.

Quanto ao Touriga Nacional, apresentou-se ainda demasiado jovem para consumir. Com predominância floral e a compotas, com as habituais notas a violetas, mostrou-se algo áspero, rugoso e pouco harmonioso, com os taninos a precisar de arredondar arestas na garrafa. Tem potencial para melhorar, ficando por saber onde poderá chegar. Em todo o caso, não pareceu poder chegar tão alto como o Cabernet Sauvignon.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright

Vinho: Fiúza, Alvarinho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,12 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Fiúza, Touriga Nacional
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Na minha mesa 429 - Restaurante Bem-Haja (Nelas)

     
 

No regresso a casa, uma passagem há muito desejada por um dos restaurantes de referência da região: o Bem-Haja, em Nelas. Cheguei cedo, com o restaurante ainda vazio. Sentei-me numa mesa perto da entrada, mas estrategicamente colocada junto à janela.

Sala ampla, em tons de pedra e decoração onde predomina o vermelho, com duas mesas de buffet logo depois de franqueada a porta de vidro que dá acesso à sala de refeições: uma com entradas, queijos e doces, e outra com sobremesas. A meio da sala, uns degraus que dão acesso a outra sala, para fumadores, onde existe ainda outra porta de vidro que guarda a vasta garrafeira.

A ementa é vasta e aliciante, mas desde logo somos aconselhados com as sugestões do dia. E como era a sugestão do dia, lá optei pelo inevitável cabrito assado no forno, acompanhado com batatinhas assadas, arroz de miúdos e esparregado. Muito bom, apaladado, e uma meia dose em quantidade que não consegui terminar.

Mais uma vez tive de optar pelo vinho em formato reduzido. Não havendo meias-garrafas, foi-me colocada a opção do vinho a copo (por 3,5 €), tendo à disposição o Pedra Cancela, que curiosamente tem a adega situada a poucas dezenas de metros dali. Assim fiz, e ainda tive de pedir um segundo cálice para acompanhar a refeição.

Finalmente, uma visita ao buffet de sobremesas, onde escolhi umas colheradas de arroz doce e um bolo de chocolate com textura de mousse, muito bom.

Ambiente discreto e requintado, alegre e vivo, mas recatado. Tudo se passa sem espalhafatos, discretamente e quase em silêncio. Serviço rápido, simpático e competente. Confecção irrepreensível em todas as vertentes.

Estamos a falar dum restaurante já de nível acima da média, mas pela qualidade que apresenta o custo da refeição não é excessivo. Compreende-se a procura que tem, e quando de lá saí já a sala estava praticamente cheia, com a chegada de vários grupos, em que predominam as famílias.

No final saí plenamente satisfeito e só apeteceu dizer... bem-haja. E ficou a vontade de voltar, naturalmente.

No regresso a casa, e estando em Nelas, ainda tive tempo de descobrir onde é o famoso Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão e tirar umas fotos, que estão no final deste post.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Bem-Haja
Rua da Restauração, 5
3520-069 Nelas
Telef: 232.944.903
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5


  

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Na minha mesa 428 - Restaurante 3 Pipos (Tonda)

  
 

No caminho de ida para Viseu, para a entronização dos novos confrades, fiz uma pausa no trajecto para almoçar no restaurante 3 Pipos, em Tonda, a caminho de Tondela.

Ambiente familiar, quase rústico, pratos regionais e caseiros, variados. Serviço rápido, simpático e competente. Além do inevitável cabrito, tínhamos como opção um arroz de míscaros e alguns pratos bastante apelativos, mas o funcionário que me atendeu recomendou-me o arroz de míscaros. Assim fiz e não fiquei nada mal servido.

O arroz veio malandrinho, caldoso, com bocadinhos de carne e os famosos míscaros laminados, muito bem temperado. Não resisti a esvaziar a travessa até ao fim.

Já saciado com o prato principal, não deixei de olhar para a montra de doces, na sala de entrada, que estava bastante bem recheada. Havia uma mousse de chocolate bastante atractiva, mas optei pelas Trapalhadas, que acaba por ser o mais ou menos tradicional doce às camadas, que se vê um pouco por todo o lado com as mais diversas designações.

Não querendo beber muito vinho, uma vez que tinha a viagem para completar, pedi ½ jarro de vinho da casa, que agradou. Suave e macio, um tinto típico do Dão por 3 €. Serviu para a função.

Para além da sala onde me sentei, há uma outra sala maior, mais para dentro, que estava repleta e bastante mais barulhenta que a primeira. Na sala de entrada, bastante espaçosa e onde está situado o balcão, fica localizada, à direita, a loja do restaurante, onde se pode comprar vinho e outros produtos regionais.

No final, uma refeição calma, agradável e satisfatória, em ambiente ameno e representativo da boa gastronomia da região. Este 3 Pipos é bom, não é caro e recomenda-se.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: 3 Pipos
Rua de Santo Amaro, 966
Tonda
3460-479 Tondela
Telef: 232.816.851
Preço por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4,5

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

No Solar do Vinho do Dão - Entronização dos novos Confrades

  
  

Sem que nada o fizesse prever, em Dezembro de 2014 recebemos uma mensagem em nome da Confraria dos Enófilos do Dão, em nome do Grão-Mestre da Confraria e do Presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão. Tratava-se de um convite para assistir à cerimónia de entronização dos novos confrades, que iria decorrer num fim-de-semana de Dezembro no Solar do Vinho do Dão. Dias antes já tínhamos tido conhecimento de que os dois principais dinamizadores do grupo #daowinelover haviam sido propostos para confrades honorários, o que nos pareceu inteiramente merecido.

O inesperado convite para assistirmos à cerimónia, que muito nos honrou, incluía um programa que preenchia o dia todo: cerimónia de entronização, recepção na Câmara Municipal de Viseu, entrada no Festival de Vinhos de Inverno do Dão, seguido de um jantar e ainda duma Wine Party. Infelizmente, o convite só contemplava uma presença no jantar, pelo que não foi possível angariar companhia para esta jornada. Mas como este era um acontecimento raro, e que por isso mesmo não sabemos se se repetirá, resolvemos aceitar o convite e pus-me sozinho a caminho de Viseu. E é por isso que o resto do post é na primeira pessoa do singular…

Estando a deslocar-me sem companhia, achei por bem planear o regresso atempadamente, considerando a hipótese de pernoitar em Viseu. A seguir a um jantar e prova de vinhos, que terminariam sabe-se lá a que horas, não seria prudente regressar a casa a conduzir sozinho. Portanto reservei um quarto numa residencial da zona, só mesmo para dormir e não ter hora para acordar.

A primeira etapa tratou-se, obviamente, da ida para Viseu, que incluiu paragem para almoço no caminho, pois era suposto estar no Solar do Vinho do Dão às 15h00. Sobre esse almoço falarei no próximo post, bem como do almoço no dia seguinte, já na viagem de regresso.

Duas das primeiras pessoas que encontrei à chegada foram os daowinelovers: Pingus Vinicus e Miguel Pereira. Foram aparecendo depois outras caras conhecidas, alguns deles confrades já trajados a rigor, como o produtor e enólogo João Paulo Gouveia, Grão-Mestre da Confraria, o enólogo Manuel Vieira ou o jornalista Luís Baila. À medida que os convidados se acomodavam na capela onde iria decorrer a cerimónia, fui vendo outros futuros confrades, como a nova enóloga da Quinta dos Carvalhais, Beatriz Cabral de Almeida, o jornalista Carlos Daniel, o ex-atleta Carlos Lopes e o enófilo e gastrónomo Wilson Honrado.

Os novos confrades prestaram o juramento, receberam o traje e um diploma e provaram um vinho do Dão na tambuladeira do colar que lhes foi colocado ao pescoço. Houve momentos musicais, a bênção dos confrades, após o que seguimos de autocarro para a Câmara Municipal de Viseu, não sem antes pararmos numa das ruas principais para ouvir uma tuna académica que dedicou algumas canções aos confrades, os novos e os velhos.

De regresso ao Solar, dirigimo-nos então para o Festival de Vinhos de Inverno, onde marcaram presença muitos dos produtores em destaque no Dão. Por ali fui deambulando a provar o que não conhecia e trocando algumas palavras com quem me ia cruzando, nomeadamente o presidente da CVR do Dão e os jornalistas Carlos Daniel e Luís Baila.

Quando chegou a hora do jantar fomos encaminhados para um outro edifício, onde fomos distribuídos pelas mesas segundo um escalonamento prévio, no qual tive a oportunidade de constatar que eu era o único bloguista presente no evento.

Quanto ao jantar, dois belíssimos pratos: bacalhau com broa e migas e, claro, o inevitável cabrito assado no forno à moda beirã. Para acompanhar, garrafas de vinhos do Dão à discrição (ver ementa completa e lista de vinhos disponíveis nas imagens). Algumas desapareceram imediatamente, mas ainda consegui trazer para a mesa um Meia Encosta branco 2013 e um Quinta das Maias Jaen tinto 2011. O resto foi-se debicando daqui e dali.

Finalmente, e terminado o excelente repasto, ainda dei um salto à Wine Party, mas como o dia seguinte era de regresso, foi quase mera entrada por saída, um interlúdio antes do sono retemperador.

Foi, pois, um dia muito bem passado, com bons momentos de convívio e a possibilidade de falar um pouco com algumas personalidades relevantes da “fileira do vinho” na região. Resta-me agradecer à Confraria dos Enófilos do Dão, na pessoa do Grão-Mestre João Paulo Gouveia, e à Comissão Vitivinícola Regional do Dão, na pessoa do seu Presidente, Prof. Arlindo Cunha, ficando a promessa de as KV continuarem a divulgar os excelentes vinhos que o Dão tem para nos oferecer.

Aos novos confrades, parabéns pela honraria com que foram contemplados. E viva o Dão!

Kroniketas, enófilo itinerante

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Na GN Cellar 6 - Malmsey’s Blandy’s



Temos aqui uma prova vertical de vinhos da Madeira, realizada no passado mês de Dezembro na GN Cellar, contada na primeira pessoa pelo Politikos.

Aproveitando uma ida forçada à Baixa, decidi-me a rumar à Garrafeira Nacional, na Rua da Conceição, para a prova vertical dos vinhos da Madeira Blandy’s, na qual se degustaram seis vinhos, a saber:

  • Malmsey (ou Malvasia), antes do Canteiro
  • Blandy’s Malmsey 5 anos
  • Blandy’s Malmsey 10 anos
  • Blandy’s Malmsey 15 anos
  • Blandy’s Malmsey Colheita 1996
  • Blandy’s Malmsey Colheita 1988

Como cheguei tarde, já apanhei a prova no terceiro vinho, o 10 anos, o que não foi necessariamente mau, pois permitiu-me descer ao 5 anos e depois ao vinho de base, antes do chamado «Canteiro», o método tradicional de envelhecimento dos Madeira, percepcionando as diferenças, e depois voltar a subir...

A prova foi apresentada pelo enólogo da Blandy’s, Francisco Albuquerque, que de forma sabedora, pedagógica e paciente, a soube conduzir, mostrando-se sempre disponível para responder às perguntas da assistência.

Foi uma experiência muito gratificante percepcionar o trajecto ascensional dos vinhos no que se refere à intensidade aromática e gustativa... O salto do vinho de base – delgado e ainda sem o carácter dos Madeira – para o 5 anos é muito notório… Como notória é a diferença entre os 5, 10 e 15 anos e os Colheitas… Dentro das respectivas categorias, os vinhos mantêm o perfil característico da casta, terroir, local e método de envelhecimento, mas progridem em intensidade, mais até do que no corpo ou na complexidade… Achei alguma diferença no último, mais delicado, e que foi mesmo apelidado de Vintage por Francisco Albuquerque, uma curiosa apropriação pelos Madeira de um termo característico do vinho do Porto, indicador de um vinho de excepcional qualidade e reconhecível para o mercado… Diga-se, aliás, que o perfil dos Madeira 5, 10 e 15 anos é, grosso modo, equivalente aos nos Portos, e o dos Colheita aos seus homónimos no Douro (a que acresce os LBV e Vintage)… E nesta viagem, quando se pensa que já se está a beber um vinho óptimo, ainda vem um excelente, e depois deste um sublime... Que foi o que aconteceu com aquele Colheita 1988 que obteve recentemente um Gold Outstanding no International Wine and Spirit Competition (IWSC), um dos mais antigos concursos do Reino Unido, o que também se reflecte no custo: 281€ a garrafa!

Três (para mim) novidades: o vinho antes do estágio em Canteiro – designação que provém do facto de se colocarem as pipas sobre suportes de madeira, denominados canteiros, normalmente nos pisos mais elevados dos armazéns e onde as temperaturas são mais elevadas, por um período mínimo de 2 anos: sendo que o Colheita 1988 foi envelhecido em cascos de carvalho americano durante 25 anos (no 4.º andar até 1991; no 2.º andar até 1993; no 1.º andar os restantes 20 até ao engarrafamento); o Madeira deve ser conservado de pé e não deitado; o Madeira, depois de aberto, pode durar seis meses sem perda de qualidade, o que se deve ao envelhecimento por oxidação que sofreu...

Em suma, um excelente final de tarde com Madeiras, infelizmente não tão divulgados como claramente merecem...

Politikos, enófilo convidado

PS: Na ausência de outras fotos, usámos uma da própria Garrafeira Nacional, com a devida vénia.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Na Wines 9297 (2) - Com Jorge Moreira

  

Depois de várias provas a passarem-me ao lado, finalmente consegui voltar à Wines 9297 para uma prova apresentada pelo enólogo Jorge Moreira. Este é um nome que está associado a várias marcas de vinho: para além da produção que apresenta em nome próprio (de que começou por se destacar o Poeira), é também enólogo da Real Companhia Velha e mais recentemente associou-se a Jorge Serôdio Borges e Francisco (Xito) Olazabal para a produção de vinhos no Dão (M.O.B. e Quinta do Corujão).

Foram alguns destes vinhos que estiveram à prova num fim de tarde em meados de Dezembro passado. Na realidade, foram 5 vinhos: o M.O.B. branco e tinto, o Poeira branco e tinto e ainda uma novidade do Douro, o Passagem Reserva tinto.

No caso do M.O.B. agradou-me particularmente o branco (baseado em Encruzado), muito mineral e com grande frescura, bem estruturado mas suave. O tinto apresentou-se também muito elegante, fresco e com alguma delicadeza. É um lote pouco habitual, que junta Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga.

No caso dos Poeira, o tinto é conhecido pela sua pujança e estrutura, enquanto o branco apareceu mais marcado por algum floral, bastante corpo e persistência, muito mais austero no nariz e na boca que o M.O.B., enfim, dois perfis bastante diferentes que dividiram as opiniões dos presentes em termos de preferências.

Finalmente o Passagem Reserva, uma novidade bem recebida, um tinto do Douro com alguma delicadeza, muito focado na fruta, suave e aromático.

No geral, uma prova de nível muito agradável, em que todos os vinhos provados eram bons, sendo o resto apenas uma questão de preferência pelos diversos perfis apresentados. E, claro, sem deixar de lado o preço, que não é uma questão menor...

Kroniketas, enófilo esclarecido

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

No meu copo 427 - Horta da Palha, Touriga Nacional 2008

Terminamos esta viagem por terras do Alentejo em Benavila, no concelho de Avis, na Fundação Abreu Callado, próximo da barragem do Maranhão.

Temos aqui um monocasta de Touriga Nacional, a casa da moda em todo o lado, mas com um resultado que não é espectacular. Por muito boa que seja a Touriga Nacional, querer impô-la em todo o lado nem sempre resulta, principalmente se for a solo em vez de integrada num lote.

Sendo um vinho já com 6 anos, e portanto com tempo de garrafa suficiente para haver uma boa integração dos aromas e polir arestas, apresentou-se algo linear na prova de boca, aroma pouco exuberante, corpo algo delgado e final curto. As notas de violeta e flor de laranjeira estão presentes mas de forma muito discreta, com pouca expressividade.

Não é um mau vinho, longe disso. Bebe-se com facilidade, mas não encanta nem surpreende. Deixa-nos mais ou menos neutros e sem grandes memórias do que estava dentro da garrafa.

Talvez esta aposta na Touriga Nacional não seja a mais aconselhada. Também já começa a fartar...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Horta da Palha, Touriga Nacional 2008 (T)
Região: Alentejo (Avis)
Produtor: Fundação Abreu Callado
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 6

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

No meu copo 426 - Monte da Ravasqueira Reserva 2011

O Monte da Ravasqueira tem vindo nos últimos anos a ganhar alguma notoriedade entre os vinhos do Alentejo, e esta garrafa apresentada pela Revista de Vinhos mereceu os melhores encómios, tendo em conta que todas as garrafas promovidas são seleccionadas pelo painel de provadores e sujeitas a um escrutínio que obriga a que atinjam uma classificação mínima, creio que 16.

Teoricamente, isso significa que estaremos sempre próximos dum patamar de qualidade bem acima da média, com classificações de bom ou muito bom (não esquecer que se trata de vinhos vendidos a 6 € que apresentam um preço de mercado a rondar os 9/10 €), mas às vezes, na prática, não é bem isso que acontece. Já se sabe que os gostos não são iguais, e nem sempre os gostos e opiniões alheiras coincidem com os nossos. E quando se fala de vinhos, então, é impossível impor um padrão seja a quem for...

Aconteceu isso com esta garrafa, que me desiludiu. Este Reserva 2011 apresentou-se demasiado alcoólico, com muita fruta no nariz mas algo curto, pouco estruturado e sem persistência. A combinação de Touriga com Syrah não revelou nada de especial, o que veio mais uma vez confirmar as impressões que tenho ido formando acerca do Syrah nos vinhos alentejanos.

Mais recentemente a Revista de Vinhos voltou a apresentar uma nova colheita deste vinho, referindo de passagem o enorme sucesso que foi o lançamento anterior. Se o que se pretende é um vinho da moda, pois então que seja, já que a receita está lá toda: fruta, álcool e madeira, o trio inefável e inevitável que inundou o mercado na última década.

A impressão que me fica deste reserva, com muita pena minha pelo dinheiro gasto, é esta: nada de novo, mais do mesmo. Não surpreende, não encanta, não inova, não acrescenta nada às dezenas que invadem as prateleiras e são quase iguais. É apenas mais um na torrente. Por mim, passo. Passei o de 2012 e continuarei a passar os seguintes. Qualquer coincidência com o Julian Reynolds, referido no post anterior, será... inexistente!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte da Ravasqueira Reserva 2011 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 5

sábado, 3 de janeiro de 2015

No meu copo 425 - Julian Reynolds 2006

Iniciamos o ano da melhor forma com este belíssimo tinto. Este foi apenas o segundo vinho desta casa que provei, depois de há uns anos ter provado o Gloria Reynolds 2004. Tomei contacto com ele numa edição da Revista de Vinhos, em 2011, e a surpresa foi tal que quando o reencontrei voltei a comprá-lo.

Depois de provar mais duas ou três garrafas, as impressões mantiveram-se. Trata-se dum excelente vinho, muito vivo e apelativo na boca, robusto e ao mesmo tempo elegante, encorpado e bem estruturado, persistente e com um toque a especiarias, com uma acidez refrescante, taninos muito sedosos e elegantes.

É mais um bom exemplo de como se pode fazer um vinho com robustez e elegância, sem ser uma bomba de fruta e extracção, muita madeira e muito álcool. Tem isso tudo mas apenas na medida necessária, tudo na conta certa. E o preço é excelente para a qualidade que tem.

Boa compra? Não: excelente compra! Entrou de imediato (e de caras) para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Julian Cuellar Reynolds
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

No meu copo 424 - Porta da Ravessa Reserva 2013; Reserva ACR 2010

Para fechar o ano descemos até ao Redondo, continuando nas adegas cooperativas. Estes dois tintos foram uma estreia nas nossas provas, e tínhamos alguma curiosidade em conhecê-los, pois nos últimos anos temos andado algo afastados dos vinhos do Redondo, com excepção de alguns produzidos pela Roquevale.

O Porta da Ravessa Reserva mostrou-se eminentemente frutado mas com os aromas ainda algo desligados, indefinidos. Algo simples e linear na boca, com final curto e medianamente encorpado. Claramente um vinho a precisar de tempo na garrafa, pelo que esta prova não terá sido de todo conclusiva.

Já o Reserva ACR, da colheita de 2010 (curiosamente com as mesmas castas do Porta da Ravessa Reserva à excepção do Cabernet Sauvignon), mostrou-se mais acabado, mais integrado e bem mais harmonioso. Bem estruturado, cheio e persistente, com aroma marcado a frutos vermelhos e alguma complexidade.

Em suma, dois vinhos baratos mas com perfis bastante diferentes, talvez muito diferenciados pelo tempo em garrafa. A rever, pois esta dupla prova não foi claramente conclusiva...

E com isto desejamos a todos um bom ano de 2015, de preferência com bons vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Adega Cooperativa de Redondo

Vinho: Porta da Ravessa Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Reserva ACR 2010 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,89 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

No meu copo 423 - Adega de Borba Reserva, Rótulo de Cortiça 2008

De Reguengos vamos para Borba para provar outro clássico, da Adega Cooperativa. À semelhança do tinto anterior, também mantém características e qualidade consistentes ao longo dos anos, tornando-se uma marca emblemática da casa.
Com uma cor granada de laivos acastanhados, apresentou-se encorpado, robusto e bem estruturado, com final persistente e um toque a madeira bem integrada no conjunto, com taninos arredondados mas presentes a conferirem ligeira adstringência. No aroma mostra alguma evolução, com notas intensas de compota e frutos em passa. É outro vinho que vale a pena ter e esperar algum tempo antes de beber.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Borba Reserva, Rótulo de Cortiça 2008 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,63 €
Nota (0 a 10): 8