terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

No meu copo 506 - Monte da Raposinha 2012

Deste produtor próximo de Montargil surge este vinho de lote com as castas da moda:

- a inefável Touriga Nacional, espécie de emplastro omnipresente em tudo o que é vinho até fartar, e baptizada com o epíteto de “rainha das castas portuguesas” (ainda estou à espera que alguém me explique porquê como se eu tivesse 8 anos…);

- a Syrah, baptizada como “the next big thing” e tida como a próxima invasora das vinhas portugueses, e que, com duas ou três excepções (o Incógnito das Cortes de Cima e os da Quinta do Monte d’Oiro), enche o país com vinhos chatérrimos e desinteressantíssimos, autênticas xaropadas;

- e a Alicante Bouschet, tida como “A” casta tinta alentejana, que de desprezada em França passou a ex libris a sul do Tejo, deitando a tradicionais Aragonês e Trincadeira para um canto, mas de que ninguém se tinha lembrado até há 10 anos... Enfim, uma combinação de castas que não lembraria fazer e que não se percebe como elas combinam.

Este vinho não se percebe o que é, a não ser uma amálgama de ingredientes que não se encaixam uns nos outros. Encorpado e robusto, adstringente, mas pouco personalizado. Tem aroma marcado a frutos vermelhos mas é pouco impressivo. Desinteressante, não deixa memórias. E deixa tão poucas que eu já tinha comprado uma colheita anterior e nem me lembrava...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte da Raposinha 2012 (T)
Região: Alentejo (Montargil)
Produtor: Monte da Raposinha
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 4

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No meu copo 505 - Quinta de Pancas Reserva 2008

Continuamos na região de Lisboa, com um produtor clássico numa quinta que já mudou de mãos algumas vezes, que tem tido altos e baixos.

Recuperada e revigorada pela Companhia das Quintas, a Quinta de Pancas é há muitos anos conhecida por um dos primeiros tintos de Cabernet Sauvignon do país, tenho mais recentemente estendido o seu portefólio.

Aqui estamos perante um Reseva que incorpora um conjunto de 5 castas, entre nacionais e estrangeiras, onde o Cabernet se junta ao Merlot na parte bordalesa do lote, incluindo ainda o Petit Verdot e as nacionais Alicante Bouschet e Touriga. Estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês.

Esta mistura deixa-me algo confuso, pois não se percebe bem o carácter do vinho. Se o apimentado e compotado do Cabernet Sauvignon, se o vegetal do Merlot, se o floral da Touriga, se a estrutura do Alicante. Será um pouco de todas e muito de nenhuma?

Tentando perceber como é o vinho, a impressão que fica é marcadamente vegetal, com estrutura mediana, final persistente e suave, fruta discreta e aroma pouco exuberante. Bebe-se com facilidade, sem dúvida, mas parece que lhe falta algum carácter mais marcado, alguma personalidade. Parecendo querer ser tudo, corre o risco de acabar por não ser quase nada.

Talvez mais novo tivesse mais frescura e outra vivacidade que lhe conferissem outras características mais marcadas, mas deixou algo a desejar... Em comparação com o tradicional monocasta de Cabernet Sauvignon ou o mais recente Selecção do Enólogo, estes convenceram mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas Reserva 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Merlot, Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

No meu copo 504 - Quinta do Gradil, Touriga Nacional e Tannat 2009

Numa época em que a aposta nos vinhos varietais já passou o auge, é principalmente nas regiões de Lisboa, Tejo e Setúbal que continua a haver maior incidência neste tipo de vinhos, com alguns produtores a possuírem um vasto portefólio de vinhos elaborados apenas com uma ou duas castas.

Na região de Lisboa são principalmente a Casa Santos Lima, a DFJ e a Quinta do Gradil que apostam nos vinhos mono ou bivarietais. Este que agora referimos é um exemplar destes últimos, oriundo da quinta situada junto ao pé do Cadaval, juntando à Touriga Nacional a menos conhecida Tannat.

As vinhas que forneceram as uvas para este vinho estão instaladas em solos de encosta, de origem argilosa, sendo o vinho vinificado em lagares de pisa mecanizada. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês.

Foi adquirido em Janeiro de 2012 com a Revista de Vinhos, e outros consumidores que o compraram e beberam na altura disseram que o vinho ainda não estava bebível... Por isso resolvi esperar. Passados 4 anos, apresentou-se ainda pujante, adstringente no início, depois abriu e amaciou à medida que foi arejando. Mostrou aroma e corpo medianos e final relativamente discreto.

Como balanço, diria que não encantou. Pareceu ser um vinho relativamente discreto, que fica uns furos abaixo de outros bem mais interessantes que saem desta casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Touriga Nacional e Tannat 2009 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tannat
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

No meu copo 503 - Vale Barqueiros Limited Edition Garrafeira 2007

A Herdade de Vale Barqueiros está situada na freguesia de Seda, concelho de Alter do Chão, a cerca de 30 km da capital de distrito, Portalegre.

A propriedade é composta por 122ha de vinha, 330ha de olival e uma área florestal composta por sobreiros e pinheiros mansos.

Os vinhos Vale Barqueiros não são dos mais fáceis de encontrar no mercado, apesar de serem normalmente bem conceituados. Das poucas vezes que tive oportunidade de provar estes vinhos fiquei muito bem impressionado pela sua estrutura e corpo, mas há muitos anos que não tinha oportunidade de provar nenhum. Recentemente, através de uma promoção recebida via Internet tive oportunidade de adquirir esta garrafa, cujo anúncio me despertou a atenção.

Elaborado a partir das castas Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, sob a batuta de Paulo Laureano, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês, seguido de um ano em garrafa. Apresenta uma cor granada e mostra-se elegante, estruturado com taninos suaves, aromas de compota e frutos silvestres, com algumas notas de especiarias no final, longo e persistente.

Um vinho de qualidade inquestionável, embora talvez o preço seja algo elevado. Tendo em conta que custa o mesmo que o Esporão Reserva, a comparação é problemática.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vale Barqueiros Limited Edition Garrafeira 2007 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão - Portalegre)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: 14,98 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 24 de janeiro de 2016

No meu copo 502 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2003

Como não podia deixar de ser, para não fugir à tradição, depois dos monocasta do Esporão e dos Reservas da Sogrape, juntámos mais um exemplar de Garrafeira dos Sócios aos festejos de fim de ano. Vamos consumindo estas garrafas moderadamente e com parcimónia.

Surpresa? Nenhuma! Continua com o mesmo perfil a que nos habituou. O lote de castas mantém-se inalterável e fiel às origens e à sua própria tradição: Aragonês, Castelão e Trincadeira, tradicionalíssimas no Alentejo, constituem o trio inseparável há mais de 20 anos.

É macio, aveludado, de aroma profundo, bem estruturado e persistente, com madeira quanto baste, longo, longo longo... Para ir bebericando, saboreando e conversando com ele ao longo de um serão em que terá muito para dar e mostrar. E para ir tendo sempre de prevenção na garrafeira.

Finalmente, em 2014 houve uma colheita (de 2008) reconhecida com um prémio Escolha da Imprensa pelo júri da Revista de Vinhos. Foi exemplo quase único entre portas, a contrastar com as medalhas que traz lá de fora. E bem merece.

Para nós continua a ser uma referência entre os vinhos clássicos do Alentejo. É o “veludo” dentro duma garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Garrafeira dos Sócios 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

No meu copo 501 - Douro Sogrape Reserva 2000; Alentejo Sogrape Reserva 2000

Mantendo uma tradição destes 10 anos, assinalamos a passagem de mais uma centena, coincidente com a passagem do 10º aniversário, recuperando mais uma prova dos Reservas da Sogrape. Vamos apanhando as garrafas que podemos, aqui e ali, e vamos provando algumas regularmente. Neste caso juntámos duas colheitas de 2000, uma do Douro e uma do Alentejo, ambas já objecto de provas anteriores.

A curiosidade e a expectativa, no entanto, mantêm-se sempre elevadas, e mais uma vez não foram defraudadas.

O Reserva do Douro apresentou-se pujante, sem denotar muita evolução, com cor ainda muito carregada, algum frutado num aroma intenso e persistente, taninos firmes mas suaves, com final prolongado e macio. Está para durar.

Quanto ao Reserva do Alentejo, antecedente da marca Herdade do Peso, esteve notável mais uma vez. Estruturado, robusto, aroma vinoso intenso, com nuances de frutas vermelhas e pretas, ligeiro apimentado e muito vivo e vibrante na prova de boca. Respira saúde. Tudo no sítio.

Em suma, um regresso em excelente forma, que nos deixa sempre com água na boca para a próxima prova, daqui a mais alguns meses, ou daqui a um ano, ou quando calhar...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 13,33 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 13,33 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 17 de janeiro de 2016

Adegga Wine Market Lisboa 2015

A edição de final de ano do Adegga Wine Market, no início de Dezembro passado, permitiu rever ou visitar alguns produtores e novidades que não puderam ser provadas no Encontro com o Vinho e os Sabores em Novembro.

Desta vez, acedendo a um amável convite enviado pela organização, desloquei-me ao Hotel Altis Lisboa (nova localização do evento) para uma visita diferente do habitual. Em vez de cirandar por tudo o que era sítio e provar em quantidade, resolvi concentrar-me apenas numa meia-dúzia de produtores e aí provar tudo o que era possível. Estavam presentes 52 produtores, mas não visitei mais do que seis...

Passei pela banca dos vinhos Soalheiro, pela Sogrape, pela Casa da Passarela, pela Real Companhia Velha... Com pouco tempo disponível para estar no evento e muita conversa entabulada com outros passantes que vou reencontrando regularmente nestes eventos, falei mais de vinhos do que provei, porque estes momentos também são propícios para trocar impressões, rever ou estabelecer contactos, falar sobre o que se provou e o que está para vir. Mas o que provei foi bom.

De realçar o sucesso cada vez mais evidente desta iniciativa liderada pelo André Ribeirinho, que muito justamente foi incluído na lista dos nomeados de Aníbal Coutinho para Personalidade do Ano. O Adegga Wine Market tem vindo cada vez mais a destacar-se como embaixador dos vinhos portugueses não só dentro como também fora do país, e pelo andar da carruagem não vai ficar por aqui. E, claro, não esquecendo a grande inovação tecnológica, já vinda de edições anteriores, do “copo inteligente” que nos permite registar todos os vinhos provados no evento.

Votos de sucesso para 2016 é o que aqui vos deixamos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

500 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante a quinta centena de posts.

Espumantes

Espumante A. Henriques 70 anos 2006 - 5
Martini Brut - 8
Murta Extra-Bruto rosé 2011 - 7,5
Quinta da Murta Brut Nature branco 2011 - 8


Rosé

Douro
Vallado, Touriga Nacional 2014 - 8
Vinha Grande 2013 - 8

Dão
Casa da Ínsua 2013 - 4
Casa da Passarela, O Brazileiro 2014 - 7,5

Bairrada
Colinas 2013 - 3

Tejo
Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2013 - 7,5
Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2013 - 8

Península de Setúbal
Periquita 2013 - 6,5


Brancos

Verdes
João Portugal Ramos, Loureiro 2013 - 6,5
Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2012 - 9
QM, Alvarinho 2012 - 8
Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2012 - 7
Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2013 - 7,5
Reguengo de Melgaço, Alvarinho 2013 - 8
Soalheiro, Alvarinho 2013 - 8,5
Soalheiro, Alvarinho 2014 - 8,5

Douro
Bons Ares - 8
Duas Quintas - 7,5
Planalto Reserva 2013 - 7,5
Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2014 - 8
Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2014 - 8,5
Tavedo 2013 - 7
Tons de Duorum 2014 - 6
Vila Real Reserva 2013 - 7,5

Távora-Varosa
Terras do Demo seco 2013 - 7

Dão
Casa da Ínsua 2014 - 7,5

Beira Interior
Beyra 2012 - 7
Beyra 2014 - 7

Bairrada
Frei João Reserva 2009 - 6,5
Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2013 - 7,5

Tejo
Fiúza, Alvarinho 2013 - 7,5
Fiúza, Sauvignon Blanc 2014 - 8
Ninfa, Sauvignon Blanc 2013 - 8

Lisboa
Lybra 2014 - 8
Tágide, Chardonnay 2012 - 3

Bucelas
Bucellas, Arinto 2013 - 7,5
Bucellas, Arinto 2014 - 7,5
Bucelas Capital do Arinto, Seleção da Confraria Reserva 2014 - 5
Bucelas Caves Velhas Garrafeira Branco Seco 1998 - 8,5
Murta Wine of Shakespeare 2012 - 7
Prova Régia, Arinto 2013 - 6,5
Prova Régia Reserva, Arinto 2013 - 8
Quinta da Murta 2012 - 7,5
Quinta da Murta Clássico 2012 - 8

Península de Setúbal
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012 - 8,5
Quinta de Camarate seco 2013 - 7,5
Serras de Grândola Edição Especial 2014 - 8
Serras de Grândola, Verdelho 2013 - 8

Alentejo
Esporão, Duas Castas 2013 (1) e (2) - 8
Esporão, Verdelho 2011 - 9
Esporão, Verdelho 2013 - 9
Marquês de Borba 2013 - 7,5
Reguengos Reserva 2011 - 7
Vila Santa Reserva 2012 - não classificado

Algarve
Foral de Portimão 2013 - 6
Lagoa Estagiado 2012 - 6
Porches 2012 - 7,5
Quinta da Penina 2012 - 8
Quinta da Penina 2013 - 7,5
Salira 2012 - 7


Tintos

Douro
Borges Reserva 2005 - (1) - 6 e (2) - 8
Borges Reserva 2008 - 7,5
Cedro do Noval 2006 - 8,5
Evel 2012 - 7
Messias Reserva 2004 - 8
O. Leucura 200 Reserva 2008 - 8,5
O. Leucura 400 Reserva 2008 - 8
Vila Real 2012 - 7
Vila Real Grande Reserva 2009 - 6
Vinha Grande 2011 - 8
Vinha Grande 2012 - 8

Dão
Borges, Tinta Roriz 2004 - 8,5
Borges, Touriga Nacional 2005 - 8
Cardeal Reserva, Touriga Nacional 2009 - 8
Fonte do Gonçalvinho 2012 - 8
Meia Encosta 2013 - 6,5
Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005 - 9
Quinta da Giesta 2011 - 5
Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004 - 8
Quinta de Saes 2012 - 7
Quinta dos Carvalhais Único 2005 - 9

Beira Interior
Beyra 2012 - 7

Bairrada e Beiras
Campolargo, Baga 2010 - 8
Caves São João Lote Especial 2010 - 8
Caves São João Reserva 2005 - 8,5
Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007 - 8
Frei João 2006 - 8
Frei João Reserva 2005 - 8,5
Pato Rebel 2009 - 8
Quinta das Baceladas 2003 - 8
Quinta das Bágeiras Reserva 2010 - 7,5
Quinta de Foz de Arouce 2007 - 8
Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 2003 - 8
Sogrape Reserva 1995 - 8

Tejo
Casa Cadaval Vinhas Velhas, Trincadeira 2007 - 8
Companhia das Lezírias 2008 - 7,5
Fiúza, Cabernet Sauvignon 2012 - 8
Fiúza, Touriga Nacional 2012 - 7
Padre Pedro 2007 - 7,5
Padre Pedro Reserva 2005 - 7,5

Lisboa
Aurius - 9
Grand’Arte, Shiraz 2007 - 7,5
Grand'Arte, Tinta Roriz 2005 - 7,5
Grand'Arte, Touriga Nacional 2008 - 7,5
Murta, Touriga Nacional e Syrah 2011 - 7,5
Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007 - 7,5
Quinta de Pancas Selecção do Enólogo 2005 - 8
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2004 - 9,5
Têmpera - 9

Colares
Collares V. S. 1994 - 9

Península de Setúbal
Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2009 - 7,5
Adega de Pegões, Touriga Nacional 2008 - 7,5
Dona Ermelinda Reserva 2011 - 6
Hexagon 2005 - 9
Periquita Reserva 2010 - 7,5
Rovisco Pais Reserva 2009 - 8
Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2012 - 7,5
Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2013 - 8

Alentejo
ACR Reserva 2010 - 8
Adega de Borba Reserva, Rótulo de Cortiça 2008 - 8
Conventual Reserva 2003 - 7,5
Esporão, Alicante Bouschet 2005 - 8,5
Esporão, Aragonês 2004 - 8
Esporão, Quatro Castas Reserva 2003 - 8,5
Esporão, Quatro Castas 2011 - 8
Esporão, Touriga Nacional 2005 - 7,5
Esporão, Trincadeira 2005 - 8,5
Herdade do Perdigão Reserva 2005 - 8,5
Horta da Palha, Touriga Nacional 2008 - 6
Julian Reynolds 2006 - 8,5
Monsaraz Millennium 2014 - 3
Monte da Ravasqueira Reserva 2011 - 5
Poliphonia Reserva 2012 - 8
Porta da Ravessa Reserva 2013 - 7
Quinta do Mouro 2006 - 8,5
Reguengos Reserva 2005 - 8
Serros da Mina Reserva 2009 - 7,5
Trinca Bolotas 2013 - 7
Vila Santa, Trincadeira 2011 - 8

Algarve
Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011 - 7
Lagoa Estagiado 2012 - 7,5
Lagos 2012 - 6
Quinta da Penina Reserva 2010 - 7,5
Quinta dos Lopes 2008 - 8
Tapada da Torre 2007 - 7,5


Estrangeiros

Brancos
Tormaresca, Chardonnay 2013 (Itália) - 7,5

Tintos
Château Grand Champ 2011 (França) - 7
Chianti Melini 2014 - 7,5
Domaine Felix, Pinot Noir 2010 (França) - 8,5

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

No meu copo 500 - Esporão: brancos e tintos, monocastas, duas castas e quatro castas

Duas Castas 2013; Verdelho 2013; Aragonês 2004; Alicante Bouschet 2005; Touriga Nacional 2005; Trincadeira 2005; Quatro Castas Reserva 2003




Chegámos a um número redondo, que nem estava nas previsões que viéssemos a atingir. E, para assinalar condignamente este meio milhar de posts dedicados a vinhos provados à mesa, – que aliás coincidem no tempo com o 10º aniversário deste blog, com o aniversário recente de um dos escribas e também com o início de um novo ano –, nada melhor que aproveitar esta série de festejos acumulados para tirar o pó a algumas relíquias que têm esperado pacientemente pela sua vez na garrafeira ao longo de vários anos. Escolheu-se assim um painel de vinhos exclusivamente provenientes da Herdade do Esporão, seguindo o critério de escolhas dos monocastas, ou com nomes afins.

Recuando cerca de 20 anos no tempo, foi em meados da década de 90 do século XX que eu e o saudoso Mancha começámos a encontrar nas prateleiras os primeiros vinhos monocasta da Herdade do Esporão – que na altura eram também dos primeiros que se viam produzidos em Portugal – baseados nas três castas que têm constituído a base do lote para o Esporão Reserva (com pequenas variações pontuais), com rótulos bem distintos para cada um deles: o Aragonês, com rótulo bege, o Trincadeira com rótulo cinzento claro e o Cabernet Sauvignon com rótulo vermelho vivo. A breve trecho o tuguinho também já estava metido nesta pandilha, sem imaginarmos que passadas duas décadas viríamos a escrever sobre o acontecimento... .

Tivemos oportunidade de comprar e provar várias colheitas dos primeiros anos (1991, 1992, 1993 e por aí fora...) de forma paralela e, com algum humor, chegámos a comparar o perfil de cada casta com os instrumentos de uma banda: o Aragonês, mais vivo e adstringente e de aroma intenso e especiado, era como a guitarra eléctrica, que se destacava nos solos; a Trincadeira, com o seu carácter vegetal, mais estruturada, discreta e redonda, era como o baixo, que muitas vezes passa quase despercebido mas que, se não estiver lá, se sente a sua falta, pois é quem dá o suporte de fundo ao conjunto; e o Cabernet Sauvignon, com um aroma marcante a frutos vermelhos e pretos maduros e algum apimentado, era como um teclado de sintetizador, que mantinha um som constante a preencher os espaços vazios e a ligar todas as partes do conjunto. E assim fomos aprendendo a conhecer as características de cada casta isoladamente, tendo-se posteriormente juntado ao painel o Bastardo, com um rótulo de cor antracite, a Touriga Nacional, com rótulo azul-escuro, a Syrah, com rótulo preto e finalmente o Alicante Bouschet, já nos anos 2000, com rótulo grená.

Com o passar dos anos, o lançamento no mercado destas 7 castas tintas a solo foi variando conforme as colheitas, tendo ainda na passagem de século ocorrido um período de alguns anos em que os vinhos eram lançados em garrafas de meio-litro, durante o qual surgiram também os primeiros monocastas brancos – tivemos oportunidade de provar o Arinto e o Roupeiro de 1999, com rótulos esverdeados, claro e escuro. Alguns dos monocastas deixaram de ser produzidos (o primeiro foi o Cabernet Sauvignon), sendo paulatinamente substituídos pelas novas castas emergentes e “importadas” de outras regiões.

Durante este percurso surgiu também aquele que foi durante vários anos o vinho do Esporão que mais nos encantou e que aqui referenciámos frequentemente: o Quatro Castas Reserva – com uma filosofia diferente, em que o lote podia variar todos os anos, era (e é) sempre composto pelas melhores quatro castas tintas de cada ano e sempre em partes iguais. Chegámos a colocá-lo num patamar equivalente ou mesmo superior ao Esporão Reserva, tal a personalidade, estrutura e perfil aromático deste vinho!

Depois, já em pleno século XXI, a estratégia comercial da casa para os vinhos monocasta mudou completamente, a rotulagem também, tomando o aspecto que ostenta actualmente, com apenas uma ou duas letras em destaque representando as iniciais da casta, mas sobretudo o que mudou foram os preços: para os tintos monocasta, o valor duplicou, subindo para a fasquia dos 22 a 24 €, o que o coloca no patamar do Duas Quintas Reserva, por exemplo. E com a nova estratégia comercial da casa, também nós mudámos a estratégia de compra, guardando (até agora) os últimos exemplares das antigas versões e comprando algumas relíquias em promoção, e deixando as novas apenas para abordagens esporádicas e muito pontuais, de que o único exemplo que apresentámos até agora foi um Petit Verdot, entretanto acrescentado ao poretfólio da casa, e que foi adquirido num passeio à herdade. Foi também neste período que se consolidou a nova marca Duas Castas, para os brancos, seguindo a mesma filosofia do Quatro Castas para os tintos – castas variáveis conforme o ano, embora no caso do branco as percentagens de cada casta possam não ser iguais – e que o espantoso Verdelho se impôs definitivamente como um dos melhores brancos nacionais.

E depois deste longo intróito, o que há para dizer, afinal, acerca dos vinhos? Pouca coisa. Nestes posts de balanço e de mudança de centena importa-nos, muitas vezes, elucubrar mais sobre a filosofia dos vinhos provados, da nossa relação com eles e da razão da escolha, por isso escolhemos sempre vinhos muito marcantes para nós: os do Esporão, os antigos Reservas da Sogrape, os tintos velhos do Dão ou da Bairrada, ou ainda o igualmente marcante Reguengos Garrafeira dos Sócios, verdadeiro compagnon de route dos tintos do Esporão na nossa aprendizagem vínica; no fundo, as verdadeiras relíquias que mais marcaram o nosso percurso enquanto enófilos.

Vamos apenas deixar aqui alguns apontamentos curtos, deixando as restantes conclusões para o leitor em função das fichas de cada vinho.

Duas Castas 2013 – Já provado anteriormente, apreciação feita aqui.

Verdelho 2013 – Como habitualmente em grande nível, encantando os presentes como noutras ocasiões. Acidez, aroma tropical intenso com algum citrino, estrutura, vivacidade e persistência. Excelente!

Aragonês 2004 – Robusto e estruturado, amaciado pelo tempo mas ainda longo e vivo. Com menos idade era um dos mais exuberantes em termos de corpo e aroma.

Alicante Bouschet 2005 – A nova coqueluche dos tintos alentejanos, aqui também já amaciada pelo tempo mas a mostrar porque é cada vez mais uma presença constante nos lotes: robusto, estruturado, longo, persistente, taninos firmes e vivos.

Touriga Nacional 2005 – Algo linear na prova, com o floral a marcar o conjunto mas a denotar pouca vivacidade.

Trincadeira 2005 – Mais um belo exemplar duma casta emblemática do Alentejo mas que parece ter-se tornado mal-amada por alguns enólogos. Estava lá tudo o que tem de melhor: estrutura, aroma, corpo, elegância, final longo, persistente e suave. Um dos melhores tintos da noite.

Quatro Castas Reserva 2003 – Depois de percorridos todos os monocastas ainda disponíveis, e depois de tantas colheitas, mais antigas e mais recentes, já provadas, este velho companheiro ainda foi capaz de nos surpreender. Já não apresentou a vivacidade de outras garrafas, mas as características que têm feito as nossas delícias desde há mais de uma década ainda lá estão. Corpo e exuberância aromática notáveis, taninos ainda bem firmes mas redondos e elegantes, mantendo tudo no sítio! Mais uma vez se confirmou que já tem muito pouco que ver com as novas versões modernaças...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Duas Castas 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Gouveio (70%), Antão Vaz (30%)
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Verdelho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,98 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Aragonês 2004 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 10,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Alicante Bouschet 2005 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Touriga Nacional 2005 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 10,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Trincadeira 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 10,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quatro Castas Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,54 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 3 de janeiro de 2016

No meu copo 499 - Chianti Melini 2014

Uma visita a um restaurante italiano no Algarve (Bulli & Pupe, Praia da Rocha) proporcionou a oportunidade para provar um vinho italiano. Normalmente nos restaurantes de culinária estrangeira, havendo essa opção, prefiro optar por vinhos do mesmo país.

As opções não costumam ser muitas nem variadas, mas dentro do que havia escolhi um tinto Chianti, um dos mais afamados do país.

Sabe-se como os tintos italianos nos podem reservar todo o tipo de surpresas. Desde os vinhos mais abertos, leves e aguados, a outros mais robustos e encorpados, não conhecendo a fundo os produtores pode-se encontrar um pouco de tudo.

Os Chianti que tenho provado têm-se mostrado, contudo, ao contrário, como foi o caso deste: apresentou-se concentrado, com uma cor granada, encorpado, estruturado, persistente e frutado. Muito longe, portanto, de alguns outros algo deslavados.

Um vinho que se bate bem com pratos de carne bem temperados; estava mesmo a pedir algo como um ossobuco. Mas ficará para outra ocasião. A verdade é que este Chianti Melini agradou perfeitamente, e cumpriu na plenitude a sua função à mesa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Melini 2014 (T)
Região: Toscana (Itália)
Produtor: Melini - Poggibonsi
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sangiovese (75%), outras (25%)
Preço: 8 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 27 de dezembro de 2015

No meu copo 498 - Tavedo branco 2013

Numa deslocação à cidade invicta, aproveitei uma bela tarde soalheira para ir almoçar na Ribeira, ali mesmo com o Douro aos pés.

Deambulei pela marginal à procura do local adequado, sem nada preparado antecipadamente. Olhadela aqui, espreitadela ali, um olhar de relance para alguns menus e resolvi sentar-me numa esplanada à vista da ponte D. Luís, com os barcos turísticos nas proximidades.

A refeição queria-se relativamente simples e rápida, e optei por um prato típico e descomplicado: filetes de polvo com arroz de feijão. Apetitoso, agradável e suficiente, em qualidade e quantidade.

Para acompanhar, o vinho da casa, também descomplicado. Não o conhecendo, era uma boa ocasião para experimentar: um Tavedo branco, da Sogevinus. Feito com casata típicas do Douro, revelou-se aromático com um nariz sedutor de fruta fresca e notas florais. Na boca mostrou-se aberto, elegante e suave, com boa frescura e carácter frutado muito agradável.

Um vinho essencialmente simples mas que cativa logo à primeira impressão. Agradou e valeu a pena. Está na gama abaixo dos 3 € mas é boa aposta para o dia-a-dia.

É para acrescentar às nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tavedo 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Sogevinus - Fine Wines
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato
Preço: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

No meu copo 497 - Herdade do Perdigão Reserva 2005

Temos bebido este vinho espaçadamente, em ocasiões especiais. Sempre com enorme sucesso junto dos bebedores de ocasião.

A última prova não fugiu à regra. Às primeiras gotas deglutidas, os provadores multiplicaram-se em elogios à pujança deste vinhos, à exuberância dos aromas, à estrutura e à persistência.

Muito encorpado mas com as arestas bem limadas e os taninos arredondados, o traço vegetal da Trincadeira está bem complementado com a robustez do Aragonês e algum apimentado do Cabernet Sauvignon, a par com um toque a frutos vermelhos que sobressai com a evolução e envelhecimento dos vinhos da casta.

É um vinho que pode ser comprado a bom preço em circunstâncias de ocasião. O preço de referência costuma andar à volta dos 25 €. Em certas promoções, como foi o caso desta garrafa, conseguiu-se por menos de metade. Por este valor, é imperdível, e ainda recentemente encontrei a colheita de 2008 a 9,99 €, o que é quase oferecido...

Ao preço normal, apesar da elevada qualidade, há que pensar duas ou três vezes... Mas a qualidade está lá e é inegável.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira (80%), Aragonês (15%), Cabernet Sauvignon (5%)
Preço em feira de vinhos: 11,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 19 de dezembro de 2015

No meu copo 496 - Quinta do Monte d'Oiro: Aurius 2002; Têmpera 2004; Reserva 2004

A descrição da prova que se segue foi uma ocasião especialíssima, daquelas que acontecem uma vez por acaso e que tornam cada momento único.

Tratou-se de uma prova horizontal de vinhos de topo da Quinta do Monte d’Oiro. Por ordem crescente de qualidade e de preço, a ordem da prova seguiu o mesmo critério: tivemos um Aurius 2002 (que já tinha sido provado há uns anos), um Têmpera 2004 e um Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004, tudo adquirido numa única caixa pelo valor imbatível de 66,50 €.

Os três vinhos foram arrefecidos e decantados atempadamente, de modo a estarem nas condições óptimas de consumo quando chegasse o momento de os verter nos copos. A acompanhar, umas costeletas de novilho assadas na brasa ao momento, complementadas com alho moído, molho de alho e molho cocktail.

Decantados os três vinhos como era requerido, fomos provando pela ordem requerida e intercalando cada um deles para estabelecer comparações. A qualidade de todos é tão elevada que quase parece um sacrilégio tentar diferenciá-los. Em todo o caso, em traços gerais as impressões colhidas foram as que se seguem.

Aurius 2002 – No ponto óptimo de consumo. Elegante, encorpado, persistente, profundo. Magnífico.

Têmpera 2004 – Estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês. Muito estruturado, persistente, encorpado, longo. Elegante e persistente na boca e equilibrado no aroma.

Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004 – Estagiou em barricas 100% novas de carvalho francês Seguin Moreau. Estruturado e longo, elegante e com taninos de seda. De cor vermelho escuro, que não deixa revela a idade do vinho, apresenta aromas de fruta preta e alguma especiaria, madeira discretíssima e integrada, acidez irrepreensível, tudo no ponto certo. Um vinho quase perfeito. A mestria de José Bento dos Santos no seu auge.

Em resumo: são momentos como os que nos permitem usufruir de néctares de excepção como estes que nos fazem sentir como há coisas belas nesta vida.

Obviamente, perante este nível qualitativo, e apesar do preço, estes vinhos merecem estar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro

Vinho: Aurius 2002 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 19 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Têmpera 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 26 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Syrah (96%), Viognier (4%)
Preço: 37,50 €
Nota (0 a 10): 9,5

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

No meu copo 495 - Ramos Pinto: as duas quintas em brancos

Bons Ares branco 2013; Duas Quintas branco 2014


Agora que o consulado de João Nicolau de Almeida como responsável máximo pelos vinhos da Casa Ramos Pinto se aproxima do fim, anunciado pelo próprio, e depois da prova vertical que assinalou os 25 anos do Duas Quintas tinto no Encontro com o Vinho e os Sabores 2015, é uma boa oportunidade para apreciar alguns dos vinhos da casa que têm sido lançados ao longo do último quarto de século.

Não temos sido grandes frequentadores dos brancos da Ramos Pinto, incidindo mais nos tintos. Mas duas compras recentes permitiram provar dois brancos de marcas emblemáticas que já têm nome feito nos tintos: o Bons Ares, proveniente da quinta com o mesmo nome, e o Duas Quintas, que tal como o tinto junta as uvas desta quinta às uvas da Quinta de Ervamoira.

A Quinta dos Bons Ares é a que fica situada em altitude, cerca de 600 m acima do nível do mar, e tem solo granítico. É daqui que vêm habitualmente as uvas que conferem mais frescura e acidez aos vinhos. Este lote de Viosinho e Rabigato, castas tradicionais durienses, associado ao Sauvignon Blanc (cuja incorporação no lote o torna vinho Regional Duriense em vez de DOC Douro) resultou num vinho fresco, aromático, medianamente estruturado e persistente, com um final suave. No sabor apresenta-se com algum citrino e um ligeiro vegetal com leves notas tropicais, que denota a presença do Sauvignon Blanc. Acidez elegante, sem ser impositiva.

Um vinho extremamente equilibrado, onde parece que nada foi deixado ao acaso, com todas as componentes presentes na dose certa, de forma mais ou menos discreta e sem exageros, formando assim um conjunto versátil que pode ligar bem com peixes sofisticados e carnes não muito pesadas de forma quase indistinta – experimentei as duas variantes e ambas resultaram em pleno. É um branco de meia estação, o que o torna versátil para múltiplas ocasiões.

Temos assim mais um branco para acrescentar à nossa lista de preferências e a manter debaixo de olho.

Quanto à versão em branco do Duas Quintas, que temos provado amiudadamente em tinto e que temos sempre em stock, segue um pouco a linha do tinto em comparação com o Bons Ares. Aqui o lote contém Arinto em vez de Sauvignon Blanc, mantendo-se as outras duas castas. O vinho mostra-se mais estruturado e com mais corpo, mas com menos frescura e suavidade – a proveniência, da Quinta de Ervamoira, de uvas com maturação mais profunda (como reza o contra-rótulo do tinto) traz alguma complexidade e persistência ao vinho mas retira-lhe alguma elegância, o que no caso destes dois brancos torna o Bons Ares um pouco mais apelativo. O Duas Quintas é um vinho mais de Inverno e para pratos mais fortes.

De todo o modo, foi uma comparação de estilos muito interessante e, conforme o acompanhamento que se pretende, temos dois perfis de vinho diferentes à escolha do consumidor. Pessoalmente, o Bons Ares vai mais ao encontro do meu gosto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Bons Ares 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Rabigato, Viosinho, Arinto
Preço em feira de vinhos: 9,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

10 anos é muito tempo


Já assim rezava a canção de Paulo de Carvalho:

10 anos é muito tempo
Muitos dias, muitas horas a beber.


Ou seria a cantar? Espero que não porque, apesar de tudo, bebemos melhor que cantamos. Ou não, porque um dos elementos deste blogue toca e canta, e às vezes encanta...

Parece que foi ontem que bebemos aquele tinto que nos tirou do sério e nos fez saltar de contentamento... Esperem! Isso foi mesmo ontem! Há 10 anos deve ter sido outro. Já houve uns quantos ao longo deste tempo de fruição do produto da fermentação dos frutos da Vitis Vinifera – ou, dito de outra forma, já emborcámos (com classe, of course) muita vinhaça da boa!

Se a idade e o fígado nos deixar, pretendemos continuar a fazê-lo por muitos e bons anos, apreciando este produto fruto do engenho do homem e das dádivas da natureza, quiçá continuando a reportar as nossas impressões neste moderno caderno de notas electrónico.

Esperamos que vos dê tanto prazer ler as nossas opiniões como nos deu beber os vinhos – embora as opiniões sejam um pouco mais secas e menos saborosas...

Para o ano cá estaremos a marcar um novo aniversário e esperamos que convosco a continuar a ler.

Bem hajam!

tuguinho e Kroniketas, enófilos finos

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Encontro com o Vinho e os Sabores 2015 (2ª parte)

Prémios Escolha da Imprensa


  

Tal como em 2014, tive oportunidade de assistir, logo no primeiro dia, ao anúncio da Escolha de Imprensa feito pela Revista de Vinhos. Depois pude provar uma parte significativa dos vinhos premiados no espaço reservado para o efeito.

Em primeiro lugar, destaque para os vencedores do Grande Prémio em cada categoria: Murganheira Cuvée Reserva Especial nos espumantes; Muros de Melgaço (Anselmo Mendes) nos brancos; MR Premium (Monte da Ravasqueira) nos rosés; H. O. Grande Escolha (Casa Agrícola Horta Osório) nos tintos; e Vau Porto Vintage (Sogrape) nos licorosos. Os dois primeiros sem surpresa, os restantes algo inesperados.

Houve mais vinhos premiados que em 2014, com algumas boas surpresas, nomeadamente a nível dos rosés, e outras confirmações, como o Villa Oliveira da Casa da Passarela (um repetente), o Paço dos Cunhas de Santar, o Cartuxa Reserva, o Pai Chão da Adega Mayor, o Poliphonia Reserva, o Dona Maria Reserva ou o Quinta da Touriga Chã. O nível dos vinhos escolhidos é elevadíssimo, como seria de esperar, sendo que alguns vinhos são mesmo de encher as medidas.

Não sendo viável provar nem mencionar todos os vinhos, não podemos deixar de destacar mais um conjunto de prémios arrebatados pelos espumantes Murganheira (5 prémios no total entre as marcas Murganheira e Raposeira, e vencedor do Grande Prémio na categoria de espumantes), o aparecimento de novos produtores como o Monte da Serenada, já aqui mencionado com o seu branco Serras de Grândola Edição Especial, e o recuperar de clássicos como a Adega Cooperativa de Cantanhede, com o seu 2221 Terroir de Cantanhede e o Foral de Cantanhede Gold Edition Grande Reserva, depois de em 2014 ter feito furor com o Marquês de Marialva Confirmado de 1991, bem como o Quinta dos Carvalhais Branco Especial, também um repetente.

Novidades foram os tintos da Reserva da Casa Santos Lima, Pinot Noir e Touriga Nacional da DFJ, o Conde d’Ervideira Private Selection, e os brancos Reserva da Quinta das Carejeiras, MR Premium do Monte da Ravasqueira, Mula Velha da Quinta do Gradil e o Viosinho da Adega Mãe.

Verdadeira surpresa para o aparecimento do rosé JP, menos surpresa a presença do Quinta do Poço do Lobo Baga-Pinot Noir, um rosé em grande estilo!

Como o tempo este ano foi escasso, estas duas actividades acabaram por ocupar a maior fatia da minha presença no certame. Dentro do recinto dos expositores fiz o périplo mais ou menos habitual, desta vez prestando menos atenção e dedicando menos tempo às provas nos stands. Dei especial atenção a algumas novidades da Casa da Passarela, um produtor que se afirma cada vez mais com vinhos que representam o verdadeiro carácter do Dão, e o resto foi mais ou menos sortido. Ao fim de tantos anos começa a ser difícil encontrar muitas novidades e dispersar a atenção por tantas marcas.

Para o ano há mais. Na altura se verá como corre.

Kroniketas, enófilo itinerante

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Encontro com o Vinho e os Sabores 2015 (1ª parte)

25 anos de Duas Quintas


  

Cumprindo o ritual de todos os anos, que já é presença obrigatória no calendário, há um mês dirigimo-nos ao Centro de Congressos de Lisboa para a edição 2015 do Encontro com o Vinho e os Sabores.

Tal como o ano passado, decidi participar numa prova especial, desta vez os 25 anos de existência do Duas Quintas sob a batuta de João Nicolau de Almeida.

O enólogo e administrador da Casa Ramos Pinto anunciou a sua reforma para breve, em que vai passar o testemunho aos mais novos e dedicar-se em exclusivo aos projectos familiares com os seus filhos, Mateus e João.

Começou por fazer um historial do seu percurso antes e durante a Ramos Pinto, a busca do seu tio José António Ramos Pinto Rosas por um local de excepção que viria a encontrar na Quinta de Ervamoira, a investigação das castas mais adaptadas à produção de “vinho de pasto” no Douro e, finalmente, a inovadora plantação de vinhas ao alto em vez da tradicional disposição em patamares.

Depois da apresentação histórica de como surgiu o Duas Quintas (e dos acidentes que ocorreram na primeira colheita, em 1990), passou-se então à prova de algumas colheitas disponíveis da versão Reserva, que surgiu em 1992, não sem que antes ainda nos fosse dado a provar a colheita de 1990, que já está em óbvio declínio, algo oxidado e descorado, mas ainda se bebe... Tive a feliz coincidência de encontrar esta colheita na Feira de Vinhos do Pingo Doce, em 1993, pelo que tenho acompanhado este vinho desde o seu nascimento. Foram produzidos 80.000 litros desta primeira colheita.

Do Duas Quintas Reserva foram provadas as colheitas de 1992, 1994, 1997, 2000, 2005, 2008 e as três últimas, 2011, 2012 e 2013.

As diferenças foram óbvias: os mais antigos mais suaves e delicados, os mais recentes mais frutados, pujantes e persistentes. Em todos eles, uma exuberância aromática evidente, um corpo pujante e estruturado. 1994 mais elegante, macio e frutado que o de 1992. 1997 ainda algo adstringente e com arestas, resultante da incorporação da casta Tinta da Barca, que lhe dá taninos mais duros.

O de 2000 apresentou-se muito equilibrado, suave e redondo, mas foi revelando pujança e robustez enquanto arejava, libertando-se numa explosão de aromas! Muito bem! O 2005 apresentou-se algo linear numa primeira abordagem. O 2008 algo rugoso no início, estruturado e longo, enquanto os três finais apresentaram-se marcados por especiarias, com o 2011 a ser o mais suave e redondo.

Dentro desta panóplia ficou patente a elevada qualidade deste vinho, com diferentes moldagens pelo tempo e diferentes evoluções em garrafa. Uma excelente amostra dum magnífico vinho.

Daqui saiu-se para o anúncio dos prémios da escolha de imprensa.
(continua)

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No meu copo 494 - Bairrada: os clássicos rebeldes

Quinta das Bágeiras Reserva tinto 2010; Pato Rebel 2009; Campolargo, Baga 2010


Por uma curiosa coincidência, tivemos oportunidade de provar em ocasiões muito próximas três tintos da Bairrada provenientes de três produtores que funcionam “fora da caixa”, ou fora dos cânones que marcam a tradição da região. A descrição que se segue coincide apenas com a ordem da prova, e nada mais.

Comecemos então pelo tinto Reserva da Quinta das Bágeiras. Uma marca clássica da Bairrada de um produtor que foge aos cânones, e é desalinhado das tendências dominantes, de tal forma que nem sequer faz questão de ter o nome “Bairrada” nos rótulos dos seus vinhos. Nos anos mais recente, um vinho branco chumbado pela Comissão Vitivinícola tornou-se um caso raro de sucesso junto dos apreciadores (estamos a falar do Pai Abel Chumbado).

Este Quinta das Bágeiras Reserva 2010, fermentado em pequenos lagares, sem desengace, estagiou em tonel de madeira avinhada e foi engarrafado sem colagem ou filtragem. Foram adquiridas duas garrafas Março de 2013, portanto ainda relativamente novo. A primeira já tinha sido consumida e na altura o vinho mostrou-se algo rugoso e duro na prova.

Entretanto amaciou. Apresentou-se encorpado, persistente, com boa estrutura na boca e aroma vinoso intenso. Um vinho para carnes com algum requinte, um Bairrada com uma base clássica mas com alguns laivos de modernidade. Para quem não quer ou não pode chegar ao excelente (e bem mais dispendioso) Garrafeira, aqui está outro bom produto por um valor bem mais acessível, em que vale a pena apostar.

Em seguida, o Pato Rebel 2009, um tinto que estava à espreita para ser provado, mais uma inovação do enfant terrible da Bairrada, Luís Pato, o “Senhor Baga”. Sempre a inovar defendendo as raízes da região, e sempre com especial carinho pela Baga. Este é um Regional Beiras, mas quem se importa com isso?

Aqui nasceu um vinho também feito fora dos cânones: um Baga para beber com facilidade, jovem, para o Verão. Mostrou-se macio, aberto na cor, mas com o arejamento foi desenvolvendo aromas e mostrando uma pujança e estrutura que o caracterizam como muito mais do que um tinto de Verão. É um tinto que merece respeito.

Finalmente, o Campolargo Baga 2010. Outro produtor que, assentando raízes na Bairrada, também pouco liga às tradições. Pouco importa que as castas sejam clássicas ou modernas, nacionais ou estrangeiras, típicas ou atípicas: o que interessa é o resultado final. Aqui temos, por coincidência, um monocasta de Baga, que também se apresenta muito macio e pronto a beber.

Tal como é prática habitual em Luís Pato, este fermentou com desengace total das uvas. A fermentação terminou em balseiro e barricas, nas quais fez a fermentação maloláctica e onde permaneceu até Março de 2012. Outro Bairrada de respeito, a precisar de algum tempo para se mostrar em plenitude.

E assim se fez um pequeno percurso por produtores que defendem o melhor que se faz na região, cada um com o seu cunho muito próprio que permite perceber que, afinal, mesmo com a dominância da Baga, podem existir várias e diferentes “Bagas”...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta das Bágeiras Reserva 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Pato Rebel 2009 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço: 10,46 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Campolargo, Baga 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

No meu copo 493 - Periquita Reserva 2010

O Periquita, marca de vinho mais antiga produzida em Portugal, tem vindo a ter o seu portefólio alargado. Mudou a garrafa, o rótulo, surgiu o Reserva, o branco e o rosé.

Tenho sempre alguma hesitação em relação a este vinho. Por um lado, ele é bastante melhor que o Periquita Clássico, mas fico sempre com uma certa sensação de expectativas frustradas. É certo que não é um vinho mau, nem sequer razoável, é bom. Mas parece que estou sempre à espera de mais qualquer coisa que me surpreenda.

Acho que talvez seja isto que falta a este Periquita Reserva: algo de verdadeiramente novo, inesperado, surpreendente, como o enólogo Domingos Soares Franco nos tem habituado com as suas apostas arrojadas, como o rosé de Moscatel Roxo ou o excelente branco de Verdelho da Colecção Privada.

Este Periquita Reserva 2010 estagiou 8 meses em barrica e apresenta um aroma predominante a frutos vermelhos. É suave na boca, com persistência média e medianamente encorpado. O final está ali entre o macio e o rugoso.

Não é caro e não é uma má aposta para o preço que custa. Mas falta-lhe algum golpe de asa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2010 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de novembro de 2015

No meu copo 492 - Casa da Ínsua branco 2014; Casa da Ínsua rosé 2013

Voltamos ao Dão, para uma prova de mais uma marca antiga que andou desaparecida durante algum tempo.

A Casa da Ínsua, antiga casa senhorial do século XVIII, actualmente é um hotel de charme situado em Penalva do Castelo, propriedade dos Empreendimentos Turísticos Montebelo, do grupo Visabeira, e dentro dos seus vastos jardins estão situadas as vinhas donde provêm as uvas para os vinhos que produz.

Nesta ocasião tivemos oportunidade de provar um branco e um rosé. Os tintos ficam para mais tarde.

O branco agradou à generalidade dos provadores. Apresentou-se com uma cor citrina, elegante, com aroma complexo com notas de frutos do pomar. Na boca mostrou-se encorpado, macio, estruturado, persistente e com final marcadamente mineral. Um vinho para agradar com entradas ou pratos de peixe com algum requinte. Não é um simples vinho de Verão mas um vinho para apreciar com tempo e a companhia adequada à mesa.

Quanto ao rosé, foi uma decepção: chato, doce, sem acidez, liso e desinteressante. A cor é marcadamente rosada concentrada, o aroma limpo mas na boca torna-se enjoativo. Um resultado francamente mal conseguido.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Empreendimentos Turísticos Montebelo

Vinho: Casa da Ínsua 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado, Sémillon
Preço no produtor: 5,10 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa da Ínsua 2013 (R)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço no produtor: 5,10 €
Nota (0 a 10): 4

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

No meu copo 491 - Bucelas Capital do Arinto, Seleção da Confraria Reserva 2014

Comprei esta garrafa por curiosidade, uma vez que era uma marca diferente da Quinta da Romeira num rótulo semelhante ao Prova Régia Reserva. O nome é invulgar e original, o conteúdo desperta interessa aos apreciadores dos vinhos de Arinto de Bucelas.

A prova, contudo, decepcionou. O vinho mostrou-se desinteressante. Algo aguado, delgado, descolorido, algo insípido e sem aroma. Não faz jus à casta e acaba-se sem perceber para que foi produzido...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bucelas Capital do Arinto, Seleção da Confraria Reserva 2014 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

sábado, 14 de novembro de 2015

No meu copo 490 - Evel tinto 2012

Continuando a descomplicar, voltamos agora à Real Companhia Velha, depois dos brancos monocasta da Quinta de Cidrô nos meses anteriores.

O Evel também é uma marca muito antiga, estando registada desde 1913. Comecei por conhecê-lo na mesma época do Dão Meia Encosta (referido no post anterior), primeiro o branco e só mais tarde o tinto, a par com o Porca de Murça. Agora já surgiu um Reserva, um Grande Escolha, e mais recentemente um Evel XXI...

Este tinto é o mesmo de sempre, o clássico, produzido com uvas provenientes de diversas quintas da Real Companhia Velha nas zonas de Alijó, Pinhão e São João da Pesqueira.

Evel é “leve” escrito ao contrário. Leve nasceu, leve se mantém. De cor rubi, suave, aberto, macio, mediano de corpo e de persistência. É agradável e frutado no paladar, sem sinal dos 8 meses de contacto com a madeira, com taninos bem suaves e redondos.

É bom e é barato.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Evel 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Bloggers Challenge - 2ª edição

    


Realizou-se na 2ª quinzena de Setembro, no mesmo local da primeira edição (na qual não pude estar presente), o restaurante A Tendinha, em Mem Martins, a segunda iniciativa promovida pelo blogue Comer, Beber & Lazer.

O princípio é simples e curioso: desafiam-se dois autores de blogues que escrevam sobre vinho para, dentro da carta de vinhos de um restaurante e de acordo com um menu previamente escolhido, sugerirem um vinho de preço moderado para harmonizar com cada prato. A cada iguaria que vai para a mesa, são servidos os dois vinhos selecionados (em garrafas tapadas), os comensais provam os vinhos e numa pequena ficha classificam cada um dos vinhos de per si de 1 a 5 e classificam-nos também na harmonização com o prato. Quer dizer, portanto, que há duas votações a decorrer em simultâneo, e que o vinho mais votado isoladamente pode não o ser na harmonização, o que até torna a votação ainda mais interessante.

Após cada votação, o promotor da iniciativa, Carlos Janeiro, conta os votos e anuncia o resultado para o vinho 1 e o vinho 2, revelando-se então quais os vinhos em confronto.

Dito isto, passemos então à acção.

Para esta segunda edição foram convidados os bloggers Rui Barradas (Reserva Recomendada) e o Jorge Filipe Nunes (Joli Wine & Food Activist). Cada um escolheu um vinho para a entrada, para o prato de peixe e para o prato de carne.

As boas-vindas ficaram a cargo do Carlos Janeiro, que escolheu um espumante bairradino das Caves São João, para acompanhar presunto fatiado com pão e broa. Espumante fresco e medianamente encorpado, com alguma estrutura mas não muito persistente, adequado para o momento inicial de descontracção.

Passando à mesa e aos pratos de resistência, começou por se provar como petiscos uma salada de polvo e recheio de sapateira, acompanhados por um Bridão Clássico branco 2014, da Adega Cooperativa do Cartaxo. Produzido a partir de Fernão Pires, mostrou-se um vinho algo liso, simples no aroma e com final de boca curto.

Com a entrada, crepe de camarão com salada russa, teve lugar o primeiro embate de dois vinhos. Em confronto, ficámos a saber após a votação que tinham estado um branco do Dão e um da Bairrada:

Somontes branco 2013 - Dão - Casa da Passarela - 12,5% - Encruzado, Malvasia Fina e Gouveio
Frei João branco 2013 - Bairrada - Caves São João - 13% - Maria Gomes, Bical, Sercial e Sauvignon Blanc

As apreciações foram muito próximas, embora o Somontes parecesse ter um aroma mais intenso e mais estrutura, o que acabou por ter reflexos na votação. O Frei João mostrou-se mais mineral e persistente, parecendo casar melhor com o prato. No entanto, no final foi Somontes a recolher a maior votação.

Para o prato de peixe, um saborosíssimo arroz de sapateira real com camarão, deu-se quanto a mim a grande surpresa. Estiveram em compita:

Prova Régia Reserva branco 2014 – Bucelas - Wine Ventures - 13,5% - Arinto
Herdade do Rocim branco 2013 - Alentejo - Rocim - 13% - Antão Vaz, Arinto e Roupeiro

Pessoalmente agradou-me mais o Prova Régia, a começar pela maior acidez, o aroma citrino e algo tropical, aromático e frutado, enquanto o Herdade do Rocim se apresentou mais encorpado e estruturado. No entanto, feita a votação o segundo venceu claramente. E com a vitória nos dois brancos, o blog Reserva Recomendada já tinha a vitória assegurada.

Faltava, no entanto, o prato de carne, um cabrito saloio à Tendinha, excelente, com batatinhas assadas e nabiças. Vinhos escolhidos:

Solista Touriga Nacional tinto 2012 - Alentejo - Adega Mayor - 14% - Touriga Nacional
Porta dos Cavaleiros tinto 2011 - Dão - Caves São João - 13,5% - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro

Mais encorpado o Solista, talvez demasiado novo, ainda adstringente e algo “cru”, é um vinho que precisa de evoluir e amaciar em garrafa. Mais suave e aromático o Porta dos Cavaleiros, acabou por ser este a recolher o maior número de votos, que deram a vitória neste confronto ao blog Joli Wine & Food Activist, ficando assim final o resultado em 2-1 a favor do Reserva Recomendada.

Para a sobremesa veio uma tarte de queijada de Sintra com um novo Bridão, desta vez um Colheita Tardia já fora do combate de blogues. Uma boa forma de fechar as hostilidades.

Mais do que quem venceu, o mais importante na noite foi o agradável convívio entre os participantes, a oportunidade de provarmos e compararmos vários vinhos em prova cega e ser apanhados por algumas surpresas que sempre acontecem em ocasiões como esta.

Parabéns à organização e aos dois bloggers que aceitaram o desafio e fizeram as suas escolhas para todos nós apreciarmos.

E agora resta aguardar pela marcação do 3º combate.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

No meu copo 489 - Dão Cardeal Reserva, Touriga Nacional 2009

Por falar em Dão Cardeal... Eis uma marca que não é muito badalada. Nem no Dão nem quase em lado nenhum. E no entanto existe há muitos anos, desde o tempo das antigas Caves Velhas.
À boa maneira dos tintos clássicos do Dão, apresentou-se muito suave, elegante e macio. Uma cor granada intensa e concentrada com tons violáceos, típicos da casta, aroma intenso com notas florais e de frutos vermelhos maduros, frutos do bosque e algum tostado. Sabor marcadamente frutado, macio, com boa estrutura de boca e final persistente e suave.
Boa compra, a rever e a reter nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cardeal Reserva, Touriga Nacional 2009 (T)
Região: Dão
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,19 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

No meu copo 488 - Dão Meia Encosta tinto 2013

De vez em quando sabe bem baixar um pouco a exigência e voltar a um vinho mais simples e descomplicado.

Tal como o Terras do Demo branco seco, aqui referido há algumas semanas, este foi um dos primeiros que conheci nos anos 90 e era, na altura, um dos meus preferidos pela sua macieza, que me tornou desde logo um apaixonado pelos vinhos do Dão.

Curioso é ver os vinhos do Dão que podia beber na época. Num caderninho onde registava os vinhos que ia conhecendo, lá constam o Dão Terras Altas, o Dão Real Vinícola, o Dão Cardeal, o Porta dos Cavaleiros. O Meia Encosta estava, à época, no topo das minhas preferências.

Passados tantos anos, de vez em quando lá me apetece reencontrar-me com ele. A última tinha sido há cerca de 9 anos...

O perfil mantém-se mais ou menos na mesma. Suave, elegante, macio, sem grande exuberância aromática mas o quanto baste, bebe-se com agrado e sem esforço. Acaba por valer a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Meia Encosta 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6,5