segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

No meu copo 411 - Grand’Arte, Shiraz 2007

Outro vinho com 7 anos, outra boa prova. Neste caso da região Lisboa/ex-Estremadura, um exemplar monocasta da longa lista da DFJ Vinhos.

Já o temos dito aqui, há muitos vinhos de Syrah que, apesar da publicidade, não nos convencem e francamente são mais os exemplares que desagradam que o contrário. Algumas das melhores excepções vêm precisamente da região de Lisboa, onde a casta parece encontrar o espaço ideal para se desenvolver e gerar vinhos interessantes.

No caso deste Grand’Arte não encontrámos um daqueles vinhos chatos feitos de Syrah que se vêem por outras paragens. Deparámo-nos, antes, com um vinho elegante e persistente, ainda com um bom aroma frutado, macio e longo.

A cor granada mostrava uma concentração que depois na boca não apareceu, sobressaindo principalmente alguma elegância e macieza, com um ligeiro fundo de madeira, onde estagiou apenas 3 meses, a integrar e equilibrar o conjunto.

Quem disse que não vale a pena guardar vinho?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’Arte, Shiraz 2007 (T)
Região: Lisboa
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Syrah
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

No meu copo 410 - Padre Pedro 2007

Este é um cliente antigo das nossas garrafeiras, e um dos tais que normalmente não nos deixam ficar mal. Sendo um vinho da gama baixa de preços, é dos tais que valem bem mais do que aquilo que custam.

Aliás, a Casa Cadaval prima por normalmente não nos desiludir, mesmo nos vinhos de entrada de gama. Há alguns meses provámos um branco que, não sendo da mesma estirpe deste tinto, também não deslustra o nome da casa.

O contra-rótulo indicava poder ser guardado até 4 anos, pelo que ao fim de 7 anos esta garrafa, a caminhar para uma idade respeitável, poderia apresentar sinais de declínio. Contudo não foi o que aconteceu. O vinho apresentou-se pleno de saúde e aromas a frutos vermelhos ainda com alguma juventude, suave, persistente, elegante, bem estruturado na boca e com boa persistência.

Portanto, pareceu estar longe do fim do seu tempo de vida útil, pelo que poderá ser comprado e esquecido durante algum tempo, porque quando for bebido não deverá defraudar o consumidor. Também merece constar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Padre Pedro 2007 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês (40%), Trincadeira (40%), Cabernet Sauvignon (15%), Merlot (5%)
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 12 de Outubro de 2014

Na minha mesa 409 - Restaurante O Funil (Lisboa)

Situado na zona chamada de Avenidas Novas da capital, este restaurante é um clássico lisboeta que só há poucos anos tive oportunidade de conhecer por dentro. Há poucos anos foi alvo de uma remodelação, pelo que o que antes era a entrada para o restaurante passou a ser entrada para o balcão, abrindo-se agora outra porta ao lado que dá acesso directo à sala de refeições do 1º andar, cujo acesso se fazia internamente.

No 1º andar a sala é separada ao meio pelo acesso das escadas, pelo que se pode optar por uma de duas zonas separadas, uma com janelas sobre a rua, a outra mais interior.

Ao entrar, o ambiente que se respira é desde logo o de um restaurante de nível acima da média. A decoração da sala, das mesas, tudo indica um ambiente recatado. No entanto, à hora de almoço é bastante frequentado (estamos no coração de Lisboa e numa zona onde funcionam muitos serviços), tornando-se muito mais calmo e intimista à hora de jantar, com uma luz repousante e difusa.

A ementa é bem fornecida, conquanto não demasiado extensa. Destaca-se uma variedade apreciável de pratos de bacalhau, com realce para o “bacalhau à Funil” (uma espécie de variante do bacalhau com natas) e o “bacalhau com broa”, recheado com espinafres. Das vezes que lá fui optei sempre por um destes pratos, ambos muito bem conseguidos e apaladados.

A carta de vinhos é bem fornecida, tendo sido justamente aqui que travei conhecimento com os brancos Follies da Aveleda, e onde tive oportunidade de provar quer o verde Alvarinho quer o bairradino Chardonnay e Maria Gomes, ambos já aqui apreciados noutra ocasião.

O serviço não é a despachar, demora o seu tempo, pelo que quem lá for convém que não vá à pressa. É um restaurante onde vale a pena ir numa ocasião mais calma, para desfrutar do ambiente e saborear os acepipes. E convém não ir a pensar numa refeição barata, porque também não será.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: O Funil
Avenida Elias Garcia, 82
1050 Lisboa
Tel: 21.796.60.07
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

No meu copo 408 - Bucelas Caves Velhas Garrafeira Branco Seco 1998

Continuamos a provar vinhos velhos de pequenas regiões às portas de Lisboa. Passamos dos tintos para os brancos, e de Colares para Bucelas. Esta foi levada pelo tuguinho e aberta como entrada para um repasto dos comensais do costume.

Já se sabe que beber tintos velhos não é fácil para muita gente, mas brancos velhos ainda é mais complicado. Começam a ficar sem frescura, perdem acidez e às vezes a tender para o enjoativo. Não são mais fáceis de apreciar que os tintos velhos.

Este Garrafeira 1998 das Caves Velhas fermentou e estagiou 6 meses em meias pipas de carvalho nacional, e mais seis meses em garrafa. Mostrou-se um grande branco velho, com uma cor deliciosamente dourada e sem aromas espúrios.

Já não era propriamente um vinho seco, antes começava a tender para o adocicado. Na boca apresentou-se cheio, com a acidez ainda bem presente, corpo meio melado, a pedir tempo para respirar e libertar mais aromas. Claro que não é vinho para muitas comidas, é mais para apreciar a solo e tentar descobrir os mistérios de como um branco pode envelhecer tão nobremente. Não há dúvida que o Arinto por vezes parece fazer milagres, mas há quem diga que o grande segredo está no Rabo de Ovelha...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bucelas Caves Velhas Garrafeira Branco Seco 1998 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas - Enoport
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Arinto (80%), Esgana Cão, Rabo de Ovelha
Preço em hipermercado: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 4 de Outubro de 2014

No meu copo 407 - Collares V. S. 1994

Foi com algum receio que abrimos esta garrafa, na companhia de outras com vinhos mais robustos, para acompanhar um jantar de costeletas de novilho grelhadas com uma versão quase completa dos “Comensais Dionisíacos”. O tuguinho insistia que o vinho seria demasiado delicado e que pediria um prato mais suave. Eu contrapus que alguma vez teríamos de bebê-lo e que quase sempre comíamos bifes ou costeletas, portanto não havia grandes alternativas.

A razão, felizmente, esteve do meu lado. O vinho aguentou-se esplendorosamente, não ficou abafado pelos temperos da comida, e quanto mais o bebíamos mais apetecia beber. Com 20 anos de idade, apresentou uma frescura e uma persistência notáveis, mostrando-se suave, macio, elegante, com excelente acidez e final longo. Os aromas frutados, claro, não estão muito presentes, mas aparece no seu lugar uma complexidade aromática e de sabor, com aromas terciários a libertarem-se do copo e percorrendo o palato enquanto rodamos o vinho na boca.

Para uma região que quase deixou de existir e ficou reduzida a uma expressão mínima, não há dúvida que cada garrafa que abrimos é uma agradável surpresa, ficando a sensação de que os vinhos de Colares são quase eternos. Muitas vezes quase imbebíveis enquanto novos, envelhecem nobremente e parecem sempre melhorar com o tempo. E veja-se como o baixo grau alcoólico em nada prejudica o envelhecimento, pois embora mais delgado de corpo, a acidez e persistência na boca compensam largamente a baixa graduação, pelo que o vinho não se esvai no palato nem na garganta.

Esta garrafa foi adquirida pelo saudoso Mancha, que há um ano nos deixou, pelo que brindámos à sua memória da melhor forma. O vinho parece eterno, assim como é a sua lembrança nas nossas memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Collares V. S. (Visconde de Salreu) 1994 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 11%
Castas: não indicadas
Preço: 19,55 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

No meu copo 406 - Douro Borges Reserva 2005; Borges Reserva 2008

Na mesma ocasião da abertura do Cedro do Noval, referido no post anterior, abrimos também um Borges Reserva 2005. Ambos adquiridos em 2009, tínhamos todas as razões para supor que aguentaria bem a prova do tempo, e depois da prova do Noval ainda mais. Normalmente os vinhos da Borges não nos desiludem (as provas mais recentes de alguns do Dão confirmam-no) e os vinhos do Douro habitualmente envelhecem bem.

No entanto, para nossa surpresa, esta garrafa acabou por decepcionar. A primeira impressão, a visual, mostrou um vinho de cor rubi carregada, não denotando demasiada evolução, o que acabou por não se confirmar no nariz, onde apresentou desde logo sinais de aroma algo cansado. Na prova de boca, mesmo depois de decantado e arejado durante algum tempo, mostrou-se concentrado, estruturado e volumoso, mas confirmou os sinais de ter passado o melhor ponto. Sinais de fruta nenhuns, evolução em demasia, sem frescura e com a acidez a ir-se embora.

Não estava propriamente imbebível, longe disso, mas em queda acentuada, ou então apenas a atravessar um patamar de evolução menos favorável, pois como foi dito atrás a cor não indiciava evolução excessiva.

Foi pena, porque a expectativa era elevada, aliás na justa medida do preço.

Depois desta tivemos oportunidade de voltar à carga com o Reserva de 2008, que estava em bastante melhor estado. Apresentou-se macio e redondo, não muito exuberante de aroma, com algumas notas discretas de frutos pretos e ligeira tosta da madeira. Na boca apresentou persistência média e final algo discreto.

Esperava-se talvez um pouco mais de complexidade e exuberância aromática, e embora não sendo uma decepção como a garrafa de 2005, também não encantou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges

Vinho: Borges Reserva 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca
Preço: 11,60 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Borges Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Sousão
Preço: 11,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

No meu copo 405 - Cedro do Noval 2006

Em 8 anos de existência deste blog, só por uma vez tínhamos passado por um vinho da Quinta do Noval (na ocasião um Porto LBV), nome mítico por produzir aquele que é considerado um dos melhores vinhos do Porto de sempre, o Noval Nacional de 1963, cuja marca quando que sai para o mercado é sempre alvo de grande expectativa e colocado no topo entre os de topo.

Como vinhos de mesa, este Cedro do Noval foi uma estreia absoluta à nossa mesa. Adquirido há cerca de 5 anos, foi mais um que ficou à espera de oportunidade para ser bebido. Este está na gama abaixo da marca que ostenta o nome da casa, e mesmo assim não é barato. Mas valeu o preço que custou. Como curiosidade, registe-se o facto de em termos de denominação de origem não ser um DOC Douro, mas sim Regional Duriense porque às tradicionais Tourigas e ao Tinto Cão se juntou também a Syrah, uma raridade por aqui! Não sei mesmo se não será caso único de utilização desta casta na região, pois é muito mais vista nas paragens a sul do Mondego.

Austero e fechado no início, desde logo mostrou um excelente aroma mas muito contido. Na cor apresentou-se mais para o rubi que para o granada, mais brilhante e aberto que concentrado. Decidimos não o decantar, e esperar pela evolução nos copos. Esperámos e fomos bebericando enquanto o resto evoluía na garrafa.

Cerca de 15 minutos depois era já outro vinho: intenso de aroma e persistente, fruta madura vermelha a libertar-se. Fazendo rodar o vinho no copo soltava-se um bouquet profundo, que nos fazia aspirar mais o vinho do que bebê-lo.

Na boca, taninos de seda, encorpado e persistente mais muito macio, com final vigoroso mas elegante, tudo muito harmonioso. Foi tão apreciado que o tuguinho sentenciou desde logo: “este é para repor”. Sem dúvida: mais dia, menos dia, fá-lo-emos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cedro do Noval 2006 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Noval
Grau alcoólico: 13,5 %
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah
Preço: 17,30 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

No meu copo 404 - Tapada da Torre 2007

Para finalizar esta pequena passagem pelos vinhos algarvios, um tinto da zona de Alvor, proveniente do mesmo produtor que o Alvor Singular, que já aqui provámos mais de uma vez.

Esta garrafa foi adquirida pelo Politikos há uns anos, precisamente numa garrafeira de Alvor. Ficou à espera de oportunidade para ser bebida, mas esta foi passando, até que decidimos que era hora de abri-la. E surpreendeu pela positiva.

Dos vinhos algarvios que tenho vindo a provar, normalmente os brancos agradam mais que os tintos, pois apresentam uma frescura e uma acidez agradáveis, enquanto alguns tintos se mostram algo doces, tornando-se enjoativos. Não foi o caso deste. Nem a passagem do tempo de lhe fez mossa, pelo contrário.

Apresentou-se com boa cor, rubi algo carregado, de boa saúde no nariz, com aroma intenso a frutos vermelhos, algum floral e um ligeiro toque a especiarias, com um conjunto muito vivo na boca. Foi estagiado em meias-pipas de carvalho, apresentando-se bem estruturado e com boa persistência.

Agradou à totalidade dos provadores, pelo que não nos importaremos de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada da Torre 2007 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 13,6%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

No meu copo 403 - Porches branco 2012; Quinta da Penina branco 2012 (2ª vez)

Um ano depois da apreciação aqui feita pelo Politikos acerca destes dois vinhos, é a minha vez de apreciá-los. A crónica então publicada despertou-me a curiosidade e quando tive oportunidade adquiri estes dois vinhos na zona, tendo-os provado durante este Verão. E a minha impressão acerca dos mesmos é melhor que a do Politikos.

O Porches branco 2012 apresentou-se fresco, frutado e elegante, com boa acidez, seco, persistente e com alguma complexidade na boca. Apropriado para pratos leves e de Verão.

Quanto ao Quinta da Penina 2012 mostrou-se mais longo e aromático, muito marcado pelo aroma de frutos brancos, com bom volume de boca, com grande acidez a dar-lhe uma frescura excelente. Perfeito para entradas, peixes ou mariscos. No caso vertente, foi apreciado duas vezes, sendo que numa delas casou na perfeição com uns berbigões.

Fiquei, assim, convencido que temos aqui dois bons brancos algarvios, ideais para consumir durante as férias ou para comprar e trazer para o resto do ano. No caso do Quinta da Penina, merece constar na nossa lista de sugestões.

O Algarve começa a dar algumas cartas a nível de brancos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Algarve (Lagoa)

Vinho: Porches 2012 (B)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Boal Branco e Manteúdo
Preço em hipermercado: 3,15€
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta da Penina 2012 (B)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco/Síria (90%), Arinto (10%)
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 14 de Setembro de 2014

No meu copo, na minha mesa 402 - Quinta dos Lopes 2008; Restaurante O Galeão (Lagos)

 

Já aqui tive oportunidade de falar deste restaurante, que frequento com alguma regularidade há quase 30 anos. Qualquer permanência no Algarve, mesmo que por poucos dias, em que se proporcione uma oportunidade de deslocação para Lagos, é sempre um bom pretexto para revisitar o Galeão. É um dos restaurantes que não aparecem nos roteiros turísticos (se formos ver bem, aparecem quase sempre os mesmos e muitas vezes quando lá vamos acabamos por não perceber porquê...), mas que não fica nada a dever em qualidade e em relação qualidade/preço a muitos outros muito mais badalados.

Não me vou alongar em considerandos sobre a refeição propriamente dita, pois os pressupostos enunciados aqui mantêm-se inalterados. O que vale a pena mencionar mais em detalhe, desta vez, é o vinho que foi escolhido.

Sabe-se como a produção de vinhos no Algarve andou quase desaparecida, ou pelo menos despercebida, durante muitos e muitos anos. Ouvia-se falar vagamente dos vinhos de Lagoa e pouco mais. Depois veio Sir Cliff Richard para a zona de Alcantarilha e começou a produzir alguns vinhos na sua Adega do Cantor, primeiro apenas com a marca Onda Nova, que ajudou a recolocar o nome do Algarve no mapa vitivinícola do país. Essa “onda nova” foi aproveitada por vários outros produtores, que foram surgindo (ou nalguns casos ressurgindo) aqui e ali, do Barlavento ao Sotavento, mas com maior concentração numa faixa compreendida entre Lagos e Albufeira. A pouco e pouco, os vinhos algarvios começaram a aparecer no mercado (principalmente, e ainda, nas lojas algarvias, mas paulatinamente começando a migrar para norte), e algumas marcas para além das do famoso cantor inglês começaram a ser conhecidas. Alguns projectos de enoturismo também foram aparecendo. E eis que nos vem parar à mesa, neste restaurante de Lagos, um vinho produzido na sub-região... de Lagos. Então vamos experimentá-lo!

Este Quinta dos Lopes, que acompanhou o delicioso “entrecôte café-Paris”, foi uma boa surpresa. Perscrutei a minha memória a tentar lembrar-me se já tinha provado algum vinho de Lagos, mas não encontrei nada... Que dizer deste vinho, produzido em regime de agricultura biológica apenas com Castelão, uma casta que é rainha na Península de Setúbal mas um pouco mal-amada por outras paragens?

A primeira impressão a reter é que gostei. Apresentou-se com uma boa estrutura na boca, ao mesmo tempo macio e algo aveludado, um certo caramelizado e aroma balsâmico, equilibrado no seu todo, final de persistência média a longa. O preço no restaurante não era exagerado, pelo que se presume que no mercado não deverá ultrapassar os 4 a 6 €.

Parece ser um vinho de nicho de mercado, com pouca produção, mas pelo perfil apresentado pode fazer o seu caminho. Se voltar a encontrá-lo, não lhe virarei a cara.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Lopes 2008 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: J. Lopes - Quinta dos Lopes
Grau alcoólico: 13%
Casta: Castelão
Preço no restaurante: 9 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: O Galeão
Rua da Laranjeira, 1
7600-697 Lagos
Tel: 282.763.909
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 10): 4,5

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

No meu copo 401 - Caves São João Lote Especial 2010; Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 2003

Começamos a quinta centena de posts dedicados às provas voltando à Bairrada para mais uma incursão aos vinhos das Caves São João: um recente e um clássico.

O Lote Especial apareceu pela primeira vez no mercado com esta colheita de 2010, que tive oportunidade de adquirir pela primeira vez numa promoção no Continente. É o que se poderia chamar um Bairrada dos novos tempos, incorporando novas castas (como a Syrah) onde se tenta estabelecer um misto entre o classicismo da Bairrada, com os vinhos pujantes e taninosos, e as novas tendências, com outra frescura e algum floral e muito focado na fruta.

Nesta colheita de 2010, com as castas utilizadas nas percentagens indicadas na ficha do vinho, obteve-se um vinho de cor rubi mas muito opaco, encorpado, robusto e estruturado, persistente e com final longo. Na boca apresenta algum compotado e um ligeiro fundo a especiarias, e no aroma alguma predominância a frutos vermelhos e do bosque. Não deixa, no entanto, de ser um vinho desafiante para os verdadeiros apreciadores da Bairrada, a pedir pratos de carne bem temperados que se batam com vinhos robustos, pois a marca clássica da robustez e alguma adstringência está lá, com os taninos presentes embora sem excessos, sem que a madeira de carvalho, em que estagiou 12 meses, se destaque no conjunto. Embora seguindo uma linha de modernidade, não deixa contudo de ser um vinho que justifica o slogan “vinhos clássicos” que ostenta no rótulo. Boa relação qualidade/preço.

Quanto ao Quinta do Poço do Lobo Cabernet Sauvignon 2003, este sim uma das marcas clássicas da casa e que conhecemos há muitos anos, tínhamos provado um exemplar da colheita de 2004 há algum tempo.

Na altura pareceu-nos que aquela garrafa estava num ponto de evolução pouco favorável, com aromas pouco exuberantes, talvez a precisar de tempo para crescer. Passado cerca de meio ano, este exemplar de 2003 apresentou outra pujança e aromas mais marcados a frutos maduros. Um leve fundo de especiarias com um ligeira tosta da madeira (onde estagiou 12 meses) marca um fim de boca de persistência média.

Dos famosos pimentos verdes, que são típicos da casta e que por vezes marcam os vinhos em demasia quando esta não é bem tratada ou não amadurece o suficiente, nem o mais leve sinal, para o que também terá contribuído, certamente, a idade com que o vinho já vem para o mercado. Ao fim e ao cabo, mostrou mais ou menos o perfil habitual e, feito o balanço, não encantou mas também não desiludiu. Continua a ser um clássico que vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Caves São João

Vinho: Caves São João Lote Especial 2010 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga (20%), Touriga Nacional (30%), Syrah (40%), Cabernet Sauvignon (10%)
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 2003 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,71 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 7 de Setembro de 2014

400 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante esta quarta centena de posts.


Vinhos do Porto

Quinta das Tecedeiras LBV 2008 - 8,5
Quinta das Tecedeiras Vintage 2007 - 9
Quinta de Ervamoira Vintage 2002 - 9
Ramos Pinto LBV 2000 - 8,5


Espumantes e champanhes

Casa Ermelinda Freitas Bruto - 7,5
Conde de Vimioso Extra-Bruto - 6
Côto de Mamoelas Bruto Reserva, Alvarinho 2007 - 8,5
Cuvée William Deutz Millésime 1999 - 9
Danúbio Bruto - 8
Deutz Brut 2006 - 10
Deutz Brut Classic - 8,5
Deutz rosé - 8
Encontro Bruto 2006 - 8
Encontro Bruto 2008 - 8
Esporão Bruto rosé 2008 - 8
G. H. Mumm Brut Cordon Rouge - 9
Luís Pato, Maria Gomes Bruto 2010 - 7,5


Rosé

Sem denominação
Mateus Emotions, Aragonês 2012 - 7

Douro
Quinta de Cidrô 2011 - 8
Vallado, Touriga Nacional 2011 - 8
Vallado, Touriga Nacional 2012 - 8

Dão
Cabriz 2011 - 6
Quinta de Saes 2011 - 7

Bairrada
Campolargo, Pinot Noir 2011 - 7,5
Frei João 2011 - 7,5

Tejo
Conde de Vimioso 2011 - 5
Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011 - 5
Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2011 - 8,5
Quinta da Lagoalva 2010 - 7,5

Península de Setúbal
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo 2010 - 7,5

Algarve
Xelb 2009 - 7,5


Brancos

Verdes
Aveleda Colheita Selecionada, Alvarinho 2011 - 8
Borges, Alvarinho 2009 - 8,5
Deu La Deu, Alvarinho 2012 - 8
João Portugal Ramos, Alvarinho 2012 - 8,5
Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2011 - 7
Soalheiro, Alvarinho 2011 - 8,5
Soalheiro, Alvarinho 2012 - 8,5

Douro
Aveleda 2011 - 7,5
Tons de Duorum 2013 - 6
Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012 - 8,5
Tons de Duorum 2012 - 7,5
Topázio Reserva 2010 - 7,5
Vallado 2012 - 8
Vallado, Moscatel Galego 2011 - 8,5

Dão
Casa da Passarela, A Descoberta 2012 - 8
Duque de Viseu 2011 - 7,5
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 - 8,5
Porta dos Cavaleiros 2012 - 6
Quinta da Ponte Pedrinha 2010 - 7


Bairrada
Encontro 1 2011 - 8
Encontro, Bical 2011 - 7
Frei João 2012 - 6
Pai Abel Chumbado 2011 - 8,5
Volúpia 2010 - 7,5

Tejo
Conde de Vimioso Colheita Selecionada 2011 - 7,5
Fiúza 3 castas 2012 - 7,5
Fiúza, Sauvignon Blanc 2013 - 8
Padre Pedro 2012 - 6,5
Quinta da Alorna 2012 - 7


Lisboa
Consensus 2012 - 8
Quinta do Gradil, Arinto e Sauvignon Blanc 2011 - 7,5
Quinta do Gradil, Verdelho 2012 - 3
Tágide 2009 - 8

Bucelas
Prova Régia Premium 2012 - 8

Colares
Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2010 - 8

Península de Setúbal
Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2011 - 7,5
Herdade da Comporta 2012 - 7

Alentejo
Esporão, Duas Castas 2010 - 8
Esporão, Duas Castas 2011 - 8
Loios 2013 - 6
Marquês de Borba 2011 - 7,5
Marquês de Borba 2012 - 7,5
Vila Santa Reserva 2011 - 8
Vinha de Saturno 2009 - 8,5

Algarve
Alvor Singular branco 2012 - 7,5
Cabrita branco 2012 - 7
Porches 2012 - 6,5
Quinta da Penina 2012 - 7,5


Tintos

Douro e Trás-os-Montes
Crasto Superior 2010 - 8,5
Duorum 2011 - 8,5
Gaivosa Primeiros Anos 2009 - 6
Herança Vinhas Velhas 2009 - 8
Ramos Pinto Collection 2005 - 8
Ramos Pinto Collection 2006 - 8
Ramos Pinto Collection 2007 - 8,5
Sogrape Reserva 2002 - 8,5
Tons de Duorum 2011 - 7
Vinha Grande 2008 - 8

Dão
Álvaro Castro 2004 - 8
Borges, Touriga Nacional 2004 - 8,5
Cabriz, Touriga Nacional 2010 - 5,5
Four C 2007 - 8,5
Paço dos Cunhas de Santar Nature 2010 - 8
Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2010 - 8
Pipas Reserva 1985 - 9
Pipas Reserva 1999 - 9
Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1995 - 8
Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007 - 8
Primavera Reserva 1983 - 8
Quinta da Ponte Pedrinha 2008 - 7,5
Quinta do Corujão 2011 - 8
Quinta dos Carvalhais, Alfrocheiro 2006 - 8,5
Sogrape Reserva 1985 - 8,5
Sogrape Reserva 2000 - 8

Bairrada
Casa de Saima 1997 - 8
Casa de Saima 2000 - 7,5
Caves São João Reserva 1985 - 7,5
Caves São João Reserva 1995 - 7,5
Encontro 1 2008 - 9
Encontro 2010 - 7,5
Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2004 - 8
Frei João 1992 - 8
Frei João 1999 - 8
Império Reserva 2001 - 8
Luís Pato 2003 - 8
Marquês de Marialva Reserva 2006 - 8
Messias Garrafeira 1995 - 9
Messias Reserva 1997 - 8
Preto Branco Reserva 2009 - 8
Primavera Garrafeira 1995 - 7,5
Quinta da Rigodeira Reserva 2004 - 8
Quinta do Poço do Lobo 1990 - 8
Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995 - 8,5
Quinta do Poço do Lobo Reserva 2007 - 8
Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 2004 - 7,5
Sogrape Garrafeira 1999 - 8,5
Sogrape Reserva 1995 - 8
Termeão Pássaro Branco 2007 - 8
Vinha do Putto 2009 - 7,5

Tejo
Cabeça de Toiro Reserva 2008 - 7,5
Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 2004 - 7,5
Conde de Vimioso Reserva 2003 - 8
Fiúza Premium 2003 - 7,5
Guarda Rios 2007 - 7,5
Guarda Rios 2008 - 8
Herdade de Muge 2004 - 8
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2006 - 7,5
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007 - 8

Lisboa
Grand’Arte, Touriga Nacional 2003 - 8
Monte Judeu, Aragonês 2004 - 8
Quinta das Cerejeiras Reserva 2003 - 8
Quinta de São Francisco 2005 - 5

Colares
Casal da Azenha 2010 - 8
Paulo da Silva Colecção Privada 1990 - 7,5

Península de Setúbal
Herdade da Comporta 2009 - 5
Periquita Reserva 2007 - 7,5
Pinheiro da Cruz - 7,5
Quinta da Invejosa Reserva 2007 - 7,5

Alentejo
Artefacto Colheita Seleccionada, Syrah 2010 - 8
Cartuxa Reserva 2005 - 8,5
Convento da Tomina 2011 - 8
Cortes de Cima 2008 - 7
Cortes de Cima, Aragonês 2005 - 8
Cortes de Cima, Syrah 2008 - 5
Esporão Reserva 1999 - 8
Esporão Reserva 2008 - 8,5
Esporão, Petit Verdot 2008 - 8,5
Foral de Évora 2009 - 6,5
Herdade do Perdigão Reserva 2004 - 8,5
Monte da Peceguina 2010 - 7,5
Poliphonia Reserva 2007 - 8
Quatro Castas Reserva 2002 - 9
Quatro Castas Reserva 2007 - 8
Quatro Castas 2010 - 8
Quinta da Terrugem 2006 - 8,5
Quinta do Carmo 2007 - 8
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002 - 8,5
Sogrape Reserva 2000 - 8
Tapada do Chaves Reserva 2002 - 8
Tapada do Chaves Vinhas Velhas Reserva 2002 - 8
Vila Santa Reserva 2008 - 8
Vinha de Saturno 2006 - 9
Vinha de Saturno 2007 - 9


Estrangeiros

Brancos
Château Doisy Daëne 2005 (França) - 8,5
Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012 (Chile) - 7,5
Domaine Felix, Sauvignon 2010 (França) - 7,5
Domaine Laroche Les Vaudevey 2006 (França) - 10
Domaine Laroche, Saint Martin 2011 (França) - 8
Pascal Jolivet Les Caillottes 2001 (França) - 9
Pascal Jolivet, Clos du Roy 2012 (França) - 8,5
Villa Maria, Sauvignon Blanc 2012 (Nova Zelândia) - 8,5

Tintos
Marquise de La Tourette Delas 1999 (França) - 8,5

sábado, 30 de Agosto de 2014

No meu copo 400 - Tintos velhos da Bairrada (5)

Sogrape Garrafeira 1999; Sogrape Reserva 1995; Império Reserva 2001




Fechamos a quarta centena de posts dedicados a provas com mais uma incursão por algumas relíquias da Bairrada. Desta vez houve a possibilidade de ter dois exemplares da Sogrape, sendo que um deles foi uma repetição de uma prova já com alguns anos, que não tinha convencido grandemente. Refiro-me concretamente ao Garrafeira de 1999, provado aqui. Outra garrafa foi esperando, esperando, esperando... até que foi aberta para acompanhar uns bifes com molho pimenta. E a verdade é que se confirmou mais uma vez que, muitas vezes, as verdades que temos como certas em relação aos vinhos, não duram mais que o tempo que medeia entre uma prova e outra...

Foi o caso desta segunda garrafa que, contrariamente ao que tinha acontecido na prova de há 6 anos, nos mostrou um vinho pujante e de grande estrutura, encorpado e cheio, com aroma profundo e exuberante e um longo fim de boca pontuado por especiarias e algum fumado, com os taninos bem presentes mas macios. Excelente, sem dúvida. Fica apenas a dúvida: o anterior foi bebido demasiado cedo? Como havíamos nós de saber o seu estado de evolução? Enfim, fica sempre este mistério por esclarecer quando ocorrem situações do género. A única verdade é que nunca o saberemos...

O outro exemplar da Sogrape, um Reserva 1995, ainda com o mesmo rótulo dos célebres Reservas da Sogrape do Douro, Dão e Alentejo, tantas vezes aqui referidos, mostrou um perfil semelhante embora muito mais amaciado, não tão exuberante no aroma mas muito redondo na boca.

Desconhecíamos este exemplar das Caves Império, uma das casas que entretanto deixaram de aparecer nos rótulos com as várias fusões e aquisições no mercado do vinho. Composto quase em exclusivo pela Baga, mostrou o perfil clássico dos vinhos desta tão polémica casta, amada por uns e desprezada por outros. Taninos firmes mas redondos, alguma adstringência, aroma profundo, encorpado e persistente com final longo. Nada de surpreendente, apenas a constatação de como estes vinhos envelhecem nobremente e melhoram ao longo do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Sogrape Reserva 1995 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Sogrape Garrafeira 1999 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Jaen
Preço em feira de vinhos: 5,19 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Império Reserva 2001 (T)
Produtor: Caves Império
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

No meu copo 399 - Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011

Subitamente, a surpresa. Temos aqui elogiado frequentemente os rosés do Tejo, com destaque para o Quinta da Alorna e o Fiúza, pelas suas características de frescura, secura e leveza, grau alcoólico moderado e equilíbrio entre corpo, estrutura e aroma. Ainda recentemente aqui referi positivamente dois brancos da casa muito agradáveis.

Sem que nada o fizesse prever, esta colheita de 2011 do Fiúza, mantendo o lote de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon foi uma completa decepção. Falta-lhe frescura, exuberância aromática, persistência e acidez. Mostrou-se algo doce, liso, chato e simples.

Não sei se foi azar com a garrafa, uma colheita menos feliz, ou se o produtor mudou o método de concepção do vinho. Se for este o caso, temo que estejamos perante o abandono duma receita de sucesso para optar por um caminho que poderá levar antes ao fracasso. Porque este, definitivamente, não é o Fiúza rosé de que eu gosto e que recomendo.

Se as próximas colheitas continuarem a ser assim, está condenado a ser riscado da minha lista de compras.

Kroniketas, enófilo desiludido

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

No meu copo 398 - Frei João rosé 2011

Continuando na linha dos vinhos de Verão, provámos este rosé das Caves São João, um vinho barato e com uma cor salmão aberta que se vê logo na garrafa.

As expectativas não eram muito elevadas, mas ao ver no contra-rótulo a informação de que tinha sido produzido apenas com Touriga Nacional o pensamento mudou, porque esta casta, para além da invasão nos tintos de norte a sul, tem-me proporcionado alguns encontros com os melhores rosés do país (posso citar os exemplos dos ribatejanos Quinta da Alorna e Fiúza, este em lote com o Cabernet Sauvignon, e dos durienses Vallado e Quinta de Cidrô, já aqui referidos noutros posts e no post anterior).

Dentro dessa linha, confirmou-se que a Touriga permite fazer vinhos rosados muito aromáticos, suaves, macios e nada pesados. Com um ligeiro aroma floral, típico da casta, e notas de framboesa e morango no paladar, é medianamente encorpado e com um final fresco, suave e agradável.

É um vinho feito para agradar e que não desilude, antes pelo contrário: pelo preço que custa, até supera as expectativas. Vale a pena experimentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2011 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

No meu copo 397 - Volúpia branco 2010

Eis um branco que é praticamente desconhecido no panorama nacional, e que no entanto merecia outra visibilidade. Tive oportunidade de adquirir uma garrafa há algum tempo por um preço bastante interessante e o resultado excedeu as expectativas.

É verdade que as Caves São Domingos, como outros produtores da Bairrada, não são das mais badaladas, e no entanto já têm 75 anos de história!

Não sendo um vinho extremamente voluptuoso, como o seu nome sugere, é bastante aromático, equilibrado, com corpo médio e final longo. Contém uma combinação bastante interessante de castas com características muito diferentes: a Maria Gomes, a única tradicional da região, a conferir alguma estrutura e mineralidade; o Chardonnay a não mostrar aquele perfil enjoativo que muitas vezes obtém quando estagiado em madeira (o vinho estagiou apenas em inox), tornando o vinho mais denso e cheio; e o Sauvignon Blanc a trazer alguma frescura e elegância, bem como algumas notas florais e citrinas a par com uma certa tropicalidade.

Conjunto muito interessante, a explorar novamente. Recomenda-se com entradas, mariscos, peixes suaves e requintados e pratos não demasiado pesados. Juntámo-lo à nossa lista de sugestões, pois é um vinho que dificilmente irá desiludir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Volúpia 2010 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves do Solar de São Domingos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Maria Gomes
Preço: 4,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

No meu copo 396 - Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012

Numa época em que cada vez mais as castas viajam pelo mundo, e principalmente no chamado “novo mundo” a produção de vinho é dominada pelas castas internacionais mais badaladas, difícil é, por vezes, fugir do trio Cabernet Sauvignon-Syrah-Merlot nos tintos e do duo Chardonnay-Sauvignon Blanc nos brancos, sobrando algum (pouco) espaço para o Pinot Noir ou o Pinot Gris. Depois, aqui e ali, lá se encontra uma ou outra casta que encontrou espaço e fama em determinado país, como a Malbec na Argentina ou a Carmenère no Chile, assim como o Alicante Bouschet em Portugal.

Quando se fala na grande produção para o grande comércio, contudo, vamos quase sempre cair no mesmo. Neste caso falamos da Cono Sur, um produtor chileno de grande volume que tem à venda em Portugal uma significativa quantidade de vinhos varietais a preços praticamente imbatíveis e baseados nas castas internacionais mais badaladas.

Tenho sido um fã desta casta da moda, pois tem um perfil que me agrada bastante, pelos aromas tropicais misturados com algum citrino e um certo toque vegetal que habitualmente apresenta. Neste caso, tratou-se duma escolha num jantar de família no restaurante Marítima do Restelo, próximo do Centro Cultural de Belém, e despertou-nos a atenção o nome curioso do vinho, para além da casta, naturalmente. O preço, para restaurante, não estava fora do razoável e mandámos vir uma garrafa para acompanhar um saboroso arroz de garoupa.

O vinho correspondeu ao que dele se esperava: suave, aromático com um toque citrino a par com algum maracujá, com estrutura média na boca, fresco e vivo, com acidez crocante e final seco e persistente.

Bebeu-se com facilidade e com agrado, e não deslustrou os pergaminhos da casta, que não sendo propriamente consensual tem vindo a disseminar-se e a impor-se um pouco por todo o lado. Em resumo, um vinho que satisfez, apropriado para entradas ou pratos de peixe não demasiado condimentados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

No meu copo 395 - Loios branco 2013; Tons de Duorum branco 2013; Conde de Vimioso Espumante extra-bruto 2009

Correspondendo à simpatia da João Portugal Ramos Vinhos, que nos tem obsequiado com a oferta de algumas garrafas do seu portefólio de vinhos alentejanos, ribatejanos e durienses, aproveitámos o tempo quente para abrir três brancos recebidos recentemente, todos de diferentes regiões: um Loios branco, um Tons de Duorum branco e um espumante Conde de Vimioso.

Depois de já termos provado diversas marcas, em branco, tinto e rosé, e encontrado algumas gratas revelações, desta vez temos de confessar que nos ficámos pela mediania. Também não é segredo que a marca Loios funciona como entrada de gama nos vinhos do produtor e enólogo no Alentejo, conquanto o Loios tinto seja habitualmente um vinho que tem uma qualidade bem acima do seu preço.

Neste caso, o Loios branco mostrou-se essencialmente um vinho simples, sem grandes pretensões, de aroma frutado discreto, suave mas curto na boca. Alguns furos abaixo do seu irmão tinto na relação qualidade/preço.

O Tons de Duorum branco, de que já tínhamos provado a colheita de 2012, nesta de 2013 mostrou-se mais simples, um pouco curto na boca e com aromas frutados discretos. Pareceu ser uma colheita inferior à anterior.

Quanto ao espumante Conde de Vimioso, um extra-bruto (praticamente sem açúcar residual, portanto), foi bebido a acompanhar sobremesas. Usando uma casta tinta e uma branca, à boa maneira de Champagne, fermentou parcialmente em meias pipas de carvalho francês. Mostrou-se com alguma estrutura mas sem grande volume de boca e final também algo curto e aroma discreto.

Em suma, dois vinhos mais simples que complexos, posicionando-se num patamar de combate pelo preço. Outros, destinados a mais altos voos, estão guardados para ocasiões mais exigentes...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Loios 2013 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Rabo de Ovelha, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 2,74 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Tons de Duorum 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Conde de Vimioso espumante extra-bruto 2009 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 6

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

No meu copo 394 - Vila Santa Reserva 2008

Este é já um clássico do Alentejo, e uma marca emblemática dos vinhos de João Portugal Ramos na região.

Esta colheita de 2008 já repousava na garrafeira desde 2010, e agora quase 4 anos depois resolvi experimentá-lo para ver como estava a sua evolução. Fiquei surpreendido com o estado de saúde do vinho, pois parecia um vinho ainda novo. Com uma cor granada ainda fechada, muito concentrada, aromas a fruto maduro algo contidos, muito estruturado e robusto na boca e com os taninos ainda bem presentes, com um ligeiro abaunilhado e alguma tosta da madeira onde estagiou.

Combinando um lote de 5 castas, é um vinho que está para durar, não apresentando quaisquer sinais de declínio, parecendo que ainda vai melhorar e amaciar dentro da garrafa. Pede pratos de carne bem temperados para se baterem com os taninos robustos, o corpo do vinho e uma certa rusticidade que apresenta.

Dentro desta gama de preço, é um vinho de referência tanto no Alentejo como no país, tendo o selo de garantia de João Portugal Ramos, pelo que à partida será sempre uma aposta segura.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vila Santa Reserva 2008 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

No meu copo 393 - Artefacto Colheita Seleccionada, Syrah 2010

Este foi um dos vinhos adquiridos numa promoção da revista Sábado que decorreu durante algumas semanas no ano de 2012.

Sendo completamente desconhecido para mim, fui atrás do nome do enólogo, um dos mais conceituados no país e já com um longo trajecto no Alentejo, tendo começado a sua carreira precisamente aí, na Herdade do Esporão.

Embora eu não seja um grande apreciador dos resultados obtidos com os vinhos varietais de Syrah produzidos no Alentejo (ao contrário das grandes loas que são tecidas pela generalidade da crítica especializada, fico sempre com uma sensação enjoativa e de falta de garra e frescura nestes vinhos, e já tive variadíssimos casos destes), este surpreendeu-me pela positiva, mostrando precisamente aquilo que normalmente lhes falta: garra, frescura, persistência, aroma intenso.

Embora ainda proveniente da época em que praticamente todos os vinhos eram produzidos com um grau alcoólico demasiado elevado, este não se mostrou enjoativo nem cansativo, o que abona o trabalho de enologia realizado. Apresentou-se cheio, longo, com boa estrutura e pujança, a pedir pratos exigentes e bem temperados. Fermentou 9 meses em barricas de carvalho americano mas a madeira não se mostra em excesso, estando bem integrada e ajudando a conferir estrutura ao conjunto, apresentando já taninos firmes mas arredondados sem esconder o aroma a fruto maduro.

Tendo sido uma experiência única até agora, confesso que me agradou bastante pois primou sobretudo pelo equilíbrio em todas as componentes. Em suma, valeu a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Artefacto Colheita Seleccionada, Syrah 2010 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Luís Duarte Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Syrah
Preço: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 20 de Julho de 2014

No meu copo, na minha mesa 392 - Crasto Superior 2010; Restaurante Sal & Brasas

 

Um encontro à hora de almoço permitiu-nos reunir alguns dos Comensais Dionisíacos num restaurante próxima da Calçada das Necessidades: fica na Rua das Necessidades, perto do Palácio das Necessidades e chama-se Sal & Brasas.

À entrada existe um cartaz em ardósia com os destaques do menu do dia, mas depois de franqueada a porta temos acesso a uma ementa com uma longa lista de variedades. À vista encontra-se também um grelhador onde são devidamente tratadas as carnes ou peixes requisitados, e que podem também ser escolhidos a partir de uma montra. À esquerda podemos escolher entre duas salas contíguas, uma interior e outra mais próxima da janela, que foi a escolhida apesar de ser destinada a fumadores.

Seduzidos pela opulência das carnes, escolhemos umas costeletas de novilho para partilhar por todos. Acompanhamentos à discrição, entre batatas fritas e esparregado que fomos repetindo à medida que era necessário. Serviço eficaz e satisfatório, qualidade do produto e da confecção irrepreensíveis.

Para acompanhar este pitéu, entre muitas opções escolhemos algo diferente, que ainda não tivéssemos provado. A escolha recaiu num vinho da Quinta do Crasto numa variedade pouco vista: um Crasto Superior de 2010, a um preço inferior a 20 €, o que pesou na escolha.

Foram necessárias duas garrafas, que se degustaram com facilidade e rapidez. O vinho é surpreendentemente fácil de beber, tendo em conta o perfil actual da esmagadora maioria das marcas de tintos do Douro. Apesar duns musculados 14% de álcool, o vinho apresentou-se com uma suavidade e uma elegância inesperadas, uma persistência bem vincada, taninos redondos e pouco marcados, aroma evidente a frutos vermelhos, tudo bem integrado na madeira por onde passa em estágio de 12 meses e que apenas confere alguma complexidade ao vinho, sem se sobrepor ao conjunto.

Sem dúvida uma excelente aposta da Quinta do Crasto, num segmento de mercado que permite aceder a um vinho de qualidade média-alta sem desembolsar uma fortuna. Tudo muito equilibrado, é daqueles vinhos dos quais se pode dizer que têm tudo no sítio certo.

Em resumo, foi um excelente convívio pontuado por uma bela refeição. Aconselha-se a visita particularmente a quem pretenda enveredar pelos grelhados, onde a oferta é boa, grande e variada.

(Nota: esta visita foi realizada durante o ano de 2013)

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Sal & Brasas
Rua das Necessidades, 18-20
1350 Lisboa
Telef: 213.958.304
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Crasto Superior 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão
Preço em hipermercado: 13,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (2ª parte)

    
  

(continuação)

Começámos por bebericar uns goles de brancos da Chocapalha, primeiro o Arinto, depois o Sauvignon Blanc, a seguir o Reserva, passámos ao Verdelho da Quinta de Sant’ana e ainda conseguimos chegar ao Riesling, que desapareceu das garrafas rapidamente. Não agradou particularmente o rosé Mar de Lisboa, algo desmaiado na cor e incaracterístico no sabor. Talvez seja de rever o modo de produção...

Foi interessante ir fazendo a comparação dos vários brancos de acordo com as castas e os lotes. Claro que nem todos agradaram por igual a toda a gente, até porque os gostos dos presentes são algo díspares (principalmente no caso das senhoras), mas a qualidade média, fum modo geral, era bastante elevada, mostrando aquilo que marca actualmente estes vinhos atlânticos: muita frescura e acidez, o que os torna bastante apelativos e fáceis de beber. Há que aproveitar da melhor forma as condições que o clima propicia para produzir vinhos que dêem verdadeiro prazer a beber, em vez de andar a carregá-los de madeira, prática que por aqui não parece fazer grande escola: apenas na conta, peso e medida certas.

Passando à zona dos tintos, encontrámos alguns pesos pesados dos três produtores, e fomo-nos dividindo entre eles. Provou-se um excelente Quinta de Sant’Ana em garrafa magnum, muito bem estruturado e encorpado, um Pinot Noir com aquela levez característica e delicadeza típica da casta, um Cabernet Sauvignon da Chocapalha, equilibrado, redondo e persistente, e ainda se voltou ao excelente Reserva da Quinta do Monte d’Oiro apenas para comprovar as impressões colhidas recentemente na Delidelux: um vinho de qualidade e elegância superiores.

Já mais para o meio da tarde, e de estômago reconfortado, rumámos então à adega, em cujo piso inferior encontrámos algumas colheitas mais antigas ou raras, como alguns vinhos das décadas de 90 e 2000 da Quinta do Monte d’Oiro em plena forma, que tivemos oportunidade de provar, como o Homenagem a António Carquejeiro 2001 e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva 98, dois néctares de excepção e plenos de elegância.

Novidade absoluta foi um CH by Chocapalha, um vinho recente a pedir tempo na garrafa. Por ali ficámos mais algum tempo a mirar os outros vinhos, mas acabámos por terminar a ronda sem grandes demoras, pois ainda nos esperavam umas dezenas de quilómetros ao volante de regresso à capital.

Em jeito de balanço, foi um dia diferente e muito bem passado, com vinhos muito interessantes e alguns muito bons. É de louvar este tipo de iniciativas por parte dos produtores, que compreendem que só puxando todos para o mesmo lado podem ter sucesso e ter alguma visibilidade, ao contrário do espírito por vezes tão arreigado de pequenas rivalidades sem sentido. O facto de convidarem o público a conhecer os seus vinhos também é um bom passo nesse sentido, pois desperta-nos para algumas marcas que não conhecemos e que não vemos à venda, e que assim podem passar a fazer parte das nossas compras com alguma regularidade. Não ficaria bem destacar nenhum dos produtores em particular, porque todos eles têm as características diferenciadas e potencial para fazer o seu caminho, pelo que apenas referimos alguns dos vinhos provados que nos marcaram mais.

Resta-nos, assim, agradecer aos promotores da iniciativa: a quem nos contactou, a quem organizou o evento, em suma, aos responsáveis, produtores, enólogos e demais colaboradores das três quintas envolvidas. A todos desejamos o maior sucesso e, pela nossa parte enquanto consumidores, tentaremos ajudar um bocadinho dentro das nossas possibilidades.

Bem-hajam pelo convite endereçado e esperamos que mais iniciativas assim se repitam. O espírito dos Douro Boys parece estar a começar a criar raízes, e se calhar o facto de Sandra Tavares da Silva ter um percurso já feito na Quinta do Vale de D. Maria não é alheio ao facto de a Quinta de Chocapalha estar integrada nesta iniciativa.
Até à próxima.

tuguinho, Kroniketas e Politikos, os diletantes preguiçosos e enófilos em passeio pela Estremadura

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Novas ligações

Acrescentámos dois novos links à secção “Outras vinhas”:

- Blend | All About Wine
- Clube de Vinhos Portugueses

Os nossos votos de bom trabalho, boas provas e muito sucesso.

domingo, 13 de Julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (1ª parte)

      

A Lisbon Family Vineyards, associação que junta os produtores Quinta de Sant’Ana, Quinta de Chocapalha e Quinta do Monte d'Oiro, levou a cabo no passado dia 6 de Julho uma festa nas instalações da Quinta de Sant’Ana, localizada na povoação de Gradil (perto da Tapada de Mafra), para a qual este blog teve a honra de ser convidado, por entre muitos outros enófilos já conhecidos.

Os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro já são nossos velhos conhecidos, e temos vindo a prová-los com alguma regularidade, tendo já estado presentes em diversas provas, a última das quais há pouco mais de uma semana.

O primeiro contacto que tivemos com a Quinta de Sant’Ana foi através de uma garrafa de um Sauvignon Blanc que nos surpreendeu muito agradavelmente.

Quanto à Quinta de Chocapalha, há cerca de um ano e meio também estivemos numa prova com as irmãs Andrea e Sandra Tavares da Silva, em que nos foi dada a conhecer uma parte significativa do portefólio desta empresa familiar.

Tendo em conta a grande mudança que se tem verificado na produção de vinhos da região Lisboa, com o aparecimento de novos produtores, a consolidação de outros e algumas reformulações ou revoluções noutros casos (aquisição da Quinta de Pancas pela Companhia das Quintas e das Caves Velhas – entre outras – pela Enoport são os casos mais emblemáticos) e a correspondente subida em flecha da qualidade dos vinhos, não hesitámos em aceder ao convite na certeza de que iríamos ter oportunidade de conhecer e provar produtos de muito boa qualidade, como de facto aconteceu. Longe vão, felizmente, os tempos do vinho aguado e a granel...

Alinharam na deslocação, além da família, os membros do núcleo duro dos “Comensais Dionisíacos” tuguinho e Politikos, por indisponibilidade dos demais comensais para esta ocasião. Num domingo cinzento e constantemente a ameaçar a queda duma enorme carga de água, lá rumámos a Gradil com algum receio de ir molhar a boca e voltar encharcados de chuva, mas felizmente o cinzento das nuvens não nos desabou na cabeça.

Depois uns pequenos desvios de percurso (nada de grave que nos impedisse de chegar ao destino em tempo útil), franqueámos as portas da Quinta e deparámos com uma enorme quantidade de instalações com ar vetusto, rodeadas de jardins, árvores e vinhas a subir a encosta. Numa sala estavam os comes e os bebes, devido à ameaça de chuva que alterou os planos para uma refeição ao ar livre, noutra havia uma loja com produtos da Quinta de Sant’Ana, ao lado uma vereda coberta de vegetação ao lado dum jardim em frente à vinha.

Mais para a direita, outros edifícios entre os quais se conta a adega, em que no primeiro andar se encontram as cubas de fermentação, estando as barricas no andar de baixo, o que permite, aproveitando o declive do terreno, fazer a trasfega do vinho das cubas para as barricas apenas pelo efeito da gravidade. Neste piso de baixo, uma longa mesa com a exposição de alguns vinhos especiais dos três produtores, que não estavam presentes na sala de refeição.

A visita a esta parte ficou para o final da tarde, já depois do almoço e com o estômago aconchegado e vários vinhos provados, pelo que fomos apenas conhecer alguns vinhos mais raros por curiosidade. A maior parte do dia foi passada entre o almoço e o jardim.

Quando se iniciou a função para os mastigantes, dividimo-nos entre algumas entradas frias, um bacalhau assado com batatinhas e tiras de porco assado, que rolava no espeto em frente à entrada. À disposição dos visitantes estavam, dispersas por várias mesas, algumas dezenas de garrafas de vinhos brancos e (poucos) rosés, num dos lados da sala e sempre devidamente refrescadas em enormes champanheiras, e do outro lado os tintos. A única separação entre eles era o facto de estarem agrupados, logicamente, por quintas, mas todos juntos na mesma zona.

(continua)

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Lavradores de Feitoria - Novos brancos no Memmo Alfama Hotel

      
   

Continuando na senda das apresentações de vinhos, aproveitei o lançamento dos novos brancos da Lavradores de Feitoria para me deslocar ao Memmo Alfama Hotel, numa encosta por trás da sé de Lisboa e com uma vista privilegiada sobre a foz do Tejo, para provar os novos produtos e rever alguns dos frequentadores habituais destes eventos.

Estiveram presentes a administradora Olga Martins e o administrador e director de enologia Paulo Ruão, que fizeram uma pequena apresentação dos produtos em lançamento.

À prova estiveram as novas colheitas do Lavradores de Feitoria Três Bagos branco 2013 (um lote de 50% de Viosinho, 40% de Gouveio e 10% de Malvasia Fina), o Sauvignon Blanc 2013, o Riesling 2013 e o Colheita Tardia 2010. Como curiosidade houve ainda a apresentação do Sauvignon Blanc em pequenos tubos, parecidos com pipetas, sob a designação WIT (Wine In Tube).

Acompanhados por alguns acepipes com base em produtos do mar (a excepção foram uns croquetes de carne e uns pregos que apareceram mais para o fim da tarde), fomos podendo provar os diversos brancos à vontade, pela ordem que quisemos e quantas vezes quisemos.

Cada um com as suas características, gostei de todos os vinhos apresentados, embora com percepções diferentes. O Três Bagos de lote apresentou-se um pouco mais complexo, mineral e estruturado, como é normal, com boa frescura e acidez, sendo um bom companheiro dos petiscos apresentados. O Sauvignon Blanc e o Riesling (duas castas do meu particular agrado) apresentaram-se com os traços característicos de cada uma: o Sauvignon Blanc elegante e suave, com um toque citrino e tropical e com o vegetal, que por vezes aparece demasiado marcado, pouco evidente tanto no nariz como na boca; o Riesling, assinado pelo “chef” Rui Paula (restaurantes DOP e DOC), ligeiramente adocicado mas com muito boa acidez, muito fresco e redondo e equilibrado na boca.

De realçar que todos estes brancos fermentaram 80% em inox e apenas 20% em barricas novas de carvalho francês, estagiando depois 4 a 5 meses nas mesmas proporções. A madeira está aqui praticamente imperceptível na prova, apenas compondo um pouco a estrutura dos vinhos, mostrando-nos bons exemplos de como a madeira pode ser usada nos vinhos brancos sem abafar os aromas e a frescura que se pretende. Neste caso, a Lavradores de Feitoria parece estar no bom caminho no que respeita à utilização das barricas nos seus vinhos brancos.

Finalmente, o Colheita Tardia, feito 100% de Sémillon, com algum melado na cor, ligeiramente doce mas não demasiado, fresco redondo e persistente, um bom vinho de sobremesa para o Verão.

Foi um fim de tarde bem passado, em boa companhia, num local agradável e com vinhos muito interessantes. Resta-me agradecer o convite enviado por Joana Pratas e à Lavradores de Feitoria por ter trazido a Lisboa os seus novos produtos e por nos ter proporcionado a oportunidade de prová-los, e desejar sucesso com estes novos lançamentos, que irão certamente fazer o seu caminho. Assim se dêem a conhecer ao público.

Kroniketas, enófilo esclarecido