domingo, 20 de maio de 2018

No meu copo 676 - Marquês de Marialva Colheita Selecionada tinto 2014

Um vinho barato e bom. Cor granada, boa estrutura na boca, complexidade quanto baste pontuada por alguma elegância e suavidade.

Um bom exemplar da moderna Bairrada num perfil mais macio para aqueles que têm dificuldades em entender-se com a Baga, aqui “amansada” pela Touriga Nacional com a qual costuma fazer boa ligação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Colheita Selecionada 2014 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,24 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 17 de maio de 2018

No meu copo 675 - Valle Pradinhos rosé 2016

Eis um rosé dos novos tempos e que reflecte aquilo que, na minha opinião de consumidor, deve ser um rosé.

Abstraindo da cor desmaiada, a tender quase para o incolor (uma moda que, como todas as modas, será apenas uma tendência passageira), o que interessa verdadeiramente, o aroma, o corpo e o sabor, estão no ponto certo.

O aroma é frutado e delicado, com notas florais e de frutos vermelhos silvestres. Na boca é leve, suave e macio, com boa e refrescante acidez, com um final elegante e vivo.

Foi muito apreciado, até por quem diz que não gosta de rosés...

Muito apelativo para ocasiões descontraídas. Uma excelente opção para o Verão, e mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos 2016 (R)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,35 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Paixão pelo Vinho Awards & Wine Party 2018



No dia 24 de Março de 2018 a revista Paixão pelo Vinho fez a entrega dos seus prémios aos vinhos portugueses numa cerimónia que teve lugar a partir do meio da tarde no espaço Beatus, em Lisboa.

Para além da entrega de prémios, cuja lista é impossível reproduzir aqui (fica apenas a foto de família) houve direito a provas de vinhos de diversos produtores, degustação de petiscos e ainda conversas curtas com enólogos.

No nosso caso, tivemos oportunidade de provar o vinho Villa Oeiras, um DOC Carcavelos com 15 anos, apresentado pelo enólogo Tiago Correia.

Este generoso de Carcavelos foi elaborado com as castas Galego Dourado e Ratinho e incorpora aguardente vínica da Lourinhã a 77% de álcool.

Provou-se também um Colheita 2004 que recebeu um prémio prestígio, um vinho a fazer lembrar os generosos da madeira.

Relativamente aos produtores presentes, foi possível provar os vinhos Serra Brava, da Herdade Canal Caveira, uma novidade.

E não houve tempo para mais. Obrigado à Paixão pelo Vinho por mais esta oportunidade.

Kroniketas, enófilo em degustações

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Vinhos em cena 2018 – 2ª edição



Nos dias 23 a 25 de Março de 2018 decorreu a 2ª edição dos Vinhos em Cena, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

Entre os muitos eventos vínicos que vão decorrendo pela capital, este distingue-se por utilizar o palco da sala de espectáculos para receber alguns dos produtores. Outros distribuem-se pelos corredores e outras salas do edifício. Ainda houve lugar a momentos musicais no palco, ao mesmo tempo que os visitantes provavam os vinhos.

A parte mais significativa, contudo, reside no facto de estarem presentes vários produtores que são quase desconhecidos do grande público, sendo assim uma oportunidade para se darem a conhecer.
Neste sentido, quero destacar um produtor do Algarve que me era completamente desconhecido, localizado perto de Loulé, que dá pelo nome de Quinta da Tôr. A grande novidade prende-se com o facto, assumido conscientemente, de apresentar dois vinhos tintos, monocasta Syrah, com elevados teores alcoólicos: 16% e 17%.

Em destaque, igualmente, os vinhos da Quinta Brejinho da Costa, localizada próximo de Grândola e próximo do mar. Com um portefólio muito interessante, destaque para os brancos monocasta Alvarinho e Sauvignon Blanc, e um tinto de Baga, um belo vinho que demonstra muita coragem! Haja coragem para arriscar num vinho de Baga na costa alentejana, e com tão bons resultados.

A Quinta Brejinho da Costa destaca-se também por possuir um programa de enoturismo em que os visitantes são convidados a provar os vinhos disponíveis e criar o seu próprio lote para degustar durante o almoço.

Finalmente, foi ainda possível provar ostras da costa de Setúbal, fornecidas pela antiga champanheria, agora Ostradomus, acompanhadas por um espumante.

Como atracção adicional, decorreram ainda alguns workshops em paralelo com a presença dos enólogos Osvaldo Amado, Vera Moreira e Mário Louro.

À sua dimensão, relativamente reduzida em comparação com outros eventos, este Vinhos em Cena pode e deve apostar na diferença e na inovação, de que a música em palco e a prova de ostras são bons exemplos a seguir.

Kroniketas, enófilo em degustações

domingo, 6 de maio de 2018

No meu copo 674 - Julian Reynolds 2006

Três anos depois, regressei a este Julian Reynolds que me encantou desde o primeiro encontro.

Esta era a última garrafa e ficou à espera durante algum tempo, para testar a prova do tempo. E passou com distinção.

Já não mostrando a robustez inicial, não apresentou quaisquer sinais de declínio nem demasiada evolução, mantendo uma cor rubi brilhante e um aroma saudável e com bastante frescura.

Na boca apresentou-se sedoso e macio, com a elegância a dominar o conjunto e aromas a especiarias a mostrar-se discretamente por trás duma predominância frutada.

Já não existe com este mesmo nome; agora há um Julian Reynolds Reserva 2009, que ainda não tive oportunidade de conhecer, quase com as mesmas castas (falta o Aragonês). Se o perfil for o mesmo, de certeza que vale a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Bairrada@LX – 2ª edição




Decorreu no passado dia 10 de Março de 2018 no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, em Lisboa, a 2ª edição do Bairrada@LX, um evento que pretende trazer à capital o melhor que se faz naquela tão tradicional região vitivinícola do país – uma das mais antigas, demarcada desde 1979.

A primeira edição tinha decorrido em 2015, e nesta segunda edição “a aposta foi num evento com um número restrito de produtores (20), a ter lugar num espaço maior e com excelentes acessos. Comodidade e conforto foram palavras de ordem para nós! Somos acérrimos frequentadores deste tipo de eventos e sabíamos o que queríamos e o que tínhamos que evitar. São vinte os projectos vínicos presentes é fundamental que os visitantes circulem à vontade, possam conversar com os produtores, conhecendo as suas histórias, e provar os seus vinhos sem constrangimentos. Isto aliado à degustação de sabores da Bairrada”, afirmou Ema Martins, porta-voz da Eira na Beira, empresa que organizou o certame e contou com o apoio da Comissão Vitivinícola da Bairrada.

Da press release enviada aos media constavam os nomes dos seguintes produtores:

• Adega de Cantanhede
• Ataíde Semedo
• Campolargo
• Carvalheira Wine Creators
• Casa de Saima
• Casa do Canto
• Caves Messias
• Caves São Domingos
• Caves São João
• Filipa Pato
• Kompassus
• Luís Pato
• LusoVini
• Quinta das Bágeiras
• Quinta de Baixo
• Quinta do Ortigão
• Rama & Selas
• Sidónio de Sousa
• Vadio
• VPuro


Dentro do tempo disponível para percorrer o espaço, foi possível ficar a conhecer algumas novidades muito interessantes, a começar pelos brancos e espumantes Luís Pato e Kompassus. Destaque para o novo 97 Anos de História das Caves São João, o mais recente lançamento das edições anuais a caminho do centenário e que se mostrou com muito tempo de vida pela frente, com grande robustez mas com aquela elegância que as Caves São João conseguem imprimir aos seus vinhos.

Destaque também para os vinhos Carvalheira Wine Creators, vinhos a solo do enólogo das caves, José Carvalheira, com perfil mais irreverente e a fugir ao clássico e com nomes alusivos às estações do ano e fases da lua: Hibernum, Ante Aequiontium, etc. Vinhos para explorar noutras ocasiões, com mais tempo e paciência, que normalmente não se compadecem com este tipo de eventos. Debaixo de olho ficou o Vigesimum Grande Reserva, que assinala a 20ª colheita do enólogo em nome próprio.

Passagem pelas Caves Messias, Rama & Selas, Quinta do Ortigão, sempre uma referência nos espumantes, Campolargo, Adega de Cantanhede (um nome em ascensão), Filipa Pato e, claro, pelo imperdível Quinta das Bágeiras Garrafeira tinto, com o Avô Fausto a fazer companhia.

Não deu para provar tudo, nem para assistir às conversas curtas que decorriam a intervalos mais ou menos regulares, mas deu para confirmar o que eu já sabia (e todos os fãs da Bairrada sabiam): que os vinhos bairradinos não ficam a dever nada aos de nenhuma outra região do país em qualidade e longevidade, mas não são para toda a gente apreciar num único trago. São vinhos para descobrir, explorar, compreender, saborear, e principalmente dar tempo para mostrarem tudo o que têm.

Pela minha parte, como fã desde sempre da Bairrada, não fazendo parte de nenhuma confraria nem de nenhum grupo de Bairrada winelovers ou Baga friends, continuarei sempre a divulgar aqui tudo o que de bom a Bairrada tem para oferecer aos enófilos, e manter-me-ei fiel a este meu princípio: quem nunca provou vinhos velhos da Bairrada não sabe o que está a perder.

Para os que ainda não estão convencidos pelos vinhos da Bairrada, este tipo de certame, à semelhança do Dão Capital (não confundir com o Bairradão, que é uma organização da garrafeira Néctar das Avenidas que junta as duas regiões e vai decorrer já no final da próxima semana), é uma excelente oportunidade para conhecer o que há, desde que vão sem preconceitos, de mente e sentidos abertos. Se começarem logo por “eu só gosto de tintos”, “eu só gosto de vinhos novos”, “eu só gosto de Douro e Alentejo”, “eu não gosto de espumantes”... então esqueçam, e nem vale a pena aparecer lá.

Kroniketas, bairradino indefectível

segunda-feira, 30 de abril de 2018

No meu copo 673 - Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2016

Estava prometido voltar a este vinho, e assim se fez.

Apresenta agora um rótulo novo, mais moderno e apelativo, com maior destaque à menção da casta.

Elaborado com uma das castas mais emblemáticas do país, que dá muito bons resultados na Bairrada quer em lote quer a solo, confirmou as impressões da prova anterior, revelando-se um vinho com boa estrutura a persistência, suave na boca e ao mesmo tempo vivo e intenso, com aromas citrinos predominantes e final persistente.

Temos aqui um bom exemplar dum Arinto bairradino, num registo um pouco mais encorpado sem perder as características da casta.

Muito boa relação qualidade/preço, por um valor muito interessante.

Recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2016 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 26 de abril de 2018

No meu copo 672 - Lagoalva rosé 2016

À semelhança de provas anteriores, este rosé da Quinta da Lagoalva revelou-se um excelente acompanhamento de pratos de cozinha não portuguesa. Já o tinha experimentado com comida italiana e com dois pratos de frango, e casou na perfeição. Desta vez abri uma garrafa com comida chinesa e voltou a casar na perfeição.

A sua frescura, acidez e leveza tornam-no um parceiro adequado para pratos que, não sendo muito condimentados, requerem alguma intensidade de sabor e frescura para limpar o palato.

Pelo preço que custa é um vinho que se compra sem dificuldade e se bebe com bastante agrado. É uma aposta garantida para quem gosta de vinhos rosados leves e aromáticos, com a vantagem acrescida de ter pouco álcool, felizmente uma velha tendência que está de regresso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lagoalva 2016 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,15 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 24 de abril de 2018

44 do 25


Mais um ano.
Mais um ano de liberdade para todos, inclusive para os parvalhões que dizem que no tempo da outra senhora é que era bom. Teríamos várias sugestões para eles, mas seria dar demasiada importância ao ranço da História...

Mais um ano.
Já são quarenta e quatro. Venham outros tantos. E depois outros. Porque só em liberdade podemos escolher e evoluir.

Liberdade e Democracia para todos!
25 de Abril Sempre!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes revolucionários

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Enóphilo Wine Fest Lisboa 2018

Organizada pelo Wine Club Portugal, do enófilo e blogger (entre outras coisas) Luís Gradíssimo, decorreu no passado sábado, dia 21 de Abril, a 5ª edição do Wine Fest Lisboa, desta com a designação Enóphilo Wine Fest.

Foi a primeira vez que pude deslocar-me ao evento, que decorreu no salão nobre do Hotel Ritz Four Seasons e contou com a participação de mais de 40 produtores de todo o país.

Entre vários nomes consagrados e sobejamente conhecidos do público, como Quinta do Regueiro, Casa da Passarela, Casa de Saima, Quinta das Bágeiras, Quinta do Cardo, Quinta de Pancas e Casa Cadaval, entre outros, a parte mais diferenciada em relação a outros certames do género prende-se com o facto de este contar com uma quantidade significativa de produtores menos conhecidos e de menor dimensão.

Lima Smith (Vinhos Verdes), Vinhos Romano Cunha (Trás-os-Montes), Luís Seabra (Douro, ex-enólogo dos Vinhos Niepoort), Inifinitude (Lisboa), Nunes Barata e Herdade do Arrepiado Velho (Alentejo) foram alguns dos produtores presentes cujos vinhos tive oportunidade de provar e que não quero deixar de destacar. Permito-me realçar os tintos Romano Cunha e Herdade do Arrepiado Velho, com uma personalidade distinta e que marca a diferença e que foram, talvez, os que mais me surpreenderam pela positiva.

No total, estiveram em prova cerca de 200 vinhos, desde os vinhos verdes até vinhos da Madeira, e ao fim da tarde o panorama da sala era o que se apresenta na foto junta.

Está de parabéns o Luís Gradíssimo pelo seu esforço nesta organização, que já conseguiu levar pelo país, tendo inclusivamente honras de entrevista televisiva no Porto Canal. O caminho é difícil e longo, mas com perseverança chega-se ao destino.

Os nossos agradecimentos pelo convite, e... até ao próximo evento.

Kroniketas, enófilo itinerante

quinta-feira, 19 de abril de 2018

No meu copo 671- Champanhe Taittinger Brut Réserve



É bem verdade que o champanhe é muito mais que uma bebida de celebração. Mas para comemorar 25 anos de casamento não há nada melhor do que um verdadeiro champanhe. Estou a falar do original, aquele oriundo da região de Champagne, no nordeste de França.

Se bem o pensei, melhor o fiz. Resolvi experimentar uma marca que ainda não tinha comprado. Esta casa possui um alargado portefólio de champanhes com as mais diversas características, preços, e até formatos de garrafa.

Este Taittinger Brut Réserve enquadra-se naquela gama de champanhes mais habitual, situada num valor entre 30 e 40 € no mercado português.

Não é o melhor que já bebi, mas correspondeu em pleno às expectativas. Muito suave e elegante, com bolha muito fina e mousse muito macia na boca, com aroma não muito exuberante com ligeiro toque a biscoito, final elegante e delicado.

Muito bem na sobremesa a acompanhar o delicioso Melhor bolo de chocolate do mundo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Taittinger Brut Réserve (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Taittinger - Reims
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Não indicadas
Preço em hipermercado: 35,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 16 de abril de 2018

No meu copo 670 - Fiúza, Chardonnay 2016

Este não é um belíssimo vinho, mas é um belo vinho.

Finalmente parece que em Portugal temos vinhos de Chardonnay bebíveis e a saber a vinho. Não a manteiga, não a madeira, como eram há uma década. Felizmente, parece que acabou a mania de elogiar os brancos de Chardonnay amanteigados e enjoativos, carregados de madeira e a parecer “pau líquido”. Como se isso fossem qualidades!!!

Este Fiúza Chardonnay apresentou-se com uma cor citrina brilhante, aroma cítrico e tropical, com nuances abaunilhadas. Fresco na boca, com boa estrutura, final vivo, intenso e persistente.

Ah, e não fermentou em madeira! Fermentou em inox, a 14 graus, com temperatura controlada.

Saúde-se este Chardonnay a saber e cheirar a qualquer coisa que se parece com uva... Muito agradável e guloso de beber, acompanhou na perfeição uns choquinhos fritos em azeite, alho e salsa.

Recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Chardonnay 2016 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,84 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 13 de abril de 2018

No meu copo 669 - Cabriz Reserva tinto 2013

Passados mais de 10 anos voltei ao local do crime, para repetir o prato e o vinho. Um almoço no Curral dos Caprinos trouxe à mesa o inevitável cabrito assado no forno com batata assada e esparregado, e ao copo o par quase ideal, o Cabriz Reserva tinto 2013.

Quanto ao prato não há muito a acrescentar ao que já se sabe: é um dos pratos emblemáticos da casa, que justifica sempre a visita. Tudo confeccionado no ponto certo.

Quanto ao vinho, que é o que nos traz aqui, também não há muito de novo, porque cumpriu com distinção aquilo que dele sempre se espera.

Sem ter sido pedido, o vinho foi previamente decantado e deixado repousar alguns minutos enquanto arejava, o que se revelou uma prática bastante adequada para o vinho em causa.

Tal como é mais ou menos habitual, este Cabriz Reserva mostrou um perfil robusto sem descurar a elegância, sempre contrastante com o lado mais elegante e suave do Casa da Santar Reserva. Aroma predominante a frutos vermelhos e do bosque, algumas notas balsâmicas, bem estruturado na boca, ainda com sinais evidentes de juventude e taninos bem presentes, com final vivo e persistente.

Aconselha-se assim a guarda por mais algum tempo, pois irá certamente amaciar na garrafa. Voltaremos a ele, pois há mais em casa para beber.

É um vinho que nunca nos desilude e uma aposta sempre segura, num patamar de preço quase imbatível para a qualidade que apresenta. Nem outra coisa seria de esperar, vindo donde vem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz Reserva 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 11 de abril de 2018

No meu copo 668 - XV Quinze tinto 2013

Este é um vinho diferente. Em tudo.

Desde logo, porque foi adquirido numa garrafeira online, graças a uma newsletter que o anunciava e que despertou a atenção.

Em seguida porque vem dum produtor de que praticamente não se fala mas que tem vinhos produzidos em quase todas as regiões do país.

Finalmente, porque usa o nome da graduação alcoólica que ostenta: 15 graus!

Foi pois a curiosidade que me levou a adquirir este vinho para ver o que daqui saía. O investimento não era muito elevado, portanto a perda também não o seria...

A verdade é que o vinho não desiludiu. Os 15 graus aparentemente exagerados estão bem “embrulhados” no corpo robusto e bem estruturado, mas ao mesmo tempo marcado por alguma macieza. Ou seja, não apresentou a agressividade esperada na prova de boca. A combinação de castas resulta bem, com algumas notas de especiarias e fruto maduro a marcarem um perfil aromático não muito exuberante.

No final apresenta taninos firmes mas domados e boa persistência. É um vinho interessante para pratos de carne bem temperados e com alguma robustez, mas sem excessos.

Em suma, uma curiosidade que se revelou uma surpresa agradável e interessante. Se nunca mais me cruzar com ele, pelo menos ficou a experiência.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: XV Quinze 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Vidigal Wines
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço: 5,65 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 8 de abril de 2018

No meu copo 667 - Valdazar 2011

Adquirido em Setembro de 2015, este tinto com a assinatura de Carlos Campolargo foge, como é habitual, ao perfil clássico da Bairrada, apresentando um lote de castas pouco usual, onde a Baga não é base mas complemento.

O próprio rótulo é invulgar, com cores e padrões que chamam a atenção através dum certo choque visual. Tudo dentro da postura habitual de Carlos Campolargo que faz questão de andar contra a corrente (nome de um dos seus vinhos, de que aqui falaremos um dia destes).

As castas fermentaram em conjunto, passando depois para barricas usadas de carvalho francês onde se deu a fermentação maloláctica e estagiou 12 meses.

Mostrou cor rubi, aroma algo discreto com notas de fruta preta e silvestre com algum vegetal. Na boca é elegante e macio, não muito estruturado, com final suave e mediano.

Um vinho “fora da caixa” que é interessante provar, mas não se espere que encante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valdazar 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Baga, Tinta Barroca
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 5 de abril de 2018

No meu copo 666 - Marquês de Borba branco 2017

Também oferecida por João Portugal Ramos Vinhos, esta garrafa de Marquês de Borba branco apresentou um aroma citrino com ligeiras notas tropicais e algum mineral. Boa frescura na boca e estrutura média, com final equilibrado e suave.

Tal como em provas anteriores, confirmou ser um bom branco de meia-estação com boa relação qualidade-preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba 2017 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Viognier
Preço em feira de vinhos: 4,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 2 de abril de 2018

No meu copo 665 - Tons de Duorum tinto 2016

Garrafa oferecida por João Portugal Ramos Vinhos, a quem muito agradecemos.

Já é um vinho por demais conhecido, que mostrou as características habituais. Medianamente encorpado, elegante e macio, com notas predominantes de frutos vermelhos, suave na boca e com final de comprimento médio, com taninos suaves.

Pareceu uns furos acima das provas anteriores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tons de Duorum 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 30 de março de 2018

Gala Tejo'18 - Premiados

Decorreu no passado dia 24 de Março a 8ª edição da Gala Tejo, que distinguiu os melhores no vinho e gastronomia da região.

No IX Concurso de Vinhos do Tejo foram atribuídas duas das três Medalhas Excelência à Quinta do Casal Branco, em Almeirim, pelos seus Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas branco 2016 e Falcoaria Colheita Tardia branco 2014.

Nos tintos, a Medalha Excelência foi conquistada pelo Casal da Coelheira Private Collection tinto 2015, do Casal da Coelheira, no Tramagal, em Abrantes.

O concurso contou com o maior número de sempre de vinhos e produtores: estiveram em prova 166 amostras (mais 8 em relação a 2017), de 37 produtores (mais 3 do que em 2017), dos quais 22 foram contemplados com 50 vinhos premiados. Deste total, 21 receberam Diploma de Ouro e 29 receberam Diploma de Prata.

No que toca ao Ouro, destaque para a Adega Cooperativa do Cartaxo, a Quinta da Alorna e a Quinta do Casal Branco, que tiveram três destas distinções. Já a Adega Cooperativa de Almeirim, o Casal da Coelheira e a Companhia das Lezírias foram duplamente eleitas na lista dos Diplomas de Ouro. Os restantes produtores premiados foram Agrovia, Casa Cadaval, Encosta do Sobral, Enoport, Lagoalva e Pitada Verde.

Dos 29 Diplomas de Prata, a Quinta do Casal Branco voltou a ganhar três distinções, tal como a Falua. Agrovia, Casal da Coelheira, Enoport, Quinta da Alorna e Quinta do Cavalinho foram galardoadas com duas distinções cada uma. Na lista dos Diplomas de Prata constam ainda a Adega Cooperativa de Almeirim, Adega Cooperativa do Cartaxo, Casa Cadaval, Casa Agrícola Paciência, Casa Agrícola Faia e Filhos, Casa Agrícola Solar dos Loendros, Encosta do Sobral, Fiúza & Bright, Lagoalva, Pitada Verde, Quinta da Badula e Sociedade Agrícola Casal do Conde.

No âmbito dos Prémios Vinhos do Tejo 2017 são contempladas as categorias Empresa Dinamismo e Empresa Excelência entregues, respectivamente, à Adega Cooperativa de Benfica do Ribatejo e à Adega Cooperativa do Cartaxo pela dedicação e determinação no universo vitivinícola.

Manuel Lobo de Vasconcellos e Joana Silva Lopes, enólogo responsável enóloga residente da Quinta do Casal Branco, foram galardoados com o prémio Enólogo do Ano pelo desempenho que os vinhos deste produtor conseguiram no IX Concurso de Vinhos do Tejo, sendo os mais bem pontuados.

O Prémio Carreira foi entregue a duas incontornáveis personalidades do vinho na região: o engenheiro Mário Louro, que tem dedicado a sua vida à cultura do néctar de Baco, dentro e fora das salas onde dá formação, e José Jacinto Freire Rodrigues, proprietário e grande impulsionador da Quinta do Casal da Coelheira, membro do primeiro Conselho Geral da Comissão Vitivinícola Regional, fundada em 1997, na altura como Ribatejo, e, acima de tudo, um acérrimo defensor da união em proveito de um futuro promissor para os Vinhos do Tejo.

Ao mesmo palco subiram ainda os representantes dos restaurantes galardoados no âmbito da 8.ª edição do Tejo Gourmet. Promovido há oito anos consecutivos, começou por ser um concurso de âmbito regional, o que mudou em 2014, ano em que passou a contemplar restaurantes de Norte a Sul de Portugal continental e ilhas. Desde essa altura dá origem a um guia, “Na Rota do Tejo Gourmet”, uma edição anual onde constam os restaurantes participantes.

Dos 51 restaurantes inscritos, 28 receberam Diploma de Ouro e 15 foram distinguidos com Diploma de Prata, de acordo com a avaliação feita à harmonização de Vinhos do Tejo com um menu composto por entrada, prato principal e sobremesa. No que aos prémios diz respeito, os restaurantes que melhor parceria conseguiram foram, por ordem de serviço, Pátio dos Petiscos (Montemor-o-Novo), À Terra, do hotel Vila Monte Farm House (Moncarapacho, Olhão), e Viva Lisboa, do Neya Lisboa Hotel.

A Melhor Promoção foi atribuída ao Grupo El Galego (Santarém), a Melhor Carta de Vinhos do Tejo é a do restaurante Naco na Pedra (Salir do Porto, Caldas da Rainha) e o Prémio Revelação ficou com o Petiscaki (Montemor-o-Novo). O Cisco (Almeirim) tem o galardão de Melhor Restaurante de Cozinha Tradicional enquanto o À Terra levou para o Algarve o prémio Melhor Restaurante de Cozinha Internacional. O 150 Gramas (Vila Franca de Xira) é considerado a Melhor Casa de Petiscos, o ANNA’S Restaurant (Aveiro) tem a Melhor Cozinha de Autor e o Wish (Porto) é o Melhor Restaurante desta edição do Tejo Gourmet.

Informação gentilmente cedida por JOANAPRATAS - Consultoria em Comunicação, que muito agradecemos.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Wine Summit Cascais 2018



Decorreu no passado dia 5 de Março, no Cascais Visitor Center, a apresentação da 2ª edição do MUST Fermenting Ideas - Wine Summit Cascais’18, que vai decorrer no Centro de Congressos de Cascais, de 20 a 22 de Junho.

A cimeira reúne especialistas do sector vinícola de diversas áreas – desde investigação, produção, comércio, enoturismo, e marketing – num formato que fomenta o debate entre especialistas e potencia a partilha de experiências.

O evento é promovido por Rui Falcão, crítico de vinho, consultor, escritor e conferencista, e Paulo Salvador, jornalista, apresentador, editor executivo da TVI e um apaixonado pela gastronomia, e conta com o apoio da Câmara Municipal de Cascais e do Turismo de Portugal. A apresentação do evento contou com a participação destes dois nomes e ainda do presidente da Câmara Municipal de Cascais. Foram apresentados os nomes dos conferencistas que irão usar da palavra ao longo dos 3 dias de duração do evento.

Vai ser possível ouvir o contributo de:

Gérard Basset, MS MW, um dos mais prestigiados sommeliers mundiais;
Robert Joseph, fundador do IWC, editor consultor da Meininger’s, produtor e criador de conteúdos;
Willi Klinger, director do Austrian Wine Marketing Board;
Maureen Downey, especialista em fraude e contrafacção, conhecida como a Sherlock Holmes dos vinhos*;
Charles Spence, Professor Universitário em Oxford especializado em neurociência associada aos sentidos do vinho;
Alberto Antonini, enólogo italiano e um dos mais famosos consultores internacionais;
Felicity Carter, editora chefe da Meininger’s, considerada como uma das mulheres mais poderosas do sector;
Mariette du Toit-Helmbold, uma das maiores autoridades internacionais sobre enoturismo;
Laura Catena, directora da Bodega Catena Zapata;
Heini Zachariassen, fundador e CEO da Vivino, a maior comunidade mundial de vinhos;
Martin Brown, fundador e CEO da Wine-Searcher, a maior base de dados mundial sobre vinhos;
Debra Meiburg MW, conceituada jornalista e master of wine;
Frank Cornelissen, produtor de vinhos naturais;
Michel Bettane, jornalista francês e mais conceituado provador de vinhos;
• e Rui Falcão, um dos mais reputados críticos de vinhos em Portugal.

O MUST Fermenting Ideas - Wine Summit Cascais’18 é um evento profissional, aberto a qualquer participante. As inscrições deverão ser feitas no site da MUST - Fermenting Ideas.

* Nota: a propósito da contrafacção dos vinhos, na apresentação de Maureen Downey foi referido por Rui Falcão que a falsificação de vinhos é o 4º negócio que movimenta mais dinheiro a nível mundial. Foi também referido que existem mais garrafas de um determinado vinho francês (salvo erro de 1947) à venda em todo o mundo do que o número de garrafas que foram produzidas.

Foto da direita cedida pela organização.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Vinhos em cena no Teatro Tivoli BBVA


Vinhos em Cena é um evento que associa a cultura do vinho e a sua inspiração à música, humor e entretenimento.

Nesta 2ª edição, o Teatro Tivoli BBVA volta a abrir as cortinas do seu palco, os seus foyers e o Sótão a produtores vínicos de várias regiões portuguesas e estrangeiras, a diferentes castas e aromas, a conversas, música e humor.

Mais informações no site do teatro Tivoli.

Paixão pelo vinho - Awards & Wine Party


Realiza-se amanhã no Beatus, em Marvila, Lisboa, a cerimónia de entrega de prémios da Revista Paixão pelo Vinho - Awards & Wine Party 2018.

O evento decorrerá entre as 17 e as 23 horas. Para além da entrega de prémios nas diversas categorias, haverá vários momentos de conversas com enólogos, com provas de vinhos escolhidos por estes que serão o mote para a conversa.

Mais informações na página da revista no Facebook.

Gala Vinhos do Tejo 2018


Organizado pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo em parceria com a Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo, realiza-se amanhã, no Hotel dos Templários em Tomar, a Gala de Vinhos do Tejo 2018, que terá início às 19 horas.

Serão anunciados os resultados e entregues os prémios do IX Concurso de Vinhos do Tejo bem como os resultados do Tejo Gourmet - Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo, que já vai na sua 8ª edição.

Mais informações e inscrições no site da Confraria.

segunda-feira, 19 de março de 2018

No meu copo 664 - Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016

1ª etapa: prova de novidades da Real Companhia Velha no Le Consulat. Aí foram-nos dados a conhecer vários vinhos onde este me encheu as medidas nos brancos, e logo aí ficou debaixo de olho.

2ª etapa: procurar este vinho no mercado. Não foi muito difícil encontrá-lo, e na primeira oportunidade adquiri-lo.

3ª etapa: prová-lo em casa à refeição. Foi aproveitado numa ocasião festiva para acompanhar um cokatail de camarão com abacate, e ligou quase na perfeição. A acidez do vinho fez um par perfeito com os sabores intensos do camarão e do molho cocktail.

De grande frescura na boca, marcado por alguma mineralidade e notas florais, apresenta-se com uma bela acidez, estrutura e final longo marcado por clara secura, fugindo assim ao padrão mais adocicado que é mais marcante no seu terreno de eleição, na Alsácia.

Um grande vinho branco, mais um para a galeria de grandes vinhos da Real Companhia Velha. Para ocasiões especiais e com pratos requintados. Entra directamente para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Gewürztraminer
Preço em feira de vinhos: 11,35 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 16 de março de 2018

No meu copo 663 - Adega de Borba Premium 2015

Foi a segunda vez que tentei perceber este vinho e continuo a não conseguir descrevê-lo. Além do aroma frutado, não há mais nenhuma característica marcante de q eu me recorde. Acabei de beber a garrafa há pouco e já não me lembro bem de como ele era...

Tal como da vez anterior, vou esquecê-lo rapidamente. Não deixa memórias. Nem boas nem más. Qualquer semelhança com o clássico e excelente Reserva Rótulo de Cortiça é mera coincidência. Só gostava de perceber porque é que um vinho tão desinteressante se chama “Premium”...

Kroniketas, enófilo desiludido

Vinho: Adega de Borba Premium 2015 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,25 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 13 de março de 2018

No meu copo 662 - Esporão, Verdelho 2015

Ali ao lado, ainda junto a Reguengos de Monsaraz, nascem outros vinhos típicos e clássicos, a par com uma nova geração de vinhos modernos.

Um deles é este, que também já se tornou obrigatório na garrafeira. Inclusivamente já foi eleito o melhor vinho português num recente concurso de vinhos nacionais.

Desde a primeira vez que o provei, há uns anos numa incursão à Herdade do Esporão, fiquei conquistado. A partir daí tornou-se compra regular e quase sempre tem brilhado a grande altura.

Quando assim é, torna-se repetitivo estar a descrever sempre as mesmas qualidades do vinho. Acidez, mineralidade, aromas tropicais e citrinos, estrutura, persistência, vivacidade na prova de boca, está lá tudo aquilo que se espera.

No caso concreto desta garrafa, a primeira abordagem mostrou vivacidade na boca e boa acidez, mas o aroma apareceu mais contido do que habitualmente, e o final não foi tão intenso. Uma questão de garrafa, ou uma questão de tempo, não saberemos. A temperatura estava correcta e não foi sujeito a choques térmicos, portanto não foi por aí que perdeu qualidades.

Só por isso fica um pouco penalizado na avaliação, mas certamente tratou-se apenas dum caso pontual. Já há outras colheitas à espreita.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Verdelho 2015 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 6,77 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 10 de março de 2018

No meu copo 661 - Reguengos DOC tinto 2016

Descemos ainda mais, quase até à base da pirâmide. Numa passagem por um restaurante, este era o vinho da casa a 7 €. Como as alternativas não eram particularmente atractivas, experimentou-se.

Estamos a falar dum vinho abaixo dos 3 €, preço de mercado. Não se pode esperar qualquer semelhança com os que estão nos patamares acima.

Produzido com o mesmo lote clássico Garrafeira dos Sócios, os primeiros goles, enquanto se espera por um bife, não convencem. Estamos perante um vinho vulgar, em que nada o distingue de outros da mesma gama.

Já com o prato na mesa, o vinho parece diferente. Há alguma estrutura e uma certa persistência, com algumas notas a frutadas e a especiarias, com algum tanino lá ao fundo a querer mostrar-se.

Bebeu-se, sem encantar e sem esperar muito mais.

Apenas para confirmar que há um patamar abaixo do qual é quase indiferente aquilo que se escolhe. Do Douro ao Alentejo...

Depois de ter saboreado um Garrafeira dos Sócios, beber um Reguengos DOC é como passar dum Ferrari para um Fiat Panda...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos 2016 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira (40%), Aragonês (40%), Castelão (20%)
Nota (0 a 10): 6,5

quarta-feira, 7 de março de 2018

No meu copo 660 - Reguengos Reserva tinto: 2008 e 2013

Descemos uns patamares para chegar a outro clássico, passando por cima do novo Reserva dos Sócios (também lá chegaremos), do Bom Juiz e dos monocastas, para chegar a outro clássico, o Reserva, neste caso com duas colheitas separadas por 5 anos. Muito mais barato que o topo de gama da casa, mas com uma qualidade irrepreensível que o preço não reflecte.

Tal como o Garrafeira dos Sócios, este também é um bom vinho de guarda. O 2008 mostrou-se mais estruturado e encorpado que o 2013, com um aroma vinoso profundo e intenso, muito pujante na boca.

Já o 2013, conquanto mais novo e até mais alcoólico, revelou-se menos complexo. Mais frutado, ainda com os aromas primários bem evidentes com notas de frutos pretos e especiarias, mas a mostrar que mais tempo em garrafa lhe faria bem. São assim estes vinhos da CARMIM, e o melhor é mesmo dar-lhes tempo de repouso.

Como bons alentejanos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Preço em feira de vinhos: 3,24 €

Vinho: Reguengos Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Reguengos Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 4 de março de 2018

No meu copo 659 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007

Um clássico dos clássicos, desta vez revisitado mais depressa do que habitualmente. Uma ou duas vezes por ano é sempre chamado à nossa mesa.

Já aqui contámos por mais de uma vez a história de como conhecemos este vinhos e da nossa paixão por ele. Então, o que haverá ainda para dizer?

Em primeiro lugar, a prova do tempo. Só os grandes vinhos superam a prova do tempo, e poucos o fazem com distinção.

O que acaba por impressionar mais neste vinho é a consistência qualitativa de colheita para colheita. O lote de uvas que o compõem tem-se mantido estável, com castas típicas da região (a partir da colheita de 2011 já houve alterações, mas a seu tempo lá chegaremos), o que permite manter sempre um mesmo perfil ao longo de mais de duas décadas.

No caso desta garrafa, é um vinho com 10 anos, comprado em 2014. Compramo-lo quase sempre para guardar, ficando esquecido na garrafeira até que a oportunidade surja. Ao fim deste tempo, os aromas primários mais frutados já lá não estão, mas a profundidade aromática acaba por surgir.

Neste caso foi decantado uma hora e meia antes da refeição, sendo que apenas quase uma hora depois de começar a ser bebido é que se libertou e abriu os aromas. Apareceu muito contido, de aroma muito fechado. No entanto, aquela suavidade que sempre o marcou, uma espécie de elegância rústica que sempre o caracterizou, estava bem presente. Lembro-me sempre da frase do saudoso Mancha (que hoje faria 53 anos se ainda estivesse entre nós), que dizia “este vinho é veludo”. E continua a ser, independentemente de gostarmos mais ou menos de cada colheita.

Não é apenas um vinho para beber: é um vinho para degustar, saborear e apreciar.

Com tempo, muito tempo. Com calma, muita calma. Com paciência, muita paciência.

Como um bom e típico alentejano.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 1 de março de 2018

No meu copo 658 - Alcube, Fernão Pires e Moscatel 2015; Quinta de Alcube, Castelão e Cabernet Sauvignon 2013

Localizada na serra da Arrábida, próximo de Azeitão, a Quinta de Alcube é um projecto de dimensão familiar, dedicada à produção de vinhos e queijos, contemplando também uma vertente de enoturismo com três casas rústicas (Casa Moscatel, Casa Castelão e Casa Trincadeira) rodeadas pelo campo.

Até hoje foram escassos os contactos com os vinhos deste produtor, sendo que um amigo permitiu-me degustar um branco e um tinto que tinha em casa.

O branco, produzido com duas castas emblemáticas da região, mostrou-se algo parco de aromas, que se esperavam mais intensos. Embora marcado por alguma doçura e suavidade do Moscatel e com alguma estrutura do Fernão Pires, não é um vinho que se destaque à mesa, acabando por ficar um pouco neutro.

Já o tinto, também com uma casta típica da região no lote, apareceu um pouco mais intenso e estruturado, com notas caramelizadas e compotadas e achocolatadas, com final marcado por alguma especiaria. Leves notas amadeiradas envolvem o conjunto sem se sobrepor em demasia.

O primeiro contacto com um tinto desta casa aconteceu há muitos anos no Encontro com o Vinho e Sabores. Neste caso as expectativas não foram completamente satisfeitas. Aguardemos por novas oportunidades.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Quinta de Alcube

Vinho: Alcube, Fernão Pires e Moscatel 2015 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Fernão Pires, Moscatel
Preço: 4,76 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de Alcube, Castelão e Cabernet Sauvignon 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Castelão, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,81 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

No meu copo 657 - Cartuxa branco 2015

Os vinhos da Fundação Eugénio de Almeida, produzidos na Adega da Cartuxa, ganharam fama essencialmente devido aos seus tintos de perfil alentejano clássico. O grande ícone é o famosíssimo Pêra Manca, cujo preço já ultrapassou os 200 €, mas a marca emblemática é mesmo a do vinho Cartuxa, secundado pelo Cartuxa Reserva.

No entanto, nem só de tintos vive a Cartuxa. Com um preço inferior a 1/5 do tinto, também existe o Pêra Manca branco, assim como outros brancos sob a marca Scala Coeli, na gama de entrada a marca EA e ainda o espumante.

No meio aparece este Cartuxa branco, com muito menos visibilidade que o tinto, o que não deixa de ser normal no Alentejo.

De cor citrina, apresenta aroma algo discreto a fruta branca com ligeiro cítrico. Suave na boca e com estrutura média, final suave mas não muito intenso e com persistência média.

É um branco agradável, mas que não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cartuxa 2015 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 7,5