domingo, 20 de Julho de 2014

No meu copo, na minha mesa 392 - Crasto Superior 2010; Restaurante Sal & Brasas

 

Um encontro à hora de almoço permitiu-nos reunir alguns dos Comensais Dionisíacos num restaurante próxima da Calçada das Necessidades: fica na Rua das Necessidades, perto do Palácio das Necessidades e chama-se Sal & Brasas.

À entrada existe um cartaz em ardósia com os destaques do menu do dia, mas depois de franqueada a porta temos acesso a uma ementa com uma longa lista de variedades. À vista encontra-se também um grelhador onde são devidamente tratadas as carnes ou peixes requisitados, e que podem também ser escolhidos a partir de uma montra. À esquerda podemos escolher entre duas salas contíguas, uma interior e outra mais próxima da janela, que foi a escolhida apesar de ser destinada a fumadores.

Seduzidos pela opulência das carnes, escolhemos umas costeletas de novilho para partilhar por todos. Acompanhamentos à discrição, entre batatas fritas e esparregado que fomos repetindo à medida que era necessário. Serviço eficaz e satisfatório, qualidade do produto e da confecção irrepreensíveis.

Para acompanhar este pitéu, entre muitas opções escolhemos algo diferente, que ainda não tivéssemos provado. A escolha recaiu num vinho da Quinta do Crasto numa variedade pouco vista: um Crasto Superior de 2010, a um preço inferior a 20 €, o que pesou na escolha.

Foram necessárias duas garrafas, que se degustaram com facilidade e rapidez. O vinho é surpreendentemente fácil de beber, tendo em conta o perfil actual da esmagadora maioria das marcas de tintos do Douro. Apesar duns musculados 14% de álcool, o vinho apresentou-se com uma suavidade e uma elegância inesperadas, uma persistência bem vincada, taninos redondos e pouco marcados, aroma evidente a frutos vermelhos, tudo bem integrado na madeira por onde passa em estágio de 12 meses e que apenas confere alguma complexidade ao vinho, sem se sobrepor ao conjunto.

Sem dúvida uma excelente aposta da Quinta do Crasto, num segmento de mercado que permite aceder a um vinho de qualidade média-alta sem desembolsar uma fortuna. Tudo muito equilibrado, é daqueles vinhos dos quais se pode dizer que têm tudo no sítio certo.

Em resumo, foi um excelente convívio pontuado por uma bela refeição. Aconselha-se a visita particularmente a quem pretenda enveredar pelos grelhados, onde a oferta é boa, grande e variada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Sal & Brasas
Rua das Necessidades, 18-20
1350 Lisboa
Telef: 213.958.304
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Crasto Superior 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão
Preço em hipermercado: 13,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (2ª parte)

    
  

(continuação)

Começámos por bebericar uns goles de brancos da Chocapalha, primeiro o Arinto, depois o Sauvignon Blanc, a seguir o Reserva, passámos ao Verdelho da Quinta de Sant’ana e ainda conseguimos chegar ao Riesling, que desapareceu das garrafas rapidamente. Não agradou particularmente o rosé Mar de Lisboa, algo desmaiado na cor e incaracterístico no sabor. Talvez seja de rever o modo de produção...

Foi interessante ir fazendo a comparação dos vários brancos de acordo com as castas e os lotes. Claro que nem todos agradaram por igual a toda a gente, até porque os gostos dos presentes são algo díspares (principalmente no caso das senhoras), mas a qualidade média, fum modo geral, era bastante elevada, mostrando aquilo que marca actualmente estes vinhos atlânticos: muita frescura e acidez, o que os torna bastante apelativos e fáceis de beber. Há que aproveitar da melhor forma as condições que o clima propicia para produzir vinhos que dêem verdadeiro prazer a beber, em vez de andar a carregá-los de madeira, prática que por aqui não parece fazer grande escola: apenas na conta, peso e medida certas.

Passando à zona dos tintos, encontrámos alguns pesos pesados dos três produtores, e fomo-nos dividindo entre eles. Provou-se um excelente Quinta de Sant’Ana em garrafa magnum, muito bem estruturado e encorpado, um Pinot Noir com aquela levez característica e delicadeza típica da casta, um Cabernet Sauvignon da Chocapalha, equilibrado, redondo e persistente, e ainda se voltou ao excelente Reserva da Quinta do Monte d’Oiro apenas para comprovar as impressões colhidas recentemente na Delidelux: um vinho de qualidade e elegância superiores.

Já mais para o meio da tarde, e de estômago reconfortado, rumámos então à adega, em cujo piso inferior encontrámos algumas colheitas mais antigas ou raras, como alguns vinhos das décadas de 90 e 2000 da Quinta do Monte d’Oiro em plena forma, que tivemos oportunidade de provar, como o Homenagem a António Carquejeiro 2001 e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva 98, dois néctares de excepção e plenos de elegância.

Novidade absoluta foi um CH by Chocapalha, um vinho recente a pedir tempo na garrafa. Por ali ficámos mais algum tempo a mirar os outros vinhos, mas acabámos por terminar a ronda sem grandes demoras, pois ainda nos esperavam umas dezenas de quilómetros ao volante de regresso à capital.

Em jeito de balanço, foi um dia diferente e muito bem passado, com vinhos muito interessantes e alguns muito bons. É de louvar este tipo de iniciativas por parte dos produtores, que compreendem que só puxando todos para o mesmo lado podem ter sucesso e ter alguma visibilidade, ao contrário do espírito por vezes tão arreigado de pequenas rivalidades sem sentido. O facto de convidarem o público a conhecer os seus vinhos também é um bom passo nesse sentido, pois desperta-nos para algumas marcas que não conhecemos e que não vemos à venda, e que assim podem passar a fazer parte das nossas compras com alguma regularidade. Não ficaria bem destacar nenhum dos produtores em particular, porque todos eles têm as características diferenciadas e potencial para fazer o seu caminho, pelo que apenas referimos alguns dos vinhos provados que nos marcaram mais.

Resta-nos, assim, agradecer aos promotores da iniciativa: a quem nos contactou, a quem organizou o evento, em suma, aos responsáveis, produtores, enólogos e demais colaboradores das três quintas envolvidas. A todos desejamos o maior sucesso e, pela nossa parte enquanto consumidores, tentaremos ajudar um bocadinho dentro das nossas possibilidades.

Bem-hajam pelo convite endereçado e esperamos que mais iniciativas assim se repitam. O espírito dos Douro Boys parece estar a começar a criar raízes, e se calhar o facto de Sandra Tavares da Silva ter um percurso já feito na Quinta do Vale de D. Maria não é alheio ao facto de a Quinta de Chocapalha estar integrada nesta iniciativa.
Até à próxima.

tuguinho, Kroniketas e Politikos, os diletantes preguiçosos e enófilos em passeio pela Estremadura

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Novas ligações

Acrescentámos dois novos links à secção “Outras vinhas”:

- Blend | All About Wine
- Clube de Vinhos Portugueses

Os nossos votos de bom trabalho, boas provas e muito sucesso.

domingo, 13 de Julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (1ª parte)

      

A Lisbon Family Vineyards, associação que junta os produtores Quinta de Sant’Ana, Quinta de Chocapalha e Quinta do Monte d'Oiro, levou a cabo no passado dia 6 de Julho uma festa nas instalações da Quinta de Sant’Ana, localizada na povoação de Gradil (perto da Tapada de Mafra), para a qual este blog teve a honra de ser convidado, por entre muitos outros enófilos já conhecidos.

Os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro já são nossos velhos conhecidos, e temos vindo a prová-los com alguma regularidade, tendo já estado presentes em diversas provas, a última das quais há pouco mais de uma semana.

O primeiro contacto que tivemos com a Quinta de Sant’Ana foi através de uma garrafa de um Sauvignon Blanc que nos surpreendeu muito agradavelmente.

Quanto à Quinta de Chocapalha, há cerca de um ano e meio também estivemos numa prova com as irmãs Andrea e Sandra Tavares da Silva, em que nos foi dada a conhecer uma parte significativa do portefólio desta empresa familiar.

Tendo em conta a grande mudança que se tem verificado na produção de vinhos da região Lisboa, com o aparecimento de novos produtores, a consolidação de outros e algumas reformulações ou revoluções noutros casos (aquisição da Quinta de Pancas pela Companhia das Quintas e das Caves Velhas – entre outras – pela Enoport são os casos mais emblemáticos) e a correspondente subida em flecha da qualidade dos vinhos, não hesitámos em aceder ao convite na certeza de que iríamos ter oportunidade de conhecer e provar produtos de muito boa qualidade, como de facto aconteceu. Longe vão, felizmente, os tempos do vinho aguado e a granel...

Alinharam na deslocação, além da família, os membros do núcleo duro dos “Comensais Dionisíacos” tuguinho e Politikos, por indisponibilidade dos demais comensais para esta ocasião. Num domingo cinzento e constantemente a ameaçar a queda duma enorme carga de água, lá rumámos a Gradil com algum receio de ir molhar a boca e voltar encharcados de chuva, mas felizmente o cinzento das nuvens não nos desabou na cabeça.

Depois uns pequenos desvios de percurso (nada de grave que nos impedisse de chegar ao destino em tempo útil), franqueámos as portas da Quinta e deparámos com uma enorme quantidade de instalações com ar vetusto, rodeadas de jardins, árvores e vinhas a subir a encosta. Numa sala estavam os comes e os bebes, devido à ameaça de chuva que alterou os planos para uma refeição ao ar livre, noutra havia uma loja com produtos da Quinta de Sant’Ana, ao lado uma vereda coberta de vegetação ao lado dum jardim em frente à vinha.

Mais para a direita, outros edifícios entre os quais se conta a adega, em que no primeiro andar se encontram as cubas de fermentação, estando as barricas no andar de baixo, o que permite, aproveitando o declive do terreno, fazer a trasfega do vinho das cubas para as barricas apenas pelo efeito da gravidade. Neste piso de baixo, uma longa mesa com a exposição de alguns vinhos especiais dos três produtores, que não estavam presentes na sala de refeição.

A visita a esta parte ficou para o final da tarde, já depois do almoço e com o estômago aconchegado e vários vinhos provados, pelo que fomos apenas conhecer alguns vinhos mais raros por curiosidade. A maior parte do dia foi passada entre o almoço e o jardim.

Quando se iniciou a função para os mastigantes, dividimo-nos entre algumas entradas frias, um bacalhau assado com batatinhas e tiras de porco assado, que rolava no espeto em frente à entrada. À disposição dos visitantes estavam, dispersas por várias mesas, algumas dezenas de garrafas de vinhos brancos e (poucos) rosés, num dos lados da sala e sempre devidamente refrescadas em enormes champanheiras, e do outro lado os tintos. A única separação entre eles era o facto de estarem agrupados, logicamente, por quintas, mas todos juntos na mesma zona.

(continua)

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Lavradores de Feitoria - Novos brancos no Memmo Alfama Hotel

      
   

Continuando na senda das apresentações de vinhos, aproveitei o lançamento dos novos brancos da Lavradores de Feitoria para me deslocar ao Memmo Alfama Hotel, numa encosta por trás da sé de Lisboa e com uma vista privilegiada sobre a foz do Tejo, para provar os novos produtos e rever alguns dos frequentadores habituais destes eventos.

Estiveram presentes a administradora Olga Martins e o administrador e director de enologia Paulo Ruão, que fizeram uma pequena apresentação dos produtos em lançamento.

À prova estiveram as novas colheitas do Lavradores de Feitoria Três Bagos branco 2013 (um lote de 50% de Viosinho, 40% de Gouveio e 10% de Malvasia Fina), o Sauvignon Blanc 2013, o Riesling 2013 e o Colheita Tardia 2010. Como curiosidade houve ainda a apresentação do Sauvignon Blanc em pequenos tubos, parecidos com pipetas, sob a designação WIT (Wine In Tube).

Acompanhados por alguns acepipes com base em produtos do mar (a excepção foram uns croquetes de carne e uns pregos que apareceram mais para o fim da tarde), fomos podendo provar os diversos brancos à vontade, pela ordem que quisemos e quantas vezes quisemos.

Cada um com as suas características, gostei de todos os vinhos apresentados, embora com percepções diferentes. O Três Bagos de lote apresentou-se um pouco mais complexo, mineral e estruturado, como é normal, com boa frescura e acidez, sendo um bom companheiro dos petiscos apresentados. O Sauvignon Blanc e o Riesling (duas castas do meu particular agrado) apresentaram-se com os traços característicos de cada uma: o Sauvignon Blanc elegante e suave, com um toque citrino e tropical e com o vegetal, que por vezes aparece demasiado marcado, pouco evidente tanto no nariz como na boca; o Riesling, assinado pelo “chef” Rui Paula (restaurantes DOP e DOC), ligeiramente adocicado mas com muito boa acidez, muito fresco e redondo e equilibrado na boca.

De realçar que todos estes brancos fermentaram 80% em inox e apenas 20% em barricas novas de carvalho francês, estagiando depois 4 a 5 meses nas mesmas proporções. A madeira está aqui praticamente imperceptível na prova, apenas compondo um pouco a estrutura dos vinhos, mostrando-nos bons exemplos de como a madeira pode ser usada nos vinhos brancos sem abafar os aromas e a frescura que se pretende. Neste caso, a Lavradores de Feitoria parece estar no bom caminho no que respeita à utilização das barricas nos seus vinhos brancos.

Finalmente, o Colheita Tardia, feito 100% de Sémillon, com algum melado na cor, ligeiramente doce mas não demasiado, fresco redondo e persistente, um bom vinho de sobremesa para o Verão.

Foi um fim de tarde bem passado, em boa companhia, num local agradável e com vinhos muito interessantes. Resta-me agradecer o convite enviado por Joana Pratas e à Lavradores de Feitoria por ter trazido a Lisboa os seus novos produtos e por nos ter proporcionado a oportunidade de prová-los, e desejar sucesso com estes novos lançamentos, que irão certamente fazer o seu caminho. Assim se dêem a conhecer ao público.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Na Delidelux 5 - Quinta do Monte d’Oiro

 

Apenas dois dias após a prova anterior, voltámos ao “local do crime” para uma grande prova com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Aqui o panorama foi diferente: houve provas comparadas de duas colheitas diferentes dos mesmos vinhos.

A excepção foram os vinhos iniciais. Começámos pelo único branco presente, o Madrigal, um bom exemplar da casta Viognier, com um toque citrino, algum tropical e uma certa mineralidade, com uma boa estrutura e alguma complexidade a pedir comida a acompanhar. Estagiou em madeira mas esta não está minimamente presente no aroma nem no sabor. Um vinho eminentemente gastronómico.

Depois o tinto de entrada de gama, o Lybra, que veio substituir o Vinha da Nora, feito com base em Syrah, mas com uma filosofia algo diferente, mais jovem e com aroma frutado mais presente que o seu antecessor, um vinho de mais fácil consumo. Pessoalmente, ainda prefiro o anterior, mas talvez a evolução em garrafa permita lhe aproximar o perfil do anterior.

Entrámos em seguida nos grandes vinhos da casa: o Têmpera, o Aurius e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva. De cada um, duas colheitas, uma recente e uma mais antiga.

Provados pela ordem indicada, do Têmpera tivemos a colheita de 2004 e a de 2009, ambas feitas exclusivamente com Tinta Roriz. Do Aurius tivemos a colheita de 2002 (já a provámos aqui) e a de 2006, em que na colheita mais recente a Touriga Nacional substitui a Tinta Roriz como casta dominante, mantendo-se o Syrah e o Petit Verdot em pequenas quantidades. Do Reserva, tivemos a colheita de 2004 (14,5% de álcool) e a de 2010: a base é o Syrah, com cerca de 5% de Vioginier.

Embora as opiniões se dividam, a nossa preferência pendeu claramente, em todos os casos, para as colheitas mais antigas. Apresentam menos fruta mas ganham em finesse, em aromas secundários, em elegância, em delicadeza que só o tempo em garrafa permite. Todos eles passaram por madeira (habitualmente entre um e dois anos), mas nenhum deles o denota. A madeira aparece aqui apenas como tempero para dar alguma estrutura e complexidade aos vinhos, não para os marcar nem se sobrepor aos aromas. Difícil é dizer de qual se gosta mais, pois o nível de todos eles é elevadíssimo, embora os preços vão em crescendo. Mas são vinhos que apetece ficar a apreciar por tempo indeterminado, descobrindo os seus segredos e o que faz tão atraentes. Como em tempos referi aqui acerca do Vinha da Nora, estamos perante vinhos aristocráticos, que se impõem pela elegância e suavidade que transmitem ao consumidor. E são todos grandes, grandes vinhos!

Um bem haja a José Bento dos Santos e à sua equipa por nos permitirem apreciar estes vinhos que nunca passam de moda, porque nunca estão na moda. Ou então estão sempre, porque são independentes do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Na Delidelux 4 - Luís Pato

   

O mês de Junho terminou com duas provas apenas com dois dias de intervalo na Delidelux, com o tema “Duas grandes provas com dois grandes produtores”: Luís Pato na primeira e Quinta do Monte d’Oiro na segunda.

Começámos com Luís Pato, que apresentou novidades fora do comum, como é habitual. Para além do já conhecido espumante branco Luis Pato bruto 2012, feito com 95% de Maria Gomes e 5% de Sercialinho, tivemos um espumante rosé muito interessante, o Informal 2013, 100% Baga e 100% proveniente da Vinha Pan. Depois houve ainda outro espumante, o Vinha Formal 2009, com uma cor que não era nem branco nem rosé, mas uma cor pálida, quase alaranjada: feito com Bical e Touriga Nacional, é um espumante muito aromático e interessante, vivo na boca e com uma acidez muito refrescante, vocacionado para entradas, pratos leves ou simplesmente para a conversa.

Para além destes foram apresentados dois tintos: o BTT 2009 (Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional em partes iguais), um vinho em que a Baga está praticamente escondida e quase nada mostra de Bairrada, misturando-se os aromas de cada uma duma forma pouco vulgar, que torna difícil identificá-lo. Mas é um vinho fascinante por isso mesmo, porque requer que se descubra aquilo que ele pode mostrar: estrutura, alguma robustez, persistência, um certo floral.

Finalmente um dos vinhos emblemáticos do produtor, o Vinha Pan 2009, baseado na Baga, um vinho estruturado e concentrado, longo e a prometer longa vida pela frente.

Como sempre, valeu a pena conhecer as criações de Luís Pato, em que a grande curiosidade foi sem dúvida o espumante Vinha Formal, com aquela cor fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de Junho de 2014

No meu copo 391 - Vallado branco 2012; Moscatel Galego branco 2011; Touriga Nacional rosé 2012

Não nos temos cruzado muitas vezes com os vinhos deste produtor, pelo que foi com curiosidade acrescida que provei este branco da Quinta do Vallado na versão standard, se assim lhe podemos chamar, depois de há uns anos ter provado o monocasta de Moscatel Galego.

Foi bebido a acompanhar peixe grelhado, um prato à partida não muito desafiante, mas o vinho portou-se bem e não deixou o seu nome mal visto.

É um branco a que poderíamos chamar clássico, aromático, suave, que apresenta uma boa frescura e acidez na prova de boca, com final elegante e persistente. O aroma tem uma componente algo floral e simultaneamente algum citrino. Muito equilibrado em todas as suas componentes, bebe-se com prazer e é um daqueles vinhos que se tornam gulosos sem darmos por isso, à medida que vamos bebendo mais um copo.

Dentro dos brancos da gama média, é uma boa aposta para pratos de peixe não demasiado condimentados mas, antes, a pedir algum requinte. É de repetir, e esse é o melhor elogio que lhe podemos fazer.

Quanto ao Moscatel Galego, este em repetição, mostrou-se mais exuberante no aroma, com acidez mais marcada, aromas exóticos com alguma mineralidade, elegante na boca e final persistente. Sendo dois vinhos com perfis algo diferentes, ambos merecem atenção e nova prova. Por isso entram para a nossa lista de sugestões.

O que já constava nessa lista de sugestões era o rosé de Touriga Nacional, provado há cerca de um ano. Esta colheita de 2012 confirmou o perfil da colheita de 2011, onde já então eu comecei a desconfiar da boa aptidão da Touriga Nacional para fazer rosés, talvez até mais do que tintos: floral, suave, aberto, elegante e aromático, onde os traços típicos violetas da casta se expressam na plenitude, perdendo o carácter por vezes chato e cansativo que marcam muitos tintos. Pelo menos, dos rosés portugueses que tenho provado, o que estão no topo da minha lista são feitos de Touriga Nacional. Este foi apenas mais uma confirmação. É o típico rosé de Verão e esplanada, de cor salmão pouco carregada, leve e para beber descontraidamente, mas que não descura uma boa companhia de entradas ou pratos leves e frescos.

Quando a Quinta do Vallado se impõe no mercado essencialmente pela personalidade e pujança dos tintos, nós seguimo-la pela leveza e elegância dos brancos e rosés. Vale a pena experimentar este caminho diferente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado

Vinho: Vallado 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,79 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Moscatel Galego 2011 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2012 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,97 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de Junho de 2014

No meu copo 390 - Conde de Vimioso Reserva 2003

Este vinho é um dos produtos que compõem o vasto portefólio de vinhos de João Portugal Ramos em diversas regiões do país, neste caso na sua produção ribatejana de Almeirim.
Tendo já uma respeitável idade, como alguns dos vinhos que temos apreciado ultimamente, existe sempre a dúvida sobre como evoluiu ao longo de 10 anos, tendo em conta que é a produção de topo da Falua.

Há algum tempo tivemos oportunidade de provar os brancos e tintos da gama de entrada, que se portaram muito bem, e agora subimos ao patamar superior.

Este Conde de Vimioso Reserva 2003 apresentou-se ainda bastante encorpado, com alguma pujança mas já amaciado pelo tempo e com taninos muito arredondados. A madeira onde estagia está disfarçada e apenas lhe confere alguma complexidade e estrutura, mas não marca o perfil do vinho.

Mostrou-se ainda carregado na cor, com algumas notas de frutos vermelhos a espreitarem lá no fundo do aroma que se liberta se o deixarmos respirar.

Um bom vinho, sem dúvida, mas o preço torna inevitável a comparação com outros da mesma gama, o que talvez torne a sua aquisição menos aliciante...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de Junho de 2014

No meu copo 389 - Herdade da Comporta: branco 2012; tinto 2009

Já há algum tempo que andava a tentar arranjar uma oportunidade para provar os vinhos da Herdade da Comporta, situada no extremo sul da península de Tróia. Aproveitando uma promoção adquiri uma garrafa de branco e uma de tinto, que bebi em ocasiões diferentes.

Começando pelo branco, tendo em conta o perfil que é habitual nos brancos da Península de Setúbal, devo confessar que esperava mais. Apesar da proximidade do mar e das noites temperadas da região, este branco de 2012 não me satisfez particularmente. Sabe-se que o Arinto costuma ser uma casta que melhora os vinhos em que é usada, mas neste caso o Antão Vaz parece querer dar-lhe mais um perfil do Alentejo do que do Sado. Revelou-se pouco elegante, com aroma em que a fruta aparece algo escondida e mostrou pouca frescura na boca.

Quanto ao tinto de 2009, a decepção foi maior. Demasiado agressivo na boca, adstringência em excesso, álcool exagerado a tornar a prova desequilibrada, com a fruta ofuscada pelo teor alcoólico e pelo excesso de evidência da madeira. Embora já não seja propriamente um vinho novo, talvez precise de mais tempo em garrafa para que todo o conjunto evolua, se integre e mostre um conjunto mais equilibrado.

Enfim, é pena, mas não fiquei convencido com nenhum destes vinhos da Herdade da Comporta. Certamente o prestígio de que este nome já goza mereceria uma avaliação mais positiva... mas pode ser que haja uma segunda oportunidade que corra melhor. A julgar por estas primeiras impressões, não ficou grande vontade de repetir...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Herdade da Comporta - Actividades Agro-Silvícolas e Turísticas

Vinho: Herdade da Comporta 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade da Comporta 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 5

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

No meu copo 388 - Pinheiro da Cruz 2004

Já há alguns anos que não bebia este vinho, e esta garrafa já repousava há bastante tempo na garrafeira. Foi uma revelação há mais de uma década, quando ainda não tinha denominação de origem e era apenas uma produção quase local.

Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.

Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.

No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.

Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 14 de Junho de 2014

No meu copo 387 - Periquita Reserva 2007

Continuamos no universo José Maria da Fonseca, com mais uma criação do enólogo Domingos Soares Franco. Desde que alargou o seu portefólio muito para além do Periquita – com o lançamento da versão em branco e em rosé, para além de novos produtos sob a chancela Domingos Soares Franco Colecção Privada ou do sublime Hexagon (provado em duas colheitas, 2000 e 2003) – uma das novas criações foi, para além do Periquita clássico, o lançamento dum Reserva, de perfil mais complexo.

Em 2010 adquirimos esta garrafa numa promoção da Revista de Vinhos e guardámo-lo até agora. Foi aberto com antecedência, não tendo sido decantado porque não pareceu estar tão fechado que o justificasse. No entanto, ao longo da refeição foi libertando aromas, tendencialmente a frutos vermelhos, violetas e compota, e tornando-se mais macio. O estágio de 8 meses em madeira confere-lhe alguma complexidade na prova de boca, mostrando-se medianamente encorpado e terminando com persistência média.

Esperava-se, talvez, um pouco mais deste Reserva, que no patamar em que se coloca encontra alguns concorrentes de peso que podem justificar a preferência dos consumidores. É um vinho agradável de beber, mas parece que lhe falta um “clic” para se guindar a outro nível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2007 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 10 de Junho de 2014

No meu copo 386 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010


Estamos em presença de um rosé que causou alguma polémica quando surgiu no mercado, numa aposta ousada e arriscada de Domingos Soares Franco, por ser composto exclusivamente por uma casta que quase desapareceu e foi recuperada pelo enólogo, e cuja máxima expressão se revela em pleno no vinho generoso a que dá o nome. Tem feito sucesso no mercado e divide opiniões.

Pela minha parte, esta foi a segunda prova que fiz dele, e acho que não deve ser adorado nem detestado. Apresenta uma cor salmão desmaiada, quase a tender para o incolor, aroma marcado a flores, é leve, fresco e macio, primando pela elegância. No entanto, no final parece-me sempre que lhe falta algo mais, pois pode tornar-se um pouco incaracterístico, parecendo ser pouco... vinho...

Não é de desprezar e merece ser provado e conhecido, até pela originalidade da sua produção. Mas não é, de todo, excepcional, e pode tornar-se um pouco caro para o prazer que nos proporciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo rosé 2010 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Moscatel Roxo
Preço em feira de vinhos: 10,38 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Na Wine O’Clock 17 - Esporão e Quinta dos Murças

Mais uma prova na Wine O’Clock, desta vez com vinhos produzidos pelo Esporão na Quinta dos Murças, no Douro, para além dos produzidos na Herdade propriamente dita, em Reguengos de Monsaraz.

Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.

Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.

Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.

Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.

O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.

Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.

Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 2 de Junho de 2014

No meu copo 385 - Dão Borges, Touriga Nacional 2004

Voltamos a um vinho com o qual nos temos cruzado raramente, embora existam alguns exemplares em casa. A primeira prova efectiva tinha ocorrido há uns anos num belo repasto no restaurante Os Arcos, na companhia do tuguinho e do Politikos, com uma garrafa da colheita de 2005 a bater-se exemplarmente com uns excelentes bifes pimenta.

Recentemente abrimos uma garrafa da colheita de 2004 que repousava na garrafeira, para acompanhar uma carne requintada no forno, e voltou a portar-se exemplarmente. É um daqueles vinhos que conseguem conciliar o melhor de dois mundos: estrutura com taninos firmes e elegância!

Apresentou-se com uma cor rubi carregada com laivos violáceos, boa estrutura e volume de boca mas muito elegante, aroma profundo com algum floral marcado por violeta e frutos do silvestres, taninos bem firmes mas macios e com final longo mas suave, tudo muito equilibrado, sem qualquer sinais excessivos de madeira a sobrepor-se ao conjunto. Uma delícia, que se mostrou no ponto para beber, tendo passado com distinção a prova do tempo.

Excelente vinho, que por vezes, com alguma sorte, conseguimos comprar pelo preço mencionado mais abaixo, embora normalmente o preço de referência seja significativamente superior. Mas por este preço, é imperdível. Faz parte dos melhores entre as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Na Wine O’Clock 16 - À volta do mundo com Raul Riba d’Ave



Foi um fim de tarde diferente no que respeita às provas de vinhos, pois esta partiu dum conceito pouco habitual: provar vários vinhos de diferentes países e todos com diferentes características. Viajámos de Portugal à Nova Zelândia, passando por França e Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.
Convidado para orientar o evento enólogo Raul Riba d’Ave, que nos propôs 4 brancos e 3 tintos.

Começando naturalmente pelos brancos, o primeiro a vir à liça foi um SA Prum Solitar Trocken 2012, um Riesling da Alemanha, da região do Mosel, berço da casta e onde esta melhor expressa as suas características. Ligeiramente adocicado mas com excelente acidez, muito frutado e elegante na boca, o Riesling (para quem gosta, como é o nosso caso) no seu melhor. Foi muito apreciado pelos presentes.

Seguiu-se um Monte Tondo 2013 de Pinot Grigio, da região de Veneto, no norte de Itália, próximo dos Alpes, que se mostrou mais seco e picante na boca mas menos ácido e mais simples. Um vinho mais fácil mas menos atractivo.

Em seguida demos uma volta pela Nova Zelândia, região de Marlborough, para um monocasta Sauvignon Blanc de 2012 da Ribbonwood (uma aquisição da Sogrape nos antípodas), que se mostrou demasiado vegetal, muito marcado pelo verde da casta, que não fez as delícias dos presentes, faltando-lhe a componente mais frutada que se encontra normalmente nestes vinhos, e que está tão bem representada no Villa Maria.

Para comparar com este, passámos por França e avançou um Hubert Brochard 2013, da região de Sancerre, que se apresentou muito mais elegante e equilibrado que o antecessor, embora com os aromas algo discretos.

De realçar que nos brancos a graduação alcoólica máxima foi de 13%, tendo o Riesling apenas 11,5% de graduação e o Pinot Grigio 12,5%.

Terminados os brancos, passámos a 3 tintos, começando pela vizinha Espanha, região de Toro: um Terra D’Uro Roble 2010, com base no Tempranillo (a nossa Tinta Roriz/Aragonês). Mostrou pujança e ao mesmo tempo alguma macieza, com taninos presentes mas redondos e sem marcar demasiado o conjunto.

Em seguida Argentina onde se tem dado tão bem a já famosa Malbec, com um Crios 2012 da região de Mendoza. Criado em altitude, próximo dos Andes, numa zona semi-desértica onde anteriormente as águas do degelo eram usadas para a rega da vinha. Este mostrou os taninos mais presentes, mais seco mas com muita estrutura, para durar.

E terminámos com um tinto do Douro, um Roquette & Cazes 2011, que mostrou o perfil típico dos tintos muito concentrados do Douro, muito alcoólicos e taninosos. Algo cansativo...

No geral, e em jeito de balanço, foi uma prova muito interessante. Uns vinhos agradaram mais que outros, como é normal, e a apreciação não foi consensual em vários casos, mas teve a virtude de permitir comparar vinhos com a mesma casta em regiões muito distintas.

Kroniketas, enófilo esclarecido